PM agride estudante na USP

Hoje pela manhã um Policial Militar, em operação para retirar os estudantes que estavam dentro do espaço estudantil do DCE-Livre da USP, sacou a arma e agrediu arbitrariamente um estudante.

Depois da desocupação truculenta da reitoria, da expulsão de seis alunos que ocuparam o COSEAS, a reitoria utiliza a PM para seguir provocando os estudantes e TOMAR um espaço que vem sendo utilizado há anos como sede da entidade máxima de representação dos estudantes. O DCE-Livre.

São dois vídeos que documentaram a ação DESASTROSA da Polícia Militar. No primeiro vídeo, percebam que o policial pergunta ao estudante se ele é aluno da USP e, após o aluno responder que sim, mas que não ia apresentar a carteirinha “apenas sua palavra”, o policial simplesmente parte para a agressão chegando, inclusive, a sacar a arma e apontá-la em direção ao aluno. Chama atenção o fato de o policial agredir o único estudante negro que estava dentro do prédio naquele momento. Por que razão ele questiona se aquele estudante, em específico, é aluno da USP?

No segundo vídeo, os estudantes indagam a razão pela qual o policial não está utilizando sua identificação e ele parte para cima de uma estudante, intimidando-a fisicamente com seu corpo. Outro policial também utiliza a estratégia de intimidação ao filmar individualmente os estudantes que estão acompanhando e documentando a ação policial, deixando claro que eles estão sendo “fichados”. Mais adiante, o mesmo policial racista e agressor parte para cima de outro estudante que acusava o racismo da agressão do policial que, não satisfeito com as agressões anteriores, volta a agredir este outro estudante, pegando-o pelo peito e perguntando o que ele sabe sobre racismo. Certamente ele sabe muito mais do que o covarde agressor.

Os vídeos falam por si e servem para a opinião pública ver o que os estudantes diziam sobre as reais intenções do reitor João Grandino Rodas, velho amigo de torturadores, so colocar bases da PM dentro do Campus. Seu objetivo é fazer com que a Polícia reprima violentamente todas as manifestações políticas dos estudantes em sua origem. Houve quem dissesse que os estudantes eram traumatizados com a Ditadura Militar e que nada disso ocorreria, a Polícia estava sendo chamada para o campus para garantir a segurança dos próprios estudantes. Pois bem, vejam como a PM garante a segurança dos estudantes: sendo racista, violenta e arbitrária da mesma forma como ela age em todos os lugares.

Segundo reportagem da Folha, na tarde desta segunda-feira, a Polícia Militar informou que o policial ANDRÉ FERREIRA, juntamente com seu comparsa que intimidava os estudantes filmando o rosto de quem estava no Centro de Vivência, foram afastados. O coronel WELLINGTON VENEZIAN, comandante responsável pelo patrulhamento na USP, comentou à reportagem que “houve despreparo na ação e um “descontrole nervoso” do policial”.

Somente o afastamento dos policiais agressores não basta para resolver o clima de tensão dentro da USP. O convênio firmado entre a reitoria e a PM tem que ser revisto e a polícia tem que se retirar de dentro do campus universitário. Os vídeos comprovam uma vez mais o despreparo, para dizer o mínimo, dos truculentos militares na abordagem a estudantes fazendo manifestações e protestos políticos dentro da Universidade.

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5 Comentários

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5 Respostas para “PM agride estudante na USP

  1. Edson

    Talvez, se o pivô da ação, não houvesse se recusado a acatar a ordem da autoridade policial e tivesse apresentado sua identificação de aluno, o final teria sido diferente. Acho estranho é que nada se comenta quanto à situação ilegal em que se encontravam aquelas pessoas, pois as mesmas se recusavam a acatar ordem judicial para desocupar a área invadida, repito invadida.

  2. Caro Edson,

    Considerando que a autoridade policial, em princípio, sequer deveria estar lá, já que a Universidade de São Paulo trata-se de uma autarquia pública cuja responsabilidade é garantir a segurança dos frequentadores da universidade com recursos próprios e não com a Polícia Militar e deve se pautar pelo diálogo e não pelo uso da força armada; considerando que o pivô da ação é a autoridade policial, e não o estudante agredido; considerando que o estudante não tem obrigação alguma de apresentar identificação universitária em razão de o espaço ser público e considerando que os alunos que estavam ali faziam uma manifestação política reivindicando um espaço estudantil que a reitoria deseja tomar deliberadamente para impedir que o órgão de representação máxima dos estudantes tenha uma sede; considerando tudo isso, eu digo que seu comentário é totalmente despropositado e, muito preocupante, tenta justificar uma ação violenta da polícia contra pessoas desarmadas que, em nenhum momento, desacataram a dita autoridade policial.

    Atenciosamente,

    Roger

  3. Edson

    Calma Sr. Roger, foram muitas informações.
    Primeiro: A USP, ou qualquer outro lugar está sujeito a ação do Estado, no caso representado pela polícia.
    Segundo: Concordo que ação policial deva se pautar no diálogo até onde este for possível. Além desse limite, há que se usar a força, caso necessário. (Concordo que houve excesso ao sacar a arma.)
    Terceiro: Sim, o estudante, ou qualquer outro cidadão tem a obrigação de apresentar uma identificação quando interpelado pela autoridade policial.
    E por fim, quarto: Havia uma ordem judicial para a desocupação do local público, assim definido por V. Sa., que dever ser cumprida, não importando se a manifestação é politica ou não.
    Há que se ter ordem para que haja progresso.

    Atenciosamente.

    Edson.

  4. Opa… eu estou calmíssimo. hahaha

    1) A ação da PM sim, a presença de bases fixas dentro dela não. Precisa se informar sobre o significado da palavra autarquia e como elas funcionam.

    2) Não estava me referindo a ação policial se pautar pelo diálogo, mas sim da reitoria com os estudantes. Quando a reitoria se recusa a dialogar com os estudantes e utiliza a polícia para resolver problemas de ordem política da universidade, significa que a reitoria está deixando de cumprir seu papel. Leia a nota pública da Associação dos Juízes para a Democracia (AJD) sobre os eventos que vem ocorrendo na USP desde novembro de 2011. http://www.ajd.org.br/documentos_ver.php?idConteudo=99

    3) Não, não tem. Ele pode se recusar a apresentar identificação especialmente se a ordem policial for abusiva e ele não estiver incorrendo em nenhum ato ilícito. Ao recusar se identificar, em hipótese nenhuma os policiais devem agredir em represália.

    4) Novamente a reitoria deixa de cumprir seu papel de diálogo com os estudantes e abusa da judicialização de questões eminentemente políticas, o que está acarretando um indevido controle reacionário e repressivo dos movimentos sociais reivindicatórios. Como bem diz a nota da AJD, quando movimentos sociais escolhem métodos de visibilização de sua luta reivindicatória, como a ocupação de espaços simbólicos de poder, visam estabelecer uma situação concreta que lhes permita participar do diálogo político, com o evidente objetivo de buscar o aprimoramento da ordem jurídica e não a sua negação, até porque, se assim fosse, não fariam reivindicações, mas, sim, revoluções.

    Atenciosamente,

    Roger

    • Edson

      Somente voltando a alguns pontos:

      Autarquia: “A ideia da autarquia reside na necessidade da pessoa política criar uma entidade autônoma (com capacidade de administrar-se com relativa independência e não de maneira absoluta, visto que há a fiscalização do ente criador) para a realização de atividade tipicamente pública, sendo uma das formas de materialização da descentralização”
      E quanto ao item 3, caso seja da maneira como você descreve, não há como a polícia cumprir seu papel, pois se é o próprio cidadão que escolhe se acata ou não a autoridade, a figura do homem fardado se torna desnecessária. Afirmo novamente que houve exagero, mas não discordo do uso da força caso não se obtenha a cooperação por outros meios.

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