O atual governo de São Paulo e o Golpe Militar de 1964

Os recentes e lamentáveis episódios de violência da Polícia Militar contra os cidadãos do Estado de São Paulo (USP, Cracolândia e Pinheirinho), tem explicitado de maneira exemplar como esta instituição ainda é regida pelos mesmos princípios de uma época em que os militares detinham o poder em todo o país: ordens superiores para usar a violência à vontade com a certeza da impunidade.

Essa atitude da Polícia Militar não está desconectada do pensamento reacionário que norteia a presente administração estadual em São Paulo. Prova disto é que nesta semana circulou nas redes sociais a informação de que o site da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo tratava o Golpe de Estado que depôs o governo legítimo de João Goulart, em 1964, como se este tivesse sido uma Revolução, na qual a Força Pública e Guarda Civil paulista se puseram solidárias as autoridades e ao povo, como demonstra a imagem abaixo.

Site da Secretaria de Segurança Pública

Imagem retirada do site da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Depois da informação ter sido amplamente divulgada, a Secretaria retirou a informação referente ao ano de 1964 de seu site.

O caso é ainda mais preocupante do que as demonstrações de violência da polícia, pois no site é  a administração pública que, ao louvar uma época onde direitos civis e liberdades individuais eram completamente ignorados, dá mostras de que está alinhada com o total desrespeito aos valores democráticos vividos naquela época. Portanto, a maneira como a Polícia Militar vem atuando recentemente, é apenas reflexo de como os governantes de nosso Estado pensam a Segurança Pública.

Não estou querendo dizer com isso que não houve avanços desde a consolidação de um regime democrático no Brasil a partir de 1985. Nada disso. É claro que o Brasil de 2012 está bem distante do Brasil de 1964 e 1968. Contudo, a Polícia Militar, especialmente quando administradas por governos coniventes com o uso da violência, como os de Luiz Antônio Fleury Filho (Carandiru), Paulo Salim Maluf (“A Rota na rua”, “Bandido bom é bandido morto”, “estupra, mas não mata”) ou Geraldo Alckmin (grupos de extermínio), não temem em exibir à sociedade seu desprezo pelos mínimos direitos civis e liberdades individuais que foram duramente conquistados com a Constituição de 1988.

Não podemos ficar apenas assistindo as constantes violações de nossos direitos e liberdades por governantes que, ao desrespeitá-los, não nos representam. Passou o momento de agirmos e, o mínimo que podemos fazer, é denunciar a todos os órgãos de proteção dos direitos humanos, sejam eles nacionais ou internacionais, as frequentes violações que estamos sofrendo.

Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa HumanaAmanhã, junto com um grupo de voluntários do CONDEPE, estarei em São José dos Campos colhendo depoimentos de tudo o que ocorreu com os moradores que sofreram a reintegração de posse no Pinheirinho. O objetivo é reunir e organizar relatos  das violações de Direitos Humanos e denunciá-los junto a instâncias nacionais e internacionais de proteção desses direitos, tais como a Defensoria Pública, o Ministério Público e a Junta Interamericana de Direitos Humanos, por exemplo.

Pode ser pouco, mas é um dos instrumentos que temos à mão para cobrar satisfações, apurar responsabilidades e punir essas autoridades que só tem nos desrespeitado. Espero não sofrer nenhuma violência junto com os colegas e, se tudo der certo como planejamos, depois de amanhã terei novidades de nossa atuação em São José. Desejem-nos sorte!!!

VIDEOS INTERESSANTES SOBRE O GOLPE DE 1964:

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2 Comentários

Arquivado em Política

2 Respostas para “O atual governo de São Paulo e o Golpe Militar de 1964

  1. Renata

    Que vocês obtenham êxito com os relatos e possam ajudar essas pessoas que sofreram essa violência tremenda. Força e coragem!
    Excelente coletânea de links 😉

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