Arquivo do mês: fevereiro 2012

PINHEIRINHO pertence a Naji Nahas e não à massa falida da Selecta

Ontem tomei conhecimento de um vídeo-depoimento em que o procurador do Estado de São Paulo, Márcio Sotelo Felippe, após ter estudado o processo de falência da Selecta, revelou que NÃO EXISTE o que vem sendo excessivamente veiculado nos veículos de imprensa e redes sociais de “MASSA FALIDA DA SELECTA”, mas sim que a propriedade do terreno onde estava o Pinheirinho é pura e simplesmente do Sr. Naji Nahas.

Para comprovar sua afirmação, o procurador apresenta um despacho, escrito de próprio punho pelo juiz Dr. Luiz Beethoven, de que a falência já estava finda e o restante do numerário deveria ser devolvido ao falido. AGORA PASMEM, o despacho foi assinado no ano de 2006, seis anos antes da truculenta reintegração de posse ocorrida em janeiro de 2012.  Portanto, como diz Sotelo Felippe no vídeo, todos os credores da dita massa falida já estavam pagos em 2006, conforme Naji Nahas ia comprando crédito destes credores, certamente com deságio e, como já havíamos postado por aqui, tornando-se credor de si mesmo.  Não há sequer créditos trabalhistas, como chegou a ser divulgado em alguns jornais. Há, somente, Naji Nahas.

O promotor Sotelo Felippe também acusa o encobrimento dos veículos de imprensa acobertando estas informações. Segundo ele, um jornal da grande imprensa está há mais de 15 dias com reportagem completa cobrindo todo este quadro de informações, mas ainda não decidiu publicá-las.

O procurador lembra que um grupo de juristas e advogados organizaram um manifesto para levar à Corte Interamericana o caso do Pinheirinho. Assim, ele faz um apelo a todos que acompanham o caso que engrossem a lista de assinaturas para ajudar a levar o caso à Corte Interamericana da OEA. Segue o link para o Manifesto Pela Denúncia do Caso Pinheirinho à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Por fim, quero compartilhar o vídeo-depoimento por aqui, parabenizando o procurador Márcio Sotelo Felippe por sua coragem, destacando a seguinte frase, dita por ele no meio de sua fala:

“Este caso há de ser um momento de inflexão da fascistização do Estado brasileiro. Tem que ser agora! Nós temos que resistir agora. Nós não podemos permitir mais! Haverão outros Pinheirinhos!! Já bateram nos estudantes da USP. Já bateram nos dependentes químicos! Agora seis mil excluídos levam porrada da polícia! Quem é o próximo? Onde para? É preciso deter este processo. É preciso intimidar e hoje esta intimidação tem que ser dizer claramente à sociedade brasileira e à comunidade internacional que há autores de crimes contra a humanidade no Estado brasileiro.”

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David Harvey em São Paulo

David Harvey é um geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. Foi professor de Geografia nas universidades de Bristol (Reino Unido), John Hopkins (EUA), Oxford (Reino Unido) e atualmente leciona na City University of New York (EUA).

Desde 1980, seus trabalhos vem sendo traduzidos para a língua portuguesa e são mais do que recomendáveis para quem quer entender melhor o funcionamento do capitalismo desde a década de 1970 aos dias atuais. Abaixo a lista de suas obras traduzidas e publicadas por editoras brasileiras:

  • A Justiça Social e a Cidade. Tradução: Armando Corrêa da Silva, São Paulo: Hucitec, 1980.
  • Condição Pós-moderna. Tradução: Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves, São Paulo: edições Loyola, 1993.
  • “Espaços de Esperança”. Tradução: Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves, São Paulo: edições Loyola, 2004.
  • “O Novo Imperialismo”. Tradução: Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves, São Paulo: edições Loyola, 2004.
  • “A produção capitalista do espaço” (Titulo original:Spaces of capital: Towards a critical geography). Tradução: Carlos Szlak, São Paulo: Annablume, 2005
  • “O enigma do capital e as crises do capitalismo” (Titulo original:The enigma of capital: and the crises of capitalism). Tradução: João Alexandre Peschanski, São Paulo: Boitempo, 2011

A boa notícia é que, a convite da Boitempo Editorial, nos dias 27 e 28 de fevereiro, David Harvey estará em São Paulo para o lançamento do seu livro mais recente, O enigma do Capital e as crises do Capitalismo. No dia 27/02 Harvey estará no Teatro TUCA, da PUC-SP e no dia 28/02 é a vez do auditório da FAU-USP recebê-lo. O evento é gratuito e sem necessidade de inscrição prévia, e acontece no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Abaixo segue imagem do convite e a programação completa.

Como aquecimento da palestra de lançamento do livro, nesta próxima terça-feira, compartilho por aqui a entrevista que ele concedeu ao programa Milênio da Globo News.

Não deixem de conferir também a página oficial da visita de David Harvey ao Brasil.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

27/02 | Segunda-feira | 19h30 – São Paulo (SP)
Teatro TUCA da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Rua Monte Alegre, 1024 – CEP 05014-001, Perdizes – Tel. (11) 3670-8458
Com a presença de Leda Paulani (FEA/USP) e João Ildebrando Bocchi (FEA, PUC-SP)
Realização: APROPUC, Núcleo de Estudo de História: Trabalho, Ideologia e Poder (NEHTIPO), Departamento de História da PUC-SP, Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP e Boitempo Editorial
Apoio: PUC-SP e Teatro TUCA

28/02 | Terça-feira | 18h30 – São Paulo (SP)
Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU/USP)
Rua do Lago, 876 – CEP 05508-900, Cidade Universitária – Tel. (11) 3091-4801
Com a presença de Ermínia Maricato (FAU/USP) e Mariana Fix (LabHab)
Realização: FAU/USP, Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAU (LabHab), Pós-Graduação FAU/USP e Boitempo Editorial

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Rodas e a USP dos nossos piores pesadelos

Cartoon de Carlos Latuff sobre a autonomia universitária na USP

Estas férias de 2011/2012 entrarão na história da USP como aquelas em que os movimentos e organizações estudantis foram mais atacados por um único reitor depois do período da ditadura. Apenas para se ter uma ideia, no intervalo de apenas uma semana, vimos o reitor pedindo ação dos governos de São Paulo para reurbanizar áreas vizinhas ao Campus da USP, o que indica que uma higienização nas comunidades de São Remo e Carmine Lourenço, entre outras, está a caminho, conforme comentamos no post de 09/02/2012.

Em seguida, fomos pegos de surpresa ao sermos informados de que a partir do próximo dia 27 de fevereiro, quando as aulas recomeçam, os alunos, professores e funcionários receberão um bilhete único exclusivo para ser usado nas duas linhas de ônibus circular do local, que passarão a ser gerenciadas pela São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura.
Oras, se a Universidade e a
Reitoria querem, de fato, integrar a USP com as comunidades vizinhas, então porque cria este Bilhete Único da USP??? É óbvio que essa história de USP de portões abertos para a comunidade não passa de balela e que, para a reitoria da Universidade, lugar de pobre é fora da USP. Agora até mesmo quem não for estudante, se não tiver carro e quiser circular dentro do campus, terá que pagar. Pobre não tem vez!!! Visitante bom são os riquinhos de academia tipo Run & Fun e Runner que vão fazer seus treinos com vans personalizadas, personal trainners e isotônicos lá dentro do campus, isso sem falar naqueles ciclistas com suas roupas cheias de anúncios, como lembrou a amiga Juliana. Para estes, o magnífico Reitor até aumenta o policiamento para garantir a segurança deles. Portanto, a ação de criar um bilhete único da USP, visa claramente diminuir o número de pessoas não ligadas a Universidade utilizando os circulares. UM ABSURDO!!!!


E hoje, novamente, por volta das 5h da manhã o Reitor Rodas chamou a Polícia Militar para acabar com a ocupação da moradia Retomada. Na operação de hoje, doze estudantes foram presos, apesar de não terem resistido. A advolgada Ana Lúcia Marchiori disse que o mandado de reintegração de posse foi expedido no dia 17, sexta-feira. “Foi feito de propósito para que a ação fosse feita no fim de semana e evitar a repercussão”. Os alunos detidos, exceto uma adolescente de 17 anos que também havia sido detida, responderão por desobediência e danos ao patrimônio. “Só que não havia perito para atestar os danos ao patrimônio e não houve resistência”, defende a advogada. Ou seja, uma vez mais, nossos colegas serão criminalizados por fazerem uma manifestação legítima e política dentro do ambiente universitário.

Para recuperar o histórico desta ocupação, em março 2010, diante da triste situação da assistência e permanência estudantil na USP, quando mais de 100 calouros que tiveram o alojamento emergencial negado pela Coordenadoria de Assistência Social, estudantes retomaram um espaço no Conjunto residencial da USP (CRUSP) que havia sido tomada pela Divisão de Promoção Social da COSEAS e pelo banco Santander, inviabilizando a utilização do espaço como moradia estudantil. A então Moradia retomada foi uma forma de viabilizar moradia a estudantes que não conseguiam passar pelo “pente fino” da Reitoria para garantir o que deveria ser um direito: a moradia estudantil assegurada pela Universidade.

Abaixo, um vídeo gravado em 30/01/2012, portanto, 20 dias antes da ação de reintegração realizada pela PM, onde professores e membros do SINTUSP dão seu depoimento sobre o estado de conservação das moradias retomadas e declaram seu apoio total ao movimento.

E, em seguida, um vídeo realizado por testemunhas que registraram a invasão da tropa de choque no CRUSP ocorrida neste último domingo de carnaval, dia 19 de fevereiro de 2012.

No dia 20 de janeiro de 2012, a Rádio Brasil Atual recebeu em seus estúdios os estudantes Augusto Saraiva e Rosi Santos, que foram presos na operação policial, e a aluna Laura Lima, moradora de outro bloco do Crusp, que presenciou a ação da PM. Em entrevista à repórter Lúcia Rodrigues, eles descrevem o que ocorreu na reintegração da área. Escute a entrevista na Rádio Rede Brasil.

Durante a entrevista, uma DENÚNCIA muito grave foi realizada por uma das estudantes presas, que informou que O médicO que realizou o exame de corpo de delito no IML obrigou as estudantes presas a “baixarem suas calcinhas” e ficarem COMPLETAMENTE NUAS diante DELE.

Conforme destacado por uma das alunas durante a entrevista, uma das estudantes presas estava grávida e foi arrastada pela Polícia Militar da moradia ocupada até o ônibus da polícia que a levaria até o D.P. Um vídeo contendo estas imagens foi gravado por moradores do CRUSP. Percebam que os policiais tem o cuidado de colocar um cobertor sobre a barriga da grávida para esconder a vergonhosa maneira como a estavam tratando. A estudante retira o cobertor, mas um policial rapidamente recoloca o cobertor no local.

Como destacou um professor da História nas redes sociais, “Em pleno Carnaval…semanas antes de começarem as aulas…
Não são os alunos “radicais”, os funcionários “malucos” ou os professores “esquerdistas” que não querem a volta à “normalidade” na USP. É o Reitor. Na verdade, o “normal” na USP é isso mesmo.”

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Massa falida da Selecta ignora ordem para retirar entulho do Pinheirinho

Matéria publicada pelo jornal O Vale, de São José dos Campos, em 18 de Fevereiro de 2012, por Beatriz Rosa e divulgada no blog PIG -Partido da Imprensa Golpista.

Funcionários da prefeitura já recolheram na área mais de oito toneladas de materiais para eliminar criadouros de dengue

Beatriz Rosa
São José dos Campos

A massa falida da empresa Selecta, proprietária do terreno do Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos, ignorou a determinação da prefeitura para fazer até ontem a limpeza da área de 1,3 milhão de metros quadrados.

Após a desocupação do terreno no dia 22 de janeiro pela Polícia Militar e a demolição de cerca de 1.700 moradias, a área se transformou em um depósito de entulho com alto risco de proliferação do mosquito transmissor da dengue.
A limpeza do terreno foi determinada pela prefeitura no último dia 2, mas a massa falida não retirou os entulhos até às 18h de ontem.

Nenhum representante da Selecta foi localizado para falar sobre o assunto.
Segundo a prefeitura, a massa falida será autuada na próxima quarta-feira e terá prazo de dez dias úteis para realizar o serviço ou apresentar um recurso justificando o descumprimento da ordem.

O novo prazo se esgota no dia seis de março. Após esse prazo, e persistindo a situação irregular, a empresa poderá ser multada em R$ 11 mil. Com a reincidência do problema, o valor da multa poderá dobrar.

Dengue.

O alto risco do local, levou equipes do Centro de Controle de Zoonoses a realizar vistorias diárias no local.
Por seis dias, cerca de 40 agentes recolheram mais de oito toneladas de entulhos considerados potenciais criadouros do mosquito entre os escombros do Pinheirinho.

Segundo o coordenador do departamento de políticas da Saúde, Marcelo da Silva Gasch, a ação foi necessária para eliminar possíveis criadouros.

“Foi uma primeira ação para retirar materiais de maior risco como caixas de água, vasos sanitários, pneus, latas e recipientes plásticos”, disse.

Um caminhão deve retornar ao terreno hoje para recolher mais materiais no terreno.

Etapas.

Segundo Gasch, a próxima etapa será a aplicação de larvicidas em potenciais criadouros espalhados pelo terreno, seguido da nebulização da área (agentes com jatos de inseticida) e do fumacê, em parceria com a Secretaria de Serviços Municipais.

Segundo ele, o larvicida combate a larva do mosquito, já a nebulização e o fumacê serão usados no combate ao mosquito.
A ação deve ser iniciada após o Carnaval e ser concluída em uma semana.

Durante a ação no terreno, os agentes recolheram 68 amostras de larvas nos criadouros, 19 delas eram do mosquito Aedes Aegypti.
Após a constatação dos focos de dengue, a área do Pinheirinho foi incluída entre os pontos estratégicos de risco para o controle do mosquito. Vistorias semanais devem ser realizadas no local.

“O local já está bem mais seguro com a retirada dos criadouros potenciais e está tudo dentro da normalidade. Mas os trabalhos irão continuar”, disse Gash.

São José registrou nove casos de dengue nesse ano –cinco importados e quatro contraídas no município.
Em 2011, o número chegou a 2.000 casos, a maioria deles nas regiões sul e leste.

Prefeitura desativa mais um abrigo na zona sul
São José dos Campos

A Prefeitura de São José dos Campos fechou ontem o abrigo do ginásio de esportes Ubiratan, no Dom Pedro 2º. Das 35 famílias que estavam alojadas no local, cinco foram transferidas para o Centro Esportivo Vale do Sol e outras 30 se mudaram para casas alugadas ou de amigos e parentes.

Foi o segundo abrigo fechado pela prefeitura. O primeiro deles, a escola Dom Pedro de Alcantara, conhecida como Caic Dom Pedro, foi desativada no dia 10. As 43 famílias que estavam no local foram direcionadas para outros abrigos.

A prefeitura mantém agora dois abrigos em funcionamento no Morumbi e Vale do Sol, com cerca de 70 famílias.
O governo afirma que as famílias irão continuar recebendo apoio do governo pelo tempo que for necessário.

Funcionários da Prefeitura continuam ajudando as famílias, com orientação e transporte, na busca de imóveis para aluguel em todas as regiões da cidade.

O advogado dos sem-teto, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, visitou ontem os abrigos e reclamou das condições dos locais.
Segundo ele, as famílias reclamam da falta de leite.

“Eles estão forçando as famílias a deixarem os abrigos. Os sindicatos estão doando materiais de limpeza e higiene para as famílias”, disse.

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Roger Waters, Maggie e as Malvinas

Hospedado na casa de amigos aqui no extremo sul do Brasil, a apenas dois quilômetros da fronteira com a Argentina, percebo que as notícias sobre as Malvinas repercutem com um pouco mais de força do que em São Paulo.

Embora este post não seja exatamente sobre a Guerra das Malvinas, mas sim sobre o comentário de Roger Waters sobre ela em músicas que foram gravadas no disco The Final Cut (1982), sugiro aos amigos que não se lembram muito bem do assunto, que leiam um pouco sobre esta guerra, apenas para poder entender sobre o que e quem as letras  abaixo estão falando. Pode ser o verbete da wikipedia mesmo.  

Quanto ao álbum The Final Cut, do Pink Floyd, ele foi gravado entre julho e dezembro de 1982, sob o forte impacto da participação britânica na Guerra das Malvinas, ocorrida entre os meses de abril e junho daquele mesmo ano. Por isso as letras fazem muitas referências diretas a personagens centrais do Conflito, como Margaret Tatcher (Maggie) e Leopoldo Fortunado Galtieri (Galtieri).

Como já mencionei anteriormente, acho uma oportunidade excelente quando artistas abordam temas históricos ou políticos em suas obras, pois elas também passam a ser ótimos registros da perspectiva desses artistas sobre a Guerra no momento em que ela ocorria, neste caso específico. Apenas para ilustrar o que falei, abaixo destaco as letras de duas músicas deste disco que tocam diretamente no assunto da Guerra das Malvinas:

GET YOUR FILTHY HANDS OFF MY DESERT
por Roger Waters 

Brezhnev took Afghanistan. 
Begin took Beirut. 
Galtieri took the Union Jack. 
And Maggie, over lunch one day, 
Took a cruiser with all hands. 
Apparently, to make him give it back

The Post War Dream
por Roger Waters 

Tell me true tell me why was Jesus crucified
is it for this that daddy died?
Was it for you? was it me?
Did i watch too much t.v.?
Is that a hint of accusation in your eyes?
If it wasn’t for the nips
being so good at building ships
the yards would still be open on the clyde
and it can’t be much fun for them
beneath the rising sun
with all their kids committing suicide
What have we done maggie what have we done?
What have we done to england?
Should we shout should we scream
“what happened to the post war dream?”
oh maggie, maggie what have we done?

Se considerarmos apenas estas duas letras, já é possível percebermos que o autor tem uma postura totalmente crítica em relação à participação da Grã Bretanha na Guerra das Malvinas, chegando mesmo a se perguntar o que havia acontecido com o sonho britânico do pós-guerra. Essas perguntas se justificam justamente porque naquele momento, em 1982, além da Guerra das Malvinas simbolizar um duro retorno dos ingleses a  campos de batalhas, o que não ocorria desde a II Guerra Mundial, havia também a política econômica que estava sendo tocada por Margaret Tatcher, que desregulamentava o setor financeiro, flexibilizava o mercado de trabalho e privatizava as estatais, fazendo com que os trabalhadores vissem as duras conquistas que garantiram o bem-estar social dos ingleses após a II Guerra Mundial serem limitados.  Por isso as pergunta angustiada de Waters:

“What Happened to the post war dream? Oh Maggie, Maggie what have we done?” 

Enfim, vendo novamente as notícias sobre toda essas movimentações de ingleses e argentinos em relação a soberania das Ilhas Malvinas, não pude pensar em fazer um post melhor aqui de onde estou, a apenas dois quilômetros de Paso de los Libres. Espero que tenham gostado.

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Higienização pode estar em andamento na comunidade São Remo

João Grandino Rodas

Reitor da USP, João Grandino Rodas, em cartoon de Carlos Latuff

Uma notícia bastante preocupante foi publicada hoje no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo sob a manchete USP QUER QUE GOVERNOS REURBANIZEM FAVELAS VIZINHAS A SEU CAMPUS.

Na curta reportagem de FÁBIO TAKAHASHI e JULIANNA GRANJEIA, somos informados de que o reitor João Grandino Rodas, solicitou ao Estado e à prefeitura a reurbanização de favelas no entorno da USP, pois avalia que a instituição tenha que dar atenção às mais de 3.000 famílias que vivem nas favelas São Remo e Carmine Lourenço. Para isso, o reitor teria afirmado que a universidade daria todo o apoio técnico a iniciativa.

Conhecendo o magnífico reitor como só os alunos da USP o conhecem, toda essa boa vontade está cheirando muito mal. Some-se a isso as recentes atuações dos governos municipal e estadual na “reurbanização” de algumas áreas da cidade, e logo justifica-se um forte receio da possível retirada de famílias de uma região TÃO VALORIZADA como a do Butantã. Especialmente após a chegada da linha amarela do metrô ao bairro.

Segundo a reportagem, um protocolo de cooperação já foi assinado em dezembro por USP, governo estadual e prefeitura, sendo o objetivo inicial deixar pronto até março de 2012 o levantamento parcial patrimonial e o potencial de ocupação.

Questionado por Takahashi e Granjeia, o coordenador da associação de moradores da comunidade São Remo, Givanildo Santos, demonstrou toda sua preocupação ao deixar para os leitores a seguinte pergunta: “Será que eles não querem tirar as pessoas de um terreno valorizado?”.

Cartoon de Frank ironiza o alvo preferido dos executores da justiça em São Paulo.

Embora João Grandino Rodas negue, é melhor deixarmos nossas barbas de molho, pois Alckmin e Kassab tem dado mostras recorrentes de que estão à serviço da especulação imobiliária em São Paulo. Além disso sabemos que se tiverem uma só oportunidade de retirar essa “gente diferenciada” de bairros valorizados para ganhar muito dinheiro, não hesitarão sequer um minuto.

Portanto, embora São Remo e Carmine Lourenço possam parecer comunidades difíceis de serem expulsas da região onde se encontram, as notícias nos dão indícios claros de que estamos no caminho de mais uma “higienização” em São Paulo.

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Aprendendo História com Jorge Ben Jor

Não é nenhuma novidade que muitas canções populares vem sendo utilizadas por professores como uma ferramenta extra na hora de preparar suas aulas nas mais diferentes disciplinas. Seja porque muda o esquema de aula giz/quadro-negro, ou porque os alunos gostam das músicas escolhidas, a verdade é que quando professores levam aparelhos de som para a sala de aula, é sempre aquele rebuliço. Quase sempre, os alunos ficam animados, ajudam a preparar a sala e ficam ansiosos para ver o que o professor preparou para eles.

Durante minha formação na licenciatura em História, e também nos estágios que realizei na rede pública, testemunhei algumas experiências levadas adiante por professores que, quase sempre, obtiveram mais êxito ao ensinar o conteúdo utilizando músicas do que recorrendo ao material didático tradicional. Inspirado por essas experiências, eu também planejava preparar um material que pudesse utilizar, mas ainda não tinha o principal: a música que iria explorar. Claro que no cancioneiro brasileiro há várias músicas que podem ser utilizadas, mas até um tempo atrás nenhuma canção em especial tinha me motivado a preparar algum material tomando-a como base, até que ouvi pela primeira vez Zumbi, de Jorge Ben Jor.

Como o nome indica, Zumbi fala sobre este famoso líder negro do Quilombo dos Palmares, que durante anos resistiu à frente de sua comunidade contra a autoridade portuguesa. Lançada em 1974, no álbum A Tábua de Esmeralda,  Zumbi é a oitava faixa deste disco que ficou conhecido por abrir o que o próprio Jorge Ben denominava de uma “fase alquímica”. Várias canções de sucesso fazem parte deste álbum, como Os Alquimistas Estão Chegando, Menina Mulher da Pele Preta e Hermes Trimegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda.

É importante que, antes de qualquer coisa, o professor que vá utilizar alguma música para dar aulas, também faça uma pesquisa preliminar sobre a história daquela música em si. Faz bastante diferença saber, por exemplo, não só que Jorge Ben Jor é negro, claro, mas que justamente a década de 1970, quando o disco foi lançado, há um crescimento de organizações que lutam por melhores condições de vida para a população negra brasileira, vítima de todo tipo de discriminação.

Certamente, dentre outras influências e inspirações, as organizações brasileiras também foram influenciadas por grupos e movimentos que surgiram com bastante força nos Estados Unidos, na década de 1950, na luta dos afrodescendentes em garantir igualdade de direitos civis e contra a segregação racial vigente naquele país. As ações afirmativas levadas adiante por estes grupos, repercutiram na sociedade e ganharam visibilidade de diferentes formas: no comportamento, jovens passam a se vestir com roupas que entendiam afirmar uma identidade negra, da qual se orgulhavam, assim como utilizar penteados e cortes de cabelo que valorizavam as características físicas dos negros, como o cabelo Black Power.

No campo da música, TV ou cinema, muitos artistas passaram a utilizar as roupas e cortes de cabelos valorizados por estes movimentos, criando uma tendência a ser seguida pelos fãs e multiplicada nas ruas. No Brasil, Wilson Simonal, Jorge Ben Jor, Jair Rodrigues e Tim Maia são apenas alguns exemplos que inspiravam os jovens dos anos 70. É claro que toda essa problemática vivenciada pela sociedade da época, apareceria nas letras das músicas produzidas então. Nada mais significativo do que Zumbi, um líder negro que lutava contra as injustiças perpetradas por uma sociedade escravocrata em prejuízo dos negros, ser justamente o tema central de uma canção composta por Jorge Ben Jor exatamente nesta época. Afinal de contas, Zumbi é um exemplo de luta, um exemplo de resistência a ser seguido.

A letra da música é bastante visual e, a cada estrofe cantada por Ben Jor, é natural que se imagine a cena que está sendo descrita. Aliás esta é a primeira atividade planejada para os alunos executarem, isto é, escutar a música atentamente e, somente com o auxílio da letra, descrever as imagens que a canção traz à cabeça.

Passada esta etapa, é chegado o momento de levantarmos o que os alunos já sabem, antes mesmo da exposição do conteúdo, sobre o tema da escravidão no Brasil. Aqui a ideia é estimular com perguntas bastante específicas, como por exemplo: porque a canção se chama Zumbi? O que vocês sabem sobre Zumbi dos Palmares? Como os negros eram trazidos da África para o Brasil? Com quais objetivos? Na canção ele menciona uma princesa negra, o que isso faz pensar? Porque o compositor menciona justamente plantações de cana-de-açúcar e café? O que vocês acham que são os nomes Angola, Congo, Benguela, Monjolo, Cabinda, Mina, Quiloa e Rebolo, que ele repete em toda a canção? Havia formas de resistência à escravidão que era imposta aos negros? Que tipo de herança deixou ao Brasil e aos brasileiros a presença de africanos por tantos séculos no Brasil? Podemos falar de heranças culturais e de uma participação marcante na elaboração de uma identidade brasileira? Enfim, todo tipo de pergunta que a canção pode suscitar e o professor queira explorar na aula expositiva.

Feito o debate inicial, sugere-se a apresentação do videoclipe que contém imagens com um posicionamento bastante claro sobre o tema. O objetivo é, sob um determinado ponto de vista, tentar endereçar as questões feitas antes da exibição do vídeo para, após a conclusão desta etapa, promover novo debate sobre o que acham após terem visto as imagens apresentadas. Por fim, tendo realizado todas as etapas e desenvolvido junto com os alunos um conteúdo inicial, o professor utiliza todo este material para fazer sua exposição de conteúdo, sem se esquecer de utilizar os pontos trazidos pelos alunos e adotar uma postura crítica em relação à própria letra da música, seu compositor e o momento em que fez a canção, além do videoclipe em si, as imagens que foram selecionadas para compô-lo e as diferentes perspectivas que podem ser observadas ao abordar este tema.

Ufa… eis aí, à grosso modo, alguns passos para a preparação de uma aula de história.


LETRA
Zumbi – Jorge Ben Jor

Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há
Um princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados num carro de boi
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Dum lado cana de açúcar
Do outro lado o cafezal
Ao centro senhores sentados
Vendo a colheita do algodão tão branco
Sendo colhidos por mãos negras
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
È senhor das demandas
Quando Zumbi chega e Zumbi
É quem manda
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver

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