O ENEM, o Mackenzie e o peso da tradição

A manhã desta quarta-feira foi marcada por um protesto dos estudantes do Mackenzie, tradicional universidade de São Paulo, contra mudanças no processo seletivo da instituição. O protesto era contra a decisão da administração da universidade em adotar somente a nota do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) no vestibular do meio do ano. Para os candidatos que não fizeram o Exame Nacional, a universidade se posicionou informando que estes terão oportunidade de fazer a prova tradicional em outra etapa do processo seletivo.

Ao ler os jornais, o que mais me incomodou na manifestação destes alunos, foram as razões que os levaram ao protesto e os gritos de ordem dos estudantes que, desavergonhadamente, evocavam a uma tradição em detrimento ao que viria com a adoção do ENEM. Segundo reportagem da Folha, os estudantes seriam contra o uso da prova federal, pois acreditam que “o Enem está desmoralizado por casos de fraude e vai comprometer o nome da faculdade.” Já na reportagem do Estado de S. Paulo, lemos que durante o protesto desta manhã os alunos “gritavam hinos da universidade, como o “Louco, isso é Mackenzie”, (…) e emendavam: “Enem, não, Mackenzie é tradição”.

Alunos do Mackenzie protestam contra mudanças no processo seletivo da universidade. Foto: Marcelo Justo/Folhapress

Como se sabe, o processo seletivo de universidades privadas que não aderiram ao ENEM, é organizado pela própria universidade, que pode terceirizar o serviço ou realizar ela mesmo todo o processo. De cara, uma barreira que inibe estudantes de baixa renda que acabaram de sair do ensino médio a realizar este tipo de vestibular, é o valor da taxa de inscrição para a realização da prova. Além disso, muitos sequer se inscrevem para o vestibular, inibidos que são pelos altos preços das mensalidades das diferentes disciplinas de universidades mais tradicionais, como PUC e Mackenzie. Acontece que isso tudo começou a mudar quando o governo federal, a partir de Luís Inácio Lula da Silva, criou o ENEM e, logo em seguida, o Programa Universidade para Todos (ProUni).

A proposta do Ministério da Educação (MEC) de unificar o acesso às universidades públicas e particulares através do ENEM, amplia e democratiza a entrada dos estudantes no ensino superior. É claro que por si só, o Exame Nacional não democratiza o acesso a universidade, mas ele é um passo que, em conjunto com o ProUni, avançou e muito nessa direção, especialmente porque o MEC vinculou a garantia às bolsas integrais ou parciais do ProUni ao bom desempenho no ENEM. Assim, se um estudante pobre, que estudou toda sua vida em escolas públicas, tiver uma boa avaliação na prova nacional e cumprir os pré-requisitos do programa, ele não precisará se preocupar com a questão financeira para poder estudar nas melhores universidades privadas que adotaram o ENEM. E é exatamente isto o que pode ocorrer com o Mackenzie, que anunciou sua adesão ao Exame Nacional.

Desta forma, o real motivo por trás do protesto dos estudantes do Mackenzie é bastante evidente. Seus gritos de ordem serviram apenas para acabar com quaisquer dúvidas que poderiam restar, já que ao evocarem o “peso” da tradição de uma elite rica (incapaz de ingressar na universidade pública) que frequentou os bancos daquela universidade em uma época onde os pobres não tinham nenhuma oportunidade de acesso àquele espaço, apenas se colocam lado a lado com os desejos e anseios daquele grupo e da forma como viviam.

O protesto de hoje é simbólico, pois revela todo o preconceito de uma parcela da sociedade contra os pobres. Preconceito que esta parcela tenta desesperadamente esconder por trás de discursos vazios e politicamente corretos, como o da igualdade de oportunidades independente da origem social.

Se pararmos para fazer uma conta rápida, quantas vezes não ouvimos colegas fazendo esses discursos no qual o pobre é considerado o próprio culpado de sua miséria por não ter aproveitado as oportunidades que lhe foram dadas no decorrer de sua vida? Quantas vezes não ouvimos pessoas, como um desses 800 estudantes que se manifestaram hoje, dizendo que “esses favelados preferiram vagabundear a vida toda e agora estão por aí, cometendo crimes, invadindo propriedades privadas, pedindo cotas para a universidade pública ou benefícios sociais”? Por fim, quantas vezes não ouvimos essa mesma gente reclamar que seus impostos estavam sendo desperdiçados ao financiar programas que beneficiam estes pobres, que só querem mesmo é a “vida boa”? Será que vamos conseguir chegar a um número com menos de dois dígitos?

Em contrapartida, a que número chegaríamos se tentássemos contar quantas vezes esses mesmos indivíduos foram capazes de considerar e mencionar em seus discursos imbecis quais foram mesmo as reais oportunidades oferecidas a estas pessoas que, tão estupidamente não aproveitaram? Será que chegaríamos a contar cinco reais oportunidade de mudança na vida desses pobres? Para não sermos tão rigorosos, será que conseguiriam apontar ao menos três? E mesmo que fossem capazes, quando finalmente alguma oportunidade real de ascensão social através de uma educação de qualidade é oferecida aos menos favorecidos, eles não deveriam aplaudir essa iniciativa, que só ajudaria a corroborar a tese deles?

Contudo, ao contrário do que o raciocínio nos faria pensar se acreditássemos nos discursos vazios dessa parcela da sociedade, são justamente estes indivíduos que tanto falam na igualdade de oportunidades os primeiros a se levantarem para protestar contra o acesso dos pobres à “suas universidades”, fazendo questão de evocar uma tradição na qual o acesso a estes indivíduos era simplesmente vedado.

Infelizmente, não surpreende mais ver este tipo de manifestação nas ruas de São Paulo. Especialmente de uns tempos pra cá, onde favelas são criminosamente incendiadas e uma diretora da secretaria municipal de habitação sai à público para dizer que São Paulo é para poucos e não é lugar para pobres, que estes devem voltar para o buraco de onde vieram. O conservadorismo está cada vez mais explícito nesta cidade e, como se pode ver, não é apenas “coisa de velhos”. É triste demais ver estudantes, símbolos universais de mudança e renovação, invocando o peso da tradição para limitar o acesso de pobres a educação de qualidade.

Acabrunhado, concluo este post preocupado demais com o que posso esperar da cidade onde vivo para os próximos anos. Não consigo imaginar como positivos os frutos que poderão vir de uma juventude que acha legítimo se associar a uma tradição que tinha como valores todos os tipos de preconceito. Sei muito bem que esta é apenas uma parcela dos jovens de São Paulo, isto é, eles não representam sua totalidade e há forças contrárias a eles. Contudo, não posso deixar de pensar que, pelo andar da carruagem, estes jovens ganharão cada vez mais espaço e, certamente, em alguns anos poderão estar em posição de ditar os rumos políticos e econômicos desta cidade. Espero estar equivocado em me preocupar com isto, mas cada dia que vivo nesta cidade, meu assombro só tem crescido…

REPORTAGENS SOBRE O ASSUNTO:

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35 Comentários

Arquivado em Educação, Ensino, Política, Universidade

35 Respostas para “O ENEM, o Mackenzie e o peso da tradição

  1. Parabéns pelo texto, comungamos da mesma opinião. Também fiz um texto expressando minha indignação ao protesto e fui bombardeado por algumas pessoas que não gostaram do texto. http://consultorwagnermarques.blogspot.com.br/

  2. Obrigado Wagner. Infelizmente já há algum tempo estamos passando por um processo de “direitização” no qual as pessoas não se importam mais em tomar posicionamento tão absurdo quanto o de protestar contra o acesso de pobres à universidade.

  3. ” É triste demais ver estudantes, símbolos universais de mudança e renovação, invocando o peso da tradição para limitar o acesso de pobres a educação de qualidade”

    assim percebo e assino embaixo.

  4. Mauricio Patomatti

    Quero lembrar a todos que por não darmos valores a algumas tradições como honra, educação ao próximo, dignidade, respeito, seriedade, solidariedade, perseverança e honestidade estamos vivendo uma crise sem precedentes onde tudo pelo status é hiper normal. Os fins justificam os meios.
    Provocar debates de lutas de classes em pleno século XXI é a mais pura estupidez e não eleva em nada a auto-estima e a confiança que o povo brasileiro deve ter.
    Queremos mesmo debater educação no Brasil? Ou fazemos um exame ridículo como mostrou ser o ENEM com muita tradição de incompetência e irregularidades e impomos as principais Universidades? Ninguém fala em estruturar esse ENEM de forma transparente e métodos para evitar as fraudes.
    Sou hiper favorável a democratização da educação mas não com esse ENEM. Esse é uma vergonha. Sempre estudei em escola pública e hoje faço Pós no Mackenzie e nunca fui beneficiado por qualquer ferramenta de inclusão. Se elas hoje existem que ótimo, mas que seja de forma séria, transparente e certas.
    O ENEM é reflexo de um governo de puro marketing, muitas fraudes e pouca eficácia.
    Vamos mesmo debater educação no Brasil?

  5. Caro Maurício,

    O que você chama de tradição (honra, educação ao próximo, dignidade, respeito, seriedade, solidariedade, perseverança e honestidade ), eu chamo de valores. Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com outra e se estes valores estão em baixa em nossa sociedade, é justamente por falta de educação da população, em todos os sentidos e não só o escolar. Há muitos textos interessantes que falam sobre tradições e de seus usos históricos para justificar identidades e manipular a população para lutarem nas inúmeras guerras do século XIX e XX. No clássico de Eric Hobsbawm, A Invenção das Tradições, vemos o processo de construção dessas tradições. Permita-me recomendar essa leitura para evitarmos esse tipo de confusão que você cometeu.

    Quanto a luta de classes, a que você se referiu, a lhe diria que talvez Karl Marx esteja mais atual hoje do que jamais esteve. Diferentemente do que você comentou, eu não estou provocando debates de luta de classe, ela está aí desde que a humanidade existe. O que estou fazendo aqui é explicitar de que lado os estudantes do Mackenzie estão se posicionando ao evocar as tais “tradições” de qualidade para tentar vetar a entrada de estudantes de escola pública na instituição em que estudam. Permita-me uma vez mais recomendar-lhe a leitura da obra de Karl Marx, em especial O Capital, para que você possa compreender melhor o que está sendo proposto ali e não volte a se equivocar ao fazer referência às formulações desse pensador alemão.

    Agora vamos ao debate sobre educação que você propôs. Gostaria de propor algumas questões para que possamos refletir melhor sobre a utilização do ENEM como . Por favor, se puder, enumere para mim quais são os problemas do ENEM a que você se refere. O quê o torna um “exame ridículo”, como você o qualificou? Qual é a “tradição” de “incompetência e irregularidades” a que você se refere? Pelo que pude ler em seu comentário, a única acusação real que fez foi sobre fraudes. Neste caso, você conseguiria determinar quem se beneficiou com os casos de fraudes que foram verificados no ENEM? O ENEM é o único processo seletivo em todo o Brasil alvo de fraudes? Esses casos de fraudes invalidam toda a ideia de universalização do acesso ao ensino superior? Em comparação com o processo anterior ao ENEM, onde estudantes do ensino médio são adestrados a marcar “x” na resposta certa, será que a proposta do ENEM não representou um avanço? Se de fato o ENEM é tão desqualificado como alegam, porque os alunos “mais preparados” simplesmente não prestam o exame e continuam garantindo suas vagas? Economicamente, quem sai perdendo com a universalização do acesso ao ensino superior através do ENEM? Será que essas pessoas e os grupos que representam não são uma força que se utilizam de seu poder econômico para criar factóides e manipular a opinião pública contra o ENEM? Enfim, poderia fazer mais uma série de outras perguntas, mas acho desnecessário, por enquanto.

    Ao menos uma coisa me deixou contente em seu comentário, que foi a informação de você ter conseguido fazer graduação e agora estar na pós do Mackenzie tendo estudado sempre em escolas públicas. Parabéns!!!! É uma pena que você não tenha podido se beneficiar de programas de inclusão, mas não é porque você não pode ser beneficiado que outros não possam ser, concorda? A briga é justamente esta. Não tenho dúvidas de como deve ter sido duro o caminho para chegar onde você chegou e que o mérito de estar nessa posição que se encontra hoje é só seu. Mas a pergunta importante a se fazer é: será mesmo necessário que todos passem por um caminho tão duro para ter acesso a educação superior de qualidade? Não podemos facilitar este caminho através de programas que ajudem a qualificar os alunos sem recursos, ou vamos apenas deixar as vagas das universidades apenas para quem tem recursos mesmo e, se os pobres quiserem ter acesso a elas, que trabalhem por 10 anos para ter dinheiro para pagá-las? O ENEM é sério e representa um avanço de pelo menos um século e meio de educação pública. A fraude e a corrupção está enraizada em nossa sociedade e ela acontece em todos os setores da vida pública ou privada. Temos que combater a corrupção, os corruptores e não jogar a ideia, que é muito boa, fora. Entende?

    Infelizmente, pelo que você postou aqui, vejo que seu repúdio ao ENEM não está relacionado ao Exame em si, mas sim porque você não se beneficiou de programas de inclusão e mesmo assim conseguiu acesso a uma universidade de qualidade, e também, por ter comprado um discurso partidarista de quem odeia um governo responsável por propor esta nova metodologia. Acho que se queremos discutir esse assunto, temos que sair dessas questões pessoais, não acha?

    Pra finalizar, quanto a sua proposta de debater a educação, como educador em eterno processo de formação, te digo que estou sempre aberto para debatê-la e discutí-la, mas para isso, é necessário fazer o debate de maneira séria. Por enquanto, pelo que vi em sua proposta ao comentar o meu post, estamos bem longe disso.

    Atenciosamente,

    Rogério Beier

    Lembre-se: “A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes”. por Karl Marx.

    • Olá Rogério!
      Eu me chamo Daniela e sou uma simples estudante que luta para entrar nas melhores Universidades,não Mackenzie,mas uma Usp e uma Unicamp.Li o seu texto e gostei muito,estou com você e faço minha essas palavras.
      Quando eu li essa reportagem desta semana,eu fiquei pensativa e indiguinada!”Como são pobres de espirito”.Esse indivíduos esquecem que o mundo está em constante “Evolução”,ser tradicional nesse sentido é o mesmo que deixar uma água parada,ela acaba apodrecendo!
      Outra coisa que esive pensando é por exemplo:Que moral um advogado formado no Mackenzie tem para defender por exemplo um cliente q/ esteja passando por preconceito como este?Sendo que o próprio no passado aderiu de uma forma indireta a esse tipo de idéia sem moral e sem valor nenhum.Os atos deles não condiz com o que eles estudam.Talvez a Usp ou a Unicamp ,deveriam adotar o mesmo,se entrariam alunos de rede pública.E outra…eles deveriam perder tempo com protestos que ajudaria à toda a Humanidade.Teho lá as minhas dúvidas sobre quem realmente é favelado.
      Obridaga por enquanto…^^

      • Olá Daniela,

        Conforme já tivemos a oportunidade de conversar, fiquei bastante contente com seu comentário. Espero que consiga entrar em uma universidade pública, conforme seu desejo, mas já venha ciente de que há muitos comportamentos semelhantes ou até mesmo mais preconceituosos nas universidades estaduais do que estes manifestados pelos estudantes do Mackenzie.

        Fico feliz pela oportunidade de ter escrito algo que te tocou a ponto de você se manifestar por aqui. Espero poder continuar contando contigo como leitora do meu blog.

        Um beijo,

        Roger

    • Débora Marques

      Só gostaria de fazer um adendo à sua resposta dado ao Maurício Patomatti, se é que me permite. Em 2014 as fraudes comprovadas pela polícia nas provas do ENEM tinham relação com quadrilhas que cobravam grandes quantias pelas respostas repassadas aos estudantes, quadrilhas estas que já estavam sendo investigadas em fraudes a vestibulares de cursos de Medicina, onde cobravam de R$ 50 a R$ 70 mil reais por prova. Então fica a pergunta: Quem será que mais se beneficia com os casos de fraude???

    • MEU CU PRO SOCIALISMO

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK RINDO DESSE ROGEÉRIO KKKKKK ELE CITA MARX KKKKKKK UM SOCIÓLOGO JA DO SÉCULO 19 KKK QUE ERROU RUDE AO DIZER QUE A LUTA DE CLASSES É O MOTOR DA HOISTÓRIA. WAKE UP SOCIALISTINHA CAVIAR

  6. Oi Rogerio!

    Sou aluna do 3º semestre de Direito do Mackenzie, e acho legal deixar algumas considerações a respeito da manifestação da semana passada, porque em geral tudo pareceu se resumir ao ENEM, o que não é exatamente verdade. Não sei como a situação se encontra nos outros cursos, mas vou expressar o que tenho visto nesses três semestres na Faculdade de Direito:

    Muita gente de Direito foi nesse dia para reclamar da sacanagem que tem acontecido de uns tempos para cá em relação ao vestibular, ao discente e ao aumento desproporcional do número de vagas por semestre.
    Nos últimos tempos, a faculdade parece optar por quantidade à qualidade, e isso tem gerado considerável peso não somente em relação à queda no exame da Ordem ou em relação à credibilidade dos mackenzistas dentro dos escritórios, mas na própria dificuldade de aprendizagem dentro das salas de aula, além do espaço físico: não tem espaço para o contingente que eles querem colocar dentro das salas e dos prédios.
    As listas de chamada vão até sete, oito listas, e dizer que isso não influencia em algo dentro da sala é um pouco ingênuo de se afirmar – não por questão de “fulano é burro e sou melhor do que ele” ou por algum zé mané dizer que “ah, tá deixando pobre entrar” , mas por falta de preparo mesmo, seja por não ter maturidade, entrar na faculdade novo, não valorizar o curso, etc. Nesse sentido, de fato, não há seleção, e o pouco que se tinha antes tem caído cada vez mais e se esmiuçado dentro das inúmeras chamadas. Isso tem sido complicado, e vejo a diferença na minha própria sala.
    É óbvio que estar na primeira chamada ou na última não determina ser regra você ser um aluno preparado ou não? Com certeza, até porque uma das melhores alunas da minha sala é da quinta lista, mas há casos e casos, e um não exclui o outro.
    O clima em geral é de preocupação, e quando surgiu essa história do ENEM, muita gente ficou revoltada já que não dá para desconsiderar o fato de o ENEM ter sido revestido de falhas desde a mudança de seu formato em 2009. Além disso, também a noção de que a maioria que presta o ENEM, salvo o pessoal que quer entrar nas faculdades particulares pelo PROUni e tudo o mais, quer as universidades federais disponíveis. A ideia que roda na faculdade é que o corte seria baixo, e isso seria a fonte de prejuízo. Muita gente da minha sala tem acumulado todos esses questionamentos e pesado se não vale à pena tentar uma transferência para outras universidades, como PUC, FASB ou até mesmo a USP (Ribeirão Preto, porque se não me engano dificilmente abrem vagas para a São Francisco) – e essa é a parte em que todo mundo tem medo de ter o diploma desvalorizado e dificuldades de conseguir um emprego ou estágio interessante nos anos seguintes. Ainda mais porque Direito tem muito daquela, com o perdão da palavra, putaria com uma supervalorização de nomes e títulos e tudo o mais.

    É claro que toda a discussão sobre preparo de alunos, o conceito de preparo, a noção de competitividade que instauram em nossas cabeças para sobreviver dentro do modelo atual em que vivemos tem que ser muito relativizada, ainda mais pela falta de estrutura e da disposição desigual de oportunidades para todos os cidadãos. Eu particularmente tive sorte de, apesar de não ter dinheiro, ou pelo menos o que acham que mackenzistas possuem, ter sempre estudado em ótimos colégios e cursinhos por ser bolsista e, no colégio, pelo meu pai ter feito refinanciamento para conseguir pagar meu Ensino Médio, mas sei que sou uma parcela ínfima dentro do sistema.

    Mas, em geral, é isso que tem rolado dentro da faculdade. Não é exatamente o ENEM, o negócio é um pouco mais fundo que tudo isso.

  7. Danielle

    Rogério, parabéns pelo blog e principalmente pelo seu post que achei o máximo. Acredito que o ENEM ainda tenha que ser levado mais a sério, mas ele já é um passo para o acesso dos menos favorecidos ao ensino superior. O que me deixa muito triste é ver que a minoria que vem de escola pública frequenta os bancos das universidades públicas. A educação tem que ser repensada, o sistema tem que mudar radicalmente para que o filho do pobre tenha a oportunidade de ter uma educação de boa qualidade desde a educação infantil e o ensino fundamental que acredito que deveriam ser a base para que esses alunos pudessem concorrer igualmente as chances de ingressarem em universidades de qualidade. Infelizmente não ocorre isso no Brasil, o filho do rico estuda nas melhores escolas, com os melhores professores, garantem uma boa base facilitando assim seu ingresso nas universidades públicas e nas melhores universidades particulares que cobram valores exorbitantes nas suas mensalidades e que apenas os pais bem favorecidos conseguem pagar, o pobre tem que trabalhar para pagar a mensalidade que muitas vezes é bem maior que o próprio sálario, imagina se o “coitado” não puder contar com o PROUNI???
    É como disse acho que o ENEN é um passo, mas para que realmente os direitos fossem iguais e as oportunidades também a qualidade da escola pública deveria melhorar e muito. O comprometimento do governo, dos profissionais da educação e da própria sociedade deveria ser reavaliado e modificado. Só com ensino de qualidade melhorariamos essa dura realidade e brigariamos de igual para igual. Nossa sociedade é sim elitista por mais que muitas pessoas digam o contrário, se baseiam sim nos “valores financeiros”, e quem tem mais se julga melhor do que os que não tem tanto, ou os que nem tem, infelizmente é assim.
    Um abraço,

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  9. eduardo

    Passar em história na USP é muito fácil,a nota de corte é ridícula.Eu gostaria de ver o resultado de sua prova se você tivesse prestado vestibular pra medicina, direito,jornalismo.Eu sou um jovem de 20 anos, estudo na mackenzie e não sou rico.Estou de favor na casa de um parente e estudo durante a noite para conseguir trabalhar de dia.É evidente que é mais fácil entrar em carreiras tradicionais, como direito, na mackenzie que na USP.Mas, com absoluta certeza, posso afirmar que dar continuidade ao curso é uma situação mais complicada.Porque,com todo respeito, gostaria de ver o senhor terminar um curso de engenharia na mackenzie.A questão não é aversão a pobre, até porque,pobre de verdade mesmo não tem condição de terminar um curso e, se terminar,não vai ser um bom profissional.Não venha me chamar de preconceituoso, pois é um fato.Eu não sou elitista, SÓ DEFENDO A IDEIA DE QUE, SEM INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA BÁSICA, FICA MUITO DIFÍCIL ALGUÉM COMPLETAR A GRADUAÇÃO DE MODO SATISFATÓRIO!Respeito a sua graduação e a sua capacidade intelectual como historiador.Só analisei a questão pensando no ponto de vista de um jovem que está prestes a fazer vestibular.Se o senhor é realmente de esquerda, sabe que não é, e provavelmente nunca foi membro da enorme classe miserável que ainda existe no brasil, portanto, não seja hipócrita.O senhor tem conhecimento de que a educação básica é um LIXO e que estender vagas de medicina pelo Brasil, criar vagas sem ter estrutura e colocar cotas em tudo não vai resolver em Merda NENHUMA as bases da deficiência educacional brasileira.

    • Eduardo, obrigado por se revelar quem você é sem eu precisar dizer nada a seu respeito. Quanto a você querer ver eu passar em medicina, direito ou jornalismo, isso jamais iria acontecer, porque eu jamais imaginei fazer tais carreiras. Não escolho carreira por que elas são mais ou menos concorridas ou por que elas dão mais ou menos direito. Escolhi estudar História por que é a coisa que eu mais gosto de fazer na vida. Se você gostaria de ver eu terminar de fazer um curso de engenharia na Mackenzie, eu gostaria de ver você terminar de fazer um curso de História na USP. hahahaha Seria patético!!!

      Sua frase “A questão não é aversão a pobre, até porque, pobre de verdade mesmo não tem condição de terminar um curso e, se terminar,não vai ser um bom profissional”, chega a demonstrar que você sofre de um certo grau de patologia. Acho que você precisa conhecer mais pessoas para ver que pobres concluem cursos e são excelentes profissionais antes de fazer afirmações tão definitivas como esta que fez acima. Ficou ridículo e, como disse, eu mesmo nem preciso falar quase mais nada a respeito da sua visão curta a respeito do tema e da vida. O primeiro sinal que uma pessoa é preconceituosa é quando ela começa uma frase dizendo: “não é preconceito, mas…”. Enfim, você é muito jovem e ainda vai ter oportunidade de reler o que escreveu acima e sentir muita vergonha.

      Quando você diz defender a ideia de que “sem investimento na educação pública básica fica muito difícil alguém completar a graduação de modo satisfatório” me parece muito mais a repetição de um discurso pronto do que realmente um fato. Honestamente, não te conheço, mas por esta simples mensagem que você deixou aqui, fica claro perceber que você está cagando e andando para a educação pública básica no Brasil. Repetir que a solução para os pobres é um investimento maciço do governo em educação pública de base é uma solução prática e cômoda que a elite encontrou de se esconder por trás de um discurso politicamente correto e que jamais se realizará, mantendo a brutal diferença de oferta de ensino superior a pessoas de origens sociais distintas. Ou seja, o hipócrita e ignorante aqui é você, que não percebe que repete um discurso vazio para perpetuar a desigualdade social deste país.

      Dizer que respeita minha graduação e capacidade intelectual como historiador depois de escrever o que você escreveu aqui é bastante mentiroso, você não acha não? Uma vez mais, você se revela hipócrita e alguém que adora se esconder por trás de discursos politicamente corretos. Te respeitaria mais se você tivesse sido honesto e dito que não respeita nada do que eu escrevi ou penso, ao menos você estaria sendo verdadeiro.

      Você diz, com propriedade, que eu tenho “conhecimento de que a educação básica é um LIXO”, isso sim é a única verdade que você escreveu. Contudo, não me escondo atrás da repetição de um discurso vazio e infrutífero de que o governo deve investir em educação pública de base, esperando que o problema se resolva sozinho e, no fundo, desejando que ele não se resolva para que no futuro eu e minha família continuemos com o circulo de exploração da mão-de-obra barata. Ao contrário de você, eu luto quase cotidianamente, através de minha profissão, para que pessoas sejam melhores educadas. Eu luto quase cotidianamente, através de minha militância, para que o governo destine realmente mais verbas para educação. Eu apoio soluções temporárias do governo, enquanto o investimento em educação pública de base no Brasil não vira algo concreto. Eu apoio e luto pela extensão do ENEM e do PROUNI. Eu sei que isso faz uma profunda diferença na vida de quem é pobre e, mais do que ninguém, conheço muitas pessoas de origens humildes que fizeram cursos superiores pelo ENEM e ProUni que tiveram médias melhores do que os outros alunos e concluíram seus cursos exitosamente, sendo excelentes profissionais. Você, pelo que revelou aqui, fica apenas repetindo o óbvio de que “se não houver investimento em educação pública, não vai resolver merda nenhuma” e não faz absolutamente nada, por que na realidade, você não quer mesmo que se resolva. Fica só repetindo, por que na realidade nunca pensou com profundidade sobre o assunto e preferiu comprar um discurso que parece fazer sentido, mas que é comodista, porque empurra a solução para outra “pessoa” exime suas responsabilidades no que tange este assunto. Garanto que se o governo instituísse um novo imposto para aumentar o investimento em educação pública de base, você estaria na fila daqueles que reclamariam contra o novo imposto. hahahaha Enfim…. sinto muito, mas nada do que você escreveu é verdade e isso pouco me surpreende, pois pessoas com pensamento como o seu, infelizmente, é a maioria absoluta nesta cidade e neste Estado faz com que tudo continue como sempre esteve.

  10. Letícia

    Primeiramente parabéns pelo post! 🙂
    Agora…
    Eduardo,você é lamentavelmente ignorante!mesmo cursando o ensino superior.
    Não culpe/julgue as pessoas de pouca renda,porque assim como elas os ricos usufruem de ‘meios’ para poder ingressar em uma faculdade e conclui-lá.
    Não culpe os pobres pelas fraudes no ENEM,culpe e julgue o governo e seus governantes.
    o ENEM é uma oportunidade oferecida as pessoas de baixa renda para que não sejam ignorantes pelo resta de suas vidas,digo mais,com o ingresso dessa classe social nas universidades eles teriam consciência de suas escolhas, e votariam em governantes que realmente proporcionariam ao País uma educação assim merecida.
    É muito mais fácil manipular uma população sem estudos.E é por isso que a Elite se opoem,afinal com tanta gente esperta quem seria burra o suficiente para ter futuros problemas de saúde,por passar o dia limpando a casa de uma pessoa esperta, para ganhar no máximo um salário no final do mês?
    quem controi o país não é o governo e nem a Elite,pois na 1º crise eles fogem e deixam o país em chamas.Quem é torturado/morto para tentar construir o país são os pobres .
    Sem nós não teria elite !

  11. Helder Carrasco.

    Sim, os mesmos alunos, as mesmas pessoas, os mesmos segrecacionistas que são contra as oportunidades para todos hoje, serão vítimas FATAIS no futuro, dos pobres escuraçados da atualidade. As ideías elitistas dos burgueses serão sua ruina. Profetizando: A violêcia vai atingir as elites, derrubando-as.

  12. Kaike

    ” Rogerio Beier ”

    Olá boa noite, tudo bem?
    Cara eu gostaria de lhe dar os parabêns pelas suas palavras, soube usalas muito bem fazendo com que pessoas de pouca reflexão e iludidas ficassem caladas, você sim é um professor que dá muito orgulho fique sabendo disto, não só a mim, a milhares de pessoas, quarde isso em seu pensamento!!!
    E FIQUE SABENDO,( Você é um ser especial disprovido de querer ensinar, eu espero que você seja esse SER que sabe se controlar em um debate para sempre,pois isso é um dom, dom de saber se conter e resolver o problema da maneira certa, algo que tenho certeza que você tenta ensinar aos seus alunos todos os dias. 🙂
    E mais se eu tivesse a chance gostaria de telo como meu professor ou até mesmo como um “pai” rsrs.

    Arístoteles disse” A rara capacidade de “zangar-se com a pessoa certa,na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo”. Se ao menos todo mundo que fosse comentar algo pensase em uma amplitude de possibilidades, talves muita coisa seria diferente, então vamos começar desde hoje quitau pessoal ? 🙂

    Está página ainda vai ter muito oque falar 🙂

  13. Elaine

    Sr Rogério

    Eu lí seu post e quero te agradecer. Eu tenho 38 anos, nunca consegui terminar o ensino médio regular pois sempre tive que trabalhar para ajudar a cuidar da minha família junto com a minha mãe, pois meu pai sumiu e nunca nos auxiliou em nada, nos sacrificamos mas não foi em vão pois meu irmão cursa medicina em uma faculdade conceituada e pública em Porto Alegre. Eu fui uma aluna ganhadora da medalha Senador Paulo Abreu na cidade de Itatiba, essa honraria é oferecida aos alunos que finalizaram o ano escolar com nota máxima nas escolas públicas, como eu estava trabalhando não pude comparecer na solenidade de entrega. Mas eu a retirei depois. Se passaram muitos anos desde então e foram muitas as batalhas que eu travei. No ano de 2012 eu prestei o ENEM, com recurso de lactante pois minha filha ainda mamava no peito, para minha grande surpresa pontuei 840 na redação, e nas demais matérias notas também muito boas eu nem tinha me preparado o único preparo que eu tive foi o da vida. Então eu me inscrevi no SISU e no PROUNI e passei na UNIFESP, na São Judas e na UNISA e também na UNIP. Eu pretendo cursar DIREITO e o farei se tudo der certo pelo PROUNI na Universidade São Judas. E tudo isso eu devo ao político para o qual eu fiz campanha quando eu tinha 15 anos, pois foi na gestão dele que se criou o ENEM e o PROUNI. Eu até compreendo o medo da elite eu sou pobre e sempre fui,e consegui fazer uma redação que foi corrigida por 3 pessoas e avaliada em 840, e isso sem ter o ensino médio e sem nenhum preparo. Agora imagina isso com preparo e imagina isso multiplicado pelos milhões de brasileiros excluídos, tomaríamos certamente o poder das mãos deles, então todo esse discurso e puro medo de nos enfrentar em condição de igualdade. Obrigada Rogério pelo seu post e pelo seu posicionamento.

    • Muito obrigado pelo comentário, Elaine. Na maior parte do tempo, é por conta de comentários como o teu que mantenho o ânimo de continuar atualizando o blog.

      Um abraço e boa sorte para que possa realizar seu curso. Certamente você o concluirá com nota máxima.

      Roger

  14. isabela leite

    Ola lendo todos os posts, conseguir ter uma visão da grande realidade tenho 17 anos ,sempre trabalhei desde meus 13 anos perdi a oportunidade de ficar em casa estudando como filhos de rico, mas hoje estudo todos os dias para exatamente tirar uma boa nota no ENEN pretendo fazer vestibulares da UNESP , e quem sabe uma USP, procuro todos os dias me aperfeiçoar nos estudos pois sempre estudei em escolas públicas e estou concluindo o ensino médio este ano, o ENEN é a única oportunidade de conseguir entrar numa boa universidade, Parabéns Rogério seus argumentos são totalmentes certos da realidade pretendo tirar uma nota boa para exatamente entrar no Mackenzie .
    Quanto aos comentários ignorantes realmente o verdadeiro são de escolas públicas realmente é um LIXO eo posso afirmar se fosse me garantir nos vestibulares pelo que eu sei minhas notas seriam precarias, mas nessa vida tudo é força de vontade, Quem quer Luta sosinho vai atrás, estou aprendendo sosinha coisas que nunca vi na vida e na escola.
    Meu conselho Lute não espere por governo,escola por ninguén .

    • Oi Isabel, muito obrigado pela visita e pelo comentário. Persista na luta, continue estudando e não deixe de tentar entrar na USP, você vai conseguir. A única dica é fazer aquilo que você gosta, pois dessa forma, sempre dará o melhor de si e jamais será visto por você como trabalho.

      Um abraço e parabéns!!!!

      RB

  15. Julio

    ”Pra finalizar, quanto a sua proposta de debater a educação, como educador em eterno processo de formação, te digo que estou sempre aberto para debatê-la e discutí-la, mas para isso, é necessário fazer o debate de maneira séria. POR ENQUANTO, PELO QUE VI EM SUA PROPOSTA AO COMENTAR O MEU POST, ESTAMOS BEM LONGE DISSO” Ainda quer fala de menosprezo contra o proximo amigao? Repito o menosprezo: errar é humanas. Daqui a 5 anos, formado em Engenharia da Produçao pelo Mack eu vo ta mto ocupado trabalhando e vc ae ocupado em critica Mackenzista…

  16. Rogério, me falta palavras para expressar o quão perfeita foram suas palavras. O quão perfeita foi, a sua linha de pensamentos e não pude deixar de observar, como futura estudante de Direito, seus argumentos. Não sei o que admiro mais. A publicação, ou as suas respostas nos comentários, para pessoas ignorantes de informação, ignorantes de politica. São pessoas como essas, que protestaram por uma causa “nobríssimaaaaaa” (Ironias sempre são bem vindas) que tenho a certeza de que quero Direito, e ser promotora. São pessoas como essas que me dão cada dia mais vontade, de lutar pelo meu objetivo. Cada dia mais vontade, de lutar contra elas. E são pessoas como VOCÊ, que me faz ter orgulho. Que me fazem acreditar no futuro da minha nação. Que me motivam… Então a você os meus sinceros, PARABÉNS. VOCÊ É UM BRASILEIRO QUE FAZ VALER A PENA!

    • Muito obrigado por acompanhar o blog e pelas palavras Lilian. Fico feliz que tenha gostado do texto e de saber que você pretende cursar direito para ser promotora. Precisamos muito de pessoas com preocupações como as nossas no judiciário do país, uma vez que o conservadorismo predomina entre os nossos advogados.

      Um abraço,

      RB

  17. Felipe

    Parei de Ler quando o esquerdinha escreveu: “Acontece que isso tudo começou a mudar quando o governo federal, a partir de Luís Inácio Lula da Silva, criou o ENEM” E ainda diz que é mestrando em história!!kkkkk Faz me rir!

    • Caro Felipe,

      Dado o conteúdo do meu post, achei desnecessário ter que explicar que o ENEM que existia antes de 2009 era uma farsa.

      Mas já que você insiste, vamos lá. O ENEM é um exame que teve duas fases: a primeira, criada em 1998, pelo ministro Paulo Renato de Souza, servia apenas para apenas a qualidade da educação nacional em nível médio. Muitos alunos de universidades conceituadas costumavam boicotar a prova, já que a mesma não servia para o ingresso em cursos superiores em universidades públicas.

      Contudo, a segunda fase, instituída em 2009, durante a gestão de Lula (a qual me referi em meu post), além de ter ampliado o exame, aumentando o número de questões, passou a servir para o ingresso de alunos do ensino médio em universidades públicas através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). Portanto, dentro do contexto da prova do ENEM em que eu estava escrevendo, trata-se de uma inovação do governo Lula.

      No mais, nada de novo no seu comentário, apenas o batido Ad hominem.

      Beijo pra vc,

      RB

  18. Sinto muito, mas acho que você esta equivocado. Os alunos do Mackenzie estão protestando porque não querem a Universidade no padrão das outras; Não tem nada a ver com descriminalização social apesar de eu assumir que é uma consequência. Sou pobre, me formei no Mackenzie e digo não ao ENEM.

  19. A. S.

    O Enem foi criado na gestão do FHC, e não do Lula como vc insinuou… Parece que vc gosta de manipular as pessoas escrevendo informação errada. Vc não pode simplesmente achar “desnecessário” falar sobre o Enem antes de 2008. Vc deveria ter colocado “em 2008 Lula IMPLEMENTOU o Enem fazendo isso e aquilo”. Colocar que ele CRIOU o Enem é uma grande mentira.

    • Caro A.S.,

      A resposta que dei ao Felipe, logo acima, serve também para você. Dentro do contexto em que escrevi o post e teci os comentários da manifestação no Mackenzie, o ENEM, tal como o conhecemos, é criação de Luís Inácio Lula da Silva, pois trata-se de outro exame (mais amplo, atendendo a uma maior quantidade de candidatos e com outros fins) que apenas manteve o mesmo nome. É como o Bolsa Família, que embora existisse antes de Lula, em forma de diversos programas assistenciais que atendiam a uma pequena população, após o Lula se transformou em um verdadeiro programa de Transferência de Renda que tirou mais de 40 milhões de brasileiros da miséria.

      Quanto a você achar que eu gosto de “manipular as pessoas escrevendo informação errada”, considero que você está equivocado. Respeito sua opinião, mas ela não é nada além disso: uma opinião, a meu ver, equivocada.

      Att.

      RB

  20. Olga Lukashenko

    O ENEM, em minha singela opinião, é um dos maiores avanços no âmbito de acesso á ensino superior. Além de ser uma prova coesa, que, penso, foca nos assuntos importantes das áreas de conhecimento, abre diversas portas! De minha parte, penso que estudar para o ENEM é muito mais prazeroso, ele se centra na aplicação cotidiana da matéria, em química, por exemplo, e como amante desta matéria, digo que é um enorme prazer ver as reações envolvidas no processo de produção de sabão. Um processo tão simples, e contudo, tão rico quando interpretado á luz do conhecimento científico, que pode sim ser acessível…ENEM quebra um pouco daquele sistema de ministração massiva de conteúdo, de modo que, um aluno que mora no interior, num sítiozinho que seja, munido de exercícios, dos conceitos básicos e da sua observação do mundo está mui satisfatoriamente capacitado para esta prova, não precisa estar submetido á longas jornadas em um cursinho preparatório, que em virtude daquelas sabidas provas que cobravam até a estrutura da pena de um ganso, costumavam ser muito lucrativos.

  21. O ENEM, em minha singela opinião, representa um grande avanço no âmbito de acessibilidade ao ensino superior. Além de conceder um leque de oportunidades para o aluno, é uma prova, penso, mais agradável para se estudar em comparação com os vestibulares tradicionais, pois requer a aplicação cotidiana das áreas de conhecimento, requer não apenas que o estudante saiba a física, a matemática, as humanidades, mas outrossim, que saiba onde elas se manifestam. Como amante da química, acho de uma valiosidade inominável que um estudante identifique as reações químicas num procedimento simples e do dia-a-dia que é a fabricação caseira de sabão…É besta até, hehe mas acho algo tão bonito, porque é um conhecimento que se sente, que se experimenta, dessa forma, um estudante que mora lá no seu sítio, numa erma zona rural, munido de exercícios, de alguns cadernos, e de sua observação do mundo, encontrar-se-à satisfatoriamente capacitado para fazer o exame, tão quanto ou até mais do que um aluno da capital que nada e se afoga em apostilas e cursinhos preparatórios, sem observar a manifestação cotidiana das áreas de conhecimento. E isso quebra até com aquele sistema de ministração massiva de conteúdo, aquelas sabidas provas que cobravam desnecessariamente até a estrutura da pena de um gavião-carijó, que rendiam aos cursos preparatórios lucros boníssimos. Sou pobre, mas sempre tive a oportunidade de estudar de graça, por meio de bolsas, em boas escolas, e nunca vi minha nota se otimizar e se estender á tantos horizontes como vi com minha nota do ENEM. Recentemente passei em Direito na Mackenzie-SP, com bolsa integral que logrei por meio do PROUNI, e é um pouco desanimador saber que poderei estar num ambiente que reproduz o pensamento supracitado pelo senhor.

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