Balada triste para violoncelo e câmara escura

Na última quinta-feira, dia 05/04, publiquei o post O Emblemático Suicídio de Dimitris Christoulas na Grécia, dando notícia desta triste morte ocasionada pela crise financeira pela qual a Grécia vem passando desde 2008. O post foi bastante visitado desde então e alguns leitores deixaram seus comentários. Sempre fico contente quando um post tem bastante comentários, pois o texto foi bastante lido e tocou algumas pessoas de tal maneira que elas decidiram compartilhar suas opiniões ali.

Um dos comentários deste post acabou sendo bastante especial, para mim, pois veio em forma de poema. A colega Renata Requião, movida pelo suicídio de Dimitris Christoulas, compôs um poema e pediu-me para que o divulgasse por aqui no blog. Eu achei o poema tão bonito e tão pertinente, que aceitei imediatamente.

Então, sem mais delongas, segue o lindo poema de Renata Requião.


Balada triste para violoncelo e câmara escura

.

no futuro imaginado / previsto

ao pé de uma árvore

na Praça Syntagma

[o nome grego Πλατεία Συντάγματος

significa Praça da Constituição]

na zona do euro

no centro de Atenas

[em frente ao Parlamento Helênico

grego parlatório contemporâneo

origem de nossa civilização

– lugar de nossa constituição],

aos olhos de quem passa,

jaz ainda o corpo de um homem.

.

morto aos 77 anos

– suicidado pela sociedade –

com um bilhete no bolso

e uma bala na cabeça:

Dimitris Christoulas,

consagra seu nome

à vida sem sentidos.

“única forma

com um final digno,

já que,

homens, não comemos lixo”,

caligrafa essas palavras num pequeno papel,

o farmacêutico que por anos vendera remédios, quando remédios faziam efeito.

.

Que em Syntagma

(quereria poder desejar:

que mesmo sem palavras,

e que em lugar nenhum!)

não nos habituemos à morte,

não nos habituemos à perda dos sentidos.

.

Μακάρι να μη φφγεις.

Μακάρι να μείνεις

Κι άλλο. Μακάρι.

Μακάρι να.

Μακάρι να.

Macapi va: só vejo o túnel.

Macapi va: tudo é legível.

Aqui faço. Macapi.

Macapi va.

Macapi va.

.

…………………………………………………..

O meu desejo, Macapi, é de que não partissem.

Já que não conseguimos de nada saber.

Macapi va.

Que permaneçamos.

.

renata requião

Laranjal, sul do Brasil, início do outono, em 2012

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2 Comentários

Arquivado em Arte, Literatura

2 Respostas para “Balada triste para violoncelo e câmara escura

  1. Pedro Pedra

    Dimitris Christoulas
    (2012)

    Um corpo simplesmente um mero corpo,
    Pedaço de carne, ultrajada pela soberba do capital.

    Sonhar com liberdade, o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade,o homem deve.

    Dimitris Christoulas realiza o sonho da liberdade,
    Seu corpo é poder , força,vontade.
    Humilha o capital , tripudia dos senhores das cifras
    Radicaliza com expropriadores travestidos de políticos,
    Seres estatais, frios , inodoros,calculistas,
    Sanguessugas da nação.

    Dimitris Christoulas
    Seu corpo é luta, sangue,dor
    Unirá seu povo,
    Forçará seu povo a se libertar,

    Sonhar com liberdade,o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade ,o homem deve.
    Dimitris Christoulas
    (2012)

    Um corpo simplesmente um mero corpo,
    Pedaço de carne, ultrajada pela soberba do capital.

    Sonhar com liberdade, o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade,o homem deve.

    Dimitris Christoulas realiza o sonho da liberdade,
    Seu corpo é poder , força,vontade.
    Humilha o capital , tripudia dos senhores das cifras
    Radicaliza com expropriadores travestidos de políticos,
    Seres estatais, frios , inodoros,calculistas,
    Sanguessugas da nação.

    Dimitris Christoulas
    Seu corpo é luta, sangue,dor
    Unirá seu povo,
    Forçará seu povo a se libertar,

    Sonhar com liberdade,o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade ,o homem deve.

    Dimitris Christoulas
    (2012)

    Um corpo simplesmente um mero corpo,
    Pedaço de carne, ultrajada pela soberba do capital.

    Sonhar com liberdade, o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade,o homem deve.

    Dimitris Christoulas realiza o sonho da liberdade,
    Seu corpo é poder , força,vontade.
    Humilha o capital , tripudia dos senhores das cifras
    Radicaliza com expropriadores travestidos de políticos,
    Seres estatais, frios , inodoros,calculistas,
    Sanguessugas da nação.

    Dimitris Christoulas
    Seu corpo é luta, sangue,dor
    Unirá seu povo,
    Forçará seu povo a se libertar,

    Sonhar com liberdade,o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade ,o homem deve.

    Dimitris Christoulas
    (2012)

    Um corpo simplesmente um mero corpo,
    Pedaço de carne, ultrajada pela soberba do capital.

    Sonhar com liberdade, o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade,o homem deve.

    Dimitris Christoulas realiza o sonho da liberdade,
    Seu corpo é poder , força,vontade.
    Humilha o capital , tripudia dos senhores das cifras
    Radicaliza com expropriadores travestidos de políticos,
    Seres estatais, frios , inodoros,calculistas,
    Sanguessugas da nação.

    Dimitris Christoulas
    Seu corpo é luta, sangue,dor
    Unirá seu povo,
    Forçará seu povo a se libertar,

    Sonhar com liberdade,o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade ,o homem deve.

    Dimitris Christoulas
    (2012)

    Um corpo simplesmente um mero corpo,
    Pedaço de carne, ultrajada pela soberba do capital.

    Sonhar com liberdade, o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade,o homem deve.

    Dimitris Christoulas realiza o sonho da liberdade,
    Seu corpo é poder , força,vontade.
    Humilha o capital , tripudia dos senhores das cifras
    Radicaliza com expropriadores travestidos de políticos,
    Seres estatais, frios , inodoros,calculistas,
    Sanguessugas da nação.

    Dimitris Christoulas
    Seu corpo é luta, sangue,dor
    Unirá seu povo,
    Forçará seu povo a se libertar,

    Sonhar com liberdade,o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade ,o homem deve.

  2. Pingback: a tarde nem ardia | Hum Historiador

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