Lilia Moritz Schwarcz rebate bobagens de Demétrio Magnoli no Programa do Jô

Nesta última sexta-feira, dia 11/05/2012, o Programa do Jô exibiu entrevista com a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz, que está dirigindo a coleção História do Brasil Nação, sobre a qual já falamos em outro post aqui no Hum Historiador.

A entrevista foi disponibilizada na íntegra no site do programa e acabou girando em torno do lançamento da nova coleção dirigida por Lilia Schwarcz. Para assisti-la basta clicar na imagem ao lado e será redirecionado até o portal da emissora.

A conversa fluía normalmente até que, por volta dos 10min50 da entrevista, em um procedimento incomum  do programa, Jô Soares pede licença a Lilia e faz uma inserção contendo um comentário gravado por um convidado que deseja propor “um ponto de partida para se pensar a ideia do Brasil como Nação”. O tal convidado é ninguém menos do que Demétrio Magnoli.

Percebam que um pouco antes da inserção do Magnoli, lá por volta dos 09min40, o Jô introduz o tema da formação do povo brasileiro a partir da integração de índios, negros e europeus só para poder incluir o comentário de Magnoli, que vai falar justamente sobre este assunto. Não por acaso, todos devem se lembrar, Demétrio Magnoli é o intelectual que há alguns anos tem feito campanha contra as cotas raciais e tem aparecido em todos os lugares para tratar sobre o assunto. Ele e, também sem nenhuma coincidência, o seu colega Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo e autor do livro Não Somos Racistas.

Como era de se esperar, Demétrio Magnoli fez uma participação vergonhosa a um intelectual ao fazer um comentário totalmente equivocado mencionando a monografia escrita por Carl Friedrich von Martius sobre como se deveria escrever a história do Brasil. Tal inserção, com o comentário feito por Magnoli justamente sobre este assunto, nos permite suspeitar de uma interferência da direção de jornalismo da Globo (Ali Kamel) ao pautar o Programa do Jô.

Ao citar Carl von Martius em seu comentário, Magnoli faz uma leitura absurda de que este autor defendia a escrita de uma História do Brasil como uma mescla de raças, que deveria ser contada como se fosse a confluência harmoniosa de três rios: o rio dos africanos, o rio dos europeus e o rio dos índios, justamente em um momento no qual Europa e Estados Unidos estavam pensando em segregar as raças. Portanto, Magnoli interpreta mal (ou distorce, se preferirem) a monografia de Martius para fazer a defesa de que há uma divergência de trajetória entre o Brasil e as “principais nações do ocidente” na construção da ideia de nação e de povo: o Brasil, segundo a leitura enviesada de Magnoli, opta pela trajetória da mescla de raças enquanto os EUA, a Inglaterra e as “principais nações do ocidente” optam pela segregação das raças.

Oras, quem leu a monografia sabe muito bem que não é nada disso e Lilia Schwarcz foi muito bem ao dar sua resposta ao comentário de Magnoli. Em primeiro lugar, e de modo bastante elegante, já deixou claro que Magnoli provavelmente não leu o texto para fazer tal interpretação (eu já penso que ele leu a monografia sim e a está distorcendo para que ela possa atender às suas intenções). Em segundo lugar, Schwarcz lembra muito bem que o texto de Martius é bastante claro em como se deveria considerar as diferentes contribuições das três raças  para se contar a História do Brasil: um rio enorme e caudaloso e, portanto, o mais importante era o rio dos europeus; um rio médio e tortuoso era a representação do rio dos africanos e, por fim, um rio pequenino era o que representava o rio dos indígenas. Para Martius, quem fosse escrever a história do Brasil deveria levar esta hierarquia em consideração que, como Lilia diz, faz parte da nossa tradição “de um país que mistura inclusão com exclusão social”.

Há algum tempo eu havia disponibilizado esta monografia na página de TEXTOS do blog, já que o mesmo se trata de um dos marcos iniciais da historiografia brasileira. Quem tiver interesse em conferir, basta clicar na imagem da capa do livro acima para acessar as pouco mais de 20 páginas da monografia de Martius e verificar o tamanho da bobagem falada por Demétrio Magnoli em rede nacional ao utilizar este texto para louvar a trajetória brasileira de integração étnica desde meados do século XIX (quando ainda eramos escravistas).

Uma vez mais é de se lamentar o posicionamento que este acadêmico tem tomado em um profundo alinhamento com o a manutenção do racismo vigente em nossa sociedade. É uma vergonha que dos bancos da universidade haja representantes que forneçam argumentos que alimentem a sanha de grupos que não querem mais do que manter a exclusão social dos negros no Brasil. O mínimo que poderíamos fazer, seria propor que Demétrio Magnoli fosse agraciado com o título de Persona non grata na FFLCH-USP.

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136 Comentários

Arquivado em Cultura, Educação, Entrevistas, Livros, TV

136 Respostas para “Lilia Moritz Schwarcz rebate bobagens de Demétrio Magnoli no Programa do Jô

  1. muito boa materia ..relamente o titulo de persona non grata serio divertido… COncordo com o comentario que provavelmente ele leu, mas é muito mais divertido acusar o cara de não ter lido huahuauh, infelizmente duvido que a media do publico tenha percebido que foi isso que foi dito

  2. Valeu Lucão… amaria vê-lo como Persona non grata. hahaha E a Lilia é mesmo uma lady… se fosse eu que tivesse respondendo, daria uma resposta do tipo voadora no peito. Pena que, como você disse, muito pouca gente percebeu o que estava se passando…

    Como disse a Lilia, “mas tem que ler”. hahahahaha

  3. Muito bom, Roger. Só vi o finzinho da entrevista e gostei muito. Adorei quando ela citou a pesquisa sobre racismo que conclui que cada brasileiro não é racista, mas vive cercado de racistas. Vou aproveitar o seu link e ver a entrevista inteira.

  4. Pois é, isso é muito comum mesmo. Além de tudo, o brasileiro adora esconder o seu racismo e acusar o dos outros. É uma realidade muito triste.

    • Sérgio Oliveira

      O que é triste é esse golpismo disfarçado de cotas raciais defendido por um grupo de pessoas que se acham superiores e merecedoras de privilégios, num pais onde é difícil a distinção clara de raça. Pessoas que acham que a sociedade braileira tem que assumir a culpa de uma estrutura secular (escravidão) que não existia somente no Brasil. Vamos ter que comprometer toda a estrutura das univesidades em razão de um capricho de um grupo minoritário. Tenho pena de vocês. No Brasil existem excluídos de todas as cores.

      • rodrigo

        disse tudo, esse povo não tira o véu da ignorância e não percebe a realidade que os cerca por puro comodismo e conviniência.

      • Marcelo G

        E dane-se o “branco pobre”, afinal, deve descender de algum “sr. de escravos”!! Esse é o pensamento democrático e de igualdade dessa galera…

      • Greetings,

        Here are some news since we’ve met last time, just read them here http://effort.towcolumbusohio.com

        Thanks for your consideration, rogerio.beier

      • marcos borges

        Tem meu apoio e na minha opinião os defensores de cotas para negros deveriam estar todos presos pela prática de racismo. São hipócritas com interesses políticos. De onde essa excrescência se originou (EUA), vários estados já aboliram o sistema de cotas, porque perceberam que só negros ricos e de classe média, entravam nas universidades.Pois é, eles não sabiam que negros poderiam ser ricos. Ainda que o sistema de cotas fosse destinado aos mais pobres, ainda assim, eu seria contra, porque universidade deve ser o destino dos mais capazes e inteligentes e não, dos mais necessitados. Querem fazer justiça social, então que se invista no ensino primário de qualidade.

      • Caro Marcos,

        Acabei de vomitar após ler o seu comentário. Passar bem com sua ignorância.

        Att.

        RB

  5. Liana

    Veja bem, é preciso ler a monografia.

  6. José Roberto F.Militão

    Prezado Beier,
    Mas as conclusões de Von Martius e de Sérgio Buarque, em ´RAÍZES´ não são semelhantes? Na verdade do encontro dos três povos, o dominador foi o colonizador e ele impôs sua cultura, já que não foi exatamente um encontro consensual como pensava aquele Senador….

    Não vi o comentário da Dra. Lilia como uma crítica ao trabalho acadêmico de Martius nem crítica à leitura feita por Magnoli, mas uma visão crítica à forma como sempre se deu esse ´encontro´: ” Para Martius, quem fosse escrever a história do Brasil deveria levar esta hierarquia em consideração que, como Lilia diz, faz parte da nossa tradição “de um país que mistura inclusão com exclusão social”.

    Enfim, sou ativista contra a segregação de direitos raciais, pois ao fazei-la, será o estado reafirmando o mesmo sistema de dominação com estigma de inferioridade por uma concessão de privilégio, que não pode ser considerada uma ´reparação histórica´, já que a conta será quitada exclusivamente pelos mais pobres brancos que, oriundos da mesma escola pública de péssima qualidade, é que irão perder vagas em concursos públicos de vestibular ou de empregos, já que os mais ricos e privilegiados, são os melhores classificados e nada vão perder.

    Essa manipulação da escassez somada à injustiça social através de política pública conferindo direitos em bases raciais, solapando direitos de pessoas oriundas do mesmo ambiente e classe social, perdoem-me, além de não atender aos interesses dos afro-brasileiros, pois viola a auto-estima do beneficiário, é semente de ódios raciais.

    abraço,
    José Roberto Militão.

  7. Caro José Roberto,

    O pensamento de Von Martius e Sérgio Buarque de Holanda não são semelhantes como você sugere. Martius está eivado do pensamento de meados do século XVIII, vale dizer, racista. Você não encontra esse pensamento e orientação nos textos de Sérgio Buarque. Martius dá uma receita para criar a história do Brasil, na qual será necessário subordinar a história do índio e do negro à história do branco. Não é isso o que Sérgio Buarque faz, muito pelo contrário.

    Embora você não tenha entendido o comentário da Lilia como crítica ao trabalho acadêmico de Martius e à distorção interpretativa proposta por Magnoli, foi justamente isso que ela fez. Primeiro ao dizer que é necessário ler antes de falar tamanha bobagem; segundo ao chamar atenção para o fato dessa interpretação de um Brasil que teria optado pela trajetória de integração étnica ser uma mentira e quem leu o texto sabe muito bem isso, pois a metáfora dos rios é bastante clara. As ideias defendidas na monografia de Martius, aliás, acabaram servindo aos senhores escravocratas na segunda metade do século XIX para justificarem a manutenção do escravismo no país mesmo com toda a pressão inglesa pelo fim do tráfico.

    Minha posição em relação as cotas raciais são claras e inequívocas, tendo sido expostas em vários posts do meu blog como nesses três postados mais recentemente:

    1) https://umhistoriador.wordpress.com/2012/05/03/demetrio-magnoli-e-o-haitianismo-revisitado-a-tatica-do-terror-contra-as-cotas/

    2) https://umhistoriador.wordpress.com/2012/04/26/cotas-raciais-sim-decisao-unanime-do-stf/

    3) https://umhistoriador.wordpress.com/2012/04/18/cotas-raciais-uma-necessidade-visivel-ate-nas-estatisticas-oficiais/

    Não vou repeti-las aqui, mas devo dizer que em seu comentário há alguns equívocos e repetições de discursos de má fé criados pelos ícones dos detratores das cotas raciais: Demetrio Magnoli, Ali Kamel, Roberta Kaufmann e Demóstenes Torres.

    1) Como cansei de falar em outros posts, não se trata de reparação histórica, mas uma política de afirmação voltada a sanar uma desigualdade e injustiça no presente que se pode constatar até mesmo através das estatísticas oficiais. As causas dessa injustiça e desigualdade são históricas, mas os efeitos estão presentes em nossa sociedade até hoje e sem as políticas afirmativas, não há como serem alteradas a curto ou médio prazo.

    2) Entender ações afirmativas como concessão de privilégio é uma crueldade criada por aquele grupinho de pessoas mal intencionados que acabou ganhando simpatia por grande parte da população. Informar-se sobre o significado de ações afirmativas é importante antes de reproduzir tamanha tolice.

    3) Na mesma linha da anterior, dizer que brancos pobres serão prejudicados por reserva de vagas a negros e índios é outra crueldade bastante maliciosa, pois usa a vitimização de uma camada da sociedade já vulnerável (brancos pobres) para incitar o ódio racial contra outra parcela da sociedade que, após um longo processo histórico de exclusão social pela cor, está sendo beneficiada por uma política afirmativa. Além do mais, como todos sabemos, há outros programas do governo que são destinados ao acesso de estudantes de baixa renda e provenientes de escolas públicas ao ensino superior em universidades públicas (a USP, por exemplo, conta com programas dessa natureza). Portanto, a comoção de Magnoli e sua patotinha com os brancos pobres são como lágrimas de crocodilo.

    Quanto ao último parágrafo do seu comentário, recomendo mesmo que leia meu texto sobre o haitianismo de Demétrio Magnoli e a tática do terror contra as cotas raciais (https://umhistoriador.wordpress.com/2012/05/03/demetrio-magnoli-e-o-haitianismo-revisitado-a-tatica-do-terror-contra-as-cotas/). Infelizmente devo lhe dizer que acreditar que a implementação do sistema de cotas é o mesmo que plantar a semente do ódio racial, é se enquadrar nessa tática do terror contra a inclusão dos negros nas universidades públicas. Alegar preocupação com a auto-estima do negro cotista é uma provocação que não posso sequer responder, uma vez que ninguém fala de auto-estima afetada em relação ao deficiente físico ou à mulher que se beneficia de cotas em outras situações, como vagas em empregos em empresas privadas ou repartições públicas. Enfim, já me estendi demais na minha resposta, o que não era minha intenção.

    Atenciosamente,

    Roger

  8. José Roberto F.Militão

    Prezado Roger,
    Consigno que estou nesse debate desde os anos 80, pré-constituinte, portanto nada a ver com o que vc. chama de ´tropa de elite´, e de fato, alguns argumentos são comuns pelo simples fato de serem verdadeiros.

    Também que não sou historiador nem sociólogo e não conheço o trabalho referido, mas, apenas considerei parecida com o que diz Sérgio Buarque que reconhece a nossa civilização, o encontro de três povos (e não de três ´raças´ como alegam os racistas) formando uma nação nova com o imperativo cultural europeu com traços relevantes africanos e indígenas.

    Salvo engano, é o que diz Holanda, no primeiro capítulo de Raízes do Brasil. Procura mostrar como se deu o processo de colonização. Por isso, a nossa herança ibérica e sua já tradicional miscigenação com pretos e mouros e como isso contribuiu para a formação de nossas “raízes”. Ele diz que “somos uns desterrados em nossa terra”, pois tudo o que temos aqui é fruto de outra terra, de outro continente, de outro povo. O empreendimento da colonização foi uma transposição européia (“fronteiras da Europa”), diz Sérgio. É como estar na sua terra e não estar. É de lá que veio a forma atual da cultura da sociedade, com seus méritos e defeitos; o resto foi se adequando bem ou mal às nossas características inclusive a nossa bem-vinda miscigenação que representa o rio caudaloso da brasilidade.

    Por isso, afirma Sérgio, não temos o pertencimento racial, imutável e irrenunciável. O brasileiro é “um ser nacional”, livre, mutável conforme as circunstâncias culturais.

    Neste ponto, prezado Rogério, a questão em debate da segregação de direitos raciais. A única pesquisa específica, no Rio de Janeiro, publicada em 19/11/2008 (CIDAN/IBPS – v.Google) 63% de pretos e pardos, recusavam as leis de cotas raciais. No tocante a política pública praticada pelo estado, evidente que há contradição em vossa argumentação: nega que seja reparação mas apenas afirmação. Afirmação de que? da Raça? Mas, conforme Sérgio Buarque não cultivamos. Também Oracy Nogueira, Gilberto Freyre, chegaram à mesma conclusão. Você nega prejuízo aos pobres brancos, mas alega que os negros estejam sendo ´beneficiados´ pelas ações afirmativas. Ora, como não há mágica: sem novos investimentos orçamentários, para beneficiar alguém precisa perder, e quem perde com segregação de direitos raciais? Raciocine e responda.

    A outra inconsistência é chamar a segregação de direitos raciais como se fosse ´ações afirmativas´, o que não é verdade. Não há em nenhum país alguma boa experiência com segregação de direitos raciais, e Ações Afirmativas (AA) é muito mais amplo e abrangente do que são as ´cotas raciais´, uma espécie de AA, a pior espécie.

    Quanto à auto-estima, se você não é afrodescendente não faz a menor idéia do que seja ser considerado pelo estado com a presunção de inferioridade intelectual contida nos programas de cotas baseado num direito de reserva de vaga ´racial´. O senhor, os reitores, o ex-governador Garotinho, o Sen. José Sarney, os 10 Juízes do STF são brancos, que acreditam na própria superioridade ´racial´ e, paternalistas, nos veem e querem que o Estado nos vejam como coitadinhos. Não levam em consideração a dignidade humana dos afrodescendentes. Eu defendo 50% das cotas sociais, pelo recorte de renda familiar, em que pretos, pardos e brancos, disputem em igualdade de condições. Nós, pretos e pardos, não queremos (CIDAN/IBPS) e não precisamos de cotas de privilégios que significam ´cotas de humilhação´ (DataFolha, novembro 2008 – V. Goggel – Cotas de Humilhação).

    Tal infeliz sentimento de superioridade implícita herança racista, faz o senhor, um bem-intencionado benfeitor da ´raça negra´ (você chama os pretos e pardos pelo nome racial de ´negro´ outorgada pelo Marquez de Pombal, no ´Directório do Índio´, em 1755), e chega a nos comparar com os portadores de deficiência física beneficiários de justas cotas segregadas, e que, portanto, não devemos alegar violação da nossa auto-estima em recebe-las: todos os deficientes precisam de cotas, é a síntese de vossa defesa dessa equivocada política estatal.

    Por fim, espero que não alegue com a unanimidade da Decisão do Supremo Tribunal, pois, já dizia Nelson Rodrigues ´toda unanimidade é burra.´

    • Carlos Cerqueira

      Brilhante articulação, Sr José Roberto.
      Bastante lógica, sensata e isenta. E sem traço de arrogância.

      Alias, acho que foi Aristóteles quem disse:
      “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”.
      É uma pena que boa parte das pessoas, para defender um ponto de vista, deixe claramente vir a tona a arrogância e o recalque, talvez por não alcançar o seu nível de cultura e articulação.

      Meus sinceros parabéns e respeito.

      Carlos Cerqueira.
      P.S. : Agradeceria um retorno pois tenho interesse em conhecer suas opiniões. Imagino que seria uma troca enriquecedora para mim.
      Um abraço.

    • marcos borges

      Até que enfim, alguma inteligência no fim do túnel. Eu não sei, onde o Joaquim Barbosa estava com a cabeça quando votou a favor dessa excrescência.

  9. Caro José Roberto,

    Me parece curioso que você queira explicar a um historiador o que diz Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Especialmente porque você desviou o foco da questão que era sua afirmação inicial de que as conclusões de Martius e Holanda eram semelhante no que toca o ponto da formação do povo brasileiro. Não são. Este foi seu equívoco que prontamente apontei. Desnecessário me explicar o que diz Sérgio Buarque de Holanda para desviar o foco da questão.

    Se você, que está discutindo a questão desde a década de 80, não entende o que são ações afirmativas, não sou eu que irei lhe explicar em um comentário aquilo que você não pode absorver em 30 anos. Mas te digo que não é muito complicado e seria importante se você pudesse compreendê-lo para evitar essa confusão.

    Outra coisa pela qual sinto muitíssimo também é que você não consiga compreender bem o conceito de “reparação” ao qual estou criticando. Parece-me evidente que as políticas não se justificam pelo anseio de se reparar hoje um mal causado a um grupo de pessoas há mais de um século. Associar a implementação do sistema de cotas com a ideia de reparação é um equívoco proveniente dos detratores do sistema de cotas que visam, com isso, causar a impressão de que um grupo de pessoas no tempo presente está sendo beneficiado por uma situação pretérita da qual eles sequer tomaram parte, isto é, quer se criar a impressão de que os beneficiários das cotas são um bando de espertalhões que justificam seus benefícios a partir do sofrimento de milhões de escravos com os quais não estão mais relacionados.

    Contudo, como deixei bem claro no outro comentário, a política de cotas não visa reparar um crime histórico, muito pelo contrário, seu objetivo é sanar um efeito presente na posição social dos afrodescendentes hoje e cujas origens estão no processo histórico de exclusão dos afrodescendentes. Portanto, as políticas de ação afirmativa não tem nada a ver com reparação histórica no sentido que os detratores da cotas pretendem mistificar a questão.

    Quanto a suas referências a Sérgio Buarque e Gilberto Freyre, novamente volto a insistir que é desnecessário me explicar o que eles dizem em suas obras, uma vez que a leitura e a discussão destes e muitos outros autores da época fizeram parte da minha formação. Em nenhum momento estive aqui afirmando o conceito de diferença de raças no sentido que fazia Carl von Martius e todos intelectuais do século XIX e princípio do XX. Se você compreendeu assim, me interpretou equivocadamente. Em todo o momento da minha argumentação, estive posicionado ao lado dos conceitos culturais de Sérgio Buarque de Holanda, inclusive, argumentando que você os associou equivocadamente com Carl von Martius e as teses raciais do século XIX.

    Quanto aos prejuízos aos pobres brancos, veja bem ao lado de quem você está se posicionando e de quem você está comprando os discursos. Talvez, como disse o Dr. Hédio Silva Jr., você já esteja enxergando o Neguinho da Beija-Flor como um eurodescendente. Não me posicionei contra cotas sociais, muito pelo contrário. Se observar bem o que disse, verá que apontei que já existem programas dos governos (federais e estaduais) que atendem aos brancos pobres e, portanto, estes não estão excluídos da obtenção de vagas no ensino superior como o discurso dos detratores das cotas sociais querem fazer crer.

    Vou me dar o direito de ignorar suas afirmações em relação ao fato de eu não ser afrodescendente. Eu não preciso ser mulher para saber que cotas para mulheres em repartições públicas, por exemplo, não são motivo para afetarem a auto-estima delas em relação à ocupação daquelas vagas. Uma correção na sua argumentação, o ministro Joaquim Barbosa não é branco. Outra correção na sua argumentação: eu não acredito na minha superioridade racial, primeiro porque não acredito em raças e segundo porque não acredito em superioridade e inferioridade quando tratamos de seres humanos. Mais uma correção, desejo de justiça social não deve ser confundido com paternalismo. Não quero que o Estado os vejam como coitadinhos, muito pelo contrário. Quero que o Estado garanta que os afrodescendentes tenham as mesmas oportunidades de acesso a educação superior que ele tem reservado para os brancos. Se você não consegue perceber que os afrodescendentes estão sendo excluídos do ensino superior por um processo histórico nefasto e intencional que impede que a maioria absoluta deste grupo saia da miséria e da pobreza em que se encontram justamente por não lhes garantir condições de acesso à educação de qualidade, infelizmente só posso dizer que você se recusa a ver aquilo que está diante dos teus olhos.

    Por fim, vou entender o fato de você ter interpretado que comparei os afrodescendentes com portadores de deficiência por um equívoco da sua parte, e não má fé, como cheguei a pensar. Se você observar bem o que escrevi, comparei as cotas para os afrodescendentes com as cotas para portadores de deficiência e TAMBÉM PARA MULHERES em repartições públicas. Se você prefere ver ofensa nisso, está cheio de má fé em suas intenções, uma vez que meu objetivo era destacar a existência de cotas para grupos que também sofrem processo de exclusão, seja por portar alguma deficiência ou por pertencerem ao gênero feminino. Em nenhum momento minha comparação teve o objetivo de associar afrodescendentes a portadores de deficiência como você quis fazer o leitor deste blog crer. Sua interpretação de minhas palavras, ao dizer que a síntese de minha defesa era “todos os deficientes precisam de cotas”, está completamente equivocada (para não dizer mal intencionada), como acabei de explicar acima. A nãos ser que você também enquadre as mulheres na condição de deficientes. É isso mesmo, sr. José Roberto?

    Antes de me despedir, gostaria de lhe dizer uma coisa, caro José Roberto, é uma pena que você e um grupo representativo dos afrodescendentes se sintam humilhados com uma política que lhes atendem, pois esta política não tem nada de humilhante e de desabonadora, muito pelo contrário, é um avanço da democracia brasileira. Tal sentimento é imposto por um discurso que vem se reproduzindo há décadas montado sobre um sistema de avaliação para o ingresso nas universidades bolado por um grupo que acabou, desta maneira, reservando para si e seus herdeiros as vagas nas melhores universidades públicas. Até recentemente, poucos “intrusos” conseguiam superar as condições de exclusão para fazer parte daquele seleto grupo. Assim, utilizando o exemplo destes poucos que conseguiam superar todas as dificuldades que lhes foram imposta, eles conseguiram manter as condições para se ter acesso as vagas nas universidades e, ainda por cima, criar um mal-estar naqueles que queriam alterar o sistema injusto de ingresso que eles bolaram, alegando que eram menos capacitados, menos inteligentes, menos dotados. Se estes não fossem tão maravilhosos quanto aqueles poucos que conseguiram superar todas as dificuldades da condição de excluídos para ingressar, então eles não mereciam estar ali. É este sentimento de humilhação que este grupo de velhotes brancos da década de 30 conseguiu impingir aos afrodescendentes e a todos os pobres deste país. Se sentir humilhado por ter ingressado em uma universidade pública através do sistema de cotas, é se coadunar com este discurso e, honestamente, lamento muitíssimo ver que você e tantos outros afrodescendentes estão do lado dos que oprimem e querem ver pretos e pobres nas condições em que sempre estiveram.

    • EDU

      Rogerio Beier. Vc não só não entendeu o que o Militão escreveu, quanto tentou de maneira grosseira desembarcar na idéia de que como vc é historiador sabe mais. Ninguém esta interessado no seu currículo nem em detalhes acadêmicos, mas no argumento central do Militão. Esse negócio de se achar superior é um saco. Tem um site que deveria ser democrático e propõe que pessoas ( Demétrio Magnoli) que tenham opiniões contrárias a sua sejam consideradas “persona non grata” é digno de quem não consegue entender que o debate é importante sem adjetivos e tentar desclassificar os outros. Você não é dono da verdade( como pensa). Num país que há total mistura de cores você irá definir como quem é negro? Deixa eu te passar uma xarada. Tenho um cunhado branco que casou com uma mulata mais cafe que leite. Dependendo de quem vê pode chamá-la de negra ou mulata. Sua mãe é negra e o pai não é. A sua filha nasceu branquela. Estuda numa escola pública. Pode pedir a inclusão na cota racial? Responda esta? Vamos a qualquer que seja a resposta: Quem irá decidir? Haverá uma banca examinadora com critérios para definir quem se enquadra. Critérios que poderão ser baseados nas teorias raciais do sec XiX , nas determinações das Leis de Nuremberg de 35, ou em alguma nova formatação criada pela academia brasileira? O Brasil não é um país negro. É no máximo um país misturado. Talvez em certas áreas de MG, Bahia( principalmente) e RJ haja grande números de negros ” puros” como vc devem definir. Outro dia conheci um nordestino baiano de Teixeira de Freitas. O sujeito era branco. Fiquei intrigado. Ele me disse que naquela região não havia muitos negros. Eram mais brancos e mestiços. Chega de tutela na sociedade, chega de estado mandando nas nossas vidas. Vamos fazer um plano de afirmação positiva? Tem que ser por renda, a não ser que você tenha a solução para a pergunta que coloquei acima.

      • EDU

        favor, corrija, desembarcar por embarcar, na primeira frase.

      • Edu, parece que você não leu toda a discussão, não compreendeu bem por que eu disse ao Militão que ele estava tentando explicar a um historiador o que diz Sérgio Buarque de Holanda, não acompanhou os outros posts que escrevi neste blog sobre cotas raciais e fez uma série de suposições incorretas do texto acima (eu sei mais? dono da verdade? negros puros?). Enfim, desse jeito fica bastante complicado estabelecermos um diálogo que avance a algum lugar que não esse bate-boca que você está propondo.

        Quanto a sua pergunta, não é nada difícil respondê-la. Para saber a resposta, bastava ter acompanhado as discussões que ocorreram quando o STF estava decidindo a constitucionalidade das cotas. Se quiser mesmo saber, digite no google sobre os critérios para seleção dos beneficiários das cotas e irás saber como as Universidades que as aplicam tem tratado do assunto. Falar em Tribunal Racial ou Tribunal de Nuremberg é algo tão abjeto, que sequer vou me dar ao trabalho de retrucar.

        Quanto a diminuir a presença do Estado em nossas vidas, que foi uma de suas palavras de ordem, não sei bem ao que você está se referindo: foi só em relação às cotas ou foi algo mais amplo? Ao que parece, bancos, seguradoras e muitas empresas privadas andaram gostando muito da presença do Estado na vida deles. Mais que isso, muita gente que não é pobre, deveria pensar bem se quer mesmo que o Estado diminua a presença na vida deles: Bolsas do ProUni, medicamentos subsidiados ou 100% custeados pelo governo, leites especiais caríssimos para crianças com intolerância a lactose, tratamentos médicos de ponta em hospitais de cuidados especializados (Coração), transplantes de órgãos, enfim, uma série de serviços públicos dos quais a dita Classe Média não reclama. Será que ela está disposta mesmo a abrir mão da presença do Estado???

        Oras, ao invés de exigir melhor aplicação dos recursos de seu imposto nas áreas que são essenciais para o bem público, o que você (e muitos outros) propõe é que privatizemos tudo? Vamos tirar tudo da mão do Estado e dar para as empresas privadas? É isso mesmo? E quem não tiver dinheiro nesse mundo privatizado? Acontecerá como nos EUA quando precisam de tratamento médio, isto é, que se danem? Oras, Edu. Nós precisamos é de mais Estado na nossa vida, não de menos. O problema, é que as pessoas não querem saber da coisa pública, querem saber apenas de si. Em vez de lutar por todos, lutam apenas pelo seu, por não se darem mal. Por serem melhor que o outro. Para terem mais chances que seus concorrentes. Daí, colega, o mais simples é cada um cuidar do seu e o resto que se dane. Daí se entende por que muitos são contra as cotas, contra o Bolsa Família, contra os programas de assistência social. Enfim, me alonguei demais.

        Atenciosamente,

        Rogério Beier

      • EDU

        Rogérrio Beier. Vamos partes:
        1) Acho um absurdo, um acadêmico tentar desmerecer outro a ponto de propor torná-lo “persona non grata” numa Universidade. Não dá para imaginar algo mais anti-democrático.
        2) “Me parece curioso que você queira explicar a um historiador o que diz Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil”. Se Isto não é se colocar numa posição superior, o que é? Explicar a um historiador? Outras pessoas teriam menor capacidade de análise de um texto de história? O que interessa é o argumento e não a qualificação.
        3) Critérios de Classificação de Raças: Pesquisei e não achei nada de definitivo, muito pelo contrário. O Tema é uma confusão como não poderia deixar de ser. Como vc disse que é fácil, por favor, me explique os critérios para definir quem é negro branco, mestiço, índio? Aguardo ansiosamente.DE VERDADE.
        4) Quanto ao estado: Na minha opinião o estado tem sim um papel como regulador da sociedade, como executor SIM de programas sociais, como Monopólio da força (Segurança e Justiça), como garantidor do legislativo e Judiciário, como coordenador de investimentos em diversas áreas e eventualmente até como investidor ( isto depende de N circunstãncias. Não diria que há regra. Neste ponto sou heterodoxo, ao contrário dos estatistas e dos liberais). O Estado é fundamental na saúde e educação, mas não com monopólio. Ter programas sociais e afirmação positiva, não quer dizer que todos devem concordar com ele. Quem é contra não pode ser tratado como ” de direita”, mesmo que seja, pois na democracia todos opinam. Ser de direita ou de esquerda não desqualifica ninguém, desde que haja argumentos. Pior, no ambiente acadêmico, isto deveria ser sagrado, mas infelizmente na USP não é, pois tem que ser de esquerda.
        Você citou o PROUNI. Este é um dos mais brilhantes programas do governo e muito melhor do que criar um monte Universidades federais de 5.a categoria. E pior de tudo, não deixa de ser uma privatização que permite que pessoas de origem humilde tenha acesso a Universidade em todo o país, cidades e bairros. São pessoas que nem tem condições de deslocamento e tempo a freqüentar uma Universidade tipo USP e nem teriam nível ( a grande maioria) para acompanhar as aulas. Custa relativamente barato para a sociedade e dá um ganho educacional, formação e auto estima significativos a muitos que nem sonhavam com isso e viabilizando várias faculdades particulares. Sei que vc diria que tem que ter USP em cada esquina. Esqueça, não dá. O Brasil é grande e pobre; tem que priorizar investimentos em coisas que gerem riquezas e diminuam as desigualdades.mesmo você não gostando, FHC enxergou isto. Direcionou toda a atenção de educação para atingir toda a população em termos de ensino básico e posteriormente médio. A qualidade é ruim. Quem saberia fazer diferente? Porque a qualidade sempre é ruim? É um tema para discussão. Criar gigantes estatais só geram injustiças com a sociedade. São privilegiadas que pouco produzem para a sociedade. Não há receita pronta, mas sempre digo o seguinte: O estado brasileiro é tão ruim que verifico que não há uma única fonte luminosa pública que funciona neste país. Nem naquelas cidades do interior onde eram motivo de orgulho. A sociedade tem que achar soluções fora do estado.

      • Edu,

        1) Quanto a você achar um absurdo, talvez seja por que desconheça,que em boa parte das universidades e faculdades do país e do mundo este é um procedimento adotado pelos membros da academia quando eles sentem que um dos seus colegas já não os representam mais. Na USP, por exemplo, o nosso magnífico Reitor, José Grandino Rodas, é persona non grata na Faculdade de Direito. Enfim, você tem todo o direito de achar absurdo.

        2) Parece que você está com um problema cognitivo com relação a este ponto. Vou tentar lhe explicar o que ocorreu, já que ao reconstituir a discussão, você selecionou apenas a parte com minha resposta ao Sr. Militão, quando o certo seria reconstituí-la na íntegra. Quer criticar, ao menos faça a crítica de maneira honesta.

        Pois bem, durante a discussão, o Sr. José Roberto Militão afirmou que, embora desconhecesse o trabalho de Martius, considerava parecida a interpretação que este intelectual de meados do século XIX fez do Brasil, com a que fez Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil (as interpretações não são nada parecidas). Depois de fazer essa consideração, passou a explicar como Sérgio Buarque de Holanda mostra, no primeiro capítulo de seu livro, o processo de colonização e formação do povo brasileiro e, no fim, traz resumidamente a conclusão de Sérgio Buarque sobre “o brasileiro” (que é diferente da conclusão do trabalho de Martius que, embora ele desconheça, ele acha parecida).

        Seguem as palavras dele:

        “Também que não sou historiador nem sociólogo e não conheço o trabalho referido [Martius], mas, apenas considerei parecida com o que diz Sérgio Buarque que reconhece a nossa civilização, o encontro de três povos (e não de três ´raças´ como alegam os racistas) formando uma nação nova com o imperativo cultural europeu com traços relevantes africanos e indígenas. (…) Salvo engano, é o que diz Holanda, no primeiro capítulo de Raízes do Brasil. Procura mostrar como se deu o processo de colonização. Por isso, a nossa herança ibérica e sua já tradicional miscigenação com pretos e mouros e como isso contribuiu para a formação de nossas “raízes”. Ele diz que “somos uns desterrados em nossa terra”, pois tudo o que temos aqui é fruto de outra terra, de outro continente, de outro povo. O empreendimento da colonização foi uma transposição européia (“fronteiras da Europa”), diz Sérgio. É como estar na sua terra e não estar. É de lá que veio a forma atual da cultura da sociedade, com seus méritos e defeitos; o resto foi se adequando bem ou mal às nossas características inclusive a nossa bem-vinda miscigenação que representa o rio caudaloso da brasilidade. (…) Por isso, afirma Sérgio, não temos o pertencimento racial, imutável e irrenunciável. O brasileiro é “um ser nacional”, livre, mutável conforme as circunstâncias culturais.”

        Minha resposta começou da maneira como você já destacou, mas vou relembrá-la de modo mais completo, uma vez que você a recortou.

        “Me parece curioso que você queira explicar a um historiador o que diz Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Especialmente porque você desviou o foco da questão que era sua afirmação inicial de que as conclusões de Martius e Holanda eram semelhantes no que toca o ponto da formação do povo brasileiro. Não são.”

        Ou seja, se você prestou atenção na discussão, estávamos debatendo se as proposições de Martius e Holanda eram semelhantes e, como estratégia de argumentação, o Sr. Militão decidiu explicar o que diz Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil para tentar aproximá-lo de Martius (de quem ele sequer conhece o trabalho), a partir do vídeo da Lilia Moritz Schwartz e do discurso do Magnoli. Como disse naquele momento, é desnecessário explicar a um historiador o que diz Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, porque este é o nosso trabalho. Seria como explicar o Teorema de Pitágoras a um matemático. (Ainda mais se o objetivo da argumentação é desviar o foco da questão e, explicitando as teses de Sérgio Buarque, e não as de Martius, confundir o leitor fazendo-o acreditar que o que disse Sérgio é o que propõem Martius). Como já disse inúmeras vezes: não são a mesma coisa. Se você enxerga isso “se colocar numa posição superior”, então eu sinto muito. O problema é realmente cognitivo e não posso fazer nada.

        3) A discussão está aí. As faculdades já estão usando os critérios. Se você não consegue encontrá-los, é porque não está pesquisando direito. Eu não vou fazer o seu trabalho, mas te digo que tenho este material em mãos. Contudo, a proposta de meu post era falar da Lilia Mortiz Schwartz, do Demetrio Magnoli e do von Martius e, sobre isso, eu já falei.

        4) Nada a declarar sobre a sua opinião. É a sua opinião e já coloquei a minha. Portanto, é isso.

      • * Correção: João Grandino Rodas.

  10. Célia Regina da Silva

    Bom, em primeiro lugar gostaria de apontar aqui a minha dificuldade para me posicionar quanto a minha etnia, pois não sou branca, nem preta, nem parda, nem coisa alguma. Aviso de antemão, portanto, que não possuo pedgree, o que de certa forma me capacita para personificar a essência da questão: O tal do ser brasileiro.
    Desse modo, creio que não serei, de modo algum, acusada de superioridade racial, como ocorreu como o pobre caucasiano que gerencia este vetor de comunicação, o senhor Beier.
    Posto isso, farei algumas brevíssimas considerações à respeito da incidiosa pauta.
    O elemento negro neste país tem sim a necessidade de se beneficiar através de ações afirmativas como a das famigeradas cotas. Isso, não por ser descendente de escravos, o que seria, antes de tudo,uma medida anacrônica, pecado este que nós, sabios historiadores, nunca cometemos.
    O negro no Brasil precisa dessa medida afirmativa na medida em este país não conseguiu, ao longo do seu devir histórico, inserí-lo na nossa sociedade de caráter marcadamente racista. De outro modo, o branco pobre não foi inserido nesta mesma sociedade, não por conta de racismo, mas por conta do tipo de desenvolvimento econômico adotado por esta nossa pátria decadente. O racismo segrega o negro na sociedade, levando este a tomar a forma de um problema econômico e social. O liberalismo, por sua vez, segraga o pobre branco nesta mesma sociedade na medida em que não promove o desenvolvimento social para as classes menos favorecidas, onde por sua vez também estãos os negros. A medida afirmativa das cotas corrige UM DOS PROBLEMAS DA INSERÇÃO DO NEGRO NA SOCIEDADE BRASILEIRA: O RACISMO TAL E QUAL. Neste sentido, sinto informá-lo senhor José Roberto ( falando aqui, neste caso, do sempre dolorido lugar do ser que sente), que estamos mesmo em desvantagem em relação ao rico branco e ao pobre branco, pois somos SIM VÍTIMAS DE ÓDIO E DESPREZO RACIAL. É,em última instância, se observarmos bem, este último problema, que as cotas tentam corrigir. O estigma existe, quer o senhor queira ou não. Um branco pobre quando ascende socialmente é visto como um homem exemplar que soube fazer uso das oportunidades, estando em pé de igualdade em termos de aparência com seu congênere de classe média alta. Nós(? eu ainda estou na dúvida sobre o uso deste pronome.. eu sempre fico.. ), todavia, quando ascendemos, se não for batendo uma bolinha ou cantando um pagode, somos vistos como verdadeiros aliens que NINGUÉM CONSEGUE ENTENDER COMO CHEGOU ALI. Falo, senhor, por exeperiência própria, uma vez que estes olhares me eram lançados TODAS AS VEZEZ EM QUE ADENTRAVA UMA SALA DE AULA NO DH USP.
    A medida afirmativa é necessária e não é ela REPARATIVA. Trata-se de um instrumento de mudança de mentalidade dentro da sociedade. Isso porque senhor, como nós historiadores sabemos muito bem, um quadro mental demora um milênio para mudar e NÓS(?) NÃO PODEMOS ESPERAR UM MILÊNIO PARA PODERMOS ADENTRAR EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DE PONTA SEM CHOCAR À TODOS!
    O geógrafo Milton Santos( googa ai, por favor), dizia que quando estava em um simpósio de grande relevância aqui na terra brasilis, as pessoas o olhavam como se ele fosse a quintessêcia da humanidade, simplesmente porque ele estava em um lugar QUE NÃO PODERIA ESTAR e NÃO ERA PORQUE ERA POBRE, MAS SIM PORQUE ERA PRETO. A confusão é primária. Não se coloca branco e pobre e preto pobre ou rico no mesmo saco, pois há ai uma questão étnica significativa, cuja ignorância leva à ingênua crença no MITO da democracia racial no Brasil! É como eu sempre digo: um pouco de hermêutica e caldo de galinha não faz mal a ninguém. Sofistiquemos nossos argumentos para que a discussão avance e saia desta etapa débil, típica do senso comum, onde as medidas afirmativas para negros são injustas, porque não são promovidas para brancos também!!! São processos de inserção social DIFERENTES e por isso requerem medidas DIFERENTES! Thats all.

    • Dra. Célia,
      perdoe não ter respondido antes a essa interlocução que não nasceu para ser polêmica mas para pontificar uma semelhança acadêmica entre o que diz Lilia e Sérgio Buarque e o que afirmara Martius (que não conhecia nem faço elogio nenhum pois segundo Beier defendia teses da eugenia), pois, o ponto semelhante é que devido à colonização a cultura predominante foi a européia, dai a formação do rio caudaloso decorrente do encontro de três rios, simbolicamente representantes do europeu, indígena e africano, um maior, outro secundário e o terceiro pequeno.

      Essa realidade inegável está em nossa língua, nas instituições, nas religiões, na culinária etc etc que, como Lilia diz, faz parte da nossa tradição “de um país que mistura inclusão com exclusão social” o que, parece, todos nós, que desejamos um Brasil fraterno, concordamos.

      Mas, naquele primeiro comentário abordei o problema da segregação de direitos em bases raciais, apelidadas ´cotas raciais´, sob o ponto de vista de um ativista contra o racismo e contrário o conceito de ´raças humanas´, pois, conforme Fanon, o primeiro grande antirracista dizia num encontro de intelectuais afrodescendentes em 1956: ” Numa sociedade com a cultura de raça, a presença do racista, será, pois, natural.”

      O principal problema da segregação de direitos raciais é que ela presume que queremos conviver com o racista e com o nefasto conceito de ´raças humanas´, conforme FANON explicava. Eu sou um ativista que não quero conviver com o racista e embora reconheça a sua existência e as discriminações decorrentes, entendo que devemos lutar para destruir a crença, e jamais para afirmá-la como fizeram nos Estados Unidos onde brancos e pretos acreditam no pertencimento racial. Aquela prisão, uma condição imutável, da qual ninguém se liberta, dizia Sérgio Buarque. O ´ser nacional´ dizia Sérgio, é livre, mutável, conforme suas circunstâncias.

      Concordo com a Senhora que precisamos de políticas públicas de inclusão e elas podem ser induzidas, podem ser voluntárias, por um amplo programa de promoção da igualdade. Isso se chama Ações Afirmativas que tem sido adotada em diversos países e em nenhum deles há segregação de direitos raciais. AA se destina a assegurar a IGUALDADE de oportunidades e não tem relação com PRIVILÉGIOS raciais. Ela não pode ser politica estatal de segregação de direitos raciais pois em vez de destruir o conceito de ´raça´ será o Estado validando o pertencimento racial. Porém, é isso que os ativistas de ´cotas raciais´ defendem: a imposição compulsória por lei da segregação de direitos. Eles não desejam apenas a inclusão. O que eles desejam na verdade é serem líderes raciais na defesa de direitos segregados e isso não é bom, nem é razoável que nos seja imposto pelo Estado. Nós, no dizer de Sérgio Buarque e de Milton Santos, estamos livres desse pertencimento racial que somente produziu iniquidade no mundo.

      Não é por coincidência, professora, que o primeiro projeto de lei de cotas raciais segregadas (PLS 650/1999) seja do velho Sen. José Sarney que se intitula ´defensor da raça negra´, sem se envergonhar de ser o Maranhão onde detém o poder político a 50 anos, onde os afro-maranhenses possuem o pior IDH dentre todos afro-brasileiros. No Maranhão desde 1990 foram identificados mais de 400 terras de remanescentes de Quilombolas e NENHUMA foi titulada pois os latifundiários não permitem. É onde ainda prevalece a sociedade racista de Aluisio de Azevedo em ´O Mulato´ (1883). Sarney acredita em raça e todos que acreditam pensam conforme foi formulado o conceito: existe uma hierarquia e a ´raça negra´, a inferior precisa de defensores.

      A senhora recomendou MILTON SANTOS e trago aqui a sua voz. o saudoso professor e amigo que sempre elogiou e incentivou a minha atuação contra a ´raça´ estatal. Ele diz no vídeo, uma de suas últimas manifestações públicas, a síntese de minha preocupação: “queremos ser simplesmente brasileiros” e que não podemos abandonar a relativa tolerância: http://www.youtube.com/watch?v=xp9_fPuYHXc

      É que não almejamos esse nefasto pertencimento racial que as leis de segregação de direitos vem nos impor num neo-racismo que não respeita a voz do beneficiário. Configura pois uma fraude antropológica em que o estado, manipula a auto-classificação de pretos e pardos (as cores da pele humana) para nos impor uma nova classificação de ´raça negra´ aquela mesma que o racismo diz ser a raça inferior.

      Agradeço à senhora e ao Rogério a oportunidade de um debate indispensável e necessário em matéria tão relevante para as futuras gerações que espero sem a ´presença do racista´, conforme recomendava Fanon. ORTEGA Y GASSET dizia que a atual geração tem o dever de entregar às futuras um ambiente social melhor e mais harmonioso do que recebeu. Não creio que com direitos raciais segregados estejamos entregando um futuro melhor. MICHEL FOCAULT ensina que as grandes mudanças e grandes tragédias nascem sempre de pequenas coisas ou pequenas mesquinharias: manipular a escassez sem novos investimentos públicos, retirando vagas de pobres brancos para entregá-las a pobres pretos, todos do mesmo ambiente social, da mesma escola, da mesma rua e até da mesma família é uma mesquinharia perversa que não resultará em grande mudança mas numa tragédia social cujas vítimas do racismo, como sempre tem sido, serão os afro-brasileiros mais pobres e hipossuficientes sem forças e recursos para a autodefesa.

      abçx.

  11. José Roberto F.Militão

    Prezados professores,
    Creio que partimos da mesma premissa: a necessidade de inclusão dos afro-brasileiros para a edificação de uma sociedade mais fraterna e igualitária. Porém discordamos da forma. Eu repudio a ideia da produção da ´raça estatal´ pois isso significará mais racismo decorrente da legitimação da crença em ´raças humanas´ no sentir da população. Se hoje é uma crença que não desfruta de prestígio popular, conforme diversos estudos acadêmicos, a segregação de direitos raciais tende a produzir um falacioso pertencimento racial. Aliás, esse é propósito expresso em diversas manifestações de ativistas defensores da segregação de direitos: eles desejam ser líderes raciais.

    A minha intervenção no post não tinha a intenção polêmica, visava assinalar que a realidade do simbolismo encontro dos três rios se revela verdadeiro com nossas instituições, cultura, língua, religião predominante com bases europeias subordinando a africana e a indígena, conforme diz SBH em ´Raízes´,. e reveladora do que Lilia diz, parte da nossa tradição “de um país que mistura inclusão com exclusão social”. Não fiz defesa de Martius, que não conheço nem do Magnoli com quem concordo que no Brasil, como nação, optou pela miscigenação enquanto a eugenia prosperava nos EUA e Europa. É o que afirma Sèrgio ao afirmar que não estamos submetidos à prisão do pertencimento racial. O ´ser nacional´ é livre, mutável, intercambiável.

    Concordamos todos que precisamos de Ações Afirmativas, porém, a melhor doutrina de AA é que ela se destina a assegurar a IGUALDADE e não se destina a criar privilégios em bases raciais, sexistas, etc. A segregação de direitos raciais não faz parte de nenhuma boa política pública em diversos países que adotam AA. Mesmo nos EUA não há nenhuma lei segregando direitos raciais para incluir.

    Em 1956, o primeiro grande ativistas contra o racismo, FANON dizia num Seminário de intelectuais afrodescendentes, em Paris: ” numa sociedade com a cultura de raças, a presença do racista, será, pois, natural.”

    A base nuclear da segregação de direitos raciais é aceitar a convivência com o racista. É desistir da luta pela destruição da ideologia criada para oprimir as ´raças´ inferiores em especial da ´raça negra´. Ela, criada no século 18 se destinava a se opor à força das luzes que vinha afirmar a maior conquista civilizatória: todos nascem livres e iguais em direitos e dignidade. O racismo veio dizer que não era bem assim, e que a humanidade tinha uma classificação racial e uma hierarquia. Nós devemos lutar para destruir esse conceito falacioso, torpe, perverso.

    A meu ver, com o devido respeito, em nome dessa destruição da crença em ´raças´ o Estado não tem o direito de nos impor uma identidade jurídica racial que não almejamos: queremos ser apenas brasileiros, dizia o saudoso amigo prof. MILTON SANTOS que a senhora recomenda. Trago aqui a sua voz, numa de suas últimas manifestações públicas a respeito:: http://www.youtube.com/watch?v=xp9_fPuYHXc

    Aliás, considero sintomático da perversidade das leis raciais de segregação de direitos com a primazia do primeiro projeto de lei do Senador José Sarney (PLS 650/99) e dele se autodefinir como grande ´defensor da raça negra´.
    http://www.senado.gov.br/senado/presidencia/memoria/06.asp
    Outro sintoma é a primazia da primeira lei de cotas segregadas ser do ex-Governador Garotinho, em 2001 e 2002, no Rio de Janeiro. São políticos que negligenciaram com as políticas públicas universais que beneficiam os pobres, portanto, os afro-brasileiros. No Maranhão, feudo de Sarney, é onde os afro-maranhenses possuem o pior IDH dentre todos os afro-brasileiros, equivalente aos dos países mais pobres da África, bem abaixo da média nacional. Desde 1990 foram identificados mais de 400 terras de Remanescentes de Quilombos, e nenhuma recebeu a titulação determinada pela CF/88, pois a base política é de latifundiários opositores dos quilombolas. Enfim, Sarney acredita que a ´raça negra´ precise de defensores por viverem na miséria em razão de não lhes serem entregues os direitos conquistados. Ao contrário, ele crê que por serem inferiores, precisam de protetores.

    No mais, agradeço a interlocução e o espaço democrático do prof. Rogério para tão relevantes reflexões: não desisto da destruição da crença em ´raças humanas´ e não quero que as futuras gerações de nossos filhos e netos tenham que conviver com a presença ostensiva do racista. Não precisamos do falacioso pertencimento racial.

    abçs.

    • Célia Regina da Silva

      Caro José Roberto,
      É com muito prazer que, ao ler o seu último post, percebi que a controvérsia cortês de outrora, se dava apenas devido a um ruído na comunicação. Para mim ficou claro, agora, que lutamos a mesma luta.
      Abraço forte e sincero.
      Profa. Célia Regina da Silva.

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  13. marynha

    NOOOSSSAAA !! aqui só tem fera…mas, como é espaço democratico, a leiga deixará so´um recado: cheguei aqui procurando textos escritos por Lilia Moritz, só para ler e me deliciar com suas conclusões e estudos sobre nossa origem enquanto nação, ( que sempre me interessou , pois como mudar esta péssima pespectiva impregnada na alma do povo brasileiro sem entender as nossas origens ?) e devo dizer que gostei muito da educada discussão de todos os Feras PROFESSORES, de tao conceituadas Universidades,
    Aprendi muito aqui, só lendo vcs, e que estas palavras do hospitaleiro blogueiro seja a carne do hamburgue, de tao esfomeada fome e sede:
    …”eu não acredito na minha superioridade racial, primeiro porque não acredito em raças e segundo porque não acredito em superioridade e inferioridade quando tratamos de seres humanos. Mais uma correção, desejo de justiça social não deve ser confundido com paternalismo.
    Tudo que se sabe ( de bom e que faz bem )e não se dissimina não vale de nada . Precisamos de mais presença como a vossa em meio aos embates sobre estas questões, sempre tão polêmicas, onde a humilhação dos que defendem, pois não teem o vosso conhecimento histórico e acadêmico, é uma constante. Mas , como defensora desta mesma justiça aqui pregada, e sendo uma destas pessoas humilhadas muitas vezes nos embates destas questões e semelhantes, me armo aqui, através de vós, como boa soldada que nunca foge de uma batalha, pois tenho a esperança viva em meu coração em relação a nossa nação, em todos os termos, mental, social, cultural, enfim, justiça. Que seja cobrado de todos o tudo, quando o tudo primeiramente for dado de igual modo a todos, é como termino minhas simples e idoutas palavras entre vós.

    Não só voltarei, mas indicarei como fonte de conhecimento imparcial e real, este blog. Congratulo a vc Rogério Beier, a esta Cara Profª Celia Regina
    e a nossa Corajosa e Justa , Lady Antropologa Lilia, pois foi para o meio, como ovelha, inocente, mas pegou o laço e o lançou sobre os próprios caçadores rsrsrs. . Maria ( Funcionária Pública, vigilante, Se-NO)

  14. Olá, Maria…. muito obrigado por sua colaboração e por suas palavras. Fico feliz de que o post tenha, de certa forma, ido de encontro a suas expectativas. É sempre motivo de muita alegria para mim quando tenho respostas ou comentários das pessoas que leem este blog e mais ainda quando acham que devem compartilhá-lo com seus colegas. Um super abraço e que possa te ver cada vez mais por aqui nos comments.

    Um beijo,

    Roger

  15. joselitus_maximus

    Persona NÃO grata, já que é um mal agradecido que estudou em faculdade pública, mas vive arrotando sobre privatização, livre-mercado, meritocracia, e ainda quer negar aos outros as mesmas oportunidades que teve.

  16. Gabriel Siqueira Corrêa

    Gostei muito do blog para debate
    Muito bom a leitura dos diversos pontos de vista. Não vou recuperar o debate que foi travado, porém vou trazer uma contribuição simplória, mas acredito ser de grande importância. Estudei durante 4 anos na UERJ-FFP, e agora mesmo dando prosseguimento em meus estudos em outra universidade, continuo frequentando a UERJ, onde participo de um grupo de pesquisa sobre a lei 10.639.
    Nesses quase seis anos a frequentando, nunca presenciei sequer uma atitude ofensiva direcionada aos negros devido a existência de cotas. Claro existem debates, e pessoas que se colocam contra e outras a favor, porém, nenhuma ofensa do tipo “você roubou a vaga de outras pessoas” ou algo semelhante ao Apartheid na África do Sul — como prevista por Demétrio magnolio — que ao contrário da medida júridica das cotas, visou a exclusão de um grupo, resultando não só em uma comparação infeliz, como de uma ignorância teórica, que só pode ser vista pelo ponto de vista ideológico-político-econômico, já que o mesmo, conhece bem os estudos sobre Apartheid.
    O ódio racial previsto nunca aconteceu — e acredito que nunca acontecerá — o que surgiu foi um debate que recupera e problematiza como a presença do racismo em variadas dimensões das relações sociais dificultam a trajetória socio-espacial de pessoas negras. Recuperar esse debate é visualizar como estratégias discursivas utilizadas desde o fim da escravidão, são refuncionalizadas e difundidas por sujeitos como D.M. Ele é na verdade, como pode ser visto em seu livro — um punhado de distorções, assim como a presente na entrevista — um reprodutor de teorias sobre a democracia racial, que só sabe falar “não existe raça”, como se a inexistência da raça implicasse no fim das desigualdades engendradas a partir da invenção da mesma. Aliás, como Fanon mostra em seus escritos, não é a presença da palavra raça que traz a existência do racismo, a inexistência da palavra e o fim da discussão são apenas formas de negar o problema, o que para ele só perpetua um ideário racista-eurocêntrico, como ele visualizou nas Antilhas.

    Já que estamos falando nele, cabe aqui um pouco de Fanon pra finalizar

    “Como assim? Quando então tinha todos os motivos para odiar, detestar, rejeitavam-me? Quando então devia ser adulado, solicitado recusavam qualquer reconhecimento? Desde que era impossível livrar-me de um complexo inato, decidi me afirmar como Negro, uma vez que o outro hesitava em me reconhecer, só havia uma solução:fazer-me conhece.” (Frantz Fanon, Pele negra Máscaras brancas)

    • Caro Gabriel, adorei sua colaboração. Fico feliz de disponibilizar um canal onde as pessoas possam se manifestar com contribuições tão substanciais como as que tivemos por aqui.

      Um abraço,

      Roger

  17. Edson

    Trabalho em uma escola pública do norte-noroeste fluminense onde negros, pardos e brancos estudam juntos nas mesmas salas. A miscigenação nessa região do estado do Rio de Janeiro foi intensa e isso é facilmente perceptível ao entrarmos nas salas de aula de qualquer escola pública daqui. Pois bem, conheço boa parte das famílias desses alunos e sei onde moram e trabalham. Brancos, pardos e negros são vizinhos em seus bairros e seus pais trabalham juntos nas mesma fábricas (poucas) e nos mesmos estabelecimentos comerciais. Origem social comum à imensa maioria deles. Resumindo, todos tem acesso às mesmas escolas e compartilham os mesmos professores e conteúdo curricular.

    Não há nenhuma lei que impeça a entrada de negros ou pardos nas universidades públicas. Não há nenhuma lei que impeça a aquisição de conhecimento de todos esses alunos seja nas escolas em que estudam atualmente ou numa futura unversidade pública. As provas corrigidas no vestibular não obrigam o aluno a dizer se é negro, pardo ou branco. Quem as corrige nada sabe sobre quem delas participou. Enfim, não há nenhuma lei que separe brancos, pardos e negros em relação ao acesso ao estudo e às vagas.

    Partindo desses pressupostos como entender então como algo JUSTO E DEMOCRÁTICO que um de meus alunos negros ou pardos com desempenho não muito feliz numa prova de acesso à universidade possa ocupar, graças às cotas, uma vaga que em tese seria de outro de meus alunos, esse branco, que a conseguiu por mérito único e exclusivo seu através de um desempenho mais satisfatório na mesma avaliação?

    Esse me parece o grande problema, Rogério. Se tivéssemos leis que impedissem o acesso dos negros e pardos ao ensino superior me pareceria correto a criação de cotas para corrigir as diferença causadas por tais leis. Mas o que temos hoje é que brancos, pardos e negros POBRES, não só aqui no estado do Rio mas pelo Brasil todo vivem, estudam e trabalham juntos, tendo acesso às mesmas escolas e professores.
    Se deve haver cotas em universidades públicas isso só poderia ocorrer para alunos que estudam em escolas públicas. Nunca por critérios raciais. Como explicar para meu aluno branco, e pobre, que passou todo o ensino fundamental e médio ao lado da carteira de seu colega negro, que jogaram bola no mesmo campo de futebol e moram na mesma rua com pais no mesmo emprego que, tendo realizado melhor prova no vestibular que esse seu amigo, perca a vaga prá ele apenas por SER BRANCO?

    Não acredito que se faça justiça cometendo novas inustiças. Não enveredo pela discussão sobre o que disseram ou concluíram determinados autores ou sociólogos porque ela apenas polemiza o debate com muitas abstrações. A realidade que vejo cotidianamente nas salas me impede que eu acredite em cotas raciais.
    Estudantes de escolas públicas chegam ao ensino superior, sejam eles brancos, negros ou pardos, se aprenderam as matérias cobradas, se estudaram os se esforçaram para atingir seus objetivos. Entram por mérito e isso não deveria ser mudado sob argumentos de injustiças do passado pelas quais as gerações atuais não podem ser responsabilizadas. A cor da pele não impede que façam isso. O país não barra seu acesso por causa da cor da pele.

    As cotas não reparam nem corrigem injustiças. Criam novas. E com o uso da lei, o que é muito pior.

    Um abraço,
    Edson

  18. Sofia

    Para você, dono deste blog:
    Sou velha. Estudei durante a maior parte de minha vida. Na faculdade, tive uma professora negra e alguns professores (homens) também negros. Anteriormente, no colégio, já os tivera, assim como muitos colegas, tanto na escola particular quanto na pública. Nunca tive a oportunidade de presenciar segregação. Tenho, pois, motivos vivenciais para considerar as cotas uma forma de discriminação tola, esta sim preconceituosa. A maioria de nossa população é negra – com nuanças, obviamente.
    Toda família brasileira tem, hoje, sangue negro – viva!

    • Cara Sofia,

      O fato de você ter tido um ou alguns professores negros, ou um ou alguns colegas negros na escola ou faculdade não significa que não houve discriminação social e/ou racial no Brasil. Aliás, quanto mais no tempo recuarmos, mais fácil de perceber a discriminação, que antes era realizada sem o menor pudor.

      Honestamente, não acredito que você não teve oportunidade de presenciar segregação. Talvez, o que é mais provável, você não tenha desejado vê-la e, assim, não a viu. A segregação está em todo lugar, não só nas escolas e faculdades, mas nas ruas, nas empresas, no comércio, no tratamento que a polícia dá aos negros, enfim, em todos os lugares.

      Sim, viva o sangue negro presente em todas as famílias, desde que seja sincero. Tem muita gente, como Ali Kamel e Demetrio Magnoli que adotam esse discurso, mas ele é meramente retórico para impedir a ascensão social dos negros neste país, para manter a arapuca que foi construída há décadas, na qual negros não conseguem ascender socialmente, pois não tem acesso a universidade de qualidade. E não tem acesso a universidade de qualidade, porque desmantelaram a educação fundamental pública e gratuita, na qual a grande maioria dos negros estudam no decorrer de toda sua vida. Esses mesmos indivíduos (Kamel e Magnoli) que são contra as cotas raciais, pouco falam de concreto (apenas retórica) sobre projetos de melhoria da educação fundamental pública no país, não estão verdadeiramente engajados em projetos com este fim, mas ao contrário, como vimos, ambos estão ligados a projetos políticos de partidos como o DEM, capitaneados pelo ex-senador Demóstenes Torres. Vergonhoso!!!!!

  19. Sofia

    Esqueci-me de algo: conheço pouco este Demétrio Magnoli. Tenho lido recentemente algumas coisas dele. Quem classificar de “bobagens” o que ele escreve precisa de médico, ou não precisa – é só medir o QI e parar de dizer tolices.
    Sei sobre o que falo. Sou escritora e revisora de textos há trinta anos.

    • Pessoas com QI alto são mal intencionadas e falam tolices (muitas vezes propositadamente para obedecer a uma agenda político/ideológica). Não sei se você teve a oportunidade de ver textos do Sr. Demétrio Magnoli elogiando nosso honesto ex-senador Demóstenes Torres. Sua argumentação de que ele não fala bobagens porque você é escritora e revisora há trinta anos e sabe o que fala é bastante fraco. Ele não só fala bobagens, como foi demonstrado claramente e em cadeia nacional nessa entrevista da professora Lilia ao programa do Jô, como é uma pessoa mal intencionada. Suas pesquisas na área da humanidades são importantes, mas quando abre a boca para falar de cotas raciais, demonstra suas más intenções e despeja tolices sobre as pessoas. Meus posts estão aí e já argumentei suficientemente em relação a isto. Você pode discordar, mas essa é só minha opinião e não deve lá ter muita importância no cenário nacional.

    • Yo!

      I’m planning some house renovation and I just wanted to share some of my ideas with you, take a look please http://chat.undeadcowboy.com

      Yours truly, rogerio.beier

  20. Rogério, parabéns pelo ótimo texto e pelo ótimo blog.

    Tenho participado timidamente das discussões sobre cotas e acompanhado os argumentos dos que são contra e eles não tem se modificado, continuando tão falaciosos como sempre. Um dos que mais me incomoda é a ideia que se pararmos de falar sobre raça e discriminação, a segregação e o preconceito vão simplesmente deixar de existir. Esta ideia está implícita quando muitos dos adversários dos programas de ações afirmativas sugerem que as cotas racializarão o Brasil, criando mais preconceito, quando na verdade o que ocorre é as cotas são fruto do reconhecimento de que existe sim preconceito e que, portanto, nossa sociedade já é racializada, ainda que muitos não admitam ou escondam-se atrás do discurso de miscigenação. Além disso, para mim é claro que caso realmente comecem a ocorrer manifestações declaradas de racismo, elas não terão sido criadas pelas cotas, mas apenas desveladas por elas. Sinto este clima em algumas discussões quando começasse a explicar a questão do racismo e da discriminação por cor, o que faz alguns contrários as cotas a soltarem comentários que beiram o racismo. Algumas vezes, na minha experiência pessoal, os comentários, passaram da beirada e foram completamente racistas. Claro, seguido de recuo e a afirmação de que era, ‘apenas brincadeira’. Entendo que estas manifestações sejam e devam permanecer minoritárias, mas elas me sugerem que a resistência a programas de cotas seja, pelo menos em parte, resultado de certos mecanismos sociocognitivos que perpetuam o racismo e funcionam de maneira apenas semiconsciente.

    Acho que o problema para muita gente que se opõem aos programas de cotas raciais é que admitir que as ações afirmativas são importantes para corrigir certas distorções que existem atualmente em nossa sociedade (e não apenas reparos por injustiças passadas) demanda um exame de consciência mais profundo. Na verdade, envolve admitir que – como contrapartida ao fato de existirem pessoas desprivilegiadas que tiveram e têm sua inserção em certos meios e instituições sistematicamente dificultadas por causa de certas estruturas sociais e comportamentos recorrentes associadas com a sua aparência e origem étnica – existe outro grupo de pessoas que foram privilegiadas por causa de sua aparência e origem étnica, mesmo que não tenham elas mesmas sido conscientemente responsáveis por elas. Porém, o fato dessas pessoas não se considerarem racistas, não agindo conscientemente de maneira racista e, inclusive, repudiando este tipo comportamento, não quer dizer, no entanto, que não tenham se beneficiado do racismo imanente as relações de nossa sociedade e, assim, tenham ajudado a perpetuar processos comportamentais e estruturas sociais racistas, mesmo que não declaradas. O que parece é que se não temos um racismo tipo KKK não temos racismo, o que é um grande absurdo.

    Também me incomoda muito quando tentam contrapor cotas raciais às cotas sociais quando as duas iniciativas não são medidas que se excluem mutuamente. No meu ver, as cotas raciais devem estar incluídas dentro das cotas sociais de modo a evitar a manutenção de distorções, devendo ser adequadas aos censos locais. E parece que é assim que elas tem sido discutidas e implementadas em várias instituições. Pior ainda é oferecer como solução para o problema da discriminação racial ‘melhorar o ensino universal’, como se isso fosse fácil, exequível a curto prazo e contraditório a política de cotas.

    Tenho pouca paciência também para a linha de argumento que tentar usar o fato das raças não terem respaldo nos estudos científicos da variabilidade genética humana como argumento para negar que as raças, em sentido sociocultural, não sejam relevantes e assim não possam causar a discriminação e as desigualdades. Para mim é óbvio que os dois fatos não são antagônicos, apenas mostram que o que chamamos de raças são construções sociocognitivas baseadas na percepção de detalhes fenotípicos bem superficiais de um ponto de vista mais amplo, mas que tomam grandes proporções por causa de nossas ações e ideias, mesmo que não reflitam a variabilidade genética e mesmo fenotípica humana. Escolhemos um mero detalhe, mas que é bem visível para rotular e atribuir toda uma série de características a determinado grupo. Na realidade é este segundo fato que torna o racismo ainda mais trágico, pois se não há concordância sistemática entre certas características craniofaciais e de pigmentação (cuja base biológica é causada por uma fração mínima da variabilidade genética humana e que segrega de maneira independente) com a base hereditária de outras características biológicas e culturais que influenciam ‘fenótipos’ como inteligência, caráter, sucesso profissional e acadêmico, então, as diferenças que percebemos nas estatísticas de pessoas negras e pardas em relação ao seu acesso a educação, emprego etc, são produto do comportamento discriminatório dos indivíduos em uma sociedade que se guiam apenas por esses detalhes de aparência altamente superficiais, mas que são altamente relevantes para fins de identificação e estigmatização. É por isso que se diz que raças só tem a profundidade da pele (‘Races are skin deep’).

    Concluindo.O fato do termo ‘raças’, como habitualmente concebido, não refletir nada bem a diversidade genética e mesmo morfológica humana, não quer dizer que algumas características bem superficiais que correlacionam-se pobremente com este termo em função da ancestralidade geográfica não sejam suficientes para guiar o preconceito e reforçar categorias discriminatórias sociocognitivas.

    http://www.understandingrace.org/humvar/skin_01.html
    http://www.pbs.org/race/000_About/002_04-background-01-07.htm
    http://raceandgenomics.ssrc.org/Lewontin/

    • Obrigadíssimo pelo excelente comentário. Infelizmente, uma parte das pessoas que comentam por aqui sequer leem nossas argumentações para tecerem seus comentários que reproduz o racismo com discursos comprados e veiculados por uma mídia racista que só tem o interesse em manter as coisas como estão. Quantas vezes ouvimos a repetição da argumentação de Ali Kamel, Demétrio Magnoli e a Kauffman? Já nem sei mais e confesso que não tenho mais paciência. Pior que isso, é que o pouco dos que chegam a ler, ou não entendem, ou são extremamente mal intencionados para distorcê-los e envenenar o maior número de pessoas para que continuem a reproduzir o racismo e o preconceito cotidianamente em nossa sociedade. Muito obrigado mesmo por sua excelente contribuição!!!!

      • Obrigado pelas palavras. Gostei muito deste blog e dá sua linha de argumentação.

        Adorei o vídeo da Lilia Schwarcs e a forma como ela destrói as premissas do Magnoli de que o Brasil seria algo muito diferente de outros países em que a luta contra o racismo foi mais direta e clara, sugerindo que aqui ‘raça’ e cor da pele nunca foi relevante. Como eu havia dito, para algumas pessoas se não houve algo como a KKK e o Apartheid não se poderia falar em racismo mesmo que os indicadores sociais mostrem que existe uma profunda desigualdade e que isso já mostra que vivemos em uma sociedade ‘racializada’ ou seja que algumas características físicas superficiais de algumas pessoas com determinada origem étnica são usadas para marcar e ostracizar estes grupos de pessoas, afastando-as da educação, das boas oportunidades de emprego e de uma maior inserção social. Pior é apresentar as ações afirmativas raciais como antagônica as sociais, algo que é pura mentira.

        Pessoas como o Demétrio Magnoli, que são muito inteligentes e bem articuladas, só podem ter uma agenda muito específica por trás de tanta argumentação falaciosa, distorção das posições alheias e terrorismo ideológico. Não é possível que não percebam quão vazia e falha é essa linha de argumentação e quão nefastas são essas estratrégias retóricas. O triste é que muita gente que é socialmente sensível e não se alinha com as posições mais reacionárias do grupo de interesse que ele representa, mesmo assim caem na armadilha retórica dele. Eu acho, como já havia comentado, que as pessoas caem nessa armadilha em parte por que é muito difícil admitir que elas, mesmo não tendo consciência disso e não querendo isso, ainda assim fazem parte das estruturas sociais que mantém a discriminação racial e que são as privilegiadas desta situação.

        O próprio fato de negarem que exista tal discriminação ou acharem que mesmo que ela exista, que as tentativas de enfrentá-la e saná-la seriam ainda piores, mostram-se como formas muito efetivas de manter esta estrutura discriminatória. Discutir isso é essencial e fazer isso sem o terrorismo intelectual de alguns seria o ideal, mas está bem difícil de ser feito.

        Abração,

        Rodrigo

  21. Voltando um pouco para a realidade. Por vezes, sou descriminado, humilhado, segregado… O motivo é a cor de minha pele?

  22. Tereza

    As colocações da Lilia Schwarcz e do Demétrio Magnoli não se contrapõem, além disso, complementam-se, refente a análise da monografia escrita por Carl Friedrich von Martius. Demétrio não usa a palavra “harmoniosa” quando se refere a metáfora da confluência de rios, como você escreve em seu texto. Lilia complementa que Martius descreve esses rios (raças) com diferenças distintas.

    O que Demétrio propõe é uma reflexão sobre essa confluência, o encontro de rios, como analogia para a mescla de raças que já ocorria no país. O Brasil não opta pela miscigenação ele é miscigenado. E, quando o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, uma entidade do Império, premia a monografia de Martius que reafirma essa condição, deve ser considerado que como consequência introduz a consciência de que a miscigenação não seja algo negativo. E, ainda que houvesse uma hierarquia as raças continuavam a se misturar.

    Não houve bobagens ou distorções.

    Demétrio defende que fatores como a reflexão sobre a miscigenação na monografia de Martius e o movimento dos médicos sanitaristas, tiraram o peso da influência de ideais segregacionistas e, isso, contribuiu positivamente em como o brasileiro, hoje, tem dificuldade em compreender o conceito de raça e a prática do racismo se faz de forma velada, não explícita. Diferente de um país como, por exemplo, os Estados Unidos, que oficializou a segregação racial em suas leis.

    Não vejo como alguém que encara positivamente a miscigenação, ainda que contrário a criação de cotas, seja racista.

  23. Lindomar

    Olá, Prof. Rogério. Apesar de balançar com a maioria dos seus argumentos, confesso-me ainda um pouco reticente quanto às cotas raciais. Elas me parecem muito mais um paliativo governamental destinado a esconder o problema estrutural da nossa educação. Ou seja, algo como a tradicional ‘gambiarra’ brasileira pra ‘empurrar com a barriga’ e maquiar um problema que, se resolvido na origem, solucionaria a questão: ao invés de se investir na educação pública (de modo geral, incluindo desde a formação dos professores [que anda capenga] até os investimentos diretos nas escolas, que passem a atender verdadeiramente, e conforme instrução constitucional, a toda a população brasileira), se prefere utilizar o sistema de cotas lá na ponta do processo, comprometendo ainda mais a qualidade da educação no nosso país. Portanto, acredito que enquanto os investimentos em educação não saírem das promessas e do discurso (que são lindos, todos os políticos sabem fazê-lo) e se tornarem realidade (o que infelizmente não vislumbro tão brevemente) bateremos cabeça em discutir cotas raciais (como as gambiarras em um carro que precisa mesmo trocar o motor). Abraços a todos e parabéns (em primeiro lugar ao mentor do blog, e estendendo-se a todos os demais participantes, pretendendo me tornar um assíduo destes).

  24. Valeu Lindomar. Não penso como você, mas agradeço por deixar seu comentário de maneira respeitosa.

    Abraço,

    Roger

  25. Silva

    O Magnoli está corretíssimo, o mais surpreendente é miltante de quinta categoria achar que pode rebater uma vida de pesquisas e estudos através de mimimi em um blog.

    Abraço

  26. Antonio

    “Certa feita um homem chegou em casa e encontrou a sua mulher traindo-o com o jardineiro no sofá da sala. Então,para solucionar o problema ele resolveu tirar o sofá da sala.”
    Ou seja estamos querendo resolver um problema : acesso dos mais pobres na universidade, tirando o sofá da sala : criando as cotas, quando a solução seria melhorar o ensino basico e médio. Como ??? É fácil, não precisamos inventar a roda, basta olharmos o que fazem Finlândia e Coréia de Sul, por exemplo, para não irmos para o lugar comum : USA e Europa Ocidental. Isto porque, os ultimos 30 anos, todos os governos não se preocuparam com o ensino público médio ou básico. Eu por exemplo, sempre estudei em escola publica, isto quando ela muito procurada ( mais do que as escolas privadas ) por todas as classes sociais, e nunca fiz cursinho para entrar na universidade ( tambem publica ) e depois fazer mestrado e doutorado.
    Um abraço a todos e que Deus nos salve dos cientistas sociais,
    Antonio.

    • Caro Antônio, essa é a resposta pronta que mais se repete por aqui e já a respondi tantas vezes, que não voltarei a escrever sobre o assunto. Vou apenas dizer que se a solução fosse tão simples como você sugere em sua resposta, ela já teria sido adotada, por um ou outro governo nos últimos 50 anos. Enquanto isso, nada fazemos para mitigar o ENORME ABISMO que o injusto sistema educacional brasileiro criou entre os indivíduos que não possuem dinheiro para estudar e os que possuem.

      Comparar a Finlândia com o Brasil não revela muito mais do que má vontade para discutir esse assunto seriamente. Quem pretende fazer isso, simplesmente não repete argumentos que simplesmente não colam com a realidade dos países mencionados. A FINLÂNDIA, atualmente, possui um sistema educacional PÚBLICO, e não privado. Isso foi parte da reforma proposta pelo governo, quando eles estavam caindo no engodo que era privatizar a educação básica. Isto é, enquanto imbecis da classe média brigam aqui no Brasil para se diferenciarem da ralé colocando seus filhos em escolas privadas para que tenham a chance de estudar em universidades públicas e garantirem os melhores empregos, nos países do norte europeu os cidadãos lutaram para que TODOS tivessem acesso a uma escola pública de qualidade. ISSO SIM É UMA SOLUÇÃO e pode demorar de três a quatro décadas. E enquanto isso, o que fazemos??? Oras, muito melhor do que ficar de braços cruzados é adotarmos o sistema de cotas.

      Enfim, falei que não ia me alongar e já escrevi de mais.

      Um abraço,

      Roger

      PS: Nem quis entrar no mérito da questão de que países como FINLÂNDIA ou CORÉIA DO SUL, para ficar apenas em dois dos exemplos que você mencionou, não tiveram um passado escravista como o Brasil e, portanto, a comparação proposta é simplesmente descabida.

      • Lindomar

        Perfeito, concordo com quase tudo que vc escreveu. Só continuo achando que o sistema de cotas vai legitimar a inércia de investimentos na educação pública, já que as distorções seriam supostamente “corrigidas” lá na frente. E sabemos bem que a solução não foi adotada “por um outro governo nos últimos 50 anos” porque não eh do interesse de governantes se elevar o nível educacional da população. Um povo bem educado tende a ser “questionador demais” neh. Além disso, um povo bem educado tende a eliminar racismos, na medida em que os diversos preconceitos têm suas origens justamente na ignorância. Ou seja, nem considero o sistema de cotas uma medida ruim na sua essência, somente acredito que servirá para manter o baixíssimo nível educacional em nosso país. Fora que concordo com Magnoli quando ele coloca a problemática questão de se estabelecer divisões raciais na sociedade, podendo, ao contrário do que se propõe, fomentar ódios entre semelhantes que passam a se considerar diferentes com base numa classificação oficial. Acredito que uma questão vem ligada a outra. Abraços!

      • Caro Lindomar,

        Você acredita mesmo no que você acaba de escrever e transcrevo abaixo???

        “E sabemos bem que a solução não foi adotada “por um outro governo nos últimos 50 anos” porque não eh do interesse de governantes se elevar o nível educacional da população. Um povo bem educado tende a ser “questionador demais” neh.”

        Oras, me parece um tanto ingênuo. Entendo que a “falta de interesse” dos governantes não está em evitar cidadãos críticos e questionadores. Se assim fosse, proibiria a todos e não só os pobres. A questão, a meu ver, está muito mais relacionada com a reserva de mão-de-obra de baixo custo necessária para manter o Brasil em sua atual posição no sistema capitalista tal como o conhecemos. O problema é que, de uns tempos pra cá, o mercado passou a exigir qualificação de mão-de-obra para atender as novas demandas. Foi justamente por isso que grupos conservadores passaram a defender e a colocar no governo representantes que começaram a construir Escolas Técnicas e Cursos Superiores tecnológicos ou especializados oferecendo muitas vagas (até mesmo para os pobres, veja só).

        Portanto, a tal falta de interesse em educação pública me parece ser muito mais econômica do que qualquer outra coisa. Mas que fique claro, a demanda de mão-de-obra barata (pra não dizer miserável) segue firme e forte na construção civil, em linhas de montagem e no setor de serviços.

        Abraços,

        Roger

      • Claudio Donato Mathias

        Roger, parabéns pelo Blog, é brilhante!
        Eu concordo com tudo o que vc diz. Realmente, parece que o brasileiro sofre de alguma síndrome, similar à cegueira. Eu digo isso porque eu tambem sofria dessa síndrome, até morar no exterior por um ano e meio. Quando eu voltei, parecia que tinham tirado a venda que cobria os meus olhos. Comecei a enxergar. Me parece que a classe média branca não percebe que os negros não estão nas salas de aula das escolas privadas que frequentamos. Eles não estão no escritório de advocacia onde trabalho. Da mesma forma que os brancos não estão trabalhando nas cozinhas dos bares e restaurantes por eles frequentados, ou trabalhando como garçons, como frentistas, como ambulantes etc. Para mim é muito claro como historicamente os negros foram exclusos e os descendentes dos europeus que vieram a partir do século XIX foram e são privilegiados. Ser europeu de olhos claros e sobrenome complicado é sinal de status em nosso país. O oposto também ocorre. E como o pobre e preto faz para superar as barreiras sociais? Engraçado como o ensino básico privado é bom e o público não. Engraçado como o ensino superior privado é ruim e o público não. Quem tem dinheiro e é branco, evidentemente, tem acesso às melhores oportunidades. E mais, no Brasil, não vejo interesse na igualdade de condições para todos os brasileiros, e isso a meu ver não é a vontade dos realmente ricos, mas de muitos que flertam com essa condição, porém pertencem à classe média, que despreza e ridiculariza a ralé. Há muita gente que nunca pegou ônibus ou metrô em SP, porque isso é pra pobre!?!
        Enfim, o sistema de cotas, como vc bem disse, é questão emergencial, já que os oprimidos já esperaram demais para ter uma vida menos sofrida!
        Para finalizar, já que aquele país escandinavo foi citado, gostaria de lembrar que 99% dos judeus dinamarqueses sobreviveram ao holocausto. Sobreviveram porque puderam contar com os demais nacionais, que não lavaram as suas mãos. Os não judeus não foram egoistas, não optaram por ficar no conforto de suas casas assistindo ao assassinato de seus irmãos. Essa demonstração de amor ao próximo, independente de diferenças, Infelizmente não será vista por aqui tão cedo. Não vejo como fazer qualquer comparação entre qualquer país escandinavo e o Brasil.

  27. Para quem se interessar em saber mais sobre o sistema educacional finlandês, há uma matéria que pode ajudar em http://www.passeiweb.com/saiba_mais/atualidades/1204578020

    • Lindomar

      Não aparece link pra responder na outra, então vou escrever aqui mesmo…rs

      Bem, quanto aos ricos não há muito o que os governos possam fazer para aliená-los. Os ricos criam pra si escolas e universidades próprias e mesmo viajam para estudar no exterior.
      Entendo e concordo com o viés econômico ser fator importante na configuração da educação nacional, mas ainda acredito (ingenuamente neh…rs) em “cercas” para garantir que não se perca o “controle” do nível educacional. Os cursos técnicos e superiores tecnólogicos, a meu ver, vêm sendo ampliados por cumprir dupla função: qualificam a mão-de-obra, mas não se preocupam em fomentar debates sobre a realidade brasileira a partir desta formação, algo como o que Paulo Freire chamava de “educação bancária”. Sem mencionar que até mesmo a educação superior tradicional vem se adaptando a força do mercado: graduações com 6 períodos, mestrados de 2 anos, doutorados de 4 anos…
      Abraços!

  28. Marcos Vinicius

    Não sou historiador. Ponto. Sou sociólogo e só me formei porque à época não havia a tal política de cotas, pois esta certamente tiraria da universidade um filho de mãe solteira, empregada doméstica, e morador de cortiço. Para colocar mais lenha na fogueira fecho com Gil e Caetano em “Haiti”, brancos pobres são “quase brancos, quase pretos de tão pobres”.
    Abraços e parabéns pelo blog.

    • joselitus_maximus

      Diz que é sociólogo mas acha que uma maravilhosa amostragem de uma pessoa (enviesada ainda por cima) é o suficiente para derrubar todas a pesquisas que mostram que os cotistas tem notas maiores e mais frequência.

      Dever ser a mesma “metodologia” que o magnoli usa.
      Uma ampla pesquisa com as pessoas “que importam”, no caso dele, só ele mesmo, no seu, só você.

      obs: Como postei anteriormente, mais um que quer negar aos outros as mesmas oportunidades que foi presenteado no passado. Se perigar é um dos “professores” que tive no passado, que “ensinavam” pela metade porque tinham medo da concorrência de alunos.

      obs2: Se não quer que os outros levem pro pessoal, não use sua própria historinha pessoal como argumento retórico (até a mãe o sujeito usa, tsk).

  29. Marcos Vinicius

    Uso a minha historinha pessoal, sim. Como exemplo, dentro de milhares que há no país. Sempre estudei em escola PÚBLICA, municipais, universidade PÚBLICA, trabalho em empresa PÚBLICA cujo acesso foi através de concurso PÚBLICO. Ou seja, as mesmas oportunidades que me foram presenteadas no passado.
    Igual a mim há milhares com historinhas parecidas que não precisaram de cotas.
    Abs.

    • Marcos, mas esse é exatamente o problema, uma vez que como sociólogo vc deveria saber melhor. Sua história pessoal pode ser muito interessante, mas não é necessariamente representativa, pois não reflete a realidade de boa parte da população de acordo com vários indicadores sociais e estudos estatísticos. O fato de você não ter precisado não quer dizer que as cotas não sejam justas e muito menos que elas não sejam necessárias para muita gente. Não podemos nos basear, para discutir essas questões, em simples avaliações impressionistas que se escoram em anedotas pessoais, recusando-se a levar em conta os dados demográficos e de grandes surveys que evitam muitos dos erros sistemáticos e aleatórios que maculam formas não-sistemáticas de ‘levantamentos’.

      Além do mais, você parece não compreender que as cotas raciais não se opõem a outras medidas universalistas, mesmo por que também foram aprovadas cotas para alunos de escolas publicas. O problema é que só com cotas sociais e outras medidas universalistas que não levam em conta a distorção por cor da pele (por exemplo) e que, portanto, não atacam os efeitos diretos e indiretos do preconceito racial, uma parte significante do problema não é diretamente contemplado e uma parte da população continuará não sendo incluída.

      Mais uma vez, não é uma questão de ‘isso’ ou ‘aquilo’, mas de fazer ambas as coisas, isto é, tomar medidas universalistas que devem ter seu impacto só a médio e longo prazo e TAMBÉM medidas envolvendo ações afirmativas, de efeito mais rápido e de cunho mais específico, para evitar que sejam perpetuados os efeitos discriminatórios contra determinados grupos de pessoas, de modo que não se precise esperar mudanças nas estruturas sociais e de certa percepção de fundo cultural que perpetuam essas distorções e que podem demorar décadas ou séculos para serem reduzidas de forma apreciável caso simplesmente finja-se que o problema não existe.

      • joselitus_maximus

        ” uma vez que como sociólogo vc deveria saber melhor. ”

        Foi exatamente isso que me irritou…

        Fora a malícia escrota do sujeito de querer que manipular para que vc discuta a vida pessoal dele E da mãe dele.

        “Ei, para que discutir sociologia quando eu posso manipular a discussão numa direção que só eu sou especialista, isto é, minha vida pessoal?”

        Acham que ninguém nota.

        Não dá para discutir/refutar/pesquisar/fundamentar/linkar/procurar ref no google scholar/etc… sobre historinha pessoal de anônimo da internet.

        Fora o mito do “self-made man” que já deu no saco também…

  30. Nilton

    Engraçado , fico surpreso com essa declaração… estudei por livros do professor Magnoli ao longo da vida em que sempre destacava que o Brasil é uma falsa democracia racial.

    Sobre as cotas, concordo que são um absurdo por definição. Sou mulato e venci na vida sem precisar dessa asneira que só pode ter saído da cabeça de imbecis patrocinados por fundações americanas, interessadas em criar no Brasil algo que nunca tivemos, o racismo institucional.

    Querem introduzir o racismo na legislação brasileira, algo inédito em nossa trajetória, que difere bastante da experiência norte-americana – onde os negros foram expressamente proibidos de votar, por exemplo.

    Trabalho no RH de uma grande empresa e hoje vejo pessoas negras extremamente talentosas sendo abertamente discriminadas por causa dessa merda – agora os contratadores se sentem à vontade para dizer que “não vou contratar uma cotista, que só entrou na faculdade por esmola”. E pior é que não necessariamente uma pessoa negra e formada conseguiu ingressar numa faculdade porque usou esse caminho humilhante.

  31. Nilton,

    Puxa, ainda bem que nem você, nem sua história pessoal são a régua com a qual se deve medir o mundo. Escrevi um post sobre pessoas que, assim como você, acreditam que políticas de promoção de justiça social tem a ver com suas histórias pessoais. Se tiver interesse, recomendo que leia o post em https://umhistoriador.wordpress.com/2012/09/20/justica-social-e-historia-pessoal-nada-a-ver/

    Ninguém quer introduzir o racismo em lugar nenhum, muito pelo contrário, parece que você não percebeu que ele já está em todo lugar. Humilhante não é ingressar em uma universidade através do sistema de cotas. Humilhante é jamais poder ingressar em universidade alguma e ficar sobrevivendo de subempregos, sem condições de mudar sua vida e de seus filhos, pois estes também jamais poderão ter ensino público de qualidade gratuito por pertencerem a um grupo que é alijado das melhores escolas superiores e vagas de emprego por sua cor. Isso sim é humilhante.

    Atenciosamente,

    Roger

  32. rodrigo

    mar de ignorância. uma retardada dando pitaco no que não entende e pseudointelectuais que não sabem do que falam.
    esse país está fadado ao fracasso mesmo

    • Claro, e ataques pessoais visando desqualificar os interlocutores sem nem ao menos dar-se ao trabalho de construir um contra-argumento cogente e expor dados e evidências que mostrem que estamos errados é que irá salvar este país mesmo. Tenho dificuldade de acreditar que pessoas que escrevem este tipo de coisa, realmente tenham pensado sobre o que escrevem.

      Rodrigo, sério!! Se vc parece ter tanto desprezo pelos pontos de vistas defendidos pelo autor deste blog e por alguns dos comentaristas, por que simplesmente não ignorá-los? Suas afirmações não trazem nada ao debate e na realidade ilustram uma tendência tacanha de se esquivar de reconhecer realidades desagradáveis e de tentar combater propostas sérias com verborragia e pouco caso. Isso é ainda pior do que usar anedotas pessoais como maneira de querer desqualificar uma proposta complexa e muito mais refinada do que as tentativas de distorcê-la.

      Abraços,

      Rodrigo

    • Caro Rodrigo,

      Respondo suas provocações com a fala da professora Marilena Chauí ao descrever a classe média paulista. Pelo que você acabou de escrever aqui, demonstrou ser uma abominação ética, uma abominação política e, o pior de tudo, uma abominação cognitiva. Mas não se preocupe, aqui no Tucanistão, você nunca estará sozinho, mas sempre rodeado de péssimas companhias. Passar bem!

      Atenciosamente,

      Roger

      PS 1: De lambuja te dou o vídeo da professora Marilena Chauí descrevendo o grupo ao qual você faz questão de pertencer: http://www.youtube.com/watch?v=9RbBPVPybpY

      PS 2: Tem também uma reportagem da Carta Capital, intitulada medíocres e perigosos, que também descreve bem você e seus amigos: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/mediocres-e-perigosos/

    • joselitus_maximus

      Conservador: O sujeito que CITA a Bíblia, Edward Burke, Adam Smith, Hayek, etc… mas só FAZ 10% do que estes dizem.

    • joselitus_maximus

      Esse Pondé é mais um dos telepatas direitistas que sempre sabem o que os todos os esquerdistas pensam e dizem.
      Lógico, eles nunca postam links, citações ou qualquer referência que possa ser checada sobre “os que dizem que conservadores americanos são sempre brancos babões”.
      Não dá, ele usou a super-telepatia que só os direitistas tem ( a mesma que a Dora Kramer usa para saber tudo que o Lula a Dilma pensaram e disseram em privado).

      • Gabriel

        Telepata direitista? Pior é esquerdista clarividente!

        “Sempre sabem o que todos os esquerdistas pensam e dizem?” O pensamento da Marilena Chauí está naquele vídeo, não está?

        “… a CLASSE MÉDIA DE ONTEM, como ela se tornou o suporte, o sustentáculo sócio-ideológico da DITADURA, ela foi recompensada. A recompensa que foi dada a ela foi: a expansão do ensino superior na forma da MASSIFICAÇÃO. A massificação do ensino superior foi feita para realizar a aspiração máxima dessa classe média que é o DIPLOMA. Não é o SABER. Não é o CONHECIMENTO…”

        A CLASSE TRABALHADORA DE HOJE, como ela se tornou o suporte, o sustentáculo sócio-ideológico do PETISMO, ela foi recompensada. A recompensa que foi dada a ela foi: a expansão do ensino superior na forma da MASSIFICAÇÃO. A massificação do ensino superior foi feita para realizar a aspiração máxima dessa classe trabalhadora que é o DIPLOMA. Não é o SABER. Não é o CONHECIMENTO.

        A classe trabalhadora expandida de hoje (como Chauí coloca) é a classe média de ontem. Apenas massa de manobra. Essa classe trabalhadora expandida não que SABER. Quer CONSUMIR. Quer SIGNOS DE PRESTÍGIO.

        Até que a Marilena Chauí pode ser útil.

        Chauí Subdivide a sociedade e não entende suas inter-relações. Ou entende e esconde por conveniência. Será que também considera essa classe trabalhadora expandida como bestas selvangens?

        A pergunta final que fica: será que o banco que a Marilena Chauí tem conta é o Santander?

      • joselitus_maximus

        Ah é, nunca vi direitista clarividente prever uma ditadura comunista no Brasil, ruína econômica, etc. caso certo sindicalista fosse eleito presidente…

    • Greetings,

      I’d like to invite you to my party, it’s going to be a surprise for my family, here is the invitation http://real.proboogy.com

      rogerio.beier

  33. joselitus_maximus

    “Chauí Subdivide a sociedade e não entende suas inter-relações.”

    HAHAHA essa é nova, Marilena Chauí inventou a classe média!
    Todos os seres humanos viviam em harmonia em uma sociedade sem-classes até a maligna Marilena Chauí DIVIDIR A SOCIEDADE!
    QUE MONSTRA!

    • Gabriel

      E quem disse que ela inventou a classe média ou a divisão da sociedade? Seu nível de interpretação é medíocre.

  34. joselitus_maximus

    Lógico, chamar de “séquito babão” é um elogio que as pessoas dizem para se aproximar uma das outras, para criar uma união e tals.

    • Gabriel

      Você sabe o que signfica “séquito babão”? Ainda que não seja um elogio (e não é para ser mesmo), você compara com “bestas selvagens” e “feras indomáveis”?

      “Elogios” a parte, você compreende exatamente a crítica que você fez nesse comentário? Acho que não!

  35. Essa mulher é muito charmosa.

  36. Ronisergio andrade santana

    Procurem observar senas de novelas de alguns anos atrás, antes do governo Lula. Observem também fotos de formaturas. Não preciso nem dizer a diferença que vão encontrar, tendo em vista o que esta sendo discutido. Não quero discutir conceito neste momento. Mas apenas dizer que uma parte das pessoas esquecem que são humanos e adoram ser os patinhos “bonitos”. Muitos não tendo mas como barrar a entrada de negros e pobres nas faculdades hoje usam o argumento de que estas são de péssima qualidade. Até tenho a consciência de que precisam melhorar, por diversos fatores. Mas precizo lembrar que quando só tinha assesso uma pequena parte da população essas discurssões não erram tão acarolossas. Gostaria de lembrar que após a escravidão, os negros não receberam terras para trabalhar e tiveram que conviver com o preconceito. Gostaria de dizer que sou negro e sou feliz porque tenho acesso a escola, e posso contruir argumentos para enfrentar os preconceitos. Precisamos aprender a engergar o outro. Esta é uma das prerogativas para sermos cidadãos. Espero que ninguém queira que negro dependa apenas de talento no futebol ou na música para viver bem.
    At, Ronisérgio Andrade Santana

  37. Igor Pires

    É claro que a visão de von Martius sobre qual deveria ser a correta historiografia do Brasil estava permeada de preconceitos étnicos gritantes, racistas mesmo. Mas dizer que o sociólogo Demétrio Magnoli incorre no mesmo erro é absurdo. A população brasileira é, sim o produto da convergência de povos europeus, aborígenes e africanos, em diferentes proporções, conforme a região do País. E não, nunca houve segregação legal no Brasil como houve nos Estados Unidos da América e na África do Sul, onde havia bebedouros, escolas, banheiros públicos e outras utilidades públicas distintas para brancos e para negros, ou melhor, para pessoas “de cor” (coloured), conforme a nomenclatura (racista) da época. Vide “Mississipi em Chamas” e “Gandhi”. E é importante dizer que houve, no Brasil, vários casos de escravos negros que compraram sua liberdade com seu próprio trabalho (economicamente produtivo) e, logo em seguida, adquiriram escravos, igualmente negros, para si; isso era prática comum na capitania de Minas Gerais durante o Ciclo do Ouro (séc. XVIII). Vide “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”. E mais: a escravidão de índios, na América Portuguesa, era proibida por Decreto Régio de 1680, da época de D.Pedro II de Portugal (não confundir com D.Pedro II do Brasil). Portanto, um índio que fosse escravizado por um colono português, no Brasil colonial, tinha o direito à imediata alforria, assim que as autoridades portuguesas tivessem conhecimento desse fato. Portanto, não faz sentido dizer que houve segregação racial no Brasil.

  38. Sou negro e nada do que tenho ouvido falar contrariamente a cotas raciais é equivocado, ao meu ver.

    Ainda não conhecia Demétrio mas estou francamente interessado em seu pensamento e argumentos (cheguei aqui após ler algo sobre ele em outro site e jogar no Google para saber mais). Quando a idéia de se instituir cotas lá pelos idos de 2002 eu era contra cotas raciais mas a favor de sociais (para pobres/escola pública): hoje sou contra ambos os modelos. A idéia de cotas está fundada em uma série de premissas falsas, em hipótese s bem intencionadas sobre os possíveis resultados que não se verificam na prática.

    É complicado discursar sobre todos os pontos em poucas linhas, mas alguns pontos, resumidamente:

    * é falacioso dividir negros em vítimas históricas dos efeitos da escravidão e brancos em algozes históricos do mesmo crime, quem jogar “hélio de la peña (outro negro contrário às cotas, assim como eu) + cotas” no Youtube.
    * é válido o temor de que se acirrem os preconceitos sobre profissionais graduados negros (“assim é fácil, deve ter se formado por cota”).
    * sou estudante de uma universidade pública (UFRJ, não cotista) e já passei para duas outras embora não tenha concluído nenhum dos dois cursos (UERJ como cotista e UFF como não cotista): o que observo na prática é que a cota facilita o acesso dos espertos e não dos pobres: quase todos os colegas cotistas que tive e tenho, tanto na UERJ quanto na UFRJ eram de classe média e oriúndos de bons colégios como Fiocruz, CEFET-RJ, Cap-UERJ, Colégio Militar e CPII. O grosso dos aprovados por cotas na verdade (é minha experiência quem está dizendo) não é de gente pobre que estudou em más escolas, é de gente bem vivida e que estudou em escolas de ponta que aproveita qualquer brecha no sistema (por exemplo, declarar que mora sozinho para não ter que apresentar contra-cheques dos pais) para aplicar a boa e velha lei de Gérson. E não consigo enxergar meios, mesmo que se tenha vontade política, de modificar este cenário: o de que as cotas facilitam muito mais ao espertalhões do “jeitinho brasileiro” do que os pobres de verdade.

    • Daniel, depois que escrevi este post, também escrevi outros dos quais gostaria de recomendar a você apenas cinco:

      1) Justiça Social e História Social: nada a ver – https://umhistoriador.wordpress.com/2012/09/20/justica-social-e-historia-pessoal-nada-a-ver/

      2) O ódio na mídia conservadora brasileira – https://umhistoriador.wordpress.com/2012/10/30/o-odio-na-midia-conservadora-brasileira/

      3) O exército anti-cotas e as vagas no ensino superior brasileiro – https://umhistoriador.wordpress.com/2012/08/18/o-exercito-anti-cotas-e-as-vagas-no-ensino-superior-brasileiro/

      4) Demetrio Magnoli e o haitianismo revisitado – https://umhistoriador.wordpress.com/2012/05/03/demetrio-magnoli-e-o-haitianismo-revisitado-a-tatica-do-terror-contra-as-cotas/

      5) Perderam Playboys [e wannabes) – https://umhistoriador.wordpress.com/2012/09/30/perderam-playboys-e-wannabes/

      Atenciosamente,

      Roger

      • Talvez depois eu leia e comente os seus pontos, pelo visto vou precisar de tempo e paciência se quiser fazê-lo com um mínimo de qualidade (isto é, refutando pontos e não vomitando palavras de ordem) mas por enquanto vou comentar só isso: “Enfim, agora não adianta chorar classe média. Não tem mimimi pra vocês. Nada de chororô. É COTAS SIM!!!”.

        Minha observação diz que o sistema de cotas não tem trazido negros e pobres para dentro das faculdades públicas, na MINHA TURMA dos 7 alunos cotistas 5 são brancos, dos que sei em que escolas estudaram 2 vieram da Fiocruz, um do IFRJ e uma da Faetec. Quando estudei na UERJ um dos cotistas “negros” era loiro de olhos claros. As cotas não estão, ao contrário do que propagandeiam, facilitando a vida de pessoas pobres que estudaram em escolas ruins, pelo menos não em regra. Em regra quem está passando pelas cotas são exatamente os filhos da classe média que você tanto odeia.

        Infelizmente faltam apanhados estatísticos sobre isso (em 10 anos de cota no Rio, desconheço qualquer estudo quantitativo para avaliar quem têm sido os reais beneficiados com as reservas) mas minha experiência em 3 públicas me diz que esta sua comemoração cheia de ódio contra a classe média não faz o menor sentido.

        Em segundo lugar, eu não sou de classe média, aliás, quer mesmo saber? Eu já morei em barraco de madeira, já catei lixo na rua para comer, já vendi bananada e picolé no trem… se tem uma coisa que eu nunca fui é de classe média. Agora se tem uma coisa que eu sempre fui é racionalista: eu preciso que minhas premissas estejam certas e quando eu percebo que elas não estão eu mudo de idéia. É por isso que eu adoro Ciências e gosto cada vez menos da tribo de Humanas (embora já tenha cursado Jornalismo, na UERJ). Porque eu não ligo que minhas premissas sejam testadas e desmentidas, eu não tenho compromisso religioso com minhas ideologias como é tão costume entre o pessoal que cursa as Sociologias, Pedagogias e Geografias da vida.

        Eu também era a favor de cotas sociais (de raciais eu nunca, embora eu seja NEGRO: eu não acredito que idéias sejam boas apenas porque me beneficiam, eu não acredito que racismo às avessas seja melhor que o racismo típico, eu não acredito em fazer justiça histórica) mas mudei de idéia, mudei de idéia porque vi que o que é bonito na teoria me parece impossível de se aplicar na prática. O sistema de cotas sociais não beneficia os mais pobres, ele beneficia os mais espertos.

        Wannabe? Sim, eu quero ser de classe média , na verdade eu quero é ser rico mesmo, por enquanto eu moro numa favela fedorenta do Rio, mas não tenho sonho de morrer aqui, se é o que você quer saber.

        Quanto ao seu ódio à classe média, qual a sua classe social? Qual sua renda mensal? Porque o seu fenótipo me remete a um típico indivíduo de classe média. Talvez você devesse rever a quem você direciona sua raiva, vai acabar dando um tiro na própria nuca.

      • Daniel,

        A maneira como terminou seu comentário foi o que realmente me motivou a respondê-lo. Você escreve, com todas as letras, o seguinte: “Quanto ao seu ódio à classe média, qual a sua classe social? Qual sua renda mensal? Porque o seu fenótipo me remete a um típico indivíduo de classe média. Talvez você devesse rever a quem você direciona sua raiva, vai acabar dando um tiro na própria nuca.”

        1) Lamentável que você faça a associação do meu fenótipo com indivíduos típicos de uma determinada classe. Embora você prefira não enxergar o racismo institucionalizado e se posicionar contrariamente as políticas de afirmação, acaba de reproduzir o racismo com sua frase, insinuando que por eu ser branco, eu seria um tipico representante da classe média. Oras, há muitos negros na classe média também. Mas além disso, há muitos brancos pobres vivendo nas favelas e periferias das grandes cidades. Você, mais do que ninguém, deveria saber disso e não ficar repetindo preconceitos bobos por aqui.

        2) Não vou fazer do meu post uma competição de quem ganha menos, quem é mais pobre ou quem mora em piores condições. Basta que você saiba que há mais de 30 anos resido em uma das periferias mais perigosas da Zona Sul de São Paulo e, nos últimos anos, tenho vivido à base de pouco mais de um salário mínimo por mês. Apesar disso, mesmo se eu ganhasse 40 salários mínimos e morasse nos Jardins ou no Leblon, minhas críticas ao pensamento medíocre e reacionário da Classe Média ainda seriam válidas.

        3) Como acabei de dizer acima, mesmo se eu fosse rico, ou um “típico indivíduo de classe média”, como você diz, então, seguindo sua linha de raciocínio, eu não poderia criticar duramente o pensamento e as estratégias de exploração dos ricos e da classe média? É isso que você está falando? Se é isso mesmo, então temos que jogar fora todos os livros da maior parte dos intelectuais brasileiros e do resto do mundo. Aliás, muito pelo contrário, é justamente por pertencer a Classe Média ou as poderosas elites é que as críticas desses intelectuais são ainda mais válidas, uma vez que eles conhecem o funcionamento e as estruturas desses grupos de dentro.

        4) Você quer ser classe média. Você quer ser rico. Beleza!!! Nenhum problema. O importante é que você tenha consciência de onde você veio e que, uma vez que ascenda socialmente, não aja como “um típico representante da classe média”. Não torne difícil a vida de quem praticamente não tem condições de ascender socialmente. Não compre o discurso dessa classe média odiosa, como você mesmo disse em outro comentário, que quer impedir a ascensão social de quem mora nas periferias e favelas de grandes cidades. Não é por que a ascensão social foi difícil para você, que ela tem que ser difícil para todos. Posicionar-se contra as cotas raciais ou sociais devido a possibilidade de algumas pessoas se aproveitarem delas seria como jogar fora o bebê com a água suja do banho. É mais fácil fiscalizar para que isso não ocorra e evitar o mal uso, do que negar o benefício.

        5) Quanto ao Hélio de la Peña ser contrário as cotas raciais, não vejo como isso possa ser usado como um argumento favorável a quem seja contra. É só a opinião pessoal de um não especialista que estudou pouco sobre o assunto em questão. Parece-me simples rebater tal argumentação quando sabemos que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (inclusive o Joaquim Barboza), auxiliados por centenas de especialistas que se debruçaram sobre o assunto, acabaram votando pela constitucionalidade das cotas raciais.

        Atenciosamente,

        Rogério

  39. Só uma observação para quem não é do Rio:

    Quando digo que dos 4 cotistas que sei em que escola estudaram dois vieram da Fiocruz, um do IFRJ e 1 da Faetec estou dizendo que nenhum deles saiu de típicas escolas públicas de pobre, daquelas que tem em cada esquina e que geralmente estão cheias de mulatinhos filhos de pedreiro e faxineira. Pelo contrário, estas são escolas públicas de elite, com padrão de ensino superior ao de escolas privadas típicas, e frequentadas quase que exclusivamente por filhos de professores, advogados, médicos, tudo gente da mais odiosa classe média.

  40. joselitus_maximus

    “É por isso que eu adoro Ciências e gosto cada vez menos da tribo de Humanas ”
    E basear argumentos na sua história e experiências pessoais (subjetivas, e de amostragem de 1(hum)) é ciência desde quando?
    Eu mesmo respondo: DESDE NUNCA.

    “Porque eu não ligo que minhas premissas sejam testadas e desmentidas ”
    Então porque resolveu levar PARA O PESSOAL a resposta educada do autor do blog, com links para posts que obviamente não eram direcionados á você?

    “vai acabar dando um tiro na própria nuca.”
    Putzgrila hein…

    • Eu adoraria comentar baseado em dados estatísticos relevantes, caro, mas como eu disse, em cerca de uma década da instituição destas ninguém teve a idéia de fazê-los. Se você souber de algum estudo acadêmico que investigue quem efetivamente está entrando ano após ano nas vagas facilitadas, me informe.

      • joselitus_maximus

        Me refiro ao fato que você se coloca como pessoa racionalista e “das ciências”, chegando ao ponto de denegrir TODAS as Ciências Humanas, e criar um FALSA separação entre estas e as outras disciplinas, mas não seguiu os preceitos mais básicos de qualquer ciência, seja Exatas ou Humanas.

        Se fosse para discutir “quem é mais forte Hulk ou Thor?”, tudo bem, agora para discutir uma política pública que afeta MILHÕES de pessoas…

      • Ivan

        Não há dados estatísticos porque eles vão revelar a natureza falha das cotas. Não seria extremamente interessante ter dados estatísticos pra mostras a efetividade das cotas? Mas não o fazem.

      • Roberto

        Os dados estatísticos existem. Os da UNB (a queridinha dos cotistas) mostra a incogruência do discurso que cotistas tem desempenho igual ou melhor a não cotistas. Principalmente em ciências exatas o desempenho de cotistas é muito ruim. Esses dados o Frei Davi não leva em conta nas suas elucubrações.

      • Hello friend,

        I know you’re interested in stuff like that, that is something really cool, just take a look http://habitable.adamac.org

        Warm regards, rogerio.beier

  41. Mas e OBVIO que o Magnoli falou tolices e bobagens. Ir contra a sua opiniao… imagina… isso jamais sera possivel.

    Os Brasileiros ja falaram pro IBGE NO CENSO DE 2000: RESPONDERAM COM MAIS DE 3000 CORES E ESSA E E SEMPRE FOI A CARA DO BRASIL.

    O governo simplesmente NAO ESCUTOU O QUE O BRASILEIRO FALOU. DESDE O INICIO.

    Agora esta implantando uma politica absolutamente PRO-NEGRO, ONDE NASCER BRANCO = NASCER COM A COR ERRADA.

    RACA NUNCA EXISTIU. E ESCRAVIDAO NAO E COISA DE NEGRO PRA BRANCO . Essa e outra furada ideologica TOTAL.

    Na historia da humanidade brancos sempre escravizaram brancos (russos escravizaram varios, por exemplo, ingleses e holandeses idem), negros sempre escravizaram negros (para 1 diazinho da sua vida para estudar a historia da africa ATE HOJE), e asiaticos sempre escravizaram asiaticos (japoneses escravizaram chineses etc).

    Essa PUTARIA COMPLETA E ABSOLUTA tem que acabar.

  42. Mas não no Brasil. Está se discutindo o que fazer com o legado da escravidão no Brasil, e não na China, na Ásia, na Rússia ou na pqp. Compreende ou quer que desenhe???

  43. Tamires

    “Lamentável que você faça a associação do meu fenótipo com indivíduos típicos de uma determinada classe…”

    Ainda que o seu fenótipo não determine a sua classe social, você é branco. E isso faz de você um privilegiado.

  44. Oliveira

    Ser considerado “persona non grata” na Fefeleche é um elogio, tal a canalha comunista que a domina.

    • marcilio leão

      O Rogério Beier rodou, rodou, rodou, mas não disse como irá separar os “afrodescendentes”, parece que fica claro a esquerdização do tema cotas, o mesmo grupinho preguiçoso, chegado a uma demagogia barata e os mesmos partidos moralmente repulsivos, culturalmente danosos e economicamente deletérios. A história, por mais óbvia que seja, da miscigenação brasileira – profunda, ampla, indissociável, deixa patente que, se os negros são pobres – cotas sociais( sem recorte racial) e igualdade legal( já existente) é a solução!. Mas quanto ao preconceito de cor, cota nenhuma, ação afirmativa alguma, engembração legal qualquer, enfim… nada! irá mudar este conceito tão íntimo, ou será que os “mais escuros” vão levar ao paredão quem não quiser casar com eles?ou mudarão a estética loira que tanto perseguem? ou os cabelos alisados a ferro?. Somos todos mestiços, lei para distinguir afrodescendentes é falta de biologia primária. O Rogério Beier parece ter faltado algumas aulas.
      atenciosamente,marcilio leão

  45. João

    Acho que todos aqueles que defendem sistema de cotas deveriam ser enquadrados por crime de racismo e processados por danos morais e injuria pois, consciente ou inconscientemente estão negando a capacidade intelectual do negro de ingressar em uma faculdade por méritos próprios, tenha ele estudado em escola pública ou particular, porque a cota vale para ambos. Fui!

    • Os que defendem as cotas não negam as capacidades intelectuais de ninguém, muito pelo contrário. Exatamente por reconhecerem que as capacidades intelectuais são equivalentes entre as pessoas de diferentes grupos étinicos e portanto com diferentes aparências, mesmo quando se controla para o nível socioeconômico, é que percebem que o fato dos negros e pardos serem subrepresentados nas universidades e em outros setores da sociedade é uma decorrência da discriminação racial que mantém estruturas sociais e culturais que reforçam esta diferenças de tratamento de parte de sua população por causa de sua aparência.

      Suas afirmações são as de alguém que nega uma realidade muito bem corroborada pelos dados e acha que nada de específico deve ser feito para mudá-la e isso sim é triste e potencialmente criminoso, pois não quer reconhecer que por causa de sua aparência uma parte da população foi privilegiada em detrimento de outra que foi e até hoje sistematicamente ostracizada e desprivilegiada.

      As cotas são uma das formas de corrigir esta situação e, como já explicado várias vezes, não são alternativas às medidas universalistas de promoção da educação, são complementos importantes que visam evitar que, mesmo com estas medidas universalistas, continuem as distorções por preconceito, pois vivemos em uma sociedade racializada e muito desigual e, caso estes problemas não sejam diretamente atacados, existem grandes chances das ditorções continuarem.

      • marcilio leão

        Não fica claro que é o autor do post, tecendo os comentários sobre a entrevista. È claro porém, que tal sujeito discorda do pensamento de Magnoli em virtude de ignorância, inconsistência, ou paixão. Quem conhece as democracias europeias e americanas, não precisa sequer ser sociólogo pra ver a diferença no tratativa racial: Os americanos e europeus
        pouco se misturam, adotaram apartheid, “cotas” inversas, e até hoje se segregam não só culturalmente, como geograficamente, e socialmente. É o que ocorre, por exemplo, no meio-oeste americano ou regiões do sul. No Brasil a miséria é mais democrática, se há mais negros pobres, vamos combater a pobreza e não os “brancos”, submetendo-os ao ódio racialista
        Esse pessoal “cotista” via de regra é gente “politicamente correta”, cheia de idéias de um “mundo melhor”, mas no fundo mesmo são hipócritas! estupidos que agravam um problema que tenderia a desanuviar-se com a inserção social que o “livre-mercado”, o capitalismo propicia, uma vez que procura competência, produção e não asneiras racialistas!. Não existe racismo no Brasil. Exite preconceito e esse só irá agravar com essas cotas imbecis!

        marcilio leão

      • JOSE MESSIAS

        Exatamente Rodveras.

        Da mesma forma, Hitler, reconhecendo a supremacia ariana, estabeleceu politicas publicas em que se privilegiava uma etnia em detrimento da outra.

        O unico problema do Brasil e eu nao se sabe-se quem e o que. Os testes de DNA sao traicoeiros e ninguem se voluntaria a fazer. Muitos irmaos de pai e de mae tem parte da familia nas cotas e parte fora. Ou, seja, essa urucubaca legislativa racista serviria apenas em um pais de etnias definidas, o que nao e, ha muitos seculos, o caso do Brasil.

        Convido aos que discordarem de mim a fazerem seu teste de DNA para perceberem como existe uma mistureba de todos os tipos no DNA de cada um (gracas a Deus).

        O que devemos saber agora e quando o governo passara de adotar governo com base em mitos e lendas e passara a adotar criterios estatisticos e cientificos, como o censo em que foram declaradas mais de 3000 cores e os testes de dna que comprovam que somos o unico pais de completos vira-latas do mundo.

    • José messias, acho que vc viajou completamente e nada do que eu escrevi sustenta esta sua tentativa de argumentação:

      “Da mesma forma, Hitler, reconhecendo a supremacia ariana, estabeleceu politicas publicas em que se privilegiava uma etnia em detrimento da outra.”

      Como pode ser ‘da mesma forma’ quando não estou afirmando que exista supremacia de nenhum grupo étnico sobre qualquer outro. Muito pelo contrário. Exatamente por isso é que o que melhor explica as desigualdades sociais entre pessoas de aparência diferente é a discriminação e o racismo, e é também por isso que são necessárias medidas afirmativas e compensatórias, pois parte da população que não sofre preconceito por sua cor e aparência física teve e tem sempre uma vantagem injusta sobre a parcela da população que sofre preconceito. É o contrário do seu exemplo. Não é uma questão de privilegiar um grupo que se considera superior, mas de equilibrar uma situação prévia em que havia sim privilégio anteriormente para que todos possam ter chances equivalentes e justas. Ver alguém torcer a lógica desse jeito, como vc fez, chega a assustar.

      “O unico problema do Brasil e eu nao se sabe-se quem e o que. Os testes de DNA sao traicoeiros e ninguem se voluntaria a fazer. Muitos irmaos de pai e de mae tem parte da familia nas cotas e parte fora. Ou, seja, essa urucubaca legislativa racista serviria apenas em um pais de etnias definidas, o que nao e, ha muitos seculos, o caso do Brasil.”

      Isso é besteira. É claro que se sabe. Caso contrário não teríamos a estatísticas sobre preconceito e nem reconheceríamos que existe racismo. A sua confusão é achar que os defensores das cotas afirmam (e pressupõem como parte da defesa das cotas e de políticas afirmativas) que existam raças em sentido estritamente genético, mas isso é falso. Não é por ter determinados marcadores genéticos (mais frequentes em populações Africanas que denotam a ancestralidade geográfica) que faz alguém ser alvo de preconceito. A maioria desses marcadores é neutra e nem afeta o fenótipo. Qualquer geneticista vai lhe dizer isso.

      Porém, quando falamos de raça, estamos falando da aparência dessa pessoa (a despeito do fato do grau de miscigenação dela e dos marcadores genéticos mais frequentes em seu genoma. É perfeitamente possível ter pouquíssimos ou mesmo nenhum marcador tipico de ancestralidade africana e vários de ancestralidade europeia e mesmo assim ter pelo bem escura, cabelos crespos etc e ser assim negro) e, portanto, de como ela é percebida pelos outros e por si mesma.

      O preconceito é um fenômeno sociocognitivo e cultural em que diferenças superficiais que são percebidas pelas pessoas são usadas para classificar e segregar grupos muito heterogêneos geneticamente, generalizando uma série de outras características, e é por isso que ele como prática e absurda, pois julga-se pessoas por detalhes irrelevantes. Porém, isso não torna o preconceito e racismo inexistente, apenas ainda mais absurdo. Uma vez diagnosticado, ignorá-lo é ser conivente com ele.

      É por isso que as ações afirmativas são voltadas para a conjugação de status social e cor da pele (e demais indicadores fenotípicos), que se reforçam mutuamente, e que são os ingredientes que fazem as pessoas alvos do preconceito racial e não necessariamente os alelos particulares de uma série de loci associados com ancestralidade geográfica.

      ‘Convido aos que discordarem de mim a fazerem seu teste de DNA para perceberem como existe uma mistureba de todos os tipos no DNA de cada um (gracas a Deus).’

      Como expliquei nada disso que vc falou é relevante e faz sentido nesta discussão. Vc e muitos outros que tentam argumentar por esta linha erram completamente o ponto e esta linha de resposta que vc deu não passa de um red herring.

      “O que devemos saber agora e quando o governo passara de adotar governo com base em mitos e lendas e passara a adotar criterios estatisticos e cientificos, como o censo em que foram declaradas mais de 3000 cores e os testes de dna que comprovam que somos o unico pais de completos vira-latas do mundo.”

      É por isso que as categorias no senso foram reduzidas. Além do mais, tudo que pode ser concluído a partir de problemas em critérios e definições de grupos é que nenhum sistema classificatório é perfeito, mas isso é óbvio e o fato das coisas não serem perfeitas não argumento contra qualquer coisa. A questão é se estes sistenas conseguem captar pelo menos parte do problema e se as medidas baseadas neles são capazes de reduzir diferenças e amenizar desigualdades que historicamente sempre mostraram-se muito presentes e que raramente foram atacadas diretamente.

  46. Caro Marcílio, parece que sua raiva interfere a suposta capacidade argumentativa que você deve ter em algum lugar aí dentro de você.

    A maneira como você se refere a quem contrapõe suas ideias revela bastante coisa sobre a leviandade e o modo pueril como trata o assunto. Exemplo disso é a frase em que você coloca todos os indivíduos que defendem as cotas no mesmo balaio para considerá-los hipócritas: “Esse pessoal ‘cotista’ via de regra é gente ‘politicamente correta’, cheia de ideias de ‘um mundo melhor’, mas no fundo mesmo são hipócritas!”. Será mesmo que todos os defensores do sistema de cota se encaixam nessa sua descrição? Será mesmo que são todos hipócritas ou é você quem se posiciona em defesa da perpetuação de uma injustiça e, quando contraposto pelos que acusam a injustiça que você defende, alega em sua defesa que são esses outros que são os injustos, pois escondem sua injustiça atrás de discursos politicamente corretos e, portanto, são piores ainda do que você, pois são hipócritas?

    Ao acusar os defensores do sistema de cotas de estúpidos, afirma que o problema do acesso de negros e pardos ao ensino superior público se resolveria naturalmente através da “inserção social que o ‘livre-mercado’, o capitalismo propicia, uma vez que procura competência, produção”. Oras, o livre-mercado e o capitalismo estão aí há mais de um século desde a abolição da escravatura e, sozinho, ainda não foi capaz de incluir socialmente negros e pardos nas universidades públicas em proporções equivalentes ao da nossa sociedade. O que acontece com essa sua tese que, após mais de um século, não se pode verificar? Quem aqui está fazendo o papel de estúpido?

    Ao defender que não existe racismo no Brasil, você está negando que, neste país, indivíduos afrodescendentes sejam tratados de maneira distinta pela sociedade e suas instituições, quer públicas, quer privadas, em razão da cor de sua pele. Sugiro, então, que você entre nos principais cursos das principais universidades públicas do país e veja quantos afrodescendentes estudam ali; sugiro que vá até os escritórios das principais empresas multinacionais do país e veja quantos afrodescendentes trabalham ali; em contrapartida, sugiro que entre nas delegacias de polícia e nas penitenciárias e veja quantos afrodescendentes estão ali. Não precisa procurar muito para ver o racismo dentro da sociedade e das instituições brasileiras. Ele está em todo lugar. Recentemente, um caso no interior de São Paulo revelou um documento oficial produzido por um Batalhão da Polícia Militar no qual o oficial responsável pede aos soldados que revistem todos os indivíduos negros que estiverem circulando de moto nas imediações de um certo condomínio. Quantas vezes não vemos anúncio de emprego exigindo boa aparência e, ao fim do processo seletivo, apenas indivíduos de pele branca são selecionados para o emprego?

    Enfim, caro Marcilio, as tais “cotas imbecis”, como você gosta de chamá-las, visam minimizar o nefasto produto de séculos de preconceito e racismo em nossa sociedade enquanto o tão prometido investimento maciço em educação não ocorre. Se você não é capaz de ver o racismo em nossa sociedade, isso não significa que ele não existe.

    No mais, deixo uma notícia fresquinha sobre cotas para você. É a coluna do Elio Gaspari, publicada na Folha, tratando sobre mais uma vitória da política de cotas. Caso tenha interesse, segue o link para vosso deleite: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/1237487-a-politica-de-cotas-ganhou-mais-uma.shtml

    Att.

    RB

    • Joao Marcelo

      A questao nao e enquadrar os defensores do sistema como “estupidos”, mas fazer com que eles respondam criminalmente por suas praticas racistas.

    • marcilio leão

      Rogério Beier

      Você só reforça meu argumento: 1) mente quando diz que as instituições públicas segregam. Me diga qual ministério, qual juiz, qual promotor, qual secretário, ETC… promovem discriminação racial, DÊ NOMES! 2) Se caso exista um incidente, temos leis para combate-lo e apura-lo. 3) se não existem paridades entre negros(?) e brancos(?) nas universidades, pode ter certeza que não é devido ao computador que analisa as provas do vestibular, nem a incapacidade intelectual de qualquer grupo, mas resultado direto da deficiência do ensino PÚBLICO!. Porquê então prejudicar a universidade e o critério por mérito, em razão de um problema de outro setor? 3) O nivelamento “racial” esta acontecendo em todos os níveis, inclusive nas universidades, MAS ele só será efetivo se resolvido o problema do ensino básico 4) A escravidão já foi bem analisada no livro de Magnoli, que você não entendeu ou não leu. Um século é até pouco para os bons resultados que obtivemos, em razão de 400 anos de escravidão, resultados os quais vocês agora querem estragar com essa conversa besta e hipócrita!

      marcílio leão

  47. EDU

    Rogério e Marcílio.
    Cada um tem seus argumentos. Rogério, embora vc acuse o marcílio de ser agressivo, você também é.
    Acho que dá para discutir sem ofensas e sem pressupostos tipo progressista, justo etc….
    O que esta em discussão aqui são várias coisas:
    1-Cotas é justo ou deve se manter a melhor classificação?
    2- Cotas raciais X Cotas sociais/renda ? Qual das 2 é melhor para o Brasil?
    3-Intensidade das cotas: Esta é outra discussão importante, pois é preciso saber o que se espera das Universidades federais.

    A minha visão simplificada é:

    1) A meritocracia deveria ser sempre o melhor sistema, mas dada a grande diferença de condições no Brasil, acho que a cota pode ser um caminho para elevação de condições para grupos em grande desvantagem. Claro que o ideal seria melhorar a escola pública, mas esta é uma tarefa difícil que não esta em discussão neste momento, mesmo porque este é um trabalho de gerações. De outro lado há um aspecto de que tudo que parece moderno/progressista é bom e nada volta para trás.As cotas tendem a se tornar burocráticas e sem efeito, ou com efeito inverso( sucateamento da Universidade). Peguem o exemplo do dia da Consciência Negra. Um feriado sem sentido, que custa fortunas para o país num mês cheio de feriados.O que isto ajuda os negros? Voltar atrás? Não há um político que teria coragem pois iriam dizer que ele é racista. Quem aguentaria esta pecha?

    2) As Cotas Raciais no Brasil me parecem um grande erro, pois no Brasil não há aquela divisão entre Brancos e Negros. A maior parte da população é mestiça nas mais diversas matizes. Um sujeito com a cor menos escuro que a do negro clássico não teve um caminho mais fácil. A pobreza ( econômica/social/cultural)no Brasil não se concentra na cor negra. De uma maneira geral a população Branca não mestiça tem na média uma condição melhor. Basicamente de origem européia, quase nunca analfabetos, tem uma base superior em termos econ/soc/cult. O grande problema em tudo isso é exatamente separar quem é negro. Temos 2 opções que coloquei a você Rogério, e que não foi respondido. A primeira é o auto-declaratório. A segunda é um processo de prova com examinadores. Ambas me parecem ridículas. A segunda seria um caso único no planeta no qual “experts” examinariam a cor e sua tonalidade para definir quem é negro. Se todos os mestiços são , não há necessidade para cotas de “negros”.Seria sim preconceito contra os brancos pobres. No caso auto declaratório, haverá tantas possibilidades que praticamente todos poderão se declarar negros. Vamos a realidade: Na minha família e da minha esposa, até a geração passada, havia alguns casos de pessoas de cor negra ou mestiça: o avó era negro, e uma trisavó Índia. Em ambos os lados da família houveram casamentos com negras/mestiças/mulatas (como definir?). Num lado os filhos saíram mulatos claros com traços que tem relação com negros (pé na cozinha) e no outro as filhas saíram brancas como neve, não obstante a mãe destas bem mais escura. Poderiam até chama-la de quase negra. Pois bem, estes podem pleitear as cotas? São negros? São mestiços? E a branca cuja mãe é negra? É para estas crianças que tem boa renda, estudam em boas escolas que estamos criando a lei. Lembre-se que a lei não é só para escola pública. Agora vamos imaginar o inverso: uma família branca de baixa renda morando nas áreas mais carentes e seu vizinho negro. o aluno negro, vizinho do branco teria cota na Universidade Federal, mas o branco nas mesmas condições não.
    Para piorar, os únicos estados do Brasil, onde temos de fato grande população “negra” são a Bahia, Maranhão e Rio de Janeiro. A maior parte do Nordeste é mestiça, sendo que em alguns estados são quase brancos. No sul nem se fala.
    Em resumo, esta situações são totalmente esdrúxulas. Por isso acredito que o caminho são as cotas sociais. Se você Rogério tiver argumentos práticos para definir quem é negro e como se operacionaliza isto na escolha do candidato,gostaria de ouvir.
    3- A intensidade ( ou tamanho da cota) também faz diferença. Dei aulas muitos anos e quem faz o nível da escola é basicamente o aluno. Se houver um rebaixamento do nível das Universidades haverá um sucateamento do ensino de alto nível no Brasil e também da Ciência/Pesquisa. Não é a toa que o governo federal excluiu das cotas o ITA e o IME. Outra grande besteira é fazer programas iguais para o Brasil inteiro. Cotas de Minorias no RS ou SC. É piada. Interior de São Paulo é rico e dar força (pequena) para alunos de escolas públicas é muito mais inteligente, como já faz a Unicamp.

    Para finalizar, opiniões de pessoas que saem na mídia (Elio Gaspari, Suplicy, Bresser Pereira ) não significam nada para mim. São apenas mais algumas opiniões como todos tem direito de ter. O importante é ter argumentos. Citar os outros por citar não reforça nada em discussão séria. Se estes tiverem argumentos, que sejam postos na mesa.

  48. Ingo Dostal

    No Brasil temos excluídos de todas cores – lembrando que só existe uma raça – a raça humana

    • Não, Ingo. Os *Homo sapiens sapiens* não são uma ‘raça’ e sim uma espécie. Existe apenas uma ‘espécie humana’, vc deveria dizer. Além disso, o fato de existirem excluídos de todas as cores (gêneros, sexos, orientações sexuais etc) não refuta o fato de alguns grupos seres mais excluídos do que outros por causa de sua cor, gênero, orientação sexual etc, o que ocorre de modos diferentes e resulta em problemas diferentes que precisam ser encarados. Negar que a situação exista, apenas faz com que ela continue.

      O ponto importante é entender que quando falamos de raças não estamos falando de grupos geneticamente ‘super homogêneos’ e intrinsecamente diferentes dos demais, ou seja em que as características da aparência estejam fortemente ligadas a outras características comportamentais, cognitivas emocionais etc, mas estamos falando de grupos que foram e são agrupados em função de certas características fenotípicas que, superficialmente, parecem ser mais óbvias, especialmente para os membros de outros grupos, e que levam estes grupos a serem percebidos, erroneamente, como intrinsecamente diferentes e, em geral, inferiores aos grupos dominantes. Por isso, ‘raça’, então, é uma construção sociocognitiva que tem como base a existência de diferenças superficiais irrelevantes, mas que se destacam em certos contextos e para certos grupos, e que são usadas para atrelar os mais diversos esteriótipos e negar direitos básicos.

      É exatamente por que não existem raças humanas em sentido genético estrito e, portanto, não existem estas diferenças intrínsecas concordantes – principalmente, em termos de caráter, inteligência, etc entre os grupos ligadas a cor da pele, morfologia craniofacial e ao padrão capilar – e mesmo assim, existem diferenças sociais entre estes grupos é que fica claro que estas diferenças são causadas pelo preconceito contra certos indivíduos com certas características que são identificadas e que se auto-identificam com certo grupo.

      Outro ponto importante é que este preconceito, na maioria das vezes, nem é explícito ou mesmo consciente, estando incrustado nas relações sociais e econômicas entre indivíduos, nos esteriótipos de beleza, nas formas de humor e nas capacidades de tolerância e na desconfiança que as pessoas têm em relação a outras pessoas com certas características, mesmo que não se deem conta disso.

      Creio que este é um dos problemas que mais dificulta o debate, pois admitir que existe racismo, principalmente, por parte de quem não é negro, passa por aceitar que, por mais complicada que tenha sido a sua vida e por mais esforço e mérito que você tenha tido, ainda assim, você teve certos privilégios que outras pessoas com aparência distinta da sua não tiveram, como não ser pré-julgado por sua aparência e ter toda a sorte de rótulos e esteriótipos atrelados a você, o que tem impactos em termos de autoestima, cognição e motivação em muita gente. Isto é, mesmo quem não é racista em sentido estrito e até lutou e luta contra o racismo e não tem as características atribuídas a ‘raça negra’ se beneficiou, pelo menos, um pouco de um sistema cultural enviesado. Note bem que, embora as histórias individuais possam variar muito o que faz com que certos indivíduos brancos possam ter tido uma vida muito mais apertada do que certos indivíduos negros, quando olhamos para o grosso da população e nos deparamos com as estatísticas, o que vemos é um cenário muito diferente; e é com base nesta perspectiva e nesse cenário geral que devemos agir e não com base na coleta de histórias pessoais, uma vez que mesmo que verdadeiras e dignas de serem contadas, não necessariamente refletem o que boa parte da população sofre.

      Abraços,

      • JOSE CASTELI

        A conversa nao deveria sequer comecar pois os brancos e os negros no Brasil nao existem.

        Ninguem tem coragem de fazer teste de DNA mas essa e a verdade.

        E ate onde eu sei, mesticos de pele clara nao sao piores que mesticos de pele escura (pode ser a mesma pessoa apos pegar sol – ela nao piorou viu gente? Ao contrario, todos gostam de “pegar uma cor”), portanto merecem igual tratamento. Favoritismo racial e exatamente a ideia socialista de Hitler. Inclusive sao as mesmas justificativas: analise da historia antiga. Existem nazistas no Brasil. So nao existe aqui um povo onde seja possivel aplicar suas ideias. Esse e o motivo do retumbante fracasso de “cotas” nazistas no Brasil desde sua concepcao.

        Sem contar que “brancos” no brasil vieram como escravos – e trabalhavam nas lavouras de cafe junto aos negros. Conversa vai conversa bem e PIMBA – uns filhos que nascem mais claros, outros mais escuros, mas todos com o mesmo sangue. O sangue do vira-lata (no bom sentido).

        Esse e o motivo do fato de que voce, eu, e todos nos, termos um pe na africa, outro na europa, outro no oriente medio, outro na asia, e ate sangue indigena. E essa discussao e tao vazia quanto a cabeca da nossa PresidentA (que ja foi GovernantA e tambem estudantA).

      • Caro Rodrigo,

        Muito obrigado pela excelente resposta. Daqui por diante, sempre farei referência a sua resposta quando vierem com essa argumentação barata do “somos todos humanos” inspirada no maldoso Ali Kamel.

        Na verdade, pensando agora, talvez seja até interessante publicar sua resposta como um post separado, junto com outras respostas a argumentações prontas que sempre pipocam por aqui. Ainda vou pensar sobre o assunto. Você autorizaria eu utilizar seu texto no post?

        Um Abraço,

        RB

      • José Casteli,

        Escrevi outro post que abarca justamente a argumentação que você usa. Gostaria de lhe sugerir que lesse o mesmo, em especial, o texto do historiador Sérgio Buarque de Holanda que se encontra no fim do post.

        Segue link para o post: https://umhistoriador.wordpress.com/2013/02/17/a-lei-e-o-preconceito/

        Att.

        RB

        PS: A discussão não está vazia não. O problema é que com a fraca argumentação que os contrários à lei das cotas raciais colocam no debate, geralmente extraindo de uma “opinião-pronta” publicada na Veja ou repetida inúmeras vezes na Grande Mídia, fica difícil avançar na discussão. Sempre somos obrigado a nos repetir e, pior, quando se veem sem saída, os “antis” sempre acabam apelando fazendo um ataque vazio ao governo que instituiu as cotas. Realmente fica muito difícil discutir nessas condições .

      • JOSE CASTELI

        RB,

        Pelo que percebi por aqui, voce e quem tem receita e discurso prontos pra esse assuntos.

        Voce defende o favoritismo racial. Voce e contrario ao principio da igualdade. Quer “curar uma sangria” que nao existe de fato com uma faca que nao so existe como corta e muito, e nao com um curativo. Voce defende uma politica com criterios de exclusao objetivos que se baseia em criterios totalmente subjetivos (analise de foto de quem esta bronzeado ou nao). Essa politica nao e seria pois nao se baseia em uma verdadeira analise cientifica de DNA. E mesmo que se baseasse, seria seria, mas nao seria CORRETA. Nao se cura odio com mais odio. E ponto final.

        Se alguem diverge de voce, nao e porque essa pessoa precisa ser “educada” ou “se informar melhor” nao.

      • Caro José Casteli,

        Só indiquei uma leitura, não precisava ficar ofendido. Se você acha que a melhor forma de tratar os desiguais é com igualdade, sinto muito, em minha humilde opinião você está completamente equivocado. Entender como racismo ou favoritismo racial é uma interpretação enviesada sua. Sair por aí dizendo que eu defendo uma política com critérios de exclusão que se baseia em fotos de quem está bronzeado ou não, é uma completa bobagem de sua parte. Por fim, acreditar que não existe a dita “sangria”, para utilizar seu termo, é preferir a cegueira e não tenho pretensão nenhuma de abrir os seus olhos. Ainda vivemos em um país livre e, portanto, acredite no que quiser.

        Por sorte, ou pela sabedoria popular, pessoas que pensam como você não estão mais na frente de nossos governos e, graças a isso, podemos dispor de um Estado que, pela primeira vez, dá oportunidades reais de seus cidadãos menos favorecidos se desenvolverem e romperem o círculo de miséria em que vivem e, de modo geral, viveram todos seus descendentes.

        No mais, minha única sugestão é que não fique ofendido quando alguém lhe sugere uma leitura que pode ser interessante. Quem sabe ela pode contribuir para alguma coisa, não é.?

        Att.

        RB

  49. EDU

    Rodrigo. Supondo após este tratado, que você tenha razão ( me sinto meio desconfortável, quando nós sabemos o que é melhor para os outros, só isso; concordo que há desigualdades.), como se faz isto a luz do que escrevi acima. No sentido prático. Aguardo.

    • Sim, sinta-se a vontade, Rogério. Infelizmente, ainda existem algumas pessoas, como o José Casteli, que não parecem perceber que não é uma questão de DNA, pois os defensores das cotas, e de medidas afirmativas de modo gral, não defendem que existam diferenças significativas genéticas entre populações humanas e muito menos especialmente entre negros e branco, o que é defendido é que as poucas diferenças superficiais que estão na base de um processo sociocultural de triagem são suficientes para categorizar as pessoas e sujeitá-las ao preconceito. É só isso! Não faz sentido continuar argumentando como se estivéssemos dizendo algo diferente disso.

      Simplesmente insistir que não há diferenças genéticas entre populações humanas, portanto, não muda o problema de certas pessoas estarem sendo julgadas por sua aparência e, desta maneira, agrupadas em categorias que recebem toda sorte de esteriótipos e por causa disso distorcem, em média, as chances de sucesso destas pessoas na sociedade. Eu já havia comentado isso, mas repito: estatisticamente, como os marcadores genéticos usados nos testes de ancestralidade geográfica (que é o que os testes genéticos rastreiam) são neutros, isto é, não têm relação com o fenótipo e a aptidão dos indivíduos, é perfeitamente possível encontrar pessoas negras, sem estes marcadores, bem como é muito comum encontrar pessoas brancas com muitos destes marcadores por causa da ancestralidade miscigenada, especialmente em países como o Brasil, mas isso não muda o fato algumas dessas pessoas, por causa de sua aparência, ser classificada (ou se auto-classificar em um grupo), enquanto a outra ser classificada em outro, gerando percepções e auto-percepções distintas e socialmente relevantes, o que é a questão. O fato de sempre existirem casos omissos e erros também não justifica não fazermos nada, pois nenhum tipo de prova, teste, avaliação etc será infalível, o que precisamos observar é se os problemas que aparecerem são contornáveis e manejáveis e se os resultados finais trazem mais benefícios do que malefícios. É em cima disso que as discussões deveriam estar girando.

      [ ]s

  50. EDU

    Desculpe. Você falou, falou e não disse nada. Não seria muito mais simples fazer cotas sociais baseados em renda e escolas públicas independente de cor? Da mesma forma estas cotas seriam regionais, poisa realidade do Rio Grande do Sul nada tem a ver com o Espirito Santo. Cota para Negros na Bahia? Fala sério…..No interior de SP, a Unicamp dava pontos extras que aumentavam as chances de alunos de Escolas Públicas. Pode ser uma bela solução para o Interior de São Paulo. Em Minas pode ser diferente. Definir cor é gozação no Brasil. Fora a população 100% de origem européia (com grande participação só no sul), todos os outros são misturados. Não estou sugerindo fazer nada, mas fazer de maneira adaptada a sociedade brasileira e não de acordo com certos ativismos que querem colocar tudo na sua forma de bolo, calcado num marxismo primário e de cartilha. O que queremos? Dar oportunidade aos mais pobres ou só aos “definidos como negros”? O Rogério, dono deste blog, ofende as respostas que não estão de acordo com suas idéias, mas se furta de colocar a questão fora de suas “verdades” que ele acredita ser de todos. Sejamos práticos: Ainda que concordasse com a ideia de cotas raciais não há a menor chance de fazê-la sem cair para o absurdo de “analistas de cor” ou auto declaração que permite que qualquer um declare o que bem entender.
    Há também casos mais delicados como as faculdades de medicina e engenharia. O governo Dilma tirou o IME e o ITA das cotas. Porque será???

    • “Desculpe. Você falou, falou e não disse nada.”

      Na verdade disse bastante coisas, mas como não estava respondendo a vc e sim ao Rogério e ao tipo de comentário que o José Casteli faz, vc não tenha ficado satisfeito. Não sei bem o que ocorreu, mas devo ter postado a minha resposta na caixa de texto errada, a sua, e não na do Rogério que havia me pedido para usar a minha resposta anterior ao Ingo.

      Explicado isso, posso responder a vc:

      “Não seria muito mais simples fazer cotas sociais baseados em renda e escolas públicas independente de cor?”

      Quero lembrar que não estamos falando de simplicidade, mas sim de justiça. Neste caso mesmo que cotas exclusivamente sociais poderiam ser sim mais fáceis de implementar, mas ainda assim poderiam deixar muita gente de fora, em virtude do preconceito racial em virtude da cor dos indivíduos. O que vc propõem é basicamente deixar esta questão de lado por ser complicado demais, o que para mim é basicamente negar que vivemos em uma sociedade racista ou, pelo menos, negar que os efeitos do racismo na educação devam ser diretamente combatidos.

      Lembre-se, cotas sociais e raciais não são medidas que se excluem mutuamente da mesma forma que ações afirmativas em favor de grupos e populações específicas não são antagônicas a ações universalistas. Elas visam objetivos diferentes e efeitos em escalas de tempo diferentes.

      “Da mesma forma estas cotas seriam regionais, poisa realidade do Rio Grande do Sul nada tem a ver com o Espirito Santo.”

      Não tenho nenhum problema com a ideia de regionalizar as porcentagens de acesso de acordo com a representatividade racial e social de cada estado. Esta não é a questão.

      “Cota para Negros na Bahia? Fala sério…..”

      Sim, cotas para negros na Bahia. Dê uma olhadinha neste artigo, especialmente na tabela I compilada pelo projeto ‘Cor da Bahia’:

      Guimarães, Antonio Sérgio Alfredo. (2003). Acesso de negros às universidades públicas. Cadernos de Pesquisa, (118), 247-268. Retrieved May 27, 2013, from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742003000100010&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S0100-15742003000100010.

      http://www.fflch.usp.br/sociologia/asag/relatorio_substantivo.pdf

      “No interior de SP, a Unicamp dava pontos extras que aumentavam as chances de alunos de Escolas Públicas. Pode ser uma bela solução para o Interior de São Paulo. Em Minas pode ser diferente. Definir cor é gozação no Brasil.”

      Mais uma vez afirmo não sou contra que haja uma certa liberdade para cada estado e universidade implementar políticas afirmativas de maneira diferente, tanto sociais como raciais.

      “Fora a população 100% de origem européia (com grande participação só no sul), todos os outros são misturados.”

      E daí? Isso não quer dizer que grandes contingentes de pessoas não sofram preconceitos por sua cor. O fato disso poder variar regionalmente ou mesmo circunstancialmente não altera o fato de existir discriminação por cor, como vários estudos mostram.

      “Não estou sugerindo fazer nada, mas fazer de maneira adaptada a sociedade brasileira e não de acordo com certos ativismos que querem colocar tudo na sua forma de bolo, calcado num marxismo primário e de cartilha.”

      Sim, vc está propondo fazer nada em relação a questão racial no ensino superior, pressupondo que só as cotas sociais resolverão o problema. É sobre isso que discordo.

      “O que queremos? Dar oportunidade aos mais pobres ou só aos “definidos como negros”?”

      Você parece não entender. O que queremos (defensores de cotas e ações afirmativas sociais e para grupos específicos) são as duas coisas. Dar oportunidades aos mais pobres e aos definidos como negros, pois estes últimos sofrem preconceito e passam por dificuldades extras. É claro que, exatamente, por que existe o racismo, o maior contingente de pobres é formado por ‘pretos’ e ‘pardos’ (as pessoas ‘negras’ de acordo com o IBGE), mas, também, exatamente, por causa deste mesmo preconceito, caso não instituamos cotas raciais juntamente com as cotas sociais, corre-se o sério risco das distorções em virtude da cor continuarem, mesmo que sejam de certa forma minimizadas. As cotas raciais, portanto, são medidas corretivas importantes e que tem, além de um valor mais imediato efetivo de aumentar a representação dos negros na educação superior, tem também um efeito simbólico importante que é reconhecer que vivemos em uma sociedade racializada e que a sociedade e o seu governo reconhecem isso e estão fazendo algo para mitigar a curto e médio prazo esta situação.

      “O Rogério, dono deste blog, ofende as respostas que não estão de acordo com suas idéias, mas se furta de colocar a questão fora de suas “verdades” que ele acredita ser de todos. Sejamos práticos: Ainda que concordasse com a ideia de cotas raciais não há a menor chance de fazê-la sem cair para o absurdo de “analistas de cor” ou auto declaração que permite que qualquer um declare o que bem entender.”

      Elas já estão sendo feitas, e, até onde sei, apesar de algumas exceções, a maioria das universidades está usando algum tipo de critério de autodeclaração associado a critérios socioeconômicos. A menos que você acredite que as pessoas mentirão de maneira sistemática, não vejo por que isso não funcione. Como eu disse antes, nenhum sistema ou critério de seleção é perfeito e casos omissos, problemas na aplicação e fraudes certamente aparecerão, mas estas questões podem ser resolvidas e o sistemas melhorado. O ponto importante é que o simples fato destes problemas existirem não é argumento para rejeitar toda a ideia de cotas raciais.

      Creio que o erro na sua posição é crer que já não existem ‘tribunais raciais’ em nosso país. A questão é que eles são velados, dependendo muitas vezes de escolhas inconscientes e do fato das pessoas não reconhecerem que tem privilégios que outras, com aparência distintas não tiveram. Além disso, mesmo quando a discriminação é consciente, os indivíduos que a praticam simplesmente negam esta motivação, por que sabe que isso é considerado errado. Isso cria esta situação bizarra mostrada em algumas pesquisas que embora uma porcentagem altíssima de indivíduos no Brasil reconheça que o racismo é extremamente comum, apenas uma fração muito pequena destas mesmas pessoas se considera racista. Ou seja, o problema é sempre o outro.

      “Há também casos mais delicados como as faculdades de medicina e engenharia. O governo Dilma tirou o IME e o ITA das cotas. Porque será???”

      Não tenho bola de cristal para saber o porquê disso, mas isso tem cara de ser uma decisão política por causa de pressões específicas Contudo, o ponto principal é que o medo de queda de performance está se mostrando completamente irreal, mas como vc não se interessa pelas opiniões de outras pessoas, como o Elio Gaspari, mesmo quando elas trazem informações que poderiam ajudar no seu julgamento, fica complicado de conversar. Tente, pelo menos, dar uma olhada neste artigo da ‘Isto é’:

      http://www.istoe.com.br/reportagens/288556_POR+QUE+AS+COTAS+RACIAIS+DERAM+CERTO+NO+BRASIL

  51. Joao

    Vc é historiador mesmo…pelo amor de Deus…então faltou a aula de que trata do conceito de anacronismo.

  52. Túlio Ferreira

    O engraçado é a defesa das cotas e não a defesa da melhoria da educação de base e secundarista. O engraçado é que nenhum professor, exceto os universitários que não vivem esta realidade, foi convidado para o debate. E mais, se pardo é negro, a maior nação negra do mundo é a Índia. O engraçado é a magia da transmutação, conseguida pelos movimentos pro-negros, onde o filho de um “branco” com um “índio”, depois do parto vira negro. Pagar “dívida histórica”, não é justiça social, mas apenas privilégios racistas com caráter de vingança.

    • marcilio leão

      penso que você esta coberto de razão! esse tipo de imbecilidade que assola o país é coisa da esquerdopatia politicamente correta de gente salafrária

      • Quanto juizo de valor sem ao menos me conhecer. Obrigado, Marcilio. Passar muito bem também.

      • EDU

        Rogério. Tirando as ofensas que são absurdas num debate, a esquerda se acha com uma verdade “histórica” de forma que só os “progressistas”, que é uma categoria altamente discutível, pois esta intrinsecamente ligada a uma visão de mundo e não a uma qualificação como a palavra parece significar, tem o caminho justo e que defende os desfavorecidos. Será que ~e verdade? Todas as experiências em que a esquerda chegou ao oder por meio de revolução foram trágicas sob TODOS os aspectos. Podemos discutir isto quanto vc quiser. Nos casos em que a esquerda chega ao poder via instituições democráticas acabam normalmente em 2 vertentes: uma de tentativa de enxergar ( supostamente) melhor o social e normalmente “dentro do sistema” capitalista. nestes casos boa parte dos simpatizantes ou ficam decepcionados e acham que foram traídos ( hoje, ao menos na Europa, bem menos) ou tentam jogar o jogo da social democracia como críticos do sistema capitalista puro que atribuem muitos defeitos. Já a segunda vertente, mais forte na América do Sul, acabam ” acreditando” que tem a chave do bem estar ” em nome dos pobres” e passam a criar todo tipo de casuísmos e regras que intervem de maneira forte na vida da sociedade com resultados péssimos. Aonde conseguem resultados para ganhar as eleições? isto é real,e consiste basicamente em redistribuir riquezas através do estado que num primeiro momento, de fato dá resultado, mas posteriormente gera um conceito de que não é o investimento, o trabalho, a meritocracia, a concorrência/inovação que irá gerar riquezas. Toda a riqueza passa a ser um “direito” e obviamente isto vai diminuindo, pois a capacidade do estado prover novos ganhos diminui na medida em que a economia vai no caminho oposto ao investimento/trabalho/meritocracia/concorrência/inovação. O estado gigante tende a gerar ou inflação ou recessão. Disto em princípio não hã escapatória a não ser por uma situação muito especial.No caso da Venezuela por exemplo, se o Petróleo for a 200-300.
        No caso das cotas, parte-se de um problema real, mas o problema em sí não importa tanto como o interesse político no assunto. Uma coisa é melhorar as condições dos mais pobres e querer que uma parcela tenha acesso a boas escolas.A proposta no entanto esbarra em 2 miopias: A primeira é que existe problema de “cor” e a segunda é que todas as Universidades são iguais. A questão da cor é que no Brasil há uma mistura gigante e não há como classificar cor. Quem é o negro de Santa Catarina? No entanto, há em SC uma parte da população que poderia ser beneficiada por cotas mas são branquelos. De outro lado, este conceito cria uma categoria nova de gente neste país, criando uma divisão que não existia, não obstante existe preconceito sim contra pobre e contra negros.Da mesma forma, como é auto declaratório, induz aos mais espertos a se tornarem desonestos através da mentira, afora as questões mal resolvidas, por exemplo: uma filha branquela de um casal branco com negro de alto poder aquisitivo. Quantos as Universidades, há claro uma divisão entre Universidades de Ponta e as outras. Mesmo nas de ponta, seria aceitável ter cotas( ou sistemas de ponto extra nas provas), mas por exemplo para os melhores alunos da escola pública e com métodos que garantam que o mesmo terá potencial de aproveitamento igual aos outros que entraram pelo sistema convencional. Não é a toa que o ITA e o IME não entraram no sistema de cotas.
        O que digo é que a discussão é importante e profunda mas não há a VERDADE de quem é contra torna-se REACIONÁRIO ou DIREITISTA, como se isto fosse uma ofensa.

  53. Gleydson Santos

    ae vamo bota um baile funk proibidao nessas faculdade tudo! to zoando kkk na moral agora o papo e reto… eu sou moreno mas tenho cabelo pixaim pois meu pai e nego minha mae nem tanto. Sofro de preconceito e bulin e meu irmão sempre me zoou pois o fdp nasceu com o cabelo mais liso. Gostaria de saber se pelo fato de eu ter cabelo pixaim e de ja ter levado fora de algumas mina por conta disso permite que eu entre nas cota de medicina da usp. obrigado eh noixxxx.

    • Edu

      Gleydson,. Acho não só que vc deve entrar na medicina USP, como todos esses que adoram cotas por cor, deveriam utilizar somente serviços de cotistas, desde o médico, até a escola dos filhos. Esta turma só poe os filhos nas melhores escolas ( caras e sem cotistas), só usa os melhores hospitais, só frequenta os lugares badalados, viaja para o mundo todo e acha que um uma pessoa de cor pobre vale mais que um outro que não seja negro. A única certeza é que nem os pobres nem os negros fazem parte da vida deles.

  54. Edu

    Pena que no ITA ão deixaram ter cotas. De 2 uma: ou o cara não vai acompanhar o curso ou vamos chamar os defensores para voar nos aviões que eles tomam conta. Por via das dúvidas a turma que apoia e a presidenta, acharam melhor não misturar avião com cotista, afinal eles só viajam de avião. Para aqueles que se matam de estudar e entram por mérito no ITA, independente de cor e classe, foi preservado o seu esforço.

  55. Rogério, o Edu está certo no “acharam” . Usou sujeito composto (“turma e presidenta”) No mais, não são cotas que irão corrigir o problema social brasileiro de séculos. Tal comportamento e defesa só incita o ódio racial. Negro não precisa de esmola ou piedade. É tão competente quanto um branco. Como o pobre, independente da etnia, precisa, sim, é de um bom ensino público básico! E agora cota no serviço público? Porque? Serviço público passou a ser feito por nomeação (o que justificaria Racismo) e não concurso? O Brasil, na minha opinião, nunca foi racista e sim classista (a maioria dos brasileiros não se interessa por cor de pele e sim pelo dinheiro no bolso). Além disso o conceito de Racismo só surgiu na segunda metade do século XIX e, com ele, a intolerância pelo tom da pele. Fui…

  56. André Luis Ferreira.

    Puxa!Rogerio Beier.Multiculturalismo(o irmão gêmeo bom do racismo).Lília Schwarcz…Aquela moça equivocada.Ser contra o grande Demétrio Magnoli…O que dizer disso?(Acho que agora fui moderado).Um abraço!

  57. Mim responde .
    Por favor
    Qual o negro do nosso país que tem condição de contribui positivamente com o problemas da segregação racial e não faz nd

  58. EDU

    Tayna. Segregação Racial no Brasil?

  59. Ivan

    Cara vc escreve tão bem, mas gasta parágrafos pada desqualificar seu oponente … e vc não dá opção de entendimento ao seu leitor … conduza seu leitor ao pensamento critico …

  60. estevam tavares de freitas

    A ideia das cotas em países como os EUA faz todo sentido. Quem morou lá como eu morei, e sentiu o ódio racial, entende isso. Lá é preciso carta de apresentação para entrar em universidade de elite. Óbvio que as cotas são necessárias.
    O Brasil já foi assim também. Estou lendo biografia de Cruz e Souza, ele sofreu muito por racismo. Já Lima Barreto, pobre, alcóolatra, revoltado, não sofreu por ser negro, sofreu por ser um outsider. O Brasil integrou o negro, pouco a pouco, eu não conheço brasileiro que tenha coragem de evitar uma mesa onde os negros estão sentados, como cansei de ver nos EUA, na universidade.
    Agora, os intelectualerdas da USP vão sempre ser do contra. E vão defender estas cotas imbecis. O sectarismo é tão rumi quanto o racismo.

  61. Hey friend,

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