Cadernos do Cárcere, de Antônio Gramsci, está disponível online

É com enorme alegria que recebemos a informação através do blog Prestes a Surgir de que a obra Cadernos do Cárcere, de Antonio Gramsci, foi disponível para download através do Scribd. Trata-se da versão em espanhol da célebre “edição Gerratana”, isto é, a primeira edição efetivamente crítica dos Cadernos do Cárcere (org. Valentino Gerratana. Turim: Einaudi, 1975).

Leandro Konder, filósofo e professor da PUC/RJ, escreveu o seguinte sobre Gramsci e sua obra, em dezembro de 1999.

Gramsci, o dialético.

Antonio Gramsci. Cadernos do cárcere. V. 1: Introdução ao estudo da filosofia. A filosofia de Benedetto Croce. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. 494p.

Quando alguns professores e intelectuais já o davam por definitivamente soterrado sob as pedras da demolição do Muro de Berlim, o pensador comunista italiano Antonio Gramsci reaparece no palco da história das idéias vivas e volta a se tornar uma referência atual nas discussões teórico-políticas.

Graças ao cuidadoso trabalho de Carlos Nelson Coutinho, Luiz Sérgio Henriques e Marco Aurélio Nogueira, uma nova edição começa a ser publicada. Está prevista para dez volumes. Com ela, toda uma nova geração de estudiosos passa a ter acesso direto aos textos originais nos quais Gramsci expõe suas concepções a respeito do Estado e da sociedade civil, bem como sobre o bom senso e o senso comum, sobre hegemonia e coerção, sobre a revolução passiva e a democracia cosmopolita, sobre guerra de posições e guerra de movimentos, sobre o conformismo e o nacional-popular, ou sobre os intelectuais e a organização da cultura.

Nenhum marxista se empenhou tão radical e rigorosamente quanto ele, ao longo dos anos vinte e trinta, na avaliação da importância das contradições e da dinâmica da cultura no plano da luta pela transformação revolucionária da sociedade.

Nenhum marxista militante foi tão fundo na crítica ao reducionismo econômico, ao determinismo histórico, ao cientificismo e ao positivismo que se infiltraram no pensamento dos autodenominados discípulos de Marx (tanto dos comunistas como dos socialdemocratas).

As condições trágicas em que foi compelido a viver seus dez últimos anos, nos cárceres de Mussolini, afastaram-no das tarefas urgentes da direção do seu partido. Reagindo contra o aniquilamento que lhe estava sendo imposto, o teimoso prisioneiro empreendeu uma reflexão original, ousada, a respeito de temas que — embora cruciais — freqüentemente eram subestimados por seus companheiros.

Gramsci se debruçou sobre os problemas da subjetividade, sobre as complicações da teoria, sobre a formação e o poder das convicções.

Contra um ponto de vista acentuadamente elitista, cheio de desprezo pela cultura popular, o nosso autor observou que em toda manifestação de qualquer modo peculiar de ver, em toda expressão de linguagem, mesmo entre os de “baixo”, nas camadas sociais mais ignorantes, existe uma “filosofia”, uma certa concepção do mundo.

E, por outro lado, contra um ponto de vista que idealiza romântica e ingenuamente a filosofia espontânea do povo, atribuindo-lhe um vigor crítico que ela não tem (nem poderia ter), Gramsci chamou a atenção para o fato de que cabe aos intelectuais revolucionários manterem — sem arrogância! — um diálogo com seus interlocutores das camadas populares, ajudando-os (e ajudando-se a si mesmos) a superar pelo fortalecimento do bom senso (o senso crítico e autocrítico) os limites estreitos do senso comum, isto é, as fronteiras que dependem da ampliação dos horizontes teóricos para serem ultrapassadas.

Gramsci sublinha tanto o que os teóricos precisam aprender com a prática, com a percepção empírica, como a responsabilidade que eles têm em face da tarefa que lhes cabe de contribuir para aperfeiçoar a construção consistente do conhecimento teórico (que, no entanto, jamais esgotará a riqueza da realidade).

Mestre do pensamento dialético, Gramsci ensinou que, para que a nossa história seja efetivamente um processo de libertação, o ponto de vista mais avançado — aquele que desejamos alcançar — precisa ser também o mais abrangente.

Na lógica de um conflito bélico, o sujeito procura golpear o inimigo em seus pontos mais fracos. Quando se trata, porém, de um esforço para compreender melhor, para conhecer mais profundamente a realidade (e poder transformá-la de acordo com um projeto mais conseqüente), o sujeito precisa reconhecer os pontos fortes do interlocutor, para incorporá-los criticamente à ampliação de seus próprios horizontes.

FONTE: http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=139


Abaixo seguem os links para download da versão em espanhol da obra Cadernos do Cárcere. Aproveitem!

Para saber um pouco mais sobre Gramsci, recomenda-se a leitura do texto Gramsci: uma introdução, escrito por Valentino Gerratana para a Enciclopédia Italiana e traduzida ao português por Luiz Sérgio Henriques.

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20 Comentários

Arquivado em Educação, Ensino, Livros

20 Respostas para “Cadernos do Cárcere, de Antônio Gramsci, está disponível online

  1. Alec

    Não tem em português não?

  2. Pingback: Referências 14/05/2013 | CEII

  3. Wendel

    Marxismo cultural, objetivo: Totalitarismo!

    • Karine Cavalcanti

      Marxismo cultural TOTALITARISMO? Vivemos em uma sociedade conservadora com a qual somos bombardeados O TEMPO TODO com ideologia de DIREITA, a ideologia do PATRÃO, do CAPITAL. Antônio Gramsci mostra-nos, de forma clara, essa cultura dominante efetiva, cujo objetivo, este sim, é o totalitarismo. Acho que temos que ter cuidados ao afirmar certas coisas sem ter verdadeiramente refletido sobre o assunto.

      • Meu Deus, é cada analfabeto que tem nesse país! Nos vivemos numa ditadura socialista , o PT é um partido de narcotraficantes, bandidos, que apoiam as FARC, que controlam a política da América Latina através do Foro de São Paulo. Minha filha vc é uma analfabeta, estude antes de deixa qualquer comentário, antes de abrir sua boca. Vem falar de ideologia do patrão, e isso existe? É claro que não, isso é invenção de Marx e do seu amado Gramsci. Sim o marxismo é Totalitarista, é uma subcultura para uma população de histéricos, como o Brasil. Não o que se refletir sobre assunto nenhum, só estudar. E seu achismo mostra apenas seu total desconhecimento sobre o assunto.

      • Cara Rita,

        Por favor, defina “ditadura socialista” e depois compare com o que vivemos aqui no Brasil. Verá que suas palavras são tão obtusas que não mereciam sequer qualquer consideração por seres pensantes.

        Att.

        RB

      • Karine Cavalcanti

        PT e ditadura socialista? Considerar o PT como partido de esquerda já é uma falácia sem tamanho. Minhas palavras são, antes de mais nada, MINHAS PALAVRAS, cara Rita. As suas não são nada mais do que achismos também: conclusões tiradas depois de muito, e repito, MUITO estudo. Lembrando que não existe nenhum tipo de estudo que seja neutro; aliás, não existe nada que seja neutro nessa vida. Categorizar a opinião do outro, só porque esta vai de encontro à sua própria, como a de um “analfabeto” só nos mostra como (nós) o povo brasileiro somos desrepeitodos uns com os outros. Abraço.

    • Karine Cavalcanti

      desrespeitosos* nesse país de pessoas grossas a gente tem que cuidar da GRAFIA ou somos chamados de ANALFABETOS por desconhecidos na internet.

      • Carlos Magno Lucena martins

        Socialismo tem lado. O lado dos trabalhadores. tem objetivo fim do sistema Capitalista.

      • deusimar

        adorei suas palavras e acho que você esta certíssima…bjos

  4. o scrib é muito ruim para baixar e o outro link não está mais funcionando…
    uma pena

  5. Pingback: O “empoderamento” das mulheres, e o tapete vermelho do Oscar | Escrevinhador

  6. Pingback: O “empoderamento” das mulheres, e o tapete vermelho do Oscar | bita brasil

  7. Arlete

    Não estou conseguido baixar, alguém sabe por que?

  8. Lucas

    Tanta coisa para ler…. uma perda de tempo com tantos textos bons e úteis, uma burrice gastar tempo com quem ensina se perpetuar no poder pela mentira mais absoluta…. É apenas mais um que faz isso e o mais cara de pau.

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