FLIP 2012

Ontem começou a décima edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP 2012 e neste ano o grande homenageado da festa é o escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade.

Cartaz oficial da FLIP 2012

Desafortunadamente, não pude estar presente na FLIP desde a noite de abertura, mas nesta sexta-feira já estarei caminhando pelas ruas de pedras da charmosa cidade colonial localizada no sul do estado do Rio de Janeiro, bem na divisa com São Paulo.

A abertura ficou a cargo do escritor gaúcho, Luiz Fernando Veríssimo, que após brincar com a gafe que cometeu há quatro anos atrás, fez questão de destacar que na Festa “se celebra a permanência do livro”.

Abaixo destaco um trecho do texto lido por Luiz Fernando Veríssimo na abertura da FLIP, nesta última quarta-feira.

“Há exatamente quatro anos eu fui convidado pela Flip para apresentar e entrevistar o dramaturgo inglês Tom Stoppard. Apesar do meu pavor de enfrentar o monstro, que é como eu chamo, carinhosamente, a plateia, qualquer plateia, me enchi de coragem, coloquei um Isordil preventivo embaixo da língua e subi no palco com o Tom Stoppard. E minhas primeiras palavras foram: “ É um grande prazer estar de volta aqui na CLIP”

Na hora, não me ocorreu nenhuma maneira de consertar meu erro. E vocês começam a entender por que fui o escolhido para fazer essa apresentação na décima Flip. Em primeiro lugar, queriam alguém que falasse pouco e não atrasasse a festa. Em segundo lugar, desconfio que quatro anos depois, a Flip quis, generosamente, me dar outra oportunidade de me redimir do vexame de ter trocado o F pelo C. Tive quatro anos para pensar numa explicação para minha gafe. Que, sem esta oportunidade, me perseguiria, inexplicada, até o túmulo.

E depois de pensar durante quatro anos decidi adotar uma máxima muito usada no futebol e por políticos  sob investigação, segundo a qual a melhor defesa é o ataque. Minha explicação para a gafe é que não foi uma gafe. Troquei o F pelo C conscientemente, confiando que a plateia entenderia minha sutileza. Quem errou foi a plateia, que não me entendeu.

A íntegra do texto de Luiz FernandoVeríssimo está disponível no blog do evento.

Esta foi apenas a abertura da FLIP que, nos próximos dias, ainda terá muitas mesas e discussões extrapolando o tema da literatura para propor reflexões sobre a sociedade em que vivemos e seus dilemas.

Abaixo aproveito para fazer apenas alguns destaques da programação principal que irá ocorrer entre sexta e domingo próximos.

O MUNDO DE SHAKESPEARE

Na sexta-feira, as 12h, teremos a MESA 6, composta por Stephen Greenblatt e James Shapiro, com mediação de Cassiano Elek Machado.

Segundo a programação do evento, “dois dos maiores estudiosos da obra de William Shakespeare mostram como a obra do escritor inglês ultrapassa o falso dilema entre particularidade histórica e universalidade literária. Nesta conversa sobre as criações de Shakespeare e os mitos que continuam a cercar sua figura, Stephen Greenblatt e James Shapiro discutem como as peças e poesias do autor se vinculam profundamente com as circunstâncias em que foram escritas, ao mesmo tempo que, ainda hoje, continuam a atrair novas leituras, adaptações e controvérsias”.

LITERATURA E LIBERDADE

Ainda na sexta-feira, as 17:15, teremos a MESA 8, com Adonis e Amin Maalouf, mediada por Alexandra Lucas Coelho.
Aqui, o destaque vai para a característica do trabalho destes escritores sírio e libanês que, segundo a curadoria do evento:  “uma perspectiva moderna e humanista caracteriza o trabalho do sírio Adonis e do libanês Amin Maalouf como escritores e intelectuais. Em ensaios, poemas, estudos históricos ou livros de ficção, esses dois grandes escritores constroem o novo a partir de um olhar original sobre a tradição, em oposição direta ao fundamentalismo que, nas últimas décadas, tem marcado a vida política e cultural de muitos países do mundo árabe. Eles conversam sobre os pontos em comum de suas trajetórias, ambas marcadas pelos conflitos da região, e avaliam as promessas e os riscos do momento atual.

CIDADE E DEMOCRACIA

O sábado já começa com a excelente mesa Cidade e Democracia, com a presença de Suketu Mehta e Roberto DaMatta, tendo de bônus a mediação de Guilherme Wisnik.

O programa faz o seguinte destaque para esta mesa: “Ao mesmo tempo que mostram o potencial de mobilização dos meios digitais, protestos recentes no mundo árabe e nos países europeus reafirmam a força da rua (e da praça) como palco de manifestação da vontade popular. O espaço urbano pode ser um local de encontro e convivência das diferenças, mas também a expressão mais visível da desigualdade social. A partir dessa contradição, o indiano, radicado nos Estados Unidos, Suketu Mehta, e o brasileiro Roberto DaMatta discutem o papel das cidades na vida democrática contemporânea”.

MESA LOS AMIGOS

Contudo, certamente o maior destaque do SÁBADO será a mesa composta por Angeli e Laerte Coutinho, intitulada “Quadrinhos para maiores” e que terá a mediação de Claudiney Ferreira, as 21h30.

Como descreve a curadoria da FLIP, “nesse encontro entre dois artistas que mudaram de maneira definitiva a cara dos quadrinhos brasileiros, Laerte e Angeli sobem ao palco da Tenda dos Autores acompanhados por históricos decididamente nada respeitáveis de personagens inesquecíveis, como Rê Bordosa e os Piratas do Tietê. Os dois falam sobre os pontos em comum de suas trajetórias e discutem os principais elementos do caldo de referências culturais e políticas presentes em seus trabalhos, nos quais a crítica de costumes assume um viés anárquico e satírico às vezes próximo do surreal”.

ENTRE FRONTEIRAS
Já no DOMINGO, último dia da FLIP, destaco a MESA 18, com Gary Shteyngart e Hanif Kureishi, com a mediação de Ángel Gurría-Quintana.

“Deslizando habilmente entre os pontos de vista do nativo e do estrangeiro, o norte-americano (nascido na Rússia) Gary Shteyngart e o inglês (filho de pai paquistanês) Hanif Kureishi criaram algumas das mais brilhantes sátiras da ficção contemporânea. Na obra desses dois premiados escritores, a perspectiva de viés, que mesmo ao tomar parte dos acontecimentos é capaz de considerá-los de um ponto de vista ironicamente distanciado, torna-se uma forma de expor ao mesmo tempo as tensões do mundo atual e a histeria vazia dos discursos que habitualmente pretendem descrevê-las.”

Para quem não puder ir até Paraty, mas tiver um tempo para ver/ouvir as palestras online, a organização do evento disponibilizou um link para transmissão ao vivo das mesas e também um blog, onde pode acompanhar tudo o que estiver ocorrendo por lá.

Serão dois dias cheios de muitas mesas e discussões sobre literatura. Acima fiz destaques apenas da programação principal, mas a FLIP é muito mais que isso. Além das programações paralelas, tem muita coisa acontecendo nas ruas e um ambiente agradabilíssimo que é quase impossível descrever, só se sente mesmo quando se está caminhando e absorvendo tudo o que está rolando ali, naquele lugar mágico que é Paraty. Muita cultura, no meio de praias lindíssimas, uma floresta exuberante, uma cidade colonial e aconchegante.

BOA FLIP PARA TODOS!!!

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Arquivado em Cultura, Literatura

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