a tarde nem ardia

Após a publicação do post sobre o covarde bombardeio de Hiroshima e Nagasaki, ordenado pelo então presidente dos Estados Unidos da América, Harry Truman, a colega Renata Requião (que já havia colaborado com Balada triste para violoncelo e câmara escura, sobre o suicídio de Dimitris Christoulas) enviou novo poema para complementar brilhantemente o post sobre o maior crime de guerra contra a humanidade.

Como falei para ela, é um enorme prazer poder abrir o blog para colaborações tão relevantes e bonitas, além de poder servir como canal de divulgação de poemas inéditos.

Espero que gostem tanto ou mais do que eu.


a tarde nem ardia

A tarde nem ardia
(já sabíamos: a temperatura cairia dez graus).

No céu o que se via, num horizonte ainda alto,
eram três sóis.
E um arco-íris em círculo.

Tal fenômeno, informava a meteorologia
– a mineralogia das pedras mais secretas, ínfimas por líquidas –,
ocorre devido aos cirrus:
nuvem
formada por cristais de gelo.

As nuvens tipo cirrus assim refratam
e refletem a luz
em halos,
espécie de arco-íris
helicoidais.

Imagens que em

vértice
vórtice
voragem
vertigem

nos romantizam e nos levam
com little boy
o Japão da bomba atômica
a hiroshima mon amour
sem que nenhum homem – a truman – enfim informe a verdade.

Fácil de esquecer, impossível entender.

Renata Requião

Laranjal, Pelotas, julho de 2012

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1 comentário

Arquivado em Arte, Cultura, Literatura

Uma resposta para “a tarde nem ardia

  1. Muito belo! Parabéns, Renata.

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