Luiz Felipe Pondé e os Guarani-Kaiowá: desinformação ou má-intenção?

Em sua coluna semanal publicada na Folha de S. Paulo (19/11/2012), Luiz Felipe Pondé critica a inteligência das pessoas que assinaram Guarani-Kiowá em seus nomes no facebook com frases como:

“Qualquer defesa de um modo de vida neolítico no Face é atestado de indigência mental.”. 

“As redes sociais são um dos maiores frutos da civilização ocidental. Não se “extrai” Macintosh dos povos da floresta; ao contrário, os povos da floresta querem desconto estatal para comprar Macintosh. E quem paga esses descontos somos nós.”

“Pintar-se como índios e postar no Face devia ser incluído no DSM-IV, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.”

“O que faz alguém colocar nomes indígenas no seu “sobrenome” no Facebook? Carência afetiva? Carência cognitiva? Ausência de qualquer senso do ridículo? Falta de sexo? Falta de dinheiro? Tédio com causas mais comuns como ursinhos pandas e baleias da África? Saiu da moda o aquecimento global, esta pseudo-óbvia ciência?”

“Essas pessoas que andam colocando nomes de tribos indígenas no seu “sobrenome” no Face acham que índios são lindos e vítimas sociais. Eles querem se sentir do lado do bem. Melhor se fossem a uma liquidação de algum shopping center brega qualquer comprar alguma máquina para emagrecer, e assim, ocupar o tempo livre que têm.”

E não fica só na crítica aos simpatizantes dos Guarani-Kaiowá nas redes sociais não. Ao falar a respeito dos índios, Pondé tece as seguintes considerações:

Desejo que eles [índios] arrumem trabalho, paguem impostos como nós e deixem de ser dependentes do Estado. Sou contra parques temáticos culturais (reservas) que incentivam dependência estatal e vícios típicos de quem só tem direitos e nenhum dever. Adultos condenados a infância moral seguramente viram pessoas de mau-caráter com o tempo.

Frases que revelam todo o pensamento conservador e tacanho desse que tem sido a fonte de muita gente, mais mal intencionada ainda, que fazem leis, acabam com reservas e usurpam as terras dos índios.

Para não deixar o Pondé sem resposta, abaixo repercutimos a carta de Rita Alves – Membro Fundadora do Instituto Orlando Villas Boas – em resposta a essa coluna infâme, repleta de preconceitos, desinformação e más intenções, do jornalista e filósofo conservador Luiz Felipe Pondé.

“Caríssimo,

seu artigo é uma catástrofe. Muito me espanta um homem com sua relevância midiática fazer uso de um precioso espaço para tantos absurdos num único artigo. Por acaso você conhece – conhece mesmo, de fato, com profundidade e consistência – a história dos irmãos Villas Boas e o que dessa história temos como resultados humanitários, além, muito além dos resultados antropológicos? Saberá o caro jornalista e filósofo que algumas etnias foram salvas de extinção e que junto com extinção de índios paralelamente há todo um contexto social, temas ligados diretamente a produção de soja em larga escala, gado, extração de minérios preciosos de modo ilícito, organizações internacionais que adquirem terras ameaçando nossa soberania…? O jornalista extingue, com seu artigo infeliz o legado de Darcy Ribeiro, Claude Levi-Strauss, Marechal Rondon, além de uma cultura milenar, muito anterior a apropriação européia do continente, de três mil anos.

Saberá o amigo do que trata toda uma vida de pesquisa da antropóloga BettynMindlin? Conhecerá o acervo fotográfico de Maureen Basilliat? Tudo jogado no lixo jornalístico escrito por você. Terá também o jornalista e filósofo Pondé assistido à entrevista feita pelo psicanalista Jorge Forbes com o filósofo e pensador francês Luc Ferry, em que eles nos alertam para o fim das grandes revoluções e nos chamam a atenção para as pequenas revoluções feitas através das redes sociais, alterando comportamentos e rumos históricos?
Pois bem, depois de ler o seu artigo, concluo que você é a pessoa desinformada ou mal formada. E com o agravante de levantar a público algo seríssimo: você é um formador de opinião. Não assinei meu sobrenome como Guarani-Kayowa, no entanto, os que o fizeram conseguiram com este feito alertar as autoridades para a questão.

Cinismo absurdo pedir que os índios trabalhem. Você está novamente desinformado: eles trabalham. É a ÚNICA organização social que sempre funcionou, com respeito às diferenças, organização sim, em que cada um tem uma função no sentido de utilidade para o grupo. Afora as investidas civilizatórias de corrupção e vícios como álcool e fumo, além de prostituição, que acontecem com os índios justamente FORA das preciosas reservas. Não são reservas temáticas, meu caro. É reserva de terra. Para que pessoas com sua mentalidade não queiram empresariar o espaço. Para que dentro dessas reservas os verdadeiros donos de onde você e eu moramos possam exercitar o seu sagrado direito de liberdade e propriedade: cultura. Pagar impostos? Eles já pagaram com a vida, afinal, nós matamos centenas de milhares de índios em pouco mais de quinhentos anos. Pagaram também com muita terra, sendo excluídos de sua casa violentamente. O amigo também não saberá que nosso estado de São Paulo inaugurou o Parque Orlando Villas Boas, com projeto de museu/centro de formação criado por um dos mais relevantes e respeitados nomes de nossa arquitetura, Ruy Ohtake. Não saberá que a família Villas Boas tem mais de duas mil peças indígenas – algumas que já não existem por ações como a sua – e acervo fotográfico, filmes, etnologia e registros de troncos linguísticos, fonte para nossos cientistas e de todo o mundo? Também está desinformado de que museus de todo o planeta solicitam informações sobre o modo de vida dos índios, como exemplo de sociabilidade e comunhão.

Bem, meu caro, vou fazer uso justamente da rede social para publicar este e-mail, solicitando a você uma RETRATAÇÃO PÚBLICA diante da nação envergonhada com seu texto.”

Rita Alves – tem formação em História, Arte e Letras e é membro fundadora do Instituto Orlando Villas Boas

Agora que leram as frases absurdas de Pondé e a resposta de Rita Alves e me digam: quais as intenções de Pondé com seu texto? Será apenas criticar os usuários do facebook que assinaram seus nomes com Guarani-Kaiowá? Ou ele está querendo servir de referência “intelectual” para muitos dos que tem interesses nas terras dos índios? Quais as intenções de Pondé?

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16 Comentários

Arquivado em Cultura, Jornais

16 Respostas para “Luiz Felipe Pondé e os Guarani-Kaiowá: desinformação ou má-intenção?

  1. Flávio Alberto.

    Não acredito que deva pedir desculpas como conheço o Pondé, ele arremeterá ao Estado Democrático no qual não podemos falar da Esquerda no Brasil porque é ato desumano e preconceituoso com retoques de ultraconservadorismo e tudo mais. primeiro vez que entro nesse blog por mais que todos os Textos são tedênciosos até frase de Caio Prado Jr uns dos maiores intelectuais de esquerda no Brasil no qual Mario Ferreira dos Santos deu uma aula sobre comunismo de resto gostei do seu Blog é bom ver uma visão esquerdista não muito carregada de coitadismo, muito rica em referência. bom trabalho abraços.

  2. JPaulo

    Pondé, mais uma vez, brilhante!

  3. Jamelão

    KKKKKKK, não se pode criticar atitudes imbecis, mas bonitinhas, que os manés já enxergam interesses escusos. Valeu, Pondé!

  4. Pondé e Lek Lek é quese a mesma coisa, apenas o lek lek é menos chato.

  5. Camilo Berneri

    A posição de Pondé revela a idiotia intelectual de importante fração do pensamento brasileiro, basta ler seus livros e ver a cretinice e a falácia de seus argumentos, sem fundamento, apenas divulga seu juízo cínico e aburguesado, sem correspondência com o real. Afinal, “uns poucos melhores, sempre carregaram o mundo nas costas”, é justificativa ideológica para defender a monarquia (o rei deve ser o melhor de todos, ou escolhido por deus), e a Teoria das Elites, pois não consegue ver que o alimento de todo dia, como por exemplo, cenoura ou brocólis, não é cultivado e colhido por máquinas ou computadores, mas sim, por mãos camponesas de muitas pessoas, para que chegue a sua mesa de alimentação, através de técnicas do neolítico. Assim como o seu apartamento com ar condicionado, não foi feito por uma “minoria de melhores”, mas, sim por muitos trabalhadores, e com certeza essa “minoria de melhores”, não tem capacidade para fazer, nem entender nada disso, e é sintomático defender “uma minoria que sempre carregou o mundo nas costas”, num mundo onde os 20% mais ricos consomem 80% dos recursos produzidos ao ano em todo planeta. Pondé não representa a Filosofia brasileira,mas sim, o que existe de protofascista na intelectualidade múltipla deste país.

  6. pondé foi mais uma vez bilhante. sinceramente, não acredito que devamos nos redimer com os indios. eles deram suas terras aos portugueses em troca de mercadorias, e mais, pela ajuda deles para destruir os indios inimigos. antes dos europeus virem pra cá, os indios já matavam uns aos outros, e tinham práticas abobináveis, como o canibalismo. em algumas tribos, um indio só poderia se casar se matasse um dos indios da tribo inimiga. até hoje, algumas tribos tem como habito de enterrar vivas crianças que nassem com algum problema mental, pois acreditam que eles foram “amaldiçoados” pelos deuses deles. a FUNAI tem pleno conhecimento disso e não faz nada, dizendo que não podemos interferir na “cultura” do indio. não bem é verdade que os indios tenham cido extintos pelo homem branco. existem evidencias que muitos indios deixaram as suas tribos por vontade propria, e passaram a morar com dos portugueses. depois de se casarem e terem filhos com os portugueses, os filhos mestiços já não se consideravam como indios, e assim nasceu o povo brasileiro. um exemplo disso sou eu. meu tataravô se casou com uma india que passou a morar com os brancos. quando tiveram filhos, eles não mais se viam como indios, meu bisavô, avô e meu pai vieram depois e por ultimo eu. e nenhum de nós se considera indio. uma pesquisa no feita pela UFMG mostra que os brasileiros tem em média 8% de genes indígena. parece pouco, mas coloque uma população de 200 milhões de pessoas. imagine se pudessemos juntar esses 8% de genes em indivíduos 100% de gene indígena, poderiamos fazer 8 milhoes de indígenas. isso mostra que os indios das tribos não foram extintos pela matança. isso é conversa fiada de historiador marxista. isso mostra que os indios de misturam com os portugueses, que deu origem a população brasileira de hoje. e pra finalizar, voces acham que abrir reservas indigenas vai melhorar a vida dos indios, peço que pesquisem sobre a reserva indigena “raposa serra do sol” e vejam no que deu. agricultores desapropriados sem direito a indenização, e indios passando fome. antes da reserva, os indios trabalhavam com os agricultores e isso dava seu sustento sem depender de ajuda do governo. hoje eles nem podem pedir um trator ou fazer uma plantação pequena, pois a FUNAI não permite. no estado de RORAIMA, 70% do território é reserva indigena, e pela lei, não pode ser usada nem para fazer uma pequena plantação de subsistencia. se fosse uma pais, seria um dos mais pobres do mundo. voces marxistas é que são os verdadeiros reacionários!!!

    • Caro prof. Thiago,

      Eu até ia responder seu comentário, mas quando eu vi a quantidade de absurdos e erros em sua postagem, percebei que seria uma grande perda de tempo. Você precisa urgentemente estudar história (além de gramática). Considerar que eles [os índios] “deram suas terras aos portugueses em troca de mercadorias”, como você afirma no princípio de seu comentário é de uma ignorância tão profunda e tão vexaminosa, que realmente não merece qualquer comentário outro que não seja uma orientação para os estudos.

      Considerar canibalismo ritual como prática abominável também demonstra a sua ignorância e profundo desrespeito diante a cultura do outro. Em geral, os mesmos que criticam os rituais de canibalismo dos índios, no domingo vão comer sua hóstia na Igreja e não conseguem fazer qualquer associação entre os ritos. Ignorantes, hipócritas.

      Uma vez mais, professor Thiago, gostaria de recomendar-lhe que estude um pouco mais a história do Brasil e, para não perder viagem, um pouco de gramática. Seu comentário, infelizmente, apenas deixou-me com vergonha pela quantidade de ignorância e erros crassos contidos no mesmo.

      Att.

      RB

  7. Caro Rogério Beier,

    sinceramente, sugiro que leia o livro GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL, GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA AMÉRICA LATINA, que desmonta todos os velhos chavões marxistas da história. e quando for “refutar” os meus argumentos, por favor, use argumentos, está bem? não preste atenção na minha gramática, e sim nos meus argumentos. isso é desculpa retórica de gente que não sabe debater. você fez uma comparação do canibalismo com a hóstia da igreja. não sou católico, mas se a hóstia fosse feita de carne humana eu poderia te dar razão. mas esse não é o caso. você apenas tentou menosprezar meus argumentos para tentar me desmoralizar. sugiro que leia o livro COMO VENCER UM DEBATE SEM TER RAZÃO, escrito por OLAVO DE CARVALHO. nele, você vai encontrar uma dessas táticas. deve ser de bastante utilidade pra ti. mas voltando ao assunto, existem sim evidencias de que os indígenas se aliaram com os portugueses para destruir as suas tribos inimigas. ao contrario do que aprendemos na escola, os europeus não eram seres onipotentes que faziam o que queriam. apesar de terem armas de fogo, elas eram rudimentares, difíceis de manusear e de carregamento demorado.os portugueses eram poucas centenas, e os indois eram literalmente milhares, com milhares de flechas. e os índios eram obcecados pela guerra. em uma situação dessas era melhor fazer amizade com os habitantes locais e procurar fazer acordos. sinto muito mas os indígenas não “puros”, e não tem uma superioridade moral. essa lenda vei com o filósofo Rousseau no livro O BOM SELVAGEM. na época, Rousseau acreditava que a sociedade ocidental era decadente e perversa. ele dizia ainda que “o homem não nasce mal. é sociedade que o corrompe”, pois acreditava que a corrupção, a ganancia, e a exploração eram frutos da sociedade ocidental que valorizava mais o lucro e o poder, e estava mais preocupada em oprimir os outros povos. nesse livro Rousseau dizia que os índios eram superiores moralmente, sendo mais honestos, trabalhadores e virtuosos do que nós, que vicemos nessa sociedade “decadente”. Rousseau defendia que a destruição completa do sistema social e de toda a cultura ocidental, como a religião organizada, a política e o comércio, para o homem voltasse a “época de inocência” dos tempos antes da civilização chegar e estragar o homem. puro besteirol, já que os índios, como já disse no meu ultimo post, já cometiam atrocidades, e ainda atacavam outra tribos para aumentar seu territória, e ainda matavam quem sobrevivesse( isso é diferente do que os ocidentais faziam?). se acha que estou desrespeitando a cultura dos índios, então, se seu filho nascer com síndrome de Down, por que não enterra ele vivo no quintal? veja se isso não é uma atrocidade. melhor ainda, vá a uma dessas tribos e veja esse ritual pessoalmente. se isso não é atrocidade como disse por se tratar de “cultura”, então não há diferença entre os índios e os “gananciosos” homens brancos.

    • Caro Thiago,

      Faça um o favor a si mesmo. Se for pra indicar um livro de história, indique um escrito por historiadores e não essa palhaçada do Guia do Politicamente… Aliás, publiquei um post neste blog que trouxe a resenha da professora Maria Lígia Coelho Prado (professora de História da América Latina da Universidade de São Paulo) sobre o tal guia que você me recomendou. Sugiro vivamente que leia o post para que escolha melhor suas fontes e referências (https://umhistoriador.wordpress.com/2013/04/14/2940/).

      Quanto a hóstia da Igreja, vá se informar sobre a Transubstanciação, crença postulada pela Igreja Católica de que, no momento da consagração, a hóstia se transforma no corpo de Cristo e o vinho, por sua vez, no sangue do imolado. Todo católico DEVE crer na transubstanciação para se dizer como tal. Portanto, trata-se de um ritual de antropofagia (ou teofagia, se preferir), que em nada fica atrás do ritual dos índios.

      Se quiser mesmo se informar sobre o tratamento dispensado pelos europeus aos “índios”, sugiro que leia alguns cronistas da época, como Bartolomé de las Casas, por exemplo, que escreveu um livro intitulado “Brevísima relación de la destrucción de las Indias”. Certamente ali você não encontrará um “chavão marxista”, se é isso que te preocupa. Aliás, sugiro também que não utilize Rousseau de uma maneira tão tacanha como o fez acima. Leia Rousseau, discuta Rousseau e não utilize-o meramente como instrumento de uma argumentação enviesada tomada por empréstimo de pessoas sem nenhum caráter.

      Quanto a usar argumentos para refutar as suas sandices, como disse na minha primeira resposta, optei por não fazê-lo, dado o ridículo ao qual você se expôs [e continua se expondo] ao comentar o meu post. Como não considerar uma profunda estupidez argumentos do tipo: “se acha que estou desrespeitando a cultura dos índios, então, se seu filho nascer com síndrome de Down, por que não enterra ele vivo no quintal?”

      No mais, passar bem.

      Att.

      RB

      PS: Ah! E não se esqueça da minha dica gratuita, estude!!! Principalmente história [e feita por historiadores, não por jornalistas]. Você precisa bastante.

  8. Caro Rogério Beier,

    Francamente, é impressionante ver pessoas que ainda tem essa desonestidade intelectual. Você ainda usa os mesmo argumentos de antes: desqualificar o adversário para invalidar seus argumentos. se tivesse lido os livro, ou pelo menos, tivesse honestidade intelectual, veria que o autor dos GUIAS POLITICAMENTE INCORRETOS usou como referencia o trabalho de historiadores no Brasil e no mundo para escrever seu trabalho. E a maioria dos cursos de história oferecidos nas universidades federais no Brasil são marxistas. Tentar desqualificar o livro só porque ele é jornalista é uma, me desculpe a expressão, uma canalhice intelectual. Mas se é de historiadores que você se interessa, então lá vai uma coleção de livros que pode lhe interessar:

    1.Os Sete Mitos da Conquista Espanhola-matthew restall
    2.Novas cartas jesuíticas- Serafin Leite
    3.Gente da terra – jorge Couto
    4. A gênese do Brasil- jorge Couto
    5. Brasil: a história contada por que viu- Jorge Caldeira
    6.Ouro vermelho: a conquista dos índios brasileiros-john hemming
    7.Os índios aldeados no rio de janeiro colonial- maria regina celestino de almeida
    8.A ferro e fogo- Warren Dean

    “Quanto a hóstia da Igreja, vá se informar sobre a Transubstanciação, crença postulada pela Igreja Católica de que, no momento da consagração, a hóstia se transforma no corpo de Cristo e o vinho, por sua vez, no sangue do imolado. Todo católico DEVE crer na transubstanciação para se dizer como tal. Portanto, trata-se de um ritual de antropofagia (ou teofagia, se preferir), que em nada fica atrás do ritual dos índios.”

    Sinto muito ter que dizer isso, mas não se trata de um ritual de antropofagia, pois o rito da santa ceia é apenas um simbolismo. O pão REPRESENTA o corpo de Cristo, mas não É o corpo de Cristo. Não há simbolismo no ritual dos índios, e sim é tudo literal. Cristãos não comem carne humana e nem bebem sangue na Ceia, que são meramente símbolos.

    “Aliás, sugiro também que não utilize Rousseau de uma maneira tão tacanha como o fez acima. Leia Rousseau, discuta Rousseau e não utilize-o meramente como instrumento de uma argumentação enviesada tomada por empréstimo de pessoas sem nenhum caráter.”

    Mais uma vez você não refutou meus argumentos. Não refutou análise que fiz do livro O BOM SELVAGEM. Ao contrário, mais uma vez você desqualificou o que eu disse. Porque ainda se esconde usando esse método. O que eu disse sobre Rousseau que estava errado? Quais foram os meus erros teóricos? É dessa forma que se refuta um argumento. Mostre que o que eu disse é “tacanha”.

    “Quanto a usar argumentos para refutar as suas sandices, como disse na minha primeira resposta, optei por não fazê-lo, dado o ridículo ao qual você se expôs [e continua se expondo] ao comentar o meu post. Como não considerar uma profunda estupidez argumentos do tipo: “se acha que estou desrespeitando a cultura dos índios, então, se seu filho nascer com síndrome de Down, por que não enterra ele vivo no quintal?””

    Pela enésima vez, usou o bom e velho argumento retórico, que é desqualificar o adversário. Mas dessa vez, tentou mostra a minha insignificância dizendo algo assim: “Ele não vale nem a pena responder”. Tem razão! Afinal de contas, quem sou eu para me atrever a questionar? Não sei eu que terei tal pretensão. Porque o meu argumento é estúpido? Essa é a grande questão que ainda não respondeu e ainda se recusa a responder.

    Entenda uma coisa: os índios são seres humanos, nem piores e nem melhores que qualquer outra pessoa. Eles cometem erros assim como todo mundo, e são gananciosos, egoístas, mesquinhos e desonestos como qualquer pessoa. Só por que eles vivem em uma selva, não quer dizer que sejam “puros” ou que tenha alguma aura de pureza moral ou seja qual for. Os índios matavam seus inimigos tribais, roubavam comida de outras tribos, e ampliavam seu território.Diferentes dos europeus? Não.

    • Ok Thiago, honestamente, não vou ficar perdendo meu tempo discutindo Narloch e Transubstanciação com você. Quanto a isso, creio que o que tinha que ser dito já foi dito e se você pretende utilizá-lo como fonte de conhecimento histórico, vai fundo, como disse a professora Maria Lígia Coelho Prado, todos saberão quem faz o papel do desonesto e do bobo desonesto.

      Att.

      RB

  9. Aliás, quanto a questão dos índios, em nenhum momento eu disse que os índios são “puros” ou que tenham “aura de pureza”, isso foi você quem inferiu. Não coloque palavras suas em minha boca, pois eu realmente não penso da mesma forma rasa e tacanha como você demonstrou aqui.

    Você quem fez um comentário raso falando que “os índios deram suas terras em troca de mercadoria e apoio para matar os inimigos”. Não sendo suficiente a primeira besteira, passou a falar absurdos maiores sobre a cultura de determinados grupos indígenas… enfim, desnecessário repisar cada uma das bobagens que você postou por aqui. Só não afirme serem minhas palavras suas inferências absurdas sobre o que você pensou a respeito do que eu disse. Quem parece que não leva em consideração que os índios são humanos é você, e não eu.

    Att.

    RB

    PS1: Jorge Caldeira não é historiador; Serafim Leite foi um padre, escritor e poeta que escreveu a História da Companhia de Jesus no Brasil (10 vols) antes de existirem universidades e, por isso, foi um auto didata (o que não lhe tira o mérito), porém é um homem de seu tempo (como todos os homens o são) e seu trabalho é datado e bastante criticado pela historiografia recente produzida no Brasil sobre os indígenas (John Monteiro, Fernanda Sposito, Manuela da Cunha, etc).

    PS2: Quanto as outras citações, elencá-las fora do contexto, sem dizer o que eles escreveram e pretender que eles dão suporte a suas informações absurdas, isso sim é desonestidade. Warren Dean e Maria Regina Celestino, por exemplo, estão na contramão de tudo o que você afirmou aqui. Você age, tal como Narloch, de acordo com o procedimento de referir-se a uma fonte bibliográfica de prestígio para referendar ou legitimar conclusões bastante diferentes daquelas defendidas pelos autores. A voz de autoridade desses autores que você mencionou, é utilizada apenas para conferir credibilidade aos seus argumentos tacanhos. Isso sim é muito desonesto!

  10. André Augusto Custódio

    O Pondé tá certo…

    E digo mais: esse negócio de indigenismo, assim como outras tantas políticas introduzidas e abundantemente financiadas desde o exterior, só servem para desestabilizar o país, inventando conflito para jogar uns contra os outros e depois entregar tudo para a ONU.

  11. Bruno

    Credo, o que que está acontecendo com os brasileiros?

    Basta agora criticar um dos “grandes” homens da direita, seja no que for, que do nada surgem milhares de fanáticos para defendê-los.

    Será que esse Pondé estudou tanto assim? Recuso-me a acreditar que um homem com título de doutor tenha um pensamento tão minúsculo…

    Será mesmo que a única forma de coexistir em sociedade é seguir o modelo atual?
    Trabalhar numa fábrica para ganhar uns trocados a vida inteira, é isso mesmo que os índios devem fazer?
    Os índios tem suas próprias formas de viver em sociedade, sua própria organização, estão aqui muito antes de nós, então qual é o sentido em querer ditar como devem ou não viver?

    Se este cara é um filósofo, tenho medo do que pode sair da cabeça de um ignorante.

  12. Parabéns, Pondé, faço minhas suas palavras.

  13. Simone Cuba

    Fiquei chocada com o texto do Pondé. Uma visão extremamente simplista, e equivocada de uma situação muito complexa, que a situação dos índios no Brasil.
    Simone

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