A Folha de S. Paulo e os gastos de Dilma com os programas sociais

Neste domingo, dia 03 de fevereiro, a Folha de S. Paulo publicou reportagem no caderno PODER com a seguinte manchete:

Charge de Latuff sobre as relações da Folha de S. Paulo com o PSDB

METADE DOS GASTOS DE DILMA VAI PARA PROGRAMAS SOCIAIS
Recursos pagos diretamente a famílias representaram 50,4% das despesas do governo federal no ano passado.
Previdência, amparo ao trabalhador e assistência levam 9,2% do PIB; maior expansão é do Bolsa Família.

Realmente, não dava para esperar coisa diferente desse veículo de comunicação. Apenas pelo cabeçalho da reportagem, já é possível perceber a Folha oferecendo matérias para municiar a opinião pública do seu leitor médio. Ao olharmos o corpo da reportagem, vemos que além de falar que o Brasil gasta maior parte de sua arrecadação com programas assistenciais, tal como prenunciava a manchete, há também um destaque para o que a Folha chamou de “anômala taxa de impostos brasileira”, comparando a economia do Brasil com a de outros países latino-americanos e asiáticos em clara crítica à maneira como o o atual governo brasileiro destina os recursos arrecadados com os impostos.

“São proporções sem paralelo entre países emergentes, o que ajuda a explicar a também anômala carga de impostos brasileira, na casa de 35% da renda nacional. Na maior parte das economias latino-americanas e asiáticas, a arrecadação dos governos varia entre 20% e 25% do PIB -apenas recentemente, a Argentina chegou aos patamares do Brasil.”

Ainda segundo a reportagem, o maior vilão que fez com que as despesas com gastos sociais atingissem níveis recordes no ano passado, foi o AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO de 7,5% acima da inflação, aumento o qual a Folha destaca ter sido o maior desde o ano eleitoral de 2006, fazendo clara associação entre o aumento do salário mínimo e o fato de 2012 ter sido ano eleitoral nos municípios brasileiros.

“As despesas recordes do ano passado foram alimentadas pelo aumento do salário mínimo de 7,5% acima da inflação, o maior desde o ano eleitoral de 2006.”

Não foi apenas o aumento do salário mínimo o culpado de elevar os gastos federais com programas assistenciais a níveis recordes. Segundo a Folha, outro vilão dessa história foi a diminuição na taxa de desemprego e a consequente formalização da mão de obra. Segundo a reportagem de Gustavo Patu e Gitânio Fortes:

“O abono salarial cresce ainda com a formalização da mão de obra, uma vez que trabalhadores sem carteira não têm direito ao benefício. Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou taxa de desemprego de 5,5% em 2012, a menor da série histórica anual iniciada em 2003.”

Aquilo que boa parte da população brasileira e a comunidade internacional entende como um programa exemplar e uma maneira de aliviar os efeitos da pobreza no Brasil, a Folha de S. Paulo trata como algo prejudicial para a economia do país e exemplo de mau governo.

Rema Nagarajan, jornalista do Times India enviada ao Brasil para estudar programas como o SUS e o Bolsa Família.

Na contramão do que afirma a reportagem da Folha, Rema Nagarajan, jornalista do Times India enviada para estudar o SUS e o programa Bolsa Família,  questiona se um único programa assistencial pode ser considerado a solução mágica para alívio da pobreza em matéria publicada no Dowser em dezembro de 2012. Para Nagarajan a resposta é NÃO. Segundo a jornalista indiana, atualmente ainda são necessários outros programas de assistência social para complementar o Bolsa Família e fazer com que ele funcione de modo eficiente da maneira como está implementado. Segundo ela:

“For Bolsa Familia to work as it is meant to, it is important that government programs such as SUS and other social assistance programs that provide subsidized electricity, transport and housing also work efficiently. Otherwise, it would be a typical case of giving money with one hand and taking it away with another.”

Em tradução literal, Nagarajan disse:

“Para que o Bolsa Família funcione como foi planejado, é importante que programas governamentais como SUS e outros programas de assistência social que provém eletricidade subsidiada, transporte e moradia também funcionem de modo efetivo. Caso contrário, seria um típico caso de dar dinheiro com uma mão e tirar com a outra.”

Voltando à reportagem da Folha, se não quiser ficar na simples má intenção dos jornalistas que escreveram a reportagem e do veículo que a publicou, considero, no mínimo, curioso ver a maneira como a reportagem faz questão de usar a palavra “clientela” para designar os beneficiários dos programas sociais. Ao falar do Bolsa Família, por exemplo, a reportagem diz:

“A expansão mais aguda de despesas se dá no Bolsa Família, que paga benefícios não vinculados ao salário mínimo a uma clientela cadastrada pelo governo entre famílias pobres e miseráveis. (…) Em consequência, a despesa com a clientela de 13,9 milhões de famílias saltou de R$ 13,6 bilhões, no fim do governo Lula, para R$ 20,5 bilhões no ano passado.”

Não precisa ser muito esperto para perceber a evidente a intenção por trás de afirmações como estas. Ao identificar os beneficiários de programas sociais com a palavra “clientela”, os autores da reportagem pretendem associar os programas de Dilma com a prática política do clientelismo, isto é, a troca de favores na qual os eleitores são encarados como “clientes”.

Como bem disse o amigo historiador José Miguel Marcarian Júnior:

“(…) clientela, anômalo, e o gráfico, como disse um amigo, transformando dois pontos percentuais em um abismo gráfico. Agora, se o desemprego diminui, mais gente deixa de ser informal, mais gente contribui e mistura no mesmo saco direitos [conquistados após] décadas [de lutas] com conquistas desse governo.

A matéria tenta dar a entender que por apenas dois reais, tecnicamente, o miserável não deixa de sê-lo. O jornalista seria (…) um tolo burguesinho burro que não sabe que com dois reais se compra um quilo de farinha e um quilo de farinha é mais que nenhum quilo de farinha.” 

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4 Comentários

Arquivado em Jornais, Política

4 Respostas para “A Folha de S. Paulo e os gastos de Dilma com os programas sociais

  1. luizmullerpt

    A grande mídia, assim como a oposição, esta completamente perdida e desfocada da realidade. O Bolsa Família representa apenas 0,46%, isso mesmo, menos de 1% do PIB. Já a Previdência Social, que faz parte do sistema de seguridade social, vai sim aumentar os gastos, quanto mais trabalhadores houverem formalizados. É assim em qualquer país do mundo. Mais desenvolvimento tem que significar mais direitos para a classe trabalhadora. É o Estado do Bem Estar Social. A folha deveria é apresentar os índices de tributos na Europa, e não fazer comparações do Brasil com Asiáticos como Índia e China, onde os trabalhadores não tem muitos direitos e não tem um sistema de seguridade social que os ampare quando acontece um infortúnio. São canalhas e golpistas. Escrevem pra elite escrota tão bem retratada nas falas da socialite Danuza Leão. Não leio e não compro estas porcarias. Tampouco compro produtos e serviços anunciados nelas. E fico “P” da cara que o governo ainda esteja colocando publicidade para estes cafagestes. Tá na hora da Lei dos Meios.

  2. Egídio Bortoletto

    PARABÉNS DILMA ESTA NO CAMINHO CERTO!!!!!

  3. Luiz

    É exatamente isso. Bolsa Voto…
    Ao identificar os beneficiários de programas sociais com a palavra “clientela”, os autores da reportagem pretendem associar os programas de Dilma com a prática política do clientelismo, isto é, a troca de favores na qual os eleitores são encarados como “clientes”.

  4. Moro na Alemanha mais Continuo cidadan brasileira c/votaçao e tudo e acredito que o Governo Esta no caminho certo …so temos acaba com a corropiçao p deiça a clase Medie e a Politica policia Mais linpa e mais pe da Vida . ..pois o seistema com fucionario e empregada domestica; que ja fuciona aqui ;nao podemos pagar nen uma hora de trabalho a un privado sen pagar dos seus direito no seitema trabalista .pois os pobres e Alguen que Vive na miseria nao poder subornar.: Poren ser…o que triste e me doer muito . Mais acredito que o imporssivel ainda vai ser realidade(EscolaTrabalho Saude vai ser direito de todos ser humano sem distiçäo)
    Marquiscilene Bäeurle

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