Nota de Repúdio da Frente Pró-Cotas Raciais da USP sobre o PIMESP

O Hum Historiador abre espaço para repercutir a nota de repúdio da Frente Pró-Cotas Raciais da USP sobre o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (PIMESP).

Abaixo segue a nota na íntegra:

Em novembro de 2012, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, auxiliado pelos reitores das três universidades públicas do estado (USP, Unicamp e UNESP), veio à público anunciar um programa de cotas para as respectivas instituições. O projeto, denominado Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (PIMESP), tem como objetivo a “inclusão com mérito”, ou seja, os estudantes cotistas terão suas vagas garantidas para um college (sistema americano de ensino, em que o aluno faz um curso básico antes de escolher uma especialidade) semipresencial. Após dois anos, de acordo com a nota que obtiver, o aluno poderá escolher um curso. Consideramos que submeter a um “reforço” os alunos aprovados no vestibular pelo sistema de cotas é ilegítimo. Instituir o college seria reforçar uma discriminação negativa e acreditamos que tal “ensino à distância” isola tais estudantes em seu acesso à universidade. Dois anos de espera irão atrasar o desenvolvimento educacional e profissional dos estudantes cotistas, desestimulando sua permanência na universidade.

A ideia implícita em tal programa é a noção elitista e racista de que os estudantes cotistas seriam um entrave ao desenvolvimento da universidade caso não dotados de mesmo “conhecimento” que os estudantes não-cotistas supostamente possuem. Consideramos tal ideia ilegítima dado que pesquisas apontam que o desempenho de cotistas é igual ou superior ao dos demais estudantes e de que nenhum estudante deve ter seu conhecimento medido e reduzido às lógicas de mercado vigentes nas universidades atualmente.

Além disso, criticamos o fato de que, no PIMESP, não há desvinculação entre cotas raciais e sociais, ou seja, destinar o percentual de cotas raciais de acordo com a composição étnico-racial do estado não irá incidir sobre o total de vagas, mas dentro dos 50% de vagas destinados a estudantes de escola pública (o que reduz o percentual de cotas por critério racial, portanto). Por fim, no que diz respeito à permanência, alunos com renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo (R$933,00) receberão uma bolsa-auxílio de R$311,00, abaixo do valor das bolsas oferecidas atualmente aos alunos, como no caso da USP, que são em torno de R$450,00.

Esse programa é uma ofensa aos anos de luta que os movimentos sociais travaram para garantir acesso e reparação à população negra e pobre. Repudiamos completamente esse programa e exigimos que a implementação de cotas seja feita em conjunto com os movimentos sociais. Há espaços criados que vem discutindo isso, como a Frente Pró-cotas Raciais do Estado de São Paulo, que tem total capacidade de criar um programa que atenda de fato à população negra. Uma das tarefas que cabem à Universidade de São Paulo é a de promover políticas significativas de inclusão e permanência da população negra e pobre. A responsabilidade social da USP é posta em xeque com a decisão unânime do STF, em 2012, de que as cotas raciais são constitucionais. A Frente Pró-cotas Raciais da USP espera que possa ser implantado um projeto de ação afirmativa que efetivamente dialogue com as reivindicações históricas do movimento negro e da esquerda.

Não aceitamos uma proposta que venha “de cima para baixo”.

Venha participar:

Ato contra o PIMESP organizado pela Frente Pró-cotas Raciais do Estado de SP

Dia 28/02. A partir das 16h, na Sé. E depois, às 18h, na Faculdade de Direito da USP.

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5 Comentários

Arquivado em Educação, Política, Universidade

5 Respostas para “Nota de Repúdio da Frente Pró-Cotas Raciais da USP sobre o PIMESP

  1. João

    Acho que todos aqueles que defendem sistema de cotas deveriam ser enquadrados por crime de racismo e processados por danos morais e injuria pois, consciente ou inconscientemente estão negando a capacidade intelectual do negro de ingressar em uma faculdade por méritos próprios, tenha ele estudado em escola pública ou particular, porque a cota vale para ambos. Fui!

    • A defesa de cotas não tem nada a ver com a capacidade intelectual do negro, mas com a correta avaliação de que até a atualidade, a populaçao negra nao tem as mesmas oportunidades que a população branca, não por nao ter tentado, mas por ter ocorrido varias medidas que boicotassem a participação do negro na sociedade. Medidas que inclusive partiram do Estado.

    • Joao Firmino da Cunha

      A correta avaliação da atualidade segundo a nossa colega e a realidade onde o direito dela prevalece em relação ao direito dos outros.

      A correta avaliação da colega e aquela em que ela pode – pelo simples fato de estar bronzeada – tirar o direito de outras pessoas.

      E a “correta avaliação da realidade” da nossa colega nao permite que ela faca exame de DNA para ver se e 100% afro-descendente, pois dessa forma, essa sim, CORRETA, essa grande fraude cairia por água abaixo.
      Ela e uma racista do pau-oco. Defende o favoritismo RACIAL sem testes de DNA em um pais onde NAO EXISTEM RACAS.

      Nesse jogo do “se colar colou” quem tiver mais cara te coitado ganhou. Vamos la italianos, vocês vieram pro Brasil como escravos, … mas estão perdendo pontos na hora de contar suas historias. E vocês, portuguses, 99% vieram fugidos (e fudidos – e muitos assim permanecem), contem a verdade. Lembrem-se: contem historias onde so ha amarguras, perda de parentes em navios, dificuldades mil etc. E nao se esqueçam: vocês sao eternos pobres coitados que merecem um estado-baba para cuidarem de vocês mesmo que vocês nao precisem ou nao queiram.

      Ou preferem ter seus direitos absolutamente usurpados ?

      • João,

        Para não ser grosseiro com você, sugiro que procure se informar sobre a história do Brasil e, em especial, a escravidão no Brasil. Talvez, se você ler o que a historiografia tem produzido sobre o assunto, quem sabe jamais voltará a escrever o que postou aí acima.

        Att.

        RB

  2. EMILLIA SANTOS

    Achei mt boa colocação do Joao Firmino. Só lamento ele ter sido deselegante.Mas a ideia é essa msm. Tomara é q a USP e cia tenham mantido o posicionamento e nao tenham cedido a essa anticonstitucional política de cotas q ainda coloca acadêmicos em salas de aula q mts vezes nem sequer saber interpretar um texto e escrever cm uma aluno q acessa um nível superior.

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