Comissão da Verdade: entidades denunciam golpe do reitor da USP

publicado originalmente no VIOMUNDO em 08.mai.2013

CANETAÇO DO REITOR IRRITA SERVIDORES E ESTUDANTES
por Luiz Carlos Azenha

Atual reitor da USP, João Grandino Rodas

Foi uma longa e árdua campanha (aqui, o blog), desde maio de 2012, das entidades que congregam os servidores e estudantes da Universidade de São Paulo pela instalação de uma Comissão da Verdade. A ideia era de que ela fosse formada por representantes de professores, funcionários e estudantes, além de membros do conselho universitário. Todos consideraram um avanço o fato de a reitoria ter aberto negociações para tratar do assunto.

No entanto, agora as entidades se dizem vítimas de um golpe do reitor João Grandino Rodas, que descartou as negociações em andamento e decidiu nomear ele mesmo a Comissão da Verdade, integrada por sete membros: Dalmo de Abreu Dallari, da Faculdade de Direito (FD), na qualidade de presidente; Erney Felicio Plessmann de Camargo, do Instituto de Ciências Biomédicas; Eunice Ribeiro Durham e Janice Theodoro da Silva, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH); Maria Hermínia Brandão Tavares de Almeida, do Instituto de Relações Internacionais (IRI); Silvio Roberto de Azevedo Salinas, do Instituto de Física (IF); e Walter Colli, do Instituto de Química (IQ).

As entidades que se dizem traídas pelo reitor consideram que uma Comissão nomeada por ele não terá a autonomia e independência necessárias, contará com um prazo muito exíguo para a apuração — 12 meses — e terá um número muito pequeno de integrantes para aprofundar as investigações, já que os sete indicados cumprem várias outras funções profissionais.

Ou seja, acreditam que o objetivo do reitor foi limitar a apuração sobre os 47 assassinados ou desaparecidos pela ditadura militar que tinham relação com a USP, sobre os professores cassados e aposentados compulsoriamente, sobre os estudantes que não puderam concluir seus cursos e sobre as mudanças no projeto pedagógico impostas pela ditadura através de intervenções nos departamentos das unidades.

No post publicado por Azenha para o Viomundo é possível ouvir a denúncia de Renan Honório Quinalha, da Associação dos Pós-Graduandos, que havia sido indicado pelos estudantes de pós-graduação para compor a Comissão.

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