Carta aberta da professora Marlene Suano – DH-USP- acerca de possíveis procedimentos duvidosos da CCP da pós graduação em História Social no processo seletivo para acesso ao programa.

Caros Alunos, Prezadas Alunas,
 
Segue abaixo dois textos sobre o processo de avaliação para o ingresso na pós-graduação do Departamento de História. O primeiro texto, “O Reino dos Sem Critério” é de autoria da profa . Marlene Suano. O segundo texto, “A propósito da carta aberta da profa. Marlene Suano”, é uma resposta do prof. Marcelo Rede. Os textos circularam na forma de email entre docentes do Departamento e gestores da Univesidade. Segue agora para ampla divulgação entre os alunos de graduação e pós-graduação do Departamento.
 
Cordialmente,
Mauricio Cardoso e José Vasconcelos.
 

1o Texto:

O Reino dos Sem Critério

 

Prezados alunos, colegas do DH, colegas da FFLCH, funcionários dos setores de Pós-Graduação da FFLCH, Senhor Diretor, Senhor Pró-Reitor de Pós-Graduação, Senhor Reitor,

 

Esta é uma carta aberta,  para não nascer nenhuma dúvida sobre “erro de instância” a quem se dirigir.

Deparei-me, para surpresa de professor que não tem habilidades com lides burocráticas e administrativas, com um pequeno Frankenstein que começa a respirar como Rei: as CCPs – Comissões  Coordenadoras de Programas – de Pós-Graduação, em nossa Faculdade.

No Depto. de História da FFLCH, onde desde aluna lutei pela transparência e ética de comportamentos e procedimentos, está sendo praticada a seleção  de alunos para o programa de História Social com algumas características que causam vergonha e que jogam na lama décadas de história de um departamento que sempre lutou pela democracia, respeito e ética na Universidade e na sociedade:

— Não há comissão para correção das provas

— Não há critérios para correção das provas (escritas!)

— Professores avulsos leem (se quiserem), quantas provas quiserem, com critérios individuais, indefinidos  e, claro, com o peso (ou leveza) da própria formação.

— A partir disso as provas (escritas) são Aprovadas ou Reprovadas  e o veredito está lançado, SEM NOTAS, com acesso dificultado de vistas às provas até mesmo a professores do programa.

— Recursos são aceitos e processados no mesmo modelo da correção inicial.

Esses são os dados de fato, Maio de 2013.

Diante de tal aberração, dirigi-me por escrito, declarando toda minha vergonha diante do descalabro, ao chefe do DH e ao Coordenador da Comissão Coordenadora de Programa de História Social.  

Recebi da Coordenadoria da CPC  de História Social resposta tão inaceitável do ponto de vista da ética acadêmica, tanto por escrito quanto oralmente, que é melhor, nesse momento, ignorar seu conteúdo.

Porém, imaginando que eu poderia estar ainda sonhando com minha velha Faculdade de Filosofia e que esse era mais um choque com a “fefeleche”  que desconheço, fiz um levantamento do universo da pós em nossa Faculdade.

O levantamento causou-me grande alegria, pois a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas possui 27 programas de Pós-Graduação e, entre esses, 22 possuem claros critérios de seleção de alunos, transparência de procedimentos e nenhuma prática secreta.

O Programa de Pós-Graduação em História Social está, portanto, entre aqueles remanescentes 23% de programas que ainda DESACATAM os direitos básicos dos candidatos.

Excelente notícia, pois os 77% de programas sadios poderiam, obviamente, promover a melhoria dos  5 restantes, senão por inspiração, pelo menos pela constrição que a vergonha de praticar desrespeito ainda pode causar.

Constatei, infelizmente, minha inocência  em ter tido tal esperança.

Novos Dados

Embora os Departamentos ainda sejam a menor unidade administrativa da Universidade, as CCPs conseguiram construir um monstro sem cabeça: não dependem dos departamentos onde estão vinculados seus professores e seus funcionários e dos quais dependem inclusive fisicamente.

A CCP que quiser dar asas à sua imaginação autoritária, dispõe de várias vertentes:

— tais comissões são eleitas pelos professores dos programas (que têm vínculo com os Departamentos) e, a partir daí, cessam os contatos – e o respeito.

— as comissões giram à roda solta, qual privilegiado grupo de sociedade secreta, não respondendo a ninguém senão a seus próprios membros (se tanto!).

— dependem, regimentalmente, da CPG – Comissão de Pós-Graduação – da unidade de ensino, isto é, da Faculdade.

— Pelo artigo 35 do Regimento de Pós-Graduação da USP,  cabe à CPG , entre outras, a responsabilidade de “traçar as diretrizes e zelar pela execução dos Programas de Pós-Graduação”. 

Imaginando que de tal faria parte a seleção de alunos e seus critérios, continua-se a leitura para se descobrir que deve a CPG:

“homologar e divulgar a relação dos candidatos selecionados para ingresso na Pós-Graduação, apresentada pela CCP” (item XV do art. 35).

 

ATÉ AQUI, PORTANTO, NADA DE SE SUGERIR COMO A SELEÇÃO SERIA FEITA.

 

Bem intencionados, supomos que a seleção será sempre a melhor e a mais honesta maneira possível.

 Como dito acima, 77% de nossos programas de pós optaram por esse caminho em seus editais.

 

No entanto, o item VIII do Art. 40 estabelece que cabe à CCP :

 

“- coordenar o processo seletivo do Programa de Pós-Graduação e designar os membros da comissão de seleção, quando necessário –“

 

E A CCP DE HISTÓRIA SOCIAL DO DH NÃO JULGA QUE TAL SEJA NECESSÁRIO.

 

Ou seja, “regimentalmente”, a CCP pode considerar como “não necessário” designar comissão de seleção para triar mais de 150 provas escritas, preferindo o sistema do “corrige quem quiser e como melhor lhe aprouver”.

O Regimento da Pós-Graduação da USP PERMITE A ABERRAÇÃO ANTI-ÉTICA e ANTI-ACADÊMICA para quem quer agir de maneira leviana.

Os alunos? Ora, os alunos são um mero detalhe, sem maior relevância. Afluindo à USP de todos os estados do País, podem ser tratados com a soberba e a prepotência dos que não julgam necessárioter critérios definidos e públicos para aceitá-los ou não.

Rodas investe em “internacionalização”, o Programa de História Social do DH envolve-se em vistoso acordo pós-doutoral com a França: e os alunos mortais comuns que se consolem.

Talvez os inocentes que prestaram o último exame de seleção de História Social deverão mesmo se consolar, pois os burocratas se apoiarão no edital do concurso de seleção e no Regimento da Pós.

Se seguirmos o caminho administrativo e pedirmos à CPG  que considere a impropriedade da maneira de agir da CCP de História Social, como ficaremos?  Não seria meio complicado o Presidente da CPG julgar o que ele próprio implanta na CCP de História Social, como seu Coordenador?

FICAREMOS MANIETADOS POR UM REGIMENTO FRANKENSTEIN-REI?

Mas o Regimento está sob discussão.  E os membros da CCP do programa de História Social se reunirão dia 10, segunda-feira próxima, às 17h, para debatê-lo.

Foi-me dito, por um dos membros da referida CCP, que ao invés de reclamar e “fazer escândalo”, eu deveria participar, ir discutir o regimento nas reuniões convocadas para tal.

ACEITEI O CONSELHO E GENTIL CONVITE.  E acho que todos os interessados em nossa Universidade deveriam aceitá-lo também.

A pergunta que não quer calar é:

o que vencerá na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP?

 A opção dos 77% de programas criteriosos e de gestão transparente, herdeiros que honram Cruz Costa, Cândido, Florestan, Cavalcanti, Ianni, Luis Pereira, Ruy Coelho, Petrone, Aziz, Milton Santos, Barradas, Emilia Viotti  e dezenas de outros,

ou

os 23%  sem critério, tão bem representados  pela CPC de História Social ?

 

Marlene Suano

DH-FFLCH-USP

06-06-2013

________________________________
 Carta divulgada pelo DH-USP via e mail institucional da Universidade de São Paulo.
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