Fernando Haddad trai a periferia de São Paulo

Seguramente o aumento na tarifa de ônibus na cidade de São Paulo e o posicionamento de Fernando Haddad diante das manifestações ocorridas na capital em decorrência desse aumento deve ser considerado como uma traição do prefeito à parcela da população que o elegeu para o cargo.

Para quem não se recorda, abaixo segue o mapa da distribuição dos votos nos dois turnos, com a indicação em vermelho dos locais onde Fernando Haddad ganhou as eleições.

Raio x das eleições  resultados por zona eleitoral de São Paulo   UOL Eleições 2012

Eleito pela periferia pobre de São Paulo, o aumento atinge em cheio essa parcela da população que, acreditando que o prefeito representaria uma mudança em relação as gestões anteriores quanto a atenção às áreas mais carentes da cidade, abraçou sua campanha em uma virada histórica.

Mas diferentemente da imagem de renovação que sua campanha nos empurrou no ano passado, Haddad seguiu os passos das desastradas gestões de Gilberto Kassab e penaliza a população com mais um aumento na tarifa do transporte público. Abaixo segue uma evolução do aumento da tarifa desde 1994, quando custava R$ 0,50, até os atuais R$ 3,20.

Evolução no aumento da tarifa de ônibus 1994-2013

Fonte: Terra

Na primeira gestão de Gilberto Kassab, a passagem que em 2005 custava R$ 1,70, foi reajustada para R$ 2,00 em 2006 e para 2,30 em 2007, mantendo-se nesse patamar até o ano de 2011, já durante a segunda gestão de Kassab, quando foi reajustada para R$ 2,70 e, no ano seguinte, foi novamente reajustada para R$ 3,00.

Segundo a arte preparada pela equipe do Terra, de acordo com a inflação, com dados básicos de correção pelo IPCA (IBGE), a passagem de ônibus que custava R$ 0,50 em 1994, deveria custar R$ 2,16 em maio de 2013, já que de lá pra cá, a alta da inflação foi de 332%. Percebam no gráfico, acompanhando o traço verde, que o momento em que o aumento da tarifa supera a inflação se dá entre 1999/2000, durante a famigerada gestão de Celso Pitta. De lá pra cá, a tarifa tem invariavelmente se mantido acima da inflação, tendo o maior salto ocorrido entre 2010-2012, como demonstra o gráfico. Haddad, agora, mantém a tendência de aumento do gráfico e, assim, representa uma continuidade com a gestão Kassab, traindo seus eleitores.

Como se isso não fosse suficiente, o que tem incomodado ainda mais a base eleitoral de Fernando Haddad é ver os posicionamentos do prefeito estarem em linha com o do governador Geraldo Alckmin (PSDB), símbolo máximo [junto com José Serra], de tudo aquilo que a população paulistana repudiou no último pleito eleitoral. Pior que isso, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT) afirmou nessa última quinta-feira  que está “à disposição para ajudar o governo de São Paulo nos episódios dos protestos contra o aumento da tarifa do transporte público.” Segundo a reportagem, Cardozo afirmou que crimes e “atos ilícitos” são da alçada da polícia estadual, mas afirmou que o governo federal poderá apoiar as autoridades locais caso seja acionado.

“O governo federal está à disposição para aquilo que for necessário, para aquilo que nos for solicitado pelo governo do estado de São Paulo ou por qualquer outro governo que acredite que nós possamos ajudar nessa área”.

Charge Latuff Passe Livre

Charge de Carlos Latuff

É o PT e o PSDB se aliando para atacar a população que se manifesta contra o abuso dos seguidos aumentos da passagem de ônibus. Do outro lado, a população promete não ficar parada diante de tais abusos e se reorganiza para na próxima segunda-feira, dia 17/06/2013, realizar a 5a. manifestação contra os aumentos da tarifa. Dessa vez o encontro se dará no Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, as 17h00. Estão todos convocados a participarem desse ato de cidadania contra os abusos e desmandos dos governos municipal e estadual.

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3 Comentários

Arquivado em Política

3 Respostas para “Fernando Haddad trai a periferia de São Paulo

  1. Suvaco

    O legal de um texto é o que não está escrito nele.

    O salário mínimo subiu acima ou abaixo do valor da passagem?

    O bilhete único não teve nenhum impacto no peso do transporte público?

    Hum?!?!?

  2. Marcos

    Na gestão de José Serra, iniciada em 01/01/2005 e terminada em 31/12/2008, pelo seu vice, pois Serra renunciou em pouco mais de um ano de mandato, em 31/03/2006.

    Serra, como prefeito, bateu o recorde de reajuste de tarifa com menos dias no cargo.

    Serra após 63 dias como prefeito subiu a tarifa de R$ 1,70 para R$ 2,00,
    e em 30/11/2006, seu vice, Kassab, a elevou para R$ 2,30.

    Onde estavam os “manifestantes” neste período?

    No Orkut ?

    • Caro Marcos,

      Se você prestou atenção ao que eu escrevi acima, apontei justamente os aumentos ocorridos durante a gestão Serra/Kassab para dizer que com o presente aumento, Haddad se alinhava com os prefeitos anteriores ao penalizar a população com o aumento da tarifa. Não sei onde estavam os manifestantes no período e nem estou questionando se há ou não infiltrados nas manifestações (já que está claro que há). Minha crítica foi clara e objetiva, com o aumento que havia dado, Haddad traiu aqueles que haviam votado nele acreditando que ele representaria uma mudança em relação as gestões anteriores.

      Att.

      RB

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