Marcha para Jesus na praça Heróis da FEB e a pulga que continua atrás da orelha

Neste último sábado (29), ocorreu na Zona Norte de São Paulo a 21ª edição da marcha para Jesus. Os participantes se concentraram em frente a estação de metrô Luz e seguiram caminhando até a praça Heróis da FEB, em Santana. Em si, o trajeto percorrido pelos participantes da marcha já deixa uma pergunta no ar: nos tempos conturbados em que São Paulo vive, por que a organização da marcha para Jesus decidiu montar seu palco e os shows justamente na praça Heróis da FEB? Por trás de tal escolha, haverá uma mensagem que a liderança dos cristãos-evangélicos querem passar? Para quem eles querem passar essa mensagem?

Como não poderia deixar de ser, além do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), o polêmico pastor Silas Malafaia também estava na marcha e, antes do início dos shows no palco montado na praça dos Heróis da FEB, fez o “discurso político” do evento. Segundo reportagem de Thiago Varella, do UOL Notícias, Malafaia comparou a marcha aos protestos que estão sendo organizados em todo o país e disse aos fiéis que ali estavam reunidos: “Não estamos preocupados com reforma política. Queremos apenas menos roubalheira e mais governo”. Em resposta, os fiéis gritavam em coro “Jesus”.

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Pastor Silas Malafaia e deputado Marcos Feliciano acompanham marcha para Jesus na Zona Norte de São Paulo, em 29/jun/2013. Foto: UOL Fotos.

Ainda segundo a reportagem de Thiago Varella, Malafaia teria completado seu discurso dizendo que os evangélicos estavam dando exemplo de manifestação pacífica: “Aqui não tem palavrão, não tem quebra-quebra. Nós somos o povo evangélico, cidadãos dessa pátria. Nós vamos influenciar todo esse país. O Estado é laico, mas não é ateu”. Sobre a questão do projeto que ficou conhecido como “cura gay”, considerou que isso foi algo plantado na imprensa pelos homosexuais. Em seu discurso afirmou: “Sou psicólogo. Não conheço na psicologia a palavra cura. Desafio o presidente do Conselho Federal de Psicologia para um debate”.

Uma dentre as tantas coisas que mais preocupam no discurso de Malafaia (e que já havia sido apontado anteriormente em post deste blog), é o claro projeto de Malafaia e demais lideranças dos grupos neo-petencostais de alcançar o poder para intervir diretamente nas decisões políticas do país, criando cada vez mais um grupo forte e coeso para fazer lobby junto ao Congresso, ao Senado e à própria presidência da República. A frase “nós vamos influenciar todo esse país”, dita por ele em seu discurso, não deixa margem de dúvidas a esse respeito.

Outra preocupação que não sai da cabeça é o excesso de simbolismos que a marcha para Jesus carregou durante todo seu trajeto. Seja na escolha do local onde se daria o show, seja na necessidade de associar a marcha com as cores do Brasil, com um sentimento nacionalista e com críticas ao governo de Dilma Rousseff. Uma vez mais cabem as perguntas: a quem os líderes das igrejas neo-petencostais querem mandar suas mensagens? Estariam afirmando que se alinhariam, juntos com seus rebanhos, a grupos que decidissem tomar o poder à força?

A pulga não quer sair de trás da orelha…

As fotos da marcha para Jesus estão disponíveis no Álbum UOL do dia 29/06/2013.

Feliciano Eu Represento Voces

Deputado Marco Feliciano (PSC-SP) veste camiseta com a frase “Eu Represento Vocês” na 21a Marcha para Jesus. Foto: Avener Prado/Folhapress

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14 Comentários

Arquivado em Manifestações, Política, Religião

14 Respostas para “Marcha para Jesus na praça Heróis da FEB e a pulga que continua atrás da orelha

  1. “eu represento vocês” seu bando de ovelhas que acha que bíblia ensina política a esses condenados.

  2. Walter Moura

    Só viu coisa ruim? Malafaia tem direito de expressar seus pensamentos, eu tenho e você tem. Já faz alguns anos que a marcha é na praça Heróis da FEB, a versão original não era lá…Você sabe que isto foi uma sugestão da CET para interferir menos no Fluxo de Trânsito?

    • Caro Walter Moura,

      Malafaia tem direito de expressar seus pensamentos, assim como você também tem e qualquer outra pessoa deste planeta. Do mesmo modo, eu acredito que também tenho direito de criticar o pensamento e intenções de malafaia. Ou não tenho?

      Quanto ao fato de a marcha ser na praça Heróis da FEB, eu sabia que originalmente ela não ocorria naquele local, sendo que a mesma se organizou na Av. Paulista no primeiro ano. Contudo, meu texto é bastante claro ao deixar as perguntas no ar para que alguém ligado aos grupos ou que conhecesse as respostas as perguntas que fiz pudesse responder. Você, por exemplo, trouxe a informação de que o fato dela ser naquele local é uma sugestão da CET (dado que eu desconhecia). Por isso deixei a questão no ar: o que está por trás dessa escolha? Será uma mensagem? Pelo que você nos colocou, a escolha do local parece não se tratar de mensagem nenhuma, a reunião tem ocorrido no mesmo local há alguns anos.

      Contudo, ainda fico em dúvida com relação a carga simbólica observada nas fotos e, especialmente, com o discurso do Silas Malafaia. Com relação a este último, mantenho todas as minhas críticas feitas neste e no outro post a respeito do pastor.

      Att.

      RB

  3. Paulo Falcão

    O artigo em si é um exemplo de intolerância e autoritarismo. Se negros, gays, mulheres, estudantes, sindicalistas e outros grupos podem se manifestar e lutar por suas ideias e direitos, por que razão evangélicos, cristãos, judeus e (ou) muçulmanos não poderiam? O autor é do time que acredita que só pode ter voz quem concorde com ele. Quem discorda deve guardar um obsequioso silêncio. De fato, ele não tem a mais remota ideia do que significa Democracia e Estado de Direito.

    • Caro Paulo Falcão,

      Gostaria que você apontasse onde, em meu texto, fui intolerante e autoritário. Por favor, seria importante para que eu pudesse me retratar, se este for o caso. Até o momento não vejo sequer traços de intolerância e autoritarismo em uma palavra do que escrevi.

      Não me posicionei, em nenhum momento, contra o direito dos cristãos ou qualquer outro grupo de se manifestarem nas ruas. O que estou colocando em questão em meu texto é o quê eles estão manifestando. Aliás, coloco de modo bastante claro e em forma de perguntas, pois realmente não sei o que querem as lideranças dos grupos evangélicos demonstrar com a tamanha carga simbólica apresentada nesta última marcha para Jesus. Basta reler meu texto com cuidado e verá o que estou falando.

      Diferentemente do que afirma, não sou do time dos que acreditam que só pode ter voz quem concorda comigo. Sou do time dos que acreditam que posso e tenho a liberdade de criticar abertamente AS IDEIAS e INTENÇÕES (claras ou ocultas) de qualquer pessoa ou grupo, assim como qualquer pessoa ou grupo tem a mesma liberdade de criticar abertamente as minhas IDEIAS e INTENÇÕES. Ao contrário do que você afirma, não vejo como isso pode estar distante do significado de democracia e Estado de Direito. Esta aí mais uma coisa que você poderia me explicar.

      Att.

      RB

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      Yours, Carmen Ly

  4. Eu também tenho o direito de dizer que tudo isso me deixa muito desconfiado. Sempre é bom ficar atento.

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