Vivemos em uma sociedade doente que odeia conviver com suas crianças

Recentemente, eu e minha namorada decidimos ir até uma loja em um Shopping Center de São Paulo comprar um DVD para passarmos a noite de sábado assistindo a um bom filme, comendo pipoca e tomando vinho quando nos deparamos com um estabelecimento, ao lado de uma livraria, que parecia ser um Salão de Belezas para crianças. Neste local, uma menina que aparentava ter aproximadamente 3 ou 4 anos fazia as mãos em uma manicure, enquanto outra garotinha, com algo em torno de 6 anos, cortava os cabelos, fazia maquiagem e punha algum produto químico nas madeixas. Não vimos a presença dos pais dessas crianças no dito estabelecimento, o que nos fez julgar que, enquanto pais e mães faziam suas compras no shopping, manicures, cabeleileiros e animadores entretiam as crianças. No fim, após passarem algumas horas no shopping, os pais passavam no caixa e pagavam a conta pela comodidade de não terem que cuidar dos próprios filhos.

Uma das críticas que faço aqui, é voltada ao serviço dos “animadores de crianças” como símbolo de uma sociedade que não quer mais conviver com suas crianças. Eu não tenho filhos, apesar disso convivo com crianças devido a carreira que escolhi seguir como educador. Fiz estágio em escolas públicas e dei aulas de reforços para alunos da classe média-alta de São Paulo (Santo Américo, Pio XII, Miguel de Cervantes, Porto Seguro, etc. etc.). Além disso, tenho sobrinho e sobrinhas e vivo com uma pessoa que há anos dá aulas em escolas públicas, cursinhos e escolas particulares. Por isso acredito que ambos temos alguma propriedade ou conhecimento de causa quando falamos que esta sociedade não quer criar os próprios filhos. Pior que isso, é uma sociedade que não quer sequer conviver com eles.

A cada ano, é perceptível a presença cada vez maior de gente especializada em serviços para cuidar de crianças enquanto os pais trabalham ou fazem outras coisas. Quando dava aulas de reforço para os meninos da classe média-alta, sempre me surpreendia ao ver crianças de 10 a 14 anos com agendas repletas de segunda a sábado. Além da escola, tinham que fazer curso de um ou dois idiomas, aula de um ou dois instrumentos musicais, natação, balé, academia, etc. etc. Essas crianças diziam para mim que iam mal na escola, pois não tinham tempo de ler suas apostilas de História. O único horário que tinham disponível em suas agendas, e mesmo assim, nem todos os dias, era entre as 19h e as 22h, quando não queriam fazer nada, apenas ver TV ou jogar videogame. O que é perfeitamente compreensível.

Crianças que passam mais tempo com babás, seguranças, motoristas, guarda-costas, empregadas domésticas, professores de todos os tipos, personal trainers, e uma série de outros profissionais especializados do que com seus próprios pais. Durante a semana, no fim do dia, nos parcos momentos em que teriam para desfrutar da companhia dos pais, estes ainda estão trabalhando em seus empregos, ou levam serviço pra casa e se trancam em seus escritórios, enquanto os filhos, por sua vez, se trancam em seus quartos (isso quando os pais simplesmente não preferem ficar dormindo ou descansando em seus quartos). Dentro de casa, é comum que pais e filhos não convivam em um mesmo ambiente. Mal fazem uma refeição juntos. Um símbolo emblemático disso é que, em muitas casas, já é bastante comum que as salas de estar não tenham mais uma televisão. Estes aparelhos estão nos respectivos quartos das crianças e do casal.

Já no fim de semana, quando pais e filhos acabam saindo juntos e indo aos shoppings, os pais deixam seus filhos em Lan Houses ou nos salões de estética para crianças, como aquele que critiquei no início deste post. Segundo os depoimentos de alguns pais, é necessário que eles “dediquem algum tempo a si mesmos” e que possam desfrutar de “algumas horas de paz” no fim de semana. Ou seja, o convívio com as crianças não é visto como “um momento de paz”.

Isso fica ainda mais evidente quando chegamos na época das férias escolares, o verdadeiro terror de muitos pais. É sempre aquele grande problema descobrir o que fazer com os filhos que vão passar mais tempo em casa. É comum vermos nos telejornais matérias dando opções aos pais de onde levar os filhos durante as férias. Programas educativos, museus, clubes, exposições, atividades mil que ocupem o tempo das crianças e as tirem de dentro de casa, mesmo nos fim de semana, enquanto os pais podem estar ausentes realizando suas atividades cotidianas ou, simplesmente, tendo alguns momentos de paz. Vejam alguns exemplos abaixo:

Todo este cenário pode ser observado mesmo por quem não tem filhos ou não seja educador. Basta observar a sociedade em que vivemos. Ao deparar-me com o salão de beleza para meninas de 3 a 10 anos, não pude deixar de imaginá-lo como símbolo mais que apropriado de uma sociedade que prefere pagar, e pagar caro, para que alguém passe tempo com seus filhos. Como professor e educador do filho alheio, convivo com isso cotidianamente. Há mesmo uma queixa constante entre diretores, coordenadores pedagógicos e de todo o professorado à respeito dos pais que não conseguem passar os valores básicos do convívio social para suas crianças, acreditando que isso é dever das escolas.

Além dessa, há outra crítica explícita no meu status, que é a sexualização precoce das meninas. Cada vez mais cedo vemos crianças de 3, 4 ou 5 anos se fantasiando de mulheres. Linhas de maquiagens sendo desenvolvida por empresas de cosméticos para atenderem crianças com menos de dez anos. Crianças nessa faixa etária tingindo cabelos, falando de cirurgias plásticas, desejando ter o corpo mais assim ou mais assado, praticando o bullying com “gordinhas” ou “feinhas” que não se adaptam ao modelo de beleza que constantemente veem na televisão ou em suas próprias bonecas. Ou seja, uma sociedade na qual mulheres menores de idade são objetificadas até mesmo com mais frequência do que as adultas.

Segundo notícia da Reuters divulgada pelo Estado de S. Paulo, entidade estadunidense alerta para sexualização das meninas na TV. Na reportagem, é tocante o depoimento da ex-modelo Nicole Clark, que fez um documentário em 2008 intitulado “Cover Girl Culture: Awakening the Media Generation”.

“Nossas meninas estão sendo objetificadas sexualmente a partir dos 6 anos”, disse Clar, que está grávida e chorou diversas vezes durante a apresentação. “Como que as coisas ficaram tão loucas?”.

“Executivos do mundo televisivo estão roubando a inocência das crianças — se alimentando delas — disse, e suas vítimas não são fortes o suficiente para rejeitar as mensagens destrutivas.”

Nos Estados Unidos, recentemente, a Walmart anunciou uma linha de cosméticos dirigida a crianças de 8 a 12 anos. Faixa etária que a gigante dos supermercados chama de “Tween”, e que movimenta cerca de 24 milhões de dólares por ano em produtos de beleza. Uma sexóloga e escritora consultada pela rede de TV ABC, dos Estados Unidos, lembrou sobre o estímulo precoce à vaidade:

“Não há problema em se maquiar para imitar as mães”, declarou Logan Levkoff . “Mas estamos criando uma geração que mede seu valor apenas pela aparência”.

Abaixo destaco algumas reportagens que tratam sobre esse assunto:

Além das reportagens, recomendo muito o documentário intitulado CRIANÇA A ALMA DO NEGÓCIO, dirigido pela cineasta Estela Renner e produzido pelo Instituto Alana, que discute a superexposição de crianças a mensagens publicitárias que são, cada vez maia, dirigidas especificamente a elas (mesmo para produtos como carro ou geladeiras). Abaixo disponibilizo uma versão editada de dez minutos (o documentário tem por volta de 47 minutos).

Embora o documentário todo seja interesossantíssimo, especialmente para quem tem filhos, para a discussão que estou fazendo recomendo que adiantem o filme até 0s 5:08 min do video no YouTube. Ali é feita a discussão sobre o uso de maquiagem e os procedimentos de estéticas com crianças já a partir dos 3 anos de idade.

Enfim, ao deparar-me com o tal salão de belezas para crianças, não pude deixar de imaginá-lo como símbolo de uma sociedade doente que odeia conviver e passar tempo com suas crianças. A pergunta final que ainda bate em minha cabeça é: quando foi que passamos a odiar nossas crianças? Continuaremos a deixá-las de lado ao invés de integrá-las de fato em nossa sociedade?

Anúncios

43 Comentários

Arquivado em Educação, Opinião, Pensamentos

43 Respostas para “Vivemos em uma sociedade doente que odeia conviver com suas crianças

  1. Constantemente, comento com meus colegas, amigos e parentes sobre o assunto tratado nesse texto. Excelente trabalho e acredito que deveria ser um assunto mais trabalhado, pois vejo que as pessoas estão completamente cegas a respeito do que estão fazendo com suas crianças.

  2. Recomendo que faça uma revisão no seu texto, ele contém alguns erros de digitação, como nas palavras “Tween”, que creio eu o correto ser “Teen”, dentre outros. E também quero fazer uma observação, você abordou apenas as famílias de classe média e alta, não menciona os pais que trabalham o dia inteiro e não tem “tempo” para estar com os filhos e nem dinheiro para pagar cursos de idiomas, aula de música, aula de dança, esportes, etc. Os filhos dos pais de classe baixa são deixados em creches, quando maiores ficam ociosos e sem a presença dos pais para orientá-los sobre o mundo ao redor. Em todos os exemplos, seja os filhos de pais de classe média e alta, como os filhos de pais de classe baixa, elas crescem cada vez mais sem um qualidade de tempo para passar com seus pais e aprender sobre ética, moral e desfrutar momentos de diversão e lazer, e isso tudo – orientação e afetividade – é de extrema importância para sua formação como ser humano. No mais, interessantíssimo seu texto e abordagem, adorei, tema muito pertinente.

    • Olá Carolyne, obrigado pelas dicas, vou fazer uma revisão do texto agora mesmo. Quanto a linha de maquiagem da Walmart para crianças ela se chama Tween mesmo, tal como pode-se ver neste link da própria Walmart: http://gawker.com/5751255/wal+mart-answering-the-call-for-more-tween-makeup.

      Você também tem razão quanto a ter faltado em minha abordagem tocar nos filhos de pais pobres que, em geral, acabam deixando seus filhos em creches ou em casa de familiares, frequentemente chegando muito cansados e também sem passarem tempo com seus filhos, quer porque realmente estão cansados, quer porque ficam descansando todo e qualquer momento que tem longe do trabalho. Contudo, acabei fazendo a opção pela classe-média no meu texto, pois a reflexão derivou de um serviço existente dentro de um shopping em um bairro típico da classe média alta de São Paulo.

      Um abraço e obrigado,

      RB

      • Ah sim, desculpa, eu li e entendi como se fosse voltado para o público “teen” e não que se tratasse de uma linha de maquiagem com esse nome, realmente desconhecia. Obrigada por explicar. E parabéns pelo texto!

      • Renata

        Tween é o nome que se dá ao período “between” a infância e a adolescência, entre 9 e 12 anos. Acho o termo desnecessário já que a infância deveria ir pelo menos até os 12 mesmo, mas só para explicar de onde vem o termo.

    • Obrigado pelo esclarecimento Renata. Também acho o termo bastante desnecessário, já que a infância deve ir até os 12 anos mesmo. Certamente tal invenção surgiu da cabeça de algum marqueteiro visando criar um público alvo para os produtos que queria vender. No caso, maquiagem para crianças…

      Abraços,

      RB

  3. Mafalda Inês Cerezer Kolberg

    Acredito, ser também um desses motivos “abandono” a comodidade desses pais, indiretamente, desenvolve com o passar do tempo, um vazio muito grande nas crianças, que, quando se tornam adolescentes, vão sentir e entender, que seus pais mais queriam se livrar delas, do que ter sua companhia. Dai virão todos os problemas que nossos jovens hoje estão demonstrando. O abandono, desafetos, indiferença, enfim. Tudo é uma consequência da falta de amor dentro das famílias, onde o TER é maior que o SER. Então onde fica o valor HUMANO, que devemos dar aos nossos filhos, que são o futuro do mundo? Onde estão esses pais, tão irresponsáveis e ausentes, na criação e educação de seus filhos?

  4. Cássia

    Excelente texto, e muito pertinente… Muitas amigas me perguntam: como você aguenta ficar tanto tempo com seus filhos? Fico, adoro e não me arrependo. Adorei! Parabéns!

  5. Thaís

    Tenho uma filha, passo bastante tempo com ela. Nao sei até q ponto essa matéria esta generalizando. Lógico que sei que realmente Tem pais que evitam filhos. Mas nao podemos criticar a esse ponto. Eh muito importante os pais terem tempo tb so para eles.

  6. priscila

    Acho que só quem nào sabe o que é nao ter tempo pra fazer nada e ser sufocada por cuidar de uma criança sozinha pode falar umas idiotices dessas!!! Ficar a quase um ano sem fazer unha e cabelo e sem 1 minuto pra si……….Só quem cria filhos sabe a pressao que é …..

    • Priscila,

      Pode, de fato, ser uma grande idiotice de minha parte, contudo, o post foi criado a partir de observações que tenho feito por anos no desempenho de meu trabalho e convívio com colegas. Tempo é uma questão de escolha e prioridade. Cada pessoa escolhe como e com quem quer passar o tempo que tem disponível para si. Imagino a enorme pressão que é ter filhos e, ainda por cima, ter que trabalhar em uma sociedade como a que vivemos. Contudo, o que vejo cotidianamente entre pais de classe média, média alta e alta, em geral, é um desprezo e uma vontade cada vez menor de conviver com suas próprias crianças. Talvez você não se enquadre naquilo que acabei de postar, mas a mensagem não foi dirigida a ninguém em particular. Cada um que está lendo o texto, reage de uma forma diferente de acordo com a própria experiência. Se você se identificou em uma ou mais das cenas que descrevi no post, talvez seja o momento de repensar as prioridades que você está estabelecendo para o quê e com quem gastar seu tempo.

      Atenciosamente,

      RB

  7. andrea

    gostei do texto, mas concordo com a Thaís, sei que vc escreve sobre a realidade que vê na sua rotina de trabalho, mas penso que nem todos os pais são assim. Eu mesma, abri mão de dois empregos públicos efetivos para ficar com meu filhote que tem três anos e meio e quando vou ao shopping com ele o deixo no parquinho pra ele brincar enquanto faço as compras, porque faço isso? Porque é muito cansativo pra uma criança da idade dele ficar zanzando em lojas de shopping, mas é muito manero, como ele mesmo diz, brincar no parquinho. Enfim, penso que existem pessoas que usam esses espaços para se livrar dos filhos, mas tem muita gente que usa esses espaços de uma forma saudável tanto para os pais quanto para os filhos.

    • Cara Andrea,

      Fico feliz em ler que tenha aberto mão de dois empregos públicos para ficar com seu filho. Como disse em resposta acima para a Priscila, tempo é uma questão de prioridade e somos nós quem escolhemos como e com quem queremos passar nosso tempo. Veja, o post se originou de eu ter visto um serviço de salão de belezas infantil dentro do shopping, e não de um parquinho, mas assim como você, também acredito que existam pessoas que usem os espaços destinados ao entretenimento dos filhos de modo apropriado. Contudo, o foco do post não era sobre essas pessoas, mas sim sobre uma parcela razoavelmente grande que tenho o desprazer de observar se desvencilhando de suas crianças para fazerem outras coisas.

      De qualquer modo, obrigado pelas observações e por compartilhar sua opinião.

      Um abraço,

      RB

    • Dear friend!

      I’ve just come across some nice things, I think you might be interested in that, please take a look http://millhall.neverendinghugs.com

      Wishes, rogerio.beier

  8. Gisele Alves

    Não é uma questão de se passar ou não algum tempo com suas crianças, mas o que os adultos valorizam enquanto atividades apropriadas/próprias para crianças. Com certeza a mãe e/ou o pai dessas crianças que frequentam um salão de beleza só para elas ou mesmo um aparentemente simples e inocente playground pago num shopping center tem como certo que estão dando o melhor aos seus filhos. Lembro-me de, por volta dos 08 anos de idade, ouvir do meu pai que se ele pudesse (o que queria dizer ter dinheiro para tal) ele me levaria mais vezes para comer no Mc Donald’s. A formação política, ideológica e ética desses pais é defeituosa, como esperar deles uma superação sem um trabalho nesse sentido?

    • Pois é Gisele, conversando com outros pais, vejo que muitas vezes os pais acabam envolvidos por valores de uma sociedade capitalista em seu último grau, sem que parem para refletir alguns momentos como estão sujeitando seus filhos a esses valores, isto é, transformando-os por alguns momentos em meros “público-alvo” de agentes publicitários. Cedendo ao desejo do filho de ser/estar em determinados espaços, simplesmente por conta da persuasão massiva que as crianças sofrem pelos meios de comunicação.

      Além disso, outra triste constatação é ver como a maneira de alguns pais demonstrarem amor a seus filhos é simplesmente dedicarem-se de corpo e alma ao trabalho, sem que sobre tempo para conviverem com as crianças e, em troca, oferecerem as comodidades da sociedade (TV, videogame, escola particular, curso de idiomas, curso de instrumentos, academia, esportes, etc.). Quando um filho exige atenção, os pais rotineiramente respondem que se matam de trabalhar para oferecer tudo o que jamais tiveram e os filhos ainda estão reclamando…. TRISTE.

      Att.

      RB

    • Dear!

      I’ve found an interesting web site with different life stories, they are really cool, you may read more here http://notably.stayercreative.com

      Sincerely yours, rogerio.beier

  9. Rose Herculano

    É muito triste que a sociedade tenha chegado a esse ponto.Como educadora,a frase que mais ouço dos pais quando chega o período de férias é:”mas o que eu vou fazer com ele/ela (a criança) em casa?”.

  10. oswaldo duarte de souza

    Ainda tem quem ouse defender o procedimento espúrio de “fazer” e entregar as crianças para outros criarem e educarem. Se pudesse, além de assinar o texto, por concordar em gênero, número e grau, ainda acrescentaria o que se observa nas churrascarias nos finais de semana, quando os pais se entopem de comida e bebida e empurram os filhos para os malsinados parquinhos, perdendo excelente oportunidade de convívio e ensinar as regras de procedimento e comportamento à mesa ( tenho dúvidas que sabem). O resultado é fácil de se ver: crianças sem educação, birrentas, teimosas, com vontade própria, “adultas” a destempo.Imagine-se quando tiverem seus próprios filhos….

  11. kylie

    Como educador e mãe, conheço bem todos os lados dessa realidade. Mais o lado que continua que me supreender, chocar e admirar todos os dias é a realidade do que eu acredito ser a maioria neste pais, a dura realidade de quem tem que trabalhar em dois ou tres trabalhos só para pagar aluguel, alimentos e vestuario, saindo de casa depois de acabar a licença maternidade com dor no coração para precisar deixar as crianças com um vizinho ou numa creche, chegando ás dez da noite para beijar a criança antes dele dormir e preparar a comida para o dia seguinte, caindo na cama de uma pela manha para depois acordar ás 4 ou 5, dar mais um bj na criança, preparar o alimento e veste ela novamente para levar ele até o creche e seguir em 2, 3 ou 4 horas de transporte até o serviço. São essas guerreiras e gueireiros (QUE MUITOS VEZES SÃO PAIS TAMBÉM) ainda vão ao parque publico num sabado ou domingo, mochilas cheias de alimentos, chutando uma bola ou jogando um frisbee, depois de ter pego duas ou tres conduções até o parque mesmo quando o cansaço e a vontade de dormir são tão enormes. Essas saõ os filhos de pais abandonados pela uma sístema social e uma politica decadente. Esses filhoS, eu vejo muito vezes totalmente felizes, amando seus pais visivelmente e devorando esses momentos escassos de convívio. Falta reportagem sobre esses pais e esses filhos. A situação de muito crianças de classe média e classe média alta é triste sim e claro tem enormes consequencias tanto na etica e futuro de um pais quanto no próprio saude destas crianças, mas vamos fazer mais reportagens sobre guerreiros e gueirreras! Essas pessoas, acredito eu, são a maioria invisível e agarrem á qualquer momento de convívio, mesmo não suportando o cansaço.

    • Concordo com você Kylie, sei que existem esses pais/mães que, apesar de todas as dificuldades, ainda conseguem dedicar tempo aos seus filhos. Contudo, o post no blog se originou de meu não conformismo com o que vi no shopping tal como descrevi no post. O foco do texto era falar justamente desses serviços de atenção à crianças que, em minha opinião, são verdadeiros símbolos de como nossa sociedade não gosta de suas crianças ao ponto de contratarem profissionais para passar algum tempo com eles e, pior ainda, ao ponto de quererem acelerar a infância a todo o custo, transformando seus filhos em “adultos” precoces que, quando de fato chegam a idade adulta, tem grandes dificuldades em assumirem suas responsabilidades na sociedade, permanecem nas casas dos pais até os 40 anos, vivendo como eternos adolescentes… enfim, concordo muito com seu comentário e vou postar algo sobre esses pais que você falou.

      Abraço,

      RB

  12. Mônica Apolinario

    Muito além da falta de vontade de se criar os filhos, é o consumismo que dita isso. Tudo deve ser consumido, até a infância. Eu tenho um bebê, e fico imaginando como será quando eu voltar ao trabalho, só de pensar me dói o coração. Mas preciso trabalhar e todas as minhas horas livres serão dela, porque eu escolhi ser mãe. Excelente texto, já reparei nisso do salão também, acho deprimente, pior é a linha de roupas para bebê que imita adultos, parecem miniadultos. Mas o que importa é consumir, não é mesmo.

  13. Vanessa

    Olá Rogério. Senti um excesso de generalização no seu post e depreciação sobre os aumentos dos estabelecimentos/ opções de lazer e ou cuidados infantis os “animadores de crianças” como você diz. Como se a pura existência desses estabelecimentos comprovasse o argumento que tenta passar e como se todos os pais que os utilizam estão apenas tentando se livrar dos filhos. Do meu ponto de vista como mãe, que mora em uma cidade grande como São Paulo, o aumento dessas opções é muito bem vinda sim, aliás adorei a dica do passeio ao Butantan. E na grande maioria desses locais, você encontra os pais juntos da criança ou aguardando do lado de fora, ou seja, não foram fazer outra coisa, apenas levaram seus filhos para uma atividade diferenciada. No meu passado, e acredito que talvez no seu, meus pais não se preocupavam com o que “fariam comigo nas férias” principalmente porque boa parte do dia, eu estava na rua, brincando de pega pega, subindo em árvores, se perguntar ao meu marido, ele dirá o mesmo,mesmo em São Paulo, enquanto sua mãe cuidava do almoço, da roupa, da casa e o que for, ele estava na rua jogando bola ou aprontando o que fosse. Se as mães não estão em casa fazendo mais a comida porque estão trabalhando, os filhos também não podem mais estar nas ruas nos dias de hoje porque não é seguro. Eu tive a felicidade e o prazer de morar na praia qdo criança, mas meus filhos moram em São Paulo. O que podemos fazer? Deixá-los em casa todos os dias ou levá-los para se divertir nos “animadores de crianças”? Mesmo que em casa ocorra a total interação entre pais e filhos, nenhuma criança aguenta o pai os 30 dias de férias brincando de mímica ou o que for dentro de casa.E claro, os pais que trabalham muitas vezes não podem passar os dias com eles, eu consegui tirar 15 dias pra ficar com eles, e usamos todas as opções possíveis de passeios com “animadores de crianças” juntos, inclusive utilizando monitores do hotel que ficamos para podermos ficar sozinhos em alguns momentos sim, porque não? Pergunte as minhas crianças se preferiram estar na quadra jogando om os tios ou sentados na mesa do restaurante tomando o vinho? Claro que fizemos atividades juntos, mas não todos os dias e todas as horas!
    Perceba que seu argumento é descolado da crítica principal, o estabelecimento em si que você encontrou que era um salão infantil. Daí temos um outro ponto, você não tem filhas (nem eu, os meus são meninos) mas as crianças não são mais as mesmas, as referências, o mundo. Eu quando menina me preocupava em ser bonita, as meninas atuais tbém. Com o devido cuidado para o excesso, não vejo mal nenhum em um salão para cabelos, unhas e afins pra menina, muitas vezes pq a criança que preferiu optou por ficar nesse local ao invés de um outro parquinho.
    De fato existe a delegação dos filhos, de fato existe o problema da superexposição, de fato existem pais que delegam totalmente as babás e não brincam, não ajudam porque não querem, mas de fato, como mãe, serviços e apoios que me ajudem a cuidar, brincar e entreter meus filhos, nos dias de hoje onde eu simplesmente não posso deixar que ele saia para andar de bicicleta em frente a minha casa como eu fazia qdo criança em meu tempo livre, são muito bons e benéficos sim.

    • Olá Vanessa, obrigado pelo comentário.

      Então, como disse anteriormente, meu post foi escrito para chamar atenção de como essas serviços/profissionais são símbolos de uma sociedade que cada vez mais quer conviver menos com seus filhos. Em momento algum disse que TODOS os pais ou A MAIORIA dos pais são assim. Estava chamando atenção para o que simboliza um salão de beleza infantil, para o fato de as salas de estar das casas não terem mais televisão, para o fato de pais e filhos já não fazerem mais refeições à mesa, para o que simboliza o desespero que vejo em muitos pais que me perguntam o que fazer com os filhos durante as férias e se não há algum lugar que eu recomende onde eles possam ficar por algumas horas por dia.

      Não duvido que existam pais dedicados e, como você apontou, que até façam uso desses serviços/profissionais de uma maneira que seja até positiva para pais e filhos, contudo, entendi que seria ótimo chamar atenção para os símbolos por trás de tais serviços/profissionais, uma vez que muitas pessoas podiam não ter feito tais reflexões.

      Além disso, gostaria de dizer que o post não atira apenas contra uma sociedade na qual o tempo que os pais tem dedicado aos seus filhos tem diminuído, mas também chamo atenção para o encurtamento da infância, quer por uma operação conduzida pelos meios de comunicação via campanhas publicitária, quer por um desejo expresso dos pais que, cada vez mais cedo, querem direcionar seus filhos a uma colocação no mercado de trabalho.

      Enfim, estas eram minhas preocupações quando estava escrevendo o post e acredito ter tratado esses pontos em meu texto.

      Um abraço,

      RB

  14. Rogério, seu texto é muito bom, está muito bem embasado e como mãe de 2 meninos (um de 14 e outro de 4) e educadora, entendo perfeitamente a que se refere. Acho que atualmente as pessoas ou se resignam numa profunda desinformação ou se conformam c/ um olhar limitado, q enxerga apenas o próprio mundo como parâmetro para tudo e assim sentem-se aliviadas. Afinal, o que mais podemos fazer, certo?
    P/ mim, errado. Percebo q hj a grande maioria acha que ja faz MUITO em desempenhar seu papel básico e pai/ mãe.
    Tudo o que vc aqui relata é parte de um infeliz fenômeno mundial, reconhecido por especialistas e famílias atentas em todas as partes do Globo. O psicólogo e jornalista argentino Sergio Sinay, em seu mais recente livro “A Sociedade dos Filhos Órfãos”, discorre sobre essa situação com base em sólidas pesquisas e tb dados de mercado de produtos infanto-juvenis. Na ocasião do lançamento do livro no Brasil, ele deu uma entrevista bem interessante para a Exame, que pode ser conferida no link abaixo:
    http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/entretenimento/noticias/livro-analisa-sociedade-dos-filhos-orfaos-de-pais-vivos
    Tb a página de tecnologia da Revista Time publicou recentemente um artigo, comentado pelo Dr.Hallowell, que demonstra a relação entre o incrível aumento de crianças diagnosticadas como portadoras da síndrome do Déficit de Atenção com Hiperatividade – ADHD e o massivo acesso de crianças aos gadgets e a mídia/ publicidade em geral, tendo em vista a situação de “abandono assistido” da atual infância:
    http://bit.ly/10Waguy
    Sem falar no manjadíssimo documentário feito pelo Instituto Alana, “Criança, a alma do negocio”:

    E por que tantos produtos e serviços destinados ao publico infanto-juvenil? Porque os verdadeiros e originais responsáveis estão ocupados com muitas outras coisas e se sentem muito ameaçados quando são confrontados com essa verdade.
    Aqui criança quase não assiste TV, não fica em parquinho de shopping, não joga video-game, não toma refrigerante. E eles estão ótimos! Hehehehehe… Se eu tomar como base a maneira pela qual busco conduzir a criação dos meus filhos, poderia dizer que o atual fenômeno do abandono não existe? Que a infância não esta sendo encurtada e mercantilizada? Ainda assim, acredito que não.
    Entendo que a infância, não só a dos meus filhos, é responsabilidade de toda uma sociedade.
    Todos os alertas e chamados para uma maior consciência são muito bem vindos! Obrigada!

  15. Eu moro na Suécia, país em que o canal de televisão aberto possui restrições quanto à vincularão de propaganda infantil. Aqui, o problema é a TV à cabo, porque essa o governo nao controla. Entao, minha filha nao pede, por exemplo, doces quando vamos ao supermercado, até porque, ela nem sabe o que sao aqueles canudos compridos e coloridos ainda. Claro que um dia vai saber, o mundo vai mostrar. Mais aos 3 anos, nao precisa. Recentemente escrevi um texto refletindo minha última visita ao Brasil nas férias de verão. Nos aeroportos, vi muitos pais perdidos com os filhos, pelo fato de nao os conhecerem e nao saberem reagir em seus momentos de frustrações e birras. Nao raro, vi pais que trabalham 50 horas por semana programando o segundo filho, sendo que o primeiro já foi criado em notável estado de abandono por babás e cuidadoras. Eu nao sinto qualquer dificuldade para enxergar seu ponto de vista: existem pais que trabalham muito e tornam aquele escasso momento algo memorável. Existem espaços infantis que podem ser bem aproveitados. Mas é preciso refletir: vivemos um momento onde a infância é triste e que existem muitas crianças órfãs de pais vivos. Parabéns pela reflexão!

  16. Oi Rogério.

    Sua reflexão é interessante, mas será que a responsabilidade é tanto dos pais e das mães como você propõe? Várias pessoas vieram criticar seu texto, citando exemplos reais de convívio familiar, e você continuou insistindo na tese de criança terceirizada como um mal da “sociedade que não quer educar seus filhos”. Acho que não é isso. Acho que é uma sociedade que não gosta de crianças, que olha apenas para adultos produtivos e exige cada dia mais produção desses adultos. O tempo que os adultos (todos, não só os pais) passam longe da produção é desvalorizado, e isso inclui o tempo de cuidado com crianças e idosos, independente de parentalidade.

    Pais e mães não tem incentivo para ficar em casa cuidando das crianças, pelo contrário. Na França, ambos os pais tem um dia a mais de folga na semana para ficar com as crianças, que acabam ficando apenas 3 dias nas creches públicas, por exemplo. Vê?

    Mas mais do que apenas proporcionar o tempo necessário às mães, pais e outros cuidadores e responsáveis, acredito que a sociedade como um todo não tolera bem as crianças, os filhos dos outros. A não ser que ganhem com isso. Basta ver o número de gente reclamando da presença de crianças em restaurantes, bancos, qualquer lugar de negócios que adultos frequentem. “Criança atrapalha”. E isso acaba restringindo os lugares onde as crianças são bem aceitas.

    Acredito que os adultos tem dificuldade de tratar com crianças em geral, e não só os adultos que são pais/mães. Essa dificuldade também está expressa no seu post, que responsabiliza exclusivamente os parentais pelo cuidado com as crianças… como se os parentais estivessem acorrentados a uma obrigação de X horas diárias de convivência.

    O que, você sabe, nos dias de hoje, acaba passando uma mensagem um pouco machista. Porque, se o problema é que crianças não ficam em casa, para o senso comum (não sei se é sua opinião, não parece, mas é o que o senso comum machista prega), o problema é que as mulheres, as mães, não estão em casa.

    Seria bem mais interessante um questionamento dirigido à sociedade como um todo e não apenas a um recorte tão estrito, dirigido apenas aos pais e mães de classes média e alta. Acho que sua análise acabou por ser reduzida demais.

    Abraço!

    • Olá Sharon, muito obrigado pelo comentário com as excelentes observações.

      Na verdade, como tentei salientar aqui para outros pais, não acho que a culpa é tanto assim dos pais. O título do post diz muito do que eu queria também ter passado para o post: “vivemos em uma sociedade que odeia conviver com as crianças”, mas acho que eu acabei reforçando muito alguns pontos que tiraram a força dos pontos que você tão bem apontou e que eu gostaria de ter dado mais atenção no post, isto é, por um lado, de como a sociedade capitalista em que vivemos acaba cada vez mais diminuindo a presença dos pais do convívio com seus filhos e, por outro, de como a sociedade realmente tem dificuldades em lidar com as crianças.

      Decerto o recorte da crítica que fiz no post acabou sendo bastante determinado por conta da experiência que tinha acabado de ter quando retornava do tal shopping center e, no caminho, pensava de como aquilo que vi simbolizava bem essa sociedade que não gosta de suas crianças.

      Uma vez mais, muito obrigado por sua colaboração.

      Um abraço,

      RB

  17. Feliz com o artigo…feliz por ter sido contemplada e encontrar no brilhante texto ressonância para sentimentos aflitos!!! Faço essa leitura do mundo e sinto-me mal com esse consumismo exacerbado.

  18. Adorei o texto e compactuo dele. Acho que cada vez mais nossa sociedade negligencia seus filhos (não só crianças como também adolescentes!). Eu e meu marido fazemos questão de estar com nosso filho que fica comigo em casa de manhã e de noite. A tarde frequenta a escola por 4 horas (e eu já morro de saudade). Quando está doente, posso ficar com ele, dando a atenção necessária, os medicamentos e mais… Não tenho babá, faxineira, empregada… Para mim, é um prazer cuidar da minha casa e da minha família (não critico as mulheres que querem trabalhar fora, que fique claro!). Pretendo voltar a trabalhar quando meus filhos estiverem maiores, mas mesmo assim, de uma maneira que eu possa curti-los a maior parte do tempo. Eu almoço com meu filho e de noite fazemos questão de sentarmos juntos à mesa (meu marido, eu filho e eu). Sentamos no chão para brincarmos com ele: brincamos de carrinho, massinha, super-herói! Quando vou cozinhar, na maioria das vezes, meu filho vai comigo e adora a ajudar preparar algumas coisas… Quando saímos ele nos faz uma grande companhia! Vamos juntos ao shopping, cinema, etc… Ele pede de vez em quando para deixarmos ele ir em “plays” dos shoppings (veja que coisa: sempre que ele vai, eu e meu marido ficamos junto com ele, nunca o deixamos brincando em algum lugar enquanto podemos ficar “sossegados”!, queremos estar junto com ele e se pudermos, brincamos junto, caso contrário, a gente fica olhando e conversando com ele, incentivando-o a brincar!). Quando viajamos, ele vai junto, claro! Nossos programas são feitos pensando nele!!! Acho que tem que ser assim. Amei o seu texto!!! Parabéns!!!

  19. Luci

    Estava eu aqui colocando meu filho para dormir e deparei-me com o seu texto, normalmente não comento, mas resolvi, pois algo ficou em minha cabeca.
    Sempre que vejo artigos como o seu me pergunto, qual foi o intuito desse autor em escrever tal artigo?
    Acho muito valido os asuntos abordados, porem acredito que daria uns 4 artigos se fosse dividido por assuntos polemicos: criancas super atarefadas, pais que não passam
    ” No fim, após passarem algumas horas no shopping, os pais passavam no caixa e pagavam a conta pela comodidade de não terem que cuidar dos próprios filhos.”

  20. Jose Cunha

    Hoje em dia “crianças” sao vistas na ótica do CUSTO, e nao da HONRA. Vivemos na era do PROFANO, abandonamos o SAGRADO. E quanto mais profanos estamos, menos podemos esperar das nossas crianças.

    Na realidade, tudo o que requer trabalho sem amor (sem o aspecto sagrado) esta sendo evitado. Antigamente as crianças eram uma honra, agora sao vistas como um castigo, pois geram custos, esforços e demandam tempo. E quase nada esta sendo feito com amor, sem corrupção da alma. Dai fica fácil entender o por que da enorme fuga da realidade.

    Enquanto elas estão com babas, os adultos partem para o abuso no das drogas que o Estado os permite consumir. Seja álcool, compras compulsivas, programas de programação mental televisiva, vícios excessivos em jogos, etc. o Brasileiro busca com muita intensidade qualquer coisa que nao o vincule a realidade.

    • Caro José,

      Profano, Sagrado e corrupção da alma são categorias que entendo não estarem de modo algum relacionadas com a discussão encetada no post que publiquei. Sob minha ótica, religiosidade não determina em absolutamente nada a maneira como os pais criam seus filhos. Muito pelo contrário, grande parte dos descasos que observo no cuidado dos filhos (inclusive casos extremos de violência contra crianças) provém de pais religiosos que entendem a família como sagrada.

      Sua frase final também me pareceu bastante equivocada, uma vez que o fenômeno o qual trata não parece ser exclusivo do Brasil. Enfim, realmente discordamos muito em relação ao ponto em questão.

      Att.

      RB

      • Jose Cunha

        Caro Rogerio,

        A discussão do sagrado e do profano nao e uma discussão de religião, mas sim uma discussão sobre consciência e espiritualidade.

        Penso que se enquadra perfeitamente no entendimento das causas de abandono de crianças.

        Nao e necessário ser religioso para cultivar o “sagrado”. O religioso pode representar tanto o profano quanto o sagrado, esta relacionado a existência de uma religião (instituição) com uma crença (idéia) e um rebanho (associados).

        O “sagrado” se refere a sensação que sentimos quando vemos um filho nascer, quando ficamos ao lado de uma cachoeira ou quando observamos estrelas num céu limpo. Se refere ao prazer de estar vivo, de sorrir com sinceridade, de se ter prazer no que faz, de se sentir PLENO, completo.

        Sobre os pontos específicos que você levantou:

        1 – Voce infere que, pelo que costuma ver, pais religiosos que entendem a família como sagrada tem descaso em relação aos filhos. Essa sua afirmação foi bastante contraditória apesar de ser sua opinião e eu respeitar. Mas discordo de você. Pais religiosos podem ser bons ou ruins para os filhos. Depende de qual religião e como ela e praticada ou sentida pelos pais. Religiao e irrelevante para o que estou dizendo e para minha mensagem acima. Nao estava falando disso.

        2 – Se o ponto em questão acontece fora do pais, isso nao significa que ele também nao aconteça no Brasil. Nao disse em nenhum momento que ele acontece exclusivamente por aqui, e nao acho isso.

      • Caro José Cunha,

        Fica bastante difícil discutir qualquer assunto, especialmente através da linguagem escrita, se não utilizamos os conceitos corretamente. Quando isso acontece, ficamos muito tempo discutindo os termos em questão e perdemos de foco o assunto discutido. Neste sentido, devo dizer que você parece ter um problema na utilização correta dos conceitos abordados na discussão. Por exemplo, ao falar que a discussão do sagrado “não é uma discussão de religião” você desconsidera que o significado do termo sagrado, segundo os dicionários é:

        Adj. 1) relativo a Deus, a divindade, a religião, ou a culto; sacro, santo (ritual). 2) que recebeu a consagração

        O mesmo vale para o caso de Profano:

        Adj. 1) que não é sagrado, sacro. 2) que viola o sagrado 3) que pertence à religião 4) que não é religioso, leigo.

        Por isso dei a resposta como dei, já que entendo as palavras que você usou tal como as descrevi acima.

        Quanto a questão do “brasileiro buscar com intensidade qualquer coisa que não o vincule a realidade”, não entendo o porquê de tal afirmação. Volto a afirmar, ainda que tal fenômeno fosse verdadeiro, por que relacioná-lo a uma nacionalidade, já que ele não é exclusivo dessa nacionalidade? Sua afirmação dá a entender que, ser brasileiro faz com que o indivíduo “busque com intensidade qualquer coisa que não o vincule com a realidade”. Não posso concordar com tal afirmação, por acreditar que a nacionalidade não dá nenhuma característica ou comportamento específico a nenhuma pessoa. Se, como você disse abaixo, não é isso o que você quis dizer, então, em minha humilde opinião, sua frase deveria ser reescrita.

        Att.

        RB

  21. Jose Cunha

    Caro Rogerio Beier,

    Eu utilizei corretamente os conceitos, segundo o dicionario.

    Sagrado pode ser tudo aquilo ligado a divindade ou a Deus, nao esta necessariamente vinculado a nenhuma religiao.

    Portanto, voce deveria ter consultado o dicionario antes de ter respondido.

    Att.

    Jose

  22. Jose Cunha

    Dicionario Michaelis:

    Sagrado:

    6 Que, pelas suas qualidades ou destino, merece respeito profundo e veneração absoluta; venerável.

    Antôn (acepção 4): profano. sm

    fonte: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=sagrado

  23. Caro José Cunha,

    Eu consultei o dicionário (Houaiss) e até transcrevi os termos na minha resposta. O tal respeito profundo ou veneração absoluta que se deve a algo que é sagrado assim o é porque “alguém” investido de algum poder o “consagrou” em relação a alguma deidade qualquer. Mas enfim, como havia postado anteriormente, quando não se usa corretamente os conceitos, perde-se muito tempo na discussão dos termos do que no fundo da discussão, Acho que já ficou claro o que pensamos a respeito do assunto e discordamos frontalmente quanto a ele.

    Att.

    RB

  24. Jose Cunha

    Caro RB,

    Ao contrario do que você diz, na transcrição o dicionário fala em algo “absolutamente venerável” por suas qualidades ou destino, nao em alguém que consagrou alguma deidade.

    Por favor nao altere o que o dicionário diz para o encaixar no seu erro.

    Mais uma vez, nao foi a utilização correta do conceito, mas a sua falta de cuidado e de conhecimento sobre o conceito.

    Concordo que discordamos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s