[PONDÉ] Sobre a ética das baratas e a eugenia…

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

Luiz Felipe Pondé é filósofo pela USP. Foto: Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

Nessa última segunda-feira (16), o filósofo escreveu em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo texto intitulado “A ética das baratas“, no qual faz duras críticas aos militantes vegetarianos (veganos em especial) e defensores dos direitos dos animais que, segundo ele, ganharam força quando foram “abençoadas” pelo filósofo australiano Peter Singer e seu livro Animal Liberation.

Que o Pondé tenha se especializado em falar bobagens (se é que algum dia falou algo de útil), não é novidade para ninguém. Contudo, nesta coluna ele chega às raias da imbecilidade ao construir raciocínios como os que destaco abaixo:

“Às vezes me pergunto o que faz uma pessoa razoável cair num delírio como esse. Como assim “não se deve matar nenhuma forma de vida”?

A pergunta é: essa moçadinha seguidora de uma mistura de filosofia singeriana aguada e budismo light (com pitadas de delírio) já olhou para natureza a sua volta?

A natureza é a maior destruidora de vidas na face da Terra. Ela mata sem pena fracos, pobres e oprimidos. A natureza é a maior “opressora” da face da Terra”.

Ora. Tal raciocínio segue uma trilha muito perigosa que já levou muitos cientistas a justificarem práticas como esterilização em massa, a eugenia e limpezas étnicas, dentre outros crimes contra a humanidade. Não sei o que pensa Luiz Felipe Pondé sobre esses assuntos em particular, mas que suas ideias flertam com esses pensamentos extremistas que estavam, em exemplo mais marcante, na raiz da justificativa do holocausto, não há como negar.

Por trás desse discurso do século XIX, que Pondé usou para criticar vegetarianos (“o struggle for life”, de Spencer), há quem ainda hoje justifique que portadores de qualquer tipo de deficiência, doenças genéticas, ou pertençam a determinado grupo étnico ou social, sejam simplesmente impedidos de procriar ou, em casos extremos, sejam eliminados.

Pondé é provocador, e faz isso para chamar atenção. Não creio que ele, pessoalmente, seja capaz de usar tal raciocínio para justificar qualquer prática aplicada a seres humanos. No entanto, não tenho esta relativa segurança no que tange a seus leitores. Recentemente acompanhamos os casos dos incêndios em favelas de São Paulo e, ao ler os comentários das notícias que divulgavam as tragédias recorrentes durante a gestão Serra/Kassab, estarrecia-me a quantidade de pessoas que não se importavam com a prática higienista e criminosa de queimar favelas (levando algumas pessoas à morte) para tirar “aquelas pessoas” do centro da cidade. Segundo muitos comentaristas, “crackeiros” e “toda aquela gente miserável tem que ser impedida de ter filhos ou, até mesmo, sumir”. (Aliás, o mesmo se ouviu a respeito dos nordestinos e pobres de modo geral quando Lula foi reeleito e, mais recentemente, Dilma e Haddad ganharam suas eleições).

No mais, a argumentação de Pondé é fraca e rasteira. Ele conclui sua coluna com uma piada ridícula, que o Jô Soares adora repetir ad nauseam em seu programa global:

Pergunto a esses adoradores de baratas: ele já pensou que as alfaces também sofrem? ela já pensou que quando come uma alface está interrompendo toda uma vida feliz de fotossíntese? Que as alfaces também choram? Malvados e insensíveis…

Seria desnecessário lembrar, se não ouvisse esse argumento em cada conversa sobre vegetarianismo que presenciei na minha vida, que alfaces não tem um sistema nervoso central. É simplesmente uma imbecilidade sem tamanho comparar o tratamento dado a animais (especialmente mamíferos) com aquele que se dá aos vegetais.

Talvez Pondé desconsidere o fato de sermos seres dotados de inteligência e, como tal, termos a opção de refletir se devemos agir ou não como a natureza. Será que nós, como humanos, não deveríamos agir de modo cada vez menos instintivo e mais racional em nossos hábitos, de modo mais específico, e no modo de nos organizamos socialmente, de modo mais geral? Fica a pergunta…

MAIS SOBRE O MODO COMO TRATAMOS OS ANIMAIS

Pra quem jamais teve a oportunidade de ver e realmente quer entender um pouco mais sobre o assunto que Pondé ridiculariza de uma forma bisonha, recomendo o documentário A CARNE É FRACA, que disponibilizo abaixo.

MAIS SOBRE O ASSUNTO EM HUM HISTORIADOR

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6 Comentários

Arquivado em Documentários, Filmes, Opinião, Política

6 Respostas para “[PONDÉ] Sobre a ética das baratas e a eugenia…

  1. Você está coberto de razão. Viu? Podemos concordar. Bom fim de semana

  2. liana

    Parece o tipo de coisa que agente lê num blog de um Zé qualquer. Ridículo

  3. Daniela S.

    O Pondé quer chamar a atenção sendo um completo “besta”, infelizmente, é comum encontrar na mídia pseudo- intelectuais, estão aí escrevendo e falando baboseira, a questão é que a falam de uma forma florida, articulada, mas: É TUDO BABOSEIRA!!!!Fica quieto Pondé!!!

  4. Otto

    Mas afinal, podemos matar baratas ou não

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