Demétrio Magnoli é chamado de racista em debate na Bahia

O portal Diário do Centro do Mundo informou neste último sábado (26), que o sociólogo Demétrio Magnoli foi chamado de racista, por um grupo de jovens, enquanto participava de um debate na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), na Bahia.

Segundo o portal, dois estudantes seminus pintaram-se na frente do sociólogo, que se posiciona contra as cotas raciais; Magnoli, que estreou hoje coluna na Folha, comparou os manifestantes aos fascistas de Mussolini e arrematou: “No poder, esse grupo fuzilaria os seus opositores”.

Abaixo, segue notícia tal como publicada originalmente no Diário do Centro do Mundo no dia 26/10.

Colunista Demétrio Magnoli é chamado de “racista” por estudantes em debate na Bahia

Na manhã deste sábado (26), enquanto o geógrafo e sociólogo Demétrio Magnoli debatia na Flica, um grupo de estudantes deu início a um protesto sob brados de ‘racista’ e ‘fora, Magnoli!’. O ato foi pautado pelas opiniões desfavoráveis de Magnoli com relação às cotas raciais.

Dois estudantes, seminus, se pintaram na frente do professor, causando tumulto e interrompendo o debate. Uma faixa a favor das cotas também foi estendida.

“Estamos aqui fazendo este ato contra esse cara que é racista, é contra as cotas. E Cachoeira é terra de preto, remanescente de quilombo”, diz Amanda, estudante de jornalismo da UFRB.

A professora da UFBA, Maria Hilda Baqueiro Paraíso, que também compunha a mesa, tentou negociar com os estudantes, mas não obteve sucesso. Os seguranças presentes no evento não conseguiram conter o tumulto, que só se dispersou quando a produção do evento propôs uma reunião com representantes do movimento. A pauta será uma possível mudança do tema da mesa, de preferência para um que contemple a questão racial no Brasil.

Magnoli comparou os manifestantes aos fascistas de Mussolini e arrematou: “No poder, esse grupo fuzilaria os seus opositores”. Encerrada, a mesa deve retornar às 13h30, a portas fechadas.

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30 Comentários

Arquivado em Blogs, Opinião, Política, Preconceito, Racismo

30 Respostas para “Demétrio Magnoli é chamado de racista em debate na Bahia

  1. É sempre isso, fuzilem quem for contra o pensamento único. Arg

    • Flavio Barros

      Li vários comentários aqui, não só nesse post como em outros, e a minha impressão é que sempre que alguém coloca questões OBJETIVAS relacionadas às cotas RACIAIS (muitos questionam a cota racial, não a social) tanto os comentaristas quanto o autor saem pela tangente e não RESPONDEM A QUESTÃO OBJETIVA.

      Vamos lá, vou recolocar duas questões OBJETIVAS já colocadas aqui, novamente:

      1) Qual o problema com a cota somente social?

      OBS: Os dados do IBGE estão ai para quem quiser consultar, os negros (no CENSO ou nas PNADs por exemplo, os que se AUTO DECLARAM pretos e pardos) representam maioria nos estratos mais pobres da população, tal que se o critério for somente social os negros em sua maioria seriam os mais beneficiados de QUALQUER FORMA.

      2) O autor, ou mesmo alguns comentaristas/leitores do blog, realmente acreditam que um branco pobre (classe E por exemplo) tem algum tipo de vantagem sobre um negro pobre no acesso à universidade pública, tal que o corte racial se justificaria?

      OBS: Por favor sem respostas do tipo, “vai pesquisar no google”, pois já tenho minha opinião clara e fundamentada a respeito, gostaria de saber a de vocês.

      • fabio nogueira

        Flávio Barros, o Estado brasileiro não preparou a sociedade para receber os ex-escravos ou sequer nunca houve uma política de inclusão desses mesmos quando foram libertados. Os ex- escravos foram entregues a própria sorte.

        A base social e econômica do Brasil por 350 anos foi a mão de obra escrava,e sequer recebemos por parte dos Estado um pedaço de terra para que esses ex-escravos e agora” livres” pudesse começar suas vidas.

        No geral quero responder que o Estado brasileiro foi perverso quando libertou os escravos sem nenhuma indenização,então quero dizer para vc que a situação do negro no Brasil é racismo,sim. Disso não tenho duvida.

        Realmente o branco pobre tem a possibilidade maior de uma ascensão social se comparada aquele negro pobre da classe E. O branco sofrerá preconceito por quê? Por ser pobre. O negro? Por ser negro e pobre.

        Não digo que está perdido. Estamos diante de uma transformação a médio longo prazo ,pois outras gerações especialmente aqueles que foram beneficiados pelas políticas de ações afirmativas (ou cotas conforme queira). Não digo todos,mas,um número significativo em especial os negros poderá reverter está situação que perdura por séculos.

      • Pois é, Fábio. Escrevi sobre isso no post em que faço algumas considerações sobre um texto do historiador Sérgio Buarque de Holanda (https://umhistoriador.wordpress.com/2013/02/17/a-lei-e-o-preconceito/), no qual um cronista do século XIX falava sobre o preconceito no Brasil e a dificuldade de ser negro pela “marca da cor”.

        Mas, ao que parece, o Flávio não considera o post direto e não responde as questões levantadas por ele. Fazer o quê…

        Att.

        RB

      • Fabio Idalino Alves Nogueira

        Rogério,boa noite!

        É perder tempo debatendo com essa gente . Não querem se aprofundar no assunto e procuram o caminho mais fácil que é o senso comum

        Date: Sat, 9 Aug 2014 00:18:02 +0000 To: fabiohistoriaucb.47@outlook.com

      • Flavio Barros

        Pois é Fabio, estamos discutindo racismo aqui e é até interessante analisar o seu “essa gente”. Uma coisificação do indivíduo, uma afastamento pessoal “dessa gente”. “Essa gente” tem nome, é Flavio Barros, brasileiro como você. Acho uma leviandade sua presumir que estou usando o senso comum sem me aprofundar no assunto. Essa ideia de que o outro não é um igual, (até talvez com opinião diferente da sua), é a origem do preconceito.

      • Flavio Barros

        Rogério, acho que você deve concordar que utilizar o relato do cronista do século XIX e toma-lo pela realidade objetiva, demográfica e social, do Brasil de hoje, em 2014, é um generalização que carece, no mínimo, de substância.

        Veja, não estou negando o racismo e nem que o negro no Brasil sofre hoje as consequências de um regime de escravidão, pelo contrário. Na minha indagação inicial, uma das questões que propus foi a razão de não simplesmente usar a cota baseada em critérios sociais e econômicos, não em raça TAMBÉM. Essa seria sim uma solução para o problema no Brasil; como eu comentei, de acordo com dados do IBGE, os negros (pessoas que se denominam pretos ou pardos) tem renda e níveis educacionais mais baixos dos que se classificam como brancos, tal que seriam eles os maiores beneficiados no fim das contas, sem precisarmos pensar em critérios de raça. Quando se impõe a cota pela raça, a repartição de recursos públicos de acordo com a raça, imediatamente surge a necessidade de determinar critérios JUSTOS de classificação. Para mim, a simples ideia de classificar seres humanos em raças já soa mal.

        As vezes eu uso esse exemplo do branco pobre. Baseado nas respostas que eu leio, imagino que quando eu falo de um branco pobre as pessoas imaginam um menino (ou menina) loiro de olhos azuis, vindo direto da Escandinávia, SÓ QUE POBRE. Não é bem isso que é um branco pobre no Brasil. Os defensores das cotas raciais, muitas vezes, usam o termo afrodescendente (devo considerar os africanos árabes?) como o substituto para o termo negro, mas veja que no Brasil, se analisarmos o genótipo, as pessoas ficariam surpresas com o número de afrodescendentes que existem no nosso país. Nesse ponto alguém poderia dizer: “ok, mas se o cara é branco ele não sofre com o preconceito racial”, e eu posso concordar com isso. ENTRETANTO, a natureza das cotas na Universidade levanta outras questões que simplesmente o preconceito e o racismo.

        Nós poderíamos criticar o vestibular sob diversos ângulos, entretanto um ponto que não podemos reclamar é que o vestibular é DEMOCRÁTICO. É democrático no sentido de que todos fazem a mesma prova. Claro que seria injusto comparar, de forma crua, o desempenho dos alunos no vestibular uma vez que esse desempenho por si só depende do acesso à educação básica de qualidade, livros em casa, nível educacional dos pais e etc. Nesse quadro a cota age colocando em pé de igualdade os indivíduos que não tiveram acesso aos mesmo recursos materiais. MAS AÍ QUE ENTRA a questão anterior com relação ao racismo: o direito a cota não é simplesmente uma questão de racismo, mas de história familiar. Não é porque o indivíduo mestiço, que passa por branco, pode não sofrer com o racismo, que ele não vivenciou uma história de pobreza e restrições de direitos POR CONTA DO RACISMO E DA HISTÓRIA DE ESCRAVIDÃO NO BRASIL.

        Ainda alguém pode levantar o seguinte questionamento: “ok, mas a MAIORIA DOS NEGROS vão passar nos critérios, mesmo que UM OU OUTRO não passe, no geral vai ser bom para a sociedade”. Para mim esse argumento utilitarista não voga, uma vez que restringir o acesso de QUALQUER INDIVÍDUO de forma injusta seria errado em vista de que existe uma solução melhor que não leva em consideração a raça.

        Agora uma pequena provocação: a LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989, no Artigo 20, criminaliza a discriminação por “procedência nacional”. Em São Paulo por exemplo, um nordestino poderia se sentir ofendido com um comentário e registrar um boletim de ocorrência com base nessa lei. Muitas vezes, quando eu falo para as pessoas que não existe raça, alguém imediatamente me diz que o RACISMO e a IDEIA DE RAÇA existem, e que se não fosse tão fácil descobrir quem é negro e quem não é, as pessoas não iriam discriminar um negro pela SUA RAÇA. Ai coloco a seguinte questão: se a própria lei inclui a categorização por “procedência nacional”, fruto SIM principalmente da discriminação dos nordestinos no sudeste, eu não deveria reservar cotas para nordestinos pobres? Eles são identificáveis, sofrem discriminação (a lei reconhece isso) e muitos vivem em condição de pobreza extrema. Não são tão dignos da cota quanto um negro? Eu conheço muitos nordestinos POBRES E BRANCOS, que são mestiços de brancos europeus, negros africanos descendentes de ex-escravos e ÍNDIOS, mas ainda sim são brancos. Eles não tem os mesmos direitos às cotas? A ideia de quem é “o negro” não é assim tão clara na cabeça das pessoas, mesmo no caso dos defensores de cotas raciais. Veja que muitos citam dados do IBGE, e consideram então como negro os pretos + pardos. Agora observe na entrevista do Professor Kabengele Munanga, que a certa altura comenta sobre sua família e diz o seguinte: “Porque é uma família inter-racial: a mulher branca, o homem negro, um filho negro e um filho mestiço”. O que ele quer dizer com um “filho negro e um filho mestiço”?? Todos os filhos dele não são mestiços? Qual negro vai receber a cota RACIAL, o “negro de acordo com o IBGE” ou negro segundo o Professor Kabengele Munanga, ou mesmo um terceiro?

      • Caro Flávio,

        Talvez você não tenha notado, mas as respostas às perguntas que você colocou acima já foram dadas nas muitas postagens/comentários que fiz sobre o tema. Não faz muito sentido eu ficar repetindo a cada novo leitor que decide refazer as mesmas perguntas, especialmente porque meu tempo de acesso à Internet anda limitadíssimo.

        Sugiro que dê uma olhada na lista dos posts que fiz sobre o assunto e verá qual o meu posicionamento em relação às questões que você levantou. Segue link com os posts sobre cotas raciais: https://umhistoriador.wordpress.com/?s=cotas+raciais

        Att.

        RB

      • Flavio Barros

        Caro Rogério, discordo da sua posição com relação ao “debate” sobre cotas que você coloca aqui. Já li outros posts seus aqui no blog, alguns inclusive nos quais uma reportagem, um texto externo ao blog, representa mais de 90% do post, e minha impressão continua a mesma: não há respostas para as questões objetivas.

        Talvez no seu ponto de vista, seus belos textos aqui no blog são dignos de uma análise profunda da minha parte para “compreender” uma “verdade” inequívoca que só estaria escondida diante dos meus próprios olhos, incapazes ou mesmo preguiçosos, em VER A REALIDADE que as cotas raciais são a melhor solução.

        Acho que falta nesse blog o verdadeiro debate relacionado às cotas raciais. Uma coesão e sumarização consistente da tese que defende o corte racial e uma abertura sincera a esse debate das questões objetivas relacionadas às cotas. Digo isso também pois quando proponho uma SIMPLES QUESTÃO OBJETIVA, algo que um outro comentarista (Matias se não me engano) já colocou, a resposta é sempre uma evasiva. A resposta a essas questões não tomam um livro de 100 páginas que já teria sido escrito aqui nesse blog tal que seja inviável apresenta-la “novamente”. Se a “verdade” é tão evidente, acredito que algumas palavras já seriam suficientes.

      • Flávio,

        Talvez falte muito a esse blog, mas ninguém gosta de ficar se repetindo e eu, muito menos. Acho que já respondi, e mais de uma vez, às perguntas simples que você colocou. A meu ver, minhas respostas não foram nada evasivas, mas bastante diretas e objetivas. Creio que o debate a que você se refere ocorreu em diversos posts e, se você não o percebeu, não sei mais o que te dizer além de reler os debates.

        As reportagens e textos externos ao blog que você faz referência, fazem parte do debate proposto pelo blog, uma vez que muitos deles representam a opinião deste que vos fala. Quando este é o caso, procuro deixar isso bastante claro. Veja a entrevista do antropólogo da USP, prof. Kabengele Munanga, por exemplo (https://umhistoriador.wordpress.com/2013/11/10/revista-forum-entrevista-antropologo-kabengele-munanga-usp/).

        Acho que isso é o que tenho a te dizer.

        Att.

        RB

    • Yo!

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  2. fabio nogueira

    O cidadão é muito arrogante. Fuzilamento seria perca de tempo e desperdício de bala. O melhor será ignora-lo .

    Amanha com certeza ele vai chorar no ombro de seus amigos Ali Kamel e Yvonne Maggie.

  3. Alexnaldo Cerqueira da Silva

    Vejam meus amigos, desde quando ser contra a cotas é ser racista? isso realmente revela muita ignorância desses movimentos que não tem conteúdo pra discutir.

    • Alexnaldo,

      Magnoli é chamado de racista não apenas por ser contra as cotas, mas por toda a argumentação que ele faz uso para defender suas ideias.

      Att.

      RB

      • Prezado Rogério,

        Ainda sim é um absurdo imaginar por que as pessoas são contra as “políticas de ação afirmativa” sejam racistas Tenho visto alguns dos argumentos dele e sinceramente não vejo conteúdo racista algum. Acredito que sou suficientemente informado a ponto de identificar um discurso racista, e se vc puder observar, não encontrará racismo nos argumentos dele. A hipótese que ele levanta acerca do que ele hama de racialismo, é exatamente uma crítica à esse tipo de política, que também sou contra.

    • fabio nogueira

      Os argumentos falsos era a questão. Por defender sem o uso da ética,Demétrio Magnoli optou pelo caminho mais curto ou seja :A manipulação.
      Afirmar que o Estado brasileiro nunca criou leis raciais após a abolição é falso,e o professor desmentia com a maior cinismo.
      Ser contra as cotas não é ser racistas. Para os leigos que aceitam tudo que ele (Demétrio) e demais formadores falam é ate perdoável,mas uma pessoa como Demétrio Magnoli e os outros é inadmissível que venham com essa mentira. Para o Demétrio Magnoli as cotas pode ser um perigo pois quebra o ciclo de dominação sobre aqueles historicamente excluído na formação política e social do país .

      • Matias

        Não sei quais argumentos estão em questão, mas eu vi esse programa com ele http://www.youtube.com/watch?v=9eM8q-mZLl4
        e ele foi muito bem. ( o que segue é focado na SUA (fabio) opinião (opinião?), e não no Demétrio ou seus argumentos que provavelmente eu desconheço)
        te pergunto o seguinte: Qual a diferença entre um branco classe D e um negro classe D ? Eles nasceram com as mesmas condições, estudaram na mesma escola, por que o negro deve ter vantagem? O negro é menos inteligente? – A cota tem de ser para classes sociais desfavorecidas, não para raças. E nesse momento quem se mostra mais racista são os próprios negros a favor dessas cotas.
        Esse sistema é um meio barato usado pelo governo para mascarar a desigualdade social, quando o correto seria investir na educação. Além disso o governo tbm ganha os votos das pessoas que concordam com tais cotas.
        Você criticou um intelectual muito esclarecido, mas não usou absolutamente argumento nenhum. Diferentemente do que você disse no primeiro comentário quanto a ignorá-lo, eu não ignoro você. Eu tenho pena, e gostaria que você refletisse mais a respeito da sua posição (se é que seria uma). Acho que pessoas como você devem ser objeto de estudo para a ciência e psicologia.
        Sinto muito por você não possuir senso crítico. Deve ser uma vida um tanto monótona.

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  4. fabio nogueira

    Para um bom entendedor as escritas já dizem muitos. Falar que o Estado brasileiro nunca criou leis raciais após abolição é negar a história ou querer maquia-la.
    Não desqualifico o professor e sua obra. Repudio como ele trata o debate. Ser contra as cotas não quer dizer racista. Os argumentos,sim,que fere os meus ouvidos Matias. Há grupos chamados formadores de opinião como disse a jornalistas Miriam Leitão são uns verdadeiros Rottweiler,se contrariar poderá ser destroçado por inteiro. Desses formadores eu quero distância,sequer perco meu tempo lendo ou assistindo esses cidadãos.
    Vida Monótona…… Se for para discorda aquilo que não me agrada ou dizer que concordo ou não Matias,acredito que seja melhor que a sua. pelo menos tenho senso critico e não sou vaca de presépio .

    Racismo institucionalizado no Brasil de Vargas

    Demétrio Magnoli

    Inspirados em Demétrio Magnoli e Ali Kamel, semanalmente uma série de pessoas entram neste blog para repetirem, como papagaios de pirata, que o Brasil não é um país racista e que jamais teve leis de tal natureza. O intuito, ao reproduzirem os argumentos mal intencionados dos supra-citados, é justificar posições contrárias às cotas raciais alegando que, ao criar leis que determinam as cotas raciais, o governo brasileiro estaria institucionalizando o racismo.

    Pois bem, para acabar com toda essa baboseira, abaixo destaco trecho de um decreto-lei, de Agosto de 1945, no contexto do fim da Segunda Guerra Mundial e em pleno governo de Getúlio Vargas. Tal decreto-lei só seria revogado EM 1980, pela lei n. 6.815.

    Atenção papagaios de pirata de plantão:

    DECRETO-LEI n. 7.967 DE 27 DE AGOSTO DE 1945

    O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição e considerando que se faz necessário, cessada a guerra mundial, imprimir á política imigratória do Brasil uma orientação racional e definitiva, que atenda à dupla finalidade de proteger os interêsses do trabalhador nacional e de desenvolver a imigração que fôr fator de progresso para o país,

    DECRETA:

    TÍTULO I

    Da entrada de estrangeiros no Brasil

    CAPÍTULO I

    ADMISSÃO

    Art. 1º Todo estrangeiro poderá, entrar no Brasil desde que satisfaça as condições estabelecidas por esta lei.

    Art. 2º Atender-se-á, na admissão dos imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia, assim como a defesa do trabalhador nacional.

    Ora, pra quem sabe ler, o artigo segundo é cristalino ao revelar que, ao admitir-se imigrantes no Brasil, os agentes públicos devem estar atentos à necessidade de “preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características de sua ascendência européia”. De modo que, sem maiores necessidades de argumentação, está explicito o cunho racial do decreto-lei acima destacado.

    Portanto, ao buscarem justificar seu posicionamento contrário às cotas raciais em argumentos falaciosos que afirmam que o Brasil não é um país racista ou que jamais teve o racismo institucionalizado, os ditos papagaios de pirata nada mais fazem do que tentarem camuflar o seu próprio preconceito nestes autores, haja vista que, frequentemente, boa parte dos contrários às cotas já se posicionavam de tal modo e davam suas opiniões antes mesmo de conhecerem o histórico da legislação brasileira sobre o assunto. Assim, buscam colar em seus preconceitos, os discursos ideológicos de intelectuais que visam manter o status-quo de dominação de uma classe sobre a outra, replicando a dita ideologia no seio das classes exploradas.

    É justamente por essa razão que, não raro, vê-se entre os trabalhadores e demais pobres alijados das Universidades públicas, o discurso de serem contrários às cotas raciais por estas serem racistas. Eis a perversidade dos discursos produzidos pelos ditos intelectuais do status-quo e reproduzidos à esmo por anencéfalos cujo objetivo principal é, meramente, esconderem seu preconceito de cor condenando, com isso, milhões de brasileiros a caminhos cada vez mais dificultosos para terem uma possibilidade de ascensão social.

    • Matias

      “o que segue é focado na SUA (fabio) opinião (opinião?), e não no Demétrio ou seus argumentos que provavelmente eu desconheço”
      “”e não no Demétrio ou seus argumentos que provavelmente eu desconheço””
      “””e não no Demétrio ou seus argumentos que provavelmente eu desconheço”””

      “te pergunto o seguinte: Qual a diferença entre um branco classe D e um negro classe D ? Eles nasceram com as mesmas condições, estudaram na mesma escola, por que o negro deve ter vantagem? O negro é menos inteligente? – A cota tem de ser para classes sociais desfavorecidas, não para raças”

      E adiciono: “Se” os negros são maioria entre os pobres, então não é de se esperar que a maioria que entrará pelo sistema de cotas de classe social seja negra?

      Eu não abriria mão de minha vaga pra outra pessoa que teve as mesmas oportunidades que eu. Além de injusto isso só estimula o racismo. E digo mais… Se querem diminuir o racismo, o governo deveria se preocupar com outras questões, e não só com o que dá votos. Como por exemplo a novela carrossel que foi regravada no SBT, onde o único negro é motivo de chacota do início ao fim. Mas não, isso a sociedade aplaude… E enquanto isso a semente é plantada na cabeça das crianças…

      Qual é o argumento que justifica cotas raciais? Reparação histórica ?(como diz Marta Suplicy num vídeo aqui mesmo) Sério? Preciso falar das contradições e injustiças dessa ideia?

      • Caro Matias,

        Não deveria me surpreender que sua ignorância de como se desenrolou a história do Brasil o impede de ver como a sociedade brasileira é injusta com os negros. Afinal de contas, nossa sociedade atual nasceu como ela é, por isso você é incapaz de desconsiderar a diferença entre um negro de Classe D e um branco de Classe D, como você mesmo sugeriu. Quase 4 séculos de escravidão não são suficientes para você perceber a sociedade preconceituosa e racista na qual você está imerso e a maneira cruel como você acusa de racista justamente quem está lutando contra o preconceito e o racismo da sociedade. Se tiver um tempinho, leia o post que preparei com base em um texto do historiador SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, a respeito das leis e do preconceito no Brasil: https://umhistoriador.wordpress.com/2013/02/17/a-lei-e-o-preconceito/. Talvez possa ajudar a compreender melhor o processo histórico que faz com que a sociedade atual continue diferenciando brancos e negros de modo atroz em seu cotidiano.

        O que me deixa triste, como sempre, é perceber que o Demétrio Magnoli é mau intencionado, pois repete seu discurso para pegar os incautos e aqueles que incapazes de pensar por si (o que se chama capacidade crítica). Você, infelizmente, é apenas um tolo. Aliás, mais um que se deixa enganar pelo discurso ideológico da democracia racial brasileira. Uma pena que o Brasil esteja repleto de pessoas assim.

        Att.

        RB

      • Matias

        Ótima argumentação! -.-
        Eu tiro o Demétrio e sua teoria de democracia racial e vocês voltam a citá-lo, e dizer que eu sou alienado… é verdade o que dizem..diploma não é muita coisa..Fui no seu artigo – nunca disse que o Brasil não tem preconceito, e que não teve leis racistas no passado. Aliás gosto muito de história, o que você sabe não é nenhum segredo de estado, seu bobão.
        A ideologia e o modo como à defende neste blog, assim como a pequeneza de público, me leva a compará-lo a este. http://aurorabrasilis.blogspot.com.br/
        Veja um dos artigos (não estou concordando)
        http://aurorabrasilis.blogspot.com.br/2012/01/negros-100-fatos-e-uma-mentira.html

        Vai lá, comenta alguma coisa e vê no que dá. Aliás, “admitir tal inferioridade” seria o único argumento favorável a cotas raciais.
        Quando vejo este, vejo aquele. É praticamente a mesma coisa… de uma certa perspectiva.
        Defender questões sociais de modo parcial com certeza não é ser Um Historiador, mude o nome do blog.

      • Caro Matias,

        Acho que você está perdido, pois nem sabe bem o que está defendendo. Embora tenha retirado o nome do Demétrio Magnoli de seu último comentário e não tenha mencionado diretamente o discurso da democracia racial, o que você está fazendo é justamente repetindo o discurso de Magnoli e, com seu exemplo tolo, assinando embaixo o mito da democracia racial.

        O que eu sei, realmente não é um segredo de Estado. O problema é que o seu diletantismo não significa, obviamente, que você faça uma análise acurada da situação de determinados agentes sociais e configuração das relações sociais do presente com base na observação dos processos históricos desenrolados no Brasil desde o período colonial. O que você tem feito aqui, é tentado adaptar discursos produzidos por alguns intelectuais às suas opiniões ou percepções pré-concebidas. Sua argumentação demonstra isso claramente.

        O diploma realmente não significa muita coisa. Mais importante do que os títulos, é a capacidade crítica com a qual observamos o mundo ao nosso redor. A experiência acadêmica, realmente, nos instrumenta melhor para isso, mas não é determinante. Contudo, como já apontei, infelizmente suas observações parecem carecer dessa capacidade crítica da qual estou falando.

        Quanto a sua modesta opinião à respeito do nome do meu blog, uma vez mais se equivoca. Como poderia mudar o nome do meu blog se o que estou tentando fazer você considerar, ao olhar para a situação de injustiça vivida pelos afrodescendentes em nossa sociedade atual, é justamente o processo histórico vivido por esses agentes sociais desde a sua introdução no Brasil até os dias atuais para que, dessa maneira, você possa compreender a exclusão, o preconceito e o racismo com que hoje são tratados os afrodescendentes? Como poderia mudar o nome do meu blog se minha indicação para que você compreenda melhor esse processo foi justamente a leitura do historiador Sérgio Buarque de Holanda? Poderia ter indicado outros também, como a leitura de O Trato dos Viventes, de Luiz Felipe Alencastro, mas acho que seu diletantismo não chegaria a tanto.

        Por fim, sua argumentação alegando minha “parcialidade” ao defender questões sociais é PÍFIA. O historiador, com base em suas análises da sociedade em que vive, deve se posicionar claramente, inclusive fazendo uso dos meios de comunicação, exercendo dessa maneira sua função social (que não se atém à docência e à produção de conhecimento). Para continuar citando Sérgio Buarque de Holanda, um dos maiores historiadores do país, ele foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e apoiava a luta dos movimentos sociais dos trabalhadores sem-terra pela reforma agrária (inclusive suas estratégias e formas de resistência). Outro grande historiador brasileiro, esse ainda vivo, Luiz Felipe Alencastro, também se posicionou claramente diante da questão das cotas raciais após considerar o processo histórico de exclusão dos afrodescendentes em função do passado colonial escravista do país. Sua fala na audiência pública do STF, aliás, intitula-se “A Herança Escravista”. Segue vídeo com a fala de Alencastro:

        Enfim, não basta gostar de história, tem que olhar pro passado com olhos atentos e críticos para não ser feito de bobo e embarcar no discurso de gente mau intencionada defendendo interesses de uma minoria que não quer abrir mão de seus privilégios.

        Att.

        RB

      • Matias

        Realmente, o uso de “ideologia” foi ridículo, mas enfim.. não foi por falta de conhecimento do significado, foi uma grande desatenção.
        ——————————————————————————————-
        Quanto ao título do blog foi mais uma provocação, mas a questão é que historiador não é sinônimo de parcialidade, e esse não é um blog apenas de história, mas também de opinião.
        Pra mim historiador sempre foi imparcial, dei uma pesquisada aí no Google e o que achei foi que ele deve buscar tal imparcialidade mesmo que difícil, de modo a mostrar os fatos e quando necessário os dois lados da questão. Não é o que você faz aqui em alguns casos. Por exemplo no caso do texto “As Leis e o Preconceito: mais algumas considerações a respeito das cotas raciais” quando você se propõe a questionar (ou induzir) os motivos da dificuldade na auto-classificação: os itens 3 e 4 são perguntas retóricas, e são só a sua opinião, não é porque algo ocorreu no século XVIII que se aplica de forma análoga ao presente. Eu conheço várias pessoas que poderiam se dizer brancas mas que se dizem pardas, mesmo quando não existe vantagem alguma. Sinceramente, eu sou uma delas. E também, o que mais vejo são negros com orgulho da raça e não vergonha. (Essa é a minha opinião, e mesmo que eu fosse um historiador, seria só uma opinião pessoal, mesmo porque não passa de achismo). Mas como você disse um historiador pode sim dar opinião, e quem sou eu pra contrariar um mestrando. Eu só acho que existem opiniões e opiniões, e nesse exemplo não existem bases suficientes para tal conclusão que você induziu.
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        Agora só pra explicar a minha posição quanto as cotas, que é a minha opinião e não de “outros intelectuais”.. (leiam ela toda que talvez vocês concordem que nossas opiniões não são tãão diferentes como talvez acabou por parecer.
        O passado foi muito injusto com os negros, mas infelizmente passou, e não há o que reparar, o que passou.. passou. Hoje as leis são justas, o branco pobre do presente não pode ser penalizado pelo que a sociedade fez com o negro no passado. É óbvio que isso fomenta racismo. Se a cota para estudantes de escola pública não é suficiente para trazer o negro pro ambiente acadêmico, de duas uma: o negro não tem interesse pela universidade (ou foi levado a não ter – porém acredito que o branco pobre também entra nisso) OU o negro de escola pública é mais pobre que o branco (tendo assim menor qualidade de vida, e portanto menor capacidade de aproveitar a escola), então o que vemos é uma seleção da “elite pobre” dos brancos (acho que vocês concordam com essa resposta).
        Porém isso absolutamente não é uma regra, existem brancos nessa faixa de pobreza. Portanto, o correto seriam cotas para estudantes de escola pública, e dentro da porcentagem, o equivalente destinado atualmente à negros deveria ser destinado à jovens com renda por pessoa inferior a “tal” (um valor mais baixo que o atual nas federais, onde tem cotas para 1,5 salários mínimos por pessoa. Isso é ridículo, não atinge os pobres do Brasil – 1,5 por pessoa é um pouco mais do que a renda da minha família.) -Assim é substituída uma diferenciação com base na cor -que além de fomentar racismo dá muitas brechas para interpretação e injustiça, por uma diferenciação de renda, muito mais contundente, que atingirá NA MAIORIA DOS CASOS os negros.

        Inclusive vou usar de algo que você diz em outro texto: “PORTANTO, NÃO É REPARAÇÃO, É POLÍTICA DE COMBATE À UMA DESIGUALDADE PRESENTE E NÃO PASSADA.” Sim, vamos colocar a classe E na faculdade, mas por que só os negros da classe E? Os brancos também não fazem parte da desigualdade?

        Se isso não tem lógica pra vocês, então eu sei lá, acho que enlouqueci.
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        Queria adicionar ao Fábio que não sou elitista, minha classe seria “c2”, e duvido muito que “O que está em jogo é a permanência no poder das minorias fortes politicas e financeiramente que mandam e desmandam nesse país há séculos”, Afinal, se fosse assim eles seriam contra cota social também, não? Isso tem cheiro de teoria da conspiração. Aliás, essas cotas com certeza não abalam o “capitalismo selvagem”, diminuem muito pouco o poder da elite.

      • Em tempo, informe-se sobre o conceito IDEOLOGIA antes de utilizá-lo sem base como o fez aqui.

        De leitura rápida e bastante esclarecedora, recomendo o livro da Prof. Marilene Chauí da série Primeiros Passos: O QUE É IDEOLOGIA. Se compreendê-lo bem, verá o grande despropósito com o qual utilizou o conceito ao falar da “ideologia e o modo com a qual a defendo nesse blog”.

        Att.

        RB

  5. fabio nogueira

    Em defesa de seus ideias e privilégios,as pessoas se vendem e preferem morrer na ignorância ou na inocência. Os fatos mostram tudo,não precisa ser diplomado ou intelectual para observar que Estado agiu errado e foi perverso de não dar um novo recomeço para os ex-escravos.

    Negar que o Brasil não criou leis raciais após abolição e por tudo de mais podre que o Brasil tem em toda sua história

    O que está em jogo e a permanência do poder das minorias fortes politicas e financeiramente que mandam e desmandam nesse país há séculos,e justo onde há outros grupos envolvidos em quebrar o ciclo vicioso pessoas como Mathias e demais se sentem ameaçados.

    O discurso parece do século 19,aonde os fazendeiros insistiam que abolição seria um erro histórico para o país. Mais de cem anos se passaram e os discurso continua o mesmo.

    Como diz o ditado popular: O queijo muda o formato,enquanto os ratos continuam os mesmo.

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