[RACISMO] Aluno de 8 anos é impedido de fazer rematrícula em escola de Guarulhos

E no dia em que morre Nelson Mandela, somos informados pelo site do Geledés – Instituto da Mulher Negra, de uma escola em Guarulhos (grande São Paulo) que impediu um aluno de 8 anos de se rematricular, pois a mãe recusou a cortar o cabelo em estilo “Black Power” do filho.

Segundo a escola, COLÉGIO CIDADE JARDIM CUMBICA, “a professora havia orientado a mãe a cortar o cabelo do menino porque a franja estava atrapalhando a visão dele”. Não satisfeita com o absurdo, a escola ainda tenta culpar a mãe pela perda da rematrícula, alegando que “a mãe perdeu o prazo da rematrícula e que foi orientada a colocar o nome do filho na lista de espera”. A mãe do menino ainda tentou alegar que o cabelo não atrapalha em nada o filho e que o mesmo só fica na frente do olho se eles puxarem, mas a professora da criança teria dito à mãe que o cabelo do menino ‘Atrapalha os colegas a enxergar a lousa. É crespo e é cheio. Não é adequado esse cabelo. Venhamos e convenhamos mãe’.

Para quem ainda questiona se existe racismo no Brasil, está aí mais um exemplo da prática do RACISMO hediondo e detestável com o qual convivemos diariamente.

Abaixo, a notícia tal como veiculada no site do Geledés:

A TAL CONSCIÊNCIA HUMANA: ALUNO DE 8 ANOS COM CABELO BLACK POWER É IMPEDIDO DE FAZER REMATRÍCULA EM ESCOLA

A polícia abriu inquérito para investigar um caso de racismo em uma escola particular em Guarulhos, na Grande São Paulo. A escola mandou um recado para a mãe de um aluno dizendo que ele devia cortar o cabelo – estilo black power – que usava. A mãe se recusou a mudar o corte e quando ela foi rematricular o filho, a escola não aceitou.Uma faixa colocada na entrada da escola anuncia que estão abertas as matrículas para o ano que vem. Mas o aviso não vale para Lucas Neiva de Oliveira, de 8 anos, que já estudava no colégio Cidade Jardim Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Aluno da terceira série, ele passou de ano com notas altas. Mesmo assim, não pode continuar na escola.

Os desentendimentos começaram em agosto, quando Maria Izabel Neiva recebeu um bilhete da professora do filho: ela pedia que Lucas usasse um corte de cabelo mais adequado porque o garoto reclamava do comprimento. “O cabelo não atrapalha. O único jeito de chegar no olho é se eu puxar. Não tem como”, conta o menino.

Maria Izabel decidiu não cortar. Mandou um bilhete para a diretora, que respondeu: “É que realmente esse cabelo não é usado aqui no colégio pelos alunos”.

“Vim conversar com ela pessoalmente, passei umas duas ou três horas na sala com ela porque eu falei para ela assim: ‘Não atrapalha em nada o cabelo dele. Ele enxerga normalmente, o cabelo não está no olho, não atrapalha em nada’. E ela disse assim: ‘Atrapalha os colegas a enxergar a lousa. É crespo e é cheio. Não é adequado esse cabelo. Venhamos e convenhamos mãe’”, conta a mãe.

A mãe de Lucas disse que nesse fim de ano não recebeu nenhum aviso sobre a rematrícula do filho. Ficou preocupada e telefonou para o colégio perguntando sobre os prazos. Nessa semana, ela foi na última reunião de pais e foi à secretaria, onde foi informada que já não havia mais vaga para o garoto.

Outra mãe, que prestou depoimento à polícia como testemunha do caso, foi até a secretaria da escola depois de Maria Izabel e conseguiu rematricular a filha, que estuda na mesma classe de Lucas.

“Eu só quero os direitos dele estudar, entendeu? Eu pago a mensalidade tudo adiantado, a melhor educação para o meu filho. Eu já passei preconceito quando era criança e agora o meu filho passando por isso”, lamenta.

Após a queixa da mãe de Lucas, o delegado já instaurou um inquérito para apurar o caso. “Toda vez que a pessoa é impedida ou é tolida de entrar em algum estabelecimento, inclusive estabelecimento de ensino, que tenha a conotação que é por causa da cor ou do cabelo está caracterizado dentro da lei que apura os crimes raciais”, diz Jorge Vidal Pereira .

Em nota, a direção do Colégio Cidade Jardim Cumbica disse que a mãe perdeu o prazo da rematrícula e que foi orientada a colocar o nome do filho na lista de espera.

Afirmou ainda que o inquérito policial é absurdo e que a professora havia orientado a mãe a cortar o cabelo do menino porque a franja estava atrapalhando a visão dele, mas que isso não tem relação com o fato de Lucas não poder ser rematriculado.

De acordo com a polícia, a diretora da escola já foi notificada do inquérito e deve comparecer segunda-feira na delegacia para prestar depoimento.

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2 Comentários

Arquivado em Educação, Preconceito, Racismo

2 Respostas para “[RACISMO] Aluno de 8 anos é impedido de fazer rematrícula em escola de Guarulhos

  1. O que dizer, mas ao mesmo tempo, como silenciar esse absurdo?

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