Clóvis Rossi: exemplo do jornalismo mau intencionado

Clóvis Rossi, jornalista da Folha.

Nesse domingo, o jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, escreveu um artigo exemplar de toda sua má intenção ao cobrir a participação do Brasil na Copa do Mundo: Brasil vai indo, medíocre até nos pênaltis.

O título do artigo, repleto de sentidos, já indica que embora se trate de um texto sobre o jogo mais recente do Brasil na Copa do Mundo, também contará com algumas pitadas sobre como o país vem sendo conduzido politicamente (que, pelo que indica o título, vai indo mediocremente).

Uma rápida olhada no texto bastaria para perceber a mediocridade (não do Brasil, mas de Clóvis Rossi) e a má intenção do articulista ao falar do tema que se propõe, a Copa do Mundo:

“[o Brasil foi] Tão mal que não conseguiu vencer o Chile, derrotado com folga em três Copas anteriores”.

Como se o Chile que entrou no gramado do Mineirão ontem fosse o mesmo que atuou em três edições de Copas anteriores e que, coincidentemente, o Brasil derrotou. Para quem não vem acompanhando as notícias da Copa, a imprensa especializada vem justamente destacando de como esta seleção do Chile é a melhor de todos os tempos. Então, como Rossi pode vir a público e escrever parvoices como essa? Desconhecimento ou má-intenção? Ah, sim! Deve-se levar em conta que o que fez Rossi acima, é uma prática normal da Folha e de muito de seus jornalistas. Vê-se, frequentemente, textos de jornalistas que buscam tirar a complexidade dos eventos passados, tornando-os como se fossem algo homogêneo e previsíveis, que podem ser trazidos para o presente ao bel prazer de qualquer um, para justificar uma impressão ou opinião do presente. Segundo essa operação, se o Chile perdeu em algumas oportunidades jogos contra o Brasil na Copa do Mundo, logo ele está fadado a perder eternamente para a Seleção Canarinho e, se algum dia o Chile ousar a ganhar, não será por mérito próprio, mas por um vexame do Brasil.

Não satisfeito com as primeiras tolices que disse, Rossi complementa os absurdos de seu texto afirmando que:

“[a partida] teve que ir aos pênaltis e, ainda assim, esgotar toda a série de cinco”.

Como se os jogadores brasileiros fossem obrigados a converterem seus pênaltis, independente das condições e do contexto (tal como a forte pressão sobre os jogadores de ter que ganhar uma Copa realizada no Brasil) e, pior ainda, por considerar que seja mais do que natural que alguns jogadores do Chile tenham que perder seus pênaltis (já que segundo a interpretação de Rossi, o certo seria sequer precisar dos cinco pênaltis).

A conclusão do artigo consegue ser ainda pior do que todo o resto, especialmente quando Rossi diz que:

“(…) o futebol do Brasil, até agora, dá para eliminar os sul-americanos (nem que seja nos pênaltis), mas parece pouco para enfrentar Alemanha ou França, um dos prováveis rivais na semi-final”.

Como se o futebol praticado por europeus fosse de um nível muito superior àquele jogado pelos sul-americanos. Parece que o articulista não tem acompanhado a Copa e não viu que velhos campeões europeus como Itália, Espanha e Inglaterra já voltaram para suas respectivas casas, eliminados da Copa do Mundo justamente por sul-americanos como Costa Rica, Uruguai e Chile. Revelando um já vencido “complexo de vira-latas”, na expressão de Nelson Rodrigues, no qual o futebol sul americano é menosprezado diante do futebol europeu, quando o desenrolar da Copa das Copas tem mostrado justamente o reverso dessa moeda.

Brasil vence Chile

Brasileiros comemoram classificação após vitória nos pênaltis contra o Chile. 28.jun.2014. Foto: Flávio Florido (UOL)

Para concluir, me parece evidente que Clóvis Rossi está escrevendo sobre o jogo de ontem, com olho na vida política do Brasil. Especialmente meses antes das eleições presidenciais. Como já mencionado, ao falar que o Brasil “vai indo, mediocremente”, ele parece referir-se não apenas à Seleção Canarinho, mas também ao país. Sabe-se que o resultado dessa Copa do Mundo terá, inevitavelmente, alguma influência nas urnas. Muitas pessoas que se opõem ao governo de Dilma Rousseff acreditam que uma eliminação precoce do Brasil poderia diminuir a popularidade da presidenta a ponto de colocar em risco sua reeleição. Eu, particularmente, não acredito nisso. No entanto, jornalistas e veículos que fazem oposição sistemática ao governo (como Rossi e a Folha), exploram qualquer possibilidade que possa tirar alguns votos de Dilma, mesmo que seja através de um artigo mal escrito, buscando associar uma alegada mediocridade da apresentação da Seleção Brasileira, com a mediocridade da condução política brasileira, na opinião do jornalista. Vergonhoso!

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6 Comentários

Arquivado em Jornais

6 Respostas para “Clóvis Rossi: exemplo do jornalismo mau intencionado

  1. O futebol na europa é superior ao praticado no Brasil. O artigo do Clóvis é chatinho, não transforme tudo em final de copa. A preocupação mostra uma ansiedade grande em mostrar o que todos vêem, em qualquer direção que se olhe.

    • Olá Mariel,

      Não me refiro apenas ao futebol praticado na Europa, Mariel, mas àquele praticado pelas seleções e, se olharmos para o histórico dessa Copa, veremos que as seleções da Inglaterra e da Espanha, onde se jogam dois dos melhores campeonatos do planeta, já estão de fora, só olhando.

      Em minha opinião, o Clóvis é mau intencionado e não é de hoje… (a foto da reportagem era a do Neymar caído no gramado, o que considero ser muito significativa, se analisada em conjunto com o título do artigo e com a metáfora que a dupla Rossi/Folha usaram para descrever não só a Seleção, mas também o Brasil).

      Abraço,

      RB

  2. Edu

    Este é mais um artigo de gente que esta desanimada com a seleção brasileira. De fato, o time é fraco de jogadores ( talvez a pior geração , junto com 2010 que já ví jogar). Em futebol tudo é passional e todos entendem. A sua anáise que o Chile não deve ser menosprezado é verdadeira, mas tivesse o Brasil um bom time, tudo seria diferente. O que devemos entender é que esta é a realidade. O Futebol Brasileiro não é bom hoje e o Futebol praticado na Europa ( especialmente os clubes, onde tem os melhores do mundo todo) é muito superior. O que poderia mudar isto?
    Quanto ao Clóvis Rossi, acho que vc esta numa visão de paranóia , pois a Folha não tem 1 cara ( tem de tudo alí) e o Clóvis Rossi é um cara que na essência apóia a linha de esquerda, mas talvez não apoie o PT e o governo recheado de corruptos.

  3. Fabrício Faria

    Queria ver a cara do retardado que escreveu esse texto depois do 7×1 dos alemães.. HAHAHA..

    E sim, estamos tecnicamente em recessão. O país também vai indo medíocre, como a seleção ia.

    • A cara do retardado continua a mesma, caro Fabrício. Ao que parece, você foi incapaz de interpretar o texto escrito contra a forma desrespeitosa com a qual o jornalista em questão estava tratando os jogadores da seleção brasileira. Independente do resultado final da Copa do Mundo e dos alegados 7×1, continuo me posicionando de modo contrário ao jornalismo mal intencionado de certa parte da mídia brasileira. Enfim, coisas de “retardados” que gente sábia, como você, jamais seria capaz de perscrutar.

      Passar bem,

      RB

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