Rússia se junta à China em projeto que prevê construção de canal na Nicarágua

Em notícia divulgada na Gazeta Russa (13.mai), o país governado por Vladimir Putin juntou-se à China em projeto que prevê a construção de um novo canal na América Central, dessa vez na Nicarágua (como já havíamos noticiado aqui anteriormente).

Segundo a notícia, a parceria entre Rússia, China e Nicarágua para a construção do Grande Canal Interoceânico poderá desafiar o controle dos Estados Unidos sobre a região: “Esse Canal promete ser a maior rede de transporte do hemisfério Ocidental, e levará os EUA a perderem significativamente o controle que tiveram sobre a região nos últimos cem anos”, afirmou Emil Dabaghian, pesquisador do Instituto Latino Americano da Academia de Ciências Russa.

Tal notícia revela o quão acertada foi a decisão do governo brasileiro, através do BNDS, em investir US$ 682 milhões na ampliação do Porto de Mariel, em Cuba,  bem como na construção de uma Zona de Desenvolvimento Econômico (ZDE) naquela região, com aporte de mais US$ 290 milhões do BNDS.

Como é de se imaginar, as empresas brasileiras que estiverem atuando na ZDE cubana seguramente estarão entre as grandes beneficiadas com a construção do canal (e, em consequência, o governo brasileiro através do aumento da arrecadação e do provável incremento que as obras prometem dar à exportação de produtos brasileiros). Não restam dúvidas de que, com todas essas obras ocorrendo na América Central e Caribe, a região está entre as que desfrutará de altos índices de crescimento econômico nas próximas décadas e, oportunamente, o governo brasileiro se adiantou em marcar sua posição na região.

Para os que criticaram a decisão do governo brasileiro, questionando quais os reais benefícios em investir quase US$ 1 bilhão de dólares naquela região, está aí uma boa justificativa que leva para bem longe a hipótese aventada pela oposição e setores da grande mídia, de que o governo brasileiro estaria fazendo as obras por questões ideológicas, em benefício do regime cubano dos irmãos Castro.

Abaixo segue a íntegra da notícia tal como publicada no site da Gazeta Russa:

PROJETO CONJUNTO COM A CHINA PREVÊ CONSTRUÇÃO DE CANAL NA NICARÁGUA
por Iúri Paniev | especial para a Gazeta Russa | 13.mai.2014

Canal da Nicarágua será o mais profundo, largo e longo do mundo Foto: Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

“Depois de prolongadas reflexões, a Rússia finalmente concordou em tomar parte na construção do canal que promete ser a maior rede de transporte do hemisfério Ocidental. Dessa forma, os EUA perderão uma parte significativa do controle sobre esse território, que eles exerceram durante os últimos cem anos, graças ao Canal do Panamá”, disse Emil Dabaghian, pesquisador do Instituto da América Latina da Academia de Ciências Russa, à Gazeta Russa.

A nova hidrovia artificial, que irá se estender por 286 km (contra os atuais 81,5 km do Canal do Panamá), começará a ser construída no final do ano, conforme estipulado pelo acordo tripartido entre as autoridades da Nicarágua, Rússia e China. A entrega da obra concluída está prevista para 2029.

A verba para realização do projeto, estimada em 40 bilhões de dólares, dependerá sobretudo do grupo chinês HKND, que recebeu a concessão por um período de cem anos para a abertura e operação do canal.

A principal vantagem dessa rota é a largura de 83 metros e a profundidade de 27,5 metros, o que irá permitir a passagem de embarcações da classe superpesada, com um deslocamento de água de até 270 mil toneladas. Em comparação com seu análogo no Panamá, o Canal da Nicarágua será mais profundo, largo e longo. Além disso, planeja-se a construção de dois portos, um aeroporto e um oleoduto.

Na opinião do diretor-geral do Instituto Nacional de Energia, Serguêi Pravosudov, a Rússia será beneficiada não só economicamente, mas também no aspecto geopolítico. “A América do Norte controla os pontos básicos através dos quais seguem as rotas marítimas: os Canais do Panamá e de Suez, bem como as principais rotas comerciais que passam por Singapura, Gibraltar etc. Por isso, o surgimento de uma via navegável alternativa é um desafio direto aos EUA”, alega Pravosudov.

A ideia de construir um canal na Nicarágua surgiu ainda no século 19. Mas, naquela época, a situação política na América Central não era propícia devido à ocupação da Nicarágua por tropas americanas. Foi somente em setembro de 2013 que o Parlamento da Nicarágua aprovou as contas relativas à construção do canal.

Entre as perspectivas que se abrem, as autoridades nicaraguenses esperam um rápido crescimento do PIB, a expansão do mercado de trabalho, novas oportunidades para os negócios locais e receitas provenientes da exploração do canal.

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2 Comentários

Arquivado em Economia, Jornais, Política

2 Respostas para “Rússia se junta à China em projeto que prevê construção de canal na Nicarágua

  1. Estas Ongs estão mais interessadas no dinheiro vindo de contribuintes do que zelar pelas florestas , rios e do histórico patrimonial natural da humanidade. A Amazonia está sendo dizimada e estas Ongs nada mais fazem que repetir o que os jornais do mundo inteiro já dizem há mais de 50 anos. Como são capitalistas estas ONGS teem que ter investimentos e estratégias para conter a destruição da fauna , flora e agentes naturais . Mas por ser capitalistas tais ONGS querem ver o Caixa cheio e as atitudes muitisssimo abaixo do que podem fazer. É melhor estar num carrão importado do que estar na Amazonia defendo o ecossistema.

  2. tenebrio

    CÊS TÃO DE BRINCADEIRA.

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