O liberalismo racista de Thomas Sowell divulgado pelo IMB

Thomas Sowell (reprodução)

Thomas Sowell, economista estadunidense e membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford, escreveu um texto sobre racismo e cotas raciais, que foi traduzido por Leandro Roque e publicado no portal do Instituto Ludwig von Mises Brasil (IMB).

Intitulado Afinal, quem são os racistas?, Sowell não faz nada além do que utilizar o velho recurso de culpar a vítima para, de modo bastante cruel, apontar o que ele julga ser prática de racismo por parte da liderança dos movimentos negros em sua luta pela aprovação de políticas públicas com adoção de ações afirmativas. Isto é, inverte a acusação de racismo que os movimentos negros fazem à sociedade estadunidense, acusando essa mesma liderança de praticar o racismo na busca de vantagens financeiras para si e/ou para o grupo que representam.

Com uma argumentação tacanha, o autor compara a situação dos afro-descendentes estadunidenses com a de imigrantes asiáticos que, após abandonarem seus países de origem e se estabelecerem em uma cultura bastante distinta da deles, conseguem prosperar e enriquecer sem auxílio de “favores”:

“(…) em vários países ao redor do mundo, inclusive naqueles países chamados de terceiro mundo, vários imigrantes extremamente pobres, principalmente oriundos da Ásia, não apenas conseguem prosperar mesmo sendo de uma cultura totalmente distinta, como também conseguem enriquecer sem jamais recorrer a favores especiais e a políticas de ação afirmativa”.

Em seu discurso ideologizante, Sowell faz questão de ignorar as diferenças inerentes dos processos históricos que levaram os africanos à América e condicionaram a situação dos afro-descendentes nos Estados Unidos nos séculos XX e XXI; e dos fenômenos que levaram ondas de asiáticos a imigrarem para os mais diferentes países. Para o liberal da Escola de Chicago, tais experiências seriam equivalentes e, justamente por isso, faz sua comparação absurda, para não dizer mal intencionada.

Sowell não para por aí. Como se não bastasse a comparação despropositada, continua a detalhar o exemplo do imigrante asiático, descrevendo a razão do sucesso desses grupos prosperarem e enriquecerem nos países para onde imigram. A receita de Sowell é a seguinte:

“Eles [imigrantes asiáticos] frequentemente começam trabalhando em empregos de baixa remuneração.  Mas trabalham muito.  A norma é trabalharem em mais de um emprego.  Trabalham tanto que conseguem poupar e, após alguns anos, utilizam esta poupança para empreender.  Muitos abrem um pequeno comércio, no qual continuam trabalhando longas horas e ainda continuam poupando, de modo que se tornam capazes de mandar seus filhos para a escola e para a faculdade.  Seus filhos, por sua vez, sabem que seus pais não apenas esperam, como também exigem, que eles sejam igualmente disciplinados, bons alunos e trabalhadores”.

Ao descrever a “receita do sucesso” do imigrante asiático em terras americanas, Sowell revela dois aspectos que não estão colocados explicitamente em seu discurso:

  • O afro-descendente não prospera e enriquece nos Estados Unidos porque é preguiçoso e não quer trabalhar do mesmo modo como fazem os asiáticos que imigraram para aquele país;
  • Um indivíduo só conseguirá “prosperar ou enriquecer” nessa sociedade ideal que ele defende, se ele mesmo permitir que o mercado faça uma exploração selvagem de sua força de trabalho e, como se isso não bastasse, em seguida, depositasse no sistema financeiro todo o fruto de seu trabalho para, uma vez mais, ser brutalmente explorado.

Esta é, portanto, a visão de Sowell sobre como os afro-descendentes deveriam proceder para prosperarem e enriquecerem nos Estados Unidos. Jamais deve ser através do Estado, isto é, da organização em associações e movimentos que reivindiquem de seus representantes no legislativo a votação de políticas públicas que adotem ações afirmativas para a superação da condição de marginalidade dos afro-descendentes naquele país, decorrente do processo histórico de escravização, discriminação, racismo e segregação vivido por esses grupos e seus descendentes desde o século XVII.

Tal posicionamento fica ainda mais evidente no texto de Sowell quando ele tenta explicar a razão dos asiáticos serem tão bem sucedidos:

“(…) seu sucesso pode ser atribuído a algo que eles não têm: “líderes” e autoproclamados porta-vozes lhes dizendo diariamente que são incapazes de prosperar por conta própria, que o sistema está contra eles, que eles não têm chance de ascender socialmente caso não sigam os slogans repetidos mecanicamente por estes líderes e sociólogos, e que por isso devem se juntar sob o rótulo de “vítimas do sistema” e exigir políticas especiais e tratamento diferenciado (…) infelizmente, é exatamente esta linha de raciocínio, só que em relação aos negros, que vem sendo diariamente propagada por acadêmicos e sociólogos irresponsáveis (…) que dizem precipitadamente que determinadas pessoas não podem ascender e prosperar a menos que haja um empurrão do governo”.

É aqui que Sowell revela o que aflige sua alma liberal, aquilo que ele denominou “o empurrão do governo”. Não vou sequer deter-me no fato dele considerar políticas públicas de ações afirmativas como “empurrão do governo”. O que realmente o incomoda é o fato de tais políticas serem financiadas com recursos do contribuinte e, por isso, servirem de justificativa para o governo aplicar recursos dos impostos em políticas sociais. Vê o tal iniciativa como um custo para o Estado, não um investimento. Na cabeça de gente como Sowell, se o governo tem mesmo que cobrar impostos, que esses recursos sejam revertidos em infraestrutura ou incentivos para o empreendedorismo, não em políticas sociais. Assim, entende-se a razão de Sowell descrever aqueles que lutam pelos direitos dos afro-descendentes da seguinte maneira:

“(…) as pessoas que dizem falar em prol do “movimento negro” sofreram uma mutação de caráter: se antes possuíam uma alma nobre, hoje não passam de charlatães descarados.  Após a implantação definitiva de políticas de ação afirmativa nos EUA, esses charlatães perceberam que era muito fácil ganhar dinheiro, poder e fama ao redor do mundo ao simplesmente se dedicarem à promoção de ações e políticas raciais que são totalmente contraproducentes aos interesses das pessoas que eles próprios dizem liderar e defender”.

É a partir desse momento que Sowell partirá para a cruel estratégia de inversão de valores através da tática de culpar a própria vítima pela situação em que se encontra. É justamente aqui que ele passará a defender, como sugere o título, que racista é quem luta pelos direitos dos afro-descendentes em uma sociedade na qual os direitos civis já foram conquistados:

“Essa postura de dizer aos seus “seguidores” que eles são mais atrasados, tanto econômica quanto educacionalmente, por causa de outros grupos “opressores” — e que, portanto, eles devem odiar estas outras pessoas — tem paralelos na história recente.  Essa foi a mesma motivação utilizada pelos movimentos anti-semita no Leste Europeu no período entre-guerras, pelos movimentos anti-Ibo na Nigéria na década de 1960, e pelos movimentos anti-Tamil, que fizeram com que o Sri Lanka, outrora uma nação pacífica e famosa por sua harmonia intergrupal, se rebaixasse, por influência de intelectuais, à violência étnica e depois se degenerasse em uma guerra civil que durou décadas e produziu indescritíveis atrocidades”.

Em mais uma generalização absurda e criminosa, repleta de má fé, Sowell compara a liderança de movimentos negros que defendem a criação de políticas públicas para a adoção de ações afirmativas visando a mudança da condição de marginalidade do negro na sociedade estadunidense, à movimentos anti-semitas do Leste Europeu, movimentos anti-Ibo na Nigéria e movimentos anti-Tamil no Sri Lanka. Para Sowell é tudo a mesma coisa e, portanto, os verdadeiros racistas são essas pessoas, que ele então acusa formalmente em seu texto:

“Tais líderes possuem incentivos em demasia para promover atitudes e políticas polarizadoras que são contraproducentes para as minorias que eles juram defender e desastrosas para o país.  Eles se utilizam das minorias para proveito próprio, atribuindo a elas incapacidades crônicas que supostamente só podem ser resolvidas por políticas que eles irão criar.  Eles são os verdadeiros racistas”.

Se fizermos uma contraposição do que disse Thomas Sowell com os resultados da política estadunidense tocada nos últimos 50 anos após a legislação anti-segregacionista implementada após as lutas pelos direitos civis nas décadas de 1950 e 1960, veremos que, com muito esforço, os afro-descendentes vão conseguindo ascender socialmente cada vez mais, no entanto, ainda estão longe de terem uma situação de igualdade, além de persistir uma “segregação”, diferente da que existia na década de 60, mas muito perceptível nas principais cidades estadunidenses.

UM NOVO TIPO DE SEGREGAÇÃO ENTRE BRANCOS E NEGROS NOS ESTADOS UNIDOS 

Em matéria publicada na Folha de S. Paulo neste último dia 02 de julho, na qual Isabel Fleck comenta os 50 anos do fim do Apartheid estadunidense, um infográfico traz indicadores socioeconômicos sobre brancos e negros nos Estados Unidos na década de 1960 e atualmente. Veja abaixo um desses infográficos:

Fonte: Folha de S. Paulo (02.jul.2014)

Fonte: Folha de S. Paulo | Caderno Mundo | 02.jul.2014

Olhando para esses indicadores, vê-se claramente que mesmo depois de 50 anos, e com toda a luta travada por lideranças de diversos movimentos por direitos civis (Martin Luther King e Malcom X) e pela a adoção de ações afirmativas buscando alterar a condição do afro-descendente na sociedade estadunidense nesses últimos 50 anos (1964-2014), ainda assim, os progressos estão longe de serem os desejados, mostrando que os Estados Unidos ainda continuam segregados.

Pode-se destacar, ainda, que a diferença entre a parcela de negros e brancos desempregados, por exemplo, é maior hoje do que há 50 anos. Pior que isso, a renda média de uma família afro-descendente é dois terços menor do que a de uma família branca não hispânica. Também pode-se observar que o valor do acúmulo de bens desses brancos não hispânicos que há 30 anos era quatro vezes maior do que a dos afro-descendentes, em 2010 já era seis vezes maior. Por fim, pode-se destacar ainda que a diferença entre brancos e negros acima de 25 anos que concluíram o ensino superior nos EUA aumentou sete pontos percentuais, enquanto a população carcerária segue sendo majoritariamente negra.

Curiosamente, um colega de Sowell na Universidade de Stanford, Gavin Wright, afirmou para a reportagem da Folha:

“(…) a raça ainda é fator determinante nos EUA hoje, e isso é refletido nos indicadores econômicos. A combinação entre pobreza e isolamento racial é o que torna as expectativas de mobilidade econômica e social tão desanimadoras”.

Ainda nessa mesma reportagem, destaca-se a grande segregação existente entre brancos e negros nas grandes cidades americanas, nas quais cada grupo estão divididos em seus respectivos bairros. Segundo estudos da Brown University, destaca a reportagem, Nova York, Chicago e Miami estão entre as dez cidades mais “segregadas” entre brancos, negros e latinos dos EUA. Já outro estudo da Universidade da Califórinia demonstram que o estado de Nova York, por exemplo, apresenta as salas de aula mais “segregadas” de todo o país, sendo que apenas 8% das escolas podem ser consideradas, de fato, multirraciais.

FRUSTRAÇÃO COM O GOVERNO BARACK OBAMA

Uma análise de Carlos Eduardo Lins da Silva, também publicada na Folha, sobre os desejos de mudanças da população estadunidense em relação ao governo de Barack Obama. Nesse sentido, Lins da Silva afirma que os Republicanos, com maioria na Câmara, tem sistematicamente obstruído as iniciativas do Presidente. Segundo o texto de Lins da Silva:

“A Voting Right Acts de [Lyndon] Johnson tornou ilegais exigências que os Estados do sul faziam para obter título de eleitor, como testes de alfabetização e comprovantes de pagamentos de impostos.

Desde 2010, muitos Estados aprovaram leis com novos requisitos para o registro eleitoral, que dificultam os pobres e negros o exercício do direito do voto. Em junho de 2013, o Supremo derrubou partes da Voting Rights Act que impunha aos estados a obrigação de submeter ao governo federal quaisquer mudanças que viessem a fazer em sua legislação sobre eleições.

Com isso 22 estados passaram a restringir a inscrição de eleitores com obrigações como apresentação de documentos com fotos e/ou comprovante de residência, impedimento a condenados pela Justiça por crimes e outras.

Essas mudanças ocorrem especialmente nos Estados do sul, a maioria sob controle do Partido Republicano, que passou a dominar a região após John Kennedy e Lyndon Johnson combaterem a segregação racial”.

Se era esperado que com a administração de Barack Obama, o Congresso estadunidense aprovasse novas leis que diminuíssem a “segregação” entre brancos e negros que persiste nos Estados Unidos, ficou evidente que a oposição imposta pelo Partido Republicano, através de sua maioria na Câmara, vem aprovando leis que, ao invés de diminuir, estão aprofundando a “segregação” racial nos Estados Unidos. Liberais e/ou conservadores tais como Thomas Sowell que, ao fingirem não ver o racismo de seus posicionamentos, simplesmente impedem a ascensão social de afro-descendentes nos Estados Unidos, usando as mentiras mais absurdas para rotular grupos que lutam pela implantação de políticas públicas que adotem ações afirmativas de “racistas”, os beneficiários de tais leis de “preguiçosos” e a própria legislação de um “empurrão do Estado”.

Para concluir, entendo que talvez fosse mais apropriado que Sowell mudasse o título de seu texto para “Afinal, quem somos racistas?”. Assim, o texto estaria mais adequado ao conteúdo apresentado e, de brinde, abriria espaço para que os colegas divulgadores do IMB e, também, aqueles que apoiaram o texto nos comentários da publicação, pudessem se identificar claramente.

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103 Comentários

Arquivado em Política, Racismo

103 Respostas para “O liberalismo racista de Thomas Sowell divulgado pelo IMB

  1. Edu

    Rogério. Que tal vc discutir os argimentos dele e nao chama los de tacanhos, absurdos, criminosos e outras parecidas. O argumento seu de que a coisa nao melhorou, pode tanto dar forca aos argumentos dele como eventualmente aos seus. Vc ofendeu a partir dopeeis prezai latos,i isto de que suas idéias. As suas sao corretas e as dele erradas! Nao discutiu os pontos dele. Nao estou me posicionando neste momento. Só digo que seu texto e mera propaganda. Por favor, mostre com argumentos porque as idéias dele devem ser refutadas.

    • Edu,

      Parece que você não leu o texto que escrevi. Releia e veja com detalhe a crítica que faço ao Sowell especialmente em relação ao discurso ideologizante que ele utiliza ao comparar a situação dos afrodescendentes com a dos imigrantes asiáticos, fazendo da história tábula rasa para poder jogar suas ideias absurdas.

      Busquei desconstruir o texto de Sowell mostrando as estratégias que ele emprega, algumas que considero sórdidas, para acusar de racista justamente aqueles que lutam para diminuírem a desigualdade racial que existe na sociedade estadunidense. Uma das estratégias que apontei foi justamente a da culpabilização da vítima.

      Portanto, o fato de você não enxergar meus argumentos não significa que eu não utilizei argumentos em meu texto, apenas que você não os conseguiu identificar. Releia, e veja que estão lá.

      No fim do texto, argumento claramente que mesmo após as medidas anti-segregacionistas adotadas pelos Estados Unidos a partir de Lyndon Johnson, a segregação persiste, pois trata-se de um país marcadamente dividido racialmente, especialmente no Sul do país, onde legisladores do Partido Republicano bloqueiam qualquer tentativa de mudança em leis que buscam mitigar a desigualdade racial. Pior, agravam-na aprovando leis que cinde ainda mais aquela sociedade.

      Os dados apresentados no infográfico da Folha foram utilizados para ilustrar que mesmo após 50 anos de leis que buscam diminuir a segregação social, os avanços foram tímidos e, na minha opinião, por conta do racismo arraigado de parte da sociedade americana, especialmente os Conservadores e membros do Partido Republicano.

      Att.

      RB

      • Francesco D"anconia

        em vez de gastar tempo e energia em comentar longamente, debater para convertidos e tentar convencer o outro a adotar minha visão de mundo etc.. prefiro trabalhar , produzir riqueza. sem muito bla bla bla e masturbações ideológicas. vamos a realidade, a suprema e incontestável realidade: quais os povos mais prósperos e de melhor qualidade de vida do mundo? aqueles que praticam uma visão de mundo liberal e capitalista.

      • Sério mesmo???

        Att.

        RB

    • Em tempo: quando contra-argumento apontando o discurso ideologizante empregado por Sowell, estou utilizando um conceito muito claro de IDEOLOGIA que pode ser compreendido facilmente a partir da leitura da obra que indico abaixo e disponibilizo para download.

      http://www.nhu.ufms.br/Bioetica/Textos/Livros/O%20QUE%20%C3%89%20IDEOLOGIA%20-Marilena%20Chaui.pdf

      • joas

        O simples titulo que você propõe, mostra quem realmente é totalitário e racista, você não aceita pensamentos contrários aos seus. Sowell, em toda sua obra, não defende nem de perto o racismo, ele critica o coitadismo que é algo recorrente ao pensamento de esquerda, prega a independência e autonomia da pessoa como cidadão.

      • Eu apresentei meus argumentos, de forma detalhado, porque eu acho que o artigo de Thomas Sowell foi racista. E você? Cadê seus argumentos para me acusasr de “totalitário e racista”?

        Att.

        RB

      • Kiko

        Eu mesmo respondo. Thomas Sowell não diz simplesmente que os negros não chegaram a um patamar igual ao do branco porque são preguiçosos, isso á uma mentira descabida. Thomas Sowell comenta que se os negros americanos fossem uma nação, seriam economicamente a 15ª nação mundial em um ranking. O fato é que as medidas utilizadas pelo governo americano as tais ações afirmativas, tem cada vez mais prejudicado negros que teriam grandes capacidades em uma universidade que se adequasse ao seu nível, ao invés de correr atrás do último lugar em um espaço como Harvard, entrando através das cotas. Mas o que isso quer dizer ? Não se pode correr contra o avanço individual, não se pode pegar um garoto sem um ensino básico de qualidade e joga-lo em um espaço onde alunos estão acostumados a ler 1 livro por semana, e isso vem destruindo e abalando vários jovens que entram pelo sistema de cotas. No Brasil o que acontece é a desvalorização do ensino por conta das cotas tanto para alunos do ensino público (por exemplo). Famílias devem ir se educando com o tempo, os brancos ganham mais porque eles não ficaram parados no tempo, enquanto os negros estavam evoluindo os brancos também estavam evoluindo no mercado de trabalho e intelectual, além disso pesquisas dele demonstram que famílias negras que possuem um curso superior ganham igual ou mais que brancos (ele possui uma pesquisa bem forte nessa área). A medida que famílias vão progredindo suas crianças alcançam níveis maiores de educação, mas isso só é possível através de sua própria força de vontade.
        Outra perspectiva de racismo é de denegrir a capacidade de uma pessoa por sua cor ou então por aspectos culturais, o que no caso a esquerda cansa de fazer. Thomas Sowell é um liberal, e como qualquer liberal ele está sim preocupado com as pessoas, mas do ponto de visto do liberal as pessoas tem capacidade de atingir seus objetivos, deve haver concorrência igual entre as empresas (diga-se igual não a capacidade de gerir seu próprio negócio, até porque esse é um ponto pessoal, mas sim, sem a intervenção do governo favorecendo um ou outro grupo), liberais não julgam alguém por sua cor de pele e sim por sua capacidade. Então sim, eu chamaria você de racista sobre esse argumento, você julga uma pessoa pela cor de sua pele ou pelo lugar onde ela nasceu, decidindo se essa pessoa é capaz ou não de gerenciar sua própria vida, você é sim de fato um racista. O bom é demonstrar que o movimento negro não fala por todos os negros, nem brancos falam por todos os negros, as pessoas falam por elas mesmas. Outra coisa homens não vão ficar parados vendo mulheres recebendo benefícios e os colocando contra a parede, brancos não vão ficar parados vendo negros recebendo benefícios e colocando-os contra a parede, heteros não vão ficar parados vendo homossexuais recebendo os mesmos benefícios. O que os liberais querem é que todas pessoas sejam iguais aos olhos da lei, e o que o estado pare de intervir na vida das pessoas dizendo quem pode casar com quem, que é bandido e coitado.
        Eu simplesmente espero que pessoas como você, não sejam mal intencionadas se escalando em uma ideologia retardada que está perpetuando nossa geração, escrevendo teses umas iguais as outras com as mesmas babaquices, cheios de critérios estatísticos questionais e muitos mais qualitativos que quantitativos, e quando se tem algo quantitativo a relação entre os pontos estudados é mais questionável ainda. Eu realmente espero que vocês procuram algo bom para as pessoas e para o país, mas cada vez mais duvido disto.

  2. Edu

    So se vc nunca foi ao EUA PARA DIZER QUE a situação dos negros pouco evolui nos últimos 50 anos. Estou nem aí para gráficos da folha; vc pode acreditar nestas bobagens porque o discurso conduz com a sua ideologia, mas nao fazem o menor sentido. Voce vai me dizer que em 1960 10% dos negros tinham ensino superior e agora so 4% ? Com certeza partem de fontes erradas e seja a beira do ridículo dizer que o racismo e igual. Quais Sao as leis que os Republicanos estão bloqueando que mitigariam a desigualdade racial? Por favor, diga com clareza. Já escrevo sobre a minha critica original.

  3. Edu

    Números de negros com nivel superior: 11,3 % em 1990, 13,8% em 1996 e 19,6% em 2008, contra 32% dos brancos ( wasp, nao hispânicos ). bem diferente destes números da Folha nao? Na primeira olhada da para ver que numero esta errado.Nao e porque a Folha faz um gráfico que eu vou acreditar, eu antes de chegar a conclusões, analiso e pesquiso.

    • Rodrigo Ferreira

      No gráfico mostra exatamente isso que você acabou de falar.
      A porcentagem de negros com nível superior subiu de 4% para 21%, no texto aponta-se como as ações afirmativas estão fazendo a diferença na sociedade estadunidense, mas, infelizmente, ainda há muito segregação na sociedade.

  4. Edu

    Quanto a questão do ensino superior. Eu errei na transcrição dos dados folha, mas o raciocínio e valido.A evolução dos negros e clara.

  5. Edu,

    Está tudo escrito no post, parece que você realmente tem dificuldades de leitura e, pior, quando os dados apresentados a partir de estudos conduzidos por pesquisadores das principais universidades americanas contrariam suas ideias, você solta uma frase como “não estou nem aí para os gráficos da Folha”. É simplesmente risível sua postura acrítica (como já havia apontado em outra ocasião). O infográfico foi feito a partir de dados coletados no Censo estadunidense, no Departamento de Trabalho e no Pew Research Center. Já as análises dos números, mencionadas no post, vieram de Gavin Wright (Stanford University), Peter Myers (Winscosin University) e pesquisadores da Brown University (segregação nas grandes cidades estadunidenses) e California University (segregação nas escolas estadunidenses).

    Além do apontado acima, parece-me que você tem um grave problema de hermenêutica, pois demonstrou não haver conseguido interpretar os dados apresentados no infográfico. Tento explicar simplificadamente a seguir: em 1960, 4% dos negros tinham acesso ao ensino superior, sendo que esse número saltou para 21% nos tempos que correm, muito em função das leis baseadas em ações afirmativas (tão criticadas por Sowell) que, apesar da oposição liberalóide republicana, promoveram a inclusão dos afro-descendentes nas universidades estadunidenses a partir da década de 1960. No entanto, como observado no post, nesse mesmo período o acesso de brancos às universidades saltou de 10 para 34% (portanto, um acréscimo de 24 pontos percentuais), enquanto o aumento do acesso aos afro-descendentes foi de 17%, marcando uma diferença de 7 pontos percentuais no acesso às universidades entre brancos e negros nos últimos 50 anos,

    Portanto, meu caro, seu primeiro comentário afirmando “só se você nunca foi aos EUA para dizer que a situação dos negros pouco evoluiu…” é totalmente despropositado, em primeiro lugar porque a constatação parte de uma análise feita a partir de diferentes estudos conduzidos por acadêmicos estadunidenses (portanto, nativos que conhecem bem o seu país) e que mostra, sim, uma evolução da situação dos afro-descendentes no país, porém, conquistas diretamente relacionadas à legislação baseada em ações afirmativas, que se deram dentro de um quadro no qual o racismo continua presente, como evidencia a permanência da segregação dos negros em bairros como Harlem, Queens e Bronx, ou ainda, a segregação nas escolas do Estado de Nova York, nas quais apenas 8% podem ser consideradas multirraciais, como demonstrou o estudo; em segundo lugar, mesmo que eu não tivesse ido aos EUA (e eu já fui), isso seria desnecessário para fazer uma análise diante dos dados coletados pela pesquisa; por fim, as conclusões foram feitas por Gavin Wright (Stanford), Peter Myers (Winscosin), além de pesquisadores das Universidades Brown e Califórnia. Minha parte foi apenas demonstrar com esses estudos como o discurso ideologizante de Sowell é mentiroso e racista, pois busca conservar (ou agravar) a situação dos afro-descendentes, negando não só o racismo existente na sociedade americana, mas as barreiras impostas aos negros para ascender socialmente.

    Quanto as leis que os republicanos estão bloqueando, elas foram mencionadas no post. Diante de uma pergunta tão primária, percebo novamente que você não leu o texto com a devida atenção. A lei não apenas foi mencionada, como as operações que Republicanos fizeram para poder burlar localmente uma legislação federal e continuarem se elegendo, especialmente nos Estados do sul.

    Sugiro que antes de postar sua opinião, seria conveniente ler com atenção o texto e refletir bem antes de escrevê-la, pois parece-me que suas respostas derivam muito mais de sua raiva ao ver sua opinião confrontada do que de opiniões construídas com base em um conhecimento sedimentado.

    Att.

    RB

  6. Discordo da sua crítica em relação ao texto analisado, pois as pessoas não são coitadas que precisam ser apupadas por um estado babá e nem ter privilégios custeados por outras pessoas.
    Todos devem trabalhar duro, custear seus estudos e buscar a sua felicidade sem depender de ninguém.
    Meus avós, pobres e analfabetos, chegaram ao Brasil na década de 50 e depois de alguns anos de trabalho duro já tinham sua casa e prosperavam por seus próprios meios.
    Erros históricos ficaram no passado e não devem motivar erros futuros como cotas que privilegiam uns em detrimento de outros e criam uma divisão na sociedade que deveria ser atacada e não estimulada por oportunistas que querem ter um curral eleitoral pra se eleger.
    É lamentável que ainda existam pessoas que acham que a escravidão deve ser vingada…
    Pelo visto, o Senhor não deve conhecer os EUA, um país de oportunidades, onde seu povo, incluindo os negros, é orgulhoso de seu país e trabalha duro pra não depender de esmolas estatais.
    Lá, os negros estão em todos os lugares e são tratados como pessoas, cidadãos, não como coitados que precisam de favores….vá e veja com seus olhos antes de falar o que desconhece!

    • Caro Ronaldo Quinto,

      Eu conheço sim os EUA, já fui até aquele país em uma oportunidade e, mesmo que não tivesse ido, seria desnecessário para fazer as reflexões que propus em meu post.

      Sua visão dos negros estadunidenses está completamente equivocada, haja vista o caso mais recente de violência racial ocorrido em Ferguson, em Agosto/2014.

      Seguem links da cobertura em um dos periódicos brasileiros de grande circulação que jogam por água abaixo a conclusão de seu comentário:

      http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/08/1505108-cidade-americana-de-ferguson-reprime-com-forca-pequenos-protestos.shtml

      http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/08/1504212-degradada-ferguson-e-uma-detroit-menos-devastada.shtml

      http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/08/1505111-policial-que-matou-jovem-negro-em-ferguson-e-defendido-na-internet.shtml

      http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/182301-ferguson-e-aqui.shtml

      • Se foi aos estados Unidos, se ateve a algum gueto esquerdista, pois a sua visão não retrata, nem de longe o que ocorre na América.
        Aliás, o adjetivo estadunidense, utilizado por você, denota a sua aversão ao país mais próspero e democrático que existe e pra onde tantos cubanos tratam de se refugiar pra fugir da miserável ilha-presídio.
        Sobre o suposto racismo, tratar a ocorrência de Ferguson como um padrão é absolutamente leviano da sua parte.
        Foi um caso isolado e que não retrata o padrão daquele país.
        Na própria força policial daquela cidade existem centenas de policiais negros, sem mencionar sua participação em todos os cargos públicos e privados, inclusive como juízes.
        Naquele país, como em nenhum outro, os negros estão totalmente inseridos na sociedade, participando de todas as classes sociais e, certamente, não foram as recentes políticas afirmativas, que criam uma divisão na sociedade e que coloca uns contra outros que fez ou faz diferença nessa situação.
        Um exemplo é o que ocorre nas universidades. Lá, todas as universidades oferecem bolsas por merecimento e necessidade, analisando, não apensa o resultados do SAT, como também o histórico escolar dos alunos e a sua condição sócio-econômica.
        Não é a cor da pele que faz diferença…
        Lamentável que alguém como você, aparentemente educado, com elevado nível de escolaridade, venha a público distilar seu ódio contra a meritocracia e incitando o divisionismo social…uns contra outros.

      • Caro Quinto,

        Sinto em desapontar, mas acho seus argumentos todos fracos e majoritariamente formados por ataques à minha pessoa. Exemplos: se fui aos Estados Unidos, me mantive em guetos esquerdistas. O uso do termo estadunidense revela meu ódio aos Estados Unidos, e por aí vai. Que eu sou “aparentemente” educado… enfim…

        Não vou mais perder meu tempo entrando em discussões inférteis com você. Se você realmente acredita em tudo o que escreveu, só posso lamentar a forma míope como você enxerga o mundo. Não mais.

        Att.

        RB

      • E eu lamento a sua forma de ver o mundo, onde todos devem estar contra todos pra que um estado magnânimo e onipresente possa mediar os conflitos criados por ele!
        Desculpe se lhe pareci ofencivo…minha intenção não foi essa, mas apenas demonstrar que sua visão tem um claro viés ideológico e não tem nada de imparcial.
        O pior de tudo, é que a Internet, assim como o papel, aceita tudo e as “verdades” vão sendo construídas e gerações vão sendo moldadas segundo essa ideologia da guerra de classe, de raças, de gêneros, de opções sexuais etc, como se o mundo, até hoje, estivesse todo errado e precisasse mudar para algo como um “Admirável mundo novo” ou coisa do gênero, onde um ser supremo tenha de administrá-lo.

  7. paulo moreira

    MAGNIFICO debate melhor do que o próprio artigo… nada mais escreverei para não gerar polemica, haja vista que gosto de história mas não da forma como está sendo conduzida atualmente nas uneversidades brasileiras, gosto de liberdade, mesmo sabendo que muito breve a perderemos (basta analisar Discurso Sobre a Servidão Voluntária
    Etienne de La Boétie , entre tantos) , mas penso que essa será a maneira para valorizarmos o que tivemos e no futuro nos tornarmos uma nação prospera como hoje são Japão e Alemanha depois de sofrerem com duas grandes guerras…

    • Geraldo

      Paulo Moreira, apenas como um acréscimo à sua excelente contribuição, indicar o livro O Caminho para a Servidão ( Road to Serfdom ) , de Friedrich Hayek. Sobre como o caos ideológico (ideológico não no sentido marxista, é claro) esquerdista é a porta escancarada para as tiranias. O vazio moral e até metafísico da república de Weimar ( regada a muito álcool, drogas e promiscuidade , ao som de Kurt Weil/Brecht ) foi o ninho que aqueceu o ovo da serpente que eclodiu na forma de Hitler. Semelhante coisa ( certo que mais complicada a situação ) na Rússia pré-revolução , desaguando no sanguinário Stálin. Tudo catalizado por uma intelligentsia barulhenta (os zangões da República de Platão) de “coração grande e cabeça leve” , inseminadora de um campesinato/operariado em ascenção social e econômica ( como bem indica o gigante Tocqueville no seu estudo – O Antigo Regime e a Revolução ).

      • Caro Geraldo,

        Curioso ver como o senhor é seletivo com as tiranias a apontar. rsrsrs Brecht foi o responsável por gerar Hitler??? Ah, mas é claro!!! Só rindo mesmo de tolices como essas.

        Vocês precisam urgentemente de aulas de História para não passarem vexames como os que aparecem formulados no comentário que acaba de postar. Que vergonha!

        Att.

        RB

      • Geraldo

        Vamos desenhar para ver se entende. Eu não disse que Brecht é o responsável por Hitler. O vazio moral, metafísico, ético deixado pelo relativismo da república de Weimar foi o espaço existencial oco a ser preenchido por Hitler. E a intelligentsia tem papel catalizador importantíssimo nisso, mas não que desejasse isso, é óbvio. Por isso minha citação de Raymond Aron, quando ele se refere aos intelectuais militantes de esquerda (sendo que era amigo pessoal de muitos deles ) – pessoas aguerridas, de grande coração, mas de cabeça leve.

      • Caro Geraldo,

        Perdeu a calma, volta três casas. rsrsrs Não dá pra falar uma coisa e depois negá-la na sequência. Ou foi, ou não foi. Decida-se. A intelligentsia teve ou não teve papel catalizador no surgimento do nazi-fascismo na Europa? Se teve, Brecht desempenhou ou não um papel importante nesse cenário? Se sim, ainda que de modo não intencional, então você afirmou sim senhor que o surgimento de tiranias como as lideradas por Adolf Hitler deveram-se, em parte, ao papel desempenhado por Brecht como membro da Intelligentsia. Assuma o que disse, meu caro!

        Aliás, ainda bem que vazio moral, metafísico e ético – regado a muito álcool e drogas – só existiu no tempo da República de Weimar, né? rsrsrs Imagina se tal vazio existisse em outros tempos e lugares onde não houveram tiranias? Ou pior, imagina se um cenário como estes existisse em locais onde não houvesse o “caos ideológico esquerdista”? Como seria possível explicar??? Mas não, como tal cenário foi exclusivo da época da República de Weimar, então fica fácil entender o que engendrou regimes como o de Hitler.

        Faça-me o favor…. como disse no comentário anterior, isso é risível e vexatório. Considerar que o surgimento de Hitler tenha sido catalisado pela intelligentisia da República de Weimar em conjunto com algo que você denominou de “caos ideológico esquerdista” é muita vontade de querer atribuir culpa à esquerda para um fenômeno tão complexo como foi o surgimento do nazi-fascismo na Europa. A propósito, isso parece ser o que vocês sabem fazer de melhor. Retirar o contexto histórico de um determinado evento, criar uma explicação falsa e pasteurizada na qual se culpa os perseguidos, se criminaliza as vítimas, de modo a fazer com que se confunda vítima e algoz, tirando toda e qualquer possibilidade de sobrar alguma culpa aos ideais e valores que vocês defendem.

        Como já disse no post e aqui mesmo nos comentários, vocês são realmente muito cruéis (e sem nenhuma vergonha).

        Att.

        RB

      • Geraldo

        Agora vamos desenhar com lápis de cor. Não sou ingênuo de atacar a esquerda , os esquerdistas, a militância de esquerda como agentes do mal – jamais. Convivo com muitos, e muitos são pessoas, sim, inteligentíssimas e super-hiper-bem-intencionadas. Considero Kurt Weil e Brecht gênios – SIM !!!! Sugiro procurar no youtube – Ute Lemper cantando Kurt Weil (espetáculo). Mas também são humanos, como eu, como vc. São limitados e erram. A crítica maior à intelligentsia é que suas soluções para o mundo não dão conta da realidade. Considero, sim, Karl Marx um gênio, e que muito do que ele diz aponta para questões importantíssimas. Mas daí achar que a realidade cabe direitinho , justinha , sem folga e sem sobra nas soluções prescritas por ele já seria ir muito longe. Pode parecer um clichê, mas se observarmos bem é o que acontece a todo dia no ambiente da intelligentsia – o intelectual de gabinete produzindo explicações para o mundo e solução para ele ( o que Voegelin chama de GNOSTICISMOS MODERNOS) sem se preocupar em FAZER O TESTE DA REALIDADE para suas fórmulas . A engenharia é um exemplo disso: a estrita aplicação das formulas matemáticas da física para contruir um edifício produz – EDIFÍCIOS QUE DESABAM. Há que se colocar uma boa margem de segurança. Se a matemática diz que uma viga aguenta bem 1 tonelada vc só coloca 700 kilos sobre ela. E porque isso? Pois nunca conseguimos dar conta da inesgotabilidade do real. E não falo de contingências não – falo de fatores essencias – mas que SEMPRE nos escapam, POIS SOMOS LIMITADOS. Se a fórmula de que a configuração dos meios de produção é que é o substrato da sociedade e a sua modificação (luta de classes) é o que explica a modificação da mesma sociedade (historicismo dialético) EXPLICA MUITA COISA , NÃO EXPLICA TUDO. Se a coisa encaixasse direitinho , vc mudaria o substrato (revolução) e a superestrutura social/cultural/moral/etc se modificaria concomitantemente. Destruída uma configuração econômica de produção opressiva e substituída por uma não-opressiva E PRONTO , A PRÓPRIA MENTALIDADE, AS PRÁTICAS INTERRELACIONAIS COTIDIANAS IRIAM SE AJUSTANDO A ISSO. A prova da realidade, o teste da realidade é de que isso não acontece – os sovietes se corrompem, os burocratas se corrompem, a própria bela estrutura básica é carcomida de dentro pra fora. E esse vazio de fundamento , esse oco que a fórmula não explica – É OCUPADO POR UM TIRANO (Mao, Stálin, etc).

        Falando a grosso, bem simples : deslumbrado pela miragem utópica (Simone Weil, que foi uma brilhante pensadora que viu a genialidade do diagnóstico feito por Marx , não foi ingênua a ponto de não perceber que “o marxismo é toda uma religião, no sentido mais impuro da palavra. Tem em comum com todas as formas inferiores da vida religiosa o fato de haver sido continuamente usado, segundo a tão correta expressão de Marx, como ópio do povo”; o que Raymond Aron chama de “ópio dos intelectuais”) o intelectual militante de esquerda corre em direção dessa miragem com toda a força de suas pernas (não digo que seja um idiota, jamais, ao contrário, gênios alguns, pessoas de caráter elevadíssimo algumas, mas até o afã louvável por ideais brilhantes – liberdade, igualdade, fraternidade – precisa respeitar a limitação humana e o teste do real), quando na verdade corre para um abismo. E alertado por quem de fora grita – CARA , VC TÁ CORRENDO PRUM PENHASCO!!! – responde com raiva (explicável , compreensível, mas em última instância injustificada) que quem alerta está atrasando A DESTINAÇÃO HISTÓRICA.

      • Aham. Tá bom. Tá. O doutor mandou não contrariar. Tudo o que você disser.

        Att.

        RB

      • Geraldo

        Rogerio, tenho certeza (certeza não, tenho fé) de que você é uma pessoa autenticamente bem intencionada e , claro, não há dúvidas, inteligente. Não estou mandando nem dizendo que vc vai morrer se não fazer, mas sugerindo que você não tem nada a perder se der uma escapadinha do circuito fechado do pensamento de tonalidade revolucionária, uma vez ou outra, para praticar uma dialética mais ampla – afinal vc é historiador – ler Tocqueville, Burke, Raymond Aron e muitos outros, por exemplo. Não faça da sua limitação (delimitação de interesse de estudo) um valor e o chame de rigor acadêmico ou rigor de pensamento. Você é jovem, não se permita achar que já descobriu a pedra filosofal e que não precisa, além e muito mais importante do que aprender, experienciar muita coisa diferente na vida. Se o real é inesgotável , não cabe em nenhum pacote , comece por se permitir duvidar quando te oferecem um pacote, por mais vistoso que seja, te dizendo que o real cabe nele.

      • Caro Geraldo,

        Apenas um exemplo do que eu estava falando é o grande interesse que os liberais tem na aprovação da PL 4339, que regula as terceirizações no Brasil. O Instituto Liberal (IL), por exemplo, saiu “em defesa da terceirização” e a todo momento distila seu ódio contra o trabalhador ocultando-se sob textos que afirmam falsas vantagens que a aprovação do referido Projeto de Lei traria para a classe quando, na verdade, trata-se de um retrocesso nos direitos trabalhistas conquistados à duras penas e depois de muita luta, suor e sangue derramado nas ruas. Bom mesmo, apenas para os empregadores.

        Enfim, obrigado pelas sugestões, embora devo dizer que já li os textos dos autores sugeridos, em especial, Tocqueville e Burke. Ainda assim, agradeço pela atenção da sugestão e pela preocupação com minha busca pelo conhecimento. Pode estar seguro de que tenho cuidado muito deste aspecto. 😉

        Att.

        RB

  8. André Luis Ferreira

    Rogério Beier…Por causa de pessoas que pensam como você é que esse país(o Brasil)é essa “Maravilha que vivemos”.Um abraço!

  9. Em mais uma generalização absurda e criminosa, repleta de má fé, Sowell compara a liderança de movimentos negros que defendem a criação de políticas públicas para a adoção de ações afirmativas visando a mudança da condição de marginalidade do negro na sociedade estadunidense, à movimentos anti-semitas do Leste Europeu, movimentos anti-Ibo na Nigéria e movimentos anti-Tamil no Sri Lanka. Para Sowell é tudo a mesma coisa e, portanto, os verdadeiros racistas são essas pessoas, que ele então acusa formalmente em seu texto:

    ONDE ESTÃO SEUS ARGUMENTOS CONTRA TAL AFIRMAÇÃO? Não há, pois você não contra-argumentou, apenas disse se tratarem de generalizações absurdas e criminosas.

  10. Anderson Gomes

    Um historiador? Deixa quieto!
    Está mais para um militante.

    “Acuse-os do que você faz xingue-os do que você é…”

  11. Geraldo

    A melhor coisa desse artigo foi eu ter tomado conhecimento do site que publicou este excelente texto de Thomas Sowell. Sugiro a todos ler o livro do mesmo autor : Os Intelectuais e a Sociedade. Vão entender melhor como funciona a cabeça dos intelectualóides descolados e “libertários”.

    • The Hawk

      Discurso cheio de bobagens. O autor diz que Sowell usa uma estratégia de inversão para culpar a vítima e isso é risível. O autor com certeza nunca leu nenhum livro e nem a coluna do Sowell, pois se tivesse lido, saberia que tomaria uma surra de palavras caso o Sowell se interesasse em responder. O autor diz que o Sowell faz uma comparação desonesta dos negros com os asiáticos devido às condições da imigração e do contexto histórico, mas Sowell faz todo um embasamento histórico em seu livro antes de começar a detalhar o que aconteceu depois da adoção de ações afirmativas em cada país. O autor diz que vender a força de trabalho é ser explorado, logo, o autor é um parasita que preferiria que sua comida viesse dos mais pobres que trabalham para levar comida à seus filhos e sustentar a universidade em que estuda. Sim, aqueles que pedem esmola do governo devido a uma condição de vítima são os racistas. Ninguém inverteu nada, só foi exposto a verdade sobre os movimentos que tentam “Mamar” no Estado. O autor tentou atacar sem sucesso um dos homens mais inteligentes de que já ouviu falar e chegou a culpá-lo por um discurso ideológico. Esse texto foi o que? Um panfleto ideológico mal feito? O autor ainda não se tocou que só existem dois tipos de pessoa no mundo, os que produzem e os parasitas. O autor se mostrou um parasita da pior espécie quando tentou se alimentar com o sucesso do Sowell.

    • Lucas Raphael

      http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=950

      Esse artigo é uma pequena prova/amostra, que mesmo sendo bem superficial, mostra que não a evidências que foram as ações afirmativas e as políticas sociais para grupos oprimidos que fizeram eles ascender de algumas décadas para os dias de hoje. E se por um “acaso”for, os defensores dessas ações afirmativas devem muitas respostas em relação a ascensão de outros povos.

  12. Danilo

    Os asiáticos trabalham muito mais que os negros, brancos e índios lá, generalizando.

    ———————————

    “Um indivíduo só conseguirá “prosperar ou enriquecer” nessa sociedade ideal que ele defende, se ele mesmo permitir que o mercado faça uma exploração selvagem de sua força de trabalho e, como se isso não bastasse, em seguida, depositasse no sistema financeiro todo o fruto de seu trabalho para, uma vez mais, ser brutalmente explorado.”

    Só há como enriquecer trabalhando em setores muito rentáveis, recebendo herança, ou empreendendo. *Ganhar em loterias também é uma opção, porém, muito mais restritiva.

    Trabalhar muito, mesmo ganhando pouco é receber mais, ter condições de poupar mais com possibilidade de obter empréstimos para empreender… depositar num banco é uma de possibilidade de enriquecimento futuro.

    Exploração? Como um imigrante, ou um pobre pode enriquecer honestamente então?

    • Edu

      Danilo. Que loucura é essa? Os EUA e a Europa, assim como Japão, Coréia, Hong Kong, Singapura, Austrália, N.Zelãndia, Canadá, tem uma população trabalhadora com alto nível de vida, independente de ser empreendedor, banqueiro, funcionário ou operário. São de fato os maiores caso de sucesso no mundo atual e não existe esta dicotomia no limite que a esquerda tanto gosta: A maioria miserável contra a elite. Aliás, isto sim existiu em todos os regimes de esquerda que igualou as massas nas filas de ração de comida enquanto os membros da elite (partido) tem tudo. Mesmo nos países que o processo e a história foi diferente, houve grandes avanços; até no Brasil e india. O país nos ultimos 60 anos evoluiu apesar dos pesares e da base educacional fraca. Querer todos iguais é o sonho totalitário. O que a sociedade deve fazer e procurar igualar as oportunidades ( não há também utopia deser perfeito) e proteger as populações e indivíduos ainda sem condições.

      • Então, Edu…. quem é mesmo que quer todos iguais, hein???

      • Edu,

        Cinco perguntas com base no que você postou acima:

        1) Você acha que o modelo de sociedade em que vivemos visa “igualar as oportunidades”, como você disse?

        2) Porque existe desigualdade no mundo de hoje?

        3) Nosso modelo de sociedade não seria baseado na desigualdade e na exploração dos despossuídos?

        4) No modelo de sociedade em que vivemos, os indivíduos que realizam o trabalho são os mais prósperos?

        5) Para que exista alguns “winners” não devem existir, necessariamente, muitos “losers”? Em outras palavras, para existirem ricos, não devem existir pobres?

        Att.

        RB

      • Edu

        1) A sua pergunta se refere ao Brasil? Vou responder. Quando eu estava no primário estudei que o analfabetismo no Brasil era 60%.A Mortalidade infantil média do país era de 45 para 1000 e no ne chegava a 100/1000.Hoje no NE é abaixo de 20 e no país inteiro é abaixo de 12. Os pobres não estudavam. Havia uma pequena classe alta e uma pequena classe média. O país é todo errado, mas apesar de TUDO, houve sim avanços desde 1930 e especialmente após os anos 50. O modelo atual não existe como modelo, mas como uma evolução. Não dá para pegar uma pessoa sem base educacional, familiar, organizacional e dizer que amanhã serão iguais. Nem aqui, nem na Europa ( caso dos filhos de imigrantes).Cito 2 fatos aqui: 1)Pergunte a uma pessoa bem humilde se os filhos estudam ( responderá que sim) e pergunte se a escola é boa. A resposta será igualmente afirmativa.2) Ponha sei filho numa escola de periferia e verá que ainda que com sua base ele desempenhará ( na média) melhor que a classe, mas bem pior que uma classe de escola média numa escola particular de nível bom. Não tem varinha mágica. As etapas no Brasil são difíceis e a corrupção e a estrutura de governo e a própria cultura do país ajudam neste atraso.

      • Não Edu, me referia ao mundo, afinal de contas, nosso modelo de organização social é globalizado. Pergunto: se você tivesse nascido em um outro país, vamos dizer, o Haiti por exemplo, sua vida poderia se comparar com a vida de um brasileiro médio? Que tipo de mundo é o que vivemos onde uma pessoa tem acesso a água potável e comida dependendo do país onde nasce?

        Voltando ao nosso país, se você nascer em uma favela ou em uma casa da classe média paulista, quais serão suas chances de desenvolver uma vida considerada razoável, com acesso a alimentação, água, lazer, saúde, educação de qualidade e autonomia para toda a família? São iguais? E por que não são, Edu?

        Ora, vivemos em um mundo no qual escolhemos diariamente que certas pessoas irão comer e outras pessoas não irão. Que certas pessoas terão acesso a água e outras não. A resposta padrão à essa situação é: sempre foi assim!!!

        O que você me diz sobre a Divisão Internacional do Trabalho? O que você me diz da desigualdade extrema existente em nosso país?

        Você diz que a situação no Brasil melhorou. A que custo? Quais foram as lutas que se fizeram para se obter essas conquistas? Sobretudo, quem fez essas lutas ou você acha que elas foram graciosamente oferecidas?

        Aliás, falando da educação, por que vc acha que há diferenças entre escolas públicas e particulares? Qual o projeto de educação pública do nosso país e por que ele é tão medíocre? Quem ele visa formar e para que posições?

        Você fala de corrupção e estrutura de governo…. isso definitivamente é um senso comum que não vai ao cerne da questão que estamos discutindo. Vivemos em um mundo feito para ser desigual e para que pessoas sejam exploradas. Cada um tem seu lugar e o lugar de 99% da população mundial é longe da prosperidade, com acessos mais ou menos restritos a comida, água, saúde e educação. Variando de país para país. Há que se lutar muito, e em diversas gerações, para que se possa ter o direito a nascer em uma casa onde o acesso a esses itens seja garantido. Como dizem por aí, nesse mundo em que vivemos, não existe almoço grátis…….. mas ninguém falou que ia ser tão caro!!!

  13. Edu

    2) Sempre existiu desigualdade no mundo. Isto é intrínseco ao homem , com possíveis exceções em comunidades pequenas ou extremamente atrasadas.

    • Comunidades extremamente atrasadas? Por favor, veja o seguinte vídeo e compare o modelo de organização social dos tupinambás com o nosso. Divisão do trabalho, liderança comunitária, direito à vida e a alimentação, propriedade privada e coisas do gênero, Por favor, me diga se isso se encaixa com o modelo de “comunidade extremamente atrasada” ao qual você se refere.

      Att,

      RB

    • Nosso modo de vida leva a isso: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/1-mais-rico-vai-possuir-mais-que-o-resto-do-mundo-ate-2016

      Parece piada, mas ao lerem notícias como esta as pessoas tem se perguntado: como eu faço para estar entre o 1% mais rico e não o contrário, isto é, como fazer para que a distribuição de riqueza seja mais equilibrada…

      Não estou satisfeito em, diariamente, ter que fechar os olhos para os meu vizinhos que não comem, que não tem acesso a educação e não tem acesso a saúde de qualidade. Odeio ter que olhar meus alunos do ensino público diariamente e saber que a maior parte deles não vai poder ser o que eles quiserem, mas sim aceitar os subempregos aos quais, com alguma sorte, serão oferecidos a eles o resto de suas vidas… =\ Esse é o nosso mundo, Edu.

      Att.

      RB

  14. Edu

    3) Não concordo, pois se olhar retrospectivamente nunca a humanidade teve uma qualidade de vida similar e principalmente nunca, tirando os casos extremos da Africa e áreas muito atrasadas, as classes menois favorecidas tiveram qualidade de vida tão próxima aos ricos. Um pobre hoje nos EUA ( vamos chamar de classe média) , no Brasil viaja , tem carro, se alimenta, e tem melhoras em oportunidades. Não esta bom ( aqui) , mas melhorou. Claro que tem gente que tem vantagens educacionais, de herança, de estrutura , que tem muito mais chances de ter uma vida mais confortável.

    • De que humanidade é essa que você está falando, Edu???

      Pergunte a um haitiano, um somali, um etíope, um indiano, um brasileiro nascido em uma favela ou no sertão nordestino qual é a nossa qualidade de vida… a resposta será: péssima.

      Que pobres são esses que você fala que tem qualidade de vida próxima a dos ricos? Se você se refere a viajar, se alimentar um pouco melhor e ter acesso a crédito, isso não se deu por outra razão que a ânsia de setores dos grupos mais ricos explorarem novos mercados (as chamadas classes C, D e E) alavancadas da miséria, em boa medida, por programas de distribuição de renda.

      Infelizmente, ainda não houve uma mudança estrutural em nossa sociedade que garantisse a melhora substancial e definitiva na qualidade de vida das pessoas.

      Mas fugi da minha questão. Uma vez mais reafirmo que vivemos em um sistema baseado na exploração da desigualdade dos homens e que, para existir, tem que manter e produzir desigualdade.

      Att.

      RB

  15. Edu

    4) Em nenhuma sociedade até hoje , quem faz trabalhos manuais mais pesados foram os mais prósperos. O que existe é uma tendência do trabalho duro ser menos duro ( automatização, máquinas, avanços de proteção e etc…, mas ainda é menos remunerado do que um diretor de banco. Quantos diretores de banco tem? Há uma pirãmide sim no mercado e no caso de empreendedorismo, por incrível que pareça , o back ground conta menos do que parece. Aí vale talento, observação, estilo de pessoa , garra e visão.Não adianta estudar muito e abrir um negócio. Um vendedor tem mais chance de dar certo,

    • Edu, em nenhuma sociedade? Você conhece todas? Pois eu conheço algumas nas quais não há essa divisão tão nítida entre “trabalhos manuais mais pesados” e outros trabalhos. A pergunta é, o quanto estamos dispostos a abrir mão no nosso atual estilo de vida para viver em uma sociedade que dê oportunidades mais iguais para todos? Quanto????

      Por que há essa desvalorização dos “trabalhos manuais mais pesados”? Por que quem produz nossa comida deve ganhar menos do que outro que passa o dia diante de um computador fazendo um grupo de homens já rico enriquecer ainda mais através da especulação no mercado financeiro, por exemplo?

      Enfim, temos visões de mundo realmente bastante distintas. Empreendedorismo, tal como ele é vendido, é uma balela tão grande que faz a maior parte das pessoas que nele se metem, acabem ainda mais endividadas e, no fim, a culpa é sempre delas.

      Att.

      RB

      • Edu

        Depois vou escrever sobre seus pontos, mas gostaria que voce escrevesse a respeito do Haiti. O que vc faria se tivesse todo os meios para acabar com a miséria e fazer deste pais um igualitário a seu modo?

      • Sabe o que é, Edu… realmente não vale a pena responder isso aqui e agora… desculpe.

        Quem sabe um dia escreva algo sobre o Haiti, ou não, foi só um exemplo diante do que estávamos conversando à respeito da desigualdade e de como a vida de uma pessoa é brutalmente determinada pelo local onde ela nasce, pois as sociedades humanas se organizam de um modo totalmente desigual onde os recursos já foram praticamente todos apropriados, restando a quem nada tem, vender a única coisa que lhe resta, a força de trabalho. Só que esta é super-explorada para gerar os grandes lucros daqueles que se apropriaram dos recursos. Enfim, você conhece essa história toda…

        Escrevi o que escrevi, pois vivemos em um mundo no qual a maior parte de toda a riqueza produzida pela humanidade concentra-se na mão de 1% da população, e você vem me dizer que isto é normal e desejável. Nós deveríamos era estar brigando para estar do lado do 1% e não junto com os 99%. Aliás, você está defendendo que nem é tão ruim assim ficar do lado dos 99%, porque você pelo menos está comendo, recebendo alguma educação, conseguindo comprar um carro e consumir as coisas que o 1% empurra pra você consumir e deixá-los cada vez mais ricos. Os outros que não estão, que se fodam. Eles que se esforcem mais para conseguir essas migalhas com as quais você se banqueteia.

        Não sei se você está entendendo meus pontos, e por isso estou achando que não vale a pena continuar essa discussão.. Não tem necessidade nenhuma de eu falar qualquer coisa sobre o Haiti. A tragédia está aí, a olhos vistos. O que eu faria para tornar o país igualitário, nesse cenário hipotético que você criou, é irrelevante para esta discussão. Estava apenas apontando o óbvio e que não deveria sequer gerar controvérsia, isto é, como a maneira na qual nossa sociedade está organizada é completamente equivocada. Uma nova organização desta sociedade não depende de mim, nem do que eu acho, mas de todo o coletivo das pessoas que viverão nesta sociedade. Talvez devêssemos começar justamente por aí, isto é, em tornar os espaços de poder em cada uma de suas esferas mais representativos do que eles efetivamente são. Enfim, jé me estendi demais…

        Att.

        RB

      • Edu

        Rogério. Te perguntei do haiti, pois lá dá para a gente discutir como se saí destas tragédias. Constatar que existe pobreza nada resolve. Todos sabem. Porque é problema discutir exatamente o relevante? Quer voltar 500 anos e discutir a história do Haiti? Vamos lá! Como se slava o haiti?

      • Acho que você não leu nada do que escrevi desde o começo… =\

      • Edu

        Rogério. Voltando ao haiti. Vamos supor que eu não lí ou não entendí o que vc escreveu. Por favor explique para que eu e outros possamos entender direito. Como vc agiria no Haiti? Lhe dei, assim como nos videogames todos os elementos que quiser. Queria entender vc com as ferramentas na mão ( algo que geralmente só temos uma pequena parte) , o que faria? Sei que a pergunta é perturbadora e sei exatamente porque, mas não vem ao caso e queria entender a sua relutância em responder objetivamente.

      • Sabe o que é, Edu… realmente não vale a pena responder isso aqui e agora… desculpe.

        Quem sabe um dia escreva algo sobre o Haiti, ou não, foi só um exemplo diante do que estávamos conversando à respeito da desigualdade e de como a vida de uma pessoa é brutalmente determinada pelo local onde ela nasce, pois as sociedades humanas se organizam de um modo totalmente desigual onde os recursos já foram praticamente todos apropriados, restando a quem nada tem, vender a única coisa que lhe resta, a força de trabalho. Só que esta é super-explorada para gerar os grandes lucros daqueles que se apropriaram dos recursos. Enfim, você conhece essa história toda…

        Escrevi o que escrevi, pois vivemos em um mundo no qual a maior parte de toda a riqueza produzida pela humanidade concentra-se na mão de 1% da população, e você vem me dizer que isto é normal e desejável. Nós deveríamos era estar brigando para estar do lado do 1% e não junto com os 99%. Aliás, você está defendendo que nem é tão ruim assim ficar do lado dos 99%, porque você pelo menos está comendo, recebendo alguma educação, conseguindo comprar um carro e consumir as coisas que o 1% empurra pra você consumir e deixá-los cada vez mais ricos. Os outros que não estão, que se fodam. Eles que se esforcem mais para conseguir essas migalhas com as quais você se banqueteia.

        Não sei se você está entendendo meus pontos, e por isso estou achando que não vale a pena continuar essa discussão.. Não tem necessidade nenhuma de eu falar qualquer coisa sobre o Haiti. A tragédia está aí, a olhos vistos. O que eu faria para tornar o país igualitário, nesse cenário hipotético que você criou, é irrelevante para esta discussão. Estava apenas apontando o óbvio e que não deveria sequer gerar controvérsia, isto é, como a maneira na qual nossa sociedade está organizada é completamente equivocada. Uma nova organização desta sociedade não depende de mim, nem do que eu acho, mas de todo o coletivo das pessoas que viverão nesta sociedade. Talvez devêssemos começar justamente por aí, isto é, em tornar os espaços de poder em cada uma de suas esferas mais representativos do que eles efetivamente são. Enfim, jé me estendi demais…

        Att.

        RB

  16. Edu

    5) Em todas as sociedades tem winners e loosers. É da natureza humana. As pessoas são diferentes. As ambições são diferentes. As possibilidades são diferentes. O que a sociedade deve se organizar para não deixar os que tem menos , viverem na miséria. Os países citados acima, já conseguiram. Os outros tem que camelar muito ainda,mas não acredite em resultados de curto prazo, além do que nem sempre a sociedade vai na direção de melhorar,ou sua estrutura a permite, vide Argentina.

  17. Ivan

    A inveja é o mais dissimulado dos sentimentos humanos, não só por ser o mais desprezível mas porque se compõe, em essência, de um conflito insolúvel entre a aversão a si mesmo e o anseio de autovalorização, de tal modo que a alma, dividida, fala para fora com a voz do orgulho e para dentro com a do desprezo, não logrando jamais aquela unidade de intenção e de tom que evidencia a sinceridade.

    Que eu saiba, o único invejoso assumido da literatura universal é O Sobrinho de Rameau, de Diderot, personagem caricato demais para ser real. Mesmo O Homem do Subterrâneo de Dostoiévski só se exprime no papel porque acredita que não será lido. A gente confessa ódio, humilhação, medo, ciúme, tristeza, cobiça. Inveja, nunca. A inveja admitida se anularia no ato, transmutando-se em competição franca ou em desistência resignada. A inveja é o único sentimento que se alimenta de sua própria ocultação.

    O homem torna-se invejoso quando desiste intimamente dos bens que cobiçava, por acreditar, em segredo, que não os merece. O que lhe dói não é a falta dos bens, mas do mérito. Daí sua compulsão de depreciar esses bens, de destruí-los ou de substituí-los por simulacros miseráveis, fingindo julgá-los mais valiosos que os originais. É precisamente nas dissimulações que a inveja se revela da maneira mais clara.

    As formas de dissimulação são muitas, mas a inveja essencial, primordial, tem por objeto os bens espirituais, porque são mais abstratos e impalpáveis, mais aptos a despertar no invejoso aquele sentimento de exclusão irremediável que faz dele, em vida, um condenado do inferno. Riqueza material e poder mundano nunca são tão distantes, tão incompreensíveis, quanto a amizade de Abel com Deus, que leva Caim ao desespero, ou o misterioso dom do gênio criador, que humilha as inteligências medíocres mesmo quando bem sucedidas social e economicamente. Por trás da inveja vulgar há sempre inveja espiritual.

    Mas a inveja espiritual muda de motivo conforme os tempos. A época moderna, explica Lionel Trilling em Beyond Culture (1964), “é a primeira em que muitos homens aspiram a altas realizações nas artes e, na sua frustração, formam uma classe despossuída, um proletariado do espírito.”

    Para novos motivos, novas dissimulações. O “proletariado do espírito” é, como já observava Otto Maria Carpeaux (A Cinza do Purgatório, 1943), a classe revolucionária por excelência. Desde a Revolução Francesa, os movimentos ideológicos de massa sempre recrutaram o grosso de seus líderes da multidão dos semi-intelectuais ressentidos. Afastados do trabalho manual pela instrução que receberam, separados da realização nas letras e nas artes pela sua mediocridade endêmica, que lhes restava? A revolta. Mas uma revolta em nome da inépcia se autodesmoralizaria no ato. O único que a confessou, com candura suicida, foi justamente o “sobrinho de Rameau”. Como que advertidos por essa cruel caricatura, os demais notaram que era preciso a camuflagem de um pretexto nobre. Para isso serviram os pobres e oprimidos. A facilidade com que todo revolucionário derrama lágrimas de piedade por eles enquanto luta contra o establishment, passando a oprimi-los tão logo sobe ao poder, só se explica pelo fato de que não era o sofrimento material deles que o comovia, mas apenas o seu próprio sofrimento psíquico. O direito dos pobres é a poção alucinógena com que o intelectual ativista se inebria de ilusões quanto aos motivos da sua conduta. E é o próprio drama interior da inveja espiritual que dá ao seu discurso aquela hipnótica intensidade emocional que W. B. Yeats notava nos apóstolos do pior (v. “The Second Coming” e “The Leaders of the Crowd” em Michael Robartes and The Dancer, 1921). Nenhum sentimento autêntico se expressa com furor comparável ao da encenação histérica.

    Por ironia, o que deu origem ao grand guignol das revoluções modernas não foi a exclusão, mas a inclusão: foi quando as portas das atividades culturais superiores se abriram para as massas de classe média e pobre que, fatalmente, o número de frustrados das letras se multiplicou por milhões.

    A “rebelião das massas” a que se referia José Ortega y Gasset (La Rebelión de las Masas, 1928) consistia precisamente nisso: não na ascensão dos pobres à cultura superior, mas na concomitante impossibilidade de democratizar o gênio. A inveja resultante gerava ódio aos próprios bens recém-conquistados, que pareciam tanto mais inacessíveis às almas quanto mais democratizados no mundo: daí o clamor geral contra a “cultura de elite”, justamente no momento em que ela já não era privilégio da elite.

    Ortega, de maneira tão injusta quanto compreensível, foi por isso acusado de elitista. Mas Eric Hoffer, operário elevado por mérito próprio ao nível de grande intelectual, também escreveu páginas penetrantes sobre a psicologia dos ativistas, “pseudo-intelectuais tagarelas e cheios de pose… Vivendo vidas estéreis e inúteis, não possuem autoconfiança e auto-respeito, e anseiam pela ilusão de peso e importância.” (The Ordeal of Change, 1952).

    Por isso, leitores, não estranhem quando virem, na liderança dos “movimentos sociais”, cidadãos de classe média e alta diplomados pelas universidades mais caras, como é o caso aliás do próprio sr. João Pedro Stedile, economista da PUC-RS. Se esses movimentos fossem autenticamente de pobres, eles se contentariam com o atendimento de suas reivindicações nominais: um pedaço de terra, uma casa, ferramentas de trabalho. Mas o vazio no coração do intelectual ativista, o buraco negro da inveja espiritual, é tão profundo quanto o abismo do inferno. Nem o mundo inteiro pode preenchê-lo. Por isso a demanda razoável dos bens mais simples da vida, esperança inicial da massa dos liderados, acaba sempre se ampliando, por iniciativa dos líderes, na exigência louca de uma transformação total da realidade, de uma mutação revolucionária do mundo. E, no caos da revolução, as esperanças dos pobres acabam sempre sacrificadas à glória dos intelectuais ativistas.

    Olavo de Carvalho

    • Bingo, ganhou o abacaxi do mês. Citou o “pençador” Olavo de Carvalho.

      • Edu

        Rogério. Desqualificar não é argumento. Vc não respondeu minha pergunta do Haiti.

    • Geraldo

      A citação poderia ser do Zé das Couves, não importa, está plena de verdade.

      • Cada qual com suas verdades, não é mesmo camarada… Seja feliz com as “verdades” do Olavo de Carvalho e faça dele o seu guru pessoal, se quiser, mas cá pra mim, trata-se de um verdadeiro parvo, mau intencionado e que merece tanta atenção quanto aquela que eu dou para o time de futebol da papua nova guiné.

        Att.

        RB

        Aliás, estou começando a aprender a não gastar vela com pouco defunto, como diria meu pai.

      • Mas vamos lá, Geraldo e Ivan, falando em intelectual de verdade, vou repostar aqui um trecho de entrevista do Antônio Cândido que já havia publicado no blog em 01.mai.2013. Deixo Antônio Cândido responder ao sr. Olavo, pois ele o faz com maestria (na minha modesta opinião). Aproveitem!!!

        Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras.

        Entrevista concedida a Joana Tavares, do Brasil de Fato.

        Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.

        Brasil de Fato – O que o senhor lê hoje em dia?

        Antonio Candido – Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.

        Brasil de Fato – O senhor é socialista?

        Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “O senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

        Brasil de Fato – Por quê?

        Antonio Candido – Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

        Brasil de Fato – O socialismo, como luta dos trabalhadores?

        Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto, ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.

        Brasil de Fato – Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?

        Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente,

        porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.

        Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?

        Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para os que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo.

        QUEM É ANTONIO CÂNDIDO

        Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro “Os Parceiros do Rio Bonito”, em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.

        FONTE: https://umhistoriador.wordpress.com/2013/05/01/antonio-candido-socialismo-e-uma-doutrina-triunfante/

  18. Ivan

    passando ao largo da diferença na formação acadêmica entre o “blogueiro” e Thomas Sowell.Um brasileiro branco achar que entende mais de história do racismo do que um negro americano sexagenário.pronto!a presunção alcançou outros níveis.

  19. Ivan

    A retórica do Antônio Candido é a velha receita conhecida:comparar o ideal de socialismo com o real do capitalismo.Cuba,Coréia do Norte,Venezuela(S) não podem ser consideradas socialistas,mas tudo que dá errado no mundo da economia de mercado é exemplo de capitalismo mal fadado.Comparar um sonho,uma utopia com o que na vida real acontece é muito fácil.

  20. cleber

    Historiador, sabe tanto de história, pena que não sabe interpretar as ações humanas ao longo do tempo em um ambiente escasso como um economista. O que quero dizer é que teu texto não refuta a crítica do T. Sowell, apenas o xinga e traz um discurso com ranço ideológico em seu teor, mostrando dados que mostram exatamente aquilo que alguns que interpretam sabem, de que cotas não mudam a realidade de quem se beneficiaria, só de quem paga. Além do mais a sociedade não muda pelo governo, a sociedade muda pelas pessoas que interagem entre si, por trocas livres. Logo é imoral e uma nova forma de escravidão fazer alguém pobre trabalhar para pagar por um “direito” alheio, retirando a possibilidade de ele prover a si próprio em nome de uma política neo-escravagista. Por que escravagista? Pois impõem à força pessoas à trabalharem por uma coisa que se fosse possível escolher, não o fariam, ao menos não à força. Além do que como tu bem termina o texto:
    “Pode-se destacar, ainda, que a diferença entre a parcela de negros e brancos desempregados, por exemplo, é maior hoje do que há 50 anos. Pior que isso, a renda média de uma família afro-descendente é dois terços menor do que a de uma família branca não hispânica. Também pode-se observar que o valor do acúmulo de bens desses brancos não hispânicos que há 30 anos era quatro vezes maior do que a dos afro-descendentes, em 2010 já era seis vezes maior. Por fim, pode-se destacar ainda que a diferença entre brancos e negros acima de 25 anos que concluíram o ensino superior nos EUA aumentou sete pontos percentuais, enquanto a população carcerária segue sendo majoritariamente negra.”

    A diferença é que tu entende que precisa-se de mais intervenção do governo para solucionar esse “problema” que provavelmente foi criado pelo próprio governo.

    • Caro Cléber,

      O fato de você achar que meu texto não refuta a crítica de Sowell não significa que não refutei, mas apenas que você não o tenha percebido ou, pior, simplesmente prefere não admiti-lo. Ao invés disso, considera mais pertinente classificá-lo como um discurso ideológico repleto de xingamentos. Aliás, permita-me comentar que sua compreensão acerca da categoria “ideologia” parece um tanto pobre no contexto na qual você a utilizou.

      Ademais, devo dizer que seu entendimento acerca das cotas é tão cruel e nefasto quanto o de Sowell, como não podia ser diferente, afinal de contas, deve provir da mesma matriz. Só mesmo uma mente bastante doentia classificaria as cotas como “políticas escravagistas”.

      Em tempo, ideológico (no sentido marxista do termo) é o discurso “vendido” pelos liberais acerca do funcionamento da sociedade, tal como você começou a rascunhar aqui. Neste modelo de sociedade, como há séculos os marxistas vem expondo, ocultam-se os grilhões que aprisionam bilhões de trabalhadores sob um discurso ahistórico com falsas promessas de liberdade e bem estar através do consumo, quando na verdade a maior parte da população trabalha muito, em péssimas condições e são mal pagas, tendo toda sua força de trabalho explorada para manter apenas 1% da população mundial vivendo em condições aristocráticas.

      Só posso lamentar o profundo desprezo que você tem pelo Estado e esta miopia doentia dos liberais quanto ao modo de perceber o papel do Estado na organização e funcionamento da sociedade. Tal visão os faz serem cruéis, como apontei no post sobre Sowell e como você deixou bem claro em seu comentário.

      Att.

      RB

  21. Thiago Cardoso

    Eu concordo com o ponto de vista de Thomas Sowell. Como você disse, muitas políticas afirmativas foram tentadas e todas elas sem sucesso. Inclusive, até mesmo a eleição de Barack Obama só fez piorar as desigualdades. Isso mostra que os EUA está no caminho errado no tratamento da questão de desigualdade racial, não acha?
    Por outro lado, os irlandeses sofreram muita discriminação nos Estados Unidos. Existia a famosa placa NINA “No Irish need apply” negando-lhes muitas oportunidades de emprego e nunca houve nenhuma política de afirmação pró-irlandeses. Mesmo assim, eles estão entre os mais ricos dos Estados Unidos.

  22. david f andrade

    Racista? A mente de um robô militante é muito escrota mesmo, já caga logo na entrada com uma rotulação tão covarde e desonesta como esta, que é a práxis mesmo do espirito de rebanho ”Marxista”.

  23. Antônio

    Oi Rogério,

    Você disse nos comentários sobre os altíssimos níveis de desigualdade no mundo. No qual, 1% da população tem muito e o restante só migalhas.

    Levando a conversa para as diferentes nações, afim de facilitar a conversa. Com certeza existem diversos fatores que fazem com que uma nação seja rica ou pobre: cultura, geografia, processo histórico, genética, sistema de governo, sistema econômico, etc. Mesmo em alguns países ricos, como os EUA, existe uma estratificação social grande. Todavia, é fato que há uma grande diferença em ser pobre em uma nação rica ou em uma nação pobre.

    Por isso, fica difícil comparar o desenvolvimento das nações baseando-se em apenas um fator de análise. O trio bio-psico-social é a maneira mais eficiente que temos atualmente para avaliar um individuo ou até um grupo de indivíduos. O sócio-construtivismo apesar de muito importante é limitado por não considerar muito os fatores biológicos e psicológicos.

    Nesse contexto, você não considera uma evolução os casos da Coreia do Sul e da Alemanha ocidental?

    Pois, em ambos os exemplos, eles dispõem de muita semelhança: geográfica, cultural, de pool genético, etc. E antes da intervenção dos EUA e URRS – grande semelhança no bio-psico-social. O que mudou radicalmente foi a influencia de sistema politico, econômico e social. Esses países diminuíram consideravelmente a pobreza e desigualdade. Enquanto os seus irmãos não.

    O que você pensa disso?

    Obrigado.

    • Antônio

      Errata – faltou o havia:
      Pois, em ambos os exemplos, eles dispõem de muita semelhança: geográfica, cultural, de pool genético, etc. Ou seja, antes da intervenção dos EUA e URRS – havia grande semelhança no bio-psico-social. O que mudou radicalmente foi a influencia de sistema politico, econômico e social. Esses países diminuíram consideravelmente a pobreza e desigualdade. Enquanto os seus irmãos não.

    • Antônio,

      Antes de eu responder devo dizer que eu penso que estou vendo uma argumentação do século XIX em pleno século XXI. Quando tiver mais tempo, comento seu texto.

      Att.

      RB.

      • Antônio

        Ok Rogério,

        Fico no aguardo.

        Porém, já adiantando. Quanto eu falo de bio-psico-social, principalmente do aspecto biológico, eu não estou me referindo as teorias racistas do século XIX: frenologia, darwinismo social, eugenia, etc. Mas, sim, das teorias cientificas atuais.

        Existe até mesmo artigos científicos com viés esquerdista – embora seja errado da minha parte classificar um artigo cientifico com viés ideológico – levando em consideração esses três aspectos do ser humano e da sociedade. Em português o autor é o Dr. Humberto Mariotti.

  24. Que lixo de texto. “Discurso ideologizante”. O cara é um vermelho e me vem falar de ideologia… como se o discurso dele não fosse carregado de ideologia, oras. Sowell está corretíssimo em sua análise. Os movimentos sociais e até mesmo blogs de esquerda são mesmo financiados por governos de esquerda pra ficar pregando versões análogas da “luta de classes”.
    Aliás, Sowell sempre destruiu esquerdistas em debates, logo é claro que vão tentar assassinar sua reputação, xingar, falar que ele é racista, criar um estereótipo qualquer pra tentar difamar o cara. Isso é sempre mais fácil que contra-argumentar.

    Pra quem quiser ler o texto dele na íntegra, recomendo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1732

  25. ragnister

    Eu vim parar aqui porque estava buscando algum historiador que tivesse uma visão liberal. Cara, depois dessa perdi as esperanças hahah Como pode o cara se especializar em história e não aprender com os erros dos nossos antepassados??? Cotas, igualdade, dívida histórica, socialismo, comunismo e todas essas coisas de esquerda é tudo bullshit!!! Vamos abraçar a liberdade que é muito melhor. Vida longa ao liberalismo!!! Te desafio a questionar mais artigos do IMB!!!!

  26. Você não vê um asiatico vagabundando e esperando por alguma esmola do governo. Mesmo aqui no Brasil, os poucos que conheço, chegaram aqui ha uns 30 ou 40 anos e trabalharam pra camamba. Resultado: são ricos. Tem gente que mora no mesmo barraco ha 40 anos e nunca limpou o esgoto a céu aberto que trouxe doença pra todos seus filhos. Sabe porque??? esperou pelo governo o tempo todo e não teve coragem de se juntar com a comunidade para limpar o desgraçado do esgoto.

  27. Rafael Porto

    Típico texto de quem tem uma visão turva da realidade. A incapacidade do autor deste texto em entender o ponto de vista do articulista criticado – e o que ele realmente quer dizer – é simplesmente incrível.

  28. A verdade é que com o governo plutocrata do Reagan, o choque de desigualdade se tornou irreversível e o país ficou mais recalcitrante aos efeitos das lutas pelos direitos civis, que não avançaram pelos direitos econômicos.

    Daí nós vemos a verdadeira face destes monstros mimados que se intitulam liberais pra esconder a escrotice total atrás dessa cortina de fumaça. Assumem o racismo de cara lavada!

    Veja que alguns porcos ficam fazendo comparações… ora, em Hong Kong tem só crescido o número de pessoas que vivem em McDonalds porque não têm dinheiro de bancar um lar, nem de aluguel.

  29. Juliano

    Não entendeu nada do que Sowell escreveu.

  30. Esse Rogerio Beier pode não estar agindo de má fé. Pode ter sido convencido pela ideologia disseminada em nosso país. Mas acaba prestando um serviço à mesma, quando ao pesquisar sobre Thomas Sowell no Google, aparece nas primeiras buscas esse texto completamente parcial e vexatório, retirando minúsculas partes do contexto em que Sowell expressa sua percepção, tendo vivido de perto o que ocorreu na época. Sinto lhe informar Rogerio Beier, mas você, ciente disso ou não, foi doutrinado e está defendendo um posicionamento político que só favorece aos verdadeiros RICOS, a verdadeira ELITE. Não só do país como do mundo. Você acha que eles iriam se fantasiar de “direita fascista”? Eles se passam muito bem por bons samaritanos. E com isso nos manipulam diariamente e você achando que descobriu a verdade no jogo. Defendendo eles. Pensando que está revolucionando, enquanto é usado como massa de manobra! Típico pseudo intelectual, brasileiro alienado!

  31. Will

    Esse Rogerio só pode estar de sacanagem, eu li pelo menos uns 60 argumentos aí que desmontam e destroem a tese dele e ele continua defendendo um absurdo desses, é de dar agonia ficar lendo o que os outros dizem e ver ele responder com coisas tão “abissais”, Não digo abissais no sentido de serem profundas, mas no sentido de serem obscuras, coisas que não conhecem a luz da realidade, chega a dar raiva ler as bobagens (desculpe mas é o que me vem a mente ao lembrar suas metodologias) que o cara coloca.

    Todo mundo tenta ajudar, esclarecer e mesmo assim o cara insiste no erro.

  32. kkkkkkkkkkkkkkkkkk como era a lição dos comunistas: “chame-os do que você é, ofenda-os com o que você faz” – TÍPICO ESQUERDOPATA esse moço que fala mal do Thomas Sowell!

  33. José Bergamo

    Não aguentei ler o artigo até o final. Muito superficial devido a acusações infantis, quase histéricas. Fala de “argumentação tacanha” sem dar o exemplo do que é uma “argumentação decente” e pior toma justamente clichês como acusar o adversário de culpar uma suposta vítima como se fosse argumento que se apresente. Reclama que Sowell tenta forçar uma concepção de racismo, enquanto você tenta forçar nele a sua visão do que é racismo. Na prática foi apenas uma tentativa desesperada de defender as tais políticas afirmativas que já se provaram falhas no mundo todo criticando a “Ousadia” que alguns afroamericanos tem de não caírem nos grilhões modernos, ideológicos dos que não se importam com o racismo e sim com a exploração política que podem fazer do racismo. O cúmulo do descaramento foi dizer que como Sowell formulou que os asiáticos são muito esforçados, e dai seu sucesso, ele estava dizendo que afrodescendentes são preguiçosos. Foi um argumento tão jocoso que eu tive que ler mais de uma vez para poder acreditar que o autor tinha tido mesmo a coragem de escrevê-lo, você no mesmo texto que chama Sowell de desonesto por não considerar as diferenças entre a chegada dos africanos e asiáticos na América, e tu esqueceu totalmente de compara as diferenças culturais GIGANTES entre os povos asiáticos e africanos, (no Japão até hoje, mesmo com aumento da produção devido a tecnologia de ponta, os japoneses sofrem com o fenômeno da morte por exaustão induzida pelo excesso sobre-humano de trabalho) diferenças culturais essas que duram até hoje, enquanto as circunstâncias históricas são oras, históricas, a escravidão foi abolida, a segunda Guerra já terminou, nenhum afroamericano nasce escravo, na realidade a maioria dos afroamericanos já nasce com mais recursos que tinham os imigrantes asiáticos de 50/60 anos atrás e ate mesmo com mais chances na vida que qualquer russo ariano na Moscou atual. Devo dizer que não sei se esse texto foi puramente desonesto ou simples falta de sintonia com a realidade, tentando dobrar a verdade a ideologia.

  34. As afirmações enrustidas de que “os negros não são capazes de progredir a não ser que sigam nossas orientações” provém justamente daquelas organizações que dizem defendê-los.

    Por esse motivo o título: “Afinal, quem são os racistas?”

  35. Yuri Tzrarov

    O mundo é dos mais fortes. Foi assim e sempre será; desde a pré-história, viva, viva, viva o instinto natural! Morte à modernidade! A seleção natural é o melhor meio de preservar o mais forte, o mais adaptado às circunstâncias, ao meio e à realidade. Rogério Beier, tu és um antinatural! Chora, lamenta, bem-vindo à Grande Natureza.

  36. Bento Luiz

    Nossa senhora da paciência, hoje passei por uma discussão que passava por todos esses absurdos discutidos aqui. Parece que há um direcionamento em desqualificar tanto quem pessoalmente que faz a crítica como qualquer referencial teórico/histórico que mostre o contrário. O debatedor pró Sowell no caso começou por desqualificar meu conhecimento de causa, meu estudo, minhas referências. Bourdie virou um sofista que não entende de biologia (oi?) e Foccault um pós-moderno que não merece atenção. A discussão era sobre estado policialesco e racismo, vide a política de guerra as drogas e genocidio da população negra. Disse o que pensava, bem na sua linha de raciocínio, e depois de mostrar o texto de um antropólogo negro sobre o racismo invisível e velado do Brasil recebi um “vai ler Sowell” é um tu é burro. :/

    foi como cheguei aqui e lendo esse caloroso “debate” fiquei feliz em não estar sozinho, apesar de achar uma perda de tempo discutir com porta.

  37. Marcelo Faviere

    Infelizmente mais um historiador querendo decidir coisas que fogem de sua ação.

  38. Hudson

    Entre seus argumentos e os de Thomas Sowell, com todo o respeito que você merece, eu prefiro ficar com os do Sowell.

    Abraço.

  39. Guilherme Conde

    Rogerio, tudo bem? Não sou nenhum tipo de estudioso ou professor, apenas um cara muito curioso em ler diversas opiniões sobre vários assuntos. Do que conheço sobre as ideias apresentadas pelo thomas, entendo que claro algumas questões de cognição social acabam aparecendo em nossas palavras e isso é praticamente impossível de não acontecer, mas vamos la… Entendo que em todo um resumo, a ideia dele é apresentar questões e fatores que mostram que a questão de cotas raciais não apresentam eficacia na qual os governos e mídias “dizem” através de “numeros” apresentados e isso pra mim fica muito claro. Acredito também que Thomas prega a falta de politicas voltadas a GRANDE e gritante desigualdade social que essa sim é responsável por esses números. Cotas raciais estão e já se tornaram verdadeiras peneiras para tapar o sol. Gostei de muitas coisas no seu texto, ta salvo aqui já no meu computador, apenas achei ele um quanto ofensivo e pregar que o Thomas é um racista. Uma pergunta que gostaria de realizar, existe algum numero que comprova realmente que devido as cotas o numero de desigualdade social ou racial tenha diminuído? acredito que tenha ajudo em partes, pra mim o desenvolvimento da sociedade contribuiu muito mais.

  40. Sven

    Ele está certo. Imposto é roubo e escravidão. O mercado é liberdade.

  41. Onde foi que os negros (ou qualquer outro povo ou “raça”) conseguiram melhorias através de associações, sindicatos e coisas do tipo, ao invés do trabalho duro e dedicação aos estudos? Aliás, onde sindicatos e/ou associações resultaram em melhorias à população em geral de qualquer país (o Brasil tem milhares de sindicatos, mais do que qualquer outro país do mundo, então por que ainda somos tão atrasados)? Em suma, como diz Sowell, são os líderes” e autoproclamados porta-vozes lhes dizendo diariamente que são incapazes de prosperar por conta própria, que o sistema está contra eles, que eles não têm chance de ascender socialmente caso não sigam os slogans repetidos mecanicamente por estes líderes e sociólogos, e que por isso devem se juntar sob o rótulo de “vítimas do sistema” e exigir políticas especiais e tratamento diferenciado, são estes que mantêm os negros na pobreza (como igualmente os sindicatos e associações fazem em todas as nações onde têm relevância). A obra prima “Os intelectuais e a sociedade” ,de Sowell, aborda essa e outras questões de forma primorosa.

  42. Curioso

    O padrão de sua argumentação é criticado pelo mesmo Thomás Sowell no livro “The Vision of the “Anointed”. Seu argumento é o seguinte: apesar de todas as políticas públicas favoráveis aos negros, a situação deles ainda é ruim. Sowell, no referido livro, sustenta que são justamente algumas políticas públicas favoráveis que pioram a situação dos beneficiários. Perceba que, dos indicadores mostrados no infográfico, o nível de educação dos negros aumentou muito mais do que o dos brancos. Apesar disso o desemprego negro cresceu mais do que o branco. O nível educacional é resultado da ação do Estado, mas a quem se pode atribuir o desemprego? Parece que a política pública favorável teve resultado oposto ao pretendido.

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