“Dormia a nossa pátria mãe, tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.

Por Rodrigo Nagem de Aragão, estudante de história do DH-USP, em ocasião do aniversário do Golpe Militar de 1964.

texto rodrigo

Há 51 anos, no dia primeiro de abril de 1964, tinha início a Ditadura Militar, um sombrio capítulo de nossa história que persistiu por longos 21 anos – desde o golpe que levou à deposição do presidente João Goulart até o início da Nova República, com o processo da “redemocratização” (ou, como se convém chamar, o processo de retorno ao parlamentarismo burguês, a “ditadura democrática” das classes dominantes). 

Pressionada pelo governo dos Estados Unidos, cuja postura com relação à América Latina se tornara mais assertiva após o triunfo da Revolução Cubana em 1959, e preocupada em assegurar o poder do Estado e prevenir que o reformismo do governo de João Goulart pudesse abrir espaço para caminhos mais radicais, a burguesia brasileira, nas condições postas, abraçou a via do golpe, contando com o amplo apoio logístico e operacional de órgãos de inteligência estadunidenses (com destaque para o IBAD e o IPES). E, deste modo, no dia primeiro de abril de 1964, Joao Goulart foi forçosamente destituído do cargo de presidente da República. O regime que então se seguiu foi marcado por uma série de crimes hediondos e violações aos direitos humanos, desde o cerceamento dos direitos civis e das garantias constitucionais até as práticas de tortura e assassinato, atrocidades cometidas principalmente na perseguição sistemática à esquerda brasileira, especialmente os comunistas.

A Ditadura Militar encarregou-se de, por um lado, esvaziar as esferas democráticas, desarticulando as reformas sociais e econômicas intencionados pelo governo de João Goulart, e, por outro lado, institucionalizar um brutal processo de repressão contra a esquerda. Assim, a soldo das elites e por meio da violência generalizada, os militares esforçaram-se para liquidar as organizações progressistas, no geral, e as organizações revolucionárias, de inclinação comunista, em específico. À época, partidos políticos, centrais sindicais, ligas camponesas e diversos movimentos sociais (estudantis, religiosos, etc.) tornaram-se alvos compulsórios dos órgãos de repressão da Ditadura – e, mais adiante, também os grupos de luta armada, formados após o recrudescimento da perseguição política; com requintes de crueldade, incontáveis militantes de tais organizações foram encarcerados, mutilados e chacinados, casos atrozes que, em sua maioria, permanecem até hoje sem esclarecimento público e cujos responsáveis seguem impunes, uma vez que, anistiados, jamais chegaram a responder por seus crimes. Desta forma, sob uma montanha de cadáveres, o regime militar cumpriu o seu papel: ossificou a vida política do país e, sob tal conjuntura, garantiu a primazia dos interesses econômicos e políticos das classes dominantes, atendendo igualmente aos propósitos do imperialismo norte-americano com relação ao Brasil.

Os resultados da tarefa bem-sucedida levada a cabo pelos militares se fazem sentir – e com muito peso – até hoje: o poderio político e econômico de monstruosas associações empresariais, formadas a partir de negociações entre grupos envolvidos nos bastidores do golpe militar e que até hoje reinam sobre largos setores da indústria brasileira; a elevada concentração de terras nas mãos de um ínfimo punhado de latifundiários, agraciados durante a Ditadura por uma série de leis aprovadas em detrimento da reforma agrária e em benefício do crescente acúmulo da propriedade fundiária, fato que entrava o desenvolvimento econômico do campo e condena milhares de famílias campesinas à miséria extrema; a cristalização das práticas de corrupção no seio da atividade parlamentar a partir da associação do Estado com grandes grupos econômicos, ocorrência inerente ao próprio capitalismo, mas fortemente propiciada pelo regime militar, como, por exemplo, é o caso das famosas “quatro irmãs” (Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez), empreiteiras que foram amplamente beneficiadas por contratos milionários firmados em parceria com a Ditadura e que, hoje em dia, lideram as listas de financiamento privado de campanhas eleitorais e marcam presença nos casos mais recentes de corrupção envolvendo esquemas de licitação pública; a subserviência da economia nacional às instituições financeiras privadas, principalmente os bancos estrangeiros, quadro incentivado após 1964 e que nos remete à atual dívida pública do país, cuja amortização compromete quase 50% do orçamento federal; e a permanência de práticas de repressão à moda fascista, herança direta dos métodos de procedimento policial instaurados pelos militares, cujo reflexo mais claro é a presente campanha de extermínio promovida pela polícia militar contra a população pobre, trabalhadora e negra que habita as periferias dos grandes centros urbanos brasileiros.

Passados trinta anos do fim da Ditadura Militar, ponderando sua relação com o nosso presente e colocando em perspectiva os seus efeitos, permanecem atuais, pois, os versos de Chico Buarque: “Dormia a nossa pátria mãe, tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.

Para saber mais sobre a Ditadura Militar:

– Análise crítica do sociólogo Carlos Eduardo Martins acerca do regime militar:http://dincao.com.br/noticias/?p=2811

– Relatório final apresentado pela Comissão Nacional da Verdade (CNV):http://dincao.com.br/noticias/?p=2804

– A participação dos EUA na elaboração e efetivação do golpe militar:http://dincao.com.br/noticias/?p=2835

– “O dia que durou 21 anos”, documentário dirigido por Camilo Galli Tavares sobre o envolvimento do governo dos Estados Unidos na preparação, desde 1962, do golpe militar executado em 1964:

O dia que durou 21 anos from Ivan Fayvit on Vimeo.

– A relação entre a Ditadura Militar e a Operação Condor: http://dincao.com.br/noticias/?p=2884

– Especial “À espera da verdade”, conjunto de documentos, artigos e entrevistas a respeito do regime militar: http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/68036/Ultima+instancia+inaugura+especial+a+espera+da+verdade+45+anos+do+ai_5+50+anos+do+golpe.shtml

– Site da Comissão Nacional da Verdade, contendo os relatórios dos trabalhos de investigação e discussão realizados pela CNV e links para a documentação pesquisada e analisada: http://www.cnv.gov.br/

– Site “Memórias da Ditadura”, portal lançado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos com um amplo acervo de imagens, informações e documentários sobre a Ditadura Militar: http://memoriasdaditadura.org.br/

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27 Comentários

Arquivado em Golpe Militar, Política

27 Respostas para ““Dormia a nossa pátria mãe, tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.

  1. Questões Relevantes

    Eu diria que todas as críticas contra ditaduras são justas, se isto fosse verdade. Não são. Se a crítica é feita com má-fé e faz uso de mentiras, deixa de ser justa. Isto não redime o objeto da crítica mas revela a ética peculiar de quem critica. Por exemplo: “a elevada concentração de terras nas mãos de um ínfimo punhado de latifundiários, agraciados durante a Ditadura por uma série de leis aprovadas em detrimento da reforma agrária e em benefício do crescente acúmulo da propriedade fundiária, fato que entrava o desenvolvimento econômico do campo e condena milhares de famílias campesinas à miséria extrema.” Esta frase é desmentida de forma cabal pela realidade e pela balança comercial brasileira. Nestes tempos em que minorias barulhentas clamam por intervenção militar, é importante deixar claro: penso que quem defende ditaduras é um idiota ou um ingênuo desinformado. No entanto esta frase vale para a direita e para a esquerda. À direita, a defesa da volta do regime militar, embora grotesca, é evidentemente um ato descerebrado. Não há uma única liderança digna de menção que esteja por trás ou à frente de tais atos. Mas o contrário não é verdadeiro. Há lideranças como Safatle e Lincoln Secco que defendem abertamente o confronto pela hegemonia da esquerda. Há o exército de Stédile, há um Marco Aurélio Garcia costurando parcerias com as FARC, justificando autoritarismo e violência na Venezuela, a ditadura Cubana etc. Há inclusive os que sonham com o que poderia ter sido se tivesse havido resistência ao golpe. No artigo abaixo estabeleço um diálogo com um texto de Flávio Aguiar que celebra este saudosismo. Chama-se O GOLPE MILITAR E O RETROVISOR DA HISTÓRIA e pode ser lido aqui: http://goo.gl/hPbwgo

    Paulo Falcão.

    • Caro Paulo,

      Contra fatos não argumentos: http://www.cartacapital.com.br/politica/brasil-tem-latifundios-70-mil-deles-1476.html Os latifúndios brasileiros, inegavelmente impulsionados durante os governos da Ditadura Militar, constituem grandes propriedades improdutivas que impedem o pleno aproveitamento do potencial econômico do setor rural, uma vez que inviabilizam o uso de amplas parcelas do solo e precarizam a vida e o trabalho do campesinato. Assim sendo, é correto afirmarmos que a concentração da propriedade fundiária entrava o desenvolvimento econômico do campo.

      Quanto à “balança comercial” que você trouxe acriticamente para a discussão, sem mencionar quaisquer dados concretos ou sequer traçar um nexo causal entre o total da produção rural e os valores que compõem o saldo comercial do país, faltou um pouco de exame consciencioso da sua parte: o fato do Brasil apresentar superávit em sua balança comercial não anula o fato do latifúndio ser improdutivo. Se o país apresenta um saldo positivo em sua balança comercial, isso apenas indica que, a despeito da estrutura latifundiária – e, em grande medida, monocultura – do campo, o país produz uma dada quantidade de gêneros primários que encontram demanda no mercado exterior e, deste modo, endossam a taxa geral dos valores exportados. Isso não significa que o Brasil (leia-se: agronegócio) faça uso de todo o potencial de suas terras, nem que apenas exporte gêneros primários, muito menos que o superávit se explique unilateralmente pela produção agrícola, desconsiderando os valores gerais importados. De qualquer modo, a verdade é que o caráter improdutivo da estrutura latifundiária, por um lado, impossibilita o desenvolvimento das relações de produção do campo em sua plenitude e, por outro lado, em função de sua ineficiência, força a sobre-exploração dos camponeses, promovendo a deterioração das suas condições de vida.

      De resto, apenas lamento pelo caráter tragicômico – ou talvez apenas desonesto – da sua escatologia conspiratória. Safatle e Secco são professores universitários e não representam liderança de coisa alguma. A propósito, tanto Safatle quanto Secco nunca convocaram manifestações de rua em função do que você chama de “confronto pela hegemonia da esquerda”, mas várias lideranças – políticas e civis – da direita endossaram a ida da população às ruas no protesto pró-impeachment do último dia 15, onde certas reivindicações de teor reacionário, tais como a cobrança pelo retorno da Ditadura Militar, tomaram lugar. Por sua vez, “exército de Stédile”, “parcerias com as FARC” e “ditadura cubana” são afirmações que beiram a psicopatia, não sendo dignas de qualquer comentário sério. Eu sugiro que, da próxima vez, para que uma discussão honesta e profícua possa florescer, você paute a sua fala em informações objetivas e reais, prezando a construção dos seus argumentos a partir de uma postura intelectual crítica, racional e, acima de tudo, honesta.

      Rodrigo Nagem

      • Questões Relevantes

        Rodrigo, é curioso que a matéria da Carta Capital não traga uma foto, uma entrevista, uma imagem do Google Earth ou qualquer outra coisa palpável que lhe dê substância. Não há um endereço, um nome de pessoa ou corporação. Sabe por que? Porque revelaria a fraude e o oportunismo panfletário. “Ah, mas tem os dados do INCRA, não são suficientes?” poderia perguntar alguém mais desinformado. Eu diria que não, porque sofreram várias distorções metodológicas nos últimos 13 anos. Aliás, matérias da Carta Capital nunca foram “fatos” e funcionam mal como argumento.

        A essência da questão é que você certamente não conhece o campo. Nunca plantou um pé de feijão, nunca colheu amendoim, nunca pegou em um cabo de enxada para ajudar em uma capina, nunca ajudou a marcar bezerros. Leu um pouco sobre o assunto e leu mal.

        A esquerda, desde Marx, tem sérias dificuldades em entender como funciona a economia real. O próprio autor de “O Capital” era um burguês e não há teórico marxista conhecido que tenha sido camponês ou proletário. Em geral, quem fala em latifúndio, exploração, campesinato e outros termos carimbados da esquerda é um teórico de colarinho branco, mesmo que seja o colarinho de uma camiseta vermelha com a foto de Che Guevara.

        Quanto ao seu entendimento sobre “balança comercial”, apenas demonstra que além de não entender nada de produção agropecuária, também tem dificuldade com o caderno de economia dos jornais ou os sites de consolidação de dados sobre PIB e Comércio Exterior. Negar a relevância do agronegócio para a economia brasileira é como negar a relevância da vacina na redução de doenças: uma mescla de ignorância e estupidez. A resistência, evidentemente, se dá porque aceita-la seria aceitar que a tese dos latifúndios improdutivos é falsa, como é falsa a tabela do INCRA. Não há qualquer lógica possível em ter-se aumento dos latifúndios improdutivos e o agronegócio bater sucessivos recordes de produção e produtividade. Vou explicar melhor: improdutivo significa que não produz, viu?

        Outro ponto que desmente a matéria pelo campo da lógica: já são 13 anos de governo do PT com o INCRA totalmente aparelhado. Se fosse verdade, você acha que nenhuma ação teria sido tomada, nem que fosse só por propaganda?

        Agora chegamos a um ponto em que sua ignorância é imperdoável, porque pelo menos o ambiente acadêmico deveria lhe ser familiar. Você anda lendo pouco o que Safatle e Secco escrevem e observando menos ainda o que fazem. Safatle está longe de ser um mero professor, ele é colunista de jornal, era comentarista do Jornal da Cultura e na última eleição era o candidato a Governador do PSOL até ter o tapete puxado pelo Maringoni. Lincoln Secco é menos buliçoso de Safatle mas também insuflou e justificou todos os protestos violentos e invasões ocorridos na USP e espalha suas ideias erradas em livros e artigos.

        Depois, à ignorância, somou a mentira em estado bruto. Se o“exército de Stédile” pode ser apenas uma figura de linguagem, as parcerias com as FARC e ditadura cubana são fatos assumidos pelos governos Lula e Dilma. Quando me acusa de psicopatia apenas tenta desqualificar o que sabe não poder negar.

        No fim, me cobrou “uma postura intelectual crítica, racional e, acima de tudo, honesta”. Eu lhe recomendo que procure no dicionário o significado destas palavras. Pode ser revelador.

        Para contribuir com a redução de sua ignorância deixo aqui alguns links de artigos:
        “COMPANHEIRO, VOU FAZER SUA AUTOCRÍTICA”
        http://goo.gl/m1hzWv

        O REACIONÁRIO E LIBERTÁRIO: QUEM É QUEM?
        Boa questão. http://goo.gl/mlU1W5

        VLADIMIR SAFATLE, UM TOTALITÁRIO QUE FAZ POSE DE LIBERTÁRIO. OU: QUEM ABRAÇA SUAS IDEIAS REJEITA A DEMOCRACIA.
        http://goo.gl/kzfd5y

    • Caro Paulo,

      Honestamente não vejo onde a frase escrita no texto de Rodrigo é mentirosa. Analisando-a por trechos, fica ainda mais evidente que as afirmações do autor estão corretas. Vejamos:

      a) A concentração de terras nas mãos de um ínfimo punhado de latifundiários no Brasil é inegável. Recentemente, notícias divulgadas por praticamente todos os veículos de comunicação deram conta da existência de praticamente 176 milhões de hectares de terras improdutivas no Brasil, segundo dados do Atlas da Terra Brasil (CNPq/USP). Ver: http://oglobo.globo.com/brasil/concentracao-de-terra-cresce-latifundios-equivalem-quase-tres-estados-de-sergipe-15004053

      b) É mais do que evidente que a concentração fundiária entrava o desenvolvimento econômico do campo. É até surpreendente que se conteste justamente um ponto tão cristalino quanto este, mas vou tentar elaborar uma argumentação que seja ainda mais eficiente para explicar porque a frase de Rodrigo é verdadeira.

      O saldo da balança comercial ser positivo mesmo com a imensa concentração fundiária e os quase 176 milhões de terras improdutivas não implica, necessariamente, que o Brasil não tenha desenvolvido sua agricultura nos últimos 50 anos. Muito pelo contrário, houve um desenvolvimento econômico, porém, o mesmo está a serviço – e cada vez mais – dos grandes proprietários que concentram as terras em suas mãos. Entretanto, o que entendo da frase do Rodrigo é que se a terra não estivesse concentrada e com a utilização disseminada entre todos os produtores da tecnologia desenvolvida nos últimos anos para o aumento da produção agrícola, o desenvolvimento econômico seria ainda maior e seus benefícios seriam compartilhados pela população. Diminuindo, ou acabando de vez com a miséria das populações campesinas. Por isso a concentração de terras é afirmada como um entrave ao desenvolvimento da economia agrícola. Ela impede o Brasil de produzir ainda mais, uma vez que seus recursos fundiários seriam melhor aproveitados.

      c) Como se pode depreender do que acabo de escrever acima, a concentração fundiária e o uso da tecnologia restrito apenas à uma parcela dos produtores rurais é responsável, sim, por milhares de famílias campesinas vivendo na miséria extrema. Parece até bobo ter que dizer aqui que sem terra, instrumentos de trabalho, insumos, incentivos de financiamentos bancários e longe das melhores tecnologias de plantio, os trabalhadores rurais só podem contar com programas sociais do governo para sua subsistência. É incrível que alguém que não esteja mal intencionado não veja uma relação tão direta quanto esta.

      Quanto ao resto de seu comentário, abstenho-me de comentar já que entendo se tratarem de provocações tolas que não merecem sequer consideração ou perda de tempo além do já depreendido durante a leitura do mesmo.

      Att.

      RB

      • Rogério, vamos entender algumas coisas.

        A concentração de terras não ocorre por “maldade” ou ação predatória dos produtores, ocorre porque a produção exige escala e conhecimento para ser economicamente viável. Ou seja, muitos produtores têm prejuízo e vendem suas terras para pagar dívidas ou simplesmente mudar de ramo.

        Ocorre o mesmo em todos os setores produtivos, de softwares a automóveis. Além disso, muitos pequenos produtores não gostam do isolamento da vida no campo e vendem suas terras para viver em cidades. Ao contrário de sua crença de que “é mais do que evidente que a concentração fundiária entrava o desenvolvimento econômico do campo” a concentração fundiária é consequência natural do crescimento da eficiência e dos ganhos de escala dos grandes produtores. A concentração de terras, por tanto, não tem qualquer relação com ditadura e nem é um mal em si.

        Quando afirma que o “se a terra não estivesse concentrada e com a utilização disseminada entre todos os produtores da tecnologia desenvolvida nos últimos anos para o aumento da produção agrícola, o desenvolvimento econômico seria ainda maior e seus benefícios seriam compartilhados pela população” revela apenas que ainda está preso a velhos manuais marxistas há muito superados. Aliás, um dos motivos da concentração ter aumentado nos governos Lula e Dilma foi a mudança de foco que impuseram inicialmente à EMBRAPA, que temporariamente deixou de apoiar o “agrobusiness” e ficou focada na agricultura familiar.

        Quanto aos critérios de terra improdutiva do INCRA, é fundamental entender que a produtividade por hectare está diretamente relacionada com tecnologia, como Edu, outro dos comentadores, lembrou “Há de fato grandes fazendas no Brasil, mas a demanda por reforma agrária hoje quase inexiste, pois a população é quase 90% urbana e não mais espaço nos locais das grandes fazendas para pequenas unidades familiares sem Capital e Tecnologia precedido de base educacional. Há espaço ainda (e existe) para pequenas propriedades produtoras de alimentos para os grandes centros, porém cada vez mais com técnicas e tecnologia avançadas combinadas com Capital. Não adianta alocar gente para viver em favelas rurais.”

        Assim, as terras com menores índices de produtividade não são as grandes propriedades que possuem escala para financiar alta tecnologia, mas as pequenas e médias que recorrem a métodos mais baratos e menos eficientes. Apoiar estes produtores é uma medida necessária e inteligente à qual a EMBRAPA retornou depois de ver anos de pesquisa serem perdidos por equívocos ideológicos.

        Este outro trecho de sua resposta revela que a realidade não lhe é totalmente estranha, mas que ainda não compreendeu como as coisas funcionam: “Como se pode depreender do que acabo de escrever acima, a concentração fundiária e o uso da tecnologia restrito apenas à uma parcela dos produtores rurais é responsável, sim, por milhares de famílias campesinas vivendo na miséria extrema. Parece até bobo ter que dizer aqui que sem terra, instrumentos de trabalho, insumos, incentivos de financiamentos bancários e longe das melhores tecnologias de plantio, os trabalhadores rurais só podem contar com programas sociais do governo para sua subsistência. É incrível que alguém que não esteja mal intencionado não veja uma relação tão direta quanto esta.”

        Isto revela que não tem a menor ideia do custo do que está propondo. Fornecer terra, instrumentos de trabalho, insumos, incentivos de financiamentos bancários e as melhores tecnologias de plantio exige dinheiro público na veia e não deu certo nem na antiga União Soviética.

        Há uma fixação da esquerda com o “campesinato” que não evoluiu nada desde Marx. Naquela época, a população era majoritariamente rural. Hoje, quase ninguém mais quer morar na zona rural. Querem ter vizinhos. Querem festas. Querem ir ao boteco. Querem TV e internet.
        O campesino com o qual você sonha não existe mais.

      • Rogério, hoje vi esta chamada para uma matéria que exemplifica de forma concreta parte do que afirmei acima. E, ao contrário da matéria da Carta Capital, tem endereço e é fácil de ser verificada. Trata do sucateamento de um centro de extensão rural pelo MST na Bahia: https://www.facebook.com/video.php?v=875679639155982&set=vb.117478018309485&type=2&theater

  2. Célia Regina da Silva

    Prezado Paulo,

    Não alcancei a sutileza do seu raciocínio. Perdão, mas em que o êxito da nossa balança comercial, no que tange à commodities, desmente a
    pobreza do campesinato brasileiro? E em tempo: que “realidade” é esta a qual você se refere de forma tão vaga?

    Grata.

    • Questões Relevantes

      A produção agro-pecuária brasileira é altamente eficiente e possui milhares de pequenas e médias propriedades que se somam às grandes propriedades, todas elas produtivas. Praticamente não há terra improdutiva no Brasil. O resultado disso aparece na balança comercial brasileira e corresponde a mais de 40% do total exportado, além de assegurar o abastecimento interno com preços razoáveis. A miséria no campo está mais relacionada com a pequena propriedade familiar de baixa tecnologia, incapaz de gerar renda suficiente e mal permitindo a subsistência. O pequeno produtor com acesso à tecnologia e o trabalhador assalariado que vive nas fazendas estão certamente na classe média dos atuais padrões do PT. Tanto isto é fato que o MST recruta seus militantes nas periferias das cidades, pois não encontra acolhida no campo.

  3. Edu

    Tenho várias críticas a este artigo:
    1) Fala em volta ao parlamentarismo burguês ou ditadura democrática. O que quer dizer isto? Que não aceita forma atual das democracias. Qual modelo propõe? Historicamente pelo linguajar, a oposição a isto é a Ditadura do Proletariado. Um fracasso gigantesco que só trouxe ditaduras assassinas e elites que se autodenominaram como guias do povo.
    2) “A Ditadura Militar encarregou-se de, por um lado, esvaziar as esferas democráticas “ . Esferas democráticas? Se estávamos vivendo sobre uma Ditadura democrática, aqui vale?
    3) Todos sabem que as associações empresariais brasileiras são fracas , sendo a Fiesp dirigida por um grupo alinhado e apoiado pelo ex-presidente Lula.
    4) Há de fato grandes fazendas no Brasil, mas a demanda por reforma agrária hoje quase inexiste, pois a população é quase 90% urbana e não mais espaço nos locais das grandes fazendas para pequenas unidades familiares sem Capital e Tecnologia precedido de base educacional. Há espaço ainda ( e existe) para pequenas propriedades produtoras de alimentos para os grandes centros , porém cada vez mais com técnicas e tecnologia avançadas combinadas com Capital. Não adianta alocar gente para viver em favelas rurais. A reforma agrária é um conceito que vai do fim do século XIX até os anos 60. Aliás para quem defende conceitos de esquerda tradicional, tal conceito é pura transição, pois a primeira coisas que as esquerdas fizeram no campo, foi acabar com a propriedade particular e transformar os habitantes do campo e praticamente escravos, com baixíssima produtividade e atraso total. Basta ver a ex- URSS e a China. Foi comentado a balança comercial por outra pessoa, pois justamente a agricultura Brasileira é um grande sucesso baseada na tecnologia e Capital. Há problemas. Claro que há, mas de longe se resolve com reforma agrária mitológica. Vá ao Oeste da Bahia , Tocantins e Sul do Piauí e verá aonde o país progride.
    5) As famosas 4 irmãs nunca existiram como tal. A OAS nem é da época do regime militar e de fato havia sempre uma relação intima demais entre o regime militar e as empreiteiras , dado os investimentos de infra-estrutura da época. O problema poderia ser a corrupção que provavelmente sempre houve, mas que na mão das esquerdas ( PT) virou carne de vaca e instituição de punho cerrado.
    6) Subserviência da Economia Nacional a bancos estrangeiros? Estes nem existem mais no Brasil praticamente. São irrelevantes em quase todos os sentidos.
    7) A conta não é dívida pública versus orçamento federal , pois esta engloba, municípios, estados, gov federal e demais entidades estatais ou semi e não esta na ordem de 50% do orçamento.
    8) Não defendo a polícia com sua ineficiência ( desde a monarquia, diga-se) e brutalidade, mas afirmar que há “campanha de extermínio promovida pela polícia militar contra a população pobre, trabalhadora e negra que habita as periferias dos grandes centros urbanos brasileiros” é pura propaganda e não condiz com a verdade.

    O que concordo: A ditadura foi péssima para o país.

    • Caro Edu,

      1) Para entender o conceito de ditadura burguesa ao qual o Rodrigo se refere, seria necessário ler uma série de clássicos da historiografia, em especial aqueles que você provavelmente não gosta de ler. Se quiser, podemos elaborar uma listinha para você ordenando pela relevância para que sejas capaz de identificar o tal conceito. De princípio, recomendaria voltar os estudos iniciais à compreensão da Revolução Francesa e de sua repercussão na França, de princípio, e na Europa, logo em seguida, no decorrer de todo o século XIX.

      2) Sim, após tomar o poder ditadura militar – com aval dos setores mais reacionários da sociedade – deu cabo até mesmo nas instituições democráticas controladas pela burguesia. Isso porque parte dessa burguesia parecia estar disposta a ceder ante algumas reivindicações da classe trabalhadora (tanto urbana quanto rural). Sentindo-se traídos por esses indivíduos, os “donos do poder”, que há muito tramavam um golpe, finalmente lograram seu intento ao conseguirem o apoio de setores da sociedade que até então hesitavam em apoiar os golpistas. Assim, tiveram carta branca para dissolver o congresso, caçar partidos políticos, fazer perseguições políticas, torturar e matar os “inimigos”, enfim, tudo o que a ditadura burguesa abriu mão de fazer já há algum tempo.

      3) Sem comentários

      4) Essa informação é tão falsa, que mal se sustenta. Segundo dados do IBGE há, atualmente, mais de 4 milhões de assalariados rurais (fora os não registrados), dos quais, 60% vivem na informalidade com salários bem inferiores aos empregados formais. Os números foram divulgados pelo DIEESE em 2014, com base em dados do IBGE (http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2014-05/mais-de-60-dos-trabalhadores-rurais-estao-na-informalidade). Números oficiais a parte, há os milhões de brasileiros que foram expulsos do campo nas últimas décadas pela pressão da concentração fundiária (que o Paulo insistia em negar, mas agora passa a explicar). Mais recentemente, a pressão por recordes de produção está expulsando populações ribeirinhas e indígenas de suas terras, para que também passem a viver nos núcleos urbanos como miseráveis e despossuídos. Enfim, é um processo que vem se repetindo há séculos e que todos conhecemos bem.

      6) Então o Santander e o HSBC são bancos nacionais agora? O Citibank também é nacional? Credit Suisse? JP Morgan Chasse? Goldman Sachs? ING? MAPFRE? Morgan Stanley? Western Union? Dá uma olhada na lista completa disponibilizada pelo BACEN (http://www.bcb.gov.br/?RELINST).

      7) Sem comentários.

      8) Muito cruel seu comentário. Fingir que não existe uma campanha de extermínio da PM contra pobres, trabalhadores e negros tem sido o maior erro da classe média, média-alta e alta. Aqui os PMs são apenas agentes repressores dessa burguesia que não quer ceder um milímetro, que não quer ver essa mesma população frequentando os mesmos espaços que ela. Na verdade, deixar de lado os altos índices de letalidade da PM brasileira em relação as demais do resto do planeta e não associá-la a desigualde social deste país é bem mais do que ignorancia, é má fé mesmo.

      Att,

      RB

      • Edu

        1) Eu aceito suas indicações bibliográficas pois sou um cara curioso, mas saiba que sou formado em história e sociologia e conheço boa parte das cartilhas e as boas coisas de esquerda. O que não estava claro era seu objetivo. Agora esta claro, Vc acredita em revolução socialista com ditadura do proletarioado. OK. É a sua linha. Só não finja que quer um regime democrático. Vc quer uma ditadura de esquerda. Clareza é legal.
        2)Só estranhei a palavra isntitições democráticas pelo fato de vc não acreditar nelas. Vamos ser claros, a sua posição que setores burgeuses estavam dispostos a ceder , insere-se apenas num contesto para chegar nos seus objetivos finais. manobras táticas. OK.
        3) Isto é um devaneio da esquerda achar que o Brasil tem isntituições empresariais fortes e articuladas. Aqui todos são individualistas e as vezes os interesses convergem A FIESP, além de apoiada por LUla, hoje é irrelevante sob qualquer aspecto, a uníca coisa que existe são chupins e burocratas tentando levar vantanges dos impostos obrigatórios que movimentam bilhões. Não por acaso p seu presidente nunca foi um industrial; a família teve uma empresa na figura do pai e o filho só serviu para fechá-la.Por favor demonstre que estou errado. Não estou falando de 1964.
        4) Isto esta bem respondido pelo comentários de Questões Relevantes. Não nego problemos, como já escreví acima, mas a evolução recente é positiva. Já o exodo rural ocorreu entre os anos 40-90. Esqueça este mito de campesinato. O mundo é outro hoje. O MST recruta garçons, serralheiros , pequenos comerciantes, funcionários de empresas para invadir e com muita dificuldade, já que a motivação dos invasores ( não profissionais) é levar algum. Os resultados tem sido um fracasso, com algumas excessões, mas não é um assunto que tenho grande profundidade; só o que leio por aí.
        5) SE vc vivesse o dia a dia do país e saisse do mundo quase irreal da Universidade , saberia que os bancos estrangeiros são irrelevantes no Brasil. O santander tempéssimos resultados e não sabe como agir. O HSBC é um banco em crise e esta fechando centenas de ag~encias e nunca entendeu o Brasil. Seu foco é á Ásia. Informe-se. O City, após tentavas de crescer, virou um banco de nicho, atendendo basicamente multinacionais, especialmente Americanas. Alguns estrangeiros são fortes na área de banco de Investimento. Aí depende do desempenho do país e das perspectivas. Pela péssima condução da economia no período Mantega, o interesse pelo país diminuíu muito. esqueça estas fantasias de estrangeiros mandarem aqui. Investem se houver boas perspectivas e a maioria dos economistas entendem a relação entre investimento e desenvolvimento/crescimento e aumento de renda. Não sou expert, mas acho que até na teoria econômica marxista é igual.
        7) Conteste com números.Já percebí que não é seu forte. Comparar total de juros pagos com a receita de somente uma instãncia ( federal) é sem nexo.
        8) Eu não disse que não existe problema com a polícia, mas é uma grande besteira colocar como uma política da burguesia para matar negros e pobres. Cada um tem uma solução como se deveria encaminhar o problema da criminalidade alta do país. Não é o caso de discutir aqui, mas colocar como um ” plano” de grupo é mentira e propaganda ideológica.

      • Uai Edu, onde é que eu fingi? Até recentemente na minha foto aí ao lado eu trajava uma camisa da União Soviética (CCCP) com um boné do Fidel Castro. Acho que você é quem confunde alhos com bugalhos. Eu defendo a ditadura do proletariado e nunca neguei isso por aqui. Tanto que deixei claro para você na resposta anterior. Ou não foi?

        Aliás, como é massante ver você afirmar de modo recorrente uma pretensa incompatibilidade entre aqueles que defendem a Revolução Popular e a luta por mais espaços para a classe trabalhadora enquanto se vive em plena ditadura burguesa. Se isso te causa estranhamento, como você diz, fica evidente o seu desentendimento quanto ao assunto que se está discutindo.

        Penso ter sido bastante enfático ao afirmar que havia uma cisão no seio da burguesia e que os militares foram chamados pela ala mais reacionária a dar o Golpe por sentirem-se traídos pela outra ala que, no poder, acenava com a possibilidade de ceder a reivindicações dos trabalhadores. Foi nesse contexto que mencionei as “instituições democráticas controladas pela burguesia”. Portanto, não entendo a razão de seu estranhamento por eu fazer tal observação, mesmo sendo eu um adepto da ditadura do proletariado. Estava apenas descrevendo como a luta entre facções da burguesia levou ao último período de ditadura militar derrubando, inclusive, as instituições democráticas que eram controladas pela própria burguesia. Para estes indivíduos, antes perder o poder para os militares, do que ceder qualquer milímetro para os trabalhadores. #medo

        No mais, acho que nossa discussão já deu o que tinha de dar. Estamos nos repetindo e nos re-explicando a cada novo comentário e devo admitir que isto é muito cansativo. Especialmente quando o tempo anda cada vez mais curto.

        Att.

        RB

      • Como fui citado, achei oportuno esclarecer: eu nunca neguei que houvesse concentração de terra, mas neguei que fosse por causa da ditadura. É como no filme “Os Pássaros” do Hitchcock: não nego a invasão das aves, mas não dá para atribuir a invasão à chegada da loira à cidade. Afirmei também que não há latifundios improdutivos como a metéria afirma e expliquei apontei alguns erros metodológicos. Voltei a este post hoje para deixar um link que exemplifica parte do que afirmei. Já postei o link acima, mas para facilitar eventuais interessados repito aqui. Trata do sucateamento de um centro de extensão rural pelo MST na Bahia: https://www.facebook.com/video.php?v=875679639155982&set=vb.117478018309485&type=2&theater

      • Edu

        Rogério. estou aguardando suas indicações de CLÁSSICOS para ” entender” o conceito de Democracia Burguesa.

      • Questões Relevantes

        Eu também.

  4. Edu

    A propósito, esta verso do Chico Buarque; “Dormia a nossa pátria mãe, tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações” se aplica bem melhor a maneira que o PT vem administrando o país. Mensalão, Petrolão, Fundos de Pensão dos Correios, Caixa, BNDES e qualquer estatal que for investigada.

    • Questões Relevantes

      Na mosca, Edu.

    • Em tempo, Edu. Você ganhou o bingo dos posts do Hum Historiador. Em menos de 24 horas foi o primeiro a mencionar em um único comentário a maneira como o PT vem administrando o país, petrolão, mensalão e desmandos de corrupção na tentativa de associar um texto de divulgação cujo objetivo era falar do Golpe Militar de 1964 com simpatia ao governo petista por parte do blog ou do autor do post. Parabéns! Seu abacaxi o aguarda.

      Att.

      RB

      • edu

        Escrevi meus comentários sobre seu texto antes desta observação. Vc é mestre em atacar os outros mas quando atacam o PT fica nervosismo.

      • Imagina Edu, estou calmíssimo. Ataques ao PT não me abalam, pois não tenho absolutamente nada com este partido. Não sei se vc está ciente, mas boa parte dos estudantes da Hïstória/Geografia da FFLCH¨acham uma perda de tempo a luta por mudanças sociais através da via institucional. Eu sou um desses. As mudanças estruturais que acredito serem necessárias só virão através de uma revolução. Portanto, eu realmente não me importo com suas críticas ao PT. O que realmente me surpreende, é a incrível capacidade que vc e outros comentadores deste blog tem de associar o PT com qualquer assunto que se discuta. Isso sim é digno de nota. Por isso o troféu abacaxi para sua participação lembrando os escandalos petistas no blog. Só isso. =)

        Att,

        RB

      • Edu

        Vc acredita nas mudanças via revolução. Porque quer então reforma agrária, se a propriedade privada no campo deve acabar e sabe que justamente o pequeno proprietário rural será com certeza um dos seus mais formidáveis adversários num processo pós revolucionáro?

      • Caro Edu,

        Só para constar que eu não “acredito” em mudanças via revolução. Eu defendo-as. No entanto, enquanto ela ainda não acontece, não vejo porque não aplaudir e apoiar as lutas por Reforma Agrária que estão em curso. Quanto a sua especulação de tais medidas tornarem os beneficiados da reforma em adversários da Revolução, só mesmo tendo uma visão bastante limitada acerca de como deve se dar o trabalho na terra em futuros governos revolucionários para fazer tal afirmação. Diferentemente do que você gosta de imaginar, as novas gerações não olham para o futuro tentando meramente encaixar os modelos do passado. #ficaadica.

        Att.

        RB

      • Rogério, como acompanho seu blog já conhecia suas preferências ideológicas, mas algumas das colocações que fez acima me lembrarm do artigo abaixo. O título é meio provocativo, mas o artigo o justifica com argumentos claros. Se tiver tempo, leia: “DEMOCRACIA SOCIALISTA” É O SACI PERERÊ DA CIÊNCIA POLÍTICA.
        http://goo.gl/k8X4C9

  5. Edu

    Rogério. Como se daria esta ligação entre pequenos e médios proprietários rurais e um regime comunista? Como seria evitado as matanças, massacres e fome que ocorreram no passado na URSS com Stalin e na China com Mao? Pergunto isso porque você diz que vc ao olhar para o futuro, não o fará com modelos do passado. Gostaria de entender que tipo de visão pode resolver esta questão.

    • Fernanda

      Caros Edu e Paulo,

      Gostaria de devolver-lhes a pergunta: como seriam evitadas as matanças, massacres e fome que ocorreram no passado na Alemanha com Hitler, na Itália com Mussolini, na Espanha com Franco, em Portugal com Salazar, no Chile com Augusto Pinochet, e no Brasil com a Ditadura Militar, caso ocorra a tomada do poder novamente no país por uma elite burguesa, com ideias de extrema Direita?

  6. EDU

    Fernanda. Eu estava me referindo especificamente a questão do campo, mas vou ampliar a resposta após colocar em primeiro lugar a questão do campo X reforma agrária.. A minha critica de ao mesmo tempo apoiar reforma agrária e acreditar em modelo socialista, é de uma grande mentira. O primeiro inimigo do socialismo revolucionário, é a propriedade privada e especificamente , por motivos ideológicos,e práticos, a propriedade no campo. Você acredita que uma pessoa após receber a sua terra via reforma agrária estaria disposta a abrir mão dela? Ora com a revolução socialista, teria sim de devolver. Stalin e Mao focaram em primeiro lugar em acabar com a propriedade privada no campo e não hesitaram em matar milhões via assassinato ou via fome. Não estou inovando qq informação. O assunto por tanto era que a reforma agrária para socialistas revolucionários é mera tática, sem nenhuma intenção de assim permanecer após suposta revolução. Como sair da xarada? Quanto a sua colocação dos regimes totalitários/ autoritários citados, não há um ponto comum a todos. As ditaduras que surgiram em momentos diferentes após a 1.a guerra mundial ( Salazar, Mussolini e Hitler) tem cada um sua história, mas tinham algo claro em comum, uma visão totalitária da sociedade em que o estado seria o condutor da estabilidade e provimento, Da mesma forma, estes movimentos se inicaram também por reação ao comunismo após a REV. Russa em países que de fato nunca haviam exprimentado democracias com alguma maturidade. O discurso se apropriava em grande parte do ideário socialista ( O partido Nazista chamava-se Nacional Socialista) , ao prometer proteção ao trabalhador, dirigismo e estabilidade e o cerceamento as liberdades que a democracia supostamente daria . Não vejo uma visão clara de como evitar as ditaduras italiana,portuguesa e alemã. Haveria sim como ter evitado a deflagração nos termos que foi na 2,a guerra, se as democracias tivessem evitado condições Draconianas em Versailles e não tivessem permitido até 36/37 os avanços de hitler. A Espanha de Franco tem mais a ver com as ditaduras latino americanas do que com a Alemanha Nazista. Os lados não acreditavam em convivência democráticas e acreditavam na própria vitória. Franco era um assassino ditador, mas a esquerda também foi a guerra e faria exatamente o mesmo se alcançasse o poder. Na época ( e até hoje para muitos), havia clareza como dirigir um país soba égide da Revolução do Proletariado. Da mesma forma, tenha certeza que os anarquistas espanhóies seriam o segundo grupo que seria destruído após a elite a direita. Os regimes Latino americanos tb não são idênticos. Tem em comum a guerra fria. O mundo estava dividido e no caso do Brasil , a direita não aceitava o discurso de esquerda pois tinha certeza de que mal ou bem , o caminho desta seria revolucionário ( ninguém na esquerda via diferente, embora houvesse várias linhas TATICAS). DE outro lado a esquerda também sabia que o que realmente queriam era o poder e que a democracia seria só um estágio. Os lados radicalizaram. DE certa forma a volta de Getúlio em 50 e s eu discurso e apoio, colocou a direita no ataque ( graças a crise economica brasileira do início dos 50). O suicidío impediu provavelmente um golpe. A renuncia de Janio e a possivel posse de Jango, praticamente criou um prenúncio de guerra civil. A dinãmica posterior , após o fim do parlamentarismo, a inflação, a incapacidade de formar um governo coerente para qq lado e ( na minha opinião) o apoio retórico as idéias da esquerda e finalmente o apoio a quebra de hierarquia militar, tornaram o ambiente prestes a romer. Acredite, que a direita acreditava na possibilidade de um golpe de esquerda ( não havia) e dado o zero apreço a democracia de ambos, a guerra fria e a ascendência de CUBA como modelo anti- direita no ” quintal” americano, deram o gole. As matanças começaram quase 5 anos depois, até lá era uma ditadura fraca e não sangunária. Ao sentirem nova ofensiva, seja pela mudanças no mundo ( Vietnã, Maio de 68, Bomba Atômica chinesa), seja pela revolta de parcela da classe media ( falta de vagas universitárias por exemplo), criticas ao cerceamento de liberdades e finalmente a reação dos grupos de esquerda que acreditavam em combate armado, fez com que os militares embarcassem de vez na ditadura ematança. Dava para evitar? Cada um tem a sua visão. Não tivesse morrido Castelo Branco, o desfecho seria outro. NO Chile, a eleição de Pinochet se deu com 33% dos votos e mesmo com a ampliação para 39% na eleição seguinte , estava longe de ter apoio da maioria. A crise econômica, a carestia de produtos e a elite , assim como no Brasil achou que poderia virar o jogo, nos ventos uqe vinham do Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia e outros. Dava para evitar? DE qualquer forma, os regimes democráticos aos poucos foram vendendo as ditaduras e não há uma correlação entre capitalismo e ditadura, embora eu reconheça que especialmente na AL, o Capitalismo de fato utilizou-se deste método para derrotar os seus inimigos. No socialismo, vc esqueceu da ditadura e matanças de Cuba, até hoje não se conseguiu criar regimes com democracia ou liberdade.

  7. Kel

    Nossa!!Mas estou ate em duvida…De que momentos estamos falando..de ontem..ou hoje!??.Qualquer semelhança..sera mera coincidência..rsrsr.

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