Professores da FFLCH-USP lançam manifesto em defesa da democracia

É preciso propor alternativas para combater os efeitos da crise mundial e não alimentar a instabilidade política por meio de ameaças ao voto popular.
USP Imagens

Editoriais e manifestações de políticos de oposição procuram ampliar o escopo de um golpe na Democracia brasileira. É preciso estar alerta e pronto a evitar ameaças à vontade popular, expressa nas últimas eleições presidenciais. O caos que uma ação dessa ordem traria pode afetar radicalmente os rumos do país. Por isso, é uma irresponsabilidade social e política inflar um movimento que pode causar profundas rupturas na sociedade brasileira, com consequências econômicas, sociais, culturais e políticas que podem ser desastrosas.

 Nos últimos anos, partidos progressistas foram eleitos em vários países da América Latina. Ainda que muitos deles propusessem uma pauta moderada frente ao quadro de desigualdade social presente no mundo atual, conseguiram aplicar reformas que as diminuíram. Além disso, implantaram programas sociais que aumentaram a capacidade de emitir opinião de camadas sociais que não tinham como aferir sua situação no mundo diante da condição de miséria, desinformação e fome que viviam.

 De modo articulado, assistiu-se um roteiro que seguiu os dirigentes progressistas de países da América do Sul, com agressões duras contra a Democracia. Governos eleitos na Venezuela, no Equador, na Bolívia, na Argentina e no Paraguai enfrentaram momentos difíceis que resultaram em países polarizados.

 Esse modo de operar chegou ao Brasil, mas com uma agravante: um ódio descabido ao partido que aplicou as mudanças sociais no país. Como a história só se repete como farsa e como a política possui especificidades nacionais, causa muita preocupação o acirramento de tensões que, de algum modo, estavam acomodadas. No caso brasileiro, a irracionalidade trazida pelo ódio já tem resultado em agressões verbais e até físicas de cidadãos que simplesmente ostentam roupas de cor vermelha em situações as mais inusitadas. Isso não pode continuar.

 É preciso aprimorar o uso do potencial energético, dos recursos naturais e da capacidade produtiva no campo e nas cidades brasileiras para melhorar a vida da população por meio da criação de novas relações sociais e com o ambiente. O Brasil possui enormes vantagens nessa corrida tecnológica dada suas condições naturais, que garantem reservas de biodiversidade, petróleo, água, solo, sol e vento. Esses atributos devem ser usados de modo inteligente para alçar o país a um novo patamar de produção e distribuição de riqueza em vez de manter-se como simples provedor de produtos primários.

 É preciso reafirmar que quaisquer tentativas de retirar a Presidente Dilma Rousseff, eleita democraticamente, antes do fim de seu mandato, pode levar o país a uma situação insustentável do ponto de vista social e político. O Brasil não precisa disso, muito menos seu povo, que enfrenta as duras consequências de uma crise econômica e financeira que afeta o mundo hodierno.

 O momento exige responsabilidade e discernimento para propor alternativas sérias de combater os efeitos da crise mundial e não alimentar a instabilidade política por meio de ameaças ao voto popular.

1) Wagner Costa Ribeiro – Professor – Departamento de Geografia – USP
2) Flavio Aguiar – Professor – USP
3) Adrián Pablo Fanjul – Professor – Departamento de Letras Modernas – USP
4) Marcello Modesto – Professor – Departamento de Linguística – USP
5) Ligia Chiappini Moraes Leite – Professora – USP
6) Fabio Cesar Alves- Professor – DLCV – USP
7) Gloria Alves – Professora – Departamento de Geografia – USP
8) Rita Chaves – Professora – DLCV/FFLCH – USP
9) Marcos Silva – Professor – Departamento de História – USP
10) Luis Roncari – Professor – DLCV – USP
11) Ricardo Musse – Professor – DS – USP
12) Olga Ferreira Coelho Sansone – Departamento de Linguística – USP
13) Homero Santiago – Departamento de Filosofia – USP
14) Ieda Maria Alves – DLCV – USP
15) Tercio Redondo – DLM – USP
16) João Adolfo Hansen – DLCV- FFLCH- USP
17) Luís César Oliva – Professor USP
18) Neide Maia González – FFLCH – USP
19) Heloísa Pezza Cintrão DLM/FFLCH/USP
20) Kabengele Munanga Dpto.Antropologia – USP
21) Beatriz Raposo de Medeiros – FFLCH – USP
22) Cilaine Alves Cunha – Literatura Brasileira – FFLCH – USP
23) Renato da Silva Queiroz – FFLCH-USP
24) Rosangela Sarteschi – DLCV – USP
25) Sheila Vieira de Camargo Grillo – DLCV – USP
26) Marta Inez Medeiros Marques – DG – USP
27) Sylvia Bassetto – DH – USP
28) Beatriz Daruj Gil – DLCV – USP
29) Gustavo Venturi – DS – USP
30) Paula Marcelino – professora – Departamento de Sociologia – USP
31) María Zulma M. Kulikowski – DLM – USP
32) Elisabetta Santoro – DLM – USP
33) Vima Lia de Rossi Martin – DLCV – USP
34) Pablo Schwartz – DLCV – USP
35) Fabio Contel – DG – USP
36) Léa Francesconi, professora, DG-FFLCH-USP
37) Valeria De Marco – DLM/FFLCH-USP
38) Adma Muhana – FFLCH-DLCV-USP
39) José Pereira de Queiroz Neto – DG – USP
40) Manoel Luiz Gonçalves Corrêa – DLCV – FFLCH – USP
41) Waldir Beividas – DL- USP
42) Rita de Cássia Ariza da Cruz – Departamento de Geografia – FFLCH/USP
43) Ivan Marques – DLCV / FFLCH – USP
44) Mónica Arroyo – DG – USP
45) Homero Freitas de Andrade – DLO – FFLCH – USP
46) Maria Helena Pereira Toledo Machado – FFLCH – USP
47) André Martin – DG – USP
48) Iris Kantor – DH – USP
49) Fernanda Padovesi Fonseca – DG – USP

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17 Comentários

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  3. Questões Relevantes

    Uma análise deste manifesto:

    PROFESSORES DA FFLCH-USP E O MANIFESTO CARA DE PAU.

    Hoje, o site Carta Maior e diversos outros blogs publicaram um manifesto que tinha em todos o mesmo título: “Professores da FFLCH-USP lançam manifesto em defesa da democracia”. Felizmente, nem todos os professores da FFLCH-USP cometeram a tolice de assiná-lo.

    Que pessoas com pouca informação digam certas bobagens é perdoável, mas quando estamos diante de professores da USP a coisa deveria ser diferente.

    Na coleção de inverdades abaixo os professores signatários cometem afirmações quase inacreditáveis.

    Mas sejamos práticos. Vou intercalar as críticas no próprio artigo que reproduzo abaixo:

    ____________________

    Professores da FFLCH-USP lançam manifesto em defesa da democracia

    É preciso propor alternativas para combater os efeitos da crise mundial e não alimentar a instabilidade política por meio de ameaças ao voto popular.

    Editoriais e manifestações de políticos de oposição procuram ampliar o escopo de um golpe na Democracia brasileira. É preciso estar alerta e pronto a evitar ameaças à vontade popular, expressa nas últimas eleições presidenciais.

    (Comentário meu: democracia é respeito ao estado de direito e um eventual impeachment não é golpe agora, como não foi com Collor. Duvido que algum destes professores, à época, tenha publicado um único artigo ou manifesto dizendo que o impeachment de Collor fosse golpe. Além disso, silenciam completamente diante do estelionato eleitoral de Dilma, da incompetência gerencial e da corrupção como método de governo).

    O caos que uma ação dessa ordem traria pode afetar radicalmente os rumos do país. Por isso, é uma irresponsabilidade social e política inflar um movimento que pode causar profundas rupturas na sociedade brasileira, com consequências econômicas, sociais, culturais e políticas que podem ser desastrosas.

    (Comentário meu: isto é uma ameaça velada. Acontece que as pesquisas indicam que perto de 70% da população concorda com um eventual impeachment. Logo, a lógica indica o oposto: a maioria das pessoas apoiaria esta decisão. Apenas as franjas financiadas pelo PT, como CUT, MST, MTST e afins fariam o que sempre fazem: ameaças e badernas).

    Nos últimos anos, partidos progressistas foram eleitos em vários países da América Latina. Ainda que muitos deles propusessem uma pauta moderada frente ao quadro de desigualdade social presente no mundo atual, conseguiram aplicar reformas que as diminuíram. Além disso, implantaram programas sociais que aumentaram a capacidade de emitir opinião de camadas sociais que não tinham como aferir sua situação no mundo diante da condição de miséria, desinformação e fome que viviam.

    (Comentário meu: o que eles chamam de “partidos progressistas” são grupos políticos baseados no populismo personalista que investiram na progressiva fragilização da democracia que lhes permitiu serem eleitos. O que chamam de “pautas moderadas” é uma crítica ao fato de não terem logo partido para o modelo socialista, com desapropriações e confiscos. É uma crítica por não implementar de forma mais rápida e radical os objetivos traçados no Foro de São Paulo).

    De modo articulado, assistiu-se um roteiro que seguiu os dirigentes progressistas de países da América do Sul, com agressões duras contra a Democracia. Governos eleitos na Venezuela, no Equador, na Bolívia, na Argentina e no Paraguai enfrentaram momentos difíceis que resultaram em países polarizados.

    (Comentário meu: este parágrafo suscita dúvidas: foi mal escrito e resultou dúbio ou é dúbio de propósito para não dizer com todas as letras que estes países já não são democracias? A ocorrência de eleições é condição necessária, mas não suficiente para caracterizar uma democracia. Como chamar de democráticos governos como o de Nicolás Maduro, que fala com passarinhos e manda disparar fuzis contra estudantes? Como chamar de democracia o governo da Bolívia, que em um dos primeiros atos de governo destituiu o equivalente ao STF do país e nomeou juízes subservientes? A lista de desmandos é longa, mas voltemos ao manifesto).

    Esse modo de operar chegou ao Brasil, mas com uma agravante: um ódio descabido ao partido que aplicou as mudanças sociais no país. Como a história só se repete como farsa e como a política possui especificidades nacionais, causa muita preocupação o acirramento de tensões que, de algum modo, estavam acomodadas. No caso brasileiro, a irracionalidade trazida pelo ódio já tem resultado em agressões verbais e até físicas de cidadãos que simplesmente ostentam roupas de cor vermelha em situações as mais inusitadas. Isso não pode continuar.

    (Comentário meu: quem investiu no discurso do ódio, do “nós contra eles”, foi o PT a partir do escândalo do mensalão. Ali Lula abandonou o “Lulinha, paz e amor” que venceu as eleições e partiu para o ataque. A estratégia tem, portanto, aproximadamente 11 anos, com as digitais e o DNA do PT. Embora realmente tenham ocorrido hostilidades verbais nas manifestações que foram às ruas, é preciso ao menos um pouco de honestidade, caros professores, para reconhecer que estas hostilidades foram metodicamente plantadas e cultivadas pelo PT e que, mesmo assim foram casos isolados e sem violência física e sem quebra-quebra).

    É preciso aprimorar o uso do potencial energético, dos recursos naturais e da capacidade produtiva no campo e nas cidades brasileiras para melhorar a vida da população por meio da criação de novas relações sociais e com o ambiente. O Brasil possui enormes vantagens nessa corrida tecnológica dada suas condições naturais, que garantem reservas de biodiversidade, petróleo, água, solo, sol e vento. Esses atributos devem ser usados de modo inteligente para alçar o país a um novo patamar de produção e distribuição de riqueza em vez de manter-se como simples provedor de produtos primários.

    (Comentário meu: este parágrafo é puro “embromation”. É uma afirmação “fofinha”, mas não tem qualquer relação com a permanência de Dilma na presidência).

    É preciso reafirmar que quaisquer tentativas de retirar a Presidente Dilma Rousseff, eleita democraticamente, antes do fim de seu mandato, pode levar o país a uma situação insustentável do ponto de vista social e político.

    (Comentário meu: nova ameaça velada e descolada do que indicam as pesquisas. Na falta de argumentos sólidos para lastrear o que desejam, apelam para este truque barato).

    O Brasil não precisa disso, muito menos seu povo, que enfrenta as duras consequências de uma crise econômica e financeira que afeta o mundo hodierno.

    O momento exige responsabilidade e discernimento para propor alternativas sérias de combater os efeitos da crise mundial e não alimentar a instabilidade política por meio de ameaças ao voto popular.

    (Comentário meu: a exemplo do PT, eles também querem nos convencer que a crise é mundial e não culpa da incompetência de Dilma e de sua irresponsabilidade fiscal. Como já apontei em outro artigo, não reconhecem a crise como consequência direta das pedaladas fiscais e da contabilidade criativa de Guido Mantega e Dilma. Não ligam que a crise atual tenha sido anunciada por todo mundo que entende ao menos um pouco de economia já no início do primeiro mandato de Dilma. Não vêm o impacto do atoleiro de corrupção que já emergiu da Petrobrás e começa a emergir de outras estatais como Eletronuclear e BNDES. Ignoram que os preços dos combustíveis e da energia elétrica criminosamente represados até as eleições catapultaram a inflação quando foram liberados – e foram liberados porquê não havia mais dinheiro público, dinheiro de impostos, para cobrir o rombo. Ou seja: os fatos desmentem de forma cabal as alegações fantasiosas do PT e dos “professores da USP”, mas isto faz pouca diferença para quem demonstra total alheamento da realidade e/ou uma enorme cara de pau. Abaixo seguem os nomes que assinaram este manifesto e, no final, algumas sugestões de artigos relacionados com o que tratamos aqui).

    Wagner Costa Ribeiro – Professor – Departamento de Geografia – USP
    2) Flavio Aguiar – Professor – USP
    3) Adrián Pablo Fanjul – Professor – Departamento de Letras Modernas – USP
    4) Marcello Modesto – Professor – Departamento de Linguística – USP
    5) Ligia Chiappini Moraes Leite – Professora – USP
    6) Fabio Cesar Alves- Professor – DLCV – USP
    7) Gloria Alves – Professora – Departamento de Geografia – USP
    8) Rita Chaves – Professora – DLCV/FFLCH – USP
    9) Marcos Silva – Professor – Departamento de História – USP
    10) Luis Roncari – Professor – DLCV – USP
    11) Ricardo Musse – Professor – DS – USP
    12) Olga Ferreira Coelho Sansone – Departamento de Linguística – USP
    13) Homero Santiago – Departamento de Filosofia – USP
    14) Ieda Maria Alves – DLCV – USP
    15) Tercio Redondo – DLM – USP
    16) João Adolfo Hansen – DLCV- FFLCH- USP
    17) Luís César Oliva – Professor USP
    18) Neide Maia González – FFLCH – USP
    19) Heloísa Pezza Cintrão DLM/FFLCH/USP
    20) Kabengele Munanga Dpto.Antropologia – USP
    21) Beatriz Raposo de Medeiros – FFLCH – USP
    22) Cilaine Alves Cunha – Literatura Brasileira – FFLCH – USP
    23) Renato da Silva Queiroz – FFLCH-USP
    24) Rosangela Sarteschi – DLCV – USP
    25) Sheila Vieira de Camargo Grillo – DLCV – USP
    26) Marta Inez Medeiros Marques – DG – USP
    27) Sylvia Bassetto – DH – USP
    28) Beatriz Daruj Gil – DLCV – USP
    29) Gustavo Venturi – DS – USP
    30) Paula Marcelino – professora – Departamento de Sociologia – USP
    31) María Zulma M. Kulikowski – DLM – USP
    32) Elisabetta Santoro – DLM – USP
    33) Vima Lia de Rossi Martin – DLCV – USP
    34) Pablo Schwartz – DLCV – USP
    35) Fabio Contel – DG – USP
    36) Léa Francesconi, professora, DG-FFLCH-USP
    37) Valeria De Marco – DLM/FFLCH-USP
    38) Adma Muhana – FFLCH-DLCV-USP
    39) José Pereira de Queiroz Neto – DG – USP
    40) Manoel Luiz Gonçalves Corrêa – DLCV – FFLCH – USP
    41) Waldir Beividas – DL- USP
    42) Rita de Cássia Ariza da Cruz – Departamento de Geografia – FFLCH/USP
    43) Ivan Marques – DLCV / FFLCH – USP
    44) Mónica Arroyo – DG – USP
    45) Homero Freitas de Andrade – DLO – FFLCH – USP
    46) Maria Helena Pereira Toledo Machado – FFLCH – USP
    47) André Martin – DG – USP
    48) Iris Kantor – DH – USP
    49) Fernanda Padovesi Fonseca – DG – USP
    Link para o artigo IDEOLOGIA NÃO PAGA AS CONTAS: http://wp.me/p4alqY-hn

    Link para o artigo O BOLIVARIANISMO NO JARDIM DO VIZINHO:http://wp.me/p4alqY-hf

    Link para o artigo PORQUE A VENEZUELA NÃO É UMA DEMOCRACIA: http://wp.me/p4alqY-2b

    Link para o artigo A VENEZUELA E A VERDADEIRA NATUREZA DO LOBO: http://wp.me/p4alqY-eS

    Link para o artigo NÃO É MERA COINCIDÊNCIA: http://wp.me/p4alqY-fV

    • Caro,

      Me estarrece sua falta de capacidade hermenêutica diante de um texto tão simples como o manifesto lançado pelos professores. Não sei se isso deve-se ao tal “ódio descabido” a que os professores se referiram no texto, a problemas cognitivos ou, simplesmente, a uma tremenda má fé. No entanto, não quero descobrir em que medida esses ingredientes se misturaram para produzir um comentário como este que você acabou de deixar aqui. Como meus pais já me ensinaram há algum tempo, é realmente falta de bom senso gastar “muita vela com pouco defunto”. Em casos como este, como bem me orientaram, devo apenas sorrir, acenar e, quando possível, sair de fininho para evitar o constrangimento de estar próximo a quem fez comentários tão despropositados.

      Att.

      RB

      • Questões Relevantes

        Rogerio, constrangedor é eu apresentar ponto por ponto os problemas com este manifesto e você não ser capaz de apontar falha objetive em nenhum ponto específico do que postei. Fica nesta critica genérica, querendo fazer “cara de conteúdo”. Realmente constrangedor.

      • Caro Sr. Questões Relevantes,

        Você acha realmente necessário? Eu não! Entendo que seria mais ou menos como apontar a um homem de bigode que ele tem pelos debaixo do nariz =) =) =).

        Att.

        RB

      • Questões Relevantes

        Rogério, gracinhas até ajudam a fazer “cara de conteúdo”, mas é apontar erros reais que dá substância à crítica.

      • =) =) =) Aliás, deveriam inventar um emoticon “cara de conteúdo” justamente para situações como essa. Seria bem mais efetivo, não?

  4. Caro Sr. Questões Relevantes,

    Para ficar em apenas um exemplo de sua inépcia ao analisar o manifesto dos professores da FFLCH, você os acusa de fazerem uma ameaça velada à sociedade quando eles afirmam que retirar a governante eleita democraticamente em 2014 é uma ação que traria caos e afetaria radicalmente os rumos do país. Não se trata de uma ameça, mas sim de uma análise bastante acurada da reação que parte da sociedade moveria no atual contexto político e social vivido pelo Brasil. Certamente, como afirmaram os professores, tal reação traria consequências econômicas, sociais, culturais e políticas ainda mais graves ao país do que as vividas no presente cenário (ver considerações de Ciro Gomes à este respeito).

    A ideia de que 70% da população concorda com um eventual impeachment é mera falácia de uma pesquisa encomendada, produzida e divulgada ad nauseam por uma mídia comprometida com a queda desse governo (Folha, Globo, Veja, enfim, os suspeitos usuais). Subestimar os movimentos sociais nas grandes cidades, e uma boa parcela da população do nordeste (sob liderança de políticos locais que já se declararam favoráveis à manutenção do governo), é um erro grosseiro que os professores (cabeças de minhoca, como qualificou um de seus seguidores nas redes sociais), não se permitem fazer. Não estamos falando de ameaças e badernas aqui, camarada, estamos falando de uma dura resistência que certamente levará muita gente à morte.

    Outro exemplo, é que quando os professores falaram que as manifestações e editoriais de políticos da oposição ampliam o escopo de um golpe na Democracia brasileira, você busca rebatê-los comparando o contexto da crise atual com a que levou ao impeachment de Collor. Nada mais descabido do que fazer tais comparações. São situações distintas as da presidenta Dilma e a de Collor. Não sei se você não enxerga porque realmente tem dificuldades, ou se apenas não quer ver. Cair no discurso raso e de maus perdedores da oposição de que houve um “estelionato eleitoral” ou, pior ainda, de que o impeachment justifica-se pela corrupção (que é crônica e endêmica no Brasil), é uma obtusidade sem tamanho. Deve-se punir, isso sim, os corruptos e os corruptores devidamente identificados. Se for encontrado qualquer indício direto de envolvimento da presidenta nos esquemas de corrupção, aí sim. Mas enquanto isso, deve-se manter as instituições. Qualquer movimento oposto É GOLPE!!!

    Enfim, já me estendi demais…

    Att.

    RB

  5. Questões Relevantes

    Sobre a existência ou não de base legal para um eventual impeachment, ainda ontem discuti este assunto com um professor da USP, do departamento de Ciências Políticas e simpático ao PT. Ele mesmo lembrou que as cláusulas que regulam o impeachment na constituição brasileira preveem a sua aplicação também por incapacidade de gestão. No fim, é um instrumento político. Há base para aplicá-lo, mas o cálculo político atual está emperrando a questão.

    Tirar Dilma agora transfere o ônus do ajuste para o PMDB e seus eventuais novos aliados e dá a Lula o palanque do oposicionista injustiçado e salvador da pátria. Isto é certo. Há poucas variáveis que impediriam isto.

    Por outro lado, há o risco de quem assumir arrumar a casa e chegar nas próximas eleições fortalecido, mas isto é muito difícil de prever. O mais provável é uma gestão desgastante e resultados medíocres.

    Logo, diante do medo de dar palanque para o Lula, a estratégia da oposição, hoje, é ameaçar, bufar, mas não soprar muito forte e deixar a Dilma e o PT se desgastarem em praça pública. Isto só mudaria se aparecesse algo forte contra o Lula na Lava Jato.

    Quanto às pesquisas de opinião serem encomendadas e por isso sem credibilidade, lembro que já foram muito comemoradas quando os números eram favoráveis ao governo.

    Mas sossegue seu coração: em caso de impeachment, não haverá confronto nas ruas. Não haverá guerra civil ou revolução. Apenas os movimentos sociais patrocinados pelo PT farão badernas por alguns dias. Mortos, como na Venezuela, são uma possibilidade remotíssima.

    • Caro sr. Relevantes,

      Eu estou com o coração sossegado, quem deveria estar preocupado são os que querem derrubar o governo, pois estes é que sentirão a força das ruas.

      Novamente reafirmo que sua inépcia, e a de boa parte dos que não enxergam que a queda deste Governo levará o país ao caos jurídico, político, econômico e social, beira as raias da insanidade. Esta “cegueira” o fez considerar, por exemplo, que os professores estão fazendo uma ameaça velada à sociedade, como se estes tivessem um exército no bolso pronto a defender o Governo e exterminar aqueles que querem derrubá-lo. Patético.

      O ex-presidente do STF, Ayres Britto, talvez mais um cabeça de minhoca, como seus seguidores gostam de qualificar aqueles que discordam de vocês, acaba de dizer que não há motivos para o impeachment e que, se mesmo assim, ele ocorresse da forma como se está propugnando, ele produziria “insegurança jurídica” no país. Ora, se mantivermos a lógica de sua argumentação contra os professores, então o ex-ministro Ayres Britto também está fazendo uma ameaça velada à sociedade? Será que ele também não percebe que o contexto do impeachment de Collor, nos anos 90, é igual ao contexto do impeachment que se está armando contra Dilma, como você propôs em sua análise inicial? Segundo esse magistrado, no entanto, para que se configure crime de responsabilidade e seja possível abrir um processo de impeachment contra Dilma, seria necessário provar uma afronta à Constituição, o que, ao menos para ele, ainda não está configurado. Assim, vemos mais um dos seus argumentos cair por terra quando você alegava haver “estelionato eleitoral” por parte da presidenta.

      Link para matéria com opinião do ex-ministro Ayres Britto: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/09/1684393-ainda-nao-ha-motivos-para-o-impeachment-diz-ex-ministro-do-stf.shtml

      Em outro exemplo de sua incapacidade hermenêutica (o terceiro que apresento), você afirma em um determinado momento de sua “análise” que uma parte do texto apresentado pelos professores é “puro ‘embromation'”, que tal trecho se tratava de uma “afirmação ‘fofinha’ sem qualquer relação com a permanência de Dilma na presidência”. Ora, meu caro, isso demonstra quão limitado foi o alcance de sua compreensão do texto (que diga-se de passagem, nem é complexo). Aquele parágrafo aponta justamente para onde nós deveríamos concentrar nossos esforços em busca de saídas para a atual crise ao invés de fomentar a derrubada de um governo legitimamente eleito e criar ainda mais instabilidade no país.

      Portanto, permaneço com meu coração em paz e reafirmo o quanto sua análise do manifesto divulgado pelos professores da FFLCH foi pífia. Como disse anteriormente, achava desnecessário, mas lembrando uma frase famosa de Bertold Brecht, vivemos tempos em que se faz necessário defender o óbvio.

      Att.

      RB

      • Questões Relevantes

        Rogério, eu não acho que os professores têm um exército no bolso, quem acha isto é você e eles, este exército imaginário de proletários que foram ao paraíso e lutarão nas ruas para não serem tirados de lá.

        O que acredito é justamente o contrário: a população aceitará tanto a permanência de Dilma quanto sua eventual saída.

        Para quem se acha douto em hermenêutica, é até engraçado.

        Quanto à opinião do Aires Brito, respeito-a, mas lembro que o direito é interpretativo e outros juristas têm interpretação distinta.

      • hahahaaha Ora, caro Relevantes, você precisa ter mais firmeza em suas afirmações. Primeiro você fala que os professores fazem uma ameaça velada à sociedade, mas logo depois você retira seu time de campo dizendo que não acha que eles tenham um exército no bolso. Então eles ameaçam com o quê??? Com palavras???

        Parece-me que sua emenda está saindo pior que o soneto, como se fosse possível. Pelo que entendi do que você acabou de escrever, esses professores da FFLCH seriam, então, um bando lunáticos, que fazem ameaças à sociedade com base em “exércitos imaginários de proletários”. hahahaha Pra sua informação, os professores mais à esquerda não assinaram esse manifesto, tolinho.

        Como disse desde o princípio, sua crença na passividade da população brasileira é um equívoco ao qual esses professores não se permitiram e, justamente por isso, estão alertando a sociedade.

        Em nenhum momento afirmei que sou douto em hermenêutica, disse que sua capacidade de compreensão de texto é pífia. Não me inclua nessa. hahahaha

        No mais, essa saída de que direito é interpretativo e de que respeita a posição do Ayres Britto me lembra muito os fiéis das diferentes denominações religiosas. Essa minha fé, eu respeito a dos outros e espero que você respeite a minha. Pra quem disse que não havia argumentos para batê-lo, se esconder por trás do argumento de que o “direito é interpretativo”, soa bastante ridículo.

        Att.

        RB.

      • Questões Relevantes

        Haja défict de hermenêutica…

      • Pois é, como disse, só me resta sorrir e acenar… hahahaha

        Att.

        RB

  6. Aliás, entendo que diante de sua tentativa de relacionar o caso do impeachment de Collor com essa iniciativa de abrir um processo contra Dilma, cabe dar voz ao advogado Marcelo Lavenère, um dos autores da denúncia que levou ao impeachment de Fernando Collor em 1992.

    Abaixo segue a entrevista que o referido advogado concedeu ao portal Brasil 247.

    ========================

    CONTRA DILMA, NÃO HÁ NADA

    Autor da denúncia que levou ao impeachment de Fernando Collor, em 1992, o advogado Marcelo Lavenère deveria ser uma referência obrigatória na reflexão sobre o pedido de afastamento de Dilma Rousseff, em 2015. Mas Lavenère tem sido esquecido sistematicamente pelos meios de comunicação que apoiam o impeachment, e também pelos políticos envolvidos na ação contra a presidente. Em entrevista ao 247, o próprio Lavenère explica a razão:

    — Vários jornalistas que cobrem as denúncias contra Dilma já me ligaram para pedir que eu fale sobre o impeachment do Collor. Mas quando eu digo que são situações muito diferentes e que eu acho que não há a menor razão para se falar em impeachment da Dilma, eles perdem o interesse e desistem da entrevista.

    Então eu vou fazer a pergunta ao senhor, que assinou a denúncia em 1992, ao lado do jornalista Barbosa Lima Sobrinho (morto em 2000). Por que não se pode comparar os dois casos?

    A denúncia contra o Fernando Collor teve como base uma apuração detalhada sobre o envolvimento do presidente. Sob presidencia do então senador Amir Lando, uma CPI mixta produziu um relatório denso e detalhado, mostrando seu envolvimento de forma clara. As conclusões contra Collor eram indiscutíveis, a tal ponto que o relatório foi aprovado por unanimidade. Quem ler o relatório, ainda hoje, ficará impressionado com sua consistência.

    Ninguém tinha dúvidas sobre a responsabilidade do Collor, portanto…

    Não. Vou contar uma coisa. Eu só apresentei a denúncia porque recebi um pedido dos principais partidos do Congresso. Foi o próprio Fernando Henrique Cardoso, em nome do PSDB, quem me procurou dizendo que eu tinha de assinar o pedido. O Senador Pedro Simon falou pelo PMDB. O Aldo Rebelo, pelo PC do B e o Vivaldo Barbosa pelo PDT. Eram os grandes partidos brasileiros, falando por suas lideranças mais respeitadas. O PT, partido do Lula, derrotado por Collor em 1989, não assinou o pedido.

    Já é uma mudança. Em 2015, o PSDB de Aécio Neves, que foi derrotado no ano passado, lidera a pressão pelo impeachment, abertamente. Quais são as outras diferenças?

    Do ponto de vista jurídico, falar em impeachment contra a Dilma é uma brincadeira. Não existe — e é até difícil falar daquilo que não existe.

    O senhor poderia explicar melhor?

    Contra Collor, haviam fatos. Contra a Dilma, não há nada. Há um movimento político, que vinha desde a campanha. É aquela velha visão autoritária, que dizia: ela não pode se eleger; se for eleita, não tomará posse; se tomar posse, não poderá governar. Depois que Dilma passou pelas etapas anteriores, nós chegamos a este estágio. Sem prova nenhuma, sem fato algum, em que se tenta impedir de qualquer maneira uma presidente eleita de governar. Os fatos não importam aqui. A prioridade é política: precisam encontram fatos capazes de impedir seu governo. É uma decisão política, que querem cumprir de qulaquer maneira.

    Mas tem a acusação das pedaladas…

    Nem vou discutir o mérito das pedaladas, se podem ser consideradas um crime ou não. A discussão é anterior. Estão desrespeitando um ponto fundamental, definido pela Constituição de 1988. As pedaladas não podem servir para acusar uma presidente.

    Por que?

    Durante a Constituinte, o Celso Mello, que esteve na Casa Civil do José Sarney e depois se tornou ministro do Supremo, deu uma contribuição importante à redação do capítulo do impeachment. Ele ajudou a deixar claro aquele ponto que diz que um presidente só pode ser julgado por fatos ocorridos durante o seu mandato. Para falar claramente: se descobrirem que a Dilma matou 50 crianças antes de 2015, isso não pode ser usado contra ela antes do fim do mandato. Ela vai responder por seus atos, mas depois. Isso está bem claro na Constituição. É só ler o que os constituintes escreveram.

    O senhor não pode ser acusado de tentar defender a presidente de qualquer maneira?

    Não. Se aparecer uma prova contra ela, vou defender que seja processada. Vou lamentar, porque não espero isso nem acredito que isso vá acontecer. Mas se ocorrer, não há alternativa. Mas não é a situação agora. O que temos, hoje, é a vontade política de impedir a Dilma de governar e só isso.

    FONTE: http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/197365/'Contra-Dilma-n%C3%A3o-h%C3%A1-nada‘.htm

  7. Caro sr. Relevantes,

    Isso aqui é uma ameaça nada velada, não aquilo que você atribuiu ao manifesto dos professores da FFLCH.

    https://umhistoriador.wordpress.com/2015/09/21/carta-do-professor-renato-ortiz-apos-cartaz-fascista-ameacar-alunos-professores-e-funcionarios-do-ifch/

    Acha pouco? E o ataque à bomba ao Instituto Lula? Não estamos falando de uma bolinha de papel na cabeça, mas sim um atentado à bomba.

    Quer mais? E o ataque sofrido pela família da professora aposentada da Unicamp, Walquiria Leão Rego, autora do livro Vozes do Bolsa Família (http://cartacampinas.com.br/2015/09/clima-de-nazismo-propagado-pela-grande-midia-atinge-professora-da-unicamp/)?

    Mais um? Semanas atrás um camarada que trafegava por uma ciclovia paulistana foi ameaçado por um motorista que atravessou o carro em sua frente e ameaçava derrubá-lo, insultando-o como comunista, petista, ladrão, etc?

    Portanto, o que você chama de casos isolados e que não merecem atenção, estão rapidamente evoluindo para ameaças de agressão física e, para que uma tragédia aconteça, falta só um detalhe…

    Além de tudo, seus comentários são levianos.

    Att.

    RB

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