EUA: uma em cada cinco crianças vive de food stamps

Por Cynara Menezes | publicado originalmente em 21.mai.2015

blankenhorn

Mãe e filho sem-teto nos EUA. Foto: Craig Blankenhorn

Com a desigualdade cada vez maior nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresce junto. Enquanto a riqueza do país aumentou 60% nos últimos seis anos, acima de 30 trilhões de dólares, o número de crianças sem-teto também cresceu 60% no mesmo período. A cada ano, 2,5 milhões de crianças –uma em cada 30 – vão dormir sem um lar para chamar de seu na nação mais rica do mundo. Estão abrigadas temporariamente em abrigos, igrejas ou motéis.

Segundo um relatório recente da organização Crianças Sem-Teto da América, as razões para haver tanta criança sem moradia por lá são basicamente: a alta taxa de pobreza; a falta de habitação a preços acessíveis; os impactos contínuos da grande recessão; as disparidades raciais; os desafios para as mulheres de criarem filhos sozinhas; e as experiências traumáticas, especialmente a violência doméstica. O número de crianças sem-teto cresceu em 31 Estados e há meninos e meninas nesta situação em cada cidade. Em todo o país, o crescimento foi de 8% apenas entre 2012 e 2013.

semteto

“Crianças que experimentam a vida sem um lar são mais frequentemente famintas, doentes e preocupadas sobre onde serão sua próxima refeição e cama; elas se perguntam se terão um teto à noite e o que acontecerá com suas famílias. As crianças nestas condições desenvolvem-se mais lentamente. Muitas têm problemas na escola, têm faltas, repetem de ano e até mesmo abandonam a escola completamente”, diz o relatório.

Símbolo-mor do “sucesso” do capitalismo e tida como a “terra das oportunidades”, os EUA têm atualmente um dos maiores índices relativos de pobreza infantil do mundo desenvolvido. No último informe da Unicef sobre bem-estar infantil, de 2013, os Estados Unidos apareciam em 26º lugar em uma lista de 29 países. Só ganhavam da Lituânia, Letônia e Romênia. A Holanda aparecia em primeiro lugar, ao lado de outros quatro países nórdicos.

Aproximadamente metade de todos os vales-refeição (food stamps) concedidos pelo governo dos EUA são para crianças. Em 2007, 12 de cada 100 crianças estavam vivendo de vales-refeição. Hoje são 20 em cada 100. O fotógrafo Craig Blankenhorn dedica-se a fotografar famílias sem-teto EUA afora. As imagens são melancólicas e desoladoras, sobretudo quando se sabe que não se trata de um país do “terceiro mundo”, mas da maior economia do planeta.

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Em janeiro deste ano, 138 mil crianças estavam sem casa. É o mesmo número de famílias que aumentaram suas fortunas em 10 milhões de dólares por ano desde a recessão. O país também patina na pré-escola. Enquanto numerosos estudos demonstram que a pré-escola ajuda as crianças a aprender e a fazer de forma mais tranquila a transição para a fase adulta, os EUA estão indo na direção oposta de outros países desenvolvidos e cortando recursos para o setor.

O mais chocante é descobrir que somente duas nações do mundo deixaram de ratificar a convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança: Sudão do Sul e Estados Unidos. Significa.

O que será que a direita propõe para acabar com a pobreza infantil no país mais rico do mundo? Meritocracia? Se eles defendem que um menino de 16 anos pode ir para a cadeia junto com adultos, com que idade acham que podem começar a trabalhar?

(Com informações do Alternet)

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7 Comentários

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7 Respostas para “EUA: uma em cada cinco crianças vive de food stamps

  1. Há problemas nos EUA – eu vi vários. Mas eu vi também que eles resolveram a maior parte dos problemas que o Brasil nem começou a tentar resolver.

  2. EDU

    Há uma certa dificuldade de entender estes números isoladamente. Seria mais interessante se viesse acompanhado de números de diversos países desenvolvidos, que grupos estão mais afetados por estes problemas, por renda, históricos comparativos e etc….. DE qualquer forma boa notícia não parece ser. A difernça como alguém já escreveu , é que os americanos enfrentam seus problemas , voltados para soluções.

  3. Não vejo dificuldade nenhuma em entender esses números isoladamente, Edu. São 20% de crianças vivendo na miséria, dependendo do governo para se alimentar, caso contrário morreriam de fome. Isso ocorre na nação mais rica do planeta, aquela a qual “todos” querem copiar os modelos de organização social.

    Não vejo os estadunidenses enfrentando e resolvendo seus problemas, muito pelo contrário, desde o fim da Segunda Guerra os vejo se atolando cada vez mais nesses problemas, sobretudo de Nixon para frente. Vejo apenas aquela população perdendo, ano após ano, tudo aquilo que em um breve momento de sua história já tiveram. O problema é que pelo padrão de vida que esta parte do mundo adotou, eles estão levando o planeta todo junto com eles.

    Att,

    RB

    • EDU

      Analisar números de países os quais não temos total conhecimento e ainda mais sem comparativo com outros pode levar a conclusões erradas. Por exemplo: O que se chama de pobreza nos EUA, nada tem a ver com pobreza no Brasil. Da mesma forma, os EUA recebem centenas de milhares de imigrantes anualmente, vindos de países bastante pobres e que devido a sua qualificação e falta de capital inicial, com certeza passam dificuldades ( Como quase todos imigrantes no mundo em situações análogas). Vc vê os EUA como fracasso e eu vejo como um dos grandes cases de sucesso da história da humanidade. Tem problemas como todos os países e regiões. Pode ser que um dia não sejam mais os povos mais adaptados ao mundo atual e surja outro que os ultrapasse ( já se falou na URSS, no Japão e agora na China). Assim como diversos países, sofre coma desindustrialização que a China provocou no mundo devido as vantagens competitivas dos chineses, que tb poderão sofrer com os seus vizinhos em futuro próximo ( Vietnã, Laos, Tailândia, Cambodja, Miamar, India etc), assim como estes caso se tornem mini power-house poderão sofrer com a Africa no futuro. O que sabemos é que a América Latina ( o NE brasileiro em especial) perdeu este bonde. Acredito sim que os EUA estão sofrendo para manter qualidade de vida de boa parte da população, mas não se trata só de vontade. O mundo gira e nem sempre consegue-se achar solução para tudo, sem contar que o orçamento militar americano, mesmo relativo ao PIB é grande, ao contrário dos seus aliados ( Canadá, Japão, Austrália e Europa), que contam com a defesa dos EUA. O paraíso não existe.

  4. Deixa eu ver se entendi…. se os EUA tem gente pobre, então eles estão errados em tudo que fazem? É isto?

  5. Paula Cogenaga

    Nossa, gostei dos questionamento e posições articulados aqui, pois todos fundamentaram seus pontos de vistas de forma muito inteligente.

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