Desempenho de cotistas no ENEM vira argumento contra as cotas sociais e raciais

Volto ao tema das cotas raciais, pois esta semana, durante uma discussão nas redes sociais, uma pessoa, após ver as notas de corte para o ingresso na UFMG, questionou a necessidade das cotas se alguns candidatos cotistas conseguem atingir notas de corte muito próximas ou até mesmo superiores às notas obtidas pelos não cotistas, como se pode ver pelas imagens abaixo.

Sisu UFMG 001

Sisu UFMG 004

Sisu UFMG 003

Sisu UFMG 002

Para entender as notas de corte dos cursos acima, é preciso levar em consideração a tabela explicativa abaixo:

Sisu UFMG 000

Se observaram bem, viram que em alguns cursos, a nota máxima atingida por alguns candidatos inscritos na modalidade um são superiores a de candidatos que foram aprovados com a nota mínima na modalidade de ampla concorrência.

Pois bem, pelo que entendi, esse camarada que perguntou da necessidade de se manter as cotas se as notas de corte entre candidatos cotistas e não cotistas não são tão distintas, toma como uma de suas premissas que as notas de corte dos cursos são o que justificam a política de cotas. Outra premissa tomada pelo colega é a de que a exceção (candidatos cotistas que atingem notas de corte superiores a não cotista) seja a regra e, se isso é verdade, logo, não haveria necessidade em se manter a política de cotas.

Para quem acha que essa argumentação faz algum sentido, entendo que convém explicar, ainda que de modo bastante esquemático, razões que justificam a política de cotas sociais e raciais começando pela apresentação de alguns dados.

Segundo os números do último censo realizado pelo IBGE (2010), 43,1% da população brasileira identificaram-se como pardos, 7, 6% declararam-se pretos, enquanto apenas 0,4% da população declararam-se indígenas. Deste modo, 51,1% da população brasileira é formada pelo conjunto desses indivíduos.

Até a promulgação da lei que garantiu a reserva de vagas em universidades públicas para pretos, pardos, índios e pobres (2012), o percentual de indivíduos desses grupos nas universidades públicas estava bem aquém dos números verificados na distribuição da população brasileira.

Em 2001, a Universidade de São Paulo (USP) apresentava a seguinte distribuição de seus alunos segundo o critério de cor ou raça empregado pelo IBGE: brancos (76,9%); pretos (1,2%); pardos (7%); indígenas (0,4%). Somando-se o grupo de pretos, pardos e indígenas verifica-se um total de apenas 8,6% dos alunos de 2001. (Fonte: http://www.fflch.usp.br/sociologia/asag/relatorio_substantivo.pdf).

Em 2010 os números dessa mesma universidade eram: brancos (77,4%); pardos (10,6%); pretos (2,1%); indígenas (0,2%). Pretos, pardos e indígenas somados (12,9%), um aumento de 4,3% em relação aos números da década anterior. (Fonte: https://desigualdadesespaciais.wordpress.com/tag/segregacao-racial/).

Foi justamente essa diferença observada entre a distribuição étnica dos alunos das faculdades públicas brasileiras e a distribuição populacional do conjunto da sociedade brasileira que levou à criação de uma lei autorizando as universidades adotarem reserva de vagas para pretos, pardos, índios e pobres nas universidades públicas brasileiras.

Assim, ainda que em teoria todas as pessoas que concluíram o ensino médio, independente de sua cor ou faixa de rendimento, possam participar do vestibular, na prática, a forma como a avaliação desse processo seletivo foi concebida (tipo de conteúdo e seleção por notas de cortes iguais para todos os participantes de um mesmo curso) ainda é a principal causa da exclusão dos indivíduos pretos, pardos e indígenas do processo em universidades que não adotaram as cotas sociais e raciais.

Desta forma, fica evidente que ao contrário da premissa tomada pelo colega, a nota de corte é um dos mecanismos de exclusão dos candidatos e não a justificativa da existência da política de cotas nas faculdades. Como busquei demonstrar, a justificativa das políticas de cotas são os baixos índices de pretos, pardos, índios e pobres nas universidades públicas em comparação ao número de indivíduos desses grupos na sociedade brasileira.

Quanto à questão formulada pelo camarada, isto é, da necessidade de se manter a política de cotas uma vez que as notas de alguns candidatos cotistas chegam próximo ou até mesmo superam a de não cotistas, esta é bastante simples responder. Se o objetivo das políticas de cotas é garantir que um grande volume de pretos, pardos, índios e pobres entrem nas universidades públicas para que os índices desses grupos possam se aproximar aos índices verificados na distribuição da sociedade brasileira, então não se pode tomar a exceção como regra. Os candidatos cotistas que tiram notas superiores ou próximas às dos candidatos não cotistas ainda são exceção. A maior parte dos cotistas aprovados nos processos seletivos das universidades federais ingressaram com notas de corte inferiores aos dos candidatos não cotistas, como era de se esperar. Apesar disso, como as pesquisas tem demonstrado, o desempenho desses alunos após terem entrado nas universidades é, em média, superior ao dos não cotistas, como se pode ver nesta matéria publicada no portal Pragmatismo Político.

Portanto, entendo que apesar de a nota de corte de alguns candidatos cotistas serem até maiores do que a de não cotistas, isto não é um argumento que justifique o cancelamento das políticas de cotas raciais e sociais nas universidades públicas brasileiras, já que esta não é a regra observada no conjunto da maioria dos candidatos da maior parte dos cursos e, além disso, pelas universidades públicas ainda estarem longe de terem 51% de alunos pretos, pardos e índios entre seus alunos.

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21 Comentários

Arquivado em Educação, Lei, Leis, Política

21 Respostas para “Desempenho de cotistas no ENEM vira argumento contra as cotas sociais e raciais

  1. LeroLero

    Ou seja é uma forma de entrada não meritória para que pessoas que não tenham capacidade de entrarem na faculdade entrem, para satisfazer uma porcentagem para ficar bonitinho quando algum politico falar que agora pobre vai para faculdade….

    Isso só mostra a realidade, quando alguém quer, pobre, negro, rico, verde, se esforça e consegue…

    Mas enfim….

    Ao meu ver vestibular não deveria nem existir já que é dever do estado garantir educação a todos… Entao não faz sentido criar um método de deixar pessoas de fora.

  2. EMILLIA SANTOS

    Concordo c o colega acima.Entrada nao meritória falou td. Tem q entrar quem tem condições de base educacional p isso.O resto é coisa de país paternalista q ao invés de ajustar e promover a educação de base, coloca quem nao tem “base”nos bancos universitários.

    • Só me respondam uma coisa, por favor: qual é o mérito do herdeiro?

      • EMILLIA SANTOS

        Herdeiro?Que herdeiro?O comentário com o qual concordei diz respeito a q os cotistas nao apresentam o msm mérito, digamos assim, de esforço e estudo, p competir c os demais concorrentes.Nao entendi sua colocação.Por isso, nao posso neste momento, argumentar mais.

      • Entendo….. tente compreender o que perguntei, relacionar a minha pergunta com a tal “meritocracia” que você está defendendo, e me responder quando achar que compreendeu minha colocação.

        Att.

        RB

      • EMILLIA SANTOS

        Farei melhor q isso.Vou te explicar, com minha vida, pq nao concordo c a política das cotas.

      • Entendo…. devo assumir que você é a medida do universo. É isso mesmo? Em outras palavras: você acha que sua vida deve ser tomada como modelo para toda a humanidade???

      • EMILLIA SANTOS

        Não, professor. Nao tenho a pretensao de ser a medida do universo.Apenas imaginei q poderia dialogar expondo minhas vivências q fazem me pensar da forma q penso nesse aspecto.Conversei neste seu blog educadamente. SEm ironias, revoltas ou afrontas.Gostaria de obter a msm recíproca.

      • Não estou ironizando, fiz uma pergunta honesta e sincera. Seu posicionamento me faz pensar que você crê que sua experiência deve ser tomada como a medida do universo, uma vez que você se coloca em tal posição ao criticar a política de cotas porque ninguém nunca deu nada pra você e sua família que, a partir de muito trabalho e sacrifício, tiveram que conquistar as posições que atingiram na sociedade.

        Ao menos, essa foi a sua argumentação apresentada aqui. Por isso perguntei e volto a questionar honestamente: você acha que deveria ser tomada como medida para o caso das cotas? Porque as coisas se deram como se deram com você, elas tem que ser exatamente do mesmo jeito com as outras pessoas?

  3. EMILLIA SANTOS

    Precisava vir aqui tecer algumas considerações pois conheço mts pessoas anti-cotas q não se pronunciam ( que me irritam mais do q as cotas em si)e assim parece que eu sou uma fascista, elitista, reacionária.Sou a favor q tds tenham acesso as universidades, desde que tenham condições cognitivas (pré-requisitos fundamentais cm saber ler e escrever corretamente, ter domínio das disciplinas correlatas a sua área)p la estar e que não se vitimizem a td tempo , culpabilizando td historia da sociedade por seu despreparo, fracassos, reprovações e afins.
    Pois bem. Eu venho de uma família humilde.Meus pais são portugueses e nem sequer o ensino fundamental completo tiveram.Vieram fugindo da ditadura salazarista na década de 50-60.
    Copiando a forma de expressar-se de uma colega negra, sim, sou BRANCA e descendente de europeu, com mt orgulho.Mas jamais vi este fato me beneficiar nem mesmo o tempo em que vivi em Portugal.Nunca recebemos qq auxílio do governo nem hj em dia em q meu pai é um Sr de 83 anos, metastático e quase cego.As coisas em nossa casa também sempre foram bem apertadas, por somos 5 irmãos, 3 homens e 2 mulheres.Apenas eu e minha irmã, que é formada em Pedagogia tivemos acesso ao ensino superior.Sou Enfermeira, especialista nos moldes de Residência em Enfermagem Médico Cirúrgica.
    Quando chegou meu tempo de ir p a escola, minha mãe, além de dar conta da casa, dos filhos e de ajudar meu pai no comércio, resolveu passar a ferro e costurar para fora para que eu pudesse estudar num pequeno colégio particular do bairro,a décadas extinto, mas que, para eles, era muita coisa.Terminei ensino médio em 1992.Não existiam políticas de cotas.Não fui aprovada.Consegui, por meus pp meios, uma bolsa p fazer pré vestibular e tb em um curso de Língua Inglesa mt conceituado: escrevi uma carta de apresentação, fiz entrevista, corri na frente.
    Passei p uma particular em Fisioterapia, mas preferi fazer Enfermagem na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UNIRIO. Período integral: td dia i dia inteiro.Os dois primeiros anos a distancia era aproximadamente 40km, não obstante eu precisava pegar 2 onibus e uma barca p ir e a mesma coisa p voltar, de forma q, por dia eram em media 5h em condução.Meus pais não podiam bancar um apto montado perto da faculdade p mim.Nem carro.Fora despesas de xerox, alimentação, livros e etc.Os três anos seguintes, aproximadamente 50km de distancia, mas o tempo em condução aumentou p cerca de 3 a 3,5 h p ir e o msm p voltar.Isso se fosse p as teóricas, pois os estágios…se eu saísse da Urca as 17h, seguramente chegava em casa depois das 20:30.E estudava ate depois de meia nt mts vezes.Eu tb me destacava.Fiz monitorias (Anato, Micro, Genética) q ninguém da Enfermagem fazia e era olhada com desdém e indignação pelos outros acads de cursos elitizados.Tinha carta de recomendação de quase tds os profs do básico.Naquela época, 1994-1996, o básico da Enfermagem era de um ano, mas eu quis dividir as disciplinas e fazer em 2, pois queria fazer mt bem feito, queria aprender, ter bases.Queria fazer monitorias, disciplinas eletivas e optativas q me enriquecessem.
    Assim como mts colegas cotistas, enfrentei muitas adversidades além dessas supra, pois a Enfermagem é um Curso de baixo status social, denegrido, prejudicado, discriminado, desrespeitado.Tive que me impor a duras penas n vezes diante de meus próprios assemelhados, colegas de outras carreiras e ate professores e após me formar não melhorou. Ficou mais difícil. A Enfermeira é um profissional, ao olhos do senso comum e dos outros da Saude, um ser sem identidade social e profissional.As pesquisas mostram ( e eu trabalho c isso na minha dissertação) que o acadêmico de Enfermagem é , entre os da Saúde, oq entra na facu com o menor capital cultural, social, econômico. SE isso já era assim com os vestibulares tradicionais, imagina que tipo de alunado a Enfermagem receberá. E a excelência do ensino? Há determinados pré-requisitos p um bom andamento do processo ensino-aprendizagem. Perdoem –me, creio que os professores do ensino superior não la estão p “alfabetizar”, ensinar a estudar ou ensinar assuntos que deveriam ter sido compreendidos em nível secundário.
    A despeito das experiências positivas que colegas professores podem ter tido com cotistas, eu so posso relatar o contrário. Não sabiam ler e interpretar um texto, não sabiam escrever nem falar corretamente. Isso foi em uma estadual no Norte do Brasil. E nem vou entrar nos detalhes das particulares q lecionei (vestibular classificatório e não eliminatório). Pediam trabalhos p ajudar na nota.Que eu tinha que entender q eles trabalhavam o dia td, possuíam casa e família e portanto eu tinha que entender e “ajudar” (le-se “aprova-los automaticamente)Bem diferentes eram ao alunos que lecionei anos em uma federal.
    NO concurso de Residência tb não houve cotas p mim e nunca haveria, pois sou branca , de cabelo loiro escuro e olhos claros.Eram 60h por semana, durante dois anos.
    Fiz vários concursos públicos para cargo de Enfermeira e fui aprovada em todos, sempre sem cotas. Trabalhei quase sempre associando assistência e docência.As seleções e concursos p professores nunca tiveram cotas igualmente.
    De fato, talvez minha opinião seja preterida pois ainda não alcancei nível de doutorado. Aliás, já passei por alguns mestrados …Patologia Tropical, na UFAM q larguei por não vir ao encontro de minhas atividades docentes e assistenciais.Passei p Terapia Intensiva (SOBRATI), mas a universidade o qual trabalhava não me autorizou a faze-lo.Posteriormente fui aprovada p o Mestrado da UNIRIO e novamente a universidade não me liberou p ir.Sempre relatei que eu preferia seguramente ser uma boa especialista q uma mestre medíocre.Hj curso Mestrado na UFF (PACCS), onde fui aprovada em segundo lugar, sendo bolsista da CAPES.
    DE fato, os mestrados e doutorados não têm cotas (ainda não inventaram essa), e ainda bem, se não, oq seria de mim.
    Pq estou divagando c isso td?
    Pq não obstante ser branca e com ascendência européia, sempre td oq conseguimos, eu e minha família, foi com MUITAS lutas e sacrifícios, não menores e desprezíveis que as tribulações de negros e índios e qq outro cotista.
    O corolário é a questão da qualidade do aluno que entra p receber o ensino superior.Acredito q haja exceções.Mas oq vivi me mostrou o contrário.A entrada facilitada pelas cotas, enquanto a livre concorrência têm notas de corte mt mais altas, é atrelada a menos estudo e bases matemáticas, lingüísticas, biológicas.E se as notas de corte se tornaram iguais, já não há mais necessidade das famigeradas cotas.
    Sem mais.Bjos e boa nt.

    • Então volto a perguntar, cara Emillia: porque você passou todas essas dificuldades, então todos também tem que passar? Me desculpe, acho que o papel do Estado é garantir escola pública (gratuita e de qualidade) para todos. Sem a necessidade de tais sacrifícios que você e sua família tiveram que se submeter. Para mim, a concepção que você tem de educação pública é errada de tantas maneiras, que não saberia nem sequer por onde começar a explicar a série de descalabros que você proferiu nessas poucas linhas. Sinto muito. Minha posição sobre a questão das cotas está bem clara neste e em diversos posts que escrevi por aqui. Seria um desperdício do nosso tempo ficar repetindo e repetindo os mesmos argumentos por aqui. Deixo apenas para sua reflexão, e peço que pense com carinho, que as suas dificuldades e a sua experiência são muito importantes para você, mas elas não devem ser tomadas como medida do universo. Creio que quanto mais pudermos melhorar o acesso de grupos marginalizados socialmente às universidades públicas, melhor. Ignorar a História do Brasil e a História da Educação no Brasil para repetir uma argumentação fraca, ideologizante e descabida que defenda o mérito no acesso ao ensino superior, me parece um grande equívoco que apenas uma leitura mais profunda sobre esses temas poderia solucionar, e não uma simples conversa por comentários deste humilde blog.
      No mais, faço minha as suas palavras: boa noite e passar bem.

      Rogério Beier

      • EMILLIA SANTOS

        Nenhum momento referi q nao devem ter acesso.Disse que são necessários pré requisitos os quais são condição sine qua non p o bom andamento do processo ensino aprendizagem.E q gde parte deles, nao têm.
        Mas de fato, é chover no molhado. Sei sua forma de pensar, e possuo a minha.Nenhum de nós é obrigado a aceitar.Mas a respeitar, sim.
        É verdade… Gde desperdício de tempo.Neste ínterim, essas palavras sao as únicas em q concordamos.
        Boa noite, passar bem.

      • Bom, talvez você não tenha referido literalmente que eles não devem ter acesso, mas ao negar as cotas, você está se posicionando favoravelmente a retirar um meio de acesso ao ensino superior que pretos e índios conquistaram após muita luta. Já pensou nisso?

        Boa noite,

        RB

  4. EMILLIA SANTOS

    Eu respondi parcimoniosamente, bem detalhado p minha posição ficar compreendida.Mas nao apareceu…Vc tem q aprovar?

  5. Outra coisa, penso ser bastante difícil discutir com você depois de ler uma frase como essa que você escreveu acima: “Pq não obstante ser branca e com ascendência européia, sempre td oq conseguimos, eu e minha família, foi com MUITAS lutas e sacrifícios, não menores e desprezíveis que as tribulações de negros e índios e qq outro cotista.”

    Acho que você não tem a menor ideia do que é ser preto ou índio nesse país. Acho que qualquer dificuldade que você e sua família tenha passado, e não estou aqui subestimando-as, não pode ser hierarquicamente comparado com as dificuldades que pretos e índios sofrem neste país, sobretudo porque você é branca e descendente de europeia, e cá no Brasil, isso faz uma bruta diferença. Enfim…. como disse, creio estar me repetindo e não gosto muito de fazer isso.

    Att.

    RB

  6. Leandro

    Querido Rogério, meritocracia nem pensar pra você né? Apoio os argumentos da Emilia pois a minha história é igual a dela, excluindo-se a ascendência européia. Muita luta. Deve-se investir lá embaixo. Na educação básica e não facilitar o acesso a universidade. Assim, todos devem lutar sim. Estamos aqui pra isso e não estamos aqui para férias.

  7. Leandro

    A discrepância dos seus dados são gritantes. Em todos os cursos nota-se claramente que a maioria não-cotista conseguem notas altas enquanto que apenas alguns cotistas conseguem notas altas. Ex: Cotistas conseguem notas entre 6 e 8 enquanto não cotistas conseguem notas entre 7 e 9. Simples assim.

    • Caro Leandro,

      Parece que você não entendeu o post. Seria útil para que continuássemos a discussão que você relesse o post tentasse compreender o que está sendo exposto. Não apenas o meu argumento, mas contra o quê estou argumentando. Fico no aguardo.

      Att.

      RB

  8. José Carlos Costa

    Bom dia..
    Sou a favor da política de cota com base nos dados apresentados acima sobre questões raciais segundo o IBGE.
    Porém esta lei deve ser alterada para que atinja o objetivo almejado por ela. vejam alguns casos que me parecem injustos:

    – aluno fica excluído das cotas, mesmo sendo alvo dessa política porque estudou ensino médio em escola particular mesmo tendo cumprido os demais requisitos da referida lei. Vejamos o seguinte:

    – A lei não distinguiu colégios particulares caros e que se classificam nos primeiros lugares no ranking do ENEM, de colégios particulares que figuram entre os piores colocados, os primeiros são caros e estes de baixo custo. então filhos de pessoas pobres que abriram mão de outras necessidades, priorizaram a educação e colocaram filhos para fazer o ensino médio em colégio particular pior que muitos colégios públicos segundo a própria avaliação do ENEM “pagou um Micão”, vejamos:
    – Não tem dinheiro para custear faculdade;
    – Não tem direito a concorrer por cotas, mesmo sendo alvo das cotas raciais e considerado pobre;
    -Não tem direito a concorrer as vagas de bolsas de estudo em faculdades particulares através do Pró- une;
    – Vai ter que concorrer a vaga de ampla concorrência, tendo como adversários alunos que estudaram nos melhores colégios e estão muito melhores preparados. a diferença de preço entre as escolas particulares são enormes, vão de R$ 400,00 a R$4.000,00, mas para esta lei esta desigualdade não é considerada;
    – Provavelmente não vai conseguir cursar faculdade.

    Pais de alunos que sempre estudaram ensino fundamental em escolas particulares caras estão optando por colocar seus filhos para fazer o ensino médio em colégios públicos para posteriormente poder concorrer pelas cotas, ou seja, sendo este abrangido pelas cotas raciais perderia o direito se continuasse na rede privada de ensino. aí que está o problema, neste caso deveria continuar na rede privada e não concorrer pelas cotas já que não tem necessidade.
    Funciona assim: estuda fundamental colégio privado e faz médio em colégio público e faz concomitantemente cursinho preparatório e em alguns casos faz só cursinho e obtém certificado de conclusão do médio através do próprio ENEM.
    Com certeza a chance de aprovação desse candidato será maior pois estará bem preparado e ainda concorrerá pelas cotas.
    A visão miope da lei das cotas deveria ser corrigida no sentido de colocar para participar do certame através das cotas não somente os alunos que estudaram o ensino médio, mas também o fundamental na rede pública de ensino.
    Quem precisa de cotas para cursar universidade de graça porque não pode pagar é o pobre e pobre que é pobre não tem opção, ou seja, só estuda em escola pública.
    Conclusão: – Ficou bem difícil para aquele que está abrangido pelas cotas, só estudou em escola pública e não tem condições pagar cursinho preparatório. isso ocorre pela desigualdade de ensino em relação aquele que estudou apenas o ensino médio na escola pública. Isto ocorre porque a lei exige apenas o ensino médio para concorrer através das cotas.

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