Novas tentativas de relativizar os efeitos da escravidão africana na formação de sociedades contemporâneas da América

Tenho constatado com muita preocupação o aparecimento de muitas pessoas que, tomando como base péssimos livros de “história”, opiniões de Olavo de Carvalho e outros tantos vídeos mal intencionados divulgados pela Internet, buscam minimizar os efeitos nefastos que a escravidão africana legou à formação de sociedades contemporâneas na América. Para isso, utilizam basicamente três argumentos:

  1. Já havia escravidão na África antes da chegada dos europeus;
  2. Os próprios africanos eram os que entravam no interior do continente para capturar outros africanos e vendê-los aos europeus;
  3. Europeus também foram escravizados por africanos entre os séculos XVI e XVIII.

O objetivo de quem usa esse tipo de argumentação é claro, buscam, sobretudo, deslegitimar políticas de ações afirmativas movidas pelo Estado que visam corrigir desigualdades atuais cujas raízes remontam ao sistema escravista europeu. Ao fim de suas argumentações, quase sempre concluem acusando os afrodescendentes de serem “vitimistas” ou “coitadistas” que buscam tirar vantagens a partir da história de sofrimento de seus antepassados.

Pois bem, para não cairmos nessas falácias e argumentações rasas, considero que seja bastante importante dar um pouco mais de atenção a este assunto por aqui, pois percebi que ainda hoje há uma série de pessoas com muitas dúvidas na cabeça em relação ao tema.

Em primeiro lugar, e acho que nem precisaria dizer isso aqui, mas há quem questione quando não vê isso explícito em meus textos. Não estou discutindo a moralidade da escravidão, isto é, se a escravidão negra foi moralmente pior do que a branca ou vice-versa, nem tentando argumentar qual foi mais repugnante que a outra. Não se trata disso. Do ponto de vista moral e, sobretudo, por eu ser um homem da virada do século XX para o XXI, é evidente que eu julgo qualquer tipo de escravidão condenável. No entanto, a discussão a seguir é sobre os efeitos que o histórico da escravidão africana legou à conformação de sociedades americanas tais como o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, e não qual escravidão é pior ou melhor que outra.

Em seguida, é preciso lembrar que a escravidão existe desde a antiguidade, podendo ser observada na formação das diferentes sociedades do mundo antigo como os hititas, os babilônios, os egípcios, os gregos e os romanos, por exemplo. No entanto, a forma de escravização do mundo antigo estava relacionada com as guerras e batalhas que essas sociedades moviam umas contra as outras. Os indivíduos que fossem capturados em batalha, bem como mulheres e crianças presos após uma guerra, eram escravizados pelos vencedores. Não havia, por assim dizer, uma busca continuada por escravos em um determinado lugar para oferecê-los em um mercado e comercializá-los para servirem de mão-de-obra em outro.

Portanto, assim como existia no mundo antigo na Europa e no Oriente Médio, a escravidão também existia na África e na América mesmo antes dos europeus haverem chegado nesses continentes. Populações desses locais também moviam guerras contra seus inimigos e, aqueles que fossem capturados em batalhas, eram escravizados e obrigados a realizar trabalhos forçados, quando não fossem sacrificados em algum ritual religioso.

No entanto, com a chegada do europeu nos continentes africano e americano no decorrer do século XV, a escravidão mudará completamente de feição. Tanto que os historiadores passam a denominá-la de escravidão moderna para diferenciá-la do modelo antigo de escravidão praticado antes dela.

Com a descoberta de ouro e prata na América e o início da colonização europeia no continente, que trouxe consigo as grandes plantações de cana-de-açúcar, tabaco e outros produtos para abastecer o mercado europeu, logo se viu que seria necessário o emprego de grande número de mão-de-obra. Embora alguns nativos do continente americano tenham trabalhado, compulsoriamente ou não, nesses empreendimentos europeus, a demanda pelos produtos americanos eram tão grandes, sobretudo a de ouro e prata, que exigia o emprego cada vez maior de mão-de-obra. Como se sabe, a solução encontrada foi o emprego de escravos que, aprisionados na África, eram transplantados para a América a fim de trabalharem nas minas e plantações. A seguir, o mapa com as principais rotas do tráfico negreiro entre os séculos XVI e XIX.

Rotas do trafico negreiro

Principais rotas do tráfico negreiro entre séculos XVI e XIX.

Aqui é importante lembrar que a Igreja Católica teve um papel fundamental na determinação de que o escravo empregado nos trabalhos na América fossem africanos, uma vez que ela proibia a escravização de indígenas por considerar que esses grupos ainda não conheciam o cristianismo e deveriam ter a oportunidade de se catequizar. Por outro lado, a escravização dos africanos era justificada pela Igreja como um castigo divino, uma vez que os diversos povos daquele continente já havia travado contato com o cristianismo e, ainda assim, preferiam manter suas religiões politeístas ou o islamismo.

Vê-se, desta forma, que a escravidão moderna tinha três aspectos que lhe são bastante característicos:

  1. O escravo era uma mercadoria que podia ser comercializada e herdada;
  2. A existência de um mercado de escravos transatlântico;
  3. A racialização da escravidão.

Analisadas em conjunto essas características revelam a existência de um verdadeiro sistema escravista que nos permite compreender a razão de mais de 12 milhões de africanos terem sido violentamente aprisionados, escravizados e trasladados para outros continentes: o acúmulo de riquezas na Europa. A escravidão moderna, portanto, é apenas uma engrenagem de um sistema muito mais amplo cujo principal fim era garantir o enriquecimento das monarquias europeias e dos muitos envolvidos nas atividades de exploração e colonização do continente americano.

Com isso em mente, podemos voltar à questão que deu origem a este post, isto é, o fato de algumas pessoas pretenderem minimizar os efeitos da escravidão africana na conformação de sociedades contemporâneas, tais como o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, argumentando que já havia escravidão na África muito antes de os europeus chegarem ao continente; que mesmo durante os séculos XV e XIX eram os próprios africanos quem aprisionavam os escravos para comercializá-los aos europeus e, por fim, que norte-africanos também escravizaram europeus por séculos, fazendo-os trabalhar compulsoriamente no norte da África.

Ora, como vimos, a escravidão antiga difere grandemente da escravidão moderna, de modo que alegar que já havia escravidão na África antes de os europeus chegarem ao continente, não diminui o fato de que o sistema escravista criado pelos europeus a partir do século XV foi o responsável pela transposição dos milhões de africanos para o continente africano e, em decorrência disso, pelas consequências do escravismo na formação das distintas sociedades americanas onde houve uso em grande escala de mão-de-obra africana. Mesmo a escravidão promovida pela expansão muçulmana sobre a Península Ibérica, por exemplo, pode ser classificada como uma escravidão de tipo antigo, uma vez que os europeus escravizados eram os indivíduos capturados após terem sido derrotados em batalhas, para não mencionar a existência de um mercado escravista.

Quanto à segunda argumentação, o fato dos próprios africanos irem ao interior do continente para aprisionar e, posteriormente, comercializar os prisioneiros como escravos aos europeus, ela apenas indica mais um agravante do sistema escravista criado pelos europeus que, ao entrar em vigor, transformou o modo de escravidão antiga que existia na África, para atender suas demandas e interesses. É a existência do mercado transatlântico de escravos que demanda a necessidade crescente de mão-de-obra e, por conseguinte, a busca de novos escravos no interior do continente africano. Se antes da chegada do europeu os escravos eram apenas aqueles que eram capturados nas batalhas constantes entre os diversos grupos que viviam na região, agora a captura de pessoas buscava, sobretudo, atender ao mercado negreiro.

Por fim, quanto a última argumentação, a de que norte-africanos muçulmanos escravizaram europeus por cerca de três séculos, uma vez mais se faz necessário comparar os modelos de escravidão empregados pelos norte-africanos e pelos europeus. No caso dos primeiros, trata-se de corsários que capturavam embarcações no Mar Mediterrâneo e aprisionavam suas tripulações, levando-as como escravos para trabalharem onde atualmente se encontram o Marrocos, a Líbia, a Tunísia e a Argélia. Outra forma de se obter escravos eram os ataques surpresas movidos a cidades europeias localizadas nas costas do Mediterrâneo ou do Atlântico, capturando centenas de pessoas que tinham o mesmo destino das anteriores.  Recentemente, Robert Davis, um historiador que estuda o tema levantou uma estimativa, bastante incerta, de que cerca de um milhão de europeus possam ter sido escravizados por norte-africanos entre os séculos XVI e XVIII (ver matéria sobre o assunto publicado na Folha e no The Guardian). No entanto, esses corsários não atacavam apenas europeus, mas também eslavos e africanos da costa oeste, o que torna os números reais de europeus ocidentais escravizados bastante controverso. Independentemente disso, deve-se considerar que no caso da escravidão promovida por norte-africanos:

  1. Os escravos eram capturados em ataques promovidos pelos corsários em mar ou na terra;
  2. Não havia um mercado de escravos;
  3. A escravidão não era racializada.

Tais características acabaram por determinar não apenas um número bastante menor de escravos europeus levados para o norte da África, mas também não teve consequências significativas para a formação de sociedades contemporâneas quer na África, quer na Europa Ocidental, ao contrário do que ocorreu no caso África – América. Assim, quando argumentar que os africanos escravizaram europeus buscando minimizar os efeitos da escravidão africana em sociedades contemporâneas na América você sempre poderá contestar perguntado:

  1. Há, ainda hoje, algum efeito perceptível da escravidão promovida por africanos a europeus nas sociedades americanas onde a força de trabalho desses escravos foi empregada?
  2. Nas sociedades americanas atuais, há descendentes desses europeus que foram escravizados por africanos que sejam discriminados em decorrência desse passado escravista?

As respostas a essas perguntas, evidentemente, serão dois “nãos”, o que nos ajuda a concluir facilmente que erra quem pretende minimizar os efeitos da escravidão africana em sociedades americanas contemporâneas argumentando que os africanos escravizaram europeus, já que os modelos de escravidão empregados por europeus e norte-africanos eram bem distintos e, como não podia deixar de ser, os efeitos da escravidão promovida por estes últimos é pouco significativa se comparada aos efeitos da escravização europeia que, ainda hoje, marcam profundamente a vida de afrodescendentes nascidos na América.

Espero que esse post possa ter contribuído para esclarecer algumas dúvidas em relação aos modelos de escravidão empregados na antiguidade e na época moderna, bem como possa ajudar a refletir quando alguém pretender minimizar os efeitos da escravidão africana na formação de sociedades americanas contemporâneas argumentando a ocorrência de escravidão de europeus e que eram os próprios africanos que escravizavam os africanos. Como disse o poeta, diplomata e historiador Alberto da Costa e Silva, em entrevista à BBC Brasil, penso que…

(Foto: Guilherme Gonçalves/ABL)

“o importante não é que haja cota na universidade. Acho que tem de haver cota em tudo. Se você vai se candidatar a um cargo de atendente de hotel de primeira classe, se você for negro, você tem dificuldade. O preconceito é discriminatório. Ele não impede você de usar o mesmo banheiro, o mesmo bebedouro, mas dificulta o acesso (do negro) às camadas das classes média e alta”.

Para concluir gostaria de deixar um vídeo que preparei como material complementar às minhas aulas de escravidão africana no ensino fundamental e médio. Já havia preparado um post sobre este material aqui, mas entendo ser pertinente deixar o vídeo aqui também.

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21 Comentários

Arquivado em Educção, Política

21 Respostas para “Novas tentativas de relativizar os efeitos da escravidão africana na formação de sociedades contemporâneas da América

  1. Fábio Nogueira

    O estranho de toda está história professor até então o silencio dos europeus diante desta escravidão por africanos. Com certeza deveriam estar reivindicando indenizações conforme acontece com as vitimas da segunda guerra.

    O que está acontecendo é simplesmente o medo e o avanço da população negra nos chamados lugares de exclusividade pertencente a classe dominante. Querem criar um complexo de culpabilidade onde desejo de perpetuar os negros no lugar comum ,ou seja : submissão .

    Acredito se eles estão se sentindo incomodados é porque estamos no caminho certo.

    Estudar a história da escravidão é ampliar o leque sob o assunto . É fácil dizer que o negros vendeu o próprio negro. Porém quem introduziu a escravidão com o corte racial? Quem disse que os negros não tinham almas e por isso era necessário escraviza-los ? Quem entrou com o dinheiro para bancar a tribo inimiga?

    Acredito que o debate se torne fácil para quem tem dificuldade ou preguiça de ler ,e vai acreditando em tudo que é dito.

    Fico mais com vergonha ainda é ver colegas de graduação em compartilhar dessa discussão e reproduzi-la nas salas de aulas .

    Bem ,ainda bem que temos professores responsáveis como o senhor e demais que nós incentiva a ler e estudar .

    PS. recomendo a leitura do livro Breve história da escravidão ,do escritor Mário Maestrini.

  2. EDU

    Um artigo profundamente infeliz. Compara diversas formas e circunstãncias de escravidão e dá a entender que uma seria mais natural ou legítima que a outra, que se tinha eslavo e não europeus ( que grande diferença!!!! para Hitler tinha, eslavos eram untermench), então não era racista, como se isto fosse um atenuante gigantesco.
    A escravidão é de fato uma caracterísitca como vc colocou da antiguidade e continuou por diversos séculos sob as mais diversas formas. Não cabe vc dizer que uma é mais legítima que a outra. Ninguém tenta relativizar ou suavizar a escravidão, mas colocá-la eventualmente num contexto, em que nada diminue a violência, o sofrimento e a tragédia humana, especialmente a luz da civilização ocidental moderna que mudou e definitivamente aboliu a escravatura como elemento aceitável de uma sociedade. Utilizou-se da escravidão, demorou a abolí-la, mas teve o mérito de colocá-la moralmente como ináceitável em primeiro lugar na história da humanidade. Tanto faz se fruto de batalha ou de venda para planatações. Da mesma forma a tentativa de colocar a escravidão como coisa única dos Europeus , deve sim ser combatida , pois independente dos motivos, as tribos africanas participavam , no Norte da África também havia com sinal trocado e durante toda a história era recorrente e constante entre povos. A questão, desculpe, é que parte da intelectualidade de esquerda quer particularizar como se dos povos antigos seria NATURAL, mas no contexto dos primórdios do capitalismo até o séc XIX , seria fruto da ganãncia do sistema que predomina até hoje. Não só é enganoso, como foi exatamente no seio deste capitalismo que surgiu o fim da escravidão e sua condenação moral intrinseca. Não se trata aqui de defesa da escravidão ou tentar relativizar, mas ter conciência de se tratar de uma página negra etrágica na história da humanidade.

    • Caro Edu,

      Não sei o quanto e como você leu o texto que eu escrevi, mas parece que há algumas confusões em suas considerações.

      Em primeiro lugar, eu não tento dizer que “uma escravidão é mais natural que a outra” ou dizer que “uma é mais legítima que a outra” como você afirmou aqui.

      Do meu ponto de vista, aqui em pleno século XXI, entendo que a escravidão é imoral e inaceitável. Inclusive, estou sempre denunciando a escravidão que ocorre ainda hoje.

      O texto trata de discutir sobre os efeitos da escravidão africana na formação das sociedades americanas e, nesse sentido, o fato de ter havido escravidão de europeus por norte-africanos e de africanos escravizarem africanos não muda em nada os efeitos de segregação, preconceito e desigualdade das populações afrodescendentes nas atuais sociedades americanas que receberam os escravos africanos. É disso que se trata.

      Att.

      RB

      • Daniel

        Professor, olha só o que eles levantam como justificativa para deslegitimar as políticas públicas voltadas para o povo negro: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/os-escravos-do-daome

        Veja agora o que um defensor de Narloch me disse via youtube:

        “Não acho que seja um questão de acreditar ou não, mas de pensar ou não. Não foi apenas o autor do Guia politicamente incorreto que disse isso, mas foi apenas ele que se debruçou sobre a questão e tentou desfazer conceitos arraigados na academia, o que é muito difícil de se desfazer, mesmo quando estão errados, pois pesquisas e trabalhos acadêmicos geralmente são baseados em bibliografias ja postas, logo tudo é um recorte e cola, e é algo improvável aparecer alguém que contradiga seus professores, que por sua vez aprenderam com seus antecessores.”

        “se você se debruçar sobre a historia da humanidade e da Africa verá que não faz sentido todos os quilombos sem escravos, visto que era o pensamento da época, e também o pensamento negro. Para aqueles que torcem o nariz estudem sobre o reino do Daomé e a guerra com o povo yourubá, essa guerra que trouxe a maioria dos escravos para cá. Nos terreiro de candomblé existem muitas lendas que falam sobre a escravidão, inclusive posso citar um grande orixá que foi escravo em suas lendas, Ossain, assim como Oxumaré que foi quase escravizado por Xangô. a história de um povo se conta tb por suas lendas e isso ajuda a entende-los. Sob esse ponto de vista a escravidão não era vista pelos negros como algo “injusto”, mas também não era justo, era um fato em sí, pois apesar de ng querer ser escravo era algo posto até então nas sociedades da época, negras ou brancas.”

        “E eu prefiro o papel de co-autor do que de vítima. Nós negros não fomos responsáveis pela vinda dos escravos para o Brasil, visto que os navios eram europeus e os senhores de engenho eram eurodescendentes, mas fomos responsáveis e vítimas de uma guerra de escravidão entre etnias negras na África, que levavam escravos até o porto africano onde nossos ancestrais embarcariam. Leia os livros de Pierre Fatumbi Verger sobre as lendas africanas trazidas pelos antepassados negros e um livro chamado “O vice rei de Uidá” que fala do dia a dia de um negociador de escravos na Costa do Benim.”

        Inacreditável é que negros avalizam o livro de Narloch também, pode isso?

      • Caro Daniel,

        Apesar do besteirol sobre o Narloch, a parte final do texto dele coincide com o que escrevi, uma vez que ele está falando da existência da escravidão na África antes da chegada do europeu. Ele só omite (e aí está algo importante nesse discurso) que essa escravidão era diferente do sistema escravista implantado pelo europeu, pois baseada nas guerras entre grupos rivais.

        Ele até menciona que a responsabilidade do transporte dos negros para o Brasil não foi dos africanos, tampouco os senhores de engenho, mas não menciona o importante papel desempenhado também pelos traficantes, isto é, os atravessadores que ficavam nos portos africanos e se responsabilizavam pelo transporte. Também não fala do mercado escravista, criado para atender a demanda de mão-de-obra nas minas e na agricultura americana. Também não fala da racialização da escravidão. Enfim, o texto dele tem muitas lacunas.

        Tenho encontrado alguns negros que tem postura semelhante, pois preferem refutar o “papel de vítima” tal como esta pessoa que você citou. Alegam que a história da África também está cheia de heróis e de êxitos e que os pesquisadores deveriam botar mais foco nisso do que no passado escravista. Ora, eu entendo que tudo deve ser estudado e, no caso da escravidão, é nosso dever desmitificar essas tentativas de minimizar a profunda influência que o passado colonial escravista ainda exerce nas sociedades americanas atuais. Como disse em meu texto, o fato de ter havido escravidão de europeus por africanos e/ou o fato de africanos já escravizarem africanos antes da chegada dos europeus, não minimizam em nada os efeitos da escravidão na sociedade brasileira de hoje, uma vez que todo o sistema escravista engendrado para trazer africanos para as Américas foi engendrado pelos europeus para atender necessidades dos europeus.

        Att.

        RB

      • Em tempo: outra coisa que é importante dizer também, acho que mencionei em meu texto, é que o fato de Zumbi dos Palmares ou outros escravos libertos terem escravos, como o autor do comentário que você transcreveu disse, é mais do que esperado. Todos eles eram homens imersos na mentalidade de seu tempo e, como se sabe, a escravidão era naturalizada por aqui entre os séculos XVI e XIX. Isso, tampouco, serve de argumento que minimize a responsabilidade dos europeus pela criação do sistema escravista que trouxe para a América mais de 12 milhões de africanos.

        Att.

        RB

  3. EDU

    DE outro lado, nada contra a sua colocação de contextualizar que havia diferentes formas de escravidão.

    • Como apontado, o texto não é só de contextualização. Dá uma olhada novamente e vai perceber o que te disse.

      Att.

      RB

      • Daniel

        Professor, veja o estrago que o tal de Narloch promoveu nas redes sociais em decorrência daquele livro fascista que publicou em 2011: https://www.youtube.com/watch?v=wRrt6G2KvvQ

      • Daniel,

        Esse era um dos vídeos a que me referi no texto, mas não tinha encontrado o link. Obrigado por postá-lo aqui.

        Att.

        RB

      • Daniel

        Professor, por que razão as pessoas têm tanta resistência com a aceitação das cotas e dão de ombros para a criação do Estado de Israel?

        O meu adversário ideológico disse que os Judeus foram perseguidos durante séculos e não tinham para onde ir já os negros tinham a África. Ele diz também que só não foram contemplados antes porque não existia um orgão como a ONU e que a intenção dos Alemães era exterminá-los já no caso dos negros era pura exploração e ponto final. Refuta a ideia de ser vítima e que se sente melhor sabendo que os negros foram co-autores da prática escravocrata.

  4. Sinceramente, li o texto com atenção. Um apanhado sobre a escravidão antiga, a moderna; escravidão entre africanos; escravidão de europeus por norte-africanos. Tudo bastante correto. Foi dito que, atualmente, tem-se utilizado de alguns desses argumentos para minimizar a influência da escravidão africana na formação das sociedades americanas contemporâneas. Se isto for verdade, aos que assim argumentam, dedico o meu mais profundo desprezo. Só que não localizei, ao longo do texto, o parágrafo em que o autor se dedica a esclarecer como se dá concretamente essa influência nos dias atuais.

  5. Vitor Hugo

    Caro Rogerio Beier, a título de contribuição, talvez fosse interessante também salientar o caráter mercantil da própria atividade escravagista em si, que rendia lucros tanto aos traficantes como à coroa portuguesa, em forma de taxações e tributos, o que confere ainda mais um fator que alavancou essa atividade durante o período colonial.

    • Caro Vitor,

      Obrigado pela contribuição, eu tinha preparado um texto maior onde eu tocava no assunto, bem como chegava descrevia os efeitos do passado colonial escravista na atual sociedade brasileira, mas acabei cortando da versão que publiquei, pois o texto já estava grande. De qualquer modo, agradeço uma vez mais pelo aporte, pois pretendo retornar ao tema logo mais, quando poderei falar com mais vagar sobre os lucros do tráfico negreiro.

      Um abraço,

      RB

  6. Carlos penna Rey

    Concordo inteiramente com o texto embora o assunto mereça maisabrangencia nos bancoa escolares, sou professor de historia e muito meme preucupa o pouco espaço para tema tao relevante, embora o texto seja direto e esclarecedor muitos se negao a enxergar algo tao claro como e diferença entre as escradvidoes em nossa historia. parabens pelo belo texto

    • Obrigado Professor Carlos, sempre bom ter um comentário positivo no meio de tantos haters.

      Abraço,

      RB

      • EDU

        Rogério. Desculpe, mas me parece que quem discorda das suas opiniões são HATERS. SE é isto, faça o seguinte: Ponha um aviso que os textos que vc publica só devem comentar aqueles que concordem ou queiram emendar as suas colocações a luz da sua linha de raciocínio.

      • Caro Edu,

        Não estou falando de você, camarada. Os comentários que são publicados estão OK. O problema é a porção de xingamentos que recebo e que são moderados. São a esses haters a que me referia. Não vista uma carapuça que não é tua.

        Att.

        RB

      • Em tempo: não acho que você esteja em condição de me dizer o que eu devo fazer com meu blog. Lamento que você tenha pensado que minha mensagem foi direcionada a você ou a outros que comentam e são publicados aqui, mas não foram. Aliás, vocês sequer passaram pela minha cabeça, como de costume. Saiba que diariamente recebo mensagens ofendendo minha mãe, minha família, minha aparência e, até mesmo, em algumas ocasiões, ameaças de agressão física. Essas foram as pessoas a que me referi.

        Att.

        RB

      • EDU

        OK, mas como vc não contextualizou ( existe este verbo?), ficou vago e dirigido a qualquer um que discorde. Assunto encerrado.

      • Acho que não, pois se assim o fosse, eu moderaria todos os comentários e não publicaria os discordantes por aqui, você não acha?

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