Arquivo do mês: maio 2020

Salvem a comunicação educativa e a cinemateca brasileira

CARTA ABERTA AO SENHOR MARCELO ÁLVARO ANTÔNIO, Ministro do Turismo;

E à SENHORA REGINA BLOIS DUARTE, secretária especial de cultura do Ministério do Turismo;

C/c ao Sr. FRANCISCO CÂMPERA, presidente da ACERP

C/c ao Sr. ÉRICO DA SILVEIRA, presidente do Conselho de Administração da ACERP

Nós, trabalhadores da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto – ACERP, através de nossos sindicatos, vimos através desta, solicitar a imediata resolução deste grave imbróglio, que, mais do que nossas famílias, atinge diretamente os arquivos históricos da cultura nacional e o desenvolvimento da educação em nosso país.

Como é de conhecimento público, o contrato de gestão da TV Escola, firmado entre o Ministério da Educação e a ACERP foi rescindido unilateralmente pelo Ministério, sem qualquer precedente desde a criação do canal. Esse rompimento acarretou na suspensão da entrada de verba para a gestão, não obstante as atividades da TV Escola terem sido mantidas. Igualmente importante é o contrato de gestão da Cinemateca Brasileira, aditivo do contrato de gestão da TV Escola, também afetado pela referida rescisão. Até o presente momento, o Governo Federal não realizou o repasse à Acerp de cerca de 12 milhões de reais referentes à gestão da Cinemateca no ano de 2019. Esse repasse deveria ter sido feito ano passado.

A direção da ACERP tem nos pedido paciência na promessa de que tudo se resolverá através de um novo contrato firmado com a Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, entretanto, já se passaram quase 6 meses e o pior aconteceu: colegas de trabalho que ousaram cobrar e questionar foram demitidos, salários, serviços e demais benefícios deixaram de ser pagos e, em meio a pandemia que assola nosso país, podemos ficar sem plano de saúde. Os trabalhadores e prestadores de serviço seguem desempenhando suas funções sem receber para tanto. Sem falar no risco de outros tantos trabalhadores de empresas que dependem da Acerp de perderem seus empregos e serem colocados na mesma situação.

Mas, para além de nossos problemas pessoais, gostaríamos de compreender qual objeção teria um governo com um projeto de comunicação educativa e com a preservação de nosso patrimônio cultural?

A ACERP tem sob seu guarda-chuva projetos da maior relevância para a cultura e a educação brasileiras – a TV Escola, a TV INES e a Cinemateca Brasileira.

A TV Escola tem 25 anos de relevantes e reconhecidos serviços prestados à educação. Ela faz parte da Associação de Televisão Latinoamericana e recebeu, ao longo desse tempo, prestigiosos prêmios no Brasil e no exterior. Além dos programas que transmite, gera conteúdo para ações educativas nas redes sociais. A TV Escola é a herdeira e continuadora do sonho centenário do grande educador Edgard Roquette-Pinto e produz ferramentas importantes para a formação de alunos, professores e profissionais da educação. Importância esta reconhecida pelos próprios técnicos do Ministério da Educação, quando no ano passado atribuíram nota 9,7 de média para a TV e deram, por escrito, o aval para a renovação do contrato com o Ministério, o que foi ignorado pelo atual titular da pasta. A atitude de cortar unilateralmente o contrato, inclusive ignorando cláusula contratual de aviso prévio, sacramentou a falência da instituição e condenou centenas de famílias a ficarem sem seu sustento.

A TV INES é a primeira webTV em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com legendas e locução  – o que a torna única na proposta de integrar os públicos surdo e ouvinte numa grade de programação bilíngue, já que Libras não é a simples gestualização da língua portuguesa e tem gramática, sintaxe e léxico próprios.

Já a criação da Cinemateca Brasileira remonta ao Clube de Cinema de São Paulo, da década de 1940. Nos seus mais de 70 anos de lutas por aprimoramento e reconhecimento, foi dirigida por Paulo Emílio Sales Gomes, seu principal fundador e defensor até os anos 1970. Vinculada à Secretaria do Audiovisual em 2003, o descaso do próprio Governo Federal em 2013 trouxe impactos diretos, ocasionando o quarto incêndio de sua história, em 2016. Reconhecida internacionalmente, a Cinemateca abriga e preserva um patrimônio audiovisual imprescindível para a compreensão da nossa cultura e história dos últimos 120 anos. E que sobrevive para a sociedade brasileira, e para o mundo, graças a um quadro de trabalhadores já bastante reduzido, mas com inquestionável expertise voltada para a própria instituição. A não renovação do Contrato de Gestão implicará tanto a descontinuidade desses profissionais, como dos serviços essenciais de manutenção, segurança, limpeza e brigadista; corte de energia e prejuízos irreversíveis para o acervo e equipamentos, ocasionando a interrupção imediata das atividades da Cinemateca.

Somos profissionais – contratados por regime CLT e contratos de prestação de serviços – e compreendemos a importância do nosso trabalho para a efetiva cidadania brasileira. O que explica, inclusive, o nosso compromisso e esforço em manter a TV Escola e a Cinemateca funcionando nos últimos dois meses, mesmo com os pagamentos atrasados. A TV INES, embora esteja com os salários em dia, também corre grave risco de extinção se a ACERP acabar.  Trabalhamos para uma Organização Social sem fins lucrativos, fundada em 1995, com uma missão inconteste: promover a inclusão na educação e cultura brasileira e gerar valor agregado para a sociedade. Pelo que lhes é intrínseco, a TV Escola,a TV INES  e a Cinemateca Brasileira nunca tiveram sua relevância questionada por qualquer governo. Como pode o Governo Federal ignorar algo tão relevante?

Vale ressaltar, que ao suscitar rescindir contratos ou dar calote na ACERP, o Governo também joga fora todo o patrimônio, tangível e intangível, construído até aqui, em mais de décadas, com dinheiro público.

Dito tudo isto, apelamos para que os contratos sejam imediatamente regularizados, trabalhadores readmitidos, salários e benefícios postos em dia e que assim possamos voltar a construir inclusão em nosso país.

Atenciosamente,

Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e TV do Rio de Janeiro

Sindicato dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Federação Nacional dos Radialistas – FITERT

Central Única dos Trabalhadores – CUT

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Zumbi e a luta contra a distorção da verdade no século XXI

por Jaime Rodrigues – publicado originalmente em 14 mai. 2020

Escrever sobre o passado é um ofício e requer um método que possa ser checado pelos outros que exercem o mesmo ofício. O atual governo federal não reconhece isso. Considera opiniões distorcidas e violência verbal e física como métodos de escrita da História. Por isso, os historiadores de ofício e os aliados desse governo estão em campos opostos. No site da Fundação Palmares, há uma chamada para “A verdade sobre Zumbi dos Palmares”. Nela, lemos o título “Zumbi foi um herói?” e um artigo intitulado “A narrativa mítica de Zumbi dos Palmares”. Títulos devem se referir ao conteúdo do texto que se segue, mas há quem não faça assim por querer ofuscar suas próprias más intenções.

Faz mais de um século que historiadores não se preocupam com “a verdade”. Não me entendam mal. Não me refiro à verdade como antônimo de mentira. Historiadores não advogam mentiras. Quem faz assim são os fascistas. Historiadores não se preocupam com “a verdade” no singular, por saberem que o passado não pode ser acessado de uma única perspectiva, como se todos os sujeitos históricos tivessem o mesmo envolvimento e a mesma perspectiva em relação aos acontecimentos do passado. Os sujeitos não atuaram sempre nas mesmas trincheiras, e isso é parte crucial do movimento da História e das transformações na vida social. Palmares é a expressão disso na história da exploração dos trabalhadores.

Aproximações absurdas entre autores não equivalentes não fazem parte do método do historiador. Lévi-Strauss e um certo Carvalho não dizem a mesma coisa nem são complementares. A tentativa tosca de aproximá-los distorce a realidade, o que é paradoxal para que advoga a existência da verdade única. A verdade única que querem nos fazer engolir só pode ser uma distorção.

Palmares não existiu a partir de um simples desejo e suas lideranças não eram voluntaristas como autores de textos que destroem a verdade. Desde a Restauração portuguesa, em 1640, episódios ocorridos nos domínios coloniais levaram a Coroa a tentar impor sua autoridade sobre os súditos, usando de determinação e força, mas evitando estimular o ódio. Uma monarquia absolutista como a lusitana tinha compreensão política disso: não é bom estimular o ódio dos súditos se a intenção for construir governabilidade e alianças.

A intenção da Coroa parecia ser a centralização do poder, diminuindo as autonomias locais e ampliando o alcance das intervenções da metrópole. Houve reações a isso por parte de câmaras municipais, proprietários de terra, negociantes e gente da Igreja, por exemplo, mesmo que todos acreditassem que os súditos tinham de obedecer ao rei e este deveria administrar a justiça aos povos. Cabia ao rei respeitar os usos e costumes, o direito natural e as regras tradicionais. Caso contrário, a rebelião estaria legitimada. Sigo até aqui o historiador Luciano Figueiredo.

O que foi dito acima permite compreender parte da dinâmica imperial portuguesa e as relações entre súditos/colonos brancos e as autoridades da colônia e do Reino. Mas as contestações à ordem no mundo colonial não se restringiam a isso. Palmares é o maior exemplo de contestação abrangendo sujeitos históricos excluídos do respeito e do amor do rei aos seus súditos. Refiro-me, é claro, aos escravizados, nascidos na África ou na América portuguesa. Sem entender a escravidão, seus significados e decorrências, não entendemos a História do Brasil.

Palmares é um emblema. É também um processo histórico de múltiplos significados. Quem não entende isso não compreende o movimento da História e o ofício do historiador. Há visões diversas e não necessariamente opostas sobre Palmares na historiografia e na militância negra, e é salutar que seja assim. Nada diminui o fato de que o quilombo existiu por cerca de 100 anos, enfrentando inimigos poderosos como os invasores flamengos, os donos de terras, as autoridades coloniais da capitania de Pernambuco, as inúmeras expedições militares enviadas para destruí-los e as divisões internas no próprio quilombo. Os palmarinos foram habilidosos na construção de seu Estado, articulando o poder político interno às alianças externas, inclusive com índios e brancos, para sobreviver, construir e manter seus próprios modos de vida.

Os historiadores refletem sobre os significados de Palmares desde o início do século XVIII, quando o quilombo tinha sido recém destruído. Rocha Pita, em 1724, escreveu uma história de Palmares na qual o principal personagem era o governador de Pernambuco que derrotou os quilombolas. Ao longo do século XIX, a vitória sobre Palmares tornou-se um símbolo usado pelo governo imperial escravista para glorificar a unidade territorial do Brasil. A historiadora Silvia Lara faz uma pergunta fundamental: por que Palmares foi trazido para o campo de História e não o do esquecimento? Porque o perigo representado por Palmares e sua memória continuou a se fazer sentir no Brasil escravista e parecia igual ou maior do que o perigo da invasão holandesa no século XVII, e poderia diluir a ideia-força da unidade territorial da colônia e do Império brasileiro que herdara essa “unidade”. Palmares foi vitorioso e vive até hoje como emblema porque o racismo, a perseguição, a falta de acesso à terra pelos trabalhadores e a desigualdade permanecem. É essa a vitória de Zumbi e o motivo de ele ser tão incômodo para os fascistas de hoje: ser lembrado séculos depois da sua morte como um defensor da liberdade, para os afro-brasileiros e para todos os que estão na trincheira da luta por direitos iguais para todos.

No século XX, Palmares continuou em pauta e, como todos os acontecimentos do passado, foi revisitado a partir de novas perguntas postas pelo tempo presente. A militância negra e a luta pela liberdade tinham em Palmares um emblema e em Zumbi um herói porque a população afro-brasileira continuava a enfrentar o racismo e a desigualdade. Zumbi lutou pela liberdade dos palmarinos como uma liderança em seu tempo e espaço. Ele tornou-se também o emblema da luta contra o racismo e pela liberdade não apenas dos afro-brasileiros, mas também na luta contra a ditadura civil-militar. Agora Zumbi permanece como um emblema da luta pela liberdade para todos os brasileiros que se opõem ao fascismo e à distorção da verdade no século XXI.


Há muitos bons textos discutindo Palmares e suas lideranças, nenhum deles abrigado no site da Fundação Palmares atualmente. Sugiro alguns títulos:

GOMES, Flávio dos Santos. De olho em Zumbi dos Palmares: histórias, símbolos e memória social. São Paulo: Claro Enigma, 2011.

MOURA, Clóvis. Dicionário da escravidão negra no Brasil. São Paulo: Edusp, 2004.

REIS, João José & GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1996.

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie faz um alerta poderoso sobre o perigo da história única. Devemos ouvi-la: https://www.youtube.com/watch?v=EC-bh1YARsc

#13demaio #abusosdahistória


Jaime Rodrigues é professor de História do Brasil e do programa de Pós-Graduação em História da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo.

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A “aula de política” Anitta-Priolli e o desmonte do sistema de educação pública

Anitta promoveu aula de política básica com Gabriela Prioli nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram @anitta)
Foto: Reprodução/Instagram @anitta

Quando o antibolsonarismo passou a dar likes, inscritos e views, passou-se a observar uma inundação cotidiana de Nettos, Priollis, Anittas e que tais no campo dito progressista. Devemos usá-los como instrumentos para a consecução dos nossos objetivos? Devemos rechaçá-los? Devemos marchar ao lado deles na luta antifascista e civilizatória? As respostas à essas perguntas são difíceis e cada um tem a sua. Não vou e nem quero entrar no mérito dessas questões. No entanto, de uma coisa eu estou certo: não aceito, de forma alguma, que comparem a minha competência e profissionalismo no ensino de História com a Gabriela Priolli. Sobretudo se isso vier de gente que jamais entrou ou sequer tem a mínima ideia do que é dar aulas na rede pública de ensino no Brasil.

Isto posto, vamos direto a algumas considerações sobre a live da Anitta com a Gabriela Priolli. Uma das coisas que muito me intrigou na repercussão dessa transmissão foi notar a quantidade de pessoas que, sem pestanejar, logo jogou a culpa da ignorância da funkeira nas costas do sistema público de educação e, em decorrência disso, dos professores. Ora, imaginar que um brasileiro qualquer tenha passado todo o ensino fundamental e médio entre 2000 e 2013 (eras FHC-Lula) sem ter acesso a conteúdos de como se organiza a República, seus poderes, a função de cada instituição e de seus agentes, dentre outras coisas é, no mínimo, uma grande besteira. Então como explicar a ignorância de Anitta que, na live, representava milhões de pessoas que passaram pelo ensino público e se encontram na mesma situação que ela? Bom, ela mesmo respondeu a essa pergunta ao afirmar que naquela época ela achava tudo isso muito chato; que ela não tinha interesse algum nessas discussões e que estava preocupada com outros assuntos da adolescência, etc. etc. etc.

Nós, professores, vivenciamos isso cotidianamente ao enfrentar cara a cara o desinteresse generalizado dos alunos por praticamente tudo aquilo que os cercam e que faz parte da vida adulta. Ainda assim, nos esforçamos para produzir aulas cada vez mais atrativas, com conteúdos mais adaptados ao grupo de estudantes com os quais estamos trabalhando, com métodos novos (usando músicas, computadores, tablets, internet, YouTube, debates, visitas às instituições, cobertura das eleições, montagem e participações em grêmios estudantis, etc.). No entanto, nada disso garante que os alunos irão reter esse conteúdo até a idade adulta. Tudo vai depender do interesse deles. Sempre.

No caso em questão, a Gabriela Priolli pegou uma Anitta interessada, curiosa e disposta para [re]aprender o conteúdo que ela já havia visto na escola. Seria curioso ver todo o “didatismo” de Priolli em diversas salas de aula repletas de alunos dos oitavos anos durante um ano seguido. Digo mais. Seria bem interessante ver se todos esses alunos que tivessem acesso ao conteúdo de sua aula se lembrariam de algo depois de dez anos. Na verdade, penso que mesmo se considerarmos a aula dada para a Anitta durante a live, se alguém tivesse feito um teste para avaliar o quanto a interessada aluna reteve do conteúdo abordado por Priolli, é bem possível que os resultados surpreendessem negativamente.

Portanto, camaradas da esquerda dita progressista, não desprestigiem o trabalho de todos os professores da rede pública [e do próprio sistema de ensino público] tomando por base o desinteresse pessoal dos alunos durante a infância/adolescência e a incapacidade de muitas pessoas em reter/recuperar conteúdos que lhes foram ministrados durante o processo de aprendizagem formal nas escolas. Ainda que tenhamos boa vontade e consideremos um bom exemplo a Anitta promover uma live para correr atrás do tempo perdido reconhecendo, humildemente, o seu desinteresse e a sua falha em dominar esse conhecimento aos 27 anos de idade, não vejo nada de positivo no resumão mal-acabado da Gabriela Priolli. Tampouco vejo nesse movimento Anitta-Priolli um modelo a ser seguido. Não é! Ao contrário. Penso que a esquerda devia estar chamando atenção para investimentos na educação pública, gratuita e de qualidade, bem como na formação de professores e em planos de carreira cada vez mais compensadores para aqueles que optassem por dedicar suas vidas profissionais à docência na rede pública.

Que fique claro, a questão aqui não é atacar a Anitta ou a Priolli, mas sim refletir acerca do “modelo de ensino-aprendizagem” que elas estão chancelando com essa live. Toda discussão sobre a “aula da Anitta” que tenho visto repercutir nos blogs, canais e perfis de gente ligada à esquerda, por incrível que pareça, acaba por desvalorizar o trabalho feito diariamente pelos professores dentro dos equipamentos de ensino público. Nesse sentido, algumas questões implícitas na live e nos diversos vídeos e textos que a repercutiu foram:

  1. Pra quê perder tempo e recursos públicos com professores e com a manutenção de um sistema público de educação se, quando for necessário, todos poderão recorrer à tecnologia para buscar aprender tudo o que precisam através de uma live, seja quem for a Gabriela Priolli da vez?
  2. Pra quê investir em professores e carreiras docentes quando você pode ter uma “cabeça falante” dispensando conteúdos mínimos sobre qualquer assunto?
  3. Por que não acabar com toda essa estrutura educacional, alfabetizar as crianças e ensinar as quatro operações em casa mesmo? O resto elas podem muito bem aprender quando sentirem/tiverem a necessidade. Daí elas recorrem à um totem da Gabriela Priolli ou similar.

O que estamos tentando fazer aqui, portanto, é chamar a atenção para um modelo educacional que se pretende nos fazer engolir. Já que o sistema público de educação não funciona com esses professores mal preparados, então vamos acabar com essa estrutura e investir pesado em EAD. A nosso ver, essa é a mensagem perigosa por trás da “aula com Anitta”. É esse modelo que estamos atacando.

Por fim, não se deve esquecer que por trás disso tudo há, sim, o interesse no aumento do número de views, inscrições, likes e compartilhamentos. Aproveitando a tendência crescente de “malhar o judas da vez”, também conhecido como Bolsonaro, a Anitta é só mais uma celebridade a fazer um vídeo se arrependendo de omissões e buscando afastar sua imagem da indiferença política e da direita bolsonarista. Não há como afirmar se ela está sendo sincera, mas sua atitude deverá, seguramente, manter ou aumentar o número de seguidores. Agindo dessa forma ela consegue, a um só tempo, se posicionar politicamente sem causar muito alarde e aumentar sua influência nas mídias sociais. No fim, parece ser disso que se trata toda essa onda que está trazendo antigos desafetos da esquerda para o campo progressista. O que fazer com isso, como disse no começo desse post, é outra questão.

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