Arquivo da categoria: Arte

O NÓ: ato humano deliberado

Documentário por Dilson Araújo
70 minutos – 2012

A introdução criminosa da doença vassoura-de-bruxa nas plantações de cacau do sul da Bahia e o fracasso da intervenção do Governo brasileiro através do Programa de Recuperação da Lavoura ocasionaram um desastre socioeconômico e ecológico sem precedentes, que inviabilizou mais de seiscentos mil hectares da cultura, destruindo as vidas e os sonhos de milhares de famílias de trabalhadores rurais, cacauicultores e comerciantes. O evento extinguiu 250.000 postos de trabalho, provocou o êxodo de aproximadamente 800.000 homens, mulheres e crianças que moravam nas fazendas e ainda quebrou a economia de quase cem municípios. As conseqüências da catástrofe continuam repercutindo desde 1989 e afetam uma importante zona biogeográfica, onde vivem quase três milhões de pessoas. Esse filmem de Dilson Araújo, aborda o fato a partir das evidências e dos argumentos contidos nos relatos dos depoentes e em documentos oficiais.

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Cinema, Documentários, Economia, Política, Sem categoria

[D.A.N.O.] Winter notes on summer impressions

Dupla_Dano

Winter notes on summer impressions, primeiro álbum da dupla D.A.N.O.

Acaba de sair do forno (08.nov) o primeiro álbum da dupla hardcore D.A.N.O. O duo é composto por Daniel Mafra (guitarra e vocal) e Leandro Nô (bateria).

Com influências de Bad Religion, Pennywise, Social Distortion e, claro, Ramones, o D.A.N.O. tem como proposta e desafio fazer um som rápido, agressivo e melódico ao mesmo tempo, abordando em suas letras diversas temáticas, como o retrato social atual, a formação dos padrões estabelecidos pela estrutura de poder da sociedade (capitalista) contemporânea, os questionamentos acerca da existência humana etc.

O primeiro álbum, Winter notes on summer impressions, tem seu título inspirado em um pequeno livro de ensaios do russo Fiódor Dostoiévsky. Publicado originalmente na edição de fevereiro de 1863 de Vremya (periódico editado pelo autor), o livro traz as impressões de Dostoiévsky em sua primeira excursão pela Europa Ocidental, na qual buscava ver, em primeira mão, a fonte das ideias que acreditava estar corrompendo a Rússia da década de 1860. No Brasil, ganhou uma edição recente da Editora 34, que publicou-o juntamente com o conto O Crocodilo em tradução direto do russo por Boris Schnaiderman.

Em entrevista publicada no site Punknet, Leandro Nô, ex-baterista do Dead Fish, comentou sobre sua decisão de formar a dupla e, também, sobre o lançamento do primeiro álbum:

Já faz 4 anos desde que saí do DF, banda que me completava musicalmente. Nunca fui de ter várias bandas. Decidi que só me envolveria em algo em que eu realmente acreditasse e que valesse a pena. Pois é, demorou, mas isso aconteceu. As coisas no Brasil não acontecem da noite pro dia, principalmente coisas boas… Demorou, mas saiu o disco do D.A.N.O, projeto no qual acredito e apliquei anos de bateria e conhecimento. Não faço nada pra agradar ninguém além de mim, musicalmente falando. E não foi diferente nesse disco. O que vocês vão ouvir é o meu melhor “baterísticamente” falando. Mais pressão do que o Contra Todos do DF. Se quiserem conferir, ouçam o disco! HC de primeira, pra quem gosta, e pra resgatar o “sentimento” perdido no meio dessa cena ridícula na qual nos encontramos. A gente faz porque ama, não porque é moda”.

Já Daniel Mafra, antes de ter assumido a guitarra e vocal do D.A.N.O., formou-se em História pela Universidade de São Paulo, onde nos conhecemos e fomos companheiros em diversas disciplinas e copos de cerveja. Sem sombra de dúvida, muito do que leu, estudou e compartilhou com os colegas durante os anos de faculdade, o influenciam na hora de compor as letras de suas canções, como em Power of Barricades ou The Darkest Side of Economic Crisis, que transcrevo abaixo:

DANO_Power of BarricadesThe Darkest Side of the Economic Crisis 

They load a gun and point it to your head

The one thing you don’t know is that you’re already dead

They instigate the worst that it’s inside

A state of rage based on xenophobia

Bring on the wage squeeze

More taxes over me

Some of conservatism

And the policy…

Of “public hygiene”

That’s how they work to clean (out)

Those who apparently

are not fit in dominant class

 That’s the darkest side of the economic crisis

Sobre o álbum, Daniel afirma que trata-se da …

“materialização de um diálogo híbrido que trafegava entre as percepções sensíveis de um passado remoto e a maturidade da análise no presente. Idéias, ideais, interpretações, aforismos, angústias, anseios, todos unidos num amálgama veloz e feroz; artisticamente perfeito, perfeitamente artístico”.

Para conhecer mais, visite a página da dupla D.A.N.O. no facebook. Já para ouvir as músicas de Winter Notes on Summer Impressions, clique aqui.

1 comentário

Arquivado em Arte, Música

LIBERDADE e democracia?

Quino_Estátua_Liberdade

Charge: Quino

Diante de uma nova invasão estadunidense à Síria, vi uma postagem que está circulando nas redes sociais e que gostaria de publicar aqui no Hum Historiador também.

Trata-se de uma relação dos países que foram bombardeados pelos Estados Unidos com o pretexto de estabelecer a democracia, desde o final da Segunda Guerra Mundial até os recentes bombardeios à Líbia.

Abaixo a lista dos países, junto com o período em que foram bombardeados pelos Estados Unidos, comprovando que, não importa quem esteja ocupando a Casa Branca, a política armamentista e militar deve ser mantida.

  • China 1945-1946
  • Korea 1950-1953
  • China 1950-1953
  • Guatemala 1954
  • Indonésia 1958
  • Cuba 1959-1960
  • Guatemala 1960
  • Congo Belga 1964
  • Guatemala 1964
  • República Dominicana 1965-1966
  • Peru 1965
  • Laos 1964-1973
  • Vietnã 1961-1973
  • Camboja 1969-1970
  • Guatemala 1967-1969
  • Líbano 1982-1984
  • Granada 1983-1984
  • Líbia 1986
  • El Salvador 1981-1992
  • Nicarágua 1981-1990
  • Irã 1987-1988
  • Líbia 1989
  • Panamá 1989-1990
  • Iraq 1991
  • Kuwait 1991
  • Somália 1992-1994
  • Bósnia 1995
  • Irã, 1998
  • Sudão, 1998
  • Afeganistão, 1998
  • Sérvia 1999
  • Afeganistão, 2001
  • Iraq in 2003
  • Líbia 2011

Em meio ao iminente bombardeio da Síria, vale lembrar as óbvias palavras do presidente uruguaio José Pepe Mujica, divulgadas no portal Opera Mundi nesse último sábado (07).

“ÚNICO BOMBARDEIO ADMISSÍVEL SERIA DE LEITE EM PÓ E BISCOITOS”
por Opera Mundi | publicado originalmente em 07/09/2013

É impossível cessar uma guerra com mais guerra, disse o presidente uruguaio sobre possibilidade de intervenção militar

O presidente uruguaio defende que uma ação militar não é o melhor caminho para solucionar o conflito civil no país. “Isso seria tentar apagar uma fogueira colocando mais combustível”, argumenta em referência ao plano norte-americano de intervenção. “A guerra não se resolve introduzindo mais guerra. Isso leva a situação para um caminho de conflitos intermináveis que promove um profundo ressentimento que vai transformar em luta e resistência “aqui e ali”, reitera em entrevista a uma emissora local do Uruguai.

José “Pepe” Mujica, presidente do Uruguai. Foto: Agência Efe

Citado pela imprensa espanhola neste sábado (07/09), o presidente uruguaio fez referências na história contemporânea para argumentar os impactos negativos da guerra. “Cada uma das tentativas nos últimos 30 anos de impor a democracia ocidental – da forma como conhecemos –, na Ásia ou no mundo Árabe, teve o resultado semelhante de sacrifício e dor”, analisou ao El Pais.

Na contramão de Mujica, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu hoje (7) aos membros do Congresso que não fechem os olhos ao uso de armas químicas na Síria. “Nós somos os Estados Unidos. Não podemos ficar cegos diante das imagens da Síria. É por isso que peço aos membros do Congresso, dos dois partidos, que se unam e ajam para promover o mundo onde nós queremos viver, o mundo que queremos deixar aos nossos filhos e às futuras gerações”, disse Obama, que procura o apoio do Congresso para ataques militares à Síria. O presidente falou à população em um programa semanal de rádio.

O Congresso norte-americano deve começar, na segunda-feira (9), a debater os ataques defendidos por Barack Obama como reação ao uso de armas químicas no dia 21 de agosto, nos arredores de Damasco, capital síria, pelo qual responsabiliza o regime do presidente Bashar Al Assad.

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Política

ROGER Waters divulga carta aberta em que pede boicote a Israel

Roger WatersRoger Waters, ex-integrante da banda Pink Floyd, publica carta aberta em sua conta do Facebook para pedir a seus colegas do rock que se juntem a ele e outros milhares de artistas ao redor do mundo em um boicote cultural a Israel.

Embora seja datado de 19 de agosto, o pedido foi feito no começo do ano, mas Waters havia dado entrevistas dizendo estar reconsiderando a ideia. A carta que divulgou agora, havia sido reescrita em julho, mas só foi revelada agora.

Waters afirmou que sua decisão foi tomada depois que o virtuoso violinista britânico Nigel Kennedy chamou Israel de um “Estado de Apartheid”, durante um show no famoso Albert Hall, em Londres.

Conforme noticiado por O Globo, crítico ferrenho do governo israelense, Waters chegou a acusar o país de promover um motim. Membro do Tribunal Russell para a Palestina, organização que se diz motivada a levar justiça ao Oriente Médio, Waters defende que a ocupação e os assentamentos em territórios palestinos são obstáculos para a paz. Durante sua turnê do The Wall no Brasil, Waters afirmou que Israel faz terrorismo de Estado.

Para Waters, o cancelamento de um show de Stevie Wonder para a organização Amigos das Forças de Segurança de Israel pode ser encarado como um caso de boicote bem sucedido. Wonder desistiu de participação do evento de arrecadação de fundos após sofrer pressões.

ÍNTEGRA DA CARTA ABERTA DE ROGER WATERS DIVULGADA NO FACEBOOK (EM INGLÊS)

A note from Roger Waters – August 18, 2013
19 de agosto de 2013 às 06:35

18th August 2013 Warsaw

To My Colleagues in Rock and Roll

Nigel Kennedy the virtuoso British violinist and violist, at The Recent Promenade Concerts at The Albert Hall in London, mentioned that Israel is apartheid. Nothing unusual there you might think, then one Baroness Deech, (Nee Fraenkel) disputed the fact that Israel is an apartheid state and prevailed upon the BBC to censor Kennedy’s performance by removing his statement. Baroness Deech produced not one shred of evidence to support her claim and yet the BBC, non political, supposedly, acting solely on Baroness Deech’s say so, suddenly went all 1984 on us.  Well!! Time to stick my head above the parapet again, alongside my brother, Nigel Kennedy, where it belongs.  And by the way, Nigel, great respect man. So here follows a letter last re-drafted in July

25th July 2013

To My Colleagues in Rock and Roll.

In the wake of the tragic shooting to death of un-armed teenager Travon Martin and the acquittal of his killer Zimmerman, yesterday, Stevie Wonder spoke at a gig declaring that he will not perform in the State of Florida until that State repeals it’s “Stand your ground” Law. In effect he has declared a boycott on grounds of conscience. I applaud his position, and stand with him, it has brought back to me a statement I made in a letter I wrote last February 14th, to which I have referred but have never published.

The time has come, so here it is.

This letter has been simmering on the back burner of my conscience and consciousness for some time.

It is seven years since I joined BDS (Boycott Divestment and Sanctions) a non violent movement to oppose Israel’s occupation of the West Bank ,and ,violations of international law and Palestinian human rights. The aim of BDS is to bring international attention to these Israeli policies, and hopefully, to help bring them to an end. All the people of the region deserve better than this.

To cut to the chase, Israel has been found guilty, independently, by international human rights organizations, UN officials, and the International Court of Justice, , of serious breaches of international law.  These include, and I will name only two:

1.The Crime of Apartheid:

The systematic oppression of one ethnic group by another.

On 9 March 2012, for instance, the UN Committee on the Elimination of Racial Discrimination called (http://www2.ohchr.org/english/bodies/cerd/docs/CERD.C.ISR.CO.14-16.pdf) on Israel to end its racist policies and laws that contravene the prohibition against racial segregation and apartheid.

2.The Crime of Ethnic Cleansing:

The forcible removable of indigenous peoples from their rightful land in order to settle an occupying population. For example, in East Jerusalem non Jewish families are routinely physically evicted from their homes to make way for Jewish occupants.

There are others.

Given the inability or unwillingness of our governments, or the United Nations Security Council to put pressure on Israel to cease these violations, and make reparations to the victims, it falls to civil society and conscientious citizens of the world, , to dust off our consciences, shoulder our responsibilities, and act. I write to you now, my brothers and sisters in the family of Rock and Roll, to ask you to join with me, and thousands of other artists around the world, to declare a cultural boycott on Israel, to shed light on these problems and also to support all our brothers and sisters in Palestine and Israel who are struggling to end all forms of Israeli oppression and who wish to live in peace, justice, equality and freedom.

I am writing to you all now because of two recent events.

  1. Stevie Wonder.

Word came to me, the first week of last December that Stevie Wonder had been booked to headline at a gala dinner for the Friends of The Israeli Defence Force in LA on 6th December 2012. An event to raise money for the Israeli armed forces, as if the $4.3,000,000,000 that we the US tax payers give them each year were not enough? This came right after The Israeli defence Force  had concluded yet another war on Gaza, (Operation Pillar of Defence), according to human rights watch, committing  war crimes against the besieged 1.6 million Palestinians there.

Anyway, I wrote to Stevie to try to persuade him to cancel.  My letter ran along these lines, “Would you have felt OK performing at the Policeman’s Ball in Johannesburg the night after the Sharpeville massacre in 1960 or in Birmingham Alabama, to raise money for the Law Enforcement officers, who clubbed, tear gassed and water cannoned those children trying to integrate in 1963?”

Archbishop Desmond Tutu also wrote an impassioned plea to Stevie, and  3,000 others appended their names to a change .org petition. Stevie, to his great credit, cancelled!

2.    Earlier that week I delivered a speech at The United Nations. If you are interested you can find this speech on YouTube.

The interesting thing about these two stories is that there was NOT ONE mention of either story in the mainstream media in the United States.

The clear inference would be that the media in the USA is not interested in the predicament of the Palestinian people, or for that matter the predicament of the Israeli people,. We can only hope they may become interested as they eventually did in the politics of apartheid South Africa.

Back in the days of Apartheid South Africa at first it was a trickle of artists that refused to play there, a trickle, that exercised a cultural boycott, then it became a stream, then a river then a torrent and then a flood, ( Remember Steve van Zant, Bruce and all the others? “We will not Play in Sun City?”) Why? Because, like the UN and the International Courts of Justice they understood that Apartheid is wrong.

The sports community joined the battle, no one would go and play cricket or rugby in South Africa , and eventually the political community joined in as well. We all as a global, musical, sporting and political community raised our voices as one and the apartheid regime in South Africa fell.

Maybe we are at the tipping point now with Israel and Palestine. These are good people both and they deserve a just solution to their predicament. Each and every one of them deserves freedom, justice and equal rights. Just recently the ANC, the ruling party of South Africa, has endorsed BDS. We are nearly there. Please join me and all our brothers and sisters in global civil society in proclaiming our rejection of Apartheid in Israel and occupied Palestine, by pledging not to perform or exhibit in Israel or accept any award or funding from any institution linked to the government of Israel, until such time as Israel complies with international law and universal principles of human rights.

Roger Waters

Em breve o Hum Historiador traz uma tradução livre da Carta Aberta de Roger Waters.

2 Comentários

Arquivado em Arte, Música, Opinião, Política, Racismo

O documentário PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS acaba de ser lançado na íntegra no YouTube

É com grande prazer que o Hum Historiador anuncia o lançamento da íntegra do documentário PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS no YouTube para todos que quiserem acompanhar o trabalho que o Lucas Lespier, eu e uma equipe de grandes amigos realizamos para dar voz aos moradores da antiga comunidade do Pinheirinho, de São José dos Campos, que foi massacrada pela Polícia Militar de São Paulo à mando do governador Geraldo Alckmin.

O filme é de livre divulgação e gostaríamos muito que cada um pudesse ajudar a espalhá-lo para tornar a história das pessoas que foram desalojadas do Pinheirinho ainda mais conhecida.

SOBRE O FILME

Pinheirinho – um ano depois é um documentário que tem o objetivo de registrar como vivem as famílias que moravam na antiga comunidade do Pinheirinho um ano após a violenta reintegração de posse realizada pela Polícia Militar de São Paulo, em 22 de janeiro de 2012.

Através desse registro documental, queremos dar voz  às pessoas que viveram o trauma da desocupação para que contem suas histórias e relembrem à sociedade que elas seguem vivendo sob o risco de retornarem à condição de desabrigadas, além de permanecerem sem nenhuma perspectiva de solução definitiva para o seu problema de habitação após a desocupação.

Ilustração final do Pinheirinho um ano depois

Arte: Juliana Amoasei Reis

O filme tem como foco central os ex-moradores da comunidade do Pinheirinho e seus depoimentos de como tem sobrevivido desde que foram retirados de suas casas. No entanto, para darmos uma ideia mais aprofundada sobre o que ocorreu logo após a desocupação e quais as reais oportunidades de resolução definitiva do acesso à moradia adequada, também demos voz a outros atores que participaram ativamente de todo o processo de desocupação, como os políticos envolvidos nas negociações que antecederam a reintegração de posse, intelectuais e estudiosos da questão da habitação e moradia no Brasil, jornalistas que cobriram o caso, representantes de órgãos de proteção aos Direitos Humanos, líderes comunitários, advogados, juízes, defensoria pública, promotores de justiça.

BREVE HISTÓRICO DO DOCUMENTÁRIO PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS

Num domingo, às 6 horas da manhã, Alckmin manda a PM desocupar violentamente a comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos. Era o dia 22 de janeiro. Acompanhei as notícias estarrecido pela Internet, jornal e televisão. No mesmo dia estava na Avenida Paulista me manifestando contra esse ato criminoso realizado contra cidadãos que lutam pelo direito de uma moradia adequada.

Os dias foram se passando e eu ia registrando no blog todas as atividades que participei no decorrer daquele mês logo após a desocupação do Pinheirinho (ver histórico abaixo). O amigo Lucas Lespier já tinha uma ideia de fazer um documentário, ao ver meus relatos no blog, me chamou para conversarmos e ver se eu topava fazer parte de um projeto para documentar a história daquelas pessoas. Daí por diante, foram várias reuniões para decidirmos qual linha seguiria o filme e como o realizaríamos. A ideia principal era que o filme não seria sobre o que ocorreu no Pinheirinho, mas sobre as pessoas que foram desocupadas e ainda sofriam, por tempo indeterminado, a violência da desocupação iniciada na truculenta ação da Polícia Militar de São Paulo à mando do governador do estado.

Em julho de 2012, ocorreu uma ato na Câmara Municipal de São José dos Campos, sobre os seis meses da desocupação do Pinheirinho. Foi a oportunidade que imaginamos de fazer contatos com as lideranças da comunidade e tentar ajeitar as primeiras entrevistas com moradores e alguns outros envolvidos, como defensor público, advogado da comunidade e ex-procurador do estado de São Paulo. Foi assim que eu e Lucas partimos pela primeira vez a São José dos Campos, como mostra o pequeno vídeo amador que eu fiz abaixo, em um caminho que ainda seria trilhado tantas outras vezes pela equipe.

Feitos os contatos iniciais, precisávamos levantar a grana para a realização do documentário. Dentre as opções possíveis, decidimos pelo financiamento coletivo através do sistema de crowdfunding, no Brasil muito conhecido através da plataforma Catarse. Através desse sistema, cadastramos um projeto no site da plataforma por um tempo determinado e, todos aqueles que se interessarem, podem colaborar com qualquer quantia para a realização do projeto. Nossa meta era a captação de R$ 10.000,00 para realizarmos o filme praticamente inteiro com trabalho voluntário dos envolvidos. Abaixo segue o vídeo que fizemos para chamar colaboradores que se interessassem em contribuir com projeto.

Enquanto a grana não saía, começamos a realizar as primeiras entrevistas no final de julho de 2012 em São Paulo mesmo, para evitar grandes despesas. Começamos com a relatora da ONU para a moradia adequada e professora da FAU-USP, Raquel Rolnik. Foi uma ótima entrevista e, com base nela, começamos oficialmente nosso projeto.

Entrevistando o Suplicy

Foto: Jean Gold

Em agosto de 2012 já estávamos entrevistando algumas das personalidades que apareceram no filme, como o Senador Eduardo Suplicy.

Quando o projeto conseguiu atingir sua meta no Catarse, ficamos aliviados. Com o dinheiro foi possível comprar alguns equipamentos para poder fazer melhores entrevistas na realização do filme. Além disso, também seria possível pagar um lanche para a equipe que se deslocasse até São José dos Campos para as filmagens que duravam um dia inteiro.

Muitas entrevistas se sucederam até 22 de janeiro de 2013, data que marcaria o primeiro ano após a desocupação dos moradores do Pinheirinho e quando pretendíamos fazer as últimas gravações do documentário. Um ato foi marcado para ser realizado neste dia e lá estava nossa equipe fazendo as filmagens em diferentes locações e aproveitando para fazer mais contatos para garantir o lançamento do filme alguns meses depois em São José dos Campos e São Paulo.

Terminadas as filmagens, o filme entrou em período de edição, onde Lucas trabalhou muito para conseguir finalizar o filme com a qualidade que vocês podem verificar agora. O filme teve algumas exibições em pré-lançamento para verificarmos o resultado de como ficou a produção na tela-grande.

Assim, em homenagem aos moradores do Pinheirinho, a primeira projeção foi feita ao ar livre em São José dos Campos no Campão, local histórico de reunião dos moradores do Pinheirinho que fica no bairro do Campo dos Alemães, ao lado de onde era a comunidade que foi desocupada. Depois disso, tivemos uma pré-estréia no baixo-centro, também ao ar livre em São Paulo, e no Museu da Imagem e do Som, no MIS.

Agora o documentário está disponível na íntegra no YouTube para que todos possam acompanhar essa produção que começou há mais de um ano, que valeu muito esforço pessoal de cada um dos envolvidos, mas que nos enche de orgulho de ter participado.

Meu abraço carinhoso e sincero agradecimento à todos que participaram, em especial aos amigo Lucas Lespier, Felipe Gil, Patrícia Brandão e Juliana Lima.

Abaixo a foto do último dia de gravação que participei do filme, feita no começo de 2013, no escritório da revista Caros Amigos, quando entrevistávamos uma das jornalistas que cobriram o caso Pinheirinho para a revista.

Roger na CarosAmigos para PinheirinhoUmAnoDepois

POSTS NO HUM HISTORIADOR SOBRE O DOCUMENTÁRIO

Aqui segue uma relação de quatro posts que foram publicados no Hum Historiador referentes aos diferentes momentos em que estávamos produzindo o documentário.

Gostaria de lembrar que o projeto já foi concluído e, portanto, não há mais como colaborar com o mesmo. A relação dos posts abaixo é só para registrar o histórico do desenvolvimento do projeto.

POSTS NO HUM HISTORIADOR SOBRE O PINHEIRINHO

Abaixo segue uma relação de quinze posts publicados no Hum Historiador que tiveram como tema o Pinheirinho (em ordem decrescente de data de publicação). Os posts de janeiro e fevereiro de 2012 foram escritos no calor do momento e registram minha participação nos protestos e atividades de solidariedade aos antigos moradores do Pinheirinho. A partir de julho de 2012, nasce a ideia de fazer o documentário e há inclusive um post trazendo o primeiro vídeo amador que fizemos de nossa primeira ida a São José dos Campos para estabelecer os primeiros contatos.

2 Comentários

Arquivado em Arte, Cinema, Filmes, Política, TV, Videos

Pequenas Distrações

Peão Envenenado. Gregório Bacic. São Paulo: Escrituras, 2002.

Cada vez que vejo alguma notícia relacionada com a implantação de sistemas de câmaras de segurança em colégios, aviões, condomínios, elevadores ou em quaisquer espaços privados, comprometendo a privacidade das pessoas e mudando suas rotinas; ou então com com o aumento do número de carros blindados; ou ainda com o crescimento da nojenta indústria dos seguros, sempre relembro desse conto excepcional de Gregório Bacic, que foi publicado originalmente no livro Peão Envenenado e Outras Provocações, da editora Escrituras, em 2002.

Espero que tenham alguns minutos pra dedicarem à leitura desse conto, pois vale muito à pena. Caso não tenham, deixo também um vídeo contendo a interpretação do conto pela atriz Beth Goulart que passou no falecido e excelente Contos da Meia-Noite, da TV Cultura. Beth Goulart conseguiu interpretar magnificamente bem a ideia do conto e o vídeo, por si só, também vale a pena ser visto.

Espero que curtam tanto quanto eu. Divirtam-se!


PEQUENAS DISTRAÇÕES
por Gregório Bacic

A antiga mureta subiu com a rapidez com que sobem os tijolos de uma sepultura. As setas dos portões cresceram apontadas para o céu, e só não se perderam no espaço porque a laje do primeiro andar do sobrado as conteve… com determinação. Uma guarita se instalou na calçada entre as árvores moribundas na entrada dos automóveis, no chão cimentado que antes da reforma era um jardim ingênuo, de copos de leite e rosas vermelhas.

As janelas dão contra a vontade para a rua, a rua… envergando grades de puro aço que entre as frestas mal permitiria a passagem de um gato esguio. A casa antigamente singela, só não se transformou num bunker total de segurança máxima, porque permanecia vulnerável às quedas dos aviões, do jeito que as coisas iam; aos bombardeios aéreos, que mais cedo ou mais tarde o crime lançaria mão.

O patrimônio da família – o medo – estava provisoriamente a salvo; medo de ladrões, dos seqüestradores, dos estupradores, medo dos ventos, das enchentes, dos miseráveis, dos poderosos, dos fiscais, medo do terror, dos traficantes, dos negros, dos nordestinos, medo dos maloqueiros da favela, dos vendedores, dos cobradores, dos pregadores fanáticos, dos moto-boys que fumam maconha, dos ônibus lotados que despencam pela rua, medo da liberdade, medo da morte, medo da vida, medo do outro.

Apesar de já inexpugnável, a fortaleza crescia ainda mais – era preciso assegurar-se da confiabilidade dos guariteiros. Assim a família instituiu o uso doméstico do crachá, todos os novos residentes: pai, mãe, avó, tio avo, filho, duas filhas, nora e genro, deveriam portá-lo no peito, cabendo ao guariteiro liberar a entrada somente aquele que cumprisse a norma. E nisso as mulheres da casa questionaram a real eficácia do método, e protestaram contra o anúncio de que haveria crachás para os visitantes.

O que condenaria o fim ao gosto da filha mais nova de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, à receber amigas da escola. Só assim pudera provar se os guariteiros eram cumpridores e responsáveis de suas tarefas – Sem crachá -ninguém entra! Nem o dono, por mais inconfundível que seja aos olhos de seus servidores.

Decidiu então pela obrigatoriedade dos guariteiros preencherem relatórios diários, enumerando horários de saída, entrada – e numa coluna de ocorrências extraordinárias, a passagem de terceiros, como carteiros, entregadores de jornais, mendigos, e outras pessoas vista com suspeita! Quem sabe não estaria ali se esboçando um crime hediondo de seqüestro!

O crescimento vertiginoso desses eventos nessas estatísticas determinavam a preferência da família por carros populares, os únicos capazes de não chamar a atenção dos criminosos a espreita. Mas como bastasse um único descuido para por tudo a perder, resolveu-se elidir os riscos providenciando a blindagem da frota familiar de Uno Mile!

Na manhã seguinte decidiu-se instalar uma câmera de vídeo voltada para os portões, evoluiu-se para um sistema completo de capitação de imagens e de sons, ocultando-se micro câmeras, microfones, nos pontos do lar considerados estratégicos.

Quando a filha mais nova, vista em casa como perigosamente distraída, esqueceu-se da vigilância eletrônica, e masturbando-se, foi surpreendida pela câmera, instalada na dispensa. Por não saber como abordar o assunto, o pai fingiu não ter visto nada! – e transferiu o fardo para a mãe. As mulheres da casa foram informadas que sua intimidade estava suspensa, não se sendo aconselhável banhar-se ou trocar de roupa sem antes reservarem horários apropriados, de curta duração, em que as gravações dos banheiros seriam interrompidas para revisão técnica!

A mãe contornou o mal estar argumentando se aquele era um preço alto a ser pago, seria ainda muito baixo, caso um dia as câmeras viessem a registrar cenas de estupros! Quanto à filha mais nova de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, foi severamente admoestada pela indecência que gerou a situação… mas ganhou da cunhada como consolo um filhote de Chiuaua, a quem deu o nome de Speed Gonzales. Tanto se apegou que passaram a ser tratados na casa como casal Gonzales!

Agora o sistema de segurança era comprovadamente perfeito… mas e se algo falhasse…? Foi necessário reforçar a segurança com pit bulls amestrados, Goebbels e Goering. Com penúltima instancia, sim porque havia uma penúltima instancia, metralhadoras de cano curto, Calachini Cov, adquiridas à um contrabandista para armar a família contra terríveis conseqüências de um porre, um surto de loucura, ou até mesmo da traição do segurança nordestino de plantão! Ah… a traição do segurança nordestino de plantão! A lógica imperava mais uma vez, para enfrentar o pior inimigo, somente com a mais poderosa arma do pior inimigo.

O recebimento de pizza, duas vezes por semana, mereceu o nome de Operação Marguerita 1, claro, depois se repetindo com 2, 3, 4, consistia na distribuição dos homens da família em pontos recônditos da casa, a espreita… com suas Calachini Covs em punhos, prontas para disparar. Escondendo-se o pai atrás da janela do sótão com uma granada na mão onde poderia observá-lo em torno e contra atacar se necessário! Enquanto o mulheril se postava em alerta na sala de jantar, empunhando talheres pontiagudos, especialmente afiados para a ocasião, com que deceparia os vilões acuados, os dedos, ou as mãos, ou que mais fosse preciso…

O tio avô recebia a entrega pelo vão da jaula de portões, não sem antes obrigar o entregador a provar um naco da pizza. Para certificar-se se não trazia soporíferos, barbitúricos, ou drogas de qualquer espécie, que pudessem arrefecer as trincheiras da família.

Por que atravessar a vida arrastando esse fardo cruel, que nada contém a não ser o medo do que poderia um dia… talvez… quem sabe… por ventura vir a acontecer? Por que não baixar a guarda e cuidar sem temor para que a vida pudesse correr solta lá fora… lá fora?

A filha mais nova de 15 anos chegou a fazer essas perguntas em casa, foi vista — é claro — como perigosamente distraída, ingênua! Como seria possível fechar os olhos para a realidade? E a realidade é que já não se respeitam mais os valores que fizeram o mundo caminhar até aqui, sabe onde se escondem os bandidos? Nem mais se escondem. Hoje em dia são as pessoas direitas que se escondem. É preciso desconfiar de tudo e de todos, porque o tiro perdido, a bala certeira vem, não se sabe de onde, mas vem! Chamar a policia?! Nem pensar, seria o mesmo de abrir as portas de casa e expor as fragilidades do nosso reduto a pessoas suspeitas. Que depois certamente darão serviço a sabe-se lá quem…

Por distração da filha mais nova de 15 anos vista em casa como perigosamente distraída, Speed Gonzales, o filhote de chiuaua escapou para o quintal… invadiu o cercado dos pit bulls, sendo estraçalhado por Goering, em atraso a filha mais nova de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, não chegou a tempo, em estado de choque, seus olhos puderam apenas acompanhar os minutos finais do minúsculo Speed Gonzales, que era devorado pelo mastodonte que relutava para não dividir o petisco com o enfurecido Goebbels.

A família cachapou-se de tal forma com o estado da filha, que decretou por 3 dias o toque de recolher. Durante o qual se deveriam extrair lições da tragédia doméstica… estampado nos olhos esbugalhados e no silêncio estarrecido da bela menina recolhida à cama. O que seria deles, se a tragédia, viesse de fora?! Pelas mãos criminosas de estranhos? Já no segundo dia porem a consternação familiar se esvaziou, dando espaço a algo irrefreável, que tomava corpo, um discreto sentimento de orgulho para com a atuação de Goering, em sua primeira situação de risco enfrentada naquela casa, diante do cãozinho invasor, não negou fogo, mostrou a que veio!!

No terceiro alvorecer, a filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, trajando um baby-doll cor-de-rosa transparente sobre o corpo nu e calçando pantufas, desceu plácida para o quintal, rumo ao cercado de cães. Esganiçando Goebbels e Goering lançaram-se em sobressalto contra a grade. Uma Calachini Cov ergueu-se serena e calculadamente nas mãos da menina que metralhou os cães! Com a mão esquerda brandindo a arma para o alto, o braço direito e os quadris da menina iniciaram um meneio lento, sensual, evoluindo para a fúria lasciva de uma dança inebriante, orgástica em torno dos cães mortos. Os olhos azuis extasiados descobriram a câmara posta no alto. Num golpe arrebatado, a filha mais nova, vista como perigosamente distraída, rasgou a seda cor-de-rosa frontal que a cobria e, orgulhosa e provocadora, ofereceu os peitos assoberbados para o equipamento, após o que, o metralhou. Até aquele momento, toda cena poderia ter sido assistida pelo circuito interno de TV. Mas por quem, se já não havia sobreviventes?


Conforme prometido, para quem não puder ler o conto, segue o vídeo com a interpretação do mesmo pela Beth Goulart.

CONTOS DA MEIA-NOITE / PEQUENAS DISTRAÇÕES from Breno Fortes on Vimeo.

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Conto, Literatura

Esquerda Livre

Desde 1991, o Festival do Minuto trabalha com a seleção de imagens em movimento – de amadores e profissionais – para o exercício da síntese em trabalhos com duração máxima de 60 segundos. O Festival do Minuto foi o pioneiro no formato do Minuto no mundo e é hoje o maior festival de vídeo da América Latina, tendo inspirado a criação de Festivais do Minuto em mais de 50 países.

Sempre tive vontade de participar do Festival do Minuto e finalmente, durante as férias, preparei um filme de um minuto para poder me inscrever no festival sob o tema PA.LA.VRA.

Escolhi fazer um filme sobre a palavra ESQUERDA, usando um pouco de ironia e brincando com os diferentes significados que a palavra pode ter. Espero que possam ver (tem 1 minutinho só) e que curtam o tanto quanto eu curti ter produzido esse filme.

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Cultura, Filmes, Videos