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Campanha da legalidade denuncia golpe em curso no Brasil

Campanha LegalidadeA Campanha da Legalidade, formada por mais de oito mil juristas de todos os estados brasileiros passa, a partir de hoje, a enviar ao mundo o manifesto que denuncia o golpe em curso no Brasil. O Manifesto está em português traduzido para o inglês, italiano, francês, alemão e espanhol.

Por favor, nos ajude, marque, envie por e-mail e compartilhe este post, fazendo chegar aos amigos estrangeiros.

*Espanhol:
https://drive.google.com/open?id=0B25Hqzc_ozMGTE1XcmlDUmpHWkU

*Italiano:
https://drive.google.com/open?id=0B25Hqzc_ozMGc2ZvakIya0NndVk

*Francês:
https://drive.google.com/open?id=0B29oZHxtSdZZdEo3Ym5EaU1FMTA

*Português:
https://drive.google.com/open?id=0B25Hqzc_ozMGVXRfMEcwMkVhNXM

*Inglês:
https://drive.google.com/open?id=0B25Hqzc_ozMGRXQ3Y0IyVnRGM2M

*Alemão:
https://drive.google.com/open?id=0B29oZHxtSdZZRHpwenphRy1RUVU

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Elites brasileiras não evoluíram desde 1964, diz Maria Aparecida de Aquino

No aniversário de 51 anos do GOLPE MILITAR que derrubou João Goulart, em 1964, o site Brasil de Fato fez uma entrevista com a historiadora aposentada da USP, Maria Aparecida de Aquino, na qual ela considera que o comportamento das elites brasileiras não mudou muito desde 1964.

Abaixo segue a entrevista na íntegra tal como publicado no Brasil de Fato.

“AS ELITES NÃO EVOLUÍRAM. AINDA É MUITO PARECIDO COM 1964, AFIRMA HISTORIADORA”
por Rafael Tatemoto | publicado originalmente em Brasil de Fato em 01.abr.2015

Maria Aparecida de Aquino é professora titular aposentada da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, colabora com o Programa de Pós-Graduação em História Social da mesma instituição. Durante a carreira, se dedicou ao estudo da repressão política durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, especialmente a censura exercida sobre os veículos de comunicação.

Nesta entrevista à Agência Brasil de Fato, ela aborda os motivos que levaram ao golpe de Estado, o papel exercido pela imprensa e faz comparações com o atual cenário da política nacional. Segundo a historiadora, há um elemento em comum entre passado e presente: “Uma das coisas que persistem é o comportamento das elites. Ainda é muito parecido com o que era em 1964.”

Brasil de Fato: Quais foram os motivos que levaram ao golpe de 1964?

A gente precisa levar em consideração que no golpe estão presentes diversas forças dentro do Brasil, bem como existiu apoio internacional – mais especificamente, apoio dos Estados Unidos. Quando a gente pensa quais seriam os motivos que levariam essas forças internas e externas a embarcarem numa aventura, que foi o golpe de 1964 – aventura essa ilegal e ilegítima sobre todos os aspectos – existem razões bastantes diversas. Se tivéssemos que centralizar essas razões eu diria que, basicamente, foi o programa de reformas, as chamadas reformas de base do então presidente João Goulart, o elemento detonador dessa questão. Essas reformas atingiriam todos os setores: penetrariam na educação, no mundo agrícola, na indústria. Era uma proposta para mudar o Brasil.

Mas não se tratavam de reformas feitas em outros países? Por que aqui não foram aceitas pela elite?

Sim, era um projeto reformista, não revolucionário, mas “há elites e há elites”. Ela não aceitou porque não suporta partilhar, essa é a característica da nossa elite. Não apenas da elite do nosso país. É uma marca das elites dos países que eram consideradas subdesenvolvidas.

Enquanto você tem nos países considerados avançados, como Inglaterra, França, Alemanha, uma determinada caracterização das elites, na medida em que não existe um distanciamento tão grande entre aquele que pertence à elite e aquele que está alijado na sociedade, no Brasil e em outras nações, você tem uma distância imensa. Existem nações em que o menor salário e o maior não ultrapassa dez vezes. Aqui não dá para mensurar quantas vezes ultrapassa. Consequentemente esse distanciamento tão grande faz com que essa elite nossa não seja tão permissiva.

Ela não admite, ela não é democrática. Ela é cruel, mesquinha. No momento em que ela diz “não podem se sentar à mesa”, ela está negando o próprio desenvolvimento. Porque é do acesso dessas pessoas a bens que elas não teriam, e a possibilidade que elas teriam que, inclusive, você tem o maior desenvolvimento do país. Quanto mais gente consumindo, partilhando, mais o país será desenvolvido. Nossa elite nega inclusive o desenvolvimento. O seu próprio desenvolvimento. É predatória, talvez seja o melhor adjetivo para ela.

Hoje se fala muito do papel de resistência à ditadura que os órgão de imprensa desempenharam. Como eles atuaram antes do golpe?

Têm um papel de protagonismo. Eles foram conspiradores. Toda a grande imprensa estava na conspiração contra a democracia. Vai ser uma das articuladoras mais importantes do golpe. O único veículo que não apoiou o golpe e se manteve ao lado do regime deposto foi o jornal “Última Hora”, do Samuel Wainer. Por conta disso, ele ganhou um inimigo total, que vai destruir o jornal. Demora pelo menos quatro anos até ele perder a posse do jornal em 1968, mas é destruído. Também ocorreu com o “Correio da Manhã”, que apoia o golpe, mas que dois dias depois já está contra, se colocando na oposição, já que percebeu o monstro que ajudou a criar. Por conta disso, também será destruído, pelo mesmo grupo que comprou o “Última Hora”.

Então como se explica que parte da grande impressa, após esse momento inicial, passa a resistir à ditadura?

A maior parte dos órgãos de divulgação de notícias tem um tendência absolutamente liberal. Faz parte dos objetivos do liberalismo a defesa da liberdade de expressão e de opinião. Então, a liberdade de imprensa é um elemento central no interior da plataforma liberal. A imprensa tem essa plataforma. Não é o tipo de coisa que eles queriam que acontecesse. Embarcou numa terrível aventura, descobriu que a canoa era furada, num determinado momento a canoa deles também fura. O exemplo lapidar é o jornal que eu estudei, “O Estado de S. Paulo”. Foi um grande conspirador. Os Mesquita [família dona do jornal] assumem que estavam na conspiração, dois anos antes do golpe eles já faziam parte das reuniões que discutiam como seriam o Brasil depois do apocalipse. Mas três anos depois do golpe já está na linha de tiro, tanto que vai receber a censura. Talvez o único, ao lado da revista “Veja” órgão da grande imprensa que tem censura prévia no interior da redação.

Com o fim da ditadura, é possível dizer que há uma contradição entre democratização política e a ausência de democratização da mídia?

Os grandes blocos de comunicação, o Brasil tem meia dúzia, se chegar a tanto, você observa que eles não tem como seu ideal a defesa da democratização das comunicações. Porque democratizar significa, ao fim, que você dará liberdade para as pessoas se organizarem em pequenos jornais que nasceriam, que passariam a ter direito à luz do sol. Para grande imprensa isso não interessa.

Quando você pega “o grande jornal A” versus “o grande jornal B” você vai ver manchetes idênticas, até a fotografia de capa muito parecida. O mesmo para as grandes revistas, parece tudo a mesma coisa. É bom esse mundo, né? Esse mundo entre “iguais” agrada a grande imprensa, o mundo da diversidade não.

Na realidade se está na defesa do oligopólio. Há grupos enormes que dominam fatias gigantescas do mercado das comunicações. É uma defesa cooperativista. Não quer que outros entrem. Para eles o “mesmismo” é bom. De forma alguma tem a ver com liberdade imprensa. Liberdade de imprensa, inclusive, seria lutar pela diversidade

Você vai em uma cidade do Acre, tem uma concessionária dos grandes veículos. É isso que está em jogo. Por isso que está jogo, a perda de domínio. No Brasil, antes mesmo de se colocar em pauta, se faz o discurso de dizer que está se ameaçando a liberdade de imprensa.

Nesse sentido, qual sua avaliação mais geral sobre o papel da imprensa no fortalecimento da democracia?

Fortalece enquanto defensora das liberdades democráticas, dentre elas a liberdade de expressão e imprensa. Tem um papel importante sim, mas não se pode dizer que ela seja fiel à democracia no sentido de que a democracia também significa conviver com o diferente, com o antagônico. O que se vê hoje é a incapacidade de viver com o antagônico. “Vocês estão de um lado, eu de outro, não quero diálogo”. Hoje cumpre um papel péssimo, nesse sentido

Eu fico muito chateada e entristecida quando eu comparo as manchetes que antecedem o golpe de 1964 e o que se faz hoje na grande imprensa. Só é comparável o que se faz hoje em relação ao governo. A grande imprensa está fazendo isso de novo, não aprendeu com a censura, com o fechamento com o empastelamento, não aprendeu nada, repete a mesma coisa. Só a semelhança com a destruição que hoje se faz do governo com o processo de destruição de que foi alvo o governo de João Goulart.

Quando você acompanha as manchetes, as primeiras páginas, os editoriais daquela época, eles são devastadores. Não é “queremos um Brasil melhor”, mas sim “o que está aí não nos serve”, independente de ser democrático ou não, então partiram pro ataque. Está acontecendo o pior que pode ocorrer, não se está dando possibilidade de defesa para alguém que você colocou no chão. Usa-se todo seu potencial e destrata cada um dos pontos do governo. “Nada é bom”.

“O Brasil teve coisas negativas, mas cresceu o nível de emprego”. O “mas cresceu o nível de emprego” é o mais importante, mas aparece no rodapé da página. É clara a iniciativa para quem quiser ver e estiver prestando atenção.

Na sua opinião o que permaneceu intocado mesmo com o fim da ditadura?

Hoje pouca coisa. Uma das coisas que persistem é o comportamento das elites. Ainda é muito parecido com o que era em 1964. As elites não evoluíram, não avançaram. Enquanto o Brasil mudou muito, para melhor, um país que inclui muito mais pessoas, e não só por causa dos últimos anos, vem num processo de inclusão muito importante. A realidade que vivemos hoje está a léguas de diferença da realidade de 50 anos atrás. Talvez a única que que persista é uma atitude semelhante das elites, infelizmente.

Então as elites ainda se comportam do mesmo jeito?

Quando você analisa as elites que estavam posicionadas em 1964 elas são claramente golpistas. Elas querem a derrubada do regime democrático. Elas não sabem e não conseguem conviver com o Estado democrático. Portanto, partem, para sua destruição e dissolução, que ocorre através do golpe, ilegal e ilegítimo.

Hoje você tem uma elite que tem um pouco de receio. Ela tem um pouco de receio de dizer “para nós acabou a brincadeira, a bola é minha e não brinco mais” e assumir uma caracterização abertamente golpista. Não que ela não flerte. Não que ela não seja capaz de embarcar em um aventura terrível, pela forma como age, pelas considerações que ela faz.

Um exemplo foi quando a presidenta Dilma se elegeu. Ela teve uma capacidade eleitoral bastante grande no Nordeste. Quando você olha as redes sociais falando dos nordestinos, você vai ver a cara dessa elite. Ela é exatamente aquilo. Ela começa a dizer: “é esse tipo de gente que elegeu, e nós somos melhores”. Ela tem condições, desejo e vontade de flertar abertamente [com o autoritarismo].

Ou seja, hoje você tem um processo ou uma proposta de inclusão social, que de uma maneira ou de outra dá o acesso às pessoas que não teriam a determinadas instâncias, desde a casa própria até o ensino universitário.

Essa proposta descontentava, como descontenta hoje. A proposta de inclusão. Se o Brasil vive um momento de crise, se é que existe a crise, se ela não é fabricada pelos meios de comunicação, essa crise se deve fundamentalmente a esse descontentamento. São os mesmos grupos, a mesma raiz, que não aceita que as pessoas que não têm nem acesso às migalhas passem a se sentar na mesa.

Como a senhora analisa os protestos pedindo impeachment, os “panelaços”?

Quem bateu panelas? Foi a grande elite? Eu sou capaz de entender o porquê. Tem o que perder, e é só por isso que está batendo panela. Eu não tenho dúvida que essa gente está em defesa de seus privilégios. Existiu a tentativa de puxar um fio de corrupção que envolveria o PSDB, mas foi engavetado. Então por que se diz que só existe um criminoso, o PT?

O Paulo Francis, há mais de vinte anos já falava de corrupção na Petrobras. Faleceu porque veio um processo judicial que ele não conseguiu arcar. A corrupção é exclusiva desse governo?

Mas o consevadorismo, atualmente, não se resume à elite…

Uma coisa é pensarmos no Brasil como um país jovem, que está vivendo um processo de ascensão das chamadas classes médias, quanto a isso não há dúvida, mas é um erro achar que nesse mesmo processo progressivo também terá o mesmo processo no sentido de qual leitura eles terão da realidade brasileira. Infelizmente, a leitura que se tem, na média, é conservadora.

Isso se deve à formação do Brasil, uma escolarização muito baixa. Teve o acesso das pessoas ao ensino, mas é um ensino transformador? Quando se pega a escola pública, que atende à vasta maioria, essa educação transforma sua mentalidade, prepara para os novos tempos? Se tivesse uma imprensa que fosse muito mais plural, também contribuiria para que tivéssemos esses debates ampliados.

O que você diria para alguém que defende o retorno da ditadura?

Pensa, raciocina e observa o que o regime militar produziu. Um mundo sem luz. A desigualdade se ampliou enormemente nesse período, os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. É isso que você quer para a sociedade brasileira? O remédio para a sociedade brasileira é uma aventura antidemocrática? Para combater a corrupção é necessário acabar com a democracia?

Para pessoas que pensam nisso, eu aconselharia a ver as contas da Transamazonica. Ou as contas nunca fechadas da Ponte Rio-Niterói. Ninguém falou, porque naquele momento não podia falar. Se você levantar, você vai trazer uma quantidade de coisas irregulares que arrepia os cabelos de qualquer um. Hoje, graças ao caminho que a sociedade brasileira trilhou, nós temos liberdade de falar. O autoritarismo corre ao lado da irregularidade, porque ele abafa a irregularidade.

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Golpistas em ação: as manifestações de 15 de março

Quem fizer uma breve consulta no Google Images por fotos tiradas durante as manifestações realizadas em várias cidades neste último domingo (15), facilmente encontrará imagens de muitas pessoas que saíram às ruas para pedir a derrubada de um governo legitimamente eleito através de uma intervenção militar.

Uma das imagens que circulou amplamente pela rede mundial de computadores, pedia às Forças Armadas que libertassem o Brasil ou o mundo iria sangrar (???). Tal faixa, como se pode ver abaixo, trazia uma suástica de um lado e, do outro, a foice e o martelo dentro do tradicional símbolo de proibição. Uma segunda frase, escrita em inglês, alertava ao perigo que a “União das Repúblicas Socialistas da América Latina” (URSAL) representam para a paz mundial (???).

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Imagem capturada a partir da cobertura do canal Globo News de participantes da manifestação no Rio de Janeiro neste último domingo, 15 de março.

Ora, ainda que ao portar tal faixa os manifestantes estivessem buscando associar o nazismo ao socialismo, como já me apontaram pelas redes sociais, parece que a junção de tais elementos não foi a melhor estratégia para comunicar esta ideia. Na verdade, se essa era mesmo a intenção, o tiro parece ter saído pela culatra, uma vez que a imagem está sendo bastante explorada no sentido de relacionar tais manifestantes a grupos simpatizantes às ideias nazistas. Ainda mais quando se vê, na mesma faixa, uma suástica, seguida da defesa de intervenções militares para destruir governos latino-americanos eleitos democraticamente e um símbolo indicando a proibição de governos socialistas.

Outras imagens que chamaram bastante minha atenção, pela recorrência dos cartazes e gritos de ordem que ecoaram por diversas capitais do país, foram as que apareceram em cartazes lembrando que a bandeira do Brasil não é vermelha, mas verde e amarela, na tentativa de associar o atual governo a ditaduras comunistas. Para os indivíduos que portavam estes cartazes (e muitos dos presentes nas manifestações), tal associação seria razão suficiente para uma intervenção militar no país, uma vez que é preferível um governo militar do que a presente “ditadura comunista” em que vivemos.

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Cartaz exibido durante manifestações realizadas em São Paulo, 15 de março.

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Rapaz envolto na bandeira brasileira segura cartaz durante manifestações realizadas em São Paulo, 15 de março.

Fora o “erro” grosseiro ao interpretar os últimos governos petistas como “ditaduras comunistas”, vê-se que estamos diante de indivíduos que se dizem apolíticos, que teriam sido impulsionados às ruas por um sentimento nacionalista em defesa de uma pátria que estaria sob o risco de se desmantelar pela ação de um governo dito comunista. No entanto, quem vem acompanhando a conjuntura política do país desde as campanhas eleitorais de 2014, percebe que as manifestações não foram promovidas por grupos apolíticos, que tais grupos estão em defesa da pátria ou, tampouco, que o país corre risco de se desmantelar em razão de uma ditadura comunista. Tal construção é tão falsa quanto uma nota de R$ 3,00. Tais ideias (grupos apolíticos, nacionalismo, combate ao comunismo) são utilizadas como instrumentos para que o intuito golpista penetre amplamente na sociedade, conquistando corações e mentes. Como já disseram alhures, o nacionalismo é, de fato, o esconderijo preferido de golpistas e fascistas.

Por fim, uma faixa vergonhosa, novamente escrita em inglês e português, pede socorro às forças armadas sob a justificativa de que uma “verdadeira reforma política” apenas poderia ser feita pelas mãos dos militares.

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Faixa exibida nas manifestações de março de 2015 em defesa de reformas políticas, contudo, através dos militares.

Ora, vê-se novamente o paradoxo de pessoas que saem às ruas em um ato democrático, nutrindo total desprezo pela democracia. Pelo que demonstram, ao invés de lutarem por maior participação política, de juntarem forças aos movimentos sociais e clamarem por lideranças coletivas, desejam ver implantado regimes baseados em lideranças individuais e fortes, que imponham a ordem com armas na mão. Como se isso não fosse suficiente, a faixa ainda apela ao uso de imagens desrespeitosas, tal como a mão com quatro dedos dentro do círculo de proibição para fazer referência ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Fica claro, uma vez mais, que parte do problema é o ódio que uma porção da sociedade nutre em relação a este homem. Mais do que isso, o terror que sentem ante a possibilidade de Lula vir a assumir novo mandato presidencial em 3 anos e meio, colocando em xeque o pretenso apolitismo do movimento. Se não for possível derrubar agora, o objetivo é o enfraquecimento do partido de Lula, o quanto for possível, de modo que até mesmo uma candidatura seja inviável no pleito de 2018.

Imagens como são constrangedoras. Confesso que não imaginava ver uma parte significativa da população brasileira saindo às ruas, apenas 30 anos após a derrocada do regime militar, clamando por uma intervenção militar. Ao contrário do que uma das faixas propunha no último domingo, penso que a Reforma Política deve ser feita pelo povo de modo a reforçar as instituições e não enfraquecê-las ou destruí-las. Precisamos urgentemente dessas reformas, mas não para limitar ainda mais o poder popular. Parece estranho ter que vir aqui defender o óbvio.

Tudo isso me entristece muito, pois vejo que no fundo do problema, como sempre, está a ignorância da população, sendo utilizada como instrumento pelas poucas pessoas que sempre estiveram no poder. Portanto, a conclusão a que chego é que nossa luta, em boa medida, ainda é contra a ignorância. Foi por isso, aliás, que passei a dedicar minha vida à docência. No entanto, a maneira como a educação vem sendo encaminhada no Brasil (e no resto do mundo), não oferece muitas perspectivas para uma mudança significativa em direção a uma sociedade mais crítica e com maior participação na vida política. Muito pelo contrário, cada vez mais os jovens são estimulados a deixarem a vida política nas mãos de quem ela sempre esteve.

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