Arquivo da categoria: Sites

[I. Wallerstein]: A democracia em declínio e os tambores da guerra

160105-Guerra2

Desarmados pelas finanças, governos veem-se impotentes, desgastam-se com rapidez, são derrotados. Espalha-se uma tentação: e se saída estiver no ódio ao outro e nas armas?

por Immanuel Wallerstein | tradução Inês Castilho | imagem Alex Cherry
publicado originalmente em 05.jan.2016 no portal Outras Palavras

Foi um mau ano para os partidos no poder que enfrentaram eleições. Eles vêm sofrendo derrotas completas ou ao menos relativas. O foco tem se voltado para as eleições em que os chamados partidos de direita saem-se melhor — às vezes, muito melhor — que partidos no poder considerados de esquerda. Exemplos notáveis são Argentina, Venezuela e Dinamarca. Talvez possa-se acrescentar os Estados Unidos.

Menos comentada tem sido a situação opostas: partidos no poder que são “de direita” perdendo para forças de esquerda ou, ao menos, reduzindo seu percentual e número de cadeiras em plano nacional e ou local. Isso é verdade, de distintas maneiras, no Canadá, Austrália, Espanha, Portugal, Holanda, Itália e Índia.

O problema talvez não sejam os programas implementados pelos partidos, mas o fato de que os partidos no poder estão sendo culpados pela má situação das economias. Uma reação que vimos em quase todo lugar é o populismo xenófobo, de direita. Outra reação é demandar mais — e não menos — medidas do Estado de bem-estar social, conhecidas como “anti-austeridade”. Claro, é possível ser xenófobo e anti-austeridade ao mesmo tempo.

Mas quando um partido chega ao poder e precisa governar, espera-se que faça diferença na vida de quem o elegeu. E se não consegue fazê-lo, pode enfrentar reação severa nas eleições futuras, muitas vezes num breve prazo de tempo. É o que o primeiro ministro Modi, da Índia, aprendeu quando, menos de um ano depois de uma eleição nacional arrebatadora, seu partido teve mau desempenho nas eleições provinciais de Nova Deli e Bihar, onde acabara de vencer.

Não penso que essa volatilidade vá acabar tão cedo. A razão é bastante simples. Os mantras neoliberais de crescimento e competitividade não são capazes de reduzir significativamente os níveis de desemprego. Como resultado, podem forçar a transferência de riqueza dos estratos mais baixos para os mais ricos. Isso é muito visível e é o que leva à denúncia dos programas de austeridade.

A reação xenófoba responde a uma necessidade psíquica, mas não leva à elevação do nível de emprego, e portanto também não ao aumento da renda real. Os eleitores podem então retirar esses partidos do poder, como podem aqueles que lutam por objetivos de esquerda, como a elevação dos impostos pagos pelos muito ricos. Por sua vez, os governos – de esquerda, centro ou direita – têm menos dinheiro para as medidas de proteção social.

A combinação desses elementos não é muito negativa apenas para aqueles que se encontram na base da pirâmide de renda. Significa também o chamado declínio da classe média – ou seja, a queda de muitas famílias para as fileiras dos estratos mais baixos. Note-se, porém, que o modelo de eleições parlamentares disputadas basicamente por dois partidos mainstream é baseado na existência de um estrato de classe média numericamente grande, pronto para deslocar seus votos leve e calmamente entre dois partidos de centro, bastante semelhantes. Sem esse modelo funcionando, o sistema político torna-se imprevisível, tal como estamos vendo agora.

Acabo de descrever a cena intra-Estados. Mas há também a cena inter-Estados – o poder global relativo dos diferentes Estados. Assim como deve-se olhar para os níveis reais de emprego dentro de cada Estado, as taxas de câmbio entre as moedas são a chave para avaliar o poder entre Estados. O dólar mantém-se no topo, principalmente porque não há nenhuma boa alternativa no curto prazo. Contudo, a moeda norte-americana não é estável, e está também sujeito a mudanças súbitas e voláteis, assim como a um declínio relativo, no longo prazo.

Taxas de câmbio caóticas significam que resta uma última solução, extremamente perigosa, para reforçar o poder relativo entre Estados: a guerra. A guerra é ao mesmo tempo intimidadora e remuneradora no curto prazo, ainda que seja devastadora humanamente e leve à exaustão, no longo prazo. De modo que, quando os Estados Unidos debatem como perseguir seus interesses na Síria ou no Afeganistão, é muito forte a pressão para ampliar o envolvimento militar, ao invés de reduzi-lo.

Não é, em suma, um cenário bonito. A questão, para os partidos políticos, é que não é um bom tempo para realizar eleições. Alguns partidos no poder estão começando a julgar que não deveriam realizá-las, ou ao menos evitar eleições que sejam, ainda que marginalmente, competitivas.

Anúncios

6 Comentários

Arquivado em Internet, Política, Sites

Pinheirinho, um ano depois

Como já tive oportunidade de dizer aqui, faço parte da equipe de produção de um projeto de documentário que irá tratar o tema da habitação/moradia no Brasil através da história de algumas famílias que foram violentamente retiradas de suas casas após a malfadada operação de reintegração de posse da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos.

O objetivo deste post é divulgar o lançamento do blog do projeto onde o visitante encontrará informações sobre o que é o projeto, quais são seus objetivos e metas, além de como a equipe de produção pretende levantar os fundos para a execução do projeto.

Desde já, é importante destacar que precisaremos muito da colaboração dos amigos da Internet e das Redes Sociais, já que a estratégia que adotamos para financiar o documentário é através de uma plataforma de Crowd Funding conhecida como Catarse.

Abaixo destacamos alguns detalhes que extraímos da página SOBRE do blog do projeto. Dê uma conferida e saiba como você poderá colaborar com este documentário.


Pinheirinho, um ano depois é um projeto de documentário que tem o objetivo de registrar como vivem as famílias que moravam na antiga comunidade do Pinheirinho um ano após a violenta reintegração de posse realizada pela Polícia Militar de São Paulo, em 22 de janeiro de 2012.

Através desse registro documental, queremos dar voz  às pessoas que viveram o trauma da desocupação para que contem suas histórias e relembrem à sociedade que elas seguem vivendo sob o risco de retornarem à condição de desabrigadas com o fim do aluguel-social, além de permanecerem sem nenhuma perspectiva de solução definitiva para o seu problema de habitação.

O filme tem como foco central os ex-moradores da comunidade do Pinheirinho e seus depoimentos de como tem vivido desde que foram retirados de suas casas. Contudo, para darmos uma ideia mais aprofundada sobre o que ocorreu logo após a desocupação e as oportunidades de resolução definitiva do acesso à moradia adequada, o projeto também pretende dar voz a outros atores que participaram ativamente de todo o processo de desocupação, como os políticos envolvidos nas negociações que antecederam a reintegração de posse, os intelectuais e estudiosos da questão da habitação e moradia no Brasil, representantes de órgãos de proteção aos Direitos Humanos, líderes comunitários, advogados, juízes, defensoria pública, promotores de justiça, representantes da Procuradoria Geral do Estado, representantes das três esferas de poder envolvidas na questão (municipal, estadual e federal), além do proprietário do terreno em questão ou seus representantes.

Para custear as despesas mínimas de execução desse projeto, adotamos a ideia do sistema de financiamento colaborativo, também conhecido como crowd funding. No Brasil, o site Catarse tem se destacado no financiamento de projetos colaborativos de cinema e vídeo e, justamente por isso, optamos por este sistema. Tal estratégia nos possibilitará que a distribuição do documentário se dê livremente, em plataforma Creative Commons, pela Internet.

METAS DA CAMPANHA DE FINANCIAMENTO COLABORATIVO

O custo mínimo orçado para o projeto é de R$ 10.000,00, que inclui as viagens a São José dos Campos nos próximos seis meses, estadias, recompensas oferecidas como contrapartida, taxas cobradas pelo Catarse e pelos meios de pagamento .

Este é o valor mínimo e caso não seja atingido esse montante ao final do período da campanha de arrecadação no Catarse, não receberemos nada, o dinheiro de todos os que colaboraram será devolvido em forma de crédito e não poderemos realizar as gravações e produção do documentário.

Contudo, se conseguirmos atingir não só o mínimo de 10.000,00, mas ultrapassarmos este valor, temos objetivos extras a realizar que agregariam ainda mais valor ao documentário. Para mais informações sobre esse assunto, veja os nossos “Objetivos Extras”.

RECOMPENSAS AOS COLABORADORES

Sabemos que o maior prêmio aos colaboradores é participar de uma ação que ajude a dar visibilidade a pessoas de uma comunidade que luta por seu direito à moradia digna depois de um violento processo de desocupação. Certamente, ajudar a contar a história destas pessoas a partir da perspectiva delas é algo que não tem preço e, aos que ajudarem a realizar esse projeto, agradecemos imensamente.

Contudo, pensamos que além do agradecimento, poderíamos oferecer uma lembrança especial do apoio a esse projeto. Assim, abaixo segue uma lista de recompensas aos colaboradores desse projeto:

  • Para contribuições de R$ 10,00, seu nome estará entre os apoiadores do projeto em nosso site e nas redes sociais.
  • Para contribuições de R$ 25,00, além de aparecer no site e nas redes sociais, seu nome também estará entre os apoiadores do projeto nos créditos de agradecimento do documentário.
  • Para contribuições de R$ 50,00, além das recompensas anteriores, você também receberá uma camiseta exclusiva do filme “Pinheirinho, um ano depois”.
  • Para contribuições de R$ 75,00, além de todas as recompensas anteriores, você também receberá um DVD exclusivo do documentário, contendo uma versão estendida e videos extras, antes mesmo da data de lançamento do documentário.
  • Para contribuições de R$ 150,00 ou mais, além de todas as recompensas anteriores, você também receberá um convite para a pré-estréia do filme a ser realizada no dia do lançamento.

Contamos com sua colaboração, ajude a dar visibilidade à luta e resistência dos ex-moradores do Pinheirinho por seu direito à moradia adequada.

OUTRAS MÍDIAS

Para entrar em contato, saber mais ou acompanhar o projeto, seguem abaixo os nossos contatos.

1 comentário

Arquivado em Filmes, Política, Sites

Brasil: nome da Terra de Santa Cruz

O amigo Alberto Luiz Schneider, dono de um ótimo blog, tem publicado muitos textos interessantes em seu site, os quais gostaria de recomendar vivamente a todos que passam por aqui. Como demonstração da qualidade destes textos, decidi conversar com o Alberto e ele me autorizou a publicar no HH seu post mais recente, que foi sobre um tema muito caro para mim: o nome do Brasil.

Antes que eu entrasse na universidade para estudar História, um tema que sempre vinha a minha cabeça era tentar entender por que a América Portuguesa acabou ficando conhecida pelo nome Brasil e não por Terra de Santa Cruz, um nome muito mais ligado aos catolicíssimos “descobridores” portugueses. Por volta de 2006 escrevi algumas linhas sobre este assunto, mas não acredito estar bom o suficiente para divulgá-lo por aqui. Diferentemente do excelente texto introdutório do Alberto que agora compartilho com vocês. Aproveitem!!!

OBSERVAÇÃO : Como bem apontado por Alana, uma leitora atenta do Blog, gostaria de alertar que o objetivo  deste post é o de introduzir o leitor ao tema e instigá-los a se aprofundarem no assunto através da leitura de textos que abordem a adoção do nome Brasil, ao invés de Santa Cruz com mais profundidade. Como não havia mencionado este objetivo na postagem original, Alana observou o caráter introdutório do texto e reclamou com razão que  faltava detalhar algumas questões importantes das quais ela sentiu falta. Concordei imediatamente com a crítica e, ao mesmo tempo, observei que por descuido meu, também não havia incluído as indicações de textos que aprofundam mais o assunto e era parte do objetivo inicial do post. Por isso, agradeço a participação da Alana em chamar minha atenção para esses pontos, e também aproveito para corrigir minha falha inicial, incluindo ao final do post as indicações de dois textos da autoria de Laura de Mello e Souza, que trabalha mais detalhadamente algumas questões específicas sobre o nome do Brasil, tais como suas origens e diferentes significados, dentre outras questões. 


Brasil: nome da Terra de Santa Cruz
por Alberto Schneider
Publicado originalmente em http://albertoluizschneider.blogspot.com.br/

Em 1500 – quando Pedro Álvares Cabral aportou em terras do Novo Mundo – não havia o Brasil, nem os brasileiros, senão um continente imenso, habitado por povos de múltiplas nações ameríndias. Ninguém sabia onde principiava nem onde terminava a jurisdição lusitana sobre estes territórios. O tratado de Tordesilhas (1494), delimitando as terras de Espanha das de Portugal, era relativamente abstrato. Mapas portugueses do século XVI estendiam a linha até Buenos Aires. O que os espanhóis, evidentemente, não aceitavam. Durante três décadas daquele século, os portugueses, empenhados no comércio com o Oriente, foram tomando consciência da larguíssima costa. Nos primeiros 20 anos foram fundadas apenas duas feitorias: Cabo Frio (1504) e Pernambuco (1516), habitadas em geral por poucos degredados e desertores. Ambas as feitorias eram de cunho privado e inteiramente desimportantes para a Coroa. A presença de franceses na costa, dedicados ao comércio de pau-brasil, precipitou a decisão portuguesa de povoar as terras. Os portugueses, que se fiavam na doutrina do Mare Clausum (baseados em bulas papais e nos tratados internacionais), sentiam-se ameaçados pelos interesses franceses e de outros europeus, fundamentados na doutrina do jure gentium, ou direito das gentes, segundo a qual um território pertenceria a quem de fato o ocupasse. Apenas em 1530 – não tanto por razões imediatamente econômicas, mas pelo interesse em garantir a posse – foram surgindo pequenos núcleos coloniais, como Olinda e São Vicente, distantes e desconectados uns dos outros, e assim permaneceriam por muito tempo.

Como, afinal, denominar esse conjunto de “ilhas” da costa Atlântica da América do Sul? Naqueles tempos remotos ainda não se chamava Brasil ao lugar que viria a ter esse nome. Nas cartas, Pero Vaz de Caminha denominou-as terras de Vera Cruz. Cabral, com espírito medievalizante, chamá-la-ia de Terra de Santa Cruz, em homenagem ao “lenho sagrado”. Segundo Laura de Mello e Souza, esse nome já aparece em cartas e mapas italianos do princípio do século XVI, assim como outros nomes, como Terra dos Papagaios ou America vel Brasilia sive papagalli terra, ou ainda “Terra de Gonsalvo Coigo vocatur Santa Croxe”, em referência a Gonçalo Coelho, capitão das frotas portuguesas que exploraram a costa brasileira entre 1501-1504.

De acordo com o grande historiador Capistrano de Abreu, o nome Brasil – ou Bracil, Brazille, Bresilge, Bersil, Braxill, Braxili – já existia em diferentes mapas europeus para designar um incerto lugar geográfico, ilhas ou arquipélagos, nos confins do mundo, cuja existência mítica a prática navegante dissiparia. O nome existiu antes do nomeado. O historiador português Jorge Couto afirma que, em 1512, em carta de Afonso de Albuquerque a D. Manuel, o venturoso, surge pela primeira vez o vocábulo Brasil para designar os domínios do rei de Portugal no Novo Mundo, tornando esse uso cada vez mais comum na documentação da época. Em 1530, segundo Antonio Baião, D. João III designa Martim Afonso de Sousa “capitão-mor da armada que envio à terra do Brasil”

O nome Brasil ainda não se estabilizara. De um lado, o nome do “lenho sagrado”: Santa Cruz. De outro, “o nome de um pau que tinge panos”: pau-brasil, razão de vil comércio. Deus e o Diabo competindo para batizar a terra do sol. O humanista português João de Barros militou em favor do nome santo, pois lhe pareceu mais apropriado para nomear a possessão de um rei católico. Pero de Magalhães Gandavo, outro humanista português que viveu no “Brasil” quinhentista, também lutou pelo nome pio. Em seu livro, chamado Província de Santa Cruza que vulgarmente chamamos Brasil, lamenta o triunfo do nome comercial ante o religioso. A luta entre o nome profano e o sagrado foi vencida pelo primeiro. Nos escritos dos jesuítas do século XVI – como José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim – o nome secular já se impusera. Na primeira História do Brasil, escrita por Frei Vicente do Salvador, em 1627, persiste o lamento pela vitória do “pau de tinta”. O sentido religioso do mundo habitava o universo mental dos homens da época, mas os sinais da secularização ainda tímida, patente no próprio nome do Estado do Brasil, se faziam notar. Naqueles tempos, quando a colonização europeia ainda ia deitando raízes no solo americano, o diabo parecia vencer a luta, ou, dito de outro modo, o espírito de cruzada ia cedendo à prática dos mercadores, não apenas de pau-brasil, mas também de escravos, um ativo de alto valor, sem o qual o Brasil açucareiro não poderia existir. O nome vulgar de pau-brasil, madeira vermelha como brasa, acabaria por se impor, mas sofreria ainda, nas crônicas posteriores, alguma competição com o mui nobre e cristão nome de Santa Cruz.

Descrição de todo o marítimo da terra de Santa Cruz chamado vulgarmente o Brasil, João Teixeira, 1640.

A multiplicidade de nomes remete à própria indefinição em relação ao sentido da colonização portuguesa na América. Nos primeiros 50 anos do século XVI, a Terra de Santa Cruz e a África portuguesa não representavam quase nada ao Império português. A colônia não nasceu previamente destinada a exportar gêneros tropicais e importar mercadorias europeias e escravos africanos, em benefício dos interesses metropolitanos. O antigo sistema colonial, segundo formulou o historiador Fernando Novais, foi se conformando no tempo, adaptando-se aos interesses e às possibilidades da época, sem nunca apagar inteiramente outros sentidos.  No século XVII o “diabo” do açúcar já havia se instalado e a América portuguesa e a costa ocidental da África formavam o mesmo complexo econômico, como nota Luiz Felipe de Alencastro, um fornecendo escravos negros, outro açúcar branco, consumido no mercado europeu. Como sugere Laura de Mello e Souza, o nome Brasil representa um “fato ímpar entre terras coloniais”, pois era a “única a trazer essa relação tensa inscrita no próprio nome, que lembraria para sempre as chamas vermelhas do inferno”. O ethos mercantil e a missão evangelizadora haveriam de conviver por séculos. O Brasil é filho da tensão entre a cruz e a espada. Deus e o Diabo convivem na terra do sol.

TEXTOS PARA APROFUNDAR MAIS O ASSUNTO

4 Comentários

Arquivado em Cultura, Educação, Ensino, Sites

Aniversário de 6 meses do blog: mais de 20 mil acessos

Sei que pode não ser muito legal e que pode parecer meio pedante, mas gostaria de comemorar os seis meses do blog contando um pouco dos surpreendentes números que ele obteve desde que decidi criá-lo, em dezembro/2011.

Neste curto espaço de tempo passamos a marca dos 20 mil acessos, sendo que a quantidade de visitas vem crescendo expressivamente nos últimos meses. Abaixo segue um gráfico que mostra a evolução das visitas.

Com exceção de janeiro, quando publiquei a notícia sobre o “trucidamento” da família Kubitzky e as origens nebulosas da propriedade de Naji Nahas do terreno do Pinheirinho, vemos um aumento constante no número de visitas a cada mês. Se em Dezembro, que foi nosso mês de estréia, fechamos a conta com 594 visitantes, no mês de fevereiro pulamos para 1388, em março foram 2220, abril teve 3000 visitantes e, maio ainda nem acabou, e estamos prestes a atingir a marca de 4000 visitas por mês, isto é, quase sete vezes mais do que os acessos do primeiro mês.

Outra coisa me deixa bastante feliz, é a quantidade de visitantes de outro países que o blog tem recebido. Por ser uma página escrita totalmente em língua portuguesa, fico bastante surpreso com o fato de que boa parte dos acessos do blog venham de 40 países diferentes. Destes, apenas 3, com exceção do Brasil, falam a língua portuguesa.

Abaixo um mapa destacando os países que acessaram o blog desde 25 de fevereiro de 2012 até hoje.

Como podemos ver, o blog já foi visitado por países de todos os continentes do globo. Temos acessos de toda América do Norte, praticamente toda América do Sul, boa parte da Europa, alguns países africanos e também da Oceania. Ainda nesta linha, se sacarmos o Brasil fora da conta, os cinco países que mais acessaram o blog foram respectivamente Portugal, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e França.

Quanto aos posts, como já havia dito, o mais visitado em todo este tempo foi o que tratava do “trucidamento” da família Kubitzky e as origens da propriedade do terreno do Pinheirinho. Foi incrível que, logo no primeiro dia em que foi publicado, o post teve sucesso imediato e teve mais de 4 mil acessos em um único dia. Será difícil que um novo post bata este recorde.

Desde o lançamento do blog, os dez posts mais visitados foram:

  1. “Trucidamento da família Kubitzky”, grilagem e especulação imobiliária (7.943 acessos)
  2. Lilia Moritz Schwarcz rebate bobagens de Demétrio Magnoli no Programa do Jô (584 acessos)
  3. Cotas Raciais: um direito legítimo (542 acessos)
  4. Lista dos 233 torturadores (541 acessos)
  5. O ENEM, o Mackenzie e o peso da tradição (422 acessos)
  6. Higienização pode estar em andamento na comunidade São Remo (362 acessos)
  7. Paixão por mapas antigos (332 acessos)
  8. A disseminação do ódio contra os pobres nas redes sociais (312 acessos)
  9. O emblemático suicídio de Dimitris Christoulas na Grécia (296 acessos)
  10. A tragédia dos campos de São José: um depoimento emocionado (192 acessos)

Destes, talvez o que seja mais surpreendente para mim é a 7a. posição do post “Paixão por mapas antigos”, uma vez que se trata de um post bastante pessoal e que tem sido acessado quase que diariamente por quem quer notícias a respeito de mapas antigos e acesso à Biblioteca Digital de Cartografia Histórica, um dos meus objetos de trabalho no momento.

Bom, não preciso dizer como é gratificante saber que os textos que produzo são lidos, compartilhados e considerados interessantes por um número grande de pessoas. Não esperava conseguir este resultado e, o mais legal de tudo, é que a prática de manter este blog tem me ajudado em muitos aspectos, sendo o principal deles, o desenvolvimento da habilidade de escrever.

Agradeço uma vez mais a todos os leitores do blog e, em especial, aos visitantes mais assíduos e aqueles que me deram todo o apoio desde o princípio, ajudando a divulgá-lo através das redes sociais ou recomendando-o a amigos e outras pessoas. Vocês são os responsáveis por manter meu ânimo para continuar escrevendo por aqui e me surpreender, a cada dia, como um blog sobre História pode atrair uma média de 3.360 acessos por mês ou mais de 112 acessos diários.

MUITO OBRIGADO A TODOS!!!!

2 Comentários

Arquivado em Sites

Instituto Moreira Salles lança site com obras de Charles Landseer

O caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo de hoje destaca que o Instituto Moreira Salles (IMS), dona de parte do acervo do desenhista inglês Charles Landseer (1799-1879), acaba de lançar um site com os trabalhos do artista.

Além das 130 obras de Landseer, o site traz informações biográficas e um texto do historiador inglês Leslie Bethell, do qual extraímos o trecho abaixo.

“Charles Landseer nasceu em Londres, Inglaterra, no ano de 1799 e morreu na mesma cidade, em 1879. (…) Inicia seus estudos de desenho com o pai, John Landseer, e posteriormente passa a tomar lições de pintura com Benjamin Robert Haydon (1786-1846), pintor histórico e escritor. Em 1816, Charles é admitido nas escolas da Royal Academy de Londres, e entre 1822 e 1824 faz suas primeiras participações em exposições. (…) Pensando em uma oportunidade para aprimorar suas habilidades artísticas, Charles Landseer vem ao Brasil como artista oficial da missão diplomática chefiada por Sir Charles Stuart, a qual tinha por intuito articular a devida legitimação da independência do Brasil entre as coroas de Portugal e Inglaterra. (…) Embarcado no HMS Wellesley entre março-julho de 1825, Charles Landseer aporta primeiramente em Portugal (percorrendo Lisboa, Ilha da Madeira e Tenerife) seguindo posteriormente para o Brasil. A comitiva retorna à Inglaterra, via Lisboa e Açores, no HMS Diamond no período compreendido entre maio e outubro de 1826. Entre os caminhos de ida e volta, Landseer passa três meses em Portugal, dois na viagem de ida (março-maio de 1825) e um na volta (julho-agosto de 1826), e dez meses (julho de 1825-maio de 1826) no Brasil, onde destinou a maior parte de sua estada brasileira ao Rio de Janeiro, também visitando as cidades de Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Santos, São Paulo e Espírito Santo (…)”. Acima, retrato de Charles Landseer realizado por Burchell.

Para quem estiver interessado em ver o portfolio, desenhos e aquarelas deste artista do século XIX, segue endereço do site dedicado a Charles Landseer no IMS.

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Cultura, Educação, Ensino, Sites

Paixão por mapas antigos

Imagem digitalizada de livro contendo mapa antigo de Guillaume Delisle sobre a América Meridional. Disponível em Old Maps Online, da coleção de David Rumsey.

Desde minha tenra infância, lembro-me de ser apaixonado por mapas e bandeiras de países do mundo inteiro. Com sete ou oito anos de idade, pedia para meu pai comprar um Atlas para eu ver aquela enorme variedade de mapas e ficar brincando com ele de adivinhar o nome do país olhando apenas o contorno das fronteiras do mapa da dita nação. Talvez um dos dias mais alegres dos meus primeiros dez anos de vida, foi quando meu pai chegou em casa do trabalho, cansado como sempre, mas trazendo debaixo do braço um enorme globo terrestre. Foi realmente mágico, lembro-me de ter ficado vários dias dormindo com o globo em minha cama, fantasiando como seriam lugares como a Ilha de Páscoa, Papua Nova Guiné, Austrália ou Madagascar (se bem que teve também o dia em que ele trouxe um álbum de figurinhas chamado Bandeiras do Mundo Inteiro).

LECHMuitos anos mais tarde, quando ingressei na faculdade de História, sequer imaginava que Cartografia Histórica se tornaria o objeto de meus estudos. Pensava em trabalhar com temas como a Guerra do Paraguai ou o nome do Brasil, mas nunca havia pensado em minha paixão antiga, os mapas. Tudo isso mudou de figura quando, em 2008, matriculei-me na disciplina que ficou conhecida como Oficina de Cartografia Histórica, e tomei conhecimento do trabalho que minha futura orientadora desenvolvia no Laboratório de Estudos de Cartografia Histórica (LECH). De lá pra cá, juntei-me ao grupo do laboratório, desenvolvi projetos de pesquisa na área (iniciação científica e mestrado) e tenho dado minha modesta colaboração com o desenvolvimento da Biblioteca Digital de Cartografia Histórica da USP.

Biblioteca Digital de Cartografia Histórica reúne a coleção de mapas impressos do antigo Banco Santos – atualmente sob custodia do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), conforme determinação da Justiça Federal. Além de disponibilizar os mapas em alta resolução, o site oferece informações cartobibliográficas, biográficas, dados de natureza técnica e editorial; assim como verbetes explicativos que procuram contextualizar o processo de produção, circulação e apropriação das imagens cartográficas.

É um trabalho bastante importante e que temos desenvolvido à muitas mãos junto com o pessoal do IEB, do CISC e de pesquisadores de muitas outras unidades e laboratórios dentro da USP (Geografia, Física, Poli, Astronomia). Tenho bastante orgulho de participar deste grupo e projeto e jamais conseguirei agradecer o suficiente à professora Iris o tanto que deveria por merecer a confiança dela.

Semelhante ao trabalho que estamos desenvolvendo, há outros ao redor do mundo, que também estão ligados a universidades ou a colecionadores de mapas antigo. Embora não seja este o caso do Old Maps Online, acho que aqueles que gostam de mapas antigos, assim como eu, vão gostar de receber a indicação deste site.

Old Maps Online reúne coleções de acervos de mapas antigos espalhados pelo mundo, tais como: A Vision of Britain Through Time, Historical Map Library; British Library; David Rumsey Map Collection, Moravian Library e National Library of Scotland e, diferentemente da Biblioteca Digital da USP, não possui um acervo próprio, sendo seu principal objetivo, disponibilizar versões digitalizadas de mapas que estão disponíveis em outros acervos. Resumindo: o site é mais um portal de acervos de Cartografia Histórica do que uma Base de Dados ou Biblioteca Digital.

O que achei bastante interessante neste site é que, para disponibilizar o acervo a seus usuários, a página principal foi inspirada no Google Maps. Quando você entra no site, ele identifica a região de onde você está acessando e já puxa do catálogo os mapas antigos produzidos para aquela região. Além disso, a busca no acervo se dá sempre através da localização geográfica e, se o usuário quiser, pode refiná-la indicando os anos limites de início e fim de produção do mapa.

Imagem da página inicial do site Old Maps Online do ponto de vista de um usuário da cidade de São Paulo - Brasil.

Enfim, para os apaixonados por mapas antigos, os dois sites são um prato cheio. Recomendo bastante a navegação por eles e, aos amigos, peço que prestigiem o trabalho que estamos desenvolvendo no LECH. Visitem nosso site e se preparem para conhecer “um montão” sobre mapas antigos. Embora nossa equipe seja pequena, estamos desenvolvendo um trabalho importante e de referência, pois não estamos apenas disponibilizando imagens de alta resolução, mas junto com ela, toda a pesquisa histórica referente a cada mapa que por ali é disponibilizado. Informações técnicas do mapa, biografias de seus autores, todos os trabalhos acadêmicos que foram publicados a respeito dele e de seus autores, enfim, uma série de informações que praticamente não se encontra em nenhum outro site do gênero no mundo. Visitem e conheçam melhor o nosso  http://www.mapashistoricos.usp.br/

28 Comentários

Arquivado em Cultura, Ensino, Pesquisa, Sites

Médicos cubanos no Haiti

Recentemente, o Blog Pragmatismo Político publicou um post sobre a atuação de médicos cubanos no Haiti no tratamento das vítimas do terremoto que abalou aquele país em janeiro de 2010. O blog destaca que, embora os Estados Unidos tivessem prometido uma monumental missão humanitária para aliviar o sofrimento das vítimas do terremoto, na verdade são os médicos cubanos que estão fazendo este serviço e, assim, deixando os esforços estadunidenses envergonhados.

O post informa que uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimento internacional.

Segundo números divulgados no final de 2011 e publicados no Blog, o pessoal médico cubano está distribuído por 40 centros em todo o Haiti, onde tratam mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera.

Quem quiser saber mais sobre este assunto e também sobre a política de atuação de médicos cubanos ao redor do mundo, recomendo muitíssimo a leitura deste post MÉDICOS CUBANOS NO HAITI DEIXAM O MUNDO ENVERGONHADO. Nele soube, por exemplo, que o programa médico cubano “OPERAÇÃO MILAGRE”, formado por oftalmologistas que tratam os portadores de catarata, restaurou a visão de Mário Terán, sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.

Além do post, também recomendo a leitura do blog de tempos em tempos, esta é uma excelente fonte de informação daquilo que não é veiculado na TV e nos Jornais da Grande Mídia.

Deixe um comentário

Arquivado em Política, Sites