Mestrado

A maior parte das pessoas associa a carreira na área de História com a licenciatura, imaginando que, inevitavelmente, todas as pessoas que fazem curso universitário neste ramo das ciências humanas acabam tornando-se professores nas escolas públicas e privadas do país. Embora muita gente desconheça, há outras opções para quem opta pela carreira de História e, uma delas, é seguir o caminho da pesquisa.

A pesquisa em História não está desligada do ensino, uma vez que não existe a profissão exclusiva de pesquisador no Brasil. Para trabalhar com pesquisas no país é necessário estar associado a uma universidade e, dentre suas atividades acadêmicas, dedicar um certo número de horas ao ensino.

No entanto, durante os anos de formação, se o interessado tiver muita vontade e abrir mão de iniciar imediatamente sua carreira tão logo conclua a graduação, é possível dedicar-se exclusivamente à pesquisa por alguns anos. Este é o meu caso, já que optei por matricular-me no programa de pós-graduação em História Social da Universidade de São Paulo a fim de desenvolver uma pesquisa de mestrado na área de História da Cartografia.

Em todo o Brasil, há programas de bolsas de estudo que subsidiam as pesquisas de mestrado, pagando valores que variam aproximadamente entre R$1.300,00 a R$ 1.800,00 mensais (valores de 2012). Particularmente, candidatei-me para bolsas oferecidas por agências do Brasil e de São Paulo. Em 2012 meu projeto foi aceito tanto pela CAPES como pela FAPESP. Como é impossível acumular as bolsas, optei pelo financiamento da FAPESP, pois o valor da bolsa pago por esta agência é um pouco maior, além do fato de a FAPESP disponibilizar um fundo de Reserva Técnica que nada mais é do que um valor no total de 10% de toda a sua bolsa que deve ser destinado a atividades relacionadas com pesquisa (viagens ou apresentação de trabalhos, compra de livros, equipamentos, etc.)

Entendo que o regime de dedicação para a pesquisa tem que ser exclusiva, já que há diversas atividades a realizar, como cumprir créditos em disciplinas, participar de congressos e simpósios, desenvolver a pesquisa e ainda, se possível, escrever outros textos que possam ser publicados em revistas acadêmicas. Portanto, de um ponto de vista bastante pessoal, qualquer outra atividade, mesmo que apenas durante 4h/dia, certamente me atrapalharia a cumprir bem todas as atividades relacionadas à pesquisa que desenvolvi.

Tal decisão torna a vida um tanto mais complexa, já que quem trilha por este caminho opta por viver em uma grande e cara cidade, como São Paulo, com baixíssimos recursos (especialmente se você não mora mais com a família). Pensar que apenas as despesas com aluguel, contas de consumo, alimentação e transporte levam a quase totalidade de sua bolsa, já é motivo suficiente para quase desistir do regime de dedicação exclusiva. Em muitos casos, o pouco que sobra acaba sendo investido em atividades culturais e livros necessários para complementar a pesquisa. Desta forma, àqueles que desejam seguir as sendas deste caminho, é necessário ter bastante claro que há muito pouco recurso/tempo para lazer e diversão e, em contrapartida, há bastante trabalho a ser desenvolvido e uma grande cobrança por resultados. Este será o cotidiano de dois a quatro anos de sua pesquisa, dependendo se está realizando mestrado ou doutorado.


UM POUCO SOBRE MINHA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Detalhando um pouco mais o trabalho que desenvolvi entre 2012-2015, trata-se de um estudo na área da História da Cartografia. Mais especificamente, pesquisei a elaboração de uma estatística e um mapa provincial, ambos encomendados pela recém instituída Assembleia Legislativa da Província de São Paulo a um engenheiro militar português no âmbito das reformas liberais que sucederam a abdicação de d. Pedro I, em 1831.

Intitulada Artefatos de poder: Daniel Pedro Müller, a Assembleia Legislativa e a construção territorial da Província de São Paulo (1835-1849), a dissertação foi defendida publicamente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo aos 31 de agosto de 2015, tendo sido aprovada e recomendada para publicação.

Aos interessados no assunto, deixo a seguir links para download da dissertação no banco de teses da USP, além de capítulos de livros, artigos, trabalhos publicados em anais de eventos que participei, bem como alguns dos resumos enviados para a participação em congressos e simpósios.

Dissertação na íntegra

Textos publicados como capítulos de livros

Artigos completos publicados em periódicos

Trabalhos publicados em Anais de Eventos

Resumos & Participações em Eventos

10 Respostas para “Mestrado

  1. Célia Regina da Silva

    Todos os dias enfrento este dilema: Me dedicar ao meu amor maior, que é a pesquisa histórica, mais precisamente àquela desenvolvida no campo das ideias, ou dar de oito a dez aulas por dia( talvez até mais) para não ser vista como um fracasso retumbante pela sociedade na qual vivo. Dar aulas, por mais problemático e desestimulante que possa ser, propicia que nós, historiadores e fflchianos em geral, possamos viver com alguma dignidade material sem ter que pendurar um crachá no peito e exercer uma atividade mecânica qualquer que certamente nos faria infeliz. (mais). Abrir mão disso para voltar a morar em uma república com estranhos, longe da família em uma época da vida em que o gosto pela aventura e pela incerteza já não é mais tão patente em nosso espírito, parece loucura. E é loucura! mas o que é a paixão senão loucura? Eu o faria, mas admito que tenho medo da crítica, dos olhares de cobrança que desejam sucesso imediato. Tenho medo de decepcionar…Acho mesmo que neste caso, pelo menos no meu caso, o inferno são os outros.

    • Gillian

      História e sucesso são palavras que, via de regra, não aparecem grafadas na mesma frase… (Zaratusta)

    • Debora

      Olá Célia! É… Essa vida de pesquisadora não é fácil. Questionamentos, críticas nada construtivas das pessoas ao redor que não fazem parte “desta vida” que portanto, nada compreendem. Sou casada, meu marido aceitou numa “boa” eu fazer o mestrado, mas antes percorremos um longo caminho até essa aceitação tranquila! Morei 3 semestres longe de casa, dividindo apartamento com uma graduanda de matemática. Tive que renunciar muitas coisas, escutar muitas outras coisas. Agora estou na parte exclusiva da dissertação, então voltei para casa, já que acabaram os créditos. Digo-lhe que para seguir esse caminho a pessoa tem que ser forte, forte no sentido de não deixar se abater com as conversinhas, já que elas sempre irão existir. Achei interessante o desfecho de seu comentário “o inferno são os outros”. Lembrei da tirinha de Quino, na qual Mafalda tem um dia terrível e vai dormir com a conclusão de que “o mal da gente são os outros”. E refletindo aqui com meus botões, contraditoriamente cheguei a conclusão que os outros pensam que nós é que somos o mal também! Mas, isso por que eles não compreenderem a importância da pesquisa para a sociedade. Cada pesquisa, cada discussão, cada congresso, representa um avanço. Claro, um avanço muito imperceptível até mesmo para nós. E como as pessoas de “fora” nos vêem como um “parasita”, acreditam que somos o mal! A maioria das pessoas tem dificuldade em aceitar e compreender o diferente. Por que é isso que um pesquisador é, rsrs, é diferente não em um sentido superior, mas apenas diferente. Bom, acho que me perdi nas palavras, perdoe-me se não me fiz compreender. O que eu queria falar mesmo é se você tem essa paixão pela pesquisa vá em frente! Não desista. Saiba que não será fácil, mas, também não é algo impossível. Abraços.

  2. Pingback: O Gabinete Topográfico de São Paulo (1835-1849) | Hum Historiador

  3. Debora

    José Rogério Beier que belo trabalho o seu. Parabéns, e avante na pesquisa! Sou pedagoga e faço mestrado em educação social. A minha defesa será em setembro, contando os dias para finalizar minha pesquisa. Boa sorte e muito estudo para nós! Abraços.

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