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ANPUH-SP emite nota de repúdio a declarações do ministro da educação e do presidente da República

O Hum Historiador repercute a nota de repúdio divulgada ontem (26) pela página da ANPUH-SP nas redes sociais.

NOTA DE REPÚDIO A DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO E DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA SOBRE AS FACULDADES DE HUMANIDADES, NOMEADAMENTE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA

A Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF) e associações abaixo mencionadas repudiam veementemente as falas recentes do atual presidente da república e de seu ministro da educação sobre o ensino e a pesquisa na área de humanidades, especificamente em filosofia e sociologia.

As declarações do ministro e do presidente revelam ignorância sobre os estudos na área, sobre sua relevância, seus custos, seu público e ainda sobre a natureza da universidade. Esta ignorância, relevável no público em geral, é inadmissível em pessoas que ocupam por um tempo determinado funções públicas tão importantes para a formação escolar e universitária, para a pesquisa acadêmica em geral e para o futuro de nosso país.

O ministro Abraham Weintraub afirmou que retirará recursos das faculdades de Filosofia e de Sociologia, que seriam cursos “para pessoas já muito ricas, de elite”, para investir “em faculdades que geram retorno de fato: enfermagem, veterinária, engenharia e medicina”. O ministro apoia sua declaração na informação de que o Japão estaria fazendo um movimento desta natureza.

De fato, em junho de 2015 o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão enviou carta às universidades japonesas recomendando que fossem priorizadas áreas estratégicas e que fossem cortados investimentos nas áreas de humanidades e ciências sociais.

Após forte reação das principais universidades do país, incluindo as de Tóquio e de Kyoto (as únicas do país entre as cem melhores do mundo), e também da Keidanren (a Federação das Indústrias do Japão) – que defendeu que “estudantes universitários devem adquirir um entendimento especializado no seu campo de conhecimento e, de forma igualmente importante, cultivar um entendimento da diversidade social e cultural através de aprendizados e experiências de diferentes tipos” – o governo recuou e afirmou que foi mal interpretado.

A proposta foi inteiramente abandonada quando o ministro da educação teve de renunciar ao cargo, ainda em 2015, por suspeita de corrupção. Da forma como o ministro Abraham Weintraub apresenta o caso trata-se, portanto, de uma notícia falsa.

O ministro foi seguido pelo presidente, que mencionou que o governo “descentralizará investimentos em faculdades de filosofia”, sem especificar o que isto significaria, mas deixando claro que se trata de abandonar o suporte público a cursos da área de humanidades, nomeadamente os de Filosofia e de Sociologia. O presidente indica que investimentos nestes cursos são um desrespeito ao dinheiro do contribuinte e, ao contrário do que pensa a Federação das Indústrias do Japão, afirma que a função da formação é ensinar a ler, escrever, fazer conta e aprender um ofício que gere renda.

O ministro e o presidente ignoram a natureza dos conhecimentos da área de humanidades e exibem uma visão tacanha de formação ao supor que enfermeiros, médicos veterinários, engenheiros e médicos não tenham de aprender sobre seu próprio contexto social nem sobre ética, por exemplo, para tomar decisões adequadas e moralmente justificadas em seu campo de atuação. Ignoram que os estudantes das universidades públicas, e principalmente na área de humanidades, são predominantemente provenientes das camadas de mais baixa renda da população. Ignoram, por fim, a autonomia universitária, garantida constitucionalmente, quando sugerem o fechamento arbitrário de cursos de graduação.

Uma das maiores contribuições dos cursos de humanidades é justamente o combate sistemático a visões tacanhas da realidade, provocando para a reflexão e para a pluralidade de perspectivas, indispensáveis ao desenvolvimento cultural e social e à construção de sociedades mais justas e criativas.

Seguiremos combatendo diuturnamente os ataques à universidade pública e aos cursos de humanidades movidos pelo ressentimento, pela ignorância e pelo obscurantismo, também porque julgamos que esta é uma contribuição maiúscula da área de humanidades para o melhoramento da sociedade à nossa volta.

Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (ABECS)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR)
Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE)
Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE)
Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)
Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE)
União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (Ulepicc-Brasil)
Associação Nacional de História (ANPUH)
Centro de Investigaciones Filosóficas (CIF/Argentina)
Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)
Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR)
ODARA – Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura, Identidade e Diversidade
Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – Cebes
Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)
Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJOR)
Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR)
Asociación Costarricense de Filosofía (Acofi)
Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP)
Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ)
Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope)
Associação dos Professores da UDESC (Aprudesc – ANDES-SN)
Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (FORPIBID)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM)
Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP)

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Nordeste, filosofia, sociologia: o pensamento contra a deseducação

por Marcos Silva – publicado originalmente em 10/04/2019 no portal GGN

Jair Bolsonaro (esquerda) e o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub. FOTO: Valter Campanato Agência Brasil.

O economista Abraham foi nomeado para o Ministério da Educação por Carlos (perdão pelo cacófato!) e em fala anterior ao ato, agiu como se mudasse antecipadamente o nome do órgão para Ministério da Deseducação: anunciou e garantiu que o Nordeste brasileiro não deveria se dedicar a Filosofia nem a Sociologia, e sim a convênios com Israel no campo da Agronomia.

É um trajeto de velocidade espantosa, entre Hermes/Mercúrio (que também cuidava de negócios, embora fosse mais sábio, promovesse relações entre povos, não apenas com um povo) e o personagem de quadrinhos e cinema Flash.

Em termos geográficos, onde é mesmo que se pensa?

Em qualquer lugar! Europa, França e Bahia, na antiga metáfora popular.
E quem escolhe como pensar?
Os Pensadores!
Quem são esses Pensadores?
Todas as mulheres e todos os homens do mundo!

Ministério da Educação (ou da Deseducação, como Abraham parece preferir) pode contribuir para o Pensamento com verbas e profissionais da primeira área (a Deseducação fica a cargo de qualquer burocrata), jamais com normas definidoras de áreas e tarefas. Ministério da Deseducação não pensa no lugar dos outros.

Alguns homens e mulheres, naquela parte do Brasil que costumamos designar como Nordeste, pensaram filosófica e sociologicamente sem autorização de Abraham, bem antes de seu nascimento. Houve mesmo quem se antecipasse ao conceito de Nordeste, às universidades propriamente ditas (mais que soma de unidades de ensino superior dedicadas a diferentes especialidades) e, já no século XIX e no começo do século XX – quando as regiões geográficas começavam a ser discutidas sistematicamente e os cursos de ensino superior no Brasil antecipavam universidades ao abordarem Filosofia e Sociologia nos quadros de Direito, Medicina e Engenharia -, ousasse filosofar ou sociologizar. Sylvio Romero (1851/1914), advogado, foi um deles, escreveu sobre uma cultura brasileira que mesclava elementos portugueses, africanos e indígenas. Manoel Bomfim (1868/1932), médico, combateu o racismo ao debater a História do Brasil nos quadros da América Latina, e comentou criticamente a Educação na sociedade republicana. Depois, já no tempo de região e universidade mais consolidadas, vieram Gilberto Freyre (1900/1987), graduado em Artes Liberais nos EEUU, que falou sobre africanos como formadores do Brasil; Nise da Silveira (1905/1999), médica, que articulou o trabalho terapêutico em Psiquiatria com Arte e Trabalho, tratando loucos com dignidade; Josué de Castro (1908/1973), médico, que mapeou fome e sociedade, saber de combte; Celso Furtado (1920/2004), advogado, que repensou Economia e Região; e Paulo Freyre (1921/1997), advogado, que ressignificou a Educação no universo popular São Pensadores tão diferentes cada um do outro, tão insistentes em percorrerem Sociologias e Filosofias, referências para universidades no Brasil e no mundo! E até hoje, inúmeros outros Pensadores nordestinos transitam por Filosofia, Sociologia e mais campos de saber em seu trabalho cotidiano, agora com cursos específicos, sem estribos governamentais sobre como pensar. Filosofia e Sociologia existem no Nordeste porque os Nordestinos (como os demais homens e mulheres do mundo) pensam!

Não estamos diante de ecletismo ou indefinição intelectual. Quando advogados, médicos e outros profissionais apelam para Filosofia e Sociologia, apenas demonstram que possuem rigorosa formação universitária.

O que é mesmo uma Universidade?

Mais que aglomerado de cursos e tarefas, universidades são conjuntos de núcleos de estudos sobre múltiplos saberes, articulados uns aos outros.

Cada campo de conhecimento está na universidade porque precisa dos outros e é invocado pelos demais.

E o que é mesmo Nordeste?

Existe uma região que é definida administrativamente – órgãos e verbas governamentais, respectivos poderes.

Outra que é invocada ideologicamente, justificativa para práticas de poder.
E também outra nasce inventada pelo preconceito, em nome de dominação e atos de excluir.

Mas não é possível esquecer a região recuperada por dominados e preconceituados, contra essa prática, como afirmação de poderes alternativos e críticos, presente tanto no cotidiano dos designados como paraíbas ou baianos quanto na produção artística reflexiva.

O Nordeste de administração e ideologia pode dispensar Filosofia e Sociologia porque essa é sua lógica instrumental e produtora da ignorância. Algo semelhante ocorre no mundo do preconceito, alheio ao Pensamento. Mas o Nordeste crítico, dos preconceituados, contra os dominantes, reivindica para si aqueles e outros universos de Pensamento porque… pensa.

Nordeste não é apenas um lugar físico do mapa, é um universo de homens e mulheres portadores de culturas que são mais que região e estão além daquele recorte. Nordestinos estão em New York e Paris, assim como New York e Paris estão nos Nordestes – textos, imagens, danças, cantos, lutas… E regiões não apagam Gêneros, Classes Sociais, Etnias e tantas outros faces de experiências humanas.

O desejo de Abraham não sobreviverá ao fazer crítico dos Nordestes. Filosofia e Sociologia existem ali porque os Nordestinos pensam, contra a Deseducação governamental e preconceituosa.

Convênios universitários podem e devem ser feitos com todos os países, inclusive Israel e Autoridade Palestina. Convênio não é parasitismo: existem pesquisas no Brasil sobre irrigação e outros campos de Agronomia. O Nordeste recebe pesquisadores estrangeiros nessa e noutras áreas de estudos e envia seus pesquisadores para tantos outros país. Existem Filósofos e Sociólogos em diferentes universidades do Nordeste brasileiro e do resto do planeta, assim como Físicos, Linguistas, Historiadores, Psicólogos e demais pensadores gabaritados.

Todo apoio aos convênios entre as universidades brasileiras nordestinas (e de outras regiões do país) e suas congêneres do mundo inteiro. Universidade é para isso mesmo, para ser universo.

Marcos Silva é professor no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

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Os signos do reacionarismo, da teocracia neopentecostal e do militarismo marcam governo Bolsonaro

por Vinícius Moraes – 06. dez. 2018

A formação do governo Bolsonaro combina duas características bastante nítidas, são elas o conservadorismo civil como critério objetivo de escolha e a presença militar. Um desavisado poderia confundir o processo atual com a constituição de governos de inspiração fascista do início do século XX.

Durante a campanha eleitoral, os defensores da tese de que “tem que mudar tudo isso aí” sugeriram diminuir o número de ministérios para 15, no afã do Estado mínimo. Hoje são 29. No entanto, a necessidade de acomodar no governo o conjunto das forças que apoiam Bolsonaro obrigou aos novos articulares a expandir as vagas. O velho toma lá dá cá se mostra muito atual.

O governo que está sendo montado nasce com os signos do reacionarismo, da teocracia neopentecostal e do militarismo. Nunca antes a bancada evangélica se viu com tanta força de indicação de nomes e, ao mesmo tempo, poder de veto.

Cotado para o Ministério da Educação, pasta que contará com 122 bilhões em 2019, o nome de Mozart Neves Ramos, membro do Instituto Ayrton Senna, foi simplesmente vetado, por ser considerado um moderado. Os evangélicos fazem questão de que os nomes do governo defendam a medieval ‘escola sem partido’ e o combate à ‘ideologia de gênero’, segundo Ronaldo Nogueira do PTB.

Com o veto, Bolsonaro recorreu ao Olavo de Carvalho, considerado filósofo por alguns e figura tão chula quanto lunática por outros. O indicado foi o católico colombiano, ex-trotskysta, ultrarreacionário Ricardo Vélez Rodríguez. Este, diferente de Mozart, agrada aos evangélicos. Olavo de Carvalho também indicou para chanceler Eugênio Araújo, quem pretende priorizar o combate ao ‘marxismo cultural’, considera que existe um alarmismo em relação ao aquecimento global e pretende colocar o Brasil sob a tutela norte-americana.

Os evangélicos ainda se organizaram para indicar um nome para o Ministério da Cidadania, o qual deve reunir as estruturas do Desenvolvimento Social, Cultura, Esportes e parte da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. O nome indicado, o pastor Marco Feliciano, não foi aceito. O escolhido foi Osmar Terra, ex-ministro de Temer, nome que não desagradou aos defensores da teologia da prosperidade. Composta por 84 deputados federais e sete senadores, o peso da Frente Parlamentar Evangélica parece explicar a guinada religiosa de Jair Bolsonaro.

A presença militar nos cargos de primeiro escalão impressiona e muito. Não é de agora que os militares voltaram a ter protagonismo na cena política brasileira. Imerso em crise, Michel Temer os trouxe para ser uma espécie de pilar de sustentação. Vale dizer, a título de nota relevante, que membros da ativa das Forças agiram politicamente em plena luz do dia para defender posições no cenário recente de incertezas e crise institucional. O ápice foi o tuíte do general Villas Bôas ameaçando o STF, caso a corte aceitasse o habeas corpus que permitiria a candidatura do ex-presidente Lula no pleito eleitoral.

Pois bem, agora, militares de alta patente estão em postos estratégicos do Estado brasileiro, algo que não acontecia desde a ditadura. Os generais do Exército são Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo). Os capitães são Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e Wagner Rosário (Controladoria Geral da União). Como representante da Marinha, o almirante Bento Costa Lima Leite chefiará Minas e Energia. Da Aeronáutica, o tenente-coronel, astronauta e ex-candidato a deputado federal pelo PSB, assumirá, não se sabe porquê, a Ciência e Tecnologia. Em nenhuma democracia do mundo os militares possuem tanta presença quanto aqui. Talvez isso se explique pelo fato de o Brasil estar em marcha contrária ao destino democrático.

Há, evidentemente, os superpoderosos Ministérios da Economia e da Justiça. O primeiro contará com o ‘posto Ipiranga’ Paulo Guedes. Ultraliberal, sujeito de poucas palavras, Guedes montou uma equipe econômica ao seu sabor. Como orientação, devem todos defender a privatização de tudo o que for possível e garantir os interesses do mercado financeiro.
Nomeado para agradar ao senso comum conservador, a indicação de Sérgio Moro assombrou o mundo do direito. Depois de comandar uma operação judicial que reformulou toda a roupagem do sistema político, o juiz-militante mudou de função, assumindo a pasta da Justiça no governo daqueles que saúdam torturadores. Ora, por óbvio que a Lava Jato passou a ser imediatamente questionada pela ousadia de Moro de sequer esconder suas preferências políticas.

Vale acrescentar aqui um grave ataque aos direitos dos trabalhadores: a extinção do Ministério do Trabalho. Surgido em 1930, este ministério tinha a função de estimular políticas de criação e proteção do emprego, fiscalizar violações, como o trabalho escravo, e conceder novas cartas sindicais. Ao dividir suas atribuições entre as pastas da Economia, Justiça e Cidadania, Bolsonaro revela desprezo por aqueles que vivem do seu próprio suor. Em nota, o próprio Ministério do Trabalho considerou a medida ilegal. Argumentou-se que “o Ministério do Trabalho reitera que o eventual desmembramento da pasta atenta contra o artigo 10 da Constituição Federal, que estabelece a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação”.

Observando essa montagem, fica evidente que este governo não terá vida fácil. Os militares, nacionalistas por dever de ofício, não aceitarão de bom grado os anseios ultraliberais de Guedes. Generais, diga-se de passagem, não são chegados a receber ordens, conforme já afirmou o vice Mourão. Não costumam aceitar ordem nem de economistas, nem de capitães. Por outro lado, como Sergio Moro lidará com um exército de corruptos articulados por Onyx Lorenzoni? Será que daqui em diante pedidos de desculpas serão suficientes?

Em meio a toda essa tormenta, Jair Bolsonaro será o quadro mediador. Autoritário, estabanado e impulsivo, Bolsonaro poderá, involuntariamente, levar todo o Brasil para a ponta da praia.

Segue o desenho do novo ministério:

Casa Civil: Onyx Lorenzoni

GSI: general Augusto Heleno

Secretaria de Governo: general Carlos Alberto dos Santos Cruz

Secretaria-Geral: Gustavo Bebianno

Economia (Fazenda, Planejamento, Trabalho e MDIC): Paulo Guedes

Minas e Energia: Bento Albuquerque

Justiça e Segurança Pública (Justiça, Segurança Pública e Trabalho): Sergio Moro

Relações Exteriores: Ernesto Araújo

Defesa: general Fernando Azevedo e Silva

Educação: Ricardo Vélez Rodríguez

Saúde: Luiz Henrique Mandetta

Agricultura: Tereza Cristina

Infraestrutura (Transportes, Aviação Civil, Portos e Aeroportos): Tarcísio Freitas

Ciência, Tecnologia e Comunicações: Marcos Pontes

Cidadania (Desenvolvimento Social, Trabalho, Esporte e Cultura): Osmar Terra

Turismo: Marcelo Álvaro Antônio

Banco Central: Roberto Campos Neto

AGU: André Luiz Mendonça

CGU: Wagner Rosário

Desenvolvimento Regional (Cidades e Integração Nacional): Gustavo Canuto

Faltam anunciar

  • Meio Ambiente
  • Direitos Humanos

Vinícius Moraes é historiador pela Universidade de São Paulo.

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O falso discurso dos extremismos

por Breno Leal Ferreira.

É falso o discurso, que já virou quase senso comum, de que o PT e o Bolsonaro são os extremos do espectro político.

Bolsonaro tem vocação autoritária e ditatorial. Não é um ditador (ainda), talvez não precise (dado a base de apoio que elegeu), mas não esconde um discurso extremista, contrário aos direitos de minorias (índios, negros, mulheres, LGBT, pobres e até animais) e profundamente desprovido de humanidade. Defende abertamente a tortura e a ditadura militar. Seus aliados falam em prender ministros do STF. Quer que seus adversários políticos sejam presos ou exilados. Nem nacionalista consegue ser: quer implementar um programa liberal na economia que nem Temer ousou, já disse que a Amazônia deve ser doada aos americanos e bateu continência à bandeira dos Estados Unidos.

Já em relação ao PT temos um passado a considerar. Acalmou o mercado financeiro com a “Carta ao Povo Brasileiro” (2002). Lula foi o “Lulinha paz e amor”. Seu governo não foi o de confronto de classes, mas o de conciliação de classes. Os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro quanto na época em que o partido ocupou a presidência. O BNDES apostou na política dos “campeões nacionais”, beneficiando grandes empresas nacionais. Lula e Dilma indicaram deram liberdade de investigação à Polícia Federal. Com seu republicanismo, indicaram ministros ao STF que foram responsáveis pela prisão de boa parte de sua própria cúpula (em processos altamente duvidosos, mas não cabe aqui discuti-los), além da chancela da destituição de Dilma e da prisão (também baseada em um processo discutível) do próprio Lula. O partido venceu democraticamente quatro eleições presidenciais seguidas.

Longe de qualquer comunismo, o PT fez algo próximo de um governo trabalhista, de centro-esquerda. Foi qualquer coisa menos extremista. Nem mesmo seu discurso é extremista. Já não se pode dizer a mesma coisa de Bolsonaro.

Breno Leal Ferreira atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado do IFCH-UNICAMP. Doutor e mestre em História Social pela FFLCH-USP.

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Sobre o cristianismo e Jair Bolsonaro

Batismo de Bolsonaro

Batismo de Jair Bolsonaro nas águas do rio Jordão.

Cristãos, tanto os de cepa protestante quanto católica, devem acreditar que a Bíblia traz a Palavra do Senhor. Assim sendo, antes de começarmos a argumentar acerca do cristianismo do senhor Jair Bolsonaro, vejamos um trecho da Bíblia extraído do Evangelho de Mateus, 5: 38-40:

5: 38 – Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
5-39 – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
5:40 – E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

Não vejo nesse trecho Jesus Cristo dizendo:

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Vá lá e compre um trabuco pra dar uns pipocos nesses safados. Mais do que isso, armais vossas criancinhas, pois elas herdarão o reino dos céus dando tiro em vagabundo.

Ora, ao defender o uso de armas e propor leis em prol do armamento, o candidato Jair Bolsonaro está a passar, seguramente, uma mensagem anti-cristã. Como se isso não fosse suficiente, o mesmo candidato vai contra o cristianismo ao defender, indiscriminadamente, o emprego da violência e do assassinato de opositores. São suas as palavras de que a “petralhada” deveria ser “metralhada” no Acre, em um de seus compromissos de campanha. Também falou que a Comunidade da Rocinha deveria ser metralhada. O mesmo Bolsonoro foi julgado e condenado por fazer apologia ao estupro e, em outra oportunidade, homenagear um reconhecido torturador do regime militar e, dessa forma, fazer apologia à tortura.

Bolsonaro e Armas

Em campanha na cidade de Goiânia, o candidato Jair Bolsonaro faz apologia ao uso das armas com criança no colo.

O resultado imediato de todas essas apologias nefastas realizadas pelo candidato Jair Bolsonaro foi o aumento da escalada da violência ao redor do Brasil, como denunciou o portal Brasil 247. Ficou conhecido o caso do Mestre Moa do Catende, na Bahia, assassinado com doze facadas nas costas após declarar-se eleitor de Fernando Haddad. Outro caso já bastante conhecido é o da gaúcha que foi brutalmente agredida por bolsonaristas por portar uma camiseta onde havia a inscrição #EleNão. Como se não bastasse a agressão, os atacantes marcaram uma suástica com canivete na barriga de sua vítima. Dos casos contabilizados, 14 aconteceram na região Sul, 32 na região Sudeste, 18 na região Nordeste, 3 na região Centro-Oeste e 3 na região Norte.

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Um verdadeiro cristão, por outro lado, deve se posicionar contra as armas, contra a violência, contra o assassinato de opositores, contra a tortura contra a morte. Isto é, um verdadeiro cristão deve ser favorável ao amor, à paz, à vida. Esses parecem ter sido os valores ensinados por Cristo e que são prezados pelos cristãos. Ao menos é isso que a Igreja Católica e os Protestantes tem dito nos últimos dias.

Portanto, se você é cristão, vote em quem defende e se alinha com valores cristãos. Além do nome, Jair Messias Bolsonaro certamente não tem nada a ver com Jesus Cristo. Bolsonaro, certamente, não é o melhor candidato para ocupar a presidência deste país.

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Sobre o fascismo, os neofascismos e Bolsonaro

por Henrique Soares Carneiro
publicado originalmente em seu perfil do Facebook em 26 set. 2018.

Precisamos Falar Sobre Fascismo

O fascismo é um fenômeno histórico e geográfico localizado. Nasceu com esse nome na Itália, na década de 1920, e levou Mussolini ao poder.

Na Alemanha, na mesma época, crescia o partido nazista. O golpe de Franco, na Espanha, em 1936, impôs um regime que levou o nome do ditador.

Após a derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, praticamente nenhum partido com importância e posições de poder reivindicou abertamente o fascismo e o nazismo.

Na América Latina dos anos de 1970, houve ditaduras militares brutais, mas nenhuma se assumia abertamente como de ideologia fascista. Mesmo Pinochet, talvez o pior de todas estes ditadores, não se dizia um fascista, porque aplicava o projeto neoliberal da escola de Chicago, e, em política econômica, é sabido que o nazi-fascismo foi intervencionista estatal em muitos setores, tendo Hitler chegado mesmo a nacionalizar o sistema bancário.

Ou seja, o fascismo estrito senso é algo bem diferente dos híbridos contemporâneos neofascistas. À exceção de neonazis abertos que, felizmente, ainda são ultraminoritários, ninguém está por aí com cartazes de Hitler ou Mussolini.

Isso quer dizer que não existe mais o fascismo?

Não, pelo contrário!

O que ocorreu foi uma adaptação dos neofascismos a novas identidades, mas o programa permanece o mesmo, e pode ser resumido em:

  1. Política de ódio e ameaça de extermínio dos adversários políticos, da esquerda em geral e dos movimentos sindicais e sociais.
  2. Defesa extremada do mercado e da propriedade privada contra qualquer apelo social de reforma ou diminuição de desigualdades.
  3. Escolha de grupos para serem objeto de campanhas de ódio e preconceito, estigmatizando setores sociais como bodes expiatórios.

O elemento imperialista e belicoso do fascismo europeu não se repete da mesma forma em países periféricos em que governos ditatoriais são expressões claramente fascistas, mas não deixam de existir. Vide as aventuras militares e invasões ocorridas de Suharto, na Indonésia, à Pinochet, no Chile, contra vizinhos.

Disse tudo isso para afirmar que o projeto atual da extrema-direita no Brasil unificado sob o deputado capitão, que conta com uma dezena de generais em seu staff, é sim de natureza fascista, em seu programa e em sua ameaça de violência.

A misoginia, a homofobia, o racismo, o horror à cultura, o anti-intelectualismo e o irracionalismo são marcas centrais desse híbrido ideológico pouco consistente e orgânico, mas não são o que define o seu programa econômico e político que consiste em aplicar o mais brutal plano antissocial pelos meios mais violentos, impiedosos e repressivos.

CARNEIRO Henrique SoaresHenrique Soares Carneiro é professor de História Moderna no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

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Bolsonaro é Ustra e Ustra é Bolsonaro

mulheres ditadura (Foto: Reprodução/Facebook)

Reprodução: Facebook

O candidato Jair Bolsonaro rendeu homenagem ao ex-coronel do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seus filhos, deputados, são vistos trajando camisetas com os dizeres Ustra Vive. Esse militar foi condenado pela justiça brasileira pela prática de tortura durante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

Aos desavisados, Ustra foi responsável pelo estupro, espancamento e todo tipo de violência contra mulheres. Muitas mortes são creditadas diretamente à sua ação. Vítimas de Ustra relatam que ele tinha a prática de inserir ratos nas vaginas de mulheres. Também levava os filhos menores das presas políticas para assistirem as mesmas sendo torturadas, como revela o depoimento de Maria Amélia Teles, cujos filhos foram levados para vê-la enquanto ela e o marido eram torturados por agentes do Estado ditatorial.

Nessa campanha eleitoral tenho visto colegas defendendo a candidatura de Bolsonaro e assumindo seus discursos. Há, até mesmo, quem tenha dito que a ditadura só foi ruim para “vagabundos” que não estavam “fazendo a coisa certa”. Devo dizer a quem divulga esse tipo de absurdo que sua ignorância ofende a milhares de pessoas que morreram ou foram brutalmente torturadas no Brasil.Estudem, camaradas! Não passem a vergonha de se colocarem lado-a-lado de candidatos violentos, homofóbicos, racistas e misóginos. Vocês só tem a perder com isso. A ignorância tem remédio, basta estudar. Não vamos colocar crápulas no comando deste país.

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