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A volta do PM Coxinha

O grafite PM Coxinha que havia sido censurado no canteiro de obras da futura estação do metrô Adolfo Pinheiros, foi refeito por seu autor Beto Silva. O Hum Historiador já havia comentado a censura promovida pelo metrô no post: A Censura do Metrô Paulistano.

Em seu novo grafite, Silva surpreendeu mais uma vez e, além de refazer seu polêmico personagem do PM Coxinha, ironizou a maneira como o primeiro grafite havia sido coberto pelos funcionários do metrô. Quando questionado pela reportagem da Folha de S.Paulo sobre sua nova obra, Beto Silva afirmou que “Queria deixar um registro do que ocorreu e deixar evidente por que o trabalho foi apagado”.

O problema é que o grafite recém refeito já sofreu novo ataque, como noticiou o caderno Cotidiano da Folha de hoje. Como pode ser visto na foto abaixo, a obra foi manchada com tinta branca bem em cima do PM Coxinha. Ao ser informado sobre o aparecimento da mancha em sua obra, Silva disse que ainda não havia visto. “Vou passar lá pra ver como está, mas nem sei se vou retocar, porque esse negócio já está enchendo o saco”.

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A censura no metrô paulistano

O Metrô de São Paulo censurou dois grafites que haviam sido realizados no muro do canteiro de obras da futura estação Adolfo Pinheiros do metrô. Os grafites foram realizados por Beto Silva (PM Coxinha) e Bruno Perê (Vagões Negreiros) nos dias 11 e 12 de novembro em um projeto de parceria entre o Metrô e o SESC Santo Amaro.

PM Coxinha, grafite de Beto Silva no canteiro de obras da futura estação Adolfo Pinheiros do metrô.

O grafite de Beto Silva trazia um policial militar fardado, desenhado em forma de coxinha, correndo atrás da população com o cassetete na mão. Longe de ser uma provocação banal, Beto Silva denuncia, através de seu grafite, uma experiência bastante comum sofrida pelas populações que sobrevivem nos bairros da periferia de São Paulo que é a violência policial.

Bruno Perê, por sua vez, adiciona em seu grafite a frase “todo vagão tem um pouco de navio negreiro” em clara referência ao escritor baiano, Castro Alves, e também a uma canção do Rapa, “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”. A crítica de Perê é bastante clara e aguda, referindo-se ao perfil de passageiros transportados diariamente pelas linhas de trens e metrô de São Paulo e às condições de seu transporte. Em uma só frase o grafite nos coloca a refletir sobre a exploração dos indivíduos que se deslocam dezenas de quilômetros diariamente através destes vagões, nas condições deploráveis características deste transporte público, apenas porque não lhes resta outra opção para sobreviver a não ser se deixarem explorar pelos novos feitores do século XXI: os capitalistas.

Todo vagão tem um pouco de navio negreiro, de Bruno Perê.

É certo que as reflexões levantadas pelos dois grafites incomodam não só os dirigentes do Metrô, mas todos os níveis de Governo deste país, pois nos leva a uma pergunta inevitável: o quanto avançamos na forma de tratarmos a população. De maneira mais específica, como é que o Governo trata a massa pobre e excluída. Os grafites não deixam dúvida de que elas continuam sendo mal tratadas tanto pela política pública e, como não poderia deixar de ser, por seu braço armado e repressor, a polícia. É por isso que a diretoria do Metrô não hesitou em censurar os grafites, em uma postura típica de nossas elites: melhor fingir que não existe o problema, do que resolvê-lo.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em seu caderno Cotidiano no dia 10/12/2011, a diretoria do metrô vai voltar atrás em sua decisão e permitir que os grafites sejam refeitos. O presidente do metrô, Sérgio Avelleda, ao ser questionado sobre o assunto disse que a cobertura dos grafites havia sido uma iniciativa isolada de um dos funcionários. Tal afirmação é colocada em dúvida pela própria reportagem que informa: dias antes a assessoria de imprensa havia dito que a alteração havia sido um pedido da administração da companhia. Como sempre, a covardia segue sendo uma característica fundamental dos administradores, sejam eles públicos ou privados.

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