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O futebol é do povo?

INGRESSOS CARÍSSIMOS E UMA EVIDENTE EXPULSÃO DOS POBRES DOS ESTÁDIOS, VAMOS DEIXAR BARATO?
por Carlos Carlos | para o blog Bola e Arte

Os preços exorbitantes para a final da Copa do Brasil entre Flamengo x Atlético-PR, suscitaram discussões e suspiros de preocupação em muitos torcedores. O que complica mais um pouco, é quando constatamos que isso não é novidade. Ingressos com inflação galopante em jogos decisivos não são de hoje e não vêm de um time só. Como muitos sabem, sou santista, e isso já aconteceu com o meu time em várias ocasiões, quando o ingresso na bilheteria vende-se a preço de ingresso de cambista, e sei que vários outros torcedores de diversos times já passaram por isso.

Mas vamos aos fatos reais: isso tudo não é de hoje e tem a ver com o evidente processo de elitização dos estádios brasileiros, que vê a Copa do Mundo como o grande trunfo pra embarcar de vez nessa barca furada.

No Brasil, o futebol só cresceu por causa do povo e sem o povo nada haveria, tanto torcendo, como jogando. E contraditoriamente aos fatos da história, o capital e seus agentes de expansão promovem o processo de expulsão dos pobres dos estádios, que acontece a todo vapor, desumanamente e burramente varrendo o povo brasileiro, esse que sempre habitou a “Geral” do Maracanã, essa que foi extinta e era como um símbolo de resistência popular nos estádios. Afinal, hoje não é mais simplesmente “Maracanã”, e sim “Complexo Maracanã Entretenimento”.

Isso tudo nos faz lembrar de fatos recentes, quando mobilizações populares em torno da resistência do povo no futebol andaram aparecendo, como é o caso da ANT – Associação Nacional de Torcedores, que já foi extinta. O povo e os movimentos sociais organizados tem que se unir contra esse processo escroto que está em curso, onde juntos poderemos gritar forte o “Não vai ter Copa” e ir pra cima contra o processo de elitização nos estádios.

Uma iniciativa existente e que precisa da força de adeptos combatentes é o Arquibancada Em Resistência (cliquem e confiram).

Não há tempo para esperarmos mais, a hora é agora e a Copa da FIFA fascista, dinheirista e separatista taí! Vamos pra cima mostrar que é o povo quem manda!

E pra finalizar esse post, disponibilizo um relato do face do Pedro Rios, flamenguista, desabafando quanto aos ingressos caríssimos e ao fato do povo ser expulso dos estádios! E a linda foto a seguir, que mostra os verdadeiros donos do futebol brasileiro

Eu torço pro Flamengo. Muito. Todo mundo sabe disso. 
Mas torço muito mais para a torcida do flamengo.
Esse título, ganho dentro de uma cena de crime, ganho dentro de um dos maiores ASSALTOS ao patrimônio público, o ex-maracanã, vale bem menos que o esporte. E vale bem menos que a mulambada que não consegue ir ao estádio.

Eu amo o flamengo porque amo a torcida do flamengo. Não foi outro motivo que me prendeu ao time.

O título e a festa na favela valem.

Mas eu torço para que esse povo encontre a felicidade da emancipação. A verdadeira festa na favela.

E espero poder ver um flamengo popular, em um brasil popular, voltar a comemorar seus títulos com negros, desdentados, com o suburbio, com o morro, e com a malandragem do asfalto, todo mundo junto, dentro do estádio.

Pedro Rios.

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“Menos democracia é melhor para organizar uma Copa”

Para secretário-geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke, a democracia brasileira pode ser um problema para a organização da Copa de 2014 e prevê menos dificuldade para organizar o torneio de 2018, a ser realizado na Rússia.

“Eu vou dizer uma coisa que é maluca, mas menos democracia, às vezes, é melhor para organizar uma Copa. Quando você tem um chefe de estado forte, que pode decidir, como talvez Vladimir Putin na Rússia em 2018, é mais fácil para nós, organizadores, do que em um país como a Alemanha, onde você tem que negociar em várias esferas. A principal dificuldade que temos é quando entramos em um país com estrutura política dividida, como é no Brasil, com três níveis, federal, estadual e municipal – disse o francês. (…) Há pessoas diferentes, movimentos diferentes, interesses diferentes e é um pouco difícil organizar a Copa do Mundo nestas condições.”

Foto: Agência EFE

Notabilizado por haver dito que o Brasil precisava receber um chute na bunda, por conta dos atrasos nas obras dos estádios, Valcke e a FIFA penaram para conseguirem aprovar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros durante o torneio de futebol.

A notícia ganha ainda mais peso uma vez que nesta quarta-feira, Joseph Blatter, o presidente da FIFA, também comentou sobre democracia e lembrou a Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina durante período de ditadura no país. Segundo reportagem publicada no portal do Globo Esporte, Blatter afirmou ter ficado feliz com a vitória da seleção da casa.

É um tipo de reconciliação do público, do povo da Argentina, com o sistema político, militar na época. Eu não sei o que poderia ter acontecido se eles tivessem perdido a final para a Holanda. O jogo e o mundo mudaram, este era o meu sentimento na época.

Como desgraça pouca é bobagem, o suíço descreveu a Fifa como sendo uma instituição conservadora, liberal e socialista, tudo ao mesmo tempo.

Joseph Blatter, presidente da FIFA.

“Somos conservadores, como os católicos, quando se trata das regras do jogo e arbitragem. E somos liberais quando vamos ao mercado”, disse ele, referindo-se às relações comerciais da entidade que controla o futebol mundial.

Somos Marx e Engels quando se trata da distribuição do dinheiro, 70 por cento de toda a renda é distribuída para as associações nacionais para programas de desenvolvimento.”

Durma-se com um barulho desses!

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