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Judeus e Muçulmanos se unem contra Bolsonaro

Em nota pública de oposição ao candidato Jair Bolsonaro, grupos de judeus e muçulmanos mostram como colocar as diferenças de lado por uma causa comum. Quatro coletivos de muçulmanos e seis coletivos de judeus assinam a nota, representando cerca de 15 mil pessoas.

Abaixo a íntegra do documento que foi divulgado pela revista Época no dia 05/08/2018.

JUDEUS E MUÇULMANOS UNIDOS: FASCISMO NÃO!

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Judeus e muçulmanos lançam nota pública contra Bolsonaro. Foto: Agência OGlobo

A cultura de tolerância religiosa é recente no Brasil. Nas raízes de nossa formação, encontra-se o massacre cultural imposto aos povos indígenas e africanos, obrigados a renunciar a suas crenças originárias e aceitar o poder dos senhores, aliados à estrutura da Igreja Católica. Com a tolerância advinda em meados do século passado, a partir do Concílio Vaticano II, uma nova onda de intolerância religiosa ganha ímpeto com o fanatismo de parte dos evangélicos neopentecostais, tendo como principais alvos as religiões de matriz africana.

Mesmo com os avanços legais que tornaram o Brasil um dos países mais avançados na criminalização do racismo e da discriminação religiosa, permanece em boa parte da sociedade brasileira o sentimento abafado do segregacionismo excludente. Na onda de ódio fomentada no país, nos últimos anos, a resistência cultural-religiosa desses povos passou a incomodar os setores de extrema direita, que passaram a ameaçar novamente a imposição de restrições às religiões não-cristãs, e a disseminar o medo.

Esse comportamento de uma parte da sociedade abre caminho ao cenário da ameaça fascista, solo fértil às hostilidades de raça, gênero e todas as demais discriminações sociais, hoje personificadas na figura de Jair Bolsonaro. Seu discurso deixa claro o intento de subjugar as minorias.

Os discursos de ódio, ironicamente, têm se aproveitado da liberdade de expressão, que não tem proteção contra a livre circulação de ideários fascistas.

Nós, muçulmanos e judeus, que conhecemos os horrores da islamofobia e do antissemitismo, temos a sensibilidade aguçada para perceber que, entre todas as barbaridades proferidas por este candidato, a mais emblemática, por atingir vários segmentos, foi a de que as minorias devem se curvar à maioria. Essa frase ecoa fundo no coração daqueles que sofrem diariamente a brutalidade do preconceito e da não aceitação, contrariando a nossa Constituição, que nos garante o direito de vivermos em um Estado Laico. As minorias religiosas se sentem ameaçadas em seus direitos à prática de seus cultos, e até mesmo, nas suas existências.

O discurso de ódio fomentou a união de muitos subsetores existentes nas mesmas minorias, e nos une contra o inimigo comum. Manifestamos o nosso mais profundo repúdio a todas as formas de intolerância que possam comprometer o convívio salutar dos cidadãos com todas as suas diferenças, sejam religiosas, de gênero, de cor ou de ideologia política. Ressaltamos que nossa luta não se restringe apenas à figura pessoal do candidato, mas a tudo que ele representa e todos os que reproduzem o seu discurso.

Nossa bandeira comum, como muçulmanos e judeus é barrar toda forma de violência, de preconceito e qualquer outro elemento que dê base ao projeto fascista desse homem e de seus seguidores.

Muçulmanos e judeus vão permanecer unidos depois das eleições de 2018. Nossa luta é perene, enquanto existirem nesse país sementes de fascismo, lá estaremos para tornar esse solo cada vez mais impermeável a esta ideologia.

ASSINAM ESTA NOTA PÚBLICA:

MUÇULMANOS CONTRA BOLSONARO

COLETIVO MUÇULMANAS E MUÇULMANOS CONTRA O GOLPE

MESQUITA SUMAYYAH BINT KHAYYAT – COMUNIDADE MUÇULMANA DE EMBU DAS ARTES-SP

MUÇULMANAS EM MANIFESTO CONTRA O FASCISMO

JUDEUS CONTRA BOLSONARO

FRENTE JUDAICA PARA OS DIREITOS HUMANOS

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O falso discurso dos extremismos

por Breno Leal Ferreira.

É falso o discurso, que já virou quase senso comum, de que o PT e o Bolsonaro são os extremos do espectro político.

Bolsonaro tem vocação autoritária e ditatorial. Não é um ditador (ainda), talvez não precise (dado a base de apoio que elegeu), mas não esconde um discurso extremista, contrário aos direitos de minorias (índios, negros, mulheres, LGBT, pobres e até animais) e profundamente desprovido de humanidade. Defende abertamente a tortura e a ditadura militar. Seus aliados falam em prender ministros do STF. Quer que seus adversários políticos sejam presos ou exilados. Nem nacionalista consegue ser: quer implementar um programa liberal na economia que nem Temer ousou, já disse que a Amazônia deve ser doada aos americanos e bateu continência à bandeira dos Estados Unidos.

Já em relação ao PT temos um passado a considerar. Acalmou o mercado financeiro com a “Carta ao Povo Brasileiro” (2002). Lula foi o “Lulinha paz e amor”. Seu governo não foi o de confronto de classes, mas o de conciliação de classes. Os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro quanto na época em que o partido ocupou a presidência. O BNDES apostou na política dos “campeões nacionais”, beneficiando grandes empresas nacionais. Lula e Dilma indicaram deram liberdade de investigação à Polícia Federal. Com seu republicanismo, indicaram ministros ao STF que foram responsáveis pela prisão de boa parte de sua própria cúpula (em processos altamente duvidosos, mas não cabe aqui discuti-los), além da chancela da destituição de Dilma e da prisão (também baseada em um processo discutível) do próprio Lula. O partido venceu democraticamente quatro eleições presidenciais seguidas.

Longe de qualquer comunismo, o PT fez algo próximo de um governo trabalhista, de centro-esquerda. Foi qualquer coisa menos extremista. Nem mesmo seu discurso é extremista. Já não se pode dizer a mesma coisa de Bolsonaro.

Breno Leal Ferreira atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado do IFCH-UNICAMP. Doutor e mestre em História Social pela FFLCH-USP.

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Instituto Vladimir Herzog se posiciona publicamente contra a candidatura de Jair Bolsonaro

Com o título de Porque ele não, o Instituto Vladimir Herzog lançou um manifesto no qual afirma que o candidato Jair Bolsonaro é uma ameaça à democracia. Publicado em 6 de outubro de 2018, o texto pede a “todos aqueles que dão valor ao Estado de Direito” que evitem votar no candidato….”.

Conforme noticiado no portal UOL, o instituto ainda destacou o risco de discursos de “ódio, autoritarismo e preconceito, antes tímidos e reservados à vida privada, tomarem as ruas e as redes para cultuar e se reificar em Jair Bolsonaro”.

Segue a íntegra do texto conforme publicado no site do Instituto Vladimir Herzog.

PORQUE ELE NÃO
publicado por Giuliano Galli em 6 de outubro de 2018

SECRETÁRIO/RIO

Estamos vivendo uma conjuntura política e eleitoral repleta de problemas. O presidente em exercício não foi eleito para a função que ocupa e, desde então, o país vem sendo reiteradamente acometido por uma brutal limitação de direitos sociais e uma impressionante escalada de desemprego, pobreza e violência.

Nesse cenário de retrocessos e ameaças, assistimos a discursos de ódio, autoritarismo e preconceito – antes tímidos e reservados à vida privada – tomarem as ruas e as redes para cultuar e se reificar em Jair Bolsonaro – uma figura indiscutivelmente controversa e despreparada para assumir o complexo e delicado desafio de liderar um país imerso na, possivelmente, mais dramática crise política, econômica e social de sua história.

Jair Bolsonaro é um militar da reserva. Atualmente, compõe o quadro do Partido Social Liberal (PSL), mas já foi filiado a outras oito siglas diferentes. É deputado federal desde 1991 e, nesses 27 anos, teve apenas dois Projetos de Lei aprovados. Se apresenta como “algo novo”, mas, na verdade, é mais um político profissional, de carreira, que trabalha para eleger seus filhos, usufruir de privilégios e disseminar ódio, autoritarismo e preconceito.

Despreza mulheres, negros, indígenas, homossexuais e todos os que lutam em defesa dessas pessoas. Acredita, literalmente, que as minorias têm que se curvar às maiorias e se adequar ou, simplesmente, desaparecer.

É um entusiasta da ditadura que assolou o país entre 1964 e 1985. Para ele, o erro do regime militar foi apenas torturar – e não matar mais cidadãos. Contumaz defensor da tortura, tem como ídolo Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador confesso e o único brasileiro condenado por essa prática que é, em todo o mundo, considerada um crime contra a humanidade.

Enquanto parlamentar, foi o único a votar contra a emenda constitucional que garantiu às empregadas domésticas direitos básicos, como controle da jornada de trabalho e pagamento de hora extra.

Como se não bastasse, o vice em sua chapa na corrida presidencial, o general Antônio Mourão, tem, repetidamente, colocado em risco o 13º salário e a Constituição de 1988, tendo dito, inclusive, que “uma nova Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo”.

O fato é que a candidatura de Jair Bolsonaro coloca a jovem e frágil democracia brasileira sob um iminente risco. E, na medida em que se configura numa garantia de respeito aos direitos, de expressão da pluralidade de ideias, de retificação dos caminhos equivocados e de isonomia na punição dos erros, a democracia deve ser valorizada e defendida por todos os cidadãos.

Não há regimes alternativos à democracia que sejam aceitos majoritariamente na discussão política contemporânea e formas autoritárias de governo não se sustentam e tendem a ficar isoladas.

Não podemos aceitar um projeto autoritário de governo, que se vangloria de proferir discursos machistas, misóginos, racistas, xenofóbicos e discriminatórios, e que nega a existência de um passado autoritário e excludente em nosso país.

Por tudo isso e por acreditar em um ideal de nação que preze pela liberdade, pela convivência plural e pelo respeito mútuo, o Instituto Vladimir Herzog se posiciona publicamente contra a candidatura de Jair Bolsonaro e convoca todos aqueles que dão valor ao Estado de Direito a, neste domingo, manifestarem nas urnas o repúdio a esse projeto que, definitivamente, não converge para um país mais justo e socialmente responsável.

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RENATO JANINE: O PT não é comunista

Em tempos nos quais dizer o óbvio é imperativo, vale relembrar texto escrito em 2012 pelo professor Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da educação, que publicou em sua coluna no jornal Valor Econômico, um texto em que explica porque o PT não é (nem foi) um partido comunista.

O PT NÃO É COMUNISTA
por Renato Janine Ribeiro para o VALOR
Íntegra do texto republicada a partir do Portal GGN – 27/08/2012

De vez em quando, leio em blogs ou mesmo em cartas que recebo enquanto colunista deste jornal ataques aos “comunistas” do PT. Ora, é importante esclarecer algumas coisas. Todos têm o direito de divergir do Partido dos Trabalhadores e do comunismo. Mas é errado confundir um com o outro. Melhor aclarar alguns pontos, para que os adversários do PT ou do comunismo possam criticá-los sem incorrer nessa confusão.

O PT não é ou foi comunista, nem por seu programa nem por sua história.

Vamos ao programa ou, se quiserem, aos ideais. O princípio de todo partido ou militante comunista é a abolição da propriedade privada dos meios de produção. Quer dizer que só a sociedade pode ser dona de fábricas, fazendas, empresas. Já residências, carros, roupas e hortas para uso pessoal ou familiar não precisariam ser expropriadas de seus proprietários privados. A casa em que eu moro não é “meio de produção”. Menos ainda, minha roupa. Mesmo a horta, em vários países comunistas, ficou em mãos particulares. Seja como for, o ponto de partida do comunismo é: a propriedade privada dos meios de produção – fazendas, fábricas – é injusta e, também, ineficiente. Deve ser suprimida. Sem essa tese, não há comunismo.

Um parêntese: até o presente, esse projeto não funcionou. Para Marx, a questão não era moral, mas econômica. A propriedade privada acabaria se mostrando ineficiente. Seria superada por uma forma superior de propriedade, a coletiva. Ora, até hoje a propriedade privada se mostrou mais produtiva. E ninguém conseguiu mostrar na prática (ou teorizar) o que seria a propriedade “social” dos meios de produção. Houve, sim, propriedade estatal deles. Mas Marx era claríssimo: o Estado tinha que ser abolido. Nunca propôs ampliá-lo. Nem reduzi-lo. Ela ia mais longe do que os próprios liberais: queria suprimir o Estado. Era o contrário do que fizeram os Estados comunistas, que reforçaram a polícia e controles de toda ordem. Eles suprimiram a propriedade privada, mas não o Estado: criaram um monstro policial que Marx jamais aceitaria.

Pois bem, o PT namorou em seus inícios a ideia de um socialismo vago, mas nunca se bateu pela abolição da propriedade privada dos meios de produção. Daí que, nos seus primórdios, fosse até acusado de ser uma armação contra a “verdadeira” esquerda, a comunista. Dizia-se que Lula seria um ingênuo, ou um agente da CIA aqui infiltrado. Além disso, o PT nasce de um inovador movimento sindical; ora, Lênin fora áspero na crítica ao “sindicalismo”, que padeceria de uma ilusão reformista, querendo melhores salários em lugar da revolução. Tínhamos um abismo entre o projeto petista e o comunista. Finalmente, o lado libertário do PT – o fato de reunir descontentes com a cultura dominante, machista, racista etc. – desagradava a quem achava que a contradição decisiva da sociedade seria o conflito do capital com o trabalho. Havia marxistas no PT, talvez ainda os haja, mas sempre foram minoria.

Daí vêm duas consequências curiosas e paradoxais quanto ao comunismo. Para ele, o fim da propriedade privada não é só um projeto. É uma certeza científica. O marxismo pretende ser a ciência das relações humanas. É científico que um dia virá o socialismo. Disso decorre que, sendo uma ciência, o marxismo no poder não admite discordância. O dissidente é um errado. E por que autorizaríamos os errados a falar? Eles só atrasarão a rota da história… Seria mais econômico e melhor, para a humanidade, calá-los. Daí, o caráter não democrático dos regimes comunistas (é por isso que, na democracia, a liberdade de expressão significa que podemos erra, renunciamos à certeza). E disso decorre, também, que os marxistas fora do poder não têm pressa. Um dia, chegará o comunismo. No poder, enfatizam que o socialismo é uma necessidade histórica. Fora do poder, enfatizam que a história não precisa ser apressada. Dão-se bem com a adversidade. Derrotados, sabiam ser serenos, para usar a virtude que mostravam em tempos nefastos: a história lhes daria, um dia, razão.

É paradoxal, não é? A mesma convicção de que o marxismo seja uma ciência leva os comunistas, no poder, a não tolerar a oposição, e fora do poder a fazer tudo o que é acordo, mesmo dos mais espúrios, a aguentar qualquer derrota, a esperar. Ora, é digno de nota que o PT nunca aceitou o pressuposto do marxismo como ciência. Por isso mesmo, também recusou suas consequências. Nunca reprimiu divergências ao feitio comunista. E sempre teve pressa (exceto, talvez, depois de chegar à Presidência). Não foi à toa que, entre petistas e comunistas, as relações nunca tenham sido fáceis. A queda do Partido Comunista tradicional, o “partidão”, acaba coincidindo com a ascensão do PT. Não restou espaço ao PCB. Mudou de nome, abriu mão do fim da propriedade privada, manteve uma excelente retórica, foi para a direita.

Em suma, há muito a criticar ou a elogiar no PT, mas será errado criticá-lo (ou elogiá-lo) por ser comunista.

Depois de meu último artigo, recebi de Fernando Henrique Cardoso amável e-mail. O ex-presidente se diz leitor da coluna e, confiando na minha boa-fé, desmente que seu governo tenha restringido a apuração dos escândalos da privatização das teles e da compra de votos para a reeleição. Esta existiu, diz, mas por parte de políticos locais. É importante o seu depoimento. E lembro aos leitores que o eixo de meu artigo estava na tese de que as questões de corrupção, que pareciam tão claras quando o lado do bem se opunha à ditadura, se transformaram num cipoal desde que PT e PSDB se digladiam. Agradeço a carta e a gentileza do ex-presidente.

renato_janine_ribeiroRENATO JANINE RIBEIRO é professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP). Foi Ministro da Educação (Abril a Setembro de 2015).

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Sobre o cristianismo e Jair Bolsonaro

Batismo de Bolsonaro

Batismo de Jair Bolsonaro nas águas do rio Jordão.

Cristãos, tanto os de cepa protestante quanto católica, devem acreditar que a Bíblia traz a Palavra do Senhor. Assim sendo, antes de começarmos a argumentar acerca do cristianismo do senhor Jair Bolsonaro, vejamos um trecho da Bíblia extraído do Evangelho de Mateus, 5: 38-40:

5: 38 – Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
5-39 – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
5:40 – E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

Não vejo nesse trecho Jesus Cristo dizendo:

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Vá lá e compre um trabuco pra dar uns pipocos nesses safados. Mais do que isso, armais vossas criancinhas, pois elas herdarão o reino dos céus dando tiro em vagabundo.

Ora, ao defender o uso de armas e propor leis em prol do armamento, o candidato Jair Bolsonaro está a passar, seguramente, uma mensagem anti-cristã. Como se isso não fosse suficiente, o mesmo candidato vai contra o cristianismo ao defender, indiscriminadamente, o emprego da violência e do assassinato de opositores. São suas as palavras de que a “petralhada” deveria ser “metralhada” no Acre, em um de seus compromissos de campanha. Também falou que a Comunidade da Rocinha deveria ser metralhada. O mesmo Bolsonoro foi julgado e condenado por fazer apologia ao estupro e, em outra oportunidade, homenagear um reconhecido torturador do regime militar e, dessa forma, fazer apologia à tortura.

Bolsonaro e Armas

Em campanha na cidade de Goiânia, o candidato Jair Bolsonaro faz apologia ao uso das armas com criança no colo.

O resultado imediato de todas essas apologias nefastas realizadas pelo candidato Jair Bolsonaro foi o aumento da escalada da violência ao redor do Brasil, como denunciou o portal Brasil 247. Ficou conhecido o caso do Mestre Moa do Catende, na Bahia, assassinado com doze facadas nas costas após declarar-se eleitor de Fernando Haddad. Outro caso já bastante conhecido é o da gaúcha que foi brutalmente agredida por bolsonaristas por portar uma camiseta onde havia a inscrição #EleNão. Como se não bastasse a agressão, os atacantes marcaram uma suástica com canivete na barriga de sua vítima. Dos casos contabilizados, 14 aconteceram na região Sul, 32 na região Sudeste, 18 na região Nordeste, 3 na região Centro-Oeste e 3 na região Norte.

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Um verdadeiro cristão, por outro lado, deve se posicionar contra as armas, contra a violência, contra o assassinato de opositores, contra a tortura contra a morte. Isto é, um verdadeiro cristão deve ser favorável ao amor, à paz, à vida. Esses parecem ter sido os valores ensinados por Cristo e que são prezados pelos cristãos. Ao menos é isso que a Igreja Católica e os Protestantes tem dito nos últimos dias.

Portanto, se você é cristão, vote em quem defende e se alinha com valores cristãos. Além do nome, Jair Messias Bolsonaro certamente não tem nada a ver com Jesus Cristo. Bolsonaro, certamente, não é o melhor candidato para ocupar a presidência deste país.

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Sobre o fascismo, os neofascismos e Bolsonaro

por Henrique Soares Carneiro
publicado originalmente em seu perfil do Facebook em 26 set. 2018.

Precisamos Falar Sobre Fascismo

O fascismo é um fenômeno histórico e geográfico localizado. Nasceu com esse nome na Itália, na década de 1920, e levou Mussolini ao poder.

Na Alemanha, na mesma época, crescia o partido nazista. O golpe de Franco, na Espanha, em 1936, impôs um regime que levou o nome do ditador.

Após a derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, praticamente nenhum partido com importância e posições de poder reivindicou abertamente o fascismo e o nazismo.

Na América Latina dos anos de 1970, houve ditaduras militares brutais, mas nenhuma se assumia abertamente como de ideologia fascista. Mesmo Pinochet, talvez o pior de todas estes ditadores, não se dizia um fascista, porque aplicava o projeto neoliberal da escola de Chicago, e, em política econômica, é sabido que o nazi-fascismo foi intervencionista estatal em muitos setores, tendo Hitler chegado mesmo a nacionalizar o sistema bancário.

Ou seja, o fascismo estrito senso é algo bem diferente dos híbridos contemporâneos neofascistas. À exceção de neonazis abertos que, felizmente, ainda são ultraminoritários, ninguém está por aí com cartazes de Hitler ou Mussolini.

Isso quer dizer que não existe mais o fascismo?

Não, pelo contrário!

O que ocorreu foi uma adaptação dos neofascismos a novas identidades, mas o programa permanece o mesmo, e pode ser resumido em:

  1. Política de ódio e ameaça de extermínio dos adversários políticos, da esquerda em geral e dos movimentos sindicais e sociais.
  2. Defesa extremada do mercado e da propriedade privada contra qualquer apelo social de reforma ou diminuição de desigualdades.
  3. Escolha de grupos para serem objeto de campanhas de ódio e preconceito, estigmatizando setores sociais como bodes expiatórios.

O elemento imperialista e belicoso do fascismo europeu não se repete da mesma forma em países periféricos em que governos ditatoriais são expressões claramente fascistas, mas não deixam de existir. Vide as aventuras militares e invasões ocorridas de Suharto, na Indonésia, à Pinochet, no Chile, contra vizinhos.

Disse tudo isso para afirmar que o projeto atual da extrema-direita no Brasil unificado sob o deputado capitão, que conta com uma dezena de generais em seu staff, é sim de natureza fascista, em seu programa e em sua ameaça de violência.

A misoginia, a homofobia, o racismo, o horror à cultura, o anti-intelectualismo e o irracionalismo são marcas centrais desse híbrido ideológico pouco consistente e orgânico, mas não são o que define o seu programa econômico e político que consiste em aplicar o mais brutal plano antissocial pelos meios mais violentos, impiedosos e repressivos.

CARNEIRO Henrique SoaresHenrique Soares Carneiro é professor de História Moderna no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

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Bolsonaro é Ustra e Ustra é Bolsonaro

mulheres ditadura (Foto: Reprodução/Facebook)

Reprodução: Facebook

O candidato Jair Bolsonaro rendeu homenagem ao ex-coronel do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seus filhos, deputados, são vistos trajando camisetas com os dizeres Ustra Vive. Esse militar foi condenado pela justiça brasileira pela prática de tortura durante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

Aos desavisados, Ustra foi responsável pelo estupro, espancamento e todo tipo de violência contra mulheres. Muitas mortes são creditadas diretamente à sua ação. Vítimas de Ustra relatam que ele tinha a prática de inserir ratos nas vaginas de mulheres. Também levava os filhos menores das presas políticas para assistirem as mesmas sendo torturadas, como revela o depoimento de Maria Amélia Teles, cujos filhos foram levados para vê-la enquanto ela e o marido eram torturados por agentes do Estado ditatorial.

Nessa campanha eleitoral tenho visto colegas defendendo a candidatura de Bolsonaro e assumindo seus discursos. Há, até mesmo, quem tenha dito que a ditadura só foi ruim para “vagabundos” que não estavam “fazendo a coisa certa”. Devo dizer a quem divulga esse tipo de absurdo que sua ignorância ofende a milhares de pessoas que morreram ou foram brutalmente torturadas no Brasil.Estudem, camaradas! Não passem a vergonha de se colocarem lado-a-lado de candidatos violentos, homofóbicos, racistas e misóginos. Vocês só tem a perder com isso. A ignorância tem remédio, basta estudar. Não vamos colocar crápulas no comando deste país.

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