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ANPUH: Carta aberta pela obrigatoriedade da História no Ensino Médio

CARTA ABERTA PELA OBRIGATORIEDADE DA HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO

A História, como disciplina escolar, integra o currículo do ensino brasileiro desde o século XIX. Sua presença, considerada fundamental para a formação da cidadania, foi gravemente ameaçada no período da Ditadura Militar, quando se deu a diluição da História na instituição dos Estudos Sociais.

A Medida Provisória nº 746/16, aprovada pelo Congresso Nacional, que instaura a Reforma do Ensino Médio, comete grave equívoco ao omitir do texto legal qualquer referência à disciplina, e, principalmente, ao excluí-la da relação de componentes curriculares obrigatórios, instalando fortes incertezas sobre a presença da História nesse nível de ensino.

Não menos preocupante é o rebaixamento das exigências para o exercício da profissão docente, ao permitir a admissão de “profissionais com notório saber”. Além disso, na prática, a Reforma do Ensino Médio está sendo subordinada a um documento (BNCC) que ainda não está concluído, cujo conteúdo final é desconhecido, e que está indicado como referência para a formação de professores.

Diante do exposto, a Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil, contesta a aprovação da Reforma do Ensino Médio sem consultar a sociedade, em particular, os professores. E reivindica, com muita ênfase, a clara definição da História como componente curricular obrigatório no Ensino Médio.

Atenciosamente,

Diretoria da ANPUH Brasil

P.S.: Esta carta foi enviada ao Presidente da República, ao Chefe da Casa Civil, ao Ministro da Educação, à Secretária Executiva do Ministério da Educação e ao Secretário de Educação básica do Ministério da Educação.

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Kenneth Maxwell fala da importância de estudar e ensinar história

O Hum Historiador reproduz abaixo depoimento dado pelo historiador britânico Kenneth Maxwell ao portal Festival de História sobre a importância de se estudar e ensinar História.

POR QUE ENSINAR HISTÒRIA?
por Kenneth Maxwell | publicado originalmente no portal fHist

“Ouvimos com frequência que não conhecer o passado é arriscar repetir os mesmos erros de antes. Se ao menos isso fosse verdade… Nós conhecemos bem as consequências da ignorância da história. As evidências estão ao nosso redor. A invasão do Afeganistão, por exemplo, na qual a arrogância e o desconhecimento da história de George W. Bush (junto com Tony Blair) fizeram com que se repetisse o desastre das invasões britânicas do século XIX, assim como o da invasão soviética no século seguinte. O exemplo do Iraque chega a ser ainda pior.

Contudo, conhecer a história pode não ser de grande ajuda para alguns. Winston Churchill levou seu país à vitória na Segunda Guerra, e era um grande conhecedor de história. Mas também era um imperialista nostálgico, sendo rejeitado pelo eleitorado britânico depois do fim da guerra, e sucedido pelo líder nem um pouco carismático do reformista Labour Party, Clement Attlee. Minha avó, que era unitarista, socialista e uma pioneira na luta pelos direitos das mulheres, não se surpreendera com o resultado das eleições. Ela nunca perdoara Churchill pelos ataques às sufragistas que lutavam pelo direito ao voto antes da Primeira Guerra. Era um evento histórico bem vívido em sua memória, e que depunha contra os méritos de Churchill (ou a falta deles) nas discussões que travava com o meu pai, um conservador convicto.

No Brasil, a necessidade de conhecer a própria história é urgente. Mesmo com a interpretação de sua história sendo tão complexa, multifacetada e disputada. Muitos avanços foram feitos nesse quesito no anos 30 e 40 do século passado, quando Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Caio Prado Junior, todos de formas e perspectivas diferentes, buscaram interpretar as formações da sociedade, da cultura e da economia brasileiras. Os três souberam unir pesquisas de arquivo originais com geniais e criativas interpretações.

Os problemas com a interpretação tem se tornado mais complicados desde então. O Brasil de hoje é, definitivamente, mais urbano, mais desenvolvido e mais etnicamente diversificado. Um número grande de brasileiros, porém, continua racial, social e economicamente excluídos. As contradições de uma sociedade muito desigual ainda se fazem presentes. Reconhecer a complexidade do passado brasileiro é, por esse motivo, mais importante do que nunca, e esse é um desafio que os brasileiros ignoram a seu próprio risco”.

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O passado, essa grande nebulosa indiferenciada…

OS JOVENS QUE ESQUECEM A MEMÓRIA E A HISTÓRIA
por Umberto Eco – publicado em Geledés | 09 mai. 2015

umberto_eco

Umberto Eco é um filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano. Atualmente é diretor da Escola Superior de Ciências Humanas da Universidade de Bolonha. 

É um truísmo que os jovens carecem de conhecimento histórico geral. Mas, na minha experiência, para muitos jovens o passado se achatou em uma grande nebulosa indiferenciada. É por isso que, em uma carta aberta publicada recentemente na revista italiana “L’Espresso”, aconselhei meu neto adolescente a exercitar sua memória aprendendo de cor um longo poema.

Eu temo que as gerações mais jovens de hoje corram o risco de perder o poder da memória, tanto a individual quanto a coletiva. Pesquisas revelaram os tipos de enganos que persistem entre jovens ostensivamente educados: por exemplo, li que muitos universitários italianos acreditam que Aldo Moro foi líder da organização militante Brigadas Vermelhas, quando na verdade ele foi primeiro-ministro da Itália e as Brigadas Vermelhas foram responsáveis por sua morte em 1978.

Escrevi a carta para meu neto em dezembro, mais ou menos na época em que um certo vídeo se tornou viral no YouTube. Era um episódio de “L”Eredità”, um programa de perguntas e respostas da TV italiana que parece escolher os concorrentes com base na boa aparência e na simpatia natural, além de um módico conhecimento geral. (Supostamente isto é para evitar encher o programa com pessoas lindas mas sem noção que espremem seus cérebros só para responder a perguntas de múltipla opção como: Giuseppe Garibaldi foi um ciclista, um explorador, um líder militar ou o inventor da água quente?)

Em um episódio, o anfitrião, Carlo Conti, pediu que os concorrentes identificassem o ano em que Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha. As quatro opções de respostas eram: 1933, 1948, 1964 ou 1979. Os quatro concorrentes que tiveram a oportunidade de responder foram: Ilaria, uma jovem muito bonita; Matteo, um homem forte de cerca de 30 anos, cabeça raspada e corrente no pescoço; Tiziana, uma jovem atraente que também parecia ter cerca de 30 anos; e outra garota chamada Caterina, que usava óculos e tinha um ar de sabe-tudo.

Deveria ser universalmente conhecido que Hitler morreu no fim da Segunda Guerra Mundial, por isso obviamente a resposta só poderia ser 1933 – sendo as outras datas avançadas demais. Mas Ilaria respondeu 1948, Matteo 1964 e Tiziana 1979. Quando chegou a vez de Caterina, ela foi obrigada a escolher 1933, mas fingiu incerteza ao fazê-lo, fosse por ironia ou por surpresa.

Conti também perguntou aos candidatos em que ano o ex-primeiro-ministro italiano Benito Mussolini se encontrou com Ezra Pound; novamente, as opções eram 1933, 1948, 1964 ou 1979. Ninguém é obrigado a saber quem foi Ezra Pound (para constar, um poeta e crítico americano), e se não tivesse sido um teste de múltipla opção eu não poderia ter dado o ano exato. Mas, como Mussolini foi assassinado em 1945, a única resposta possível era 1933. (Confesso que fiquei incrédulo ao saber a extensão em que o ditador se mantinha atualizado sobre poesia americana.) A bela Ilaria, suplicando indulgência com seu doce sorriso, chutou 1964.

Conti não pôde esconder sua incredulidade, nem muitas das pessoas que assistiram e comentaram o vídeo no YouTube. Mas esse momento foi o indício de um problema maior: os quatro concorrentes, que tinham todos aproximadamente de 20 a 30 anos e que podemos supor fossem bastante representativos de sua faixa etária, viram as quatro datas como parte de um passado genérico que ocorreu antes de eles nascerem. Quem sabe se não teriam caído na mesma armadilha se uma das opções de resposta fosse 1492?

Nossa era não é a primeira a experimentar essa homogeneização do passado. Considere por exemplo “O Casamento da Virgem”, que Rafael concluiu em 1504: a pintura mostra pessoas vestidas em trajes da era renascentista, apesar de a cena que retrata evidentemente ter ocorrido muito antes do Renascimento. Hoje é muito mais difícil justificar essa imprecisão das linhas, diante da quantidade de informação histórica amplamente disponível na Internet, em filmes e na televisão. Será possível que nossos quatro candidatos não soubessem distinguir entre o período em que Hitler entrou em cena e aquele em que o homem fez o primeiro pouso na lua? Será que para alguns (ou mesmo muitos) jovens de hoje o conceito de história é unidimensional?

Ainda tenho esperanças, porque soube desse vídeo no YouTube por meu neto de 13 anos e seus colegas de escola, que riram e zombaram quando me contaram a respeito. Talvez alguns jovens estejam aprendendo o valor da memória, afinal.

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IV Simposio Iberoamericano de História da Cartografia

Peço permissão aos leitores do meu blog para publicar um post bastante pessoal no qual vou dar vazão a enorme alegria que estou sentindo nos últimos dias. Se tudo correr bem, este post vai ser disparado automaticamente enquanto eu estiver voando de São Paulo a Lisboa para apresentar meu trabalho no IV Simpósio Iberoamericano de História da Cartografia, a ser realizado na Biblioteca Nacional de Portugal.

Esta é minha primeira participação em um seminário internacional e estou bastante ansioso para compartilhar com meus pares a pesquisa que venho desenvolvendo sobre o primeiro mapa impresso de São Paulo e seu autor, o engenheiro militar Daniel Pedro Müller.

Para as pessoas que não estão familiarizadas com o trabalho de pesquisador em história, a publicação em periódicos científicos e a participação em eventos para expor a pesquisa a seus pares são atividades fundamentais para quem trabalha fazendo pesquisa.

Deixo por aqui o resumo de minha apresentação para que tenham uma ideia, ainda que vaga, sobre uma pesquisa na área de História, além do programa do dia 11, que é quando vou apresentar meu trabalho.

Para visualizar o resumo na íntegra, clique sobre a imagem abaixo.

Abaixo segue o programa do dia 11 de Setembro de 2012.

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Coleção História Geral da África

Depois de ter falado tanto sobre cotas raciais, o papel e a posição do negro na sociedade brasileira hoje e também sobre as particularidades do processo histórico de formação do povo brasileiro, especialmente da miscigenação deste com as populações de africanos que aqui foram introduzidos, entendo ser de grande valia a divulgação da excelente iniciativa que a Representação da UNESCO no Brasil tomou em disponibilizar gratuitamente para download a Coleção História Geral da África.


Em sua página na Internet, a Representação da UNESCO no Brasil disponibilizou links para que o usuário possa baixar a coleção completa de História Geral da África em língua portuguesa. A coleção é composta por oito volumes e além de ter sido publicada em nossa língua, ela também já havia sido vertida para o árabe, o inglês e o francês, em sua versão completa,  e para o inglês, o francês e várias outras línguas, como hausa, peul e swahili em uma versão condensada.

Segundo informações do próprio site da UNESCO, este é um dos projetos editoriais mais importantes da instituição nos últimos trinta anos, sendo um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, já que permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Abaixo seguem os links para download direto do site da Representação da UNESCO no Brasil:

HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA. Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

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“Trucidamento da família Kubitzky”, grilagem e especulação imobiliária

Que o twitter e o Facebook são ferramentas incríveis de divulgação, ninguém mais duvida. Eu muito menos.

Acabei de receber via @celioturino um link com notícia da Folha de S. Paulo de 01 de julho de 1969, onde fui informado do misterioso “trucidamento da família Kubitzky”, ex-proprietária do terreno onde anos mais tarde acabou sendo instalada a ocupação do Pinheirinho. O caso nunca foi solucionado e, como a família não tinha parentes ou herdeiros, o Estado acabou incorporando a fortuna dos Kubitzky, inclusive imóveis, é claro.

Abaixo trecho da reportagem retirada da edição digitalizada do Acervo Folha:

Seria interessante buscar uma compreensão de como foi que, depois de o Estado ter herdado o terreno, ele foi cair nas mãos do Naji Nahas e do Grupo Selecta. Nas redes sociais já circula uma explicação, que deveria ser investigada pelas autoridades competentes, da possibilidade de estarmos diante de um caso de GRILAGEM DE TERRA. ALÔ MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, vocês poderiam dar uma posição sobre o caso????

Já através do Facebook, a amiga Ana Paula me passou link de um vídeo gravado no Rio de Janeiro em uma das muitas manifestações de apoio ao Pinheirinho ocorridas ao redor do Brasil no dia de hoje, 23/01/2012. Em um certo momento, uma professora de São José dos Campos, em férias no RJ, pediu a palavra. Em sua fala ela não só levantou as mesmas suspeitas sobre a possível grilagem do terreno ao questionar como uma propriedade de família alemã poderia ter sido herdada pelo libanês Naji Nahas, como também mencionou o fato de um condomínio empresarial de luxo ter se instalado na frente do Pinheirinho, há aproximadamente cinco anos e, em decorrência disso, exercer forte pressão para que a ocupação fosse removida dali e no local pudesse ser construída uma extensão do dito centro empresarial. Vejam o depoimento:

Por enquanto o que se pode afirmar é que, desde o princípio, em 1969, até o caso mais recente da violentíssima reintegração de posse do Pinheirinho, este terreno está manchado de sangue e muito mistério. As autoridades deveriam vir a público e se pronunciarem quanto as dúvidas que foram levantadas e, se for o caso, investigar para dar uma satisfação aos contribuintes.

VEJA A REPORTAGEM COMPLETA – ACERVO FOLHA 

CONVERSA AFIADA – PM e Justiça de São Paulo devolvem a Nahas posse ilegal

Neste outro vídeo, alguns flagrantes da extrema violência com que foi feita a ação de reintegração de posse de Pinheirinho. Assustam as imagens de pessoas sendo marcadas com pulseiras azuis de identificação, a informação de que a prefeitura está concedendo passagens para os moradores irem para outros estados da federação e o flagrande de um policial sacando uma arma de fogo e ameaçando os moradores.

O Massacre de Pinheirinho: A verdade não mora ao lado from Passa Palavra on Vimeo.

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