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Preconceitos e ódio: os pilares da direita brasileira

por Célia Regina da Silva e Rogério Beier

Recentemente, como parte de uma “experiência antropológica”, entrei em um grupo de discussão política em uma rede social. O grupo diz preconizar a discussão de ideias, não de pessoas, entretanto, quando se começa a participar das discussões o que se vê é justamente o contrário.

Bastou fazer alguns comentários e como primeiras respostas logo vieram simpatizantes do deputado Jair Messias Bolsonaro insultando-me de gordo, reparando na minha camiseta comunista, chamando-me de merda, escroto, comedor de hamburguer do McDonnalds, dentre outros qualificativos, como se pode ver abaixo:

Leonardo Hatake e Kaio_001

Rui de Salles Oliveira_001

Samuel Gomes_001

Johann_004

Rafael Neves_001

Este último comentário veio em resposta a uma imagem que faz comparativo entre as ideias do historiador Eric Hobsbawm e o economista Ludwig von Mises.

Não satisfeitos em responderem o post que eu havia compartilhado no grupo criticando minha aparência, partiram para ataques homofóbicos, como se percebe no comentário deste militante do Bosonaro para quem eu sou socialista por ele achar que eu gosto de sexo anal:

Vinicius Ramos_004

Claro que depois das primeiras ofensas, passei a responder àqueles que me atacavam. Não baixei tanto o nível, como alguns que ofenderam minha mãe, sugerindo que ela estivesse fazendo sexo oral com eles, mas tentava fazê-los ver o quanto são imbecis.

Entretanto, o pior ainda estava por vir. Célia Regina da Silva, outra participante do grupo começou a fazer posts provocativos que defendiam ideais da esquerda. Desde o primeiro post ela foi insultada e humilhada diversas vezes. Vou postar aqui apenas os comentários raivosos de um dos posts mais comentados que ela fez, só para que vocês tenham ideia da quantidade de preconceitos (de todos os tipos) e ódio que circula nas redes sociais.

O “post bomba” foi este:

Celia_Che

Logo de princípio, gratuitamente, ela teve respostas como estas:

Ana Paula Santos_001

Ana Paula Santos_002

Alexandre Limberger_001

Alexandre Limberger_002

Para um dos integrantes do grupo, esquerdistas como a Célia, além de serem pobres de espírito e de caráter, não são seres humanos de verdade, como se vê no comentário abaixo:

Cris Orlando_001

Já para outro membro, que foi atrás do perfil de Célia e viu que ela é professora, a desonestidade faz parte do caráter dela. Para chegar a esta conclusão, bastou o post e umas respostas que ela deu àqueles que a atacavam.

Johann_001

Outro membro do grupo, após observar alguns erros cometidos por Célia durante a digitação de suas respostas, não a poupou de críticas, taxando-a de analfabeta funcional:

Mauro Neto_001

Já outro integrante, um dos principais agressores de Célia, aponta que os posts dela se devem a pagamentos que ela supostamente estaria recebendo do PT ou do governo, não poupando-a de comentários depreciativos, inclusive utilizando-se de calão, como se pode ver abaixo:

Mauro Halpern_001

Mauro Halpern_002

Mauro Halpern_003

Mauro Halpern_004

Outro agressor contumaz de Célia, um senhor mais idoso, mesmo sem conhecê-la ou sequer haver conversado com ela, diz ter segurança de que Célia era má professora, analfabeta política, idiota útil, imbecil e canalha.

Nicolau Piragino_002

Nicolau Piragino_005

Nicolau Piragino_001

Nicolau Piragino_003

Este último comentário, pasmem, ele fez após Célia ter chamado atenção para o fato de a Revolução Francesa ser uma Revolução Burguesa.

Por seu lado, o militante do Bolsonaro para quem eu sou socialista porque supostamente gosto de sexo anal, não deixou por menos. Quando contestado no grupo por outros participantes, também partiu para a agressão pessoal:

Vinicius Ramos_003

Vinicius Ramos_002

Vinicius Ramos_001

No entanto, muito surpreendeu uma integrante feminina do grupo, estudante de medicina e de quem se esperava um pouco mais de sororidade para com Célia. Ao contrário disso, manteve a sequência de ofensas chamando-a de Doente e Louca em razão do post que ela havia compartilhado, além de algumas respostas que Célia havia dado a seus detratores. Detalhe: ela agiu de modo covarde, destilando seu veneno apenas após ter recebido notícia de seus colegas assegurando que Célia havia deixado o grupo.

Teresa Raposo_001

Teresa Raposo_002

Todavia, alertada por mim, Célia retornou ao grupo e chamou a atenção da dita estudante de medicina por ter feito os comentários naquela condição. Não satisfeita com as agressões iniciais, a estudante volta ao ataque e responde Célia chamando-a de louca.

Teresa Raposo_003

Não bastasse ataques como estes, alguns integrantes do grupo passaram a utilizar fotos de Célia para ofender sua aparência, sem economizar nos palavrões e nos insultos até mesmo à já falecida mãe de Célia, como se pode ver abaixo:

Rodolfo Mello_001

Rodolfo Mello_002

Kaio Klement_001

Mauro Halpern_005

Teve até um oficial da Polícia Militar que fez os seguintes comentários:

Capitão Craveiro_001

Capitão Craveiro_002

Capitão Craveiro_003

Capitão Craveiro_004 (Vaca Profana)

Não satisfeitos, esses mesmos indivíduos que a atacaram, insultaram e humilharam uma pessoa em quase 300 comentários, tentaram covardemente reverter a situação buscando fazer de Célia, vítima dos ataques, a culpada de todas as agressões que sofreu. Vejam, por exemplo, os comentários abaixo:

Johann_002

Johann_003

Johann_006

A estudante de medicina não parou com os insultos e manteve sua sanha ofensiva, chegando a mandar Célia se foder.

Teresa Raposo_004

Teresa Raposo_005

E os homens que vieram após os insultos proferidos pela dita estudante, sentiram-se à vontade para recomendar que Célia resolvesse “seu problema” arranjando um namorado.

Johann_007

Mauro Halpern_006

Eis aqui, caros companheiros, um flagrante preocupante de inúmeros preconceitos e do ódio que encontramos em algumas pessoas que alegam defender os ideais conservadores e de direita. Em seus perfis, muitos ostentam orgulhosamente bandeiras do Brasil, além, é claro, de imagens de Jair Bolsonaro, textos de Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino e Reinaldo Azevedo, dentre outros “ícones” responsáveis por formar a opinião de indivíduos como estes que acabam de ser descritos aqui.


ATUALIZAÇÃO

Após termos comunicado aos membros do grupo a publicação deste post com o registro de seus ataques, muitos deles ficaram ainda mais raivosos e continuaram insultando, sobretudo, a Célia. Abaixo seguem os registros dos novos xingamentos:

Fizeram uns poucos ataques a mim, como se vê abaixo:

Eugenio D_001_Ofensas

Vinicius Ramos_Ofensas Pesadas_003

Mas a maioria dos insultos foram novamente dirigidos à Célia.

Alexandre Limberger_003_Ofensas

Teresa Raposo_Ofensas_001

Luiz Alberto Fiori_001

Para esse membro do grupo, além de esquizofrênica, Célia é vitimista por ter exposto os ataques que sofreu no grupo.

Andre Almeida Exposed_001

Houve quem se revoltasse com o post e buscou nas discussões respostas de Célia que pudessem justificar a fúria com que eles a haviam atacado. Esquecem-se que durante quatro dias Célia vinha sofrendo agressões em diferentes posts e tudo o que ela fez havia sido revidar os ataques desferidos contra ela.

Teresa Raposo e Claudia Exposed_001

De qualquer modo, não satisfeitos com os ataques iniciais, continuaram agredindo Célia com ofensas como porca, gorda e outros nomes, como se vê abaixo.

Rafael Neves_003_Ofensas

Rafael Neves_002_Ofensas

Vinicius Ramos_Ofensas Pesadas_002

Mauro Halpern_Ofensa_001

Mauro Halpern_Ofensa_002

Mauro Halpern_Ofensa_003

Depois de toda essa agressão, houve um membro do grupo que até quis fazer uma análise psicológica de Célia, tentando compreender a razão de ela haver respondido os ataques que sofreu.

Mauro Neto_002_Ofensas

Como desfecho final, houve um membro do grupo que, no meio de tanto ódio desferido contra Célia, aproveitou para fazer postagens anti-semitas. O nome desse eu não borrei, pois entendo que deve ser identificado e denunciado, ainda que acredite que o perfil seja falso.

Arthur Alves_Antisemitismo 002

Arthur Alves_Antisemitismo 001

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A cada 28 horas um LGBT é assassinado no Brasil vítima da homofobia

Publicada originalmente por Thiago Araújo no Brasil Post, notícia dá conta de que quase uma pessoa é assassinada por dia no Brasil, vítima da homofobia, que certos parlamentares e boa parte da sociedade insistem em afirmar que não existe no país.

Levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), contabilizou 312 assassinatos, sendo cinco deles na cidade de São Paulo. Por ser bastante difícil de realizar, acredito tratar-se de um levantamento bastante incompleto, uma vez que é comum um assassinato motivado pela homofobia ser camuflado nas ocorrência policiais como brigas, desinteligência ou outras tipificações.

A matéria traz um mapa com a distribuição dos assassinatos por estado do país. Chama atenção a posição de destaque dos estados da região Nordeste, em especial suas capitais. Enquanto São Paulo registrou a ocorrência de 5 homicídios motivados por homofobia, Recife-PE aparece com 12, João Pessoa-PB aparece com 11, Salvador-BA com 9, Fortaleza-CE com 8, Teresina-PI e Natal-RN com 5 homicídios, Maceió-AL e Aracaju-SE com 4 e São Luís-MA com 3.

Cabe ressalvar que esses números devem ser analisados com cuidado, já que o número de habitantes em cada cidade/estado é bastante diferente e revelam que determinadas regiões, em números relativos, são ainda mais homofóbicas que outras.

Abaixo, a repercussão da íntegra da notícia publicada no Brasil Post.

UMA MORTE LGBT ACONTECE A CADA 28 HORAS MOTIVADA POR HOMOFOBIA
por Thiago Araújo | Brasil Post

Em 2013 foram contabilizados 312 assassinatos, mortes e suicídios de gays, travestis, lésbicas e transexuais brasileiros vítimas de homofobia e transfobia, de acordo com levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB). O documento inclui a morte de uma transexual brasileira no Reino Unido e um gay morto na Espanha. A média é de uma morte a cada 28 horas.

Esse número é 7,7% menor em relação ao ano de 2012 (388 mortes), mas, segundo o GGB, as mortes aumentaram 14,7% nos últimos 4 anos.

Segundo o documento, a maioria das mortes de gays acontece na casa da vítima, enquanto a maioria dos travestis morre na rua. Em um ano foram 186 gays, 108 transexuais, 14 lésbicas, 2 bissexuais e 2 héteros mortos, confundidos com homossexuais.

Pernambuco foi o estado onde aconteceu o maior número de mortes de LGBT (34). Em seguida, vem São Paulo (29), Minas Gerais (25) e, empatados em quarto lugar, Bahia e Rio (20). A Região Nordeste concentrou 43% das mortes, seguida de Sudeste e Sul com 35%, e Norte e Centro Oeste, com 21%.


Número de mortes com motivação homofóbica ou transfóbica por estados

O estudo realizado pela entidade utiliza como base notícias divulgadas por veículos de imprensa e dados enviados por ONGs. Nele foram contabilizados também dez suicídios. Segundo Luiz Mott, coordenador da pesquisa, essas mortes são registradas por terem motivações homofóbicas ou transfóbicas: “Como aconteceu com um gay de 16 anos, de São Luís, que enforcou-se dentro do apartamento ‘por que seus pais não aceitavam sua condição homossexual’.”

O relatório completo pode ser acessado no site Homofobia mata.

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[HOMOFOBIA] Bancada Evangélica sepulta a PLC 122

O portal Pragmatismo Político publicou nessa última quarta-feira (18) notícia dando conta de que o Senado acabou de sepultar a PLC 122 ao aprovar o apensamento do referido projeto ao do Novo Código Penal.

Para quem não se lembra, o Projeto de Lei visa alterar a redação do Art. 140 do Código penal na caracterização do crime de Injúria. Atualmente a redação é assim:

“Injúria

Art. 140 – Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
§ 3: Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:”

Atualmente, se você cometer injúria e esse ato consistir de elementos de raça, cor, etnia, religião, origem, idoso, portador de necessidade, a pena é agravada.

Com a proposta da PL 122, a redação do § 3 iria para:

“Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero, ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:” 

Assim, o Projeto de Lei tem por objetivo incluir nos atuais agravantes de injúria o sexo/orientação sexual/identidade de gênero. Percebe-se, portanto, que o referido projeto não tem caráter discriminatório, não concede um tratamento diferenciado ao preconceito por orientação sexual (como no caso da homofobia) e ao preconceito por religião (como preconceito contra religiões de origens africanas), por exemplo.

Com o sepultamento da PL 122, lideranças evangélicas como o pastor Silas Malafaia, comemoraram abertamente o resultado nas redes sociais, chamando atenção para o que ele chamou de “força do povo de deus”.

Fico triste com a notícia que vem do Senado e, a única alegria disso tudo, é que o meu representante eleito, senador Eduardo Suplicy, votou contra o apensamento da PL 122 ao projeto do Novo Código Penal.

Abaixo, a notícia tal como foi veiculada no portal do Pragmatismo Político.

SILAS MALAFAIA CELEBRA SEPULTAMENTO DO PLC 122
por Pragmatismo Político | publicado originalmente em 18/dez/2013

Após o apensamento do projeto de lei 122/2006 ao projeto do Novo Código Penal por parte dos senadores, o consenso geral entre favoráveis e contrários é de que a proposta da deputada federal Iara Bernardi (PT) foi “sepultada”.

Através do Twitter, o pastor Silas Malafaia – um dos líderes evangélicos que mais se opôs ao PL 122 – comemorou abertamente a conquista e agradeceu o empenho dos parlamentares da bancada evangélica, como o senador Magno Malta (PR-ES), que influenciou a tomada de decisões dos demais parlamentares.

“PLC 122 acaba de ser enterrado no Senado. A Deus seja a glória. Parabéns aos senadores Renan Calheiros, Magno Malta, Lindberg Farias e outros. Não adianta chorar ou xingar o PLC 122 foi para o ‘espaço’. Nada de privilégios para ninguém. Homo, hetero, religioso ou não, lei é pra todos […] Vitória do povo de Deus que esta aprendendo a usar os direitos da cidadania.Valeu o bombardeio de emails para os senadores. Ainda tem mais […] 7 anos de lutas incluindo processos, calúnias, difamação e etc. Vitória da família, bons costumes e da criação pela qual Deus fez o homem. Ainda tem muita coisa que precisamos estar atentos. São mais de 800 projetos no Congresso para destruir os valores cristãos. Não vão nos calar”, escreveu o pastor em seu perfil.

O “sepultamento” do PL 122 se deu através de um requerimento apresentado pelo senador Eduardo Lopes (PRB-RJ), que diante da falta de consenso a respeito do projeto, propôs que o debate sobre as propostas do texto fossem incluídas nas discussões do Novo Código Penal, que o Senado vem elaborando com a consultoria de juristas renomados.

Entretanto, as propostas mais radicais do PL 122, que eram consideradas privilégios aos ativistas gays – tiveram um destino definitivo com a aprovação de um requerimento de Magno Malta que exclui os termos “gênero”, “identidade de gênero”, “identidade sexual” ou “orientação sexual” do Novo Código Penal e dos parágrafos relativos ao preconceito.

No Twitter, o ativista gay e deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) queixou-se do final que o PL 122 teve no Senado, e atacou as lideranças evangélicas que lutaram pela reprovação do projeto enquanto ele tramitou. “Lamento a aprovação do requerimento do senador Eduardo Lopes (PRB-RJ) que apensa o PLC 122 ao projeto de reforma do Código Penal. Apesar do pedido de votação nominal feito pelos senadores Suplicy e Randolfe, não foi suficiente para superar os votos favoráveis. Na prática, isto significa o enterro definitivo de uma luta de 12 anos desde que o PLC 122 começou a tramitar no Congresso. As minhas críticas e questionamentos ao PLC são públicas, mas sempre defendi sua aprovação, mesmo achando necessário um debate mais amplo. Defendo porque a derrota desse projeto seria uma vitória do preconceito e dos discursos de ódio. Contudo, infelizmente, o que aconteceu hoje é o final de uma ‘crônica de uma morte anunciada’. Longe de promover um debate sério, a bancada governista cedeu à chantagem dos fundamentalistas, como o gov. Dilma tem feito desde o início. Cada novo substitutivo do projeto, cada nova alteração, cada novo adiamento significou um retrocesso. Foi tanto o que cederam (para garantir o ‘direito’ dos fundamentalistas a pregar o ódio) que do PLC-122 original só restava o título. E foi esse título que enterraram hoje!”, disse Wyllys.

silas malafaia plc122 twitter
Silas Malafaia comemora sepultamento do PLC 122 (Reprodução – Twitter)

O deputado afirmou que, na Câmara, tentará mudar o texto do Novo Código Penal para incluir novamente as propostas “sepultadas” com o PL 122 e com o requerimento de Magno Malta: “A comissão responsável pelo projeto do Código Penal aprovou o relatório do senador Pedro Tarques, relatório que exclui as referências a “gênero”, “identidade de gênero”, “identidade sexual” ou “orientação sexual”, acatando as emendas de Magno Malta, senador publicamente conhecido por se opor ao reconhecimento da cidadania para a população LGBT. Estamos atentos e alertas para quando o projeto do Código Penal chegar à Câmara, já estudamos a apresentação de uma proposta mais ampla. Proposta esta que enfrente de maneira sistêmica os crimes discriminatórios! Proposta esta que garanta políticas públicas e ferramentas legais de proteção contra todas as formas de discriminação! Proposta esta que também promova a educação para o respeito à diversidade!”, escreveu o deputado federal.

A lista

O apensamento do PL 122 ao projeto do Novo Código Penal não foi aprovado por unanimidade. O então relator do projeto na Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS) emitiu parecer contrário à proposta de Eduardo Lopes, e pediu votação nominal como forma de pressionar os colegas a votarem contra.

No entanto, a proposta do senador Eduardo Lopes foi aprovada por 29 votos favoráveis, 12 contrários e 2 abstenções – entre elas, a do senador Walter Pinheiro (PT-BA), evangélico, e apontado por Jean Wyllys como um dos que mobilizaram grande influência contra o PL 122.

Veja abaixo, a lista dos senadores que votaram contra e A FAVOR DO FIM DO PROJETO e os que votaram CONTRA O FIM DO PROJETO:

VOTARAM A FAVOR

ESTADO/PARTIDO

VOTARAM CONTRA

ESTADO/PARTIDO

Alfredo Nascimento AM/PR Ana Rita ES/PT
Aloysio Nunes SP/PSDB Antônio Carlos Rodrigues SP/PR
Álvaro Dias PR/PSDB Antônio Carlos Valadares SE/PSB
Ana Amélia RS/PP Eduardo Suplicy SP/PT
Blairo Maggi MT/PR João Capiberibe AP/PSB
Cassio Cunha Lima PB/PSDB Jorge Viana AC/PT
Cícero Lucena PB/PSDB Lídice da Mata BA/PSB
Cristovam Buarque DF/DF Paulo Davim RN/PV
Cyro Miranda GO/PSDB Paulo Paim RS/PT
Eduardo Lopes RJ/PRB Pedro Simon RS/PMDB
Eunício Oliveira CE/PMDB Randolfe Rodrigues AP/PSOL
Flexa Ribeiro PA/PSDB Roberto Requião PR/PMDB
Jader Barbalho PA/PMDB
João Durval BA/PDT

ABSTENÇÃO

João Vicente Claudino PI/PTB José Pimentel CE/PT
José Agripino RN/DEM Vanessa Grazziotin AM/PCdoB
Lindberg Farias RJ/PT
Magno Malta ES/PR
Mozarildo Cavalcanti RR/PTB
Paulo Bauer SC/PSDB
Pedro Taques MT/PDT
Ricardo Ferraço ES/PMDB
Rodrigo Rollemberg DF/PSB
Ruben Figueiró MS/PSDB
Sérgio Petecão AC/PSD
Sérgio Souza PR/PR
Vital do Rêgo PB/PMDB
Waldemir Moka MS/PMDB
Wilder Morais GO/DEM

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Rachel Sheherazade: o eco reacionário e fundamentalista na TV

William De Lucca

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O jornalismo é um retrato da sociedade, e indubitavelmente é palco de disputas ideológicas entre correntes políticas e filosóficas, entranhadas sob a máscara da ‘imparcialidade’. Neste palco, uma personagem vem ganhando destaque como representante de vozes reacionárias, conservadoras e fundamentalistas religiosas: a jornalista Rachel Sheherezade, âncora do telejornal SBT Brasil.

Ela tornou-se célebre nacionalmente por um comentário onde criticava o carnaval da Paraíba, estado onde nasceu e iniciou sua carreira como jornalista. Aos 39 anos, deixou seu estado natal para assumir a bancada do principal telejornal do SBT e lá, continuou a se posicionar de forma dura sobre diversos pontos, sempre deixando claro suas visões de mundo conservadoras, usadas ad nauseam por reacionários por todo o Brasil.

Num estado democrático de direito, não há problema nenhum que Rachel expresse seus pontos de vista, por mais infelizes que a maioria deles seja. O problema é que a jornalista utiliza a…

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Repúdio a eleição do deputado pastor Marco Feliciano a CDHM

Acabo de escrever uma carta aberta de repúdio a eleição do deputado pastor Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados que deverá ser publicada por um coletivo com o qual estou colaborando e que divulgarei amplamente através deste blog tão logo a publicação esteja pronta.

CARTA ABERTA DE REPÚDIO A ELEIÇÃO DO DEPUTADO PASTOR MARCO FELICIANO (PSC-SP) COMO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Divulgação/Agência Câmara

Nessa manhã de 08/03/2013, em sessão tumultuada, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados elegeu o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) como seu presidente. Esse é o mesmo pastor que, segundo notícias veiculadas nacionalmente, responde a processo no Supremo Tribunal Federal por estelionato e que anuncia nas redes sociais “lutar contra o ativismo gay”, que vai “abolir a palavra homossexual do vocabulário, [pois só] existe homem e mulher e pronto!” e, como se não bastasse, que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado de Noé. Isso é fato”.

Segundo a página da CDHM (http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/conheca-a-comissao/oquee.html), dentre algumas das atribuições do presidente da comissão estão as de “receber, avaliar e investigar denúncias de violações de direitos humanos; discutir e votar propostas legislativas relativas à sua área temática e cuidar de assuntos referentes às minorias étnicas e sociais, especialmente aos índios e às comunidades indígenas, a preservação e proteção das culturas populares e étnicas do País”.

Anualmente, a CDHM recebe uma média de 320 violações dos direitos humanos e, como a própria página do órgão aponta, tem se percebido o crescimento de violações atingindo grupos vulneráveis como indígenas, migrantes, homossexuais e afrodescendentes.

Oras, se o principal objetivo da CDHM é contribuir para a afirmação dos direitos humanos, os quais estão inscritos em textos e diplomas importantes construídos através do tempo, tal como a Declaração Universal dos Direitos  Humanos (1948), a eleição de um indivíduo que considera amaldiçoada a descendência dos africanos e nega a existência da homossexualidade, chegando mesmo a afirmar que a AIDS é uma doença gay e que ele próprio iria lutar contra o ativismo homossexual, representa uma grande afronta não apenas ao povo brasileiro, mas também a toda Humanidade, uma vez que ao ser signatário de tais textos e diplomas, o Brasil assumiu compromissos com os direitos humanos perante toda a Humanidade.

Assim, por acreditar que a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias seja totalmente incompatível com as posições ideológicas e crenças do deputado pastor Marco Feliciano pelas razões expostas acima, repudiamos veementemente a escolha deste indivíduo para tal cargo e exigimos que sua eleição seja impugnada imediatamente.

São Paulo, 08 de Março de 2013.


ALGUNS DOS ABSURDOS DE MARCO FELICIANO

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