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[DEPOIMENTO] Vítima de assédio sexual denuncia agressão sofrida em vagão do Metrô de SP

Superlotação dos metrôs e trens da CPTM em horários de pico, facilitam ação dos agressores.

Como vem sendo noticiado na grande imprensa nos últimos anos, o abuso sexual contra mulheres no metrô e na CPTM vem aumentando vertiginosamente. Em outubro de 2011, o portal da Band já noticiava a ocorrência de 76 casos de abuso nos trens do metrô e CPTM em São Paulo. Àquela época, 8 mulheres eram atacadas por mês, segundo dados da Delpom (delegacia do metropolitano). Esses são números oficiais, pois como devemos imaginar, muitas mulheres atacadas sequer registram queixa do assédio sofrido nas composições do metrô e da CPTM.

Mulheres protestam contra assédio sexual em transportes públicos.

Nesta última quarta-feira (30), a vítima do assédio foi uma colega da faculdade que, revoltada com a agressão, decidiu denunciar e espalhar a violência sofrida nas redes sociais. O Hum Historiador pediu autorização para repercutir o depoimento da colega que foi covardemente atacada no metrô, no intuito de refletirmos o quanto a causa dos ataques sexuais no transporte público não está relacionado com a cultura do estupro, com o machismo cotidiano, com esse sentimento que muitos homens tem de que podem agredir mulheres que os rejeitam e saírem impunes.

O caso de Lígia não é único, não é o primeiro e, infelizmente, não será o último. Enquanto isso, o que empresas (Metrô, CPTM, SPTrans, etc.) e governos (federal, estadual e municipal) tem feito para diminuiu ou acabar com essa prática no país? Vagão exclusivo para mulheres é uma solução? Ao invés de resolvermos o problema, devemos segregar ainda mais as mulheres?

Abaixo o depoimento de Lígia Luchesi, assediada no metrô de São Paulo nesta última quinta-feira (31), na estação República da linha amarela do metrô.

NÃO PARA UMA MULHER
por Lígia Luchesi

Um dia no trabalho comum na vida de qualquer pessoa que precisa usar o metrô para se deslocar em uma grande cidade. Mas não para uma mulher. 

Para deixar o vagão, instantes antes da porta se abrir, eu me levantei e segui a moça que estava ao meu lado. Ela passou na frente de um rapaz. Eu fui passar e ele me prensou no ferro que fica ao lado do banco. Eu pedi licença e, distraída, não entendi o que acontecia. Ele riu. Eu forcei um pouco o corpo para sair e ele novamente me apertou, só que eu escapei e meu pé ficou preso entre a lateral do banco e a perna dele. Dei um empurrão com um jogo de corpo e ele novamente fez menção de me empurrar, só que eu dei um leve empurrão com minha mão no ombro dele e neste instante fiquei de costas, pois na pressa de sair e no empurra-empurra de metrô lotado às 18h, não parecia haver nada de importante. Não era. Não para uma mulher. Ele me chutou na altura dos rins e eu fui projetada para fora do vagão. As pessoas fizeram uma menção de reclamar, eu o xinguei. As portas se fecharam e a vida seguiu. Ele riu e me deu o dedo do meio: um gesto que impõe a força, não de uma mulher. Que projeta o poder e a sujeição: contra uma mulher. 

Demorei mais de uma hora para entender que ele não estava me prensando contra a barra de ferro por conta do vagão lotado. Ele estava me encoxando. Ele me assediou no espaço público. Ele pensa que tem direito sobre um corpo que não é o dele. Ele acha que pode dispor de uma mulher e que, caso seja rejeitado, ele pode agredi-la. Ele me agrediu. Estou com o calcanhar roxo e com as costas doloridas. Estou ferida por não ter tido ajuda, solidariedade e apoio. Amanhã farei um B.O. e uma reclamação no metrô. 

Estou imaginando o desgaste. Estou pensando que muita gente vai me dizer que o vagão separado seria a solução. Eu não acho. Eu estou no espaço público, eu vivo em sociedade e não quero ser segregada. Eu exijo ser respeitada. Eu exijo não ser agredida. Eu sou uma mulher.

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A “invasão” dos estacionamentos da USP

O caderno cotidiano da Folha de S.Paulo de hoje, 07 de maio, estampa a seguinte manchete: Usuários do metrô invadem estacionamento da USP.

De cara a manchete já incomoda por utilizar o termo “invadem”, pois de antemão o jornal assume que usuários do metrô não tem direito à utilizar o espaço público da universidade, induzindo o leitor a tomar para si esta mesma posição. Mas vamos adiante e passar a discutir o conteúdo da matéria e o posicionamento de alunos, professores e pesquisadores ouvidos pela reportagem.

BREVE SÍNTESE DA MATÉRIA

A reportagem, assinada por Reinaldo Turollo Jr., informa que tanto alunos como professores da USP reclamam que a inauguração da estação Butantã do metrô, há cerca de um ano, fez com que as ruas do campus virassem uma espécie de “garagem” da estação, onde pessoas largam seus carros para utilizar o metrô, distante um quilômetro dali. Segundo esses indivíduos, a consequência da inauguração da estação Butantã foi o aumento do trânsito e a dificuldade de achar uma vaga em certas unidades do campus universitário. Alguns teriam chegado até mesmo a pedir a proibição da entrada de veículos de fora da universidade.

Ao mencionar o depoimento de um guarda universitário, a reportagem ainda dá conta de que muitos veículos permanecem estacionados durante o dia inteiro. “É a maior cara de pau. Você só vê o pessoal parando o carro e indo correndo para o ponto de ônibus [para ir até a estação]. Tem uns que vêm todo dia no mesmo horário”, teria dito este guarda universitário, que não quis divulgar seu nome (segundo a reportagem).

AS OPINIÕES COLHIDAS PELA REPORTAGEM

O que espanta são as opiniões de um professor e uma pesquisadora colhidas pela reportagem:

“Ser um estacionamento livre a céu aberto é a última das funções da universidade”, diz o professor do departamento de engenharia de energia e automação elétricas, Eduardo Mario Dias.

“Se continuar esse movimento, talvez [exista] a possibilidade de colocar adesivos no vidro [dos carros], como em alguns condomínios”, afirma a pesquisadora do Museu da Educação e do Brinquedo da USP, Fernanda Cristina Pedrinelli, 42.

O professor de engenharia, ao invés de criticar a falta de investimento público em infraestrutura urbanística no entorno da estação do metrô, prefere fazer uma generalização esdrúxula e dizer que a universidade está se transformando em um estacionamento a céu aberto. Já a pesquisadora dá uma demonstração de ignorância vexaminosa e, em uma clara confusão entre espaço público e privado, imagina que o espaço público da universidade, mantido com impostos dos contribuintes (inclusive dos que estacionam lá dentro), se assemelha a um condomínio privado, onde se faz necessário o controle do acesso do espaço com crachás de identificação ou adesivos.

Na direção oposta das opiniões acima, um professor da Faculdade de Educação começou a tocar no assunto que deve ser discutido, embora o jornal não tenha dado espaço para que se aprofundasse melhor a questão.

“O professor aposentado da Faculdade de Educação, João Pedro da Fonseca, 68, não aprova que se tome nenhuma medida restritiva. [Restringindo o acesso] Você não vai à causa do problema, afirma. Colocar cancela eu não concordo. A USP não pode ficar isolada da cidade como um todo. Isso é um problema urbano.”

APROFUNDANDO UM POUCO A QUESTÃO

Fico um tanto irritado ao ver o posicionamento de alunos, professores e demais membros da comunidade uspiana ao lado de quem deseja fechar a universidade para a comunidade externa. Trocando em miúdos, essas pessoas defendem que o uso de um espaço público seja reservado apenas para uma pequena parcela da população. O que irrita mais nessa história é o fato destas pessoas, em especial os estudantes, preferirem lutar para garantir a sua vaga no estacionamento da USP, do que lutar para garantir que Estado/Município melhore a infraestrutura urbana ao redor da estação do metrô. E aqui nem estou falando em melhorar a qualidade do transporte coletivo, mas sim de oferecer uma alternativa barata de estacionamento nas cercanias da estação. Duvido muito que se houvesse alguma opção barata de estacionamento perto do Metrô Butantã, as pessoas iriam deixar seus carros na USP e andar um quilômetro para pegar o trem. Contudo, como é mais fácil e “aceitável” lutar contra a comunidade externa da USP do que com os governos do Estado e do Município, prefere-se aceitar a “catracalização” da universidade.

Conhecendo as [más] intenções da reitoria e dos governantes emplumados que dominam este Estado há 20 anos, uma vez “justificada” a necessidade de controle do espaço da universidade, será apenas um pulo para tentarem privatizar o espaço público e instalar estacionamentos pagos para quem não for aluno ou professor da universidade. Pior que isso, com esse escândalo todo de falta de ética no jornalismo (Veja & Cachoeira), não duvido que  a própria reportagem tenha sido “pautada” seja pela reitoria da universidade, pelo governo estadual e/ou demais interessados na privatização daquele espaço público, para já ir colocando a questão em pauta e tentar justificar, perante a opinião pública, a necessidade de se proibir o acesso livre e “gratuito” do espaço do campus universitário.

Para não ser injusto, na sequência da reportagem vem um texto assinado por José Almeida Sobrinho (presidente do conselho deliberativo do Instituto Brasileiro de Ciências do Trânsito), propondo-se a analisar a questão levantada pela reportagem. Texto muito curto, para quem se propõe a analisar o tema, e fala apenas o óbvio [criar locais junto às estações de metrô onde os usuários do transporte individual podem estacionar seus veículos a preço acessível e, a partir dali, seguir usando a malha metroviária], sem criticar quem deveria ser criticado pela falta de infraestrutura para atender a demanda de uso do metrô, isto é, governo estadual e municipal. Enfim, para Almeida Sobrinho, a responsabilidade de solucionar o problema é do Metrô:

“O Metrô deve analisar e corrigir equívocos cometidos no passado, pois a proposta é imprescindível para a migração do transporte individual para o coletivo.”

Em outra matéria sobre o assunto, vemos a informação de que “o Metrô de São Paulo disse que realiza um estudo para saber se há demanda para implantar estacionamento ao lado da estação Butantã”. Oras, realizar um estudo para saber se há demanda para implantar estacionamento é a pior das desculpas que o Metrô poderia dar. Qualquer um que tenha entrado sequer uma vez na estação Butantã sabe muito bem que há demanda para a implantação de estacionamentos na região. A concessionária que explora a Linha 4 – Amarela teve quase 6 anos para fazer este estudo e por isso me pergunto: será que a tal concessionária deixou para fazer o tal estudo de demanda apenas um ano depois que a estação foi inaugurada porque subestimou a demanda ou haverá outro interesse por trás disso?

ÚLTIMAS PALAVRAS

É paradigmático aquele depoimento dado pelo Guarda Universitário da USP à reportagem da Folha no qual ele considerava ser “a maior cara de pau (…) o pessoal parando o carro e indo correndo para o ponto de ônibus [para ir até a estação]. Tem uns que vêm todo dia no mesmo horário”. Há muitos estudantes e professores repetindo isso e demonstrando toda sua ignorância em relação a utilização de espaços públicos. Por que seria “cara de pau” se quem estaciona também é um contribuinte e tem o mesmo direito a utilizar aquele espaço do que o estudante ou professor? Então ter as portas abertas para a comunidade deixou de ser uma das funções de uma universidade pública? Vamos continuar restringindo cada vez mais o acesso do campus somente ao grupo acadêmico e lotear o espaço público a certos grupos que vão se enriquecer explorando-o? É esta a nova função da universidade: enriquecer certos grupos?

Chegamos a um ponto em que, muito em breve, será exigido que uma pessoa passe no vestibular da FUVEST para poder acessar uma vaga de estacionamento no campus Butantã. Tal como fizeram com o Bilhete Único da USP [sistema que busca limitar a circulação de pessoas de fora da universidade dentro do campus através do pagamento de tarifa de R$3,00 para utilização dos circulares], em breve teremos que mostrar o nosso cartão/adesivo VALE ESTACIONAMENTO para poder entrar com carros na universidade.

É inaceitável que sequer se discutam projetos desta natureza. Se o nosso magnífico [f]eitor empurrar uma decisão como esta goela abaixo da comunidade acadêmica, teremos que reagir com prontidão, dureza e determinação. JAMAIS PODERÃO PASSAR!!!

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20 anos de PSDB e o pequeno Metrô paulistano

Clique na imagem para ver o mapa do metrô de São Paulo em maior resolução.

Telespectadores do programa Fantástico, da TV Globo, enviaram vídeos feitos com telefones celulares para ilustrar os problemas que eles enfrentam diariamente ao utilizar o sistema de transporte público brasileiro.

Em São Paulo, para quem faz uso de trem, metrô ou ônibus, não foi nenhuma novidade ver a situação de caos e superlotação exibidas no programa, especialmente durante os horários de pico (das 06h-09h e das 17h-20h).

Como aponta a reportagem, na maior cidade do país, com uma frota de quase 7 milhões de carros, o transporte público deveria ser a grande solução para acabar com os congestionamentos, mas não é isso que acontece. Quando questionado, o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, diz que as linhas ficam cheias, porque, quando têm opção, os usuários preferem trens e metrôs: “Eles são bons, são mais confiáveis, são seguros e são mais baratos. Então, não há por que não optar por essa alternativa”.

Diante das imagens estarrecedoras de superlotação dos trens, a repórter insiste em perguntar se não havia como prever o aumento da demanda e já colocar esses novos trens pra evitar o problema de superlotação, mas o  secretário de Transportes Metropolitanos prefere dar uma resposta evasiva: “Tanto estamos prevendo que nós estamos fazendo quatro linhas de metrô ao mesmo tempo.”

O problema é que em 20 anos de administração do PSDB em São Paulo, o metrô avançou poucos quilômetros. Uma cidade do tamanho de São Paulo possui uma linha com 74,3 quilômetros, muito pequena se a compararmos com a linha de Nova Iorque (369 Km), do México (177 Km) ou até mesmo com a de Santiago (94,2 Km), capital chilena com aproximadamente 5,5 milhões de habitantes.

Ainda no campo das comparações, para entendermos melhor o tamanho do metrô de São Paulo, ele é equivalente ao metrô da cidade do Porto, em Portugal, que possui um total de 81 estações espalhadas por 70 quilômetros de linhas. A principal diferença é que o Grande Porto possui uma área de 1.024 quilômetros quadrados e uma população de 1.287.276 habitantes, enquanto a Grande São Paulo está distribuída em uma área de 7.947,3 quilômetros quadrados, com uma população de 19.683.975 habitantes. Portanto, a pequena e pobre cidade do Porto, em Portugal, possui a mesma infraestrutura metroviária da rica e poderosa São Paulo, para atender uma área praticamente oito vezes menor e com uma população dezessete vezes menor. Deu pra entender a diferença?

Para piorar a situação, como apontava o blog Causa Operária online em agosto de 2011, mesmo diante desta situação caótica, o governo Alckmin tem cortado investimento nas obras de expansão do metrô. Dados do próprio governo mostram que em 2010 estava previsto um investimento de R$ 9,58 bilhões, mas foi investido apenas R$ 5,95 bilhões, um corte de 37%. Em 2011 os cortes continuaram e apenas no primeiro semestre o investimento que deveria ter sido de 3 bilhões, foi de R$ 1,2 bilhão. Menos da metade do que deveria ter sido investido.

Portanto, caros amigos, neste ano de eleição (2012) e daqui a dois anos (2014), quando você ouvir os TUCANOS falando de investimento em metrô, lembre-se deste post. Tudo não passam de falácias e mentiras desse governo que MUITO POUCO investe em transporte público e de qualidade em detrimento da real demanda da população. LEMBRE-SE DISSO!!!!

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A volta do PM Coxinha

O grafite PM Coxinha que havia sido censurado no canteiro de obras da futura estação do metrô Adolfo Pinheiros, foi refeito por seu autor Beto Silva. O Hum Historiador já havia comentado a censura promovida pelo metrô no post: A Censura do Metrô Paulistano.

Em seu novo grafite, Silva surpreendeu mais uma vez e, além de refazer seu polêmico personagem do PM Coxinha, ironizou a maneira como o primeiro grafite havia sido coberto pelos funcionários do metrô. Quando questionado pela reportagem da Folha de S.Paulo sobre sua nova obra, Beto Silva afirmou que “Queria deixar um registro do que ocorreu e deixar evidente por que o trabalho foi apagado”.

O problema é que o grafite recém refeito já sofreu novo ataque, como noticiou o caderno Cotidiano da Folha de hoje. Como pode ser visto na foto abaixo, a obra foi manchada com tinta branca bem em cima do PM Coxinha. Ao ser informado sobre o aparecimento da mancha em sua obra, Silva disse que ainda não havia visto. “Vou passar lá pra ver como está, mas nem sei se vou retocar, porque esse negócio já está enchendo o saco”.

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A censura no metrô paulistano

O Metrô de São Paulo censurou dois grafites que haviam sido realizados no muro do canteiro de obras da futura estação Adolfo Pinheiros do metrô. Os grafites foram realizados por Beto Silva (PM Coxinha) e Bruno Perê (Vagões Negreiros) nos dias 11 e 12 de novembro em um projeto de parceria entre o Metrô e o SESC Santo Amaro.

PM Coxinha, grafite de Beto Silva no canteiro de obras da futura estação Adolfo Pinheiros do metrô.

O grafite de Beto Silva trazia um policial militar fardado, desenhado em forma de coxinha, correndo atrás da população com o cassetete na mão. Longe de ser uma provocação banal, Beto Silva denuncia, através de seu grafite, uma experiência bastante comum sofrida pelas populações que sobrevivem nos bairros da periferia de São Paulo que é a violência policial.

Bruno Perê, por sua vez, adiciona em seu grafite a frase “todo vagão tem um pouco de navio negreiro” em clara referência ao escritor baiano, Castro Alves, e também a uma canção do Rapa, “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”. A crítica de Perê é bastante clara e aguda, referindo-se ao perfil de passageiros transportados diariamente pelas linhas de trens e metrô de São Paulo e às condições de seu transporte. Em uma só frase o grafite nos coloca a refletir sobre a exploração dos indivíduos que se deslocam dezenas de quilômetros diariamente através destes vagões, nas condições deploráveis características deste transporte público, apenas porque não lhes resta outra opção para sobreviver a não ser se deixarem explorar pelos novos feitores do século XXI: os capitalistas.

Todo vagão tem um pouco de navio negreiro, de Bruno Perê.

É certo que as reflexões levantadas pelos dois grafites incomodam não só os dirigentes do Metrô, mas todos os níveis de Governo deste país, pois nos leva a uma pergunta inevitável: o quanto avançamos na forma de tratarmos a população. De maneira mais específica, como é que o Governo trata a massa pobre e excluída. Os grafites não deixam dúvida de que elas continuam sendo mal tratadas tanto pela política pública e, como não poderia deixar de ser, por seu braço armado e repressor, a polícia. É por isso que a diretoria do Metrô não hesitou em censurar os grafites, em uma postura típica de nossas elites: melhor fingir que não existe o problema, do que resolvê-lo.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em seu caderno Cotidiano no dia 10/12/2011, a diretoria do metrô vai voltar atrás em sua decisão e permitir que os grafites sejam refeitos. O presidente do metrô, Sérgio Avelleda, ao ser questionado sobre o assunto disse que a cobertura dos grafites havia sido uma iniciativa isolada de um dos funcionários. Tal afirmação é colocada em dúvida pela própria reportagem que informa: dias antes a assessoria de imprensa havia dito que a alteração havia sido um pedido da administração da companhia. Como sempre, a covardia segue sendo uma característica fundamental dos administradores, sejam eles públicos ou privados.

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