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Perda do território palestino, 1946-1999: quem são os terroristas, afinal?

Como tenho enfrentado problemas com meu computador pessoal (HD simplesmente parou de funcionar), praticamente não estou conseguindo parar no meio de minhas atividades acadêmicas para acessar um computador e produzir novos posts e manter o blog atualizado. Por isso, gostaria de pedir desculpas desde já pelo atraso em trazer novidades por aqui. Em breve devo solucionar definitivamente o problema.

Apesar disso, como acabo de conseguir alguns minutos em um intervalo entre atividades aqui na Universidade, vou postar algumas imagens provocativas, visando estimular os leitores deste blog a uma reflexão crítica sobre a questão da ocupação do território palestino realizado a partir de 1947, com a criação do Estado de Israel e a consequente partição das terras entre Israel e Palestina, realizado pela ONU.

Não vou postar um longo texto explicando o processo de ocupação do território, a criação do Estado de Israel, as guerras que acabaram determinando a conquista de Israel da maior parte da terra em disputa e, por fim, o importante e irrestrito apoio estadunidense a Israel sob quaisquer circunstâncias e situações. Vou apenas postar algumas imagens provocativas, tecer alguns comentários e, ao final, apresentar um debate recente ocorrido nas páginas da Folha de S. Paulo entre Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP e João Pereira Coutinho, escritor, jornalista e cientista político português.

IMAGENS E BREVES COMENTÁRIOS

A imagem acima foi divulgada publicamente em 2009 no blog do jornalista Georges Bourdoukan, que atualmente é colunista da Revista Caros Amigos. Se levarmos em conta a maneira como se desenrolou o processo histórico de disputa e apropriação destas terras,  a pergunta que nos faz Bourdoukan é bastante pertinente: afinal de contas, quem são os verdadeiros terroristas: palestinos ou israelenses?

Foto fraudulenta na qual suposto soldado israelense pisa em criança palestina.

Recentemente, algumas imagens (FRAUDULENTAS) tem sido divulgadas nas redes sociais e acabam provocando uma reflexão bastante parecida com a proposta por Bourdokan. Ou não é verdade que uma das perguntas que qualquer um faz ao ver uma imagem como esta ao lado, de um soldado israelense pisoteando uma criança palestina, seja justamente “quem pratica o terror na região?”

A justificativa que militantes pró israelenses enviam quando questionados sobre fotos como estas é a de que “os palestinos utilizam mulheres e crianças como “homens bombas” ou “mulas” para transporte de armas. Há até mesmo os casos de mulheres e crianças treinadas para portarem armas e atirarem em alvos israelenses”, informam eles.

Foto fraudulenta na qual suposto soldado israelense estaria aterrorizando uma senhora palestina e crianças.

Quando escuto este tipo de argumentação, normalmente me pergunto de volta: “contra que tipo de poder estão lutando os palestinos que os fazem acreditar que a única maneira de atingi-lo, ainda que de uma forma ineficaz, é armando suas mulheres e crianças e fazendo-os explodir diante de soldados israelenses em uma prática de auto-imolação?”

Fico pensando que decisões como estas, isto é, a de sacrificar aqueles que em todas as sociedades humanas normalmente se prioriza proteger, certamente são motivadas por um desespero profundo e uma total desesperança de conseguir reverter o quadro atual de opressão em que se encontram, seja pela via político-diplomática, seja pela via da revolta armada tradicional.

Para concluir, gostaria de recordar que Israel está construindo um novo “muro da vergonha”. Um muro ao redor da cisjordânia e de Jerusalém Oriental que, como produto final, vai encurralar definitivamente dezenas de milhares de palestinos, impossibilitando-os de transitar livremente por estes territórios.

A muralha que se está construindo é três vezes mais alta e duas vezes mais larga do que o Muro de Berlim, o antigo “muro da vergonha”. Essa versão israelense do muro, que alguns preferem chamar de barreira é, na verdade, uma fortificação com arame farpado, espessura de oito metros de concreto e torres de controle a cada 300 metros.

Segundo Mattew Brubach, em artigo para o Centro de Mídia Independente (CMI):

“Um primeiro muro havia sido construído em torno de Gaza durante a primeira Intifada (1987-1993), quando o Estado hebreu cercou essa faixa de terra com uma barreira eletrificada e hermeticamente fechada. Esta lhe permitiu manter a autoridade sobre suas 16 colônias assim como controlar os movimentos dos palestinos. Atualmente, Israel mantém controle sobre 50% de Gaza e confina seu 1,2 milhão de habitantes num espaço apenas duas vezes maior do que a cidade de Washington. “

Abaixo algumas fotos do muro divulgadas no artigo de Mattew Brubach para o CMI:

DEBATE VLADIMIR SAFATLE x JOÃO PEREIRA COUTINHO

Recentemente, houve um debate sobre este tema nas páginas da Folha de S. Paulo. De um lado o professor de filosofia da Universidade de São Paulo, Vladimir Safatle e, do outro, o jornalista, escritor e cientista político português, João Pereira Coutinho.

Entendo que vale a pena a leitura dos artigos e deixo por aqui o link para cada um deles na ordem de publicação.


ERRATA: Conforme apontado por alguns leitores deste post que se manifestaram nos comentários, em especial e Rafael, Campus e Dylan, gostaria de registrar que a foto na qual um suposto soldado israelense pisa sobre uma suposta criança palestina e a foto na qual uma suposta senhora palestina e duas crianças são ameaçadas por um suposto soldado israelenses são, de fato, como apontado, fraudes.

Gostaria de me desculpar com os leitores do blog, em especial, por não ter checado as fontes e origens das fotos antes de tê-las publicado por aqui, acabando por ferir um dos princípios mais básicos do ofício do historiador. Este é um erro inaceitável, especialmente quando divulgado em um blog intitulado Hum Historiador, o qual me esforçarei de modo redobrado para que jamais volte a ocorrer.

Contudo, tal como já postado nos comentários durante discussão com Dylan, eu não tenho nenhuma dúvida que direitos humanos dos palestinos há anos vem sendo cotidianamente violados, independentemente da foto acima (pra não falar centenas de vidas de civis inocentes, crianças e mulheres inclusive). Embora essas imagens, em específico, tratem-se de fraudes, cenas semelhantes ou piores a estas vem ocorrendo há anos. Não tivesse cometido tão crasso erro, no lugar destas, poderia ter colocado milhares de outras (ou vídeos) facilmente encontráveis na rede mundial.

Uma vez mais, desculpo-me com todos os leitores do blog e agradeço a Rafael, Campus e Dylan por terem chamado atenção ao meu grave erro, que não deve ser confundido com mau-caratismo, mas a um momento de profunda indignação que acabou a levar-me à tal ato de incompetência. O que não justifica o erro em si e, por isso, peço perdão a todos.

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