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O documentário PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS acaba de ser lançado na íntegra no YouTube

É com grande prazer que o Hum Historiador anuncia o lançamento da íntegra do documentário PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS no YouTube para todos que quiserem acompanhar o trabalho que o Lucas Lespier, eu e uma equipe de grandes amigos realizamos para dar voz aos moradores da antiga comunidade do Pinheirinho, de São José dos Campos, que foi massacrada pela Polícia Militar de São Paulo à mando do governador Geraldo Alckmin.

O filme é de livre divulgação e gostaríamos muito que cada um pudesse ajudar a espalhá-lo para tornar a história das pessoas que foram desalojadas do Pinheirinho ainda mais conhecida.

SOBRE O FILME

Pinheirinho – um ano depois é um documentário que tem o objetivo de registrar como vivem as famílias que moravam na antiga comunidade do Pinheirinho um ano após a violenta reintegração de posse realizada pela Polícia Militar de São Paulo, em 22 de janeiro de 2012.

Através desse registro documental, queremos dar voz  às pessoas que viveram o trauma da desocupação para que contem suas histórias e relembrem à sociedade que elas seguem vivendo sob o risco de retornarem à condição de desabrigadas, além de permanecerem sem nenhuma perspectiva de solução definitiva para o seu problema de habitação após a desocupação.

Ilustração final do Pinheirinho um ano depois

Arte: Juliana Amoasei Reis

O filme tem como foco central os ex-moradores da comunidade do Pinheirinho e seus depoimentos de como tem sobrevivido desde que foram retirados de suas casas. No entanto, para darmos uma ideia mais aprofundada sobre o que ocorreu logo após a desocupação e quais as reais oportunidades de resolução definitiva do acesso à moradia adequada, também demos voz a outros atores que participaram ativamente de todo o processo de desocupação, como os políticos envolvidos nas negociações que antecederam a reintegração de posse, intelectuais e estudiosos da questão da habitação e moradia no Brasil, jornalistas que cobriram o caso, representantes de órgãos de proteção aos Direitos Humanos, líderes comunitários, advogados, juízes, defensoria pública, promotores de justiça.

BREVE HISTÓRICO DO DOCUMENTÁRIO PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS

Num domingo, às 6 horas da manhã, Alckmin manda a PM desocupar violentamente a comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos. Era o dia 22 de janeiro. Acompanhei as notícias estarrecido pela Internet, jornal e televisão. No mesmo dia estava na Avenida Paulista me manifestando contra esse ato criminoso realizado contra cidadãos que lutam pelo direito de uma moradia adequada.

Os dias foram se passando e eu ia registrando no blog todas as atividades que participei no decorrer daquele mês logo após a desocupação do Pinheirinho (ver histórico abaixo). O amigo Lucas Lespier já tinha uma ideia de fazer um documentário, ao ver meus relatos no blog, me chamou para conversarmos e ver se eu topava fazer parte de um projeto para documentar a história daquelas pessoas. Daí por diante, foram várias reuniões para decidirmos qual linha seguiria o filme e como o realizaríamos. A ideia principal era que o filme não seria sobre o que ocorreu no Pinheirinho, mas sobre as pessoas que foram desocupadas e ainda sofriam, por tempo indeterminado, a violência da desocupação iniciada na truculenta ação da Polícia Militar de São Paulo à mando do governador do estado.

Em julho de 2012, ocorreu uma ato na Câmara Municipal de São José dos Campos, sobre os seis meses da desocupação do Pinheirinho. Foi a oportunidade que imaginamos de fazer contatos com as lideranças da comunidade e tentar ajeitar as primeiras entrevistas com moradores e alguns outros envolvidos, como defensor público, advogado da comunidade e ex-procurador do estado de São Paulo. Foi assim que eu e Lucas partimos pela primeira vez a São José dos Campos, como mostra o pequeno vídeo amador que eu fiz abaixo, em um caminho que ainda seria trilhado tantas outras vezes pela equipe.

Feitos os contatos iniciais, precisávamos levantar a grana para a realização do documentário. Dentre as opções possíveis, decidimos pelo financiamento coletivo através do sistema de crowdfunding, no Brasil muito conhecido através da plataforma Catarse. Através desse sistema, cadastramos um projeto no site da plataforma por um tempo determinado e, todos aqueles que se interessarem, podem colaborar com qualquer quantia para a realização do projeto. Nossa meta era a captação de R$ 10.000,00 para realizarmos o filme praticamente inteiro com trabalho voluntário dos envolvidos. Abaixo segue o vídeo que fizemos para chamar colaboradores que se interessassem em contribuir com projeto.

Enquanto a grana não saía, começamos a realizar as primeiras entrevistas no final de julho de 2012 em São Paulo mesmo, para evitar grandes despesas. Começamos com a relatora da ONU para a moradia adequada e professora da FAU-USP, Raquel Rolnik. Foi uma ótima entrevista e, com base nela, começamos oficialmente nosso projeto.

Entrevistando o Suplicy

Foto: Jean Gold

Em agosto de 2012 já estávamos entrevistando algumas das personalidades que apareceram no filme, como o Senador Eduardo Suplicy.

Quando o projeto conseguiu atingir sua meta no Catarse, ficamos aliviados. Com o dinheiro foi possível comprar alguns equipamentos para poder fazer melhores entrevistas na realização do filme. Além disso, também seria possível pagar um lanche para a equipe que se deslocasse até São José dos Campos para as filmagens que duravam um dia inteiro.

Muitas entrevistas se sucederam até 22 de janeiro de 2013, data que marcaria o primeiro ano após a desocupação dos moradores do Pinheirinho e quando pretendíamos fazer as últimas gravações do documentário. Um ato foi marcado para ser realizado neste dia e lá estava nossa equipe fazendo as filmagens em diferentes locações e aproveitando para fazer mais contatos para garantir o lançamento do filme alguns meses depois em São José dos Campos e São Paulo.

Terminadas as filmagens, o filme entrou em período de edição, onde Lucas trabalhou muito para conseguir finalizar o filme com a qualidade que vocês podem verificar agora. O filme teve algumas exibições em pré-lançamento para verificarmos o resultado de como ficou a produção na tela-grande.

Assim, em homenagem aos moradores do Pinheirinho, a primeira projeção foi feita ao ar livre em São José dos Campos no Campão, local histórico de reunião dos moradores do Pinheirinho que fica no bairro do Campo dos Alemães, ao lado de onde era a comunidade que foi desocupada. Depois disso, tivemos uma pré-estréia no baixo-centro, também ao ar livre em São Paulo, e no Museu da Imagem e do Som, no MIS.

Agora o documentário está disponível na íntegra no YouTube para que todos possam acompanhar essa produção que começou há mais de um ano, que valeu muito esforço pessoal de cada um dos envolvidos, mas que nos enche de orgulho de ter participado.

Meu abraço carinhoso e sincero agradecimento à todos que participaram, em especial aos amigo Lucas Lespier, Felipe Gil, Patrícia Brandão e Juliana Lima.

Abaixo a foto do último dia de gravação que participei do filme, feita no começo de 2013, no escritório da revista Caros Amigos, quando entrevistávamos uma das jornalistas que cobriram o caso Pinheirinho para a revista.

Roger na CarosAmigos para PinheirinhoUmAnoDepois

POSTS NO HUM HISTORIADOR SOBRE O DOCUMENTÁRIO

Aqui segue uma relação de quatro posts que foram publicados no Hum Historiador referentes aos diferentes momentos em que estávamos produzindo o documentário.

Gostaria de lembrar que o projeto já foi concluído e, portanto, não há mais como colaborar com o mesmo. A relação dos posts abaixo é só para registrar o histórico do desenvolvimento do projeto.

POSTS NO HUM HISTORIADOR SOBRE O PINHEIRINHO

Abaixo segue uma relação de quinze posts publicados no Hum Historiador que tiveram como tema o Pinheirinho (em ordem decrescente de data de publicação). Os posts de janeiro e fevereiro de 2012 foram escritos no calor do momento e registram minha participação nos protestos e atividades de solidariedade aos antigos moradores do Pinheirinho. A partir de julho de 2012, nasce a ideia de fazer o documentário e há inclusive um post trazendo o primeiro vídeo amador que fizemos de nossa primeira ida a São José dos Campos para estabelecer os primeiros contatos.

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PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS

Foto: Gabriela Biló / Futura Press

A última terça-feira, dia 22 de janeiro, marcou o primeiro ano desde a violenta reintegração de posse do terreno do Pinheirinho realizado pela Polícia Militar de São Paulo. A desocupação deixou mais de 1500 famílias desabrigadas na cidade de São José dos Campos, causando muito sofrimento e dor a mais de oito mil pessoas que viviam no terreno. Passado um ano desde a desocupação, essas pessoas seguem sem uma solução definitiva com relação a moradia adequada e, pior, continuam sofrendo diversos tipos de violências como preconceito e discriminação, desintegração da família, péssimas condições de moradia e dificuldades para encontrar emprego, dentre outras.

A equipe que está produzindo o documentário PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS foi até São José dos Campos acompanhar o ato realizado em frente ao antigo terreno do Pinheirinho, com o objetivo de registrar mais esse encontro dos ex-moradores que seguem em sua luta por moradia e querem lembrar a todo Brasil que, um ano depois, ainda permanecem desabrigados e, mais do que nunca, a luta deve continuar, pois a luta deles não é mais só do Pinheirinho, mas de todos os sem-teto desse país.

Embora o ato estivesse marcado para ocorrer as 18h no Centro Poliesportivo Fernando Avelino Lopes, em frente ao terreno da antiga ocupação do Pinheirinho, a equipe chegou antes ao local para observar as diversas atividades que ocorriam a todo momento por ali. Equipes de reportagem das televisões, a cada instante, solicitavam entrevistas a um ex-morador e gravavam suas matérias em frente ao terreno. Muitas pessoas que passavam com seus carros por ali e viam a movimentação, manifestavam-se: ora positivamente, ora negativamente. Conforme o horário do ato ia se aproximando, ex-moradores iam chegando em frente ao terreno e se surpreendiam ao saber que o ato não seria na rua, mas dentro do Poliesportivo. Conversamos com alguns deles que diziam estranhar o fato de a manifestação se realizar dentro de um equipamento da prefeitura. Para eles, o ato deveria ocorrer na rua em frente ao terreno, mesmo que tivesse que fechá-la e atrapalhar o trânsito. Um ex-morador me confidenciou que muita gente não participaria do ato justamente por estar sendo realizado no Centro Poliesportivo. Dizia que naquele lugar muita gente do Pinheirinho havia sido agredida logo depois da desocupação, pois ali funcionou um centro de triagem da prefeitura e que as pessoas que haviam passado por ali, não querem nunca mais voltar àquele lugar que só lhes trazem lembranças ruins. Para essas pessoas, a resistência do Pinheirinho tem que estar nas ruas e não em equipamentos municipais.

Por volta das 18h, saímos da rua em frente ao terreno e nos dirigimos ao Centro Poliesportivo. O local estava ainda bastante vazio e, conversando com um dos organizadores do evento, fomos informados de que por ser uma terça-feira, dia útil, muita gente ainda se encontrava trabalhando e que logo mais o ato estaria cheio. O tempo foi passando e a previsão do organizador estava parcialmente correta. É verdade que chegou bastante gente, mas muitas dentre as pessoas que chegavam, não eram moradores do Pinheirinho, mas sim estudantes, equipes de reportagens, integrantes de movimentos sociais e partidos políticos, além de algumas pessoas que vinham de São Paulo para acompanhar o ato e engrossavam o número de participantes do evento. Estimamos que por volta de 400 a 500 pessoas teriam marcado presença no ato e, desses, talvez menos da metade fossem de ex-moradores do Pinheirinho. Perguntamos a alguns dos moradores presentes no ato a razão disso e eles novamente nos deram como explicação o fato do evento ser realizado dentro do Poliesportivo. Além disso, outro fator determinante que teria desestimulado o interesse de alguns moradores participarem do ato, seria a sensação de que a manifestação daria muito mais espaço aos políticos do que aos moradores, o que de fato acabou acontecendo, como testemunharíamos horas mais tarde.

Passados alguns minutos, o carro de som começou a chamar as pessoas para perto do palco, pois o ato começaria dentro de alguns instantes. Os presentes se aproximaram e, por volta das 18h45, o ato começa com a informação de que as inscrições para quem desejava falar estavam abertas e que havia uma mesa responsável por organizar as falas até as 20h30, quando o ato seria encerrado. Passaram pelo microfone, muitos dos políticos que estiveram envolvidos com o Pinheirinho desde antes mesmo da desocupação, quanto tentavam evitar que as famílias fossem despejadas do Pinheirinho: Antonio Donizete, Marco Aurélio, Adriano Diogo, Tonhão Dutra, Eduardo Suplicy e Ivan Valente, dentre outros.

Antonio Donizete, o Toninho, falou que no ano de 2013, enquanto não houvesse solução definitiva para as famílias do Pinheirinho, havia necessidade de lutar pelo reajuste do aluguel social, uma vez que o valor atual, de R$ 500,00, é insuficiente para alugar uma casa adequada em São José dos Campos. Além disso, Toninho também informou que estão sendo negociados com a Caixa Econômica Federal dois terrenos em São José dos Campos para abrigar ex-moradores do Pinheirinho: um em Bom Retiro e outro em Interlagos.  Por fim, Toninho salientou que, embora terrenos fossem negociados, seria importante e muito significativo se a luta prosseguisse até que conquistasse como resultado, senão o terreno todo, ao menos a desapropriação de uma parte do Pinheirinho que fosse destinada à moradia de parte dos ex-moradores que foram expulsos daquele terreno em 2012.

Outras políticos e líderes de movimentos sociais foram passando pelo microfone, até que a palavra foi dada ao Deputado Estadual Adriano Diogo, que começou sua fala propondo a todos que fizéssemos um minuto de silêncio em homenagem ao senhor Ivo Teles, ex-morador do Pinherinho morto depois da desocupação em decorrência de ferimentos que teriam sido provocados pela violência policial utilizada durante a reintegração de posse. Em seguida, retoma sua fala parabenizando os moradores pela resistência e lembrando que aquela se tratava da maior escola de luta por moradia do Brasil e, por isso, não poderia terminar com a vitória de Naji Nahas.

Sara Al Suri, ativista da revolução síria que discursou durante ato para relembrar reintegração de posse do Pinheirinho.

Mais pessoas vão passando pelo microfone para deixar sua solidariedade e parabenizar os moradores do Pinheirinho por sua luta e resistência, até que foi anunciada a presença de Sara Al Suri, militante da revolução síria que acompanha de perto a luta por moradia adequada no Brasil. Sara contou aos participantes do ato da trágica realidade de seu país, onde mais de 60 mil pessoas foram mortas pelo regime ditatorial de Bashir Al Assad, lembrando que a população síria também sente diariamente a perda de suas casas, terras e vida. Para Sara, a mesma luta está sendo travada em  Damasco e no Pinheirinho, pois em ambos lugares as pessoas são vitimadas pela violência do capitalismo, que é internacional. Acredita que da mesma forma como age o capitalismo, a força, a persistência e as lutas dos trabalhadores também deve ser internacional. Só dessa maneira há uma possibilidade de vencer.

O ato se aproximava dos seus momentos finais quando foram anunciadas as presenças de Ivan Valente e do Senador Eduardo Suplicy, que relembraria todos os acontecimentos que marcaram a negociação para que não houvesse a reintegração de posse do Pinheirinho. Além disso, trouxe uma vez mais à tona o absurdo caso de estupro e violência sexual sofrido por moradores da região do Pinheirinho que, segundo a denúncia, foram atacados por policiais militares que rondavam o bairro dias depois da desocupação. O caso, que foi denunciado pelo senador em Brasília e levado ao conhecimento do governador de São Paulo pelo próprio Suplicy, ainda não teve nenhuma solução e, sequer, qualquer pronunciamento por parte do governo, que havia prometido máximo rigor na apuração. Assim como os casos de David Washington Furtado e Ivo Teles, este é outro dos tenebrosos casos de violência que cercam o Pinheirinho.

Foto: Gabriela Biló / Futura Press

Já passava das 20h15 e a equipe começava a se preparar para deixar o ato.  O senador Suplicy ainda falava ao microfone e, depois dele, ainda viria Ivan Valente. Olhando para as pessoas presentes no ato, distinguimos um grupo de crianças se aproximando com escudos feito de papelão, perucas e caracterizados para uma encenação. Sabíamos que se tratavam das crianças do Pinheirinho que queriam apresentar no palco uma re-encenação de como havia sido a desocupação do terreno onde eles moravam. Nos aproximamos para acompanhar mais de perto e vimos que havia um certo descontentamento. Algumas das mães nos contaram que, dado o avançado da hora, a mesa acabou dizendo que não seria possível ocorrer mais a apresentação das crianças. Percebemos um grande desapontamento na feição de todos ali, inclusive nos nossos rostos. Guardamos os equipamentos e nos preparávamos para ir embora. Da portaria do Poliesportivo, vimos uma das mães conversando com o senador Suplicy, explicando que as crianças não puderam apresentar sua re-encenação. Não ouvimos a resposta do senador, mas certamente, assim como cada um dos membros da equipe, ele também deve ter lamentado.

O ato foi muito importante para marcar um ano desde a reintegração de posse do Pinheirinho. O terreno, desde então, continua vazio e as pessoas que ali moravam, seguem desabrigadas. A data não podia passar em branco e a organização do evento está de parabéns por relembrar ao Brasil que a luta do Pinheirinho ainda continua. Também entendemos que é bastante importante saber que os políticos que participaram do ato, se posicionam claramente ao lado dos ex-moradores do Pinheirinho na luta por uma solução definitiva para a moradia dessas mais de 8 mil pessoas (e não de hoje, mas desde antes da reintegração de posse ocorrer). Apesar disso, esperávamos que o ato fosse marcado pela participação dos ex-moradores como personagens principais das atividades que ali se desenrolariam, o que infelizmente não aconteceu. Foi impossível não sair com uma sensação de desapontamento ao constatar que, tal como alguns moradores haviam nos adiantado, o ato do Pinheirinho no Poliesportivo acabou dando muito mais um espaço aos políticos do que aos ex-moradores. De nossa parte, fica a esperança de uma aprendizagem para a organização dos próximos eventos. É importantíssima a presença dos políticos para dar mais força a luta dos ex-moradores do Pinheirinho, mas também é importante garantir o espaço e a participação dos moradores nesses eventos. Sem a presença ativa deles, certamente os eventos ficarão bastante esvaziados, quer de pessoas, quer de significado.

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Caso Pinheirinho: distorções e manipulação na cobertura da Folha de S. Paulo

Beatriz Mayara Bevilaqua, estudante de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, acaba de preparar seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre o caso do Pinheirinho e a cobertura do mesmo na Folha de S. Paulo durante a reintegração de posse do terreno, ocorrida em 22 de janeiro de 2012.

Em função de minha participação na equipe de produção do documentário PINHEIRINHO – UM ANO DEPOIS, acabamos entrando em contato via redes sociais e trocando ideias sobre o caso quando, muito gentilmente, ela passou a minhas mãos, não só seu TCC, mas também um artigo que produziu com base em seu trabalho e que acaba de ser publicado no site Observatório da Imprensa, veículo jornalístico focado na crítica da mídia, com presença regular na internet desde abril de 1996.

O artigo, assim como o TCC, analisou a cobertura do caso Pinheirinho pela Folha de S. Paulo. “Foram identificados elementos de criminalização social e manipulação da informação por parte do jornal Folha de S.Paulo. O uso de autoridades como definidores primários reflete a pressão exercida dentro das redações, além de transparecer a posição editorial, ideológica e política em defesa do proprietário”.

A autora permitiu que o Hum Historiador reproduzisse o artigo a seus leitores, a quem agradeço publicamente. Espero que os leitores possam lê-lo na íntegra.


A remoção forçada dos moradores da Comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos, resultou em denúncias de abuso de autoridade no local e violação de direitos humanos. Além disso houve um claro cerceamento à liberdade de imprensa, ocorrido quando não foi permitido o livre acesso ao local.

A reintegração teve início na madrugada do dia 22 de janeiro de 2012. Foram empregados mais de 220 viaturas, 40 cães, 100 cavalos e 300 agentes da prefeitura local para apoio psicológico e social da população. A Comunidade estava localizada na zona sul da cidade de São José dos Campos. O município pertence ao estado de São Paulo, mesorregião do Vale do Paraíba e fica a 94 km da capital paulista.

A desocupação no Pinheirinho é um exemplo de tentativa de criminalização das periferias pela imprensa, com reflexo na opinião pública. Trata-se de um assunto de relevância para a compreensão de um dos maiores massacres ocorridos na região do Vale do Paraíba.

A COMUNIDADE

De acordo com os dados de pesquisa de Andrade (2010, p.73) a data de fundação de Pinheirinho é de 25 de fevereiro de 2004. Inicialmente havia aproximadamente 240 famílias e até 2010 o acampamento ficou oito vezes maior. O terreno pertence a uma massa falida da Selecta S/A, que tem como proprietário o investidor Naji Nahas conhecido nacionalmente por irregularidades praticadas no mercado financeiro.

Segundo relatório do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe – São Paulo) em 2012 já havia mais de 1.500 famílias morando no bairro. Durante todo o período em que a população viveu em Pinheirinho esta conheceu várias formas de preconceitos por parte do setor público municipal.

Andrade (2010, p. 76) cita em sua dissertação de mestrado, realizada entre os anos 2008 e 2010, depoimentos de algumas moradoras da Comunidade:

Pergunta: Qual a diferença de morar aqui e de morar lá fora?

[…] se não tiver médico num lugar, a gente não pode ir num outro postinho. Nos outros bairros também já não aceitavam o Pinheirinho, quer dizer, tipo assim, uma discriminação, né? A gente sofre este tipo de coisa. […] E os lugares que a gente vai as pessoas falam: „Por que você usa luz assim?‟ „Por que você usa água assim?‟ „Por que você está lá naquela terra?‟ Eles não entendem a situação da gente. [Cláudia]

Meus filhos estudam em escola do Estado, porque na da prefeitura não pega. […] Eles alegam que a gente não tem uma conta de luz, uma conta de água ou de telefone. [Juliana]

Pergunta: Nos postinhos tem problema?

Eles não pedem para chamar a gente, não olham na cara da gente. Ainda mais quando é de Pinheirinho. Chega no pronto socorro aqui, os médicos: O que é aquilo, ali?‟ Com aquela cara, olhando. Aí [ pergunta] : „Onde você mora?‟ [ resposta: ] „Pinheirinho‟. Aí que demora mesmo! [Raquel]

Segundo o relatório “A voz das Vítimas”, produzido pelo CONDEPE (2012), na véspera da reintegração de posse do terreno, dia 21 de janeiro (sábado), houve uma concessão de um prazo de 15 dias fixada em juízo para a negociação entre o governo estadual e federal de uma proposta de políticas públicas integradas entre o Município de São José dos Campos, o Governo do Estado de São Paulo e a União para uma solução fundiária e habitacional para a ocupação. Com isso a Assembléia dos Moradores festejou naquele mesmo dia a suspensão da liminar de reintegração de posse. No dia 22 de janeiro o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) validou a desocupação através de uma liminar emergencial. A ordem expedida pela juíza Márcia Faria Mathey Loureiro manteve a desapropriação do terreno.

REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Segundo nota divulgada em 22 de janeiro de 2012 pelo Centro de Comunicação Social da Polícia Militar ao todo foram encaminhados ao local mais de 2 mil policiais militares. Foram empregados mais de 220 viaturas, 40 cães, 100 cavalos e 300 agentes da prefeitura local para apoio psicológico e social da população. Também foram utilizadas duas aeronaves Águia da Polícia Militar. Segundo a nota foram detidas 16 pessoas e não houve mortes, nem feridos. (POLÍCIA MILITAR –SP, 2012c).

No dia 23 de janeiro uma outra nota foi divulgada pela PM. A nota exclarece que “a integridade física das pessoas norteou a estratégia para cumprimento da determinação judicial”. (POLÍCIA MILITAR – SP, 2012b). O mesmo texto explica que a PM “agiu com o objetivo de restabelecer a ordem pública” e fez uso “ de técnicas não letais”. Segundo números registrados no site da polícia militar “até às 18h de 23 de janeiro de 2012 foram apreendidas duas armas de fogo, 1.100 invólucros de maconha e 388 pinos para embalar cocaína, também foram localizadas três bombas caseira.” A PM também disponibilizou em seu site um infográfico para compreender a operação em Pinheirinho. (POLÍCIA MILITAR –SP, 2012a).

O líder da comunidade, Valdir Martins, em entrevista concedida à autora deste trabalho, deu sua versão dos fatos e fez denúncias contra a PM de São Paulo:

Aquele vídeo divulgado na internet de um senhor sendo espancado pela PM, ele morreu de traumatismo craniano. A polícia está sendo processada. Duas meninas foram estupradas no acampamento, um rapaz foi estuprado com um cabo de vassoura pela tropa de choque […].

Foram mais de 600 processos contra o Estado de São Paulo por abusos policiais denunciados e desrespeito à população de Pinheirinho. Várias entidades defensoras de direitos humanos questionaram a legitimidade da decisão judicial. O jornalista Aurélio Moraes, do Jornal Nossa Jacareí publicou um vídeo na Internet em 14 de janeiro de 2012 mostrando de que maneira os moradores vinham tantando regulamentar o terreno junto a prefeitura e a tensão no local dias antes da reintegração. (MORAES, 2012). Alguns veículos de comunicação, como a própria FOLHA DE S. PAULO denunciaram a Polícia Militar (PM) como cerceadora da liberdade de imprensa, ocorrido quando não foi permitido o livre acesso ao local de reintegração, bem como aos alojamentos da prefeitura. Por outro lado, uma comissão especial da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de São José dos Campos aprovou a operação militar no caso Pinheirinho. O relatório divulgado em junho de 2012 pela 36ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de São José dos Campos descartou violação dos direitos nas condutas da Polícia Militar, da prefeitura e da Justiça na reintegração de posse do Pinheirinho. O documento afirma que “os números nos permitem afirmar com tranquilidade que inexistiu violação dos direitos humanos na conduta geral da Polícia Militar.” O relatório se contrapõe à investigação do Condepe, que denunciou violações aos direitos humanos em março de 2012. (ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, 2012).

O relatório também afirma que “A exploração política e econômica praticada pelos líderes do movimento contra a população carente que se instalou no Pinheirinho pode ser outra importante causa do problema, se não a principal”. Eles acusam líderes da Comunidade, como Valdir Martins, o Marrom, de vender terrenos dentro do Pinheirinho e lucrar com a comercialização dos lotes. No mesmo relatório defendem a juíza Márcia Faria Mathey Loureiro, que autorizou a reintegração de posse. “O feito obedeceu ao devido processo legal e os réus tiveram direito à mais ampla defesa e toda sorte de recursos.” (ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, 2012).

Em entrevista, o líder da Comunidade Pinheirinho, Valdir Martins, se defende da acusação e comenta o relatório divulgado pela 36ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de São José dos Campos (OAB).

Na verdade nunca houve a comercialização de lotes lá dentro. Esse presidente da OAB de São José dos Campos já foi pré candidato a prefeitura da cidade. Ele é do partido do PSDB e fez uma função para o partido que mandou me acusar sem fundamento… Nunca existiu essa comercialização! (MARTINS, 2012).

Na madrugada de 22 de janeiro de 2012 dois mil policiais militares realizaram a reintegração de posse, mas somente na noite do dia 25 de janeiro a polícia concluiu a reintegração. O portal de notícias R7 denunciou em 27 de janeiro de 2012 as condições dos abrigos superlotados. Uma das ex-moradoradas de Pinheirinho criticou na entrevista a bolsa aluguel que o Governo do Estado prometeu oferecer aos desabrigados. Na opinião dela a bolsa é insuficiente para uma família de 10 pessoas como a dela, sendo duas portadoras de necessidades especiais. (BARBEIRO, 2012).

O líder da comunidade, Valdir Martins, disse que a supervalorização do terreno foi a principal causa da reintegração de posse. Ele também explicou o que representou a perda do terreno para os ex-moradores:

Para desocupar uma casa leva-se 48 horas, em Pinheirinho em 72 horas eles desocuparam 1.843 casas. Para o rico propriedades são fazendas, iates e apartamentos, para o pobre propriedade às vezes é o próprio filho, o próprio marido, uma foto, uma cadeira, uma mesa. E agora quem vai devolver isso? Uma mãe disse para mim: Marrom, a única coisa que eu tinha de valor não era a casa, a casa eu construo outra, eu tinha um DVD do meu único filho que morreu aos 8 anos, agora eu nunca mais poderei vê-lo. As pessoas perderam mais que casas, perderam coisas pessoais, intimidade, aquele presente que o avô deixou. É comum você encontrar no terreno ainda fotos, cartas […] 90% perdeu absolutamente tudo. O que houve em pinheirinho foi um estupro social, um crime, um massacre! […] (MARTINS, 2012).

A Polícia Militar do Estado de São Paulo deixou uma mensagem final sobre o caso Pinheirinho no site da instituição da PM e explica que “em seus 180 anos de existência, sempre trabalhou em consonância com o ordenamento jurídico. E acrescenta que “sua atuação se baliza por três princípios básicos: respeito integral aos direitos humanos, filosofia de polícia comunitária e gestão pela qualidade. Por fim, conclui: “Seu único escopo é o respeito ao cidadão, ao povo brasileiro e às instituições democráticas. E assim continuará, sempre.”

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

O jornal britânico Guardian fez críticas ao governo brasileiro por meio de um artigo publicado em 24 de janeiro de 2012. O artigo também questionou a cobertura da grande imprensa e afirmou que os veículos só deram atenção ao caso quando houve repercussão nas redes sociais. O jornal critica as ligações históricas dos jornais brasileiros ao poder político e enfatiza que a imprensa do Brasil falou de Pinheirinho em “tons suaves”, como por exemplo manchetes destacando uma van de uma TV incendiada e uma menor atenção para as casas que foram perdidas pelos moradores. (NUNES, 2012).

O processo judicial em torno da posse do terreno é antigo e deve se prolongar em muitas questões. O defensor público Jairo Salvador, de São José dos Campos, em entrevista concedida para o Jornal do Brasil em 1º de fevereiro de 2012, afirma que não há precedentes brasileiros do caso. “O Pinheirinho é só mais um capítulo do extermínio da pobreza, de uma cidade que quer se vender como perfeita. Não tem lei em São Paulo. É só ter força. Cada um cumpre o que quer”. (PSOL…, 2012).

O pesquisador e antropólogo Inácio de Carvalho Dias de Andrade – que conviveu por três anos na Comunidade Pinheirinho, em depoimento à autora deste trabalho, afirmou que a força policial teve respaldo da grande imprensa.

A grande mídia tem um enorme poder em pautar os debates públicos seja pela abrangência de seus meios ou pelo impacto que pode causar, no entanto, tanto no caso do Pinheirinho como o da Cracolândia, ela se ausentou de discutir em profundidade o assunto, suas causas ou outras soluções possíveis. Isso acontece tanto com grandes veículos que pretendem passar uma aura de imparcialidade para o leitor, como aqueles, mais honestos, que assumiram alguma posição nesses casos. Mas o fato é que, passado todos esses meses, eu não vi nenhuma maior discussão ou questionamento sobre o destino ou situação daqueles moradores despejados. O caso paulista é exemplar, mas também poderíamos traçar analogias aqui com outras ações parecidas no Brasil que não recebem atenção devida nos noticiários. Existem obras para a Copa do Mundo no Brasil inteiro nas quais os mesmos problemas vêem ocorrendo. Mesmo o caso da Hidroelétrica de Belo Monte parece abandonado sem alguma discussão aprofundada pelos diversos setores da população. No entanto, para que esse discurso midiático possa ganhar força, ele precisa contar com respaldo discursivos da sociedade, tais como a associação fácil de pobreza a desorganização. (ANDRADE, 2012.)

A COBERTURA DA FOLHA DE S.PAULO

As notícias coletadas entre os dias 23 e 30 de janeiro chamam atenção, inicialmente, por dois aspectos: em primeiro lugar pelo excesso de declaração de autoridades locais e nacionais, e em segundo pela pouca “voz” dada aos moradores durante a cobertura jornalística.

Logo no primeiro dia de cobertura da reintegração, segunda-feira, 23 de janeiro de 2012, observamos o uso de definidores primários na cobertura da FOLHA DE S. PAULO. Apenas fontes oficiais deram declarações sobre o ocorrido na chamada de capa do jornal: Polícia Militar (PM), assessor da presidência e “planalto”. As pessoas descritas, todas em cargos institucionais, funcionam como definidores primários, legitimando a informação. Isso porque, como lembra Hall (Hall et. al. apud PENA, 2004, p.178) as primeiras fontes a serem ouvidas sobre um determinado assunto é que vão pautar o debate que será feito em torno desse mesmo assunto na sequencia. Nesse sentido eles definem a angulação e o tom do debate que segue. As fontes oficiais, portanto, possuem grande influência na construção da notícia e refletem a pressão exercida dentro das redações. Além disso refletem a posição editorial, ideológica e política em defesa do proprietário.

Observamos também a referência negativa aos moradores da comunidade.  “Moradores incendiaram carros e atiraram pedras contra policiais militares […]”. A foto da manchete traz uma mensagem sobre a ação policial: a imagem mostra um PM retirando uma mulher com uma criança de colo da área de confronto o que remete a ideia de proteção por parte da polícia. O comportamento da cobertura jornalística revela como os fatos são construídos subjetivamente. A foto Manchete também revela isso. Segundo o próprio Manual da FOLHA de S. PAULO “uma boa foto pode ser mais expressiva e memorável que uma excelente reportagem”.

A matéria do dia 23 de janeiro, da página C1, com o título “Retirada de famílias deixa rastro de destruição em São José dos Campos” afirma no corpo do texto que carros foram incendiados por moradores. “Seis veículos foram incendiados por moradores, dois deles pertencentes a empresas de comunicação que acompanhavam a ação.” O texto não inclui depoimentos dos moradores confirmando esta acusação. O fato de não trazer a outra versão, mostra o descumprimento do próprio Manual da FOLHA DE S. PAULO, que diz que quando uma informação é ofensiva a uma pessoa, o jornal deve ouvir o outro lado e publicar as duas versões com “destaque proporcional”. O Manual também diz que quando houver publicação de um texto sem ouvir o outro lado, o jornal deve tentar ouvir a fonte no dia seguinte sobre o mesmo assunto.

Enquanto o jornal prioriza o depoimento do comandante da polícia nos primeiros parágrafos, o advogado que representa os moradores, Antonio Donizete Ferreira, aparece ao final do texto com uma declaração superficial do ocorrido no dia. Mais uma vez observa-se a preferência dada aos definidores primários na cobertura do tema.

Na terça-feira, 24 de janeiro de 2012, a FOLHA traz alguns depoimentos de ex-moradores de Pinheirinho e revela que alguns querem voltar para sua terra-natal. Em seguida a reportagem informa que a prefeitura oferece passagens para quem quiser voltar e que pelo menos 30 aceitaram. Isso representa 0,3% dos 10 mil moradores de Pinheirinho, o que estatisticamente é um número muito pequeno. O jornal generaliza uma situação a partir de uma pequena parcela.

Uma nota que evidencia a prioridade por definidores primários está localizada na página C1 com o título “Decisão do TJ é correta, dizem especialistas”. O texto desta mesmo edição, 24 de janeiro de 2012, defende a ideia de que o procedimento de reintegração no Pinheirinho foi o correto e para comprovar isso a reportagem consulta “especialistas sobre o tema”. A matéria também diz que a PM agiu corretamente em obedecer aos magistrados estaduais. A matéria consiste em entrevista com o professor de direito constitucional da PUC André Ramos Tavares e o advogado Gustavo Rene Nicolau que confirmaram que dificilmente a competência do caso à justiça estadual seria revertida. Analisando esta matéria, podemos remeter ao pensamento de Francisco José Karam (2004) que diz que a objetividade e a subjetividade estão intimamente relacionadas no jornalismo. Podemos observar aqui que a ideia de objetividade é quebrada pelo fato do jornal ter escolhido um especialista que estivesse de acordo com aquilo que o jornal defende. O Manual da Folha estabelece que o cruzamento de informação é obtido cruzando várias fontes para uma informação. “Qualquer informação de cuja veracidade não se tenha certeza deve ser cruzada.” Ou seja, se a FOLHA quisesse estabelecer um debate dentro dos marcos da objetividade, esta poderia ter ouvido mais especialistas, inclusive com pontos de vista diferentes.

No mesmo dia 24 de janeiro de 2012, o jornal britânico Guardian, citado no segundo capítulo deste trabalho, publicou um artigo com críticas ao governo brasileiro. O artigo questionou a cobertura da mídia e enfatizou que a imprensa do Brasil falou de Pinheirinho em “tons suaves”. A FOLHA DE S. PAULO repercutiu uma breve nota sobre a crítica do jornal britânico 3 dias depois, em 27 de janeiro. Karam (2004) afirma que “não há um fato e várias opiniões e julgamentos, mas um mesmo fenômeno e uma pluralidade de fatos, conforme a opinião e o julgamento.”

Olien, Tichenor e Donohue, são citados por Traquina (2001, p.125). Escrevem os autores: “A reportagem inicial de um contramovimento no sistema será geralmente cética se não hostil, e o problema será definido de acordo com as suas ramificações para as relações de poder existentes”.

Na quarta-feira, dia 25 de janeiro, a matéria da página C4, “Retirada de famílias ignora ação social”, traz entrevista com a defensoria pública do Estado. Segundo a defensoria o atendimento dado aos ex-moradores é precário e foram encontradas pessoas abrigadas próximas a viveiro de pombos e fezes de animais. Alguns sem-teto, segundo a reportagem, preferiram se abrigar em uma igreja. Além disso alguns ex-moradores disseram que suas casas foram demolidas antes que pudessem pegar seus pertences. A matéria se refere aos ex-moradores, mas não acrescenta uma fala de qualquer um deles. Para Felipe Pena (2005) a decisão de publicar algo ou não depende principalmente de uma política empresarial.

Uma outra nota desta quarta-feira, 25 de janeiro, afirma que os sindicatos lideram a resistência que restou no local. A palavra “invasão” é presente em praticamente todas as matérias informativas analisadas neste trabalho. A palavra, possui o sentido de ilegalidade e denota juízo de valor por parte do jornal.

A matéria diz que “grupos de esquerda estão presentes no Pinheirinho desde o início da „invasão‟ em 2004, e seus líderes sempre foram respeitados como porta-vozes da comunidade.” Podemos observar aqui que “partidos de esquerda” seria uma forma de retirar a legitimidade do movimento dos moradores, já que estaria a serviço de um partido que luta pelo poder e quer desgastar quem está no poder.

Na quinta-feira, dia 26 de janeiro de 2012, a foto da Capa da FOLHA chama atenção: o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, cercado por manifestantes e protegido por um segurança. O texto da chamada de capa do Caderno Cotidiano C1 diz que cerca de 800 manifestantes atiraram pedras e ovos contra o prefeito na saída da missa pelo aniversário da cidade de São Paulo. O protesto era contra as ações da PM na Cracolândia e Pinheirinho. Segundo a FOLHA o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin não compareceu e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab lamentou o ocorrido. O repórter não entrevistou qualquer manifestante.

Com base nos autores Chomsky e Herman (1997 apud KARAM, 2004, p. 235) o consenso seria produzido por uma elite a qual é detentora de várias empresas e possui influência tanto em instituições públicas quanto privadas vinculadas ao poder político e econômico. A promessa da imprensa liberal de ser porta voz da democracia fica comprometida, pelo fato de não ter sido dado espaço para que o “outro lado” falasse, novamente o jornal não cumpre o próprio manual.

Nesta edição do dia 26 de janeiro, na página C4, a FOLHA entrevistou o pedreiro Severino Antonio de Jesus Silva e o ajudante de transportes Jamerson Conceição dos Santos. Além disso o jornal denunciou o descaso da prefeitura por não enviar caminhões, ambulância, nem agentes de trânsito para organizar uma caminhada dos ex-moradores por um trajeto de 4km até um abrigo da prefeitura. Uma mulher grávida desmaiou, mas segundo a reportagem, foi socorrida por um policial militar.

Na página C5 encontramos uma matéria sobre a polícia ter restringido o acesso da imprensa durante a operação. Mas esta matéria não tem chamada de capa e tampouco é destaque de página. O discurso de ações isoladas como coletivas e a falta de destaque noticioso sobre o cerceamento à liberdade de imprensa durante a reintegração de posse, comprometem a falta de isenção do jornal por meio da ocultação de fatos relevantes para a contextualização do episódio Pinheirinho.

Na sexta-feira, 27 de novembro de 2012, a FOLHA não fez chamada de capa sobre o assunto. No entanto, no caderno Cotidiano, há uma página inteira falando sobre a reintegração. Uma das matérias entrevista a relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik. Ela criticou as autoridades brasileiras pedindo explicações sobre o caso.

No sábado, dia 28 de janeiro de 2012, novamente a FOLHA não fez chamada de Capa sobre Pinheirinho. Há apenas uma matéria na página C7 com o título “Prefeito diz que vai priorizar desabrigados”. Começamos a observar que a pauta sobre Pinheirinho já não está mais em relevância como no primeiro dia da cobertura. O pesquisador Inácio de Carvalho Dias de Andrade em entrevista concedida para este trabalho conclui “Mas o fato é que, passado todos esses meses, eu não vi nenhuma maior discussão ou questionamento sobre o destino ou situação daqueles moradores despejados” (ANDRADE, 2012)

Na edição de domingo, dia 29 de janeiro de 2012, a FOLHA coloca abaixo da dobra uma chamada de capa com uma entrevista com o ex-dono de Pinheirinho. Segundo o próprio site da FOLHA, o número de tiragem neste dia é de 320.504 exemplares, enquanto nos dias úteis 292.251 exemplares. Ou seja, a reportagem de domingo tem muito mais leitores. (FOLHA DE SÃO PAULO, 2012).

Na página 4 do caderno 2 encontramos a entrevista com Benedito Bento Filho. Segundo ele Pinheirinho era um jardim antes da “invasão” dos antigos moradores. Ele diz: “Antes de ser invadido pelos sem teto, aquilo era lindo, um verdadeiro jardim”.

A reportagem com Benedito Bento Filho, o homem que vendeu a terra a Naji Nahas, ocupa toda a página do caderno 2. Benedito defende Naji Nahas afirmando que o empresário é um amigo e um homem muito “digno” e critica as lideranças dos sem teto. No texto, porém não há qualquer depoimento com um ex-líder ou ex-ocupante do terreno para gerar um debate sobre o tema.

O Manual da Folha diz que “nunca participa de campanhas para enaltecer ou desacreditar pessoas nem serve a interesses particulares de partido político, grupo ou tendência ideológica”. Silveira (2004) no entanto reforça a ideia que a imprensa funciona como um instrumento político da classe dominante para manter o status quo. Nas palavras do próprio autor “ […] a produção de notícias trata os fatos como mitos, evita uma leitura crítica sobre a realidade e busca silenciar os grupos não conformistas, transformando a imprensa num meio de manipulação ideológica.”

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foram identificados elementos de criminalização social e manipulação da informação por parte do jornal FOLHA DE S. PAULO. O uso de autoridades como definidores primários reflete a pressão exercida dentro das redações, além de transparecer a posição editorial, ideológica e política em defesa do proprietário. O discurso de ações isoladas como coletivas e a falta de destaque noticiosa sobre o cerceamento à liberdade de imprensa são outros exemplos de manipulação.

Este trabalho nasceu de uma perturbação: de que maneira a FOLHA fez a cobertura do Caso Pinheirinho? Que fontes o veículo utilizou para as reportagens? O jornal privilegiou algum lado? E o histórico de denúncias de estupro, abuso de autoridade no local e violação de direitos humanos foram pautados pelo veículo? A criticidade na cobertura do jornal foi aquém do que se esperava.

Foi percebido que os ex-moradores tiveram pouco destaque nas reportagens, as fontes oficiais são usadas prioritariamente durante toda a cobertura do jornal. Algumas acusações foram feitas aos ex-moradores sem ao menos escutá-los. A FOLHA descumpriu com o próprio Manual quando afirma que o veículo deve ouvir e publicar as duas versões com “destaque proporcional”. Até mesmo o jornal britânico The Guardian questionou a cobertura da grande imprensa brasileira e afirmou que os veículos só deram atenção ao caso quando houve repercussão nas redes sociais. O jornal disse que a imprensa do Brasil usou “tons suaves” para reportar o Caso Pinheirinho.

A cobertura informativa da FOLHA não mostrou os dois lados proporcionalmente, principalmente quando permitiu na edição do dia 30 de janeiro, edição de domingo e de maior peso, uma página inteira para um ex-proprietário do terreno, Benedito Bento Filho. A página , do caderno 2, destaca sua fala quando diz que o terreno era um jardim, antes da “invasão” dos sem-teto.

O próprio uso da palavra “invasão” e não “ocupação” também revela parte da ideologia do veículo. A palavra, possui o sentido de ilegalidade e denota juízo de valor por parte do jornal. As fotos de manchete também trouxeram mensagens ideológicas da FOLHA, como a da capa no primeiro dia de cobertura.

Somos assim levados a questionamentos sobre a cobertura informativa da FOLHA DE SÃO PAULO envolvendo reintegrações de posse e movimentos sem-teto no país. O veículo seguiria o mesmo padrão jornalístico do Caso Pinheirinho com outros casos relacionados?

REFERÊNCIAS

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PINHEIRINHO – um ano depois: colabore com nosso projeto

A página do projeto de documentário “Pinheirinho – um ano depois” foi lançada nesta última sexta-feira no site do Catarse. Assim, agora já é possível que todas as pessoas possam colaborar com o projeto para que possamos produzir o filme e dar voz à história dos moradores do Pinheirinho desde o momento da reintegração de posse, realizada no dia 22 de janeiro de 2012.

As contribuições podem ser feitas a partir de R$ 10,00 e, como incentivo para conseguir mais colaboradores, pensamos em uma série de recompensas que serão oferecidas a cada colaborador de acordo com o valor de sua contribuição. Desde o nome nas páginas de agradecimento do projeto neste blog e nas redes sociais, passando por ter o nome incluído nos créditos, uma camiseta exclusiva do projeto de documentário, um DVD especial e até mesmo participar da noite de pré-estréia do filme que estamos organizando para ser realizada em São José dos Campos.

PARA SABER MAIS COMO CONTRIBUIR COM O PROJETO, nossos objetivos extras e os valores das colaborações, visite nossa página no site do catarse.

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Pinheirinho, um ano depois: vídeo para captação de fundos

Acaba de sair do forno o vídeo que a equipe de produção do projeto de documentário PINHEIRINHO, UM ANO DEPOIS vai disponibilizar no Catarse para pedir a colaboração dos amigos a fim de arrecadar o fundo necessário para conseguirmos produzi-lo.

Imagem: Juliana A. Reis

Foi difícil editar todo o material que colhemos em um vídeo de cinco minutos, mas acho que conseguimos um excelente resultado. Neste vídeo contamos com os depoimentos de ex-moradores da comunidade do Pinheirinho, como a Carmen Benedita de Jesus e a Marinalva, além do líder comunitário, Valdir Martins, o Marrom e os depoimentos do Senador da República, Eduardo Supplicy e da relatora especial da ONU para moradia adequada, a professora Raquel Rolnik. Há outros depoimentos colhidos, mas como disse, planejávamos fazer um vídeo de 3:30 e, no final, o vídeo que vamos subir está com 5:00 de duração.

Agora o projeto entra na fase de captação de recursos, que é a fase mais complicada. Optamos pelo sistema de Crowd Funding, que no Brasil ganhou corpo através do site do Catarse. O vídeo ainda não foi disponibilizado no site, mas em breve já estaremos com nossa página registrada e você poderá colaborar. Por enquanto, você já pode ver o vídeo abaixo para ter uma ideia do documentário que pretendemos fazer.

Após a captação dos recursos, a ideia é viajar algumas vezes a São José dos Campos e acompanhar o dia-a-dia da vida dos ex-moradores do Pinheirinho em suas casas. Além disso, também continuaremos a entrevistar alguns especialistas sobre o assunto, políticos e demais envolvidos no caso do Pinheirinho. Tentaremos acompanhar o leilão da área que foi desocupada e, também, falar com Prefeito de São José dos Campos, Juíza que deu a ordem da desocupação de posse, comandantes da Polícia Militar e demais envolvidos com a ação  de reintegração de posse.

Por enauqnto, em nome da equipe de produção, gostaria de agradecer aos entrevistados, a todos que participaram das gravações e aos amigos que colaboraram ajudando a conseguir as entrevistas ou produzindo materiais. Aqui segue o nome de alguns a quem gostaríamos de agradecer:

Entrevistados:

  • Carmen Benedita de Jesus
  • Marinalva Ferreira da Silva
  • Juarez Silva
  • Valdir Martins
  • Eduardo Supplicy
  • Raquel Rolnik

Equipe de Apoio:

  • Juliana Amoasei Reis
  • Sandra José Paulino

Equipe de Produção:

  • Diva Nassar
  • Felipe Leite Gil
  • Jean Gold
  • José Rogério Beier
  • Juliana M. Lima
  • Lucas Lespier
  • Patrícia Brandão
  • Vitor Vasconcelos

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Edital de leilão do terreno do Pinheirinho traz data correta do leilão

Post publicado originalmente no blog PINHEIRINHO, UM ANO DEPOIS.

Como noticiamos ontem, no dia 31 de agosto de 2012 foi publicado no Diário Oficial da Justiça o edital de leilão do Pinheirinho. Os grandes jornais anunciaram que o leilão seria hoje, 03 de setembro, e todos saíram atrás copiando a notícia. Alertados pelo colega Márcio Sotelo, fomos atrás da notícia correta e acessamos o site do Diário da Justiça Eletrônicoonde vimos que o leilão será realizado no dia 03 de OUTUBRO DE 2012, às 14 horas, na Avenida Brasil, 478 – São Paulo-SP.

Para evitar novos erros, copiamos as páginas 345 e 346 do Caderno 5 – Editais e Leilões para melhor informarmos sobre este tema. Veja abaixo o edital tal como foi publicado pelo Diário da Justiça:

Página 345

Página 346

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Pinheirinho será leiloado nesta segunda-feira

Nesta última sexta-feira, dia 31 de agosto de 2012, foi publicado no Diário Oficial de Justiça de São Paulo o edital do leilão do terreno do Pinheirinho, em São José dos Campo. Como todos sabemos, em 22 de janeiro deste ano o local foi alvo de uma ação de reintegração de posse que retirou mais de 1.500 famílias que viviam na área há cerca de oito anos.

Leilão do Pinheirinho

Segundo o edital, o valor inicial para os lances é de R$ 187,4 milhões. Segundo informações que estão sendo publicadas nos jornais, este preço foi definido por um perito judicial e equivale ao dobro do valor venal do imóvel, cuja certidão de registro da prefeitura de São José é de quase R$ 93 milhões. O local tem uma área de 1,3 milhões de metros quadrados. A justificativa dada para a pressa em leiloar o terreno é que parte da renda será revertida para pagamento de dívidas à prefeitura e ao governo federal, que juntas podem chegar a R$ 30 milhões. De acordo com a Justiça, o imóvel é o único bem em nome da empresa.

O pregão será aberto nesta segunda-feira (3/9) na modalidade mista (presencial e on line). O prazo será encerrado às 14h no próximo dia 3 de outubro.

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