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Manifesto da ANPUH-Brasil sobre a prisão de Lula

O Hum Historiador, blog de associado da ANPUH, repercute o manifesto da Associação dos Historiadores sobre a prisão de Lula. Abaixo segue a íntegra do manifesto tal como publicado no site da ANPUH-Brasil .

MANIFESTO DA ANPUH-BRASIL SOBRE A PRISÃO DE LULA
do site da ANPUH-Brasil – acesso em 6 de abril de 2018

A democracia brasileira tem sido, ao longo de nossa história, uma construção difícil. Anunciada nos discursos de rua e de cátedra e formalizada em parte de nossos textos constitucionais, sofreu contínuos ataques por parte de setores conservadores e autoritários. Inicialmente restrita à pequena parcela da população, cresceu como uma planta frágil que raramente conseguiu solo fértil para se consolidar. Ao longo de quase 200 anos de Independência e 130 anos de República, nossa história tem sido marcada por uma sucessão de golpes e quarteladas a ameaçarem o estado de direito, nos quais os regimes democráticos aparecem como meros intervalos entre um arbítrio e outro. A ausência de uma cultura cívica republicana e da aceitação da democracia como um valor universal têm nos levado a situações de imensa instabilidade, que por sua vez, abalam os já frágeis pilares de nossa cidadania.

Uma democracia se constrói por meio da livre competição eleitoral, onde há vencidos e vencedores. O custo da derrota deve ser menor que o do desrespeito às regras do jogo. Infelizmente, esse cálculo racional não foi bem equacionado por certos grupos, que indignados com mais uma vitória da oposição, partiram para o ataque contra as instituições.

A decretação em prazo recorde da prisão de Lula é a última expressão dos contínuos ataques que o regime instalado na Carta de 1988 estabeleceu. É por acreditarmos na preservação e consolidação da democracia, que nos solidarizamos hoje com Lula, vítima do arbítrio daqueles que não toleram o livre jogo do mercado político.

A ANPUH, entidade que agrega historiadores de várias regiões do país, não poderia estar indiferente a esta difícil conjuntura pela qual passa o país. Na defesa das instituições, da liberdade de expressão, do estado de direito e do equilíbrio entre os poderes, nos manifestamos pela liberdade de Lula.

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O registro de prisão de Rosa Parks

O Smithisonian Institute publicou em sua página o registro de prisão de Rosa Parks, que é considerada a mãe da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, após ter se recusado a ceder seu lugar no ônibus a um passageiro branco.

Rosa Parks senta na frente de um ônibus em 21 de Dezembro de 1956, o dia em que os ônibus de Montgomery foram oficialmente integrados.(© Bettmann / CORBIS

Dada a importância do evento, e uma frase bastante feliz do texto publicado pelo Smithsonian (“History makers are those that sense the moment”), achei que seria interessante divulgar este material aqui no Hum Historiador.

Abaixo fiz uma tradução livre do texto de Megan Gambino, publicado pelo Smithsonian em 28 de Novembro de 2012.

William Pretezer tinha cinco anos de idade quando Rosa Parks, da cidade de Montgomery, Alabama, foi presa. Era 01 de dezembro de 1955. A costureira de 42 anos de idade estava num ônibus da cidade, a caminho de casa depois de um dia de trabalho, quando recusou-se a dar seu assento no ônibus a um passageiro branco.

A importância completa desse evento não foi registrada por Pretzer, ainda tão jovem, vivendo a mais de duas mil milhas de distância em Sacramento, California. Para ser honesto, levaria tempo para que a maior parte das pessoas ganhassem perspectiva suficiente para ver o protesto tal como ele foi, o início dos movimentos dos direitos civis nos Estados Unidos, e Rosa Parks como a assim chamada “mãe” do movimento.

Mesmo agora, enquanto olha o relatório policial de Parks e suas impressões digitais, Pretzer, um curador senior no Museu Nacional de História Afro-Americana do Smithsonian,  está impressionado com a banalidade dos documentos. “Não há nada  que faça esse evento parecer extraordinário”, diz ele. “Ele é tratado como um delito de violação do código da cidade. De fato, é exatamente o que ele era.”

Enquanto a polícia lidava com a situação apenas como qualquer outra altercação nos ônibus segregados da cidade, Parks, seus advogados e os líderes da NAACP se organizaram. “Na comunidade afro-americana, o evento é visto como uma oportunidade para o progresso ser realizado, de atenção e pressão a ser exercida sobre a estrutura do poder branco”, diz Pretzer.

O ato de desafio de Parks inspirou o Boicote de Ônibus de Montgomery, através do qual Martin Luther King, Jr. emergiu como um líder dos direitos civis. O boicote durou 381 dias, e um dia depois, suportado por uma decisão da Suprema Corte, os ônibus da cidade estavam oficialmente integrados.

Pela definição de Pretzer, Parks é alguém que faz a história. “Fazedores de história são aqueles que sentem o momento”, diz ele.

Pretzer estudou a história de Parks detalhadamente no começo dos anos 2000, quando ele ajudou o Museu Henry Ford, de Detroit, onde trabalhou por mais de 20 anos, adquirindo o ônibus GM no qual ocorreu o incidente.

Leia mais em: http://www.smithsonianmag.com/history-archaeology/Document-Deep-Dive-Rosa-Parks-Arrest-Records-181268201.html#ixzz2EFQsrKuO

Registro de prisão de Rosa Parks

Veja o documento na íntegra e em detalhe (com direito a zoom em alta resolução), diretamente na página do Instituto Smithsonian.


Agradecimento especial a historiadora Célia Regina da Silva, pela indicação da página do Smithsonian.

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