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REVISTA DE HISTÓRIA: acontecimento à brasileira.

Interessante artigo de Bruno Garcia sobre os protestos que vêm ocorrendo no Rio de Janeiro publicado no site da Revista de História da Biblioteca Nacional na última sexta-feira (18).

ACONTECIMENTO À BRASILEIRA
por Bruno Garcia | para Revista de História da Biblioteca Nacional

No Brasil, aconteça o que acontecer, não acontece nada: a geração que popularizou o café sem cafeína, a cerveja sem álcool, agora defende o protesto sem protesto.

Manifestantes voltam a ocupar a Cinelândia em ato de apoio aos presos políticos, no Rio de Janeiro (Foto: RHBN / Rodrigo Elias)

O estado do Rio de Janeiro continua na vanguarda, e não se atrevam a discordar. Em termos de legislação relâmpago e reação enérgica, não há igual. Estamos aprendendo por aqui. Aliás, devemos tomar cuidado com o que escrevemos. Todos parecem muito sensíveis ao debate e alguém pode achar que estou incitando a violência. Depois que entrou em vigor a nova lei de organização criminosa, não é preciso muito para ser enquadrado. E, como quem legisla e julga é o próprio estado, é melhor não arriscar.

Quem achou que a multidão nas ruas iria intimidar autoridades ou que a repressão provocaria, no mínimo, algum debate sobre o cotidiano de se viver com medo da própria polícia, se enganou. No Brasil, aconteça o que acontecer, não acontece nada. A violência policial, divulgada aos montes desde junho (mesmo que muita gente descolada tenha ficado em casa e não tenha visto nada), se repete a cada protesto e tudo leva a crer que a coisa está longe de acabar. Os professores já estão sendo chamados para prestar conta sobre suas “faltas” e manifestante agora é quase sinônimo de vândalo e baderneiro. Do helicóptero não deu para ver a multidão na Rio Branco aplaudir o grupo que usa a tática black bloc, depois de, em outros protestos, terem defendido professores da gentileza dos “excessos” ilegais da polícia. Mas, como brasileiro é sempre muito criativo, a solução foi transformar em legal o que antes não era.

De uma funesta comissão, com prioridade absoluta para punir manifestantes, à proibição de máscaras, o Rio de Janeiro se destaca cada vez mais na criação de leis e instrumentos coercitivos. A retórica do Estado democrático continua, mas vale tudo para tirar essas pessoas da rua.

O governo, no entanto, não está sozinho. Em outra frente, os principais jornais e revistas se comprometeram em fotografar vidraças quebradas e discutir a extinção do mico-leão dourado. Deu certo. A turminha que gritava que o gigante acordou agora repete o mantra de que a manifestação pacífica foi infiltrada por arruaceiros que se aproveitam (!?!) para depredar.

Dinossauros de farda, saudosos da ordem militar, ganharam a adesão de jovens que acham que tudo se resolve cantando o hino, abraçando a bandeira, propagando plataformas maduras como “vergonha na cara”. No fundo, pregam a higiene do protesto, desejando que não passe de uma caminhada civil. A geração que popularizou o café sem cafeína, a cerveja sem álcool, agora defende o protesto sem protesto. Quem sabe não criam para isso um protestódromo?

Como os amantes da ordem absoluta desejam, todos teriam seu lugar. Os black blocs poderiam usar abadás escuros, a televisão e as cervejarias teriam seus camarotes. Papelarias e gráficas nas redondezas venderiam cartazes com mensagens personalizadas e ainda poderíamos dividir em diferentes noites (como no Rock in Rio!) as causas dos rebeldes verdadeiramente organizados. Às segundas, professores e estudantes; às terças, gente do transporte público; quarta, médicos e funcionários da saúde;  quinta-feira é o dia de todos contra a corrupção, e por ai vai. Tudo seria transmitido com varias câmeras, poupando o uso de helicópteros. Talvez fosse bom espalhar uns objetos como pichorras mexicanas para que os que forem vestidos de vândalos possam quebrar alguma coisa.  No final elegeríamos uma musa e a polícia marcharia acenando ao público e mandando todo mundo pra casa. Quem sabe o Galvão Bueno, grande especialista em forjar singularidades nacionais, não topa narrar tudo isso ao vivo?

Por alguma razão, a ideia de que somos um povo pacífico, e que isso corresponde a um lastro de civilidade, funcionou. Pouco importa o lugar de destaque no ranking de distribuição de renda, os séculos de escravidão, o contingente de mortos e desaparecidos sem qualquer investigação e a quantidade crescente de mulheres estupradas. O inimigo do estado é o sujeito que reage à violência policial e quebra vidraça de banco. Não da Biblioteca Nacional ou do Theatro Municipal.

Sinceramente, depois de protestos e mais protestos, qual foi a reação do estado? O que foi feito para que todos voltassem satisfeitos pra casa? Depois de todo teatro patético da CPI dos Ônibus, protagonizado por vereadores que eram contra sua criação, alguém realmente acha que imoral é pichar aquele prédio? A democracia é um aprendizado perpétuo, e os alemães deram o exemplo construindo um parlamento onde as pessoas podem caminhar por cima do plenário, como uma lembrança enfática de que os representantes são subordinados, não chefes. Protestos de menor escala na França, em 2009, destruíram mais de 300 carros. Em 2011, no norte de Londres, moradores chegaram a destruir imóveis da própria rua que moravam. No Brasil basta uma vidraça quebrada para que o medo da desordem ameace essa ilusão de grandeza e pacifismo.

Não surpreende que estejamos falando mais de vidro de banco do que das causas de toda essa mobilização. Até o momento nenhuma CPI começou a funcionar. Não houve reforma política nem qualquer indício de que alguma coisa vá mudar. Ao invés disso, tudo segue como antes, já que a máquina do estado conta com a cooperação do legislativo, para evitar maiores problemas alimentando a repressão, e da grande imprensa para apresentar os protestos apenas na sua versão oficial, isso é, uma batalha contabilizada pelo número de presos e policiais feridos. Afinal, ano que vem é ano de eleição e nada mais brasileiro do que agir para que nada aconteça.

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VEM PRA RUA: chamada para o 5º Ato

Revolta do Vinagre_Arte por Rafael Alexandre

Arte por Rafael Alexandre

Dia 17/06/2013, às 17 horas, no Largo da Batata se realizará a maior manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo. Dezenas de milhares de pessoas já confirmaram presença. Vem pra rua você também. A 5º manifestação será ainda maior.

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Fernando Haddad trai a periferia de São Paulo

Seguramente o aumento na tarifa de ônibus na cidade de São Paulo e o posicionamento de Fernando Haddad diante das manifestações ocorridas na capital em decorrência desse aumento deve ser considerado como uma traição do prefeito à parcela da população que o elegeu para o cargo.

Para quem não se recorda, abaixo segue o mapa da distribuição dos votos nos dois turnos, com a indicação em vermelho dos locais onde Fernando Haddad ganhou as eleições.

Raio x das eleições  resultados por zona eleitoral de São Paulo   UOL Eleições 2012

Eleito pela periferia pobre de São Paulo, o aumento atinge em cheio essa parcela da população que, acreditando que o prefeito representaria uma mudança em relação as gestões anteriores quanto a atenção às áreas mais carentes da cidade, abraçou sua campanha em uma virada histórica.

Mas diferentemente da imagem de renovação que sua campanha nos empurrou no ano passado, Haddad seguiu os passos das desastradas gestões de Gilberto Kassab e penaliza a população com mais um aumento na tarifa do transporte público. Abaixo segue uma evolução do aumento da tarifa desde 1994, quando custava R$ 0,50, até os atuais R$ 3,20.

Evolução no aumento da tarifa de ônibus 1994-2013

Fonte: Terra

Na primeira gestão de Gilberto Kassab, a passagem que em 2005 custava R$ 1,70, foi reajustada para R$ 2,00 em 2006 e para 2,30 em 2007, mantendo-se nesse patamar até o ano de 2011, já durante a segunda gestão de Kassab, quando foi reajustada para R$ 2,70 e, no ano seguinte, foi novamente reajustada para R$ 3,00.

Segundo a arte preparada pela equipe do Terra, de acordo com a inflação, com dados básicos de correção pelo IPCA (IBGE), a passagem de ônibus que custava R$ 0,50 em 1994, deveria custar R$ 2,16 em maio de 2013, já que de lá pra cá, a alta da inflação foi de 332%. Percebam no gráfico, acompanhando o traço verde, que o momento em que o aumento da tarifa supera a inflação se dá entre 1999/2000, durante a famigerada gestão de Celso Pitta. De lá pra cá, a tarifa tem invariavelmente se mantido acima da inflação, tendo o maior salto ocorrido entre 2010-2012, como demonstra o gráfico. Haddad, agora, mantém a tendência de aumento do gráfico e, assim, representa uma continuidade com a gestão Kassab, traindo seus eleitores.

Como se isso não fosse suficiente, o que tem incomodado ainda mais a base eleitoral de Fernando Haddad é ver os posicionamentos do prefeito estarem em linha com o do governador Geraldo Alckmin (PSDB), símbolo máximo [junto com José Serra], de tudo aquilo que a população paulistana repudiou no último pleito eleitoral. Pior que isso, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT) afirmou nessa última quinta-feira  que está “à disposição para ajudar o governo de São Paulo nos episódios dos protestos contra o aumento da tarifa do transporte público.” Segundo a reportagem, Cardozo afirmou que crimes e “atos ilícitos” são da alçada da polícia estadual, mas afirmou que o governo federal poderá apoiar as autoridades locais caso seja acionado.

“O governo federal está à disposição para aquilo que for necessário, para aquilo que nos for solicitado pelo governo do estado de São Paulo ou por qualquer outro governo que acredite que nós possamos ajudar nessa área”.

Charge Latuff Passe Livre

Charge de Carlos Latuff

É o PT e o PSDB se aliando para atacar a população que se manifesta contra o abuso dos seguidos aumentos da passagem de ônibus. Do outro lado, a população promete não ficar parada diante de tais abusos e se reorganiza para na próxima segunda-feira, dia 17/06/2013, realizar a 5a. manifestação contra os aumentos da tarifa. Dessa vez o encontro se dará no Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, as 17h00. Estão todos convocados a participarem desse ato de cidadania contra os abusos e desmandos dos governos municipal e estadual.

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Sem violência, diziam os manifestantes… mas a Polícia Militar de São Paulo desconhece a não violência

Dia 13 de junho de 2013 foi mais um dia histórico para essa cidade. Como disse o professor Henrique Carneiro:

“Um dia para marcar um ponto de virada! As maiores manifestações populares em São Paulo e em todo o país, o despertar de uma nova geração para as grandes campanhas nacionais de lutas sociais!

Começou um novo movimento popular, fora do controle do PT, CUT, UNE e todos os traidores aliados com o PSDB. A dupla Haddad/Alckmin declarou guerra contra o povo! Agrediu sob o olhar do país inteiro uma marcha gigantesca e pacífica sem nenhum motivo!

O movimento, é óbvio que vai crescer!

Agora é indignação, o que faltava para o nosso país entrar na onda das primaveras de lutas dos povos do mundo.
Uma campanha de luta popular que vai crescer.

O próximo ato vai ser maior!

Quando juntarmos centenas de milhares nos protestos os governantes vão se dar conta que erraram, subestimaram o povo, desafiaram a juventude e agrediram a cidadania!”

Sem violência, diziam os manifestantes, mas a Polícia Militar de São Paulo desconhece a não violência e age, como sempre, com a covardia que lhe é característica, como demonstra o vídeo abaixo compartilhado no Facebook por um dos manifestantes que acompanhavam os protestos.

Além dele, muitas fotos mostraram a covardia e truculência da PMSP, mesmo contra jornalistas, pessoas que estavam trabalhando para cobrir as manifestações e, ainda assim, sofreram agressões covardes dos policiais. A foto abaixo, divulgada pela UOL Notícias, é exemplo típico disso.

PM ataca cinegrafista

Uma jornalista da Folha de S. Paulo (talvez mais uma das baderneiras mencionadas no criminoso edital do Estadão ou alguém comparável a uma criminosa do PCC, segundo o comentário do Jabor no Jornal da Globo), teve o olho atingido por uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar durante o ato.

Reporter Folha Olho Atingido

Mas a população de São Paulo não vai retroceder. Isso é o que ela exige de seus governantes. Alckmin e Haddad ou retrocedem, ou a cidade vai parar e entrar em um caos generalizado.

A covardia não para na agressão aos manifestantes, para para produzir evidências contra a manifestação, a Polícia Militar de São Paulo depreda os próprios veículos para jogar a culpa na população. Claro, estão acostumados a fazer isso diariamente produzindo flagrantes contra os cidadãos. Não agiriam de forma diferente.

Não é por causa dos R$ 0,20 centavos de aumento, mas pelo desrespeito contra a população. Não só pelo péssimo serviço prestado pelas companhias de transporte em São Paulo, mas por um governo que gasta bilhões de dólares do dinheiro público, através do BNDES, financiando o bilionários como o Eike Batista e que alega não conseguir fazer com que as tarifas de ônibus sejam mais baixas para sua população.

Vinte centavos

Aproveito o momento para conclamar os paulistanos e quem mais estiver por aqui na próxima segunda-feira, dia 17/06, as 17h a juntar-se à manifestação. Será no Largo da Batata, em Pinheiros. Os próximos atos serão cada vez maiores.

Movimento Passe Livre – Manifestação contra o aumento das passagens de ônibus no dia 17/06 às 17h no LARGO DA BATATA.

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