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RODA VIVA entrevista ativistas do Movimento Passe Livre

Foto: Passe Livre

SE A TARIFA NÃO BAIXAR, A CIDADE VAI PARAR

No dia 17/06, mesmo dia da 5a. grande manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público, o programa Roda-Viva da TV Cultura entrevistou dois ativistas do Movimento Passe Livre, Nina Cappello e Lucas Monteiro de Oliveira.

Para quem estava na manifestação e não teve a oportunidade de assistir, abaixo segue o vídeo com a íntegra do programa.

Nina afirma que o MPL tem um objetivo claro: a luta contra o aumento das passagens. Ela revela que Fernando Haddad convocou os militantes para participarem da reunião do Conselho da cidade, que acontece nesta terça-feira, 18. Mas Nina diz que ainda seria necessária uma reunião na quarta-feira, 19, com o prefeito. Durante os protestos desta segunda, Geraldo Alckmin anunciou à imprensa que estaria aberto a diálogos sobre tarifas. Enquanto não há de fato um acordo, a militante diz que as manifestações continuarão: “Se o governo não baixar a tarifa, vamos continuar nas ruas”.

Lucas também defende que o objetivo do MPL é a redução da passagem, mas diz que é a favor da taxa zero: “É uma decisão política o aumento, assim com é uma decisão política a existência da tarifa. Há cidades no Brasil, como outros países, em que existe a tarifa zero”.

Ele critica as empresas de ônibus, que têm lucro garantido, no entanto falham com a prestação de serviço. Segundo Lucas, o governo poderia renegociar esses valores, porém as autoridades não demostram interesse. De acordo com o militante, as empresas estariam lucrando cerca de R$ 15 mil por veículo.

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Roda Viva entrevista Laurentino Gomes

Nesta última segunda-feira o programa Roda Viva, da TV Cultura, entrevistou Laurentino Gomes, jornalista e escritor que ficou bastante conhecido nacionalmente após a publicação dos livros 1808 e 1822, ambos regalados com o Prêmio Jabuti de melhor livro de não ficção.

Para compor a bancada de entrevistadores foram convidados: Oscar Pilagallo (jornalista e escritor), Marcos Augusto Gonçalves (editor de Opinião da Folha de S. Paulo), Mona Dorf (apresentadora do programa Letras e Leituras, da Rádio Eldorado, e colunista de cultura do IG), Ubiratan Brasil (editor do Caderno 2 de O Estado de S. Paulo) e Maria Aparecida de Aquino (professora de História da USP e do Mackenzie

Embora os livros de Laurentino Gomes tenham como objeto eventos históricos, como a vinda da Família Real ao Brasil (1808) e o processo de Independência vivido por este país (1822), vale lembrar que este jornalista não trabalha com produção de conhecimento histórico, como ele mesmo lembra logo no início da entrevista. Seu trabalho está, na verdade, mais na linha de reportagens de divulgação histórica, o que por si só, não é nada ruim.

Assim como outros jornalistas que já exploraram esse filão, para escrever suas reportagens Gomes reúne livros que foram produzidos por diversos historiadores, compila os dados encontrados naquelas pesquisas e escreve-os de maneira mais palatável a um público não habituado com a linguagem acadêmica dos historiadores. É uma pena que poucos historiadores tenham interesse em produzir obras destinadas a este público específico. Como já havia destacado em post anterior (História do Brasil Nação), recentemente a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz abordou sobre esse tema em entrevista ao programa EntreLinhas, também da TV Cultura. Ali ela informou o lançamento de uma nova coleção de História, escrita por historiadores, justamente com o objetivo de atingir um público mais amplo e avesso aos academicismos. É esperar para ver!

Quanto ao Roda Viva, para quem tiver interesse em acompanhar a entrevista, a TV Cultura disponibilizou todo o conteúdo da mesma em seu canal do YouTube. Abaixo incorporei o link aqui no blog para facilitar a vida dos leitores do Hum Historiador.

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Roda-Viva: sobre jornalismo e vergonha alheia

Em janeiro de 2004, quando São Paulo completava 450 anos, o famoso programa Roda-Viva, da TV Cultura, decidiu chamar o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, que oportunamente lançava seu livro A Capital da Solidão: uma história de São Paulo das origens até 1900, para falar da história da cidade de São Paulo. Que jornalistas escrevem bem e tem um senso de oportunismo mais apurado que historiadores na hora de escolherem seus temas e lançarem seus livros, disso não temos dúvidas. Eduardo Bueno e Laurentino Gomes estão aí na praça com seus milhões de cópias vendidas e falam por si só. Não é sobre isso que quero falar neste post. Aqui vou falar é de vergonha alheia, que foi o que senti quando vi este programa.

Curiosamente, embora o programa fosse discutir um livro que trata sobre História de São Paulo, a bancada de entrevistadores não contou com nenhum historiador. O mais próximo disso eram dois arquitetos da Universidade de São Paulo, únicos a puxar um pouco pra cima o nível do programa. Aliás, não foi a primeira vez que isso aconteceu. Parece ser um problema comum e recorrente do Roda-Viva, que dificilmente convida historiadores para compor sua bancada, mesmo quando o assunto do programa é História. Não sei a explicação, talvez tenham medo de que os historiadores vão melar o programa, ou então, quem sabe não são os próprios entrevistados que solicitam para que não haja algum especialista da área. Vai saber.

O problema é que, por mais esforçados que fossem os convidados da bancada, evidentemente o programa deixou muito a desejar. Em geral as perguntas foram tolas e o programa todo serviu muito mais para promover o livro e o entrevistado do que para falar sobre a história de São Paulo, que era o objetivo inicial. Prova cabal da tolice das perguntas feitas ao entrevistado [e é aqui que entra a vergonha alheia que senti ao ver o programa], é sintetizada pela pergunta do jornalista Ricardo Soares, da TV Cultura, na qual ele busca saber do entrevistado sua opinião pessoal sobre o verdadeiro papel dos bandeirantes na História do Brasil. Por mais que ele tenha elaborado a pergunta, no fim ela acabou soando como: Roberto, o que você acha dos Bandeirantes: mocinhos ou bandidos?

Não dá pra continuar assistindo ao programa depois desta pergunta. Claro que o jornalista pode alegar em sua defesa o nível de conhecimento de História do Brasil da audiência, jogando no colo dos telespectadores a estupidez de sua pergunta. Mas por mais que ele tente fazer isso, é impossível não assistir esse trecho da entrevista sem se envergonhar por ele. Como não ficar todo vermelho ao ver a cara de pateta de quem acha que fez uma pegunta muito inteligente e revelou ao povo brasileiro e paulista como os heróis que dão nome às nossas estradas são, na verdade, grandes vilões? Impossível!

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