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Nova York tem 60 mil moradores de rua; 25 mil são crianças

Publicado originalmente no portal Pragmatismo Político | março/2015

RESUMO: Número de moradores de rua em Nova York atinge recorde: já são 60 mil pessoas sem-teto vivendo nas ruas; entre eles há 25 mil crianças. Situação é bem pior do que cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Homeless in NY

O número de pessoas sem-teto em Nova York alcançou um novo recorde. Já são mais de 60.000 indivíduos sem ter lugar para morar, segundo uma associação especializada no tema e informes publicados na imprensa local. [ver também BBC US & Canadá; The Standard News com informações da AFP].

Nova York tem 60.352 “homeless” (sem-teto), dos quais mais de 25 mil são crianças, segundo o site na internet da Coalizão para os Sem-teto. Os dados são confirmados pela prefeitura da cidade.

O vice-diretor de defensoria da Coalizão para os Sem-teto, Patrick Markee, destacou que a crise “histórica” herdada pelo prefeito Bill de Blasio piorou por três razões desde que o democrata assumiu o cargo, em 1º de janeiro de 2014:

1) a grave crise de moradia acessível na cidade;
2) o impacto duradouro das desastrosas políticas para os sem-teto do ex-prefeito (Michael) Bloomberg;
3) o fracasso do estado e da cidade para agir suficientemente rápido para reverter

Em discurso sobre o estado da cidade de Nova York, o prefeito De Blasio colocou a questão do acesso à moradia com um aluguel razoável no centro de seu programa para 2015, fazendo alusão aos “homeless”.

Nova York é a cidade com maior índice de desigualdade de renda dos EUA.

Rio e São Paulo

A título de comparação, em São Paulo, segundo o censo mais recente feito pela prefeitura, em 2011, eram cerca de 14,5 mil pessoas em situação de rua.

No Rio de Janeiro, censo realizado em 2013 mostrou que havia 5.580 pessoas na mesma situação

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EUA: uma em cada cinco crianças vive de food stamps

Por Cynara Menezes | publicado originalmente em 21.mai.2015

blankenhorn

Mãe e filho sem-teto nos EUA. Foto: Craig Blankenhorn

Com a desigualdade cada vez maior nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresce junto. Enquanto a riqueza do país aumentou 60% nos últimos seis anos, acima de 30 trilhões de dólares, o número de crianças sem-teto também cresceu 60% no mesmo período. A cada ano, 2,5 milhões de crianças –uma em cada 30 – vão dormir sem um lar para chamar de seu na nação mais rica do mundo. Estão abrigadas temporariamente em abrigos, igrejas ou motéis.

Segundo um relatório recente da organização Crianças Sem-Teto da América, as razões para haver tanta criança sem moradia por lá são basicamente: a alta taxa de pobreza; a falta de habitação a preços acessíveis; os impactos contínuos da grande recessão; as disparidades raciais; os desafios para as mulheres de criarem filhos sozinhas; e as experiências traumáticas, especialmente a violência doméstica. O número de crianças sem-teto cresceu em 31 Estados e há meninos e meninas nesta situação em cada cidade. Em todo o país, o crescimento foi de 8% apenas entre 2012 e 2013.

semteto

“Crianças que experimentam a vida sem um lar são mais frequentemente famintas, doentes e preocupadas sobre onde serão sua próxima refeição e cama; elas se perguntam se terão um teto à noite e o que acontecerá com suas famílias. As crianças nestas condições desenvolvem-se mais lentamente. Muitas têm problemas na escola, têm faltas, repetem de ano e até mesmo abandonam a escola completamente”, diz o relatório.

Símbolo-mor do “sucesso” do capitalismo e tida como a “terra das oportunidades”, os EUA têm atualmente um dos maiores índices relativos de pobreza infantil do mundo desenvolvido. No último informe da Unicef sobre bem-estar infantil, de 2013, os Estados Unidos apareciam em 26º lugar em uma lista de 29 países. Só ganhavam da Lituânia, Letônia e Romênia. A Holanda aparecia em primeiro lugar, ao lado de outros quatro países nórdicos.

Aproximadamente metade de todos os vales-refeição (food stamps) concedidos pelo governo dos EUA são para crianças. Em 2007, 12 de cada 100 crianças estavam vivendo de vales-refeição. Hoje são 20 em cada 100. O fotógrafo Craig Blankenhorn dedica-se a fotografar famílias sem-teto EUA afora. As imagens são melancólicas e desoladoras, sobretudo quando se sabe que não se trata de um país do “terceiro mundo”, mas da maior economia do planeta.

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Em janeiro deste ano, 138 mil crianças estavam sem casa. É o mesmo número de famílias que aumentaram suas fortunas em 10 milhões de dólares por ano desde a recessão. O país também patina na pré-escola. Enquanto numerosos estudos demonstram que a pré-escola ajuda as crianças a aprender e a fazer de forma mais tranquila a transição para a fase adulta, os EUA estão indo na direção oposta de outros países desenvolvidos e cortando recursos para o setor.

O mais chocante é descobrir que somente duas nações do mundo deixaram de ratificar a convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança: Sudão do Sul e Estados Unidos. Significa.

O que será que a direita propõe para acabar com a pobreza infantil no país mais rico do mundo? Meritocracia? Se eles defendem que um menino de 16 anos pode ir para a cadeia junto com adultos, com que idade acham que podem começar a trabalhar?

(Com informações do Alternet)

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[MORADIA]: Há mais imóveis vazios do que famílias sem moradia em São Paulo

O Blog Controvérsia reascendeu uma discussão que já havia sido publicada em dezembro de 2010 no blog da Raquel Rolnik, urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relatora da ONU para direito à moradia adequada.

Com base em uma notícia publicada no Jornal da Tarde em 07 de dezembro de 2010, para a qual foi consultada, a professora chamava atenção para o fato descrito no título deste post, isto é, de que há mais casas vazias que famílias sem lar em São Paulo.

Segundo a professora, a reportagem do JT trazia números atualizados do IBGE (2010) que só confirmavam o que o mesmo instituto já havia apontado no ano 2000. Vale a pena reler a reportagem e voltar a colocar a discussão em pauta. Se há prédios vazios em São Paulo, por que não os utilizamos para diminuir o número de sem-tetos?

Prédio da Luz é ocupado por sem-teto, em São Paulo. Luís Kléber Martines/Foto Repórter/AE

Abaixo a matéria publicada no JT de dezembro de 2010 que foi republicada pela professora Raquel Rolnik:

HÁ MAIS CASA VAZIA QUE FAMÍLIA SEM LAR EM SP
Tiago Dantas

O número de domicílios vagos na cidade de São Paulo seria suficiente para resolver o atual déficit de moradia. E ainda sobrariam casas. Existem, na capital, cerca de 290 mil imóveis que não são habitados, segundo dados preliminares do Censo 2010. Atualmente, 130 mil famílias não têm onde morar, de acordo com a Secretaria Municipal de Habitação – quem vive em habitações irregulares ou precárias, como favelas ou cortiços, não entra nessa conta.

Os recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) encontraram 3.933.448 domicílios residenciais na capital, onde vivem 11.244.369 pessoas. “Foram contabilizadas 107 mil casas fechadas, que são aquelas em que alguém vive lá e não foi encontrado para responder ao questionário”, explicou a coordenadora técnica do Censo, Rosemary Utida. Já as 290 mil residências classificadas como vazias não têm moradores, diz Rosemary.

O Censo de 2000 já mostrava que a capital tinha mais casas vazias do que gente precisando de um lugar para morar, segundo a urbanista Raquel Rolnik, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à moradia adequada e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. “Em 2000, tínhamos cerca de 420 mil domicílios vagos para um déficit de 203 mil moradias. Era quase o dobro”, afirma Raquel.

O secretário municipal de Habitação, Ricardo Pereira Leite, discorda dessa conta. “Se desse para resolver o problema só distribuindo as casas para quem não tem onde morar, seríamos os primeiros a propor isso”, afirma. Segundo Leite, o número revelado pelo Censo diz respeito à vacância de equilíbrio, o tempo em que um imóvel fica vazio enquanto é negociado.

A relatora da ONU avalia que, mesmo que parte desses imóveis precisasse passar por reforma antes de ser destinado à moradia popular, seria possível, pelo menos, reduzir o número de famílias sem-teto. Um dos maiores entraves para a solução do problema, porém, é o preço do solo. “A moradia tem, como função principal, ser um ativo financeiro, e acaba não desempenhando sua função social”, diz a professora da FAU-USP.

Segundo ela, o poder público poderia investir não só na construção de casa, mas em subsídio de aluguel. “Infelizmente temos uma inércia e uma continuidade muito grande nessa área. As políticas públicas não tiveram, ainda, força para provar que o pobre não precisa morar longe, onde não há cidade, aumentando os deslocamentos na cidade”, opina Raquel.

Sem-teto ocupam quatro prédios no centro de São Paulo. 04/10/2010. Foto: André Lessa/AE

O direito de morar no centro da cidade, onde há maior oferta de trabalho e de transportes públicos, é uma das bandeiras da Frente de Luta por Moradia (FLM), que ocupou quatro prédios abandonados do centro com cerca de 2.080 famílias em 3 de outubro. Como a Justiça determinou a reintegração de posse de dois desses imóveis, parte dos sem-teto está vivendo na calçada da Câmara.

“Os imóveis vazios identificados pelo Censo resolveriam pelo menos 40% do nosso problema”, afirma Osmar Borges, coordenador-geral da FLM. Segundo ele, falta moradia para cerca de 800 mil famílias na cidade. “Falta uma política de habitação que contemple os domicílios vazios. O IPTU progressivo deveria ser usado para forçar o preço a cair”, diz. Borges afirmou que a FLM pretende se reunir hoje com a Superintendência de Habitação Popular da Prefeitura e amanhã com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

OUTROS TEXTOS SOBRE O ASSUNTO NO BLOG DA RAQUEL ROLNIK

PORTAL DA FRENTE DE LUTA POR MORADIA (FLM).

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Higienização pode estar em andamento na comunidade São Remo

João Grandino Rodas

Reitor da USP, João Grandino Rodas, em cartoon de Carlos Latuff

Uma notícia bastante preocupante foi publicada hoje no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo sob a manchete USP QUER QUE GOVERNOS REURBANIZEM FAVELAS VIZINHAS A SEU CAMPUS.

Na curta reportagem de FÁBIO TAKAHASHI e JULIANNA GRANJEIA, somos informados de que o reitor João Grandino Rodas, solicitou ao Estado e à prefeitura a reurbanização de favelas no entorno da USP, pois avalia que a instituição tenha que dar atenção às mais de 3.000 famílias que vivem nas favelas São Remo e Carmine Lourenço. Para isso, o reitor teria afirmado que a universidade daria todo o apoio técnico a iniciativa.

Conhecendo o magnífico reitor como só os alunos da USP o conhecem, toda essa boa vontade está cheirando muito mal. Some-se a isso as recentes atuações dos governos municipal e estadual na “reurbanização” de algumas áreas da cidade, e logo justifica-se um forte receio da possível retirada de famílias de uma região TÃO VALORIZADA como a do Butantã. Especialmente após a chegada da linha amarela do metrô ao bairro.

Segundo a reportagem, um protocolo de cooperação já foi assinado em dezembro por USP, governo estadual e prefeitura, sendo o objetivo inicial deixar pronto até março de 2012 o levantamento parcial patrimonial e o potencial de ocupação.

Questionado por Takahashi e Granjeia, o coordenador da associação de moradores da comunidade São Remo, Givanildo Santos, demonstrou toda sua preocupação ao deixar para os leitores a seguinte pergunta: “Será que eles não querem tirar as pessoas de um terreno valorizado?”.

Cartoon de Frank ironiza o alvo preferido dos executores da justiça em São Paulo.

Embora João Grandino Rodas negue, é melhor deixarmos nossas barbas de molho, pois Alckmin e Kassab tem dado mostras recorrentes de que estão à serviço da especulação imobiliária em São Paulo. Além disso sabemos que se tiverem uma só oportunidade de retirar essa “gente diferenciada” de bairros valorizados para ganhar muito dinheiro, não hesitarão sequer um minuto.

Portanto, embora São Remo e Carmine Lourenço possam parecer comunidades difíceis de serem expulsas da região onde se encontram, as notícias nos dão indícios claros de que estamos no caminho de mais uma “higienização” em São Paulo.

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