Bolsonaro é Ustra e Ustra é Bolsonaro

mulheres ditadura (Foto: Reprodução/Facebook)

Reprodução: Facebook

O candidato Jair Bolsonaro rendeu homenagem ao ex-coronel do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seus filhos, deputados, são vistos trajando camisetas com os dizeres Ustra Vive. Esse militar foi condenado pela justiça brasileira pela prática de tortura durante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

Aos desavisados, Ustra foi responsável pelo estupro, espancamento e todo tipo de violência contra mulheres. Muitas mortes são creditadas diretamente à sua ação. Vítimas de Ustra relatam que ele tinha a prática de inserir ratos nas vaginas de mulheres. Também levava os filhos menores das presas políticas para assistirem as mesmas sendo torturadas, como revela o depoimento de Maria Amélia Teles, cujos filhos foram levados para vê-la enquanto ela e o marido eram torturados por agentes do Estado ditatorial.

Nessa campanha eleitoral tenho visto colegas defendendo a candidatura de Bolsonaro e assumindo seus discursos. Há, até mesmo, quem tenha dito que a ditadura só foi ruim para “vagabundos” que não estavam “fazendo a coisa certa”. Devo dizer a quem divulga esse tipo de absurdo que sua ignorância ofende a milhares de pessoas que morreram ou foram brutalmente torturadas no Brasil.Estudem, camaradas! Não passem a vergonha de se colocarem lado-a-lado de candidatos violentos, homofóbicos, racistas e misóginos. Vocês só tem a perder com isso. A ignorância tem remédio, basta estudar. Não vamos colocar crápulas no comando deste país.

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Um povo sem história não é gente, não pode ser gente, não tem como ser gente

NOTA DA ANPUH-DF, tal como publicada no portal da ANPUH-Brasil, em 02 de setembro de 2018.

UM POVO SEM HISTÓRIA NÃO É GENTE, NÃO PODE SER GENTE, NÃO TEM COMO SER GENTE

A frase dita pela analfabeta Maria, lavradora das margens do Rio Paraíba, resume o sentimento que toma conta dos membros da ANPUH-DF ao saber do incêndio que acometeu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite do último domingo, 2 de setembro.

A cada dia que passa, o golpe avança e vence em diversos aspectos. Os historiadores estão destroçados no momento em que o Museu Nacional, órgão referência em pesquisa e acervo histórico, está sendo incendiado. Incendiado também está nosso ser, incendiada está também nossa profissão. Não basta o espetáculo diário de ridicularização e desconsideração com a profissão de historiador. A destruição simbólica da História se tornou material.

A tristeza que nos toma vem unida a um sentimento de angústia e revolta. Nos últimos anos, com destaque para vertiginosa queda de repasse entre 2017 e 2018, a Instituição foi vítima da política neoliberal que atende aos interesses do mercado, desvirtuando o papel do Estado que deveria se preocupar exclusivamente com o bem-estar do brasileiro na construção de suas “gentes”. Hoje sofrem historiadores do Brasil Colônia e Império, arqueólogos e antropólogos, e também as pessoas que se preocupam com a pesquisa científica no Brasil. A PEC que congela os gastos é diretamente responsável pelo que está acontecendo.

Ao afirmar que o museu será reconstruído, o atual Ministro da Cultura desrespeita a História e aquelxs que deram o trabalho de uma vida pela Instituição. A frase expressa a continuidade do descaso e desrespeito à gente brasileira e às instituições que guardam a nossa memória, pois falar em reconstrução é FALÁCIA. É nosso dever, como historiadores, expor a crua e triste verdade: A PERDA É IRRECUPERÁVEL, IRREVERSÍVEL E ETERNA. Os políticos responsáveis pela PEC privaram a todos, e às gerações futuras, do conhecimento de uma parte de si. O fim do acervo do Museu nos torna menos gente.

O incêndio é resultado da falta de investimento. O Governo golpista é responsável pelo fim de um dos maiores patrimônios históricos do Brasil. O repúdio por parte da Anpuh-DF não é de hoje, assim como não é de hoje o asco, a raiva e choro que nos toma de assalto neste momento. Todos esses sentimentos já acontecem desde 2016.

A ANPUH-DF declara-se em luta e EM LUTO contra esse governo. A PEC institucionalizou e legalizou o descaso. E, neste ano de eleição, nos colocamos contra todos aqueles políticos que apoiaram e apoiam a PEC do teto de gastos, responsável por esse e por futuros incêndios que certamente ocorrerão.

Brasília, 02 de setembro de 2018.

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Doze produtos mais perigosos criados pela Monsanto

monsanto

Do Resumen Latino americano, reproduzido no portal Contra os Agrotóxicos

1. Sacarina. John Francisco Queeny fundou a “Monsanto Chemical Works”, com o objetivo de produzir sacarina para Coca-Cola. Estudos realizados durante a década de 1970 mostraram que este químico produz câncer em ratos e outros mamíferos de testes. Porém, depois descobriu-se que causa o mesmo efeito em humanos, Monsanto subornou médicos e instituições para seguir comercializando-a.

2. PCBs. Durante a década de 1920, a Monsanto começou a expandir sua produção química mediante bifenilos policlorados (PCB), para produzir fluídos refrigeradores de transformadores elétricos e motores. Cinquenta anos depois, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) publicou um informe citando os PCBs como causa do câncer em animais, e com provas adicionais indicou que estes produzem câncer em seres humanos. Quase 30 anos depois dos PCBs serem proibidos nos EUA, este químico segue aparecendo no sangue das mulheres grávidas, como informou um estudo de 2011. Em muitas áreas da Argentina ainda utilizam os PCBs.

3. Poliestireno. Em 1941, a Monsanto começou a focar em plásticos e poliestireno sintético, que ainda é amplamente utilizado para embalar alimentos. O poliestireno foi classificado o quinto da lista de 1980 da EPA, onde se enumera os produtos químicos cuja produção gera os resíduos mais perigosos. Ao estar nas embalagens de comida ingerimos poliestireno (efeito de migração), que causa depressão, câncer e danos aos nervos. Os vasos e recipientes feitos deste material sintético são difíceis de reciclar. Devem ser derretidos utilizando um equipamento adequado que a maioria dos centros de reciclagem não possuem. Dentro de 1000 anos, a bandeja de carne que você comprou no Carrefour ou Wall-Mart seguirá existindo em alguma parte do planeta. É fatal para a vida marinha: Flutua na superfície do  oceano, se decompõe em pequenas esferas que os animais comem. As tartarugas marinhas, por exemplo, perdem sua capacidade de mergulhar e morrem de fome.

4. Bomba Atômica e armas nucleares. Pouco depois de ser adquirida por Thomas e Hochwalt Laboratories, a Monsanto tornou-se uma divisão do Departamento de Investigação Central. Entre 1943 e 1945, este departamento coordenou esforços importantes de produção para o Projeto Manhattan. Leia sobre o maior acidente industrial da América do Norte.

5. DDT. Em 1944, a Monsanto começou a fabricar o insecticida DDT, com a desculpa de combater os mosquitos “transmissores da malária”. Em 1972, o DDT foi proibido nos EUA. – Seus efeitos adversos para a saúde humana incluem infertilidade, problemas no desenvolvimento, destruição do sistema imunológico, morte. O DDT impede que o hormônio una com seu receptor, bloqueando, por sua vez, o hormônio para obter um desenvolvimento sexual normal, dando lugar a anormalidades. Durante um experimento levado a cabo no Mar Caspio (Mediterrâneo), o DDT em uma concentração de 1 ppb reduziu a população de peixes até 50%.  O transporte atmosférico desta substância atualmente afeta a todos os seres vivos do planeta. Foi detectado no ar do Ártico, terra, gelo e neve, praticamente todos os níveis da cadeia alimentar global. Os sedimentos do fundo de lagos e os leitos dos rios atuam como reservas para o DDT e seus metabolitos. Todos os bebês humanos nascem com DDT no sangue.

6. Dioxinas. Em 1945, a Monsanto começou a promover o uso de pesticidas químicos na agricultura com a fabricação do herbicida 2,4,5-T (um dos percursores do agente laranja), que contém dioxina. As dioxinas são um grupo de compostos quimicamente relacionados que se conhece como “Os doze condenados” – São contaminadores ambientais persistentes que se acumulam na cadeia alimentar, principalmente no tecido adiposo dos animais. Durante décadas, desde que foi desenvolvido pela primeira vez, a Monsanto foi acusada de encobrir ou não informar sobre a contaminação por dioxinas em uma ampla gama de seus produtos.

7. Agente Laranja. Durante a década de 1960, a Monsanto foi a principal fabricante do Agente Laranja, um herbicida/desfolhante utilizado como arma química na guerra do Vietnã. A fórmula da Monsanto tinha níveis de dioxinas muito maiores que o Agente Laranja produzido pela Dow Chemicals, outro fabricante (por que a Monsanto foi a denúncia chave na demanda apresentada por veteranos de guerra nos Estados Unidos). Como resultado da utilização do Agente Laranja, o Vietnã estima que mais de 400.000 pessoas foram assassinadas ou mutiladas, 500.000 crianças nasceram com defeitos de nascimento, e no máximo um 1 milhão de pessoas ficaram deficientes ou sofreram problemas de saúde, sem falar dos efeitos a largo prazo que lesionou mais de 3 milhões de soldados americanos e seus descendentes. Memorandos internos da Monsanto mostram que a corporação conhecia perfeitamente os problemas de contaminação por dioxinas do Agente Laranja quando vendeu o produto ao governo dos EUA (para seu uso no Vietnã). Porém, a “Justiça” norte-americana permitiu a Monsanto e a Dow Chemicals apelar e receber proteção financeira por parte do governo, ignorando os veteranos que buscam uma compensação por haver sido expostos ao Agente Laranja.

Só no ano de 2012, 50 anos mais tarde da pulverização com o Agente Laranja, começaram alguns esforços para limpá-lo. Entretanto, o legado da Monsanto para as gerações futuras se traduz em nascimentos de crianças disforme, que continuarão durante as próximas décadas. Você acha que não pode acontecer aqui? Vários cultivos argentinos são geneticamente modificados para resistir a um herbicida feito com o principal componente do Agente Laranja (2,4-D), com o fim de lutar contra as “super ervas maléficas” desenvolvidas pelo RoundUp. Estes químicos persistem nos alimentos até chegar às prateleiras do supermercado e mais tarde a seu estômago.

8. Fertilizante a base de petróleo. Em 1955, a Monsanto começou com a fabricação de “fertilizantes” a base de petróleo, depois de comprar uma refinaria de petróleo. Os “fertilizantes” a base de petróleo matam micro-organismos benéficos do solo esterilizando terra e criando dependência, é como uma adição de substitutos artificiais. Dado o crescente preço do petróleo não parece uma opção muito econômica, nem próspera…

9. RoundUp. Durante la década de 1970 a Monsanto fundou sua divisão de Produtos Químicos Agrícolas, para produzir herbicidas, e um em particular: RoundUp (glifosato). A propaganda da Monsanto é que pode erradicar “as ervas daninhas” de um dia para o outro. Claro, que os agricultores adotaram de imediato. A utilização deste químico aumentou quando a Monsanto introduziu as sementes “RoundUp Ready” (resistentes ao glifosato), o que permite aos agricultores encher o campo com herbicidas sem matar estes cultivos (transgênicos). A Monsanto é uma corporação muito poderosa, como demostrou recentemente fazendo Obama assinar uma Ata de Proteção para seus crimes. E ainda que, o glifosato inicialmente tenha sido aprovado por organismos reguladores de todo o mundo, e seja amplamente utilizado na Argentina y Estados Unidos, mais tarde foi praticamente erradicado da Europa. O RoundUp foi achado em mostras de águas subterrânea, assim como no solo, e no mar, incluindo nas correntes de ar e nas chuvas. Mas sobretudo nos alimentos.

É a causa do desaparecimento das abelhas, produz mal formações, infertilidade, câncer e destruição do sistema imunológico. Os estudos independentes demostraram efeitos sobre a saúde consistentemente negativos que vão desde tumores e função orgânica alterada, até a morte por intoxicação. O RoundUp é o Agente Laranja com nome diferente.

10. O aspartame (NutraSweet/Equal). Foi descoberto acidentalmente em uma investigação sobre hormônios gastrointestinais. Se trata de um produto químico doce que em primeira instância, matou um macaco bebê e deixou outros 5 gravemente feridos (em um total de 7 macacos), em um ensaio clínico realizado para que a FDA aprovasse o Aspartame. E a FDA o aprovou (1974). Em 1985, a Monsanto adquiriu a empresa que fabricava aspartame (GD Searle) e começou a comercializar o produto rebatizado de NutraSweet. Vinte anos mais tarde, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA publicou um informe que enumera 94 problemas de saúde causados pelo aspartame.

11. Hormônio de Crescimento Bovino (rBGH). Este hormônio geneticamente modificado foi desenvolvido pela Monsanto para ser injetado nas vacas leiteiras e aumentar a produção de leite quando não há escassez de leite.  As  vacas sometidas a rBGH sofrem uma dor insuportável devido a inflamação de suas tetas e mastite. O pus da infecção resultante entra no fornecimento de leite que requer o uso de antibióticos adicionais. O leite rBGH produz câncer de mama, câncer de cólon e câncer de próstata nos seres humanos.

12. Cultivos Geneticamente Modificados (OGM/GMO/GM). No início da década de 1990, a Monsanto começou a “junção” de genes de milho, algodão, soja e canola. Utilizou ADN de fontes estranhas para lograr dos características principalmente: Um pesticida gerado internamente e resistente ao herbicida RoundUp da Monsanto. Em outras palavras, as plantas envenenam e matam aos insetos e mamíferos que as devoram, e resistem ao agroquímico (parente do Agente Laranja) RoundUp que persiste nelas inclusive depois do seu processamento até chegar ao consumidor.

Claro que a transgênese tem se expandido. Batatas, frutas, maçãs, tomates, alface, tabaco, peras, melancia. TUDO tem sua versão OGM.

Apesar das décadas de propaganda dizendo que os cultivos geneticamente modificados poderiam alimentar o mundo, que teriam mais nutrientes, resistência a seca, o maior rendimento, nenhuma dessas promessas se cumpriu. Os cultivos GM não alimentam o mundo, causam câncer. Não tem mais nutrientes, na verdade não alcançam nem 10 % dos nutrientes que tem os cultivos orgânicos. Não resistem a seca. Não fornecem maior rendimento e sim menor, enquanto encarecem a produção. A maioria das ganhos da Monsanto provém das semente desenhadas para tolerar o RoundUp, este desenho transforma aos “alimentos” em armas mortais para a humanidade. As receitas da Monsanto aumentam constantemente desde que os agricultores se veem obrigados a usar mais e mais químicos devido a proliferação de ervas daninhas que evoluem desenvolvendo resistência ao RoundUp.

A Monsanto e os meios de comunicação de massa ocultam que o Amaranto orgânico era o verdadeiro alimento projetado para a humanidade do futuro. Cura o câncer e o previne, é o cereal mais nutritivo do planeta e foi a primeira planta a germinar no espaço. Tanto é que os astronautas da NASA utilizam  amaranto para manter-se saudável e não a soja.

Como durante os primeiros dias dos PCB, o DDT, o Agente Laranja, a Monsanto tem enganado e subornada com êxito os organismos públicos e reguladores gerais implantando a crença de que o RoundUp e os cultivos geneticamente modificados são benéficos e “seguros”.

Claro que a Monsanto teve que ordenar a Obama que assinasse uma Lei na salvaguarda da corporação para se defender das denúncias e demandas, produto de 100 anos de novos estudos que demonstram os efeitos negativos e impactos ambientais de los OGM. A Monsanto ataca estes estudos científicos mediante os meios de comunicação de massa controlados, difamando e ignorando as organizações independentes, e científicos honestos. Mas também, a Monsanto conta com associações industriais, blogs, cientistas subornados, “ciência independente” falsa e todo tipo de ferramentas que por sua vez, os mesmos meios de comunicação  corruptos patrocinam, somado a centenas de milhões de artigos de relações públicas “privadas” realizados por empresas que com frequência foram fundadas, são financiadas e mantidas pela Monsanto.

Desafortunadamente, poucos de nós tiramos um tempo para localizar os membros fundadores e as relaciones destas fontes ilegítimas com a Monsanto.

A FDA respalda enfaticamente a Monsanto, já que compartilha funcionários com a Monsanto mediante o fenômeno “Portas Giratórias”. No seguinte gráfico elaborado por Milhões contra Monsanto pode ver  alguns ex vice presidentes da Monsanto e advogados da firma que mais tarde ocuparão cargos na FDA. E não se esqueça de Clarence Thomas, o ex advogado da Monsanto, que sendo juiz da Corte Suprema de Justiça, falou a favor de Monsanto em cada caso apresentado.

O vento e as abelhas transportam as mutações genéticas da Monsanto para a natureza selvagem, comprometendo o ecossistema global. Em breve todas as plantas serão transgênicas.

13. Um produto extra para este informe: As sementes Terminator. No final de 1990, a Monsanto desenvolveu uma tecnologia para produzir grãos estéreis incapazes de germinar. Estas “sementes Terminator” obrigariam aos agricultores a cada ano comprar novas sementes da Monsanto, no lugar de guardar e reutilizar as sementes de suas colheitas como fizeram durante séculos. Afortunadamente, esta tecnologia fracassa no mercado. Pelo qual a Monsanto decidiu exigir aos agricultores a assinatura de um contrato de acordo para que não reutilizem nem vendam as sementes, o que os obrigam a comprar novas sementes e coloca a necessidade de um “gene terminator”. O fracasso parcial das sementes terminator é uma sorte para nós… já que também eram  suscetíveis a polinização cruzada e podiam ter contaminado cultivos e bosques em todo o mundo. O que não significa que este objetivo siga no planos da Monsanto.

Como se traduz o legado da Monsanto para a humanidade?

Entre 85% e 90% dos alimentos que você consome diariamente tem OGMs, agrotóxicos da Monsanto e resíduos de RoundUp. (Os números desta fonte estão desatualizados).

Como a Monsanto alcança sua impunidade? Segundo a Associação de Consumidores Orgânicos em um documento do ano de 2011, “Há uma correlação direta entre o fornecimento de alimentos geneticamente modificados e os $ 2.000.000.000.000 de dólares que o governo dos EUA gasta anualmente em atenção médica, quer dizer, uma epidemia de enfermidades crônicas relacionadas com a dieta e um vínculo comercial com os laboratórios de medicamentos e vacinas.

No lugar de frutos sadios, verduras, grãos e animais alimentados com erva natural, as granjas industriais dos Estados Unidos e da Argentina produzem um excesso de comida com fragmentos de engenharia genética que causam enfermidades cardíacas, derrame cerebral, diabetes e câncer, com o respaldo de subsídios agrícolas, enquanto que os agricultores orgânicos não recebem estes subsídios.

A historia da Monsanto é reflexo de um quadro persistente de substâncias químicas tóxicas, demandas e manipulação da ciência. É esse o tipo de entidade que queremos para controlar  os fornecimento de alimentos do nosso mundo?

A Monsanto não está só. Outras empresas do “Big Six” (Seis grandes) inclui a: Pioneer Hi-Bred International (filial de DuPont), Syngenta AG, Dow Agrosciences (filial de Dow Chemical), BASF (que é uma companhia química que expande rapidamente sua divisão de biotecnologia) e a Bayer CropScience (filial da Bayer).

*Fonte: Regeneración

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Pequena homenagem à professora Maria Thereza Schörer Petrone (1929-2018)

Ontem a noite recebi triste notícia dando conta do falecimento da professora Maria Thereza Schorer Petrone. Nascida em 1929, graduou-se em História na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL-USP), em 1953, doutorando-se, também em História, pela mesma instituição onze anos mais tarde. Defendeu uma tese que seu orientador, Sérgio Buarque de Holanda, qualificou como “verdadeiramente pioneira”. O tema, explícito no subtítulo do trabalho, era a expansão e declínio da lavoura canavieira em São Paulo (1765-1851). Publicada em 1968, sua tese, até hoje, é uma das principais referências a todos que se dedicam ao estudo de um período e de uma atividade econômica que, até então, eram pouco estudados pelos pesquisadores da história paulista, o da lavoura canavieira durante a transição entre as economias mineradora e cafeeira.

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Logo após a defesa de sua tese, dedica-se ao estudo de outro tema importante da história paulista: o da economia tropeira ou tropeirismo. Como bem explicou Sérgio Buarque de Holanda, este era, na verdade, o tema de sua tese de doutoramento, no entanto, em razão de não ter tido acesso à documentação que pretendia analisar, acabou se voltando às questões relacionadas à lavoura canavieira em São Paulo.

Este seu novo estudo, também original, sobretudo em razão do acervo documental consultado, é uma monografia acerca da tributação e comércio de gado feito a partir da análise dos documentos particulares de um dos principais comerciantes envolvidos nesse tráfico no começo do século XIX: Antônio da Silva Prado, o Barão de Iguape. Como ela própria afirmava na introdução do livro, seu objetivo era estudar as iniciativas de um indivíduo frente à uma conjuntura favorável às atividades que escolheu – o comércio de muares e bovinos, bem como a arrecadação de impostos sobre os animais –, em um contexto de expansão da demanda por animais de corte e de carga. Seu esforço, como apontou Sérgio Buarque de Holanda, foi “exemplar”, e sua contribuição inestimável para os estudos de história econômica do Brasil e de São Paulo.

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O Barão de Iguape, disponível para leitura online disponível no site da coleção Brasiliana: http://www.brasiliana.com.br/brasiliana/colecao/obras/451/o-barao-de-iguape-um-empresario-da-epoca-da-independencia

Iris Kantor, professora do Departamento de História da FFLCH-USP, ao comentar o falecimento da professora Thereza Petrone, destacou que ela “fez parte de uma geração de historiadoras que não separava a história da geografia, e a geografia da economia”. Foi autora de outras obras também importantes, além das destacadas acima. Com importantes discussões nos temas da pequena propriedade, do campesinato e da imigração.

Por fim, gostaria apenas de dizer que muito mais do que referência obrigatória, os trabalhos da professora Maria Theresa Schorer Petrone lograram atingir o que acredito ser o principal objetivo de todo autor: transformaram-se em semente e frutificaram grandemente nas últimas cinco décadas. Suas reflexões, ponto de partida de muitos autores que se dedicam a esses temas (e outros abordados nas demais obras de sua autoria), fizeram avançar, e muito, o conhecimento acerca da história paulista e brasileira. Resta-nos apenas lamentar a morte da professora e agradecer por seus muitos anos de estudos, pesquisa e dedicação à História. De minha parte posso dizer que muito do que tenho pesquisado e produzido nos últimos anos deve-se, sem dúvida alguma, ao trabalho pioneiro de Petrone, a quem deixo nesse momento triste, um último MUITO OBRIGADO!

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Portal TCN: primeiras observações astronômicas da Capitania de São Paulo

AS PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES ASTRONÔMICAS NA CAPITANIA DE SÃO PAULO

por José Rogério Beier

Publicado originalmente no portal Território, Ciência e Nação (MAST-RJ).

Se os séculos XVI e XVII foram marcados pela expansão marítima de alguns países europeus e a consequente conquista de novos territórios coloniais na África, Ásia e América, pode-se dizer que o século XVIII registra uma mudança desta “cultura de latitude”, ou expansão marítima, para uma “cultura de longitude”, ou expansão terrestre, como bem lembrou a historiadora e arquiteta urbanista Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno (2004, p. 230). Ainda segundo essa autora, o papel desempenhado por padres jesuítas e engenheiros-militares foi fundamental para o processo de interiorização e formação do território da América portuguesa, no qual se devassou os sertões e se levantou as potencialidades econômicas e informações geográficas que garantiram melhor controle do território sob o domínio português e auxiliaram nas negociações dos tratados de limites com Espanha.

Para o historiador português, Jaime Cortesão, a vinda de padres jesuítas e engenheiros militares à América portuguesa ganhou impulso a partir da leitura que o primeiro geógrafo do rei da França, Guillaume Delisle, fez de sua dissertação perante a Academia Real das Ciências de Paris, em 1720. Intitulada Determination géografique de la situation et l’entendue des diferentes parties de la Terre, esta dissertação marcou a primeira tentativa de remodelar toda a carta da Terra, compilando em um só mapa as alterações de posição dos territórios obtidas a partir das observações das longitudes por meios astronômicos. As correções feitas por Delisle expunham a transferência de soberania operada pela cartografia portuguesa em relação ao vasto território espanhol situado a oeste de Tordesilhas (CORTESÃO, 2006, p.274-276).

Tão logo foi informado das conclusões de Delisle em Paris, d. João V convenceu-se de que era indispensável renovar a cartografia portuguesa através dos novos métodos, especialmente da cultura astronômica, a fim de conferir base científica à diplomacia portuguesa no intuito de “obviar as futuras alegações do governo espanhol, fundadas na situação do meridiano de Tordesilhas” (CORTESÃO, 2006, p. 277-280).

Assim, já em 1722 d. João V manda vir a Portugal dois padres jesuítas napolitanos especialistas em matemática, astronomia, geografia e cartografia: João Batista Carbone (1694-1750) e Domingos Capacci (1694-1736). A eles juntou-se Diogo Soares (1684-1748), também jesuíta, natural de Lisboa e professor da “aula de Esfera” no Real Colégio de Santo Antão[1]. Por sete anos, os padres aguardaram em Portugal pela aquisição da aparelhagem técnica e a indispensável aprendizagem dos novos métodos de medição astronômica. Finalmente, em 1729, o rei português envia os padres matemáticos ao Estado do Brasil, com a tarefa de “fazerem-se mapas das terras do dito Estado não só pela marinha, mas pelos sertões; […] e para esta diligência nomeei dois religiosos da Companhia de Jesus, peritos em matemáticas, que são Diogo Soares e Domingos Capacci, que mando na presente ocasião para o Rio de Janeiro” (GESTEIRA, 2012, p. 207-224).

Assim, não se incorre em erro ao afirmar que as primeiras observações astronômicas realizadas na capitania de São Paulo remontam a vinda dos padres matemáticos à América portuguesa para o levantamento de suas famosas Cartas da Costa do Brasil, atualmente mantidas no acervo do Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa.

[1] “Aula” era o termo utilizado para representar as instituições e práticas educacionais no mundo português. (NEVES, 2000, p. 55-58).

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Figura 1: Uma das cartas da costa da América portuguesa elaboradas pelos padres Diogo Soares e Domingos Capacci, também conhecidos como padres matemáticos. Esta mapeia a costa da capitania de São Paulo desde Santos até a barra da Marambaia, no Rio de Janeiro, dando algum destaque à ocupação que já avançava pelo interior do continente, para além da antiga barreira que representava a Serra do Mar.

FONTE: SOARES, Diogo; CAPACCI, Domingos. Carta 9ª. da Costa do Brazil Ao Meridiano do Rio de Janeiro Dezde a Barra de Santos athe a da Marambaya. [c. 1738]. 1 carta ms. : color., desenho a nanquim; 18,7 x 31,5 cm. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa

Para o levantamento das coordenadas geográficas dos principais povoamentos e fortalezas, em especial o da longitude, a técnica empregada pelos padres matemáticos era aquela desenvolvida por Galileu Galilei no final do século XVI, baseada na observação dos eclipses dos satélites de júpiter. Tal técnica acabou sendo adotada por geógrafos, cartógrafos e topógrafos de todo o mundo para a medição da longitude em terra.

Vale lembrar que quase um século antes dos padres matemáticos, em 1640, o naturalista e cosmógrafo de origem germânica, George Marcgrave, já realizara observações dos eclipses dos satélites de Júpiter e levantamentos de longitude empregando essa mesma técnica no observatório astronômico instalado na casa do Conde Maurício de Nassau, no Recife. A precisão das cartas geográficas elaboradas por Marcgrave a partir desse método, só voltariam a encontrar par na América portuguesa no segundo quartel do século XVIII, justamente com a produção dos padres matemáticos (CINTRA; PEREIRA, 2014, v.1, p. 197-226).

Depois da vinda dos padres matemáticos, dezenas de engenheiros-militares foram enviados à América portuguesa, sobretudo, no âmbito das partidas de demarcações de limites entre as possessões americanas das Coroas Ibéricas decorrentes do Tratado de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777). Ainda assim, poucas foram as cartas geográficas elaboradas na escala da capitania entre a década de 1730 e a primeira metade da década de 1780. Muitos desses engenheiros trabalharam nas partidas de demarcações dos tratados de limite e, quando não estavam nas demarcações, acabavam elaborando cartas que diziam respeito a porções de terrenos ou cursos de rios relacionados às expedições de exploração que comandavam, geralmente, com o fim de mapear uma região.

Exemplos claros dessa atuação são os mapeamentos do sertão de Guarapuava, do Iguatemi, do Ivay, do Tibagi ou o mapeamento do curso para a navegação fluvial do rio Tietê. Será apenas com a chegada do capitão-general Bernardo José de Lorena, em 1788, que se estabelecerá uma divisão de engenheiros, matemáticos e astrônomos na Capitania de São Paulo, que atuarão firmemente na elaboração de uma série de novas cartas na escala da capitania, consideradas bastante precisas para a época.

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Manifesto da ANPUH-Brasil sobre a prisão de Lula

O Hum Historiador, blog de associado da ANPUH, repercute o manifesto da Associação dos Historiadores sobre a prisão de Lula. Abaixo segue a íntegra do manifesto tal como publicado no site da ANPUH-Brasil .

MANIFESTO DA ANPUH-BRASIL SOBRE A PRISÃO DE LULA
do site da ANPUH-Brasil – acesso em 6 de abril de 2018

A democracia brasileira tem sido, ao longo de nossa história, uma construção difícil. Anunciada nos discursos de rua e de cátedra e formalizada em parte de nossos textos constitucionais, sofreu contínuos ataques por parte de setores conservadores e autoritários. Inicialmente restrita à pequena parcela da população, cresceu como uma planta frágil que raramente conseguiu solo fértil para se consolidar. Ao longo de quase 200 anos de Independência e 130 anos de República, nossa história tem sido marcada por uma sucessão de golpes e quarteladas a ameaçarem o estado de direito, nos quais os regimes democráticos aparecem como meros intervalos entre um arbítrio e outro. A ausência de uma cultura cívica republicana e da aceitação da democracia como um valor universal têm nos levado a situações de imensa instabilidade, que por sua vez, abalam os já frágeis pilares de nossa cidadania.

Uma democracia se constrói por meio da livre competição eleitoral, onde há vencidos e vencedores. O custo da derrota deve ser menor que o do desrespeito às regras do jogo. Infelizmente, esse cálculo racional não foi bem equacionado por certos grupos, que indignados com mais uma vitória da oposição, partiram para o ataque contra as instituições.

A decretação em prazo recorde da prisão de Lula é a última expressão dos contínuos ataques que o regime instalado na Carta de 1988 estabeleceu. É por acreditarmos na preservação e consolidação da democracia, que nos solidarizamos hoje com Lula, vítima do arbítrio daqueles que não toleram o livre jogo do mercado político.

A ANPUH, entidade que agrega historiadores de várias regiões do país, não poderia estar indiferente a esta difícil conjuntura pela qual passa o país. Na defesa das instituições, da liberdade de expressão, do estado de direito e do equilíbrio entre os poderes, nos manifestamos pela liberdade de Lula.

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BBC: Brasileiros importam sêmen de brancos estadunidenses

O Hum Historiador abre espaço para repercutir notícia produzida pela BBC e divulgada no site da Socialista Morena em 22 março de 2018. Trata-se do crescimento de mais de 3000%, nos últimos anos, na procura de sêmen de brancos estadunidenses por brasileiros que desejam ter filhos pelo processo de inseminação artificial. As principais interessadas são mulheres ricas solteiras e casais de lésbicas, que indicam preferir crianças brancas de olhos azuis e sardas.

Segue o texto na íntegra, como publicado no site da Socialista Morena.

Eugenia: brasileiros que importam sêmen de brancos dos EUA viram notícia internacional

Wall Street Journal diz que número de brasileiros que prefere doadores brancos e de olhos azuis cresceu 3000% nos últimos anos.

A “LIGA DAS GAROTAS ALEMÃS” DE HITLER

Parece a Alemanha nazista, mas é o Brasil de 2018: o Wall Street Journal traz nesta quinta-feira uma reportagem sobre como a procura por sêmen importado dos Estados Unidos explodiu em nosso país nos últimos anos, graças ao interesse de gente que deseja “branquear” os filhos e garantir que tenham olhos claros e aspecto europeu. Em outras palavras, eugenia. Hitler ficaria orgulhoso.

“Com olhos claros, cabelos loiros e algumas sardas no rosto, o doador número 9601 é um dos mais requisitados por mulheres ricas do Brasil que estão importando o DNA de jovens norte-americanos em números sem precedentes”, diz a reportagem assinada por Samantha Pearson. Baseada em dados da Anvisa, a repórter afirma que a importação de esperma gringo subiu 3000% desde 2011, sobretudo entre mulheres ricas solteiras e casais de lésbicas que preferem perfis de doadores com “pele clara” e “olhos azuis”.

A reportagem cita a política de “branqueamento” que teve lugar em nosso país nos séculos 19 e 20, e o “racismo persistente” em nossos dias para explicar o desejo por filhos arianos. O Brasil foi um dos primeiros países a ter um movimento de “melhoria da raça” organizado, com o surgimento da Sociedade Eugênica de São Paulo, criada em 1918. Entre as iniciativas propostas estava impedir a imigração de pessoas que não fossem brancas. As famílias que estão importando esperma de doadores caucasianos parecem seguir à risca esta orientação.

Além de querer branquear os descendentes, o complexo de vira-latas também é uma razão para a importação: os brasileiros que compram esperma gringo dizem “não confiar” no “produto nacional”, como se estivessem tratando de um produto eletrônico ou tênis de corrida. Segundo uma mãe que importou esperma dos EUA, enquanto aqui as informações sobre o doador seriam precárias, ela conseguiu coletar 29 páginas sobre o doador norte-americano.

“O Brasil compra quase todo o esperma importado de doadores caracterizados como caucasianos. Quase um terço dos espécimes são de doadores loiros e 52% de homens com olhos azuis. O país também aparece como um dos mercados que mais crescem em importação de sêmen nos últimos anos. Mais de 500 tubos de sêmen congelado em nitrogênio líquido chegaram ao Brasil no ano passado, contra 16 em 2011”, diz a reportagem. “Em 2016, casais heterossexuais compraram 41% do esperma importado, mulheres solteiras, 36% e casais lésbicos, 21%, mas a demanda está crescendo entre os dois últimos grupos.”

Leia a reportagem completa, em inglês, aqui.

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