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Vida cotidiana nos campos de refugiados da ONU na Palestina

Abro espaço no blog para repercutir uma matéria de dezembro de 2013, publicada no portal Brasil de Fato, que dá uma ideia de como é a vida cotidiana de humilhação, dor e sofrimento nos campos de refugiados palestinos mantidos pela ONU.

“TEM UMA COLÔNIA ISRAELENSE NO LUGAR DA MINHA VILA”
por José Coutinho Júnior, enviado especial à Palestina para o Brasil de Fato | 27.dez.2013

Foto: Brigada Gassan Kanafani

Nas próximas linhas, a esperança de refugiados em retornar à terra de origem, resistindo ao exército israelense e às difi culdades do dia a dia

“Uma terra sem povo para um povo sem terra”. Esse era o lema do movimento sionista quando começou a ocupar os territórios palestinos em 1948, dando origem ao Estado de Israel. A justifi cativa de que não existia ninguém antes dos judeus na Palestina, e que eles estavam apenas retornando à sua terra sagrada, é amplamente aceita até hoje para justifi car os confl itos que ocorrem no local. A ocupação violenta de 532 vilas palestinas em 1948 por Israel expulsou mais de 750 mil palestinos de suas terras, destruindo suas casas, para que fossem criadas no lugar colônias israelenses, que se expandem em número e tamanho a cada ano.

Nessas colônias, moram civis israelenses que recebem incentivos para permanecer na área, como casa, dinheiro para produção agrária pelo governo de Israel e redução da carga de impostos, além de treinamento militar e armas. Pela proximidade com áreas palestinas, essas colônias têm a função de pressionar os palestinos a abandonar suas terras. “A história ofi cial de Israel diz que os israelenses chegaram aqui e não tinha ninguém nas casas, então eles entraram e ficaram. A história palestina diz que não tinha ninguém nas casas porque os palestinos tinham medo das mortes e dos ataques que estavam ocorrendo nas outras vilas. Ninguém ia sair de suas casas e deixar seus pertences sem motivo”, afirma Aysar Alsaif, refugiado do campo de Deheishe.

Desde 1984, os palestinos expulsos se tornaram refugiados e vivem em 59 campos espalhados pela Palestina, Líbano, Síria e Jordânia, na esperança de um dia retornarem a suas casas. Hoje, a população de refugiados palestinos ultrapassa os 5 milhões.

Os refugiados pensavam que, em algumas semanas, talvez meses, pudessem voltar para suas vilas e casas. Os anos foram passando, as tendas se tornaram casas e os campos de refugiados surgiram. “De 1948 até 1956, moramos em barracas. Em 1956 ocorreu a maior nevasca da Palestina e muitas pessoas morreram de frio. A ONU então  construiu abrigos de 9m² para cada família, não importando se esta tinha um ou dez fi lhos. Era um quartinho, e para cada 15 casas havia um banheiro. Não tinha eletricidade e a água fi cava em um tanque na rua principal. Em 1970, fi zemos a eletricidade funcionar e criamos uma rede de esgoto. Percebemos que demoraríamos para voltar, então queríamos uma vida um pouco mais confortável”, conta Alsaif.

A reportagem do Brasil de Fato visitou dois campos de refugiados próximos a Belém: Aida e Deheishe. Em Ainda vivem 5 mil pessoas, sendo que duas mil são menores de idade, numa área de 700 mil metros quadrados [mesmo espaço da Ceagesp, em São Paulo]. O campo se encontra ao lado do muro construído por Israel para segregar e oprimir os palestinos. A população do campo vem de 27 vilas ocupadas por Israel em 1948. Deheishe tem uma população de 13 mil pessoas que vive em uma área de 500 mil quadrados. É uma das áreas com maior densidade populacional não só da Palestina, mas de todo o mundo. Os campos têm em sua entrada uma chave, símbolo dos refugiados.

Em 1948, muitos foram expulsos violentamente e não tiveram tempo de pegar seus pertences, enquanto outros, ouvindo as histórias da brutalidade israelense, trancaram suas casas e foram embora. A única coisa que levaram foi a chave. A ex-primeira-ministra Golda Meir, uma das fundadoras do Estado de Israel, declarou que quando os velhos que foram expulsos de suas vilas morressem, os jovens esqueceriam da terra de onde vieram e não teriam mais o desejo de voltar.

Resistência

No entanto, ao andar pelas estreitas vielas dos campos, não é isso que se percebe. As paredes e muros das casas estão cheias de frases contra a ocupação israelense. Pinturas dos líderes, mártires e presos políticos palestinos podem ser vistas a todo momento, além de grafites, charges e desenhos políticos denunciando a ocupação.

Os refugiados que vivem na Palestina não se consideram cidadãos daquele território. Segundo Mohammed Youssef, refugiado de Aida, “posso viver na Palestina, mas não vivo na minha vila. Minha vila se chama Deraban, é próxima a Jerusalém, e foi ocupada por Israel em 1948”.

Por não se considerarem cidadãos palestinos, os refugiados que vivem no campo não pagam impostos ao governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), o que gera atritos entre as duas partes. “Não pertencemos a esse lugar, pertencemos às nossas vilas. Por isso a ANP se recusa a fornecer água ou eletricidade para o campo. Estamos sob tutela da ONU, o que legitima a nossa condição de refugiados, não da Autoridade Palestina”, diz Aysar Alsaif. A vida no campo de refugiados é dura.

Em Aida, 65% dos refugiados estão desempregados – a maioria trabalhava no setor de construção em Israel. Após a segunda intifada, em 2003, e com o crescimento das ações de homens-bomba palestinos, eles foram proibidos de ir aos territórios israelenses. Hoje em dia, trabalham nas cidades mais próximas, em especial Belém, principalmente no setor de serviços.

As crianças não têm nenhum tipo de área de lazer, fi cando a maior parte do tempo na rua. Em Deheishe, além dos problemas com falta de água e luz, existe apenas um médico da ONU para atender toda a população. Não há privacidade, pois a área é muito pequena, e cada vez mais casas são construídas em cima de outras, pois os fi lhos dos refugiadosconstituem famílias e não têm condições fi nanceiras de morar nas cidades.

Mohammed Youssef conta que antes da construção do muro, o campo era maior. “Antes do muro, em 2000, lembro que ia jogar numa área, tinha uma praça para as crianças. Hoje o campo é muito pequeno, não há nenhuma área pública, as crianças brincam na rua. Quando a construção começou, houve muitos problemas. Os israelenses atiraram e mataram crianças”.

Relatos

Mas o maior problema dos dois campos é, sem dúvida, a violência. O exército israelense não respeita o fato dos refugiados estarem sob proteção da ONU ou de os campos se localizarem em territórios governados pela ANP. Em Aida, pela proximidade com o muro, há incursões todos os dias. Existe um portão azul em frente ao campo, do qual o exército sai para realizar prisões, jogar bombas de gás lacrimogênio e atirar nos refugiados.

Em julho deste ano, o exército quis entrar no centro cultural do campo, coordenado por Mohammed, pois como o prédio é alto, seria possível monitorar o campo com facilidade. Ele se recusou a abrir a porta, e foi alvejado com um tiro do soldado. Na porta do centro ainda há marcas das balas. Mohammed afi rma que “em 1948 Israel ocupou minha vila, matou pessoas, crianças. Hoje agem da mesma forma e fazem as mesmas coisas. Todas as famílias aqui têm histórias de parentes que já foram presos ou mortos pelo exército”.

Mohammed, ao andar pelo campo, para em diversos locais e conta histórias chocantes relacionadas à violência do exército. “Esta torre do muro está queimada porque um dia era aniversário de um adolescente de 15 anos, que saiu para comprar seu bolo. Ao passar por aqui, um soldado que estava na torre o matou com um tiro. Muitas crianças, revoltadas com o que aconteceu, botaram fogo na torre. Depois disso, no mesmo dia, o exército de Israel veio e prendeu 35 crianças – a mais velha tinha 14 anos”.

Ele conta que na época em que o muro estava sendo construído, muitos moradores do campo começaram a conversar com os trabalhadores, dizendo a eles que o muro só legitimaria ainda mais a opressão de Israel no campo, e que a construção deveria parar. O exército israelense rapidamente prendeu 186 pessoas que conversaram com os trabalhadores.  Destas, 100 eram crianças. Ao se aproximar da escola do campo, administrada pela ONU, Mohammed aponta para aonde deveriam estar as janelas.

“Toda escola do mundo tem janelas, certo? Em 2002, soldados nas torres israelenses atiraram nos vidros da escola e feriram 20 crianças. Assustadas, elas não queriam mais voltar à escola, porque diziam que não queriam morrer. A ONU perguntou ao exército por que eles atiraram na escola, se sabiam que lá só tinha crianças, e a resposta foi: ‘não sabíamos que era uma escola ali’”.

Ainda caminhando, Mohammed aponta para uma casa. “Aqui, Israel colocou uma bomba na porta, bateu, e quando a mulher abriu a porta para ver quem era, a bomba explodiu. Seis fi lhos estavam em casa nessa hora e viram a mãe morrer. Quando a ambulância palestina veio pegar o corpo, o exército impediu a passagem a balas. O corpo só foi retirado dois dias depois, quando a Cruz Vermelha conseguiu entrar”.

Aysar Alsaif afi rma que em Deheishe não é diferente. Lá, o exército entra no campo pelo menos duas vezes por semana. “Às vezes entram para prender pessoas e danifi car casas. Há um mês atrás, prenderam uma criança. Eles também entram por nada, e defi nimos ‘nada’ como o treinamento dos recrutas do exército. A maioria das pessoas nesse campo já foi presa. Uma ou duas pessoas de cada família já passou algum tempo na prisão. Cinco pessoas que estão presas daqui, se somadas a quantidade de anos das condenações, daria mais de 500 anos de prisão, e duas estão presas para sempre”.

Retorno

“Os refugiados que desejam retornar para suas casas e viver em paz com seus vizinhos devem ser permitidos a fazê-lo, na data possível mais próxima, e os que escolherem não retornar devem ser indenizados por perdas de danos as quais, sob princípios da lei internacional de igualdade, devem ser cumpridos pelos governos ou autoridades responsáveis”.

Esse é o artigo 11 da Resolução 194 da ONU, que prevê a volta dos refugiados para seus territórios. No entanto, Israel ignora essa resolução. Um dos motivos é que, se Israel permitir o retorno dos refugiados, a população palestina irá praticamente dobrar: de 6 milhões, passarão a viver no mesmo território 11 milhões de palestinos.

Os refugiados não veem uma solução simples para sua situação. Acreditam que enquanto Israel existir, não irão retornar para suas terras de origem. A luta dos refugiados é, dessa forma, uma luta de resistência contra a ocupação israelense.

Ambos os campos contam com uma organização social. Há um grupo de esportes e dança para as crianças nos dois campos, e em Deheishe existe um departamento de mulheres e um comitê de saúde para suprir a demanda da população por médicos.

“Seguimos resistindo. Sei que esse campo é simbólico, mas eu odeio morar aqui. Não tenho escolha, estou preso aqui, minha vila está a 10 minutos de distância, mas tem uma colônia israelense no lugar dela”, diz Aysar Alsaif.

Segundo Mohammed, a ajuda de organizações de outros países é fundamental para que os refugiados atinjam seus objetivos. “Procuramos paz, queremos voltar para nossas vilas, e tenho certeza que vou voltar. Mas não vamos conseguir sozinhos. Precisamos da ajuda e da solidariedade do mundo todo, para que nós palestinos possamos obter paz e voltar às nossas terras”.

“Quando começamos a resistir por conta própria a tudo isso, nos chamam de terroristas e a lei internacional vai contra nós, mas quando tentamos aplicar esta lei aos crimes de Israel, ela não funciona. Não temos violência injetada no corpo. Somos normais, queremos amar, ser felizes, nos divertir. Mas é uma condição que nos leva à loucura. Não podemos viver por conta da ocupação, e quando reagimos, a comunidade internacional nos chama de terroristas que usam da violência, mas não olham para a ocupação que causa esse processo”, afirma Aysar Alsaif. E, na saída do campo de Aida, uma nuvem de gás lacrimogêneo cobre a visão. “É o exército de Israel que atira o gás nas crianças que jogam pedras no portão. Eles não sabem o que é humano”, lamenta Mohammed

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Batalha se aproximando na Europa

Pedro o Eremita em Cruzada

Iluminura francesa, ca. 1120. O monge Pedro, o Eremita, em cruzada montado em um burro.Imagem: Wikicommons.

O texto a seguir é de autoria de John Feffer e foi publicado originalmente nesta última quarta-feira (14), no portal Foreign Policy in Focus. A missão deste site é divulgar e conectar os textos e ações de mais de 600 acadêmicos e ativistas espalhados pelo mundo. Na sexta-feira (16), Vinicius Gomes traduziu e a Revista Fórum publicou a versão em português que o Hum Historiador repercute aqui, na íntegra, para seus leitores.

UMA NOVA CRUZADA NA EUROPA?
Por John Feffer, em Foreign Policy in Focus | Tradução: Vinicius Gomes

Uma batalha se aproxima pela alma da Europa e a extrema-direita está marchando como se estivesse em 1099. Por isso é necessário resistir chamar de “combatentes” os assassinos de Paris e de “defensores da civilização ocidental” os cartunistas da Charlie Hebdo.

Na primeira Cruzada, a caminho da luta contra os infiéis muçulmanos em Jerusalém, os peregrinos armados fizeram entre si uma pergunta provocativa: por que devemos rumar tão longe para matar pessoas que mal conhecemos, quando nós podemos simplesmente massacrar infiéis mais próximos de casa.

E assim os cruzados do século XI entraram em alguns dos primeiros pogroms na Europa contra os judeus. Esses ataques de fúria antisemitas no coração do continente contavam com a vantagem de ajudar no financiamento da primeira Cruzada, uma vez que os peregrinos se apropriavam da riqueza dos judeus que eles matavam.

Imagem elaborada para representar a Primeira Cruzada.

A Europa está mais uma vez testemunhando o efeito colateral dos conflitos no Oriente Médio. Extremistas que estão envolvidos em modernas cruzadas na região – ou se frustraram em fazer a jornada ao Iraque e à Síria – fizeram a si mesmos uma pergunta muito similar àquela de suas contrapartes do século XI: por que não matar infiéis que estão logo ali do que um infiel tão distante?

A questão é tão horrenda hoje quanto foi mais de 900 anos atrás – assim como o é sua resposta, como o mundo testemunhou semana passada na redação da revista Charlie Hebdo e do mercado kosher em Paris.

Em ambos os casos, os cruzados acreditam que suas ações eram de importância mundial e histórica. No século XI, foi o papa Urbano II que fez o chamado às armas, transformando sedentários cristãos em predadores globais. Hoje, são tipos como Estado Islâmico e al-Qaeda que estão pedindo que seus seguidores matem os hereges. Mas, assim como os pogroms iniciais, assim como o massacre de 2011 por Anders Breivik na Noruega ou os assassinatos étnicos em série de turcos na Alemanha, por neonazistas entre 2000 e 2007, as recentes atrocidades na França não são nada além de atos criminosos.

Isso não é, em outras palavras, um duelo entre as forças da iluminação e as forças da barbárie. Precisa-se resistir à tentação de conferir o status de combatentes aos assassinos, assim como o status de defensores da civilização ao Charlie Hebdo.

A verdadeira batalha

Essas matanças podem não constituir uma guerra, mas elas apontam um profundo conflito dentro da Europa. Esse conflito não é sobre qual religião é a única e verdadeira religião. É sobre a própria identidade do continente.

No século XI, o que animou os cruzados não foi apenas o status de Jerusálem, mas também o temor de que o islã desembarcasse nas praias da Europa – na realidade, os muçulmanos já tinham um pé firme na península ibérica. Hoje, um medo semelhante anima os islamofóbicos e os detratores da imigração na Europa. Eles temem que sua velha visão de uma Europa cristã predominantemente branca – com fronteiras claras definindo quem é francês, quem é alemão e que não pertence à aconchegante cultura da “civilização ocidental” – esteja rapidamente desaparecendo. Eles desaprovam tanto a eliminação das fronteiras internas para maior integração europeia, assim como as transformações demográficas por conta da imigração. Eles lutam desesperadamente para preservar a herança cristã do continente.

Mas a Europa de seus sonhos, considerando que ela alguma vez sequer existiu de verdade, já virou passado. A imigração na Europa não é nada novo, claro, particularmente depois da Segunda Guerra Mundial. As conexões coloniais diversificaram o continente com indonésios indo para a Holanda, argelinos para a França e caribenhos para o Reino Unido. Durante a falta de mão-de-obra nas décadas de 1960 e 70, trabalhadores de fora vindo dos Bálcãs, Turquia e Norte da África choviam em países como Alemanha e Suíça, que possuíam pouca ou nenhuma conexão colonial. Muitos desses trabalhadores voltaram para seus países, mas alguns ficaram, começaram famílias e criaram um multiculturalismo ao pé da letra.

Essas mudanças deram ignição à primeira onda do sentimento anti-imigração. Em 1968, Enoch Powell realizou seu discurso infame sobre “rios de sangue” aos conservadores britânicos, onde ele previu um futuro de violência por conta do fluxo de imigrantes vindos das antigas colônias. A Frente Nacional começou a mobilizar esse sentimento na França no começo da década de 1970, assim como o xenofóbico Partido Republicano na Alemanha, em 1983. Apesar de os “rios de sangue” de Powell não terem vingado, a semente de anti-imigração na política europeia foi crescendo cada vez mais virulenta e a Europa continuou a mudar. As guerras na era pós-Guerra Fria – na Bósnia, Kosovo, Norte da África e no Oriente Médio – levaram para dentro do continente refugiados e migrantes, assim como as perspectivas de uma Europa unificada atraíram pessoas do mundo inteiro.

As mudanças demográficas na Europa na última década têm sido dramáticas: de acordo com o censo populacional da ONU, entre 2005 e 2013, a população imigrante na Suíça saltou de 22,9% para 28,9%; na Espanha foi de 10,7% para 13,8%; na Itália, 4,2% para 9,8%; na Suécia, 12,3% para 15,9%; na Dinamarca, 7,2% para 9,9%; na Finlândia, 2,9% para 5,4%; e no Reino Unido, de 8,9% para 12,4%.

Tais aumentos tão rápidos e em tão curtos períodos de tempo criaram uma ansiedade em populações que não consideram que seus países sejam “sociedades imigrantes”, como Estados Unidos ou Austrália.

Uma islamofobia de conveniência

No interior da Alemanha, a organização Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente (Pediga, sigla em alemão) provou-se ser enormemente popular e um constrangimento para os políticos alemães no alto escalão.

Essa semana, os organizadores do Pegida realizaram uma marcha em Dresden, na esteira das mortes em Paris, e atraíram 25 mil pessoas apesar dos pedidos da chanceler alemã Angela Merkel e outras figuras políticas para que as pessoas ficassem em casa. Apesar de uma contra-demonstração contra o Pegida, também em Dresden, ter atraído 35 mil pessoas, a organização xenofóbica está ganhando força com mais marchas planejadas em outras cidades da Alemanha e até mesmo em outros países.

Sem surpresa alguma, dada sua mensagem anti-imigração e anti-muçulmana, o grupo atraiu um grupo hardcore de extremistas associados a clubes de futebol e gangues de motoqueiros, mas não se engane: o sentimento anti-imigração e islamofóbico é muito popular até mesmo entre os elementos pretensamente respeitáveis na Alemanha.

Na Inglaterra, enquanto isso, o fervor anti-imigração catapultou o Partido da Independência do Reino Unido (Ukip, sigla em inglês) para o terceiro lugar nas últimas eleições. Na esteira das tragédias na França, o líder da sigla, Nigel Farage, falou de uma “quinta coluna” dentro dos países europeus “que tem nossos passaportes, [mas] nos odeiam” – um sentimento que aumentou e muito sua popularidade. Obviamente, Farage é sempre justo em sua xenofobia: no ano passado, quando novas regulações trabalhistas foram aprovadas, dando o direito aos cidadãos da Romênia de trabalhar em qualquer lugar na União Europeia, ele disse que “qualquer pessoa normal e razoável teria perfeitamente o direito de ficar preocupado se um grupo de romenos se mudar para a casa ao lado”.

Mas a organização que melhor se posicionou para surfar na onda islamofóbica que está engolindo a França é a Frente Nacional.

Antes dos recentes assassinatos em Paris, Marine Le Pen já liderava algumas pesquisas para as eleições presidenciais em 2017, e seu partido estava no topo das intenções de votos para eleições locais, agora em março. Le Pen clamou por uma reinstituição de controle de fronteiras e da pena de morte, o que faria a França destoar do resto da Europa. Ela é o rosto do novo extremismo: suficientemente liberal em alguns tópicos (divorciada, pró-aborto), mas tão agressivamente intolerante quanto seus predecessores, como método para encantar sua base.

A islamofobia desses movimentos de extrema-direita é, por muitos motivos, acidental. Eles trafegam em um sentimento anti-islâmico porque é popular e mais palatável do que, por exemplo, o racismo e a xenofobia. É temporada de caça e intolerância aos muçulmanos, porém, essa islamofobia é apenas a ponta da lança – o verdadeiro desejo da extrema-direita é manter fora da Europa todo e qualquer tipo de imigrante.

Evitando os rios de sangue

A primeira Cruzada “libertou” Jerusalém em 1099 em um grande banho de sangue, com os cruzados trucidando tanto muçulmanos quanto judeus, na cidade sagrada. Foi a primeira de meia dúzia de cruzadas que atravessou a Europa e os próximos dois séculos. As vítimas dos últimos cruzados incluíram pagãos, cristãos ortodoxos, hereges albigenses e, até mesmo, durante a quarta Cruzada, a população católica de Zara, onde hoje é a Croácia.

O ciclo de violência iniciada pelo chamado religioso às armas do papa Urbano II ceifou vidas de todos os credos e produziu também grande parte da violência de europeus contra europeus. Extremistas de todos os lados adorariam ver o retorno das Cruzadas. O Estado Islâmico e fragmentos da al-Qaeda gostariam de ver rios de sangue nas ruas da Europa, e a extrema-direita acredita que uma guerra ampla e sem fim contra um inimigo como esse é um caminho para o poder político – uma vez no poder, eles irão ter o seu próprio 11 de Setembro para assim acabar com a integração europeia, levantar um enorme muro ao redor do continente e começar as deportações.

Esqueça essa falsa propaganda de Ocidente versus Islamismo. Isso é historicamente e conceitualmente incorreto. Os dois estão basicamente do mesmo lado contra os crimes do radicalismo. A verdadeira batalha é pela alma da Europa e a extrema-direita está marchando como se estivesse em 1099.


John Feffer é co-diretor do Foreign Policy In Focus no Instituto de Estudos Políticos. Autor de vários livros e numerosos artigos. Já há algum tempo é Writing Fellow na Biblioteca Provisions em Washington, DC e também PanTech fellow em Estudos Coreanos na Universidade de Stanford. Também foi editor associado do World Policy Journal e vem trabalhando como representante de assuntos internacionais na Europa Oriental e Ásia Oriental para o American Friends Service Committee.

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América Latina: O último refúgio da humanidade

Norman G. Finkelstein

Norman Gary Finkelstein, durante uma palestra em 2005

Você pode discordar do título desse post, mas essa é a opinião do cientista político Norman Gary Finkelstein, que nessa última quinta-feira (30) postou um texto em sua página pessoal com título semelhante a este, louvando a atitude de cinco governos latino americanos por chamarem seus embaixadores de Tel Aviv após a campanha ofensiva de Israel na Faixa de Gaza.

Norman Gary Finkelstein (1958- ), cientista político estadunidense, graduou-se pela Universidade do Estado de Nova York, estudou na École Pratique de Hautes Estudes, em Paris, e doutorou-se em Ciências Políticas pela Universidade de Princeton. Filho de judeus sobreviventes do holocausto, suas ideias renderam-lhe uma deportação do Estado de Israel e uma proibição do governo daquele país de pisar em solo israelense por 10 anos.

Finkelstein ficou conhecido por seus textos sobre os conflitos israelo-palestinos e pela polêmica suscitada por seu livro A indústria do Holocausto, no qual faz duras críticas a organizações e personalidades judias que teriam instrumentalizado a Shoah com objetivos políticos, segundo o autor.

O Hum Historiador traz uma tradução livre do post publicado nessa última quinta (30) no blog do cientista político, Norman Gary Finkelstein, visando repercuti-lo entre seus leitores.

EM UM MUNDO DE ESTADOS-GANGSTERS, TODO LOUVOR À AMÉRICA LATINA, O ÚLTIMO REFÚGIO DA HUMANIDADE
por Norman Finkelstein | publicado originalmente em seu blog aos 30.jul.2014

Cinco países da América Latina retiram embaixadores de Israel

Foto de ataque israelense na Faixa de Gaza publicada no blog de Norman G. Finkelstein

A decisão de países latino americanos de chamar seus embaixadores em Tel Aviv é um “desapontamento profundo”, disse Israel.

El Salvador, na última quarta (29), tornou-se o quinto país latino americano a retirar seu embaixador de Israel em protesto à ofensiva militar em Gaza.

Brasil, Chile, Equador e Peru já tinham chamado seus embaixadores.

O porta-voz do ministério das relações exteriores de Israel, Yigal Palmor, disse que tal movimento encoraja o Hamas; “essa decisão encoraja o Hamas que foi reconhecido por vários países como uma organização terrorista. Os países que estão resistindo contra o terror devem agir responsavelmente e não devem recompensá-los. Enquanto o Hamas tem sido considerado o responsável por dificultar o fim do cessar-fogo, espera-se que El Salvador, Peru e Chile apoiem a atitude internacional pela paz e desmilitarização de Gaza”, disse o porta-voz do governo israelense.

Israel havia criticado o Brasil previamente sobre sua decisão de chamar o embaixador em protesto à ofensiva militar de Israel em Gaza.

Brasil foi um dos 29 países no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que votaram na última quarta-feira (29) pela investigação de Israel por sua ofensiva militar em Gaza.

Durante uma visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping em 17 de julho, a presidenta brasileira Dilma Rousseff disse que seu país estava “profundamente preocupado pelos eventos dramáticos” em Gaza.

O número de mortos palestinos ocorrido após um ataque devastador de Israel na Faixa de Gaza elevou para 1283, de acordo com o porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza.

Segundo esse porta-voz, pelo menos 7120 palestinos também saíram feridos nos contínuos ataques perpetrados por Israel desde 7 de julho.

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Reflexões sobre a matança e a destruição na Palestina promovida pelo Estado de Israel

Excelentes as reflexões propostas pelos textos do prof. Vladimir Safatle (Direito de Matar), e por Aldo Cordeiro Sauda e Márcia Camargos na seção Tendências/Debates (Bienal da Destruição), ambos publicados na Folha dessa última terça (22). Especialmente porque rebatem ideias propostas por textos de colunistas e opinadores reacionários dessa mesma Folha, como João Pereira Coutinho (David e Golias), Luiz Felipe Pondé (Marketing Geopolítico) e Flávio Flores da Cunha Bierrenbach (Palestina), que infestam as redes sociais fornecendo respostas prontas à boa parte de quem jamais dedicou uma hora sequer para se informar sobre o assunto e, ainda assim, por viverem em um mundo que demanda opiniões sobre tudo, ainda que superficiais, desejam expressar seus achismos fiando-se em fragmentos de Pondés, Coutinhos e Bierrenbachs, podres de nascença.

Os textos que serão repercutidos aqui, portanto, discutem pontos levantados por esses “pensadores conservadores” tais como: a pretensa cultura do martírio, o uso dos palestinos como escudos humanos, a operação de naturalização da morte dos palestinos, a realidade de milhões de palestinos que vivem como um povo apátrida e sem direitos, o extermínio simbólico dos palestinos e, desde 2006, o efetivo.

Por posicionar-se de modo análogo a Safatle, Sauda e Camargos, o Hum Historiador repercute a íntegra dos textos abaixo no intuito de promover uma discussão sobre.

DIREITO DE MATAR
por Vladimir Safatle para a Folha de S. Paulo | 22.jul.2014

Jake Tapper é jornalista da CNN norte-americana.

Ao entrevistar um representante da Autoridade Palestina, não lhe veio ideia melhor à cabeça do que acusar os palestinos que morrem atualmente em Gaza de serem possuídos por uma “cultura do martírio”, expressa por eles pretensamente se deixarem matar enquanto suas cidades são devastadas [refuta também ideias divulgadas no texto de Luiz Felipe Pondé].

Sim, Jake, você deve ter razão, palestinos não passam de fanáticos irracionais, cuja única razão de existência é obrigar perversamente os ocidentais a saciarem seu estranho desejo de martírio.

Enquanto Jake desfilava seu racismo sem complexos, o governo francês impedia sua população de se manifestar contra a mais recente ação de punição coletiva do governo israelense contra os palestinos. O argumento é que a última manifestação teve confrontes em frente a uma sinagoga envolvendo manifestantes e uma autonomeada Frente de Defesa Judaica (FDJ).

Difícil, neste caso, não lembrar de outra proibição, ocorrida na Inglaterra anos atrás.

Na ocasião, a BBC resolveu produzir uma campanha pedindo donativos para as vítimas de Gaza. No entanto, a mobilização foi vetada. Certamente porque, para a cúpula da emissora, ter compaixão por palestinos já é ser cúmplice do terrorismo internacional. Manifestar-se contra ações militares em um território transformado, segundo o próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron, em “campo de concentração”, deve ser algo da mesma natureza.

Tudo isto demonstra como os palestinos são o verdadeiro sintoma da hipocrisia internacional. Já temos mais de 400 mortos, quase um quarto de crianças, e preferimos não apelar ao “direito de ingerência humanitária”, que permite ignorar soberanias nacionais em caso de catástrofes humanitárias ou lutar por campanhas de boicotes econômicos contra o governo israelense.

Talvez porque os palestinos já foram há muito retirados de sua humanidade. Para uma certa opinião internacional, eles morrerem é algo tão natural quanto as marés. Outros choram lágrimas de silicone ao afirmar que os dois lados estão envoltos em uma “espiral de violência”.

No entanto, não há simetria alguma nessa situação.

Os palestinos tem seu território invadido há décadas em flagrante violação de direito internacional. Hoje sua condição é de milhões de apátridas, desprovidos de qualquer direitos, segregados, vivendo em bantustãs sem cidadania ou sequer um reles passaporte.

Mas, afinal, como dizem alguns que escreveram nesta Folha, os palestinos sequer seriam um povo [referência a texto do juiz aposentado Flávio Flores da Cunha Bierrenbach]. Ou seja, eles já foram exterminados simbolicamente. Só falta exterminá-los efetivamente.


VLADIMIR SAFATLE é professor livre-docente do departamento de filosofia da USP.

BIENAL DA DESTRUIÇÃO
por Aldo Cordeiro Sauda e Márcia Camargos para a Folha de S. Paulo | 22.jul.2014

A punição à desobediência eleitoral palestina não se limita à sufocar Gaza. A cada dois anos, Israel bombardeia e invade o máximo possível.

Jogar bola na praia é algo que todos já fizemos. Brincadeira saudável, atrai qualquer criança. Mas não será assim que as peladas à beira- -mar serão lembradas pela família Bakr. Foi em meio a uma delas que os irmãos Zakaria e Ahed, além de dois primos chamados Mohamed, morreram após um bombardeio de navios de guerra israelenses à costa da faixa de Gaza na última quarta-feira (16). Os meninos tinham entre 9 e 11 anos. Somam-se aos mais de 500 mortos da atual agressão orquestrada por Israel.

A verdade é que a vida em Gaza nunca foi fácil, mas desde que os palestinos da região elegeram o Hamas, em 2006, o cotidiano tornou-se impossível. Assistimos à terceira guerra de Tel Aviv contra a faixa de Gaza, em meio a um cerco por ar, terra e mar que sufoca os palestinos há sete anos.

Muito se fala sobre as ditaduras do Oriente Médio. Porém, quando experiências democráticas produzem governos antipáticos a Israel, passa a prevalecer a tese da “guerra ao terrorismo”, que justifica qualquer ação, até mesmo uma campanha consciente de destruição por completo de uma sociedade.

Segundo a Anistia Internacional, o bloqueio não somente impede a maioria da população de Gaza de sair ou exportar mercadorias, como permite apenas a importação bastante restrita de itens básicos. Não por acaso, materiais como cimento, madeira, canos, vidro, barras de aço, alumínio e peças de reposição são extremamente raros ou indisponíveis. Mas a par de insumos para a construção civil, a lista de proibições israelenses barra produtos tão perigosos quanto grão-de-bico, chá, macarrão, geleia, biscoitos, molho de tomate, quebra-cabeça, lápis e canetinhas de colorir.

A punição à desobediência eleitoral palestina não se limita à política de sufocar Gaza, que se tornou um campo de concentração a céu aberto. De dois em dois anos, Israel bombardeia, invade e destrói o máximo possível da faixa. De acordo com o relatório Goldstone, produzido a pedido da Assembleia Geral da ONU, e de documentos de organizações internacionais de direitos humanos como a Human Rights Watch, destruir Gaza parece ter-se convertido em um dos objetivos preferenciais de Tel Aviv.

Ao longo da incursão israelense de 2009, além de mais de 1.400 mortos e de dezenas de milhares de feridos, Israel destruiu ou danificou 58 mil casas, 280 escolas e creches (18 das quais foram inteiramente pulverizadas junto de seis prédios universitários), 1.500 fábricas e oficinas, as principais instalações de água e esgoto, 80% dos grãos armazenados e quase um quinto da terra cultivável. Os bombardeios israelenses resultaram em 600 mil toneladas de entulho, US$ 900 milhões em destruição e aproximadamente US$ 3,5 bilhões de prejuízo aos palestinos, segundo a Unctad, braço da Organização das Nações Unidas para o desenvolvimento [contra os argumentos de João Pereira Coutinho].

Já em Israel, cuja destruição física em seu território custou em torno de US$ 15 milhões, segundo documento divulgado pelo Estado de Israel, os foguetes do Hamas danificaram “diversas casas de civis e outras estruturas, uma foi quase inteiramente destruída”, conforme a Anistia Internacional.

Ainda segundo a entidade, “ao contrário das afirmações dos representantes israelenses sobre a utilização de escudos humanos’, […]não foram encontradas provas de que o Hamas ou que outros grupos armados locais utilizaram-se de civis para proteger objetivos militares dos ataques”.

O problema, explica o relatório, é que neste território de 360 km2, com 1,8 milhões de habitantes, caracterizando uma das mais densas concentrações humanas do planeta, as instalações do Hamas e os guerrilheiros palestinos misturam-se naturalmente aos civis [contra a pobre argumentação de Luiz Felipe Pondé em seu texto sobre o marketing geopolítico].

A nova aventura israelense em Gaza certamente seguirá seus padrões de destruição bienal, a despeito das críticas que ecoam de todo o mundo. Resta saber se a repetida estratégia vai ter sucesso em minar a independência e a autodeterminação palestinas.


ALDO CORDEIRO SAUDA é cientista político e MÁRCIA CAMARGOS, jornalista e escritora, tem pós-doutorado pela USP.

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ROGER Waters divulga carta aberta em que pede boicote a Israel

Roger WatersRoger Waters, ex-integrante da banda Pink Floyd, publica carta aberta em sua conta do Facebook para pedir a seus colegas do rock que se juntem a ele e outros milhares de artistas ao redor do mundo em um boicote cultural a Israel.

Embora seja datado de 19 de agosto, o pedido foi feito no começo do ano, mas Waters havia dado entrevistas dizendo estar reconsiderando a ideia. A carta que divulgou agora, havia sido reescrita em julho, mas só foi revelada agora.

Waters afirmou que sua decisão foi tomada depois que o virtuoso violinista britânico Nigel Kennedy chamou Israel de um “Estado de Apartheid”, durante um show no famoso Albert Hall, em Londres.

Conforme noticiado por O Globo, crítico ferrenho do governo israelense, Waters chegou a acusar o país de promover um motim. Membro do Tribunal Russell para a Palestina, organização que se diz motivada a levar justiça ao Oriente Médio, Waters defende que a ocupação e os assentamentos em territórios palestinos são obstáculos para a paz. Durante sua turnê do The Wall no Brasil, Waters afirmou que Israel faz terrorismo de Estado.

Para Waters, o cancelamento de um show de Stevie Wonder para a organização Amigos das Forças de Segurança de Israel pode ser encarado como um caso de boicote bem sucedido. Wonder desistiu de participação do evento de arrecadação de fundos após sofrer pressões.

ÍNTEGRA DA CARTA ABERTA DE ROGER WATERS DIVULGADA NO FACEBOOK (EM INGLÊS)

A note from Roger Waters – August 18, 2013
19 de agosto de 2013 às 06:35

18th August 2013 Warsaw

To My Colleagues in Rock and Roll

Nigel Kennedy the virtuoso British violinist and violist, at The Recent Promenade Concerts at The Albert Hall in London, mentioned that Israel is apartheid. Nothing unusual there you might think, then one Baroness Deech, (Nee Fraenkel) disputed the fact that Israel is an apartheid state and prevailed upon the BBC to censor Kennedy’s performance by removing his statement. Baroness Deech produced not one shred of evidence to support her claim and yet the BBC, non political, supposedly, acting solely on Baroness Deech’s say so, suddenly went all 1984 on us.  Well!! Time to stick my head above the parapet again, alongside my brother, Nigel Kennedy, where it belongs.  And by the way, Nigel, great respect man. So here follows a letter last re-drafted in July

25th July 2013

To My Colleagues in Rock and Roll.

In the wake of the tragic shooting to death of un-armed teenager Travon Martin and the acquittal of his killer Zimmerman, yesterday, Stevie Wonder spoke at a gig declaring that he will not perform in the State of Florida until that State repeals it’s “Stand your ground” Law. In effect he has declared a boycott on grounds of conscience. I applaud his position, and stand with him, it has brought back to me a statement I made in a letter I wrote last February 14th, to which I have referred but have never published.

The time has come, so here it is.

This letter has been simmering on the back burner of my conscience and consciousness for some time.

It is seven years since I joined BDS (Boycott Divestment and Sanctions) a non violent movement to oppose Israel’s occupation of the West Bank ,and ,violations of international law and Palestinian human rights. The aim of BDS is to bring international attention to these Israeli policies, and hopefully, to help bring them to an end. All the people of the region deserve better than this.

To cut to the chase, Israel has been found guilty, independently, by international human rights organizations, UN officials, and the International Court of Justice, , of serious breaches of international law.  These include, and I will name only two:

1.The Crime of Apartheid:

The systematic oppression of one ethnic group by another.

On 9 March 2012, for instance, the UN Committee on the Elimination of Racial Discrimination called (http://www2.ohchr.org/english/bodies/cerd/docs/CERD.C.ISR.CO.14-16.pdf) on Israel to end its racist policies and laws that contravene the prohibition against racial segregation and apartheid.

2.The Crime of Ethnic Cleansing:

The forcible removable of indigenous peoples from their rightful land in order to settle an occupying population. For example, in East Jerusalem non Jewish families are routinely physically evicted from their homes to make way for Jewish occupants.

There are others.

Given the inability or unwillingness of our governments, or the United Nations Security Council to put pressure on Israel to cease these violations, and make reparations to the victims, it falls to civil society and conscientious citizens of the world, , to dust off our consciences, shoulder our responsibilities, and act. I write to you now, my brothers and sisters in the family of Rock and Roll, to ask you to join with me, and thousands of other artists around the world, to declare a cultural boycott on Israel, to shed light on these problems and also to support all our brothers and sisters in Palestine and Israel who are struggling to end all forms of Israeli oppression and who wish to live in peace, justice, equality and freedom.

I am writing to you all now because of two recent events.

  1. Stevie Wonder.

Word came to me, the first week of last December that Stevie Wonder had been booked to headline at a gala dinner for the Friends of The Israeli Defence Force in LA on 6th December 2012. An event to raise money for the Israeli armed forces, as if the $4.3,000,000,000 that we the US tax payers give them each year were not enough? This came right after The Israeli defence Force  had concluded yet another war on Gaza, (Operation Pillar of Defence), according to human rights watch, committing  war crimes against the besieged 1.6 million Palestinians there.

Anyway, I wrote to Stevie to try to persuade him to cancel.  My letter ran along these lines, “Would you have felt OK performing at the Policeman’s Ball in Johannesburg the night after the Sharpeville massacre in 1960 or in Birmingham Alabama, to raise money for the Law Enforcement officers, who clubbed, tear gassed and water cannoned those children trying to integrate in 1963?”

Archbishop Desmond Tutu also wrote an impassioned plea to Stevie, and  3,000 others appended their names to a change .org petition. Stevie, to his great credit, cancelled!

2.    Earlier that week I delivered a speech at The United Nations. If you are interested you can find this speech on YouTube.

The interesting thing about these two stories is that there was NOT ONE mention of either story in the mainstream media in the United States.

The clear inference would be that the media in the USA is not interested in the predicament of the Palestinian people, or for that matter the predicament of the Israeli people,. We can only hope they may become interested as they eventually did in the politics of apartheid South Africa.

Back in the days of Apartheid South Africa at first it was a trickle of artists that refused to play there, a trickle, that exercised a cultural boycott, then it became a stream, then a river then a torrent and then a flood, ( Remember Steve van Zant, Bruce and all the others? “We will not Play in Sun City?”) Why? Because, like the UN and the International Courts of Justice they understood that Apartheid is wrong.

The sports community joined the battle, no one would go and play cricket or rugby in South Africa , and eventually the political community joined in as well. We all as a global, musical, sporting and political community raised our voices as one and the apartheid regime in South Africa fell.

Maybe we are at the tipping point now with Israel and Palestine. These are good people both and they deserve a just solution to their predicament. Each and every one of them deserves freedom, justice and equal rights. Just recently the ANC, the ruling party of South Africa, has endorsed BDS. We are nearly there. Please join me and all our brothers and sisters in global civil society in proclaiming our rejection of Apartheid in Israel and occupied Palestine, by pledging not to perform or exhibit in Israel or accept any award or funding from any institution linked to the government of Israel, until such time as Israel complies with international law and universal principles of human rights.

Roger Waters

Em breve o Hum Historiador traz uma tradução livre da Carta Aberta de Roger Waters.

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Cinco razões por que Stephen Hawking está certo ao boicotar Israel

Notícia divulgada pelo portal da Al Jazeera informa que o físico teórico e cosmólogo Stephen Hawking se recusou a participar de uma conferência que está sendo organizada em Israel atendendo a um boicote àquele país em função do tratamento que este vem dando aos palestinos.

Abaixo segue uma tradução livre que fiz da notícia que foi veiculada originalmente no portal em 09 de maio de 2013.

Hawking está de parabéns por ter se retirado de uma conferência israelense como forma de protesto ao tratamento que Israel concede aos palestinos.

por Ben White – 09/mai/2013

Cosmólogo britânico Stephen Hawking havia sido escalado a falar em uma conferência de alto nível em Junho organizada pelo presidente de Israel Shimon Peres [AP]

Conforme anunciado pelo Comitê Britânico para as Universidades da Palestina (BRICUP) e posteriormente pelo The GuardianReuters e outras, o renomado físico teórico e cosmólogo Professor Stephen Hawking decidiu atender o chamado palestino por boicote, e se retirar de uma conferência israelense organizada pelo presidente Shimon Peres em Junho. Após uma confusão inicial notícia foi confirmada – Hawking irá se manter afastado por razões políticas.Aqui estão cinco razões pelas quais o Professor Hawking está correto ao optar pelo boicote:5. Encobrimento do ApartheidO governo israelense e vários grupos de lobistas utilizam eventos como as “Conferências Presidenciais” para to encobrir os crimes cometidos por Israel no passado e no presente, uma tática algumas vezes referidas como “rebranding”. Como Ministro das Relações Exteriores informou oficialmente após o massacre de Gaza em 2009, este é o tipo de abordagem que significa enviar “romancistas e escritores famosos para o exterior, companhias de teatro, [e] exposições” com o objetivo de “mostrar a face bonita de Israel, de modo que nós não sejamos lembrados apenas no contexto da guerra”. “a marca Israel” é sobre criar uma imagem positiva para um país que é o alvo das campanhas de Direitos Humanos ao redor do planeta – como se inovações tecnológicas ou conferências de alto nível pudessem esconder a realidade da ocupação e limpeza étnica.4. Shimon Peres Apesar de sua reputação no ocidente como uma “pomba”,  a carreira de Peres até os dias de hoje inclui crimes de guerra no Líbano, apoio à punição coletiva de Palestinos em Gaza, e, em conversas privadas, incitação contra cidadãos não judeus. Qualquer um faria bem em evitar uma conferência organizada por tamanho hipócrita. Simplesmente não ser Ariel Sharon não basta; Peres deverá agendar uma viagem para Haia não atendendo dignatários estrangeiros e celebridades.

3. Boicote não é incompatível com ‘diálogo’ 

Na contramão da retórica de funcionários e simpatizantes do governo de Israel, boicote não é contrário ao diálogo. A decisão de Hawking, por exemplo, significará que as pessoas estão discutindo políticas israelenses e estratégias para acabar com a ocupação. Isso não é átipico – iniciativas BDS normalmente encorajam uma significativa troca de pontos de vista e perspectivas. No entanto, algumas pessoas abusam do conceito de diálogo para defender um status quo assimétrico, deixando intacto uma dinâmica de poder colonial na qual, segundo as palavras do poeta sul africano James Matthews, “o opressor permanece cauterizado com seus despojos/sem nenhum desejo de compartilhar igualdade/deixando o oprimido procurando o calor/no fogo frio do/Diálogo”. Boicote não tem nada a ver com ter, ou não ter, conversações – é sobre ser responsável , e se opor, violações básicas dos direitos das pessoas. Confrontar e resistir a realidade do apartheid israelense gera um diálogo que é completamente realizado no contexto da igualdade e descolonização.

2. Impunidade e responsabilidade 

O boicote é fundado firmemente em fatos bem documentados sobre as políticas de Israel. O Departamento de Estado dos Estados Unidos fala de “discriminação institucional” sofrida por cidadãos palestinos, enquanto o  Human Rights Watch diz que Israel mantém um “sistema de dois níveis” na Cisjordânia. Do controle “discriminatório” e  distribuição dos recursos hídricos (Anistia Internacional) até as “transferências forçadas da população nativa” (União Européia), não surprende que o Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial relatou Israel por ter violado proibições contra “segregação racial e apartheid”.

Assentamentos ilegais são utilizados para colonizar a Cisjordânia, palestinos em Gaza são bloqueados e bombardeados, palestinos em Jerusalém Oriental tem suas casas demolidas – e ao mesmo tempo, é claro, os refugiados palestinos expulsos a apenas algumas milhas de suas propriedades ainda são impedidos de retornar a suas casas sob a alegação de que não são judeus. E percebam que o argumento “mas o que aconteceu em China/Myanmar/Síria etc” perde o ponto (assim como coloca Israel em uma companhia bastante interessante). Um boicote é uma tática, recomendável em alguns contextos, e não em outros. Não é sobre uma escala de injustiças ou de ilegalidade. Trata-se de uma estratégia cujo alvo são os abusos de direitos humanos e violações do direito internacional, solicitado pelo colonizado. O que nos traz a…

1. O chamado palestino por solidariedade 

Palestinos sofrendo sob o apartheid israelenses estão clamando por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) como uma estratégia na realização de seus direitos básicos, um fato que muitos sionistas optam por ignorar quando atacam as campanhas de boicote. O chamado da sociedade civil palestina por BDS foi lançado oficialmente em 9 de julho de 2005, um ano após a opinião do consultor da Corte Internacional de Justiça sobre a ilegalidade do Muro de Separação de Israel. O clamor dos signatários do BDS partiram de representantes dos palestinos na Cisjordânia e Faixa de Gaza, cidadãos palestinos de Israel, e refugiados palestinos. Desde então, números crescentes de pessoas da academia, mundo da arte, sindicatos e comunidades religiosas atenderam o chamado de BDS com iniciativas que colocaram o foco firmemente nas violações rotineiras de Israel do direito internacional e terminando com a cumplicidade nesses crimes. O professor Hawking está de parabéns em seguir os conselhos de acadêmicos palestinos, e atender seu pedido de solidariedade internacional em um luta de décadas por liberdade e justiça.

Ben White é um jornalista freelance, escritor e ativista, especializado na questão Palestina/Israel. Ele é graduado pela Universidade de Cambridge.

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Noam Chomsky e colegas denunciam cobertura da mídia sobre Gaza

do Vermelho – publicado também em Viomundo

Noam Chomsky

Em texto manifesto, linguistas denunciam a manipulação do noticiário pela grande imprensa para camuflar o massacre do povo palestino, apelam a jornalistas para que não sirvam de joguetes e para que as pessoas se informem pela mídia independente. Entre os signatários, Noam Chomsky. Confira a íntegra.

Enquanto países na Europa e América do Norte relembravam as baixas militares das guerras presentes e passadas, em 11 de Novembro, Israel estava alvejando civis. Em 12 de novembro, leitores que acordavam para uma nova semana tiveram já no café da manhã o coração dilacerado pelos incontáveis relatos das baixas militares passadas e presentes.

Não havia, porém, nenhuma ou quase nenhuma menção ao fato de que a maioria das baixas das guerras modernas de hoje são civis. Era também difícil alguma menção, nessa manhã de 12 de novembro, aos ataques militares à Gaza, que continuaram pelo final de semana. Um exame superficial comprova isso na CBC do Canada, Globe and mail, na Gazette de Montreal e na Toronto Star. A mesma coisa no New York Times e na BBC.

De acordo com o relato do Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR, pela sigla em inglês) de domingo, 11 de Novembro, cinco palestinos, entre eles três crianças, foram assassinados na Faixa de Gaza, nas 72 horas anteriores, além de dois seguranças. Quatro das mortes resultaram das granadas de artilharia disparadas pelos militares israelenses contra jovens que jogavam futebol. Além disso, 52 civis foram feridos, seis dos quais eram mulheres e 12 crianças. (Desde que este texto começou a ser escrito, o número de mortos palestinos subiu, e continua a aumentar.)

Artigos que relatam os assassinatos destacam esmagadoramente a morte de seguranças palestinos. Por exemplo, um artigo da Associated Press publicado no CBC em 13 de novembro, intitulado “Israel estuda retomada dos assassinatos de militantes de Gaza”, não menciona absolutamente nada de civis mortos e feridos. Ele retrata as mortes como alvos “assassinados”. O fato de que as mortes têm sido, na imensa maioria, de civis, mostra que Israel não está tão engajado em “alvos” quanto em assassinatos “coletivos”. Assim, mais uma vez, comete o crime de punição coletiva.

Outra notícia de AP na CBC de 12 de novembro diz que os foguetes de Gaza aumentam a pressão sobre o governo de Israel. Traz a foto de uma mulher israelense olhando um buraco no teto de sua sala. Novamente, não há imagens, nem menção às numerosas vítimas sangrando ou cadáveres em Gaza. Na mesma linha, a manchete da BBC diz que Israel é atingido por rajadas de foguetes vindos de Gaza. A mesma tendência pode ser vista nos grandes jornais da Europa.

A maioria esmagadora das notícias enfatizam que os foguetes foram lançados de Gaza, nenhum dos quais causaram vítimas humanas. O que não está em foco são os bombardeios sobre Gaza, que resultaram em numerosas vítimas graves e fatais. Não é preciso ser um especialista em ciências da mídia para entender que estamos, na melhor das hipóteses, diante de relatos distorcidos e de má qualidade e, na pior, de manipulação propositadamente desonesta.

Além disso, os artigos que se referem à vítimas palestinas em Gaza relatam consistentemente que as operações israelenses se dão em resposta ao lançamento de foguetes a partir de Gaza e à lesão de soldados israelenses. No entanto, a cronologia dos eventos do recente surto começou em 5 de novembro, quando um inocente, aparentemente mentalmente incapaz, homem de 20 anos, Ahmad al-Nabaheen, foi baleado quando passeava perto da fronteira. Os médicos tiveram que esperar seis horas até serem autorizados a buscá-lo. Eles suspeitam que o homem pode ter morrido por causa desse atraso. Depois, em 08 de novembro, um menino de 13 anos que jogava futebol em frente de sua casa foi morto por fogo do IOF, que chegou ao território de Gaza em tanques e helicópteros. O ferimento de quatro soldados israelenses na fronteira em 10 de novembro, portanto, já era parte de uma cadeia de eventos que começou quando os civis de Gaza foram mortos.

Nós, os signatários, voltamos recentemente de uma visita à Faixa de Gaza. Alguns de nós estamos agora conectados aos palestinos que vivem em Gaza através de mídias sociais. Por duas noites seguidas, palestinos em Gaza foram impedidos de dormir pela movimentação contínua de drones, F16, e bombardeios indiscriminados sobre vários alvos na densamente povoada Faixa de Gaza . A intenção clara é de aterrorizar a população, e com sucesso, como podemos verificar a partir de relatos dos nossos amigos. Se não fosse pelas postagens no Facebook, não estaríamos conscientes do grau de terror sentido pelos simples civis palestinos em Gaza. Isto contrasta totalmente com a consciência mundial sobre cidadãos israelenses chocados e aterrorizados.

O trecho de um relato enviado por um médico canadense que esteva em Gaza, servindo no hospital Shifa ER no final de semana, diz: ” os feridos eram todos civis, com várias perfurações por estilhaços: lesões cerebrais, lesões no pescoço, tamponamento cardíaco, ruptura do baço, perfurações intestinais, membros estraçalhados, amputações traumáticas. Tudo isso sem monitores, poucos estetoscópios, uma máquina de ultra-som. …. Muitas pessoas com ferimentos graves, mas sem a vida ameaçada foram mandadas para casa para ser reavaliadas na parte da manhã, devido ao grande volume de baixas. Os ferimentos por estilhaços penetrantes eram assustadores. Pequenas feridas com grandes ferimentos internos. Havia muito pouca morfina para analgesia.”

Aparentemente, tais cenas não são interessantes para o New York Times, a CBC, ou a BBC.

Preconceito e desonestidade com relação à opressão dos palestinos não é nada novo na mídia ocidental e tem sido amplamente documentado. No entanto, Israel continua seus crimes contra a humanidade com a anuência plena e apoio financeiro, militar e moral de nossos governos, os EUA, o Canadá e a União Europeia. Netanyahu está ganhando apoio diplomático ocidental para operações adicionais em Gaza, que nos fazem temer que outra operação Cast Lead esteja no horizonte. Na verdade, os novos acontecimentos são a confirmação de que tal escalada já começou, como a contabilização das mortes de hoje que aumenta.

A falta generalizada de indignação pública a estes crimes é uma conseqüência direta do modo sistemático em que os fatos são retidos ou da maneira distorcida que esses crimes são retratados.

Queremos expressar nossa indignação com a cobertura repreensível desses atos pela mainstream mídia (grande imprensa corporativa). Apelamos aos jornalistas de todo o mundo que trabalham nessas mídias que se recusem a servir de instrumentos dessa política sistemática de camuflagem. Apelamos aos cidadãos para que se informem através de meios de comunicação independentes, e exprimam a sua consciência por qualquer meio que lhes seja acessível.

Hagit Borer, linguista, Queen Mary University of London (UK)

Antoine Bustros, compositor e escritor, Montreal (Canadá)

Noam Chomsky, linguista, Massachussetts Institute of Technology, USA

David Heap, linguista, University of Western Ontario (Canadá)

Stephanie Kelly, linguista, University of Western Ontario (Canadá)

Máire Noonan, linguista, McGill University (Canadá)

Philippe Prévost, linguista, University of Tours (França)

Verena Stresing, bioquímico, University of Nantes (França)

Laurie Tuller, linguista, University of Tours (França)

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