Estas férias de 2011/2012 entrarão na história da USP como aquelas em que os movimentos e organizações estudantis foram mais atacados por um único reitor depois do período da ditadura. Apenas para se ter uma ideia, no intervalo de apenas uma semana, vimos o reitor pedindo ação dos governos de São Paulo para reurbanizar áreas vizinhas ao Campus da USP, o que indica que uma higienização nas comunidades de São Remo e Carmine Lourenço, entre outras, está a caminho, conforme comentamos no post de 09/02/2012.
Reitoria querem, de fato, integrar a USP com as comunidades vizinhas, então porque cria este Bilhete Único da USP??? É óbvio que essa história de USP de portões abertos para a comunidade não passa de balela e que, para a reitoria da Universidade, lugar de pobre é fora da USP. Agora até mesmo quem não for estudante, se não tiver carro e quiser circular dentro do campus, terá que pagar. Pobre não tem vez!!! Visitante bom são os riquinhos de academia tipo Run & Fun e Runner que vão fazer seus treinos com vans personalizadas, personal trainners e isotônicos lá dentro do campus, isso sem falar naqueles ciclistas com suas roupas cheias de anúncios, como lembrou a amiga Juliana. Para estes, o magnífico Reitor até aumenta o policiamento para garantir a segurança deles. Portanto, a ação de criar um bilhete único da USP, visa claramente diminuir o número de pessoas não ligadas a Universidade utilizando os circulares. UM ABSURDO!!!!
E hoje, novamente, por volta das 5h da manhã o Reitor Rodas chamou a Polícia Militar para acabar com a ocupação da moradia Retomada. Na operação de hoje, doze estudantes foram presos, apesar de não terem resistido. A advolgada Ana Lúcia Marchiori disse que o mandado de reintegração de posse foi expedido no dia 17, sexta-feira. “Foi feito de propósito para que a ação fosse feita no fim de semana e evitar a repercussão”. Os alunos detidos, exceto uma adolescente de 17 anos que também havia sido detida, responderão por desobediência e danos ao patrimônio. “Só que não havia perito para atestar os danos ao patrimônio e não houve resistência”, defende a advogada. Ou seja, uma vez mais, nossos colegas serão criminalizados por fazerem uma manifestação legítima e política dentro do ambiente universitário.
Para recuperar o histórico desta ocupação, em março 2010, diante da triste situação da assistência e permanência estudantil na USP, quando mais de 100 calouros que tiveram o alojamento emergencial negado pela Coordenadoria de Assistência Social, estudantes retomaram um espaço no Conjunto residencial da USP (CRUSP) que havia sido tomada pela Divisão de Promoção Social da COSEAS e pelo banco Santander, inviabilizando a utilização do espaço como moradia estudantil. A então Moradia retomada foi uma forma de viabilizar moradia a estudantes que não conseguiam passar pelo “pente fino” da Reitoria para garantir o que deveria ser um direito: a moradia estudantil assegurada pela Universidade.
Abaixo, um vídeo gravado em 30/01/2012, portanto, 20 dias antes da ação de reintegração realizada pela PM, onde professores e membros do SINTUSP dão seu depoimento sobre o estado de conservação das moradias retomadas e declaram seu apoio total ao movimento.
E, em seguida, um vídeo realizado por testemunhas que registraram a invasão da tropa de choque no CRUSP ocorrida neste último domingo de carnaval, dia 19 de fevereiro de 2012.
No dia 20 de janeiro de 2012, a Rádio Brasil Atual recebeu em seus estúdios os estudantes Augusto Saraiva e Rosi Santos, que foram presos na operação policial, e a aluna Laura Lima, moradora de outro bloco do Crusp, que presenciou a ação da PM. Em entrevista à repórter Lúcia Rodrigues, eles descrevem o que ocorreu na reintegração da área. Escute a entrevista na Rádio Rede Brasil.
Durante a entrevista, uma DENÚNCIA muito grave foi realizada por uma das estudantes presas, que informou que O médicO que realizou o exame de corpo de delito no IML obrigou as estudantes presas a “baixarem suas calcinhas” e ficarem COMPLETAMENTE NUAS diante DELE.
Conforme destacado por uma das alunas durante a entrevista, uma das estudantes presas estava grávida e foi arrastada pela Polícia Militar da moradia ocupada até o ônibus da polícia que a levaria até o D.P. Um vídeo contendo estas imagens foi gravado por moradores do CRUSP. Percebam que os policiais tem o cuidado de colocar um cobertor sobre a barriga da grávida para esconder a vergonhosa maneira como a estavam tratando. A estudante retira o cobertor, mas um policial rapidamente recoloca o cobertor no local.
Como destacou um professor da História nas redes sociais, “Em pleno Carnaval…semanas antes de começarem as aulas…
Não são os alunos “radicais”, os funcionários “malucos” ou os professores “esquerdistas” que não querem a volta à “normalidade” na USP. É o Reitor. Na verdade, o “normal” na USP é isso mesmo.”
OUTROS TEXTOS E VÍDEOS RELACIONADOS
- Depoimentos de estudantes presos na reintegração de posse do último dia 19/02, denuncia médico que realizou o exame de corpo de delito no IML a ter obrigado as estudantes a ficarem completamente nuas diante dele.
- PM faz reintegração de posse em prédio da moradia estudantil da USP – IG Último Segundo
- Café com choque e estilhaços – Outro vídeo da invasão da Tropa de Choque ao Campus da USP no domingo de Carnaval.
- Vídeo gravado de dentro do CRUSP mostrando o momento em que o ônibus da PM leva os doze detidos à DP.






No campo da música, TV ou cinema, muitos artistas passaram a utilizar as roupas e cortes de cabelos valorizados por estes movimentos, criando uma tendência a ser seguida pelos fãs e multiplicada nas ruas. No Brasil, Wilson Simonal, Jorge Ben Jor, Jair Rodrigues e Tim Maia são apenas alguns exemplos que inspiravam os jovens dos anos 70. É claro que toda essa problemática vivenciada pela sociedade da época, apareceria nas letras das músicas produzidas então. Nada mais significativo do que Zumbi, um líder negro que lutava contra as injustiças perpetradas por uma sociedade escravocrata em prejuízo dos negros, ser justamente o tema central de uma canção composta por Jorge Ben Jor exatamente nesta época. Afinal de contas, Zumbi é um exemplo de luta, um exemplo de resistência a ser seguido.
O professor Arantes ainda sugere que uma investigação detalhada seja feita e, obrigatoriamente, passe pela questão de como está sendo investido o dinheiro da Universidade. “O grande problema hoje é saber o que acontece com o orçamento da USP, o que a reitoria faz com ele. A maior universidade do país nada em dinheiro, mas não contrata, não faz nada a não ser serviços de zeladoria dentro do campus. Por que isso? O esquema da arapongagem é mais um elemento na luta contra a reitoria, pois evidencia mais uma de suas ferramentas, mas gostaria de ver uma investigação sobre o dinheiro”.
Maldos conclui seu depoimento lembrando que, ao testemunhar nove horas a maneira como a polícia executou a operação de reintegração de posse, ele pode dizer que as polícias estavam ali com ordens muito claras em relação a população do Pinheirinho: cercar e aniquilar. Disse que as ondas de ataques à população durante todo o período em que ele testemunhou, foram muito violentas e não importava se as vítimas fossem crianças, mulheres, idosos e deficientes. Com tudo o que viu, não lhe restaram dúvidas quanto as intenções das polícias no Pinheirinho. O banho de sangue só foi evitado graças à inteligência da liderança dos moradores do Pinheirinho que, uma vez que tinham sido surpreendidos, ponderaram que o melhor naquele momento não seria optar pelo enfrentamento, mas sim pedir a todos que não reagissem e que ficassem dentro de suas casas.


O direito à moradia adequada é sistematicamente violado quando os países se preparam para sediar grandes eventos como Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos. Já havia sido assim em Beijing e também na África do Sul, portanto não seria diferente no Brasil, como reportou às Nações Unidas a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e também relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik. Para ela, na história dos megaeventos esportivos, o propalado legado urbanístico e socioeconômico é a exceção, não a regra. Muito mais frequentes são os casos em que as populações desassistidas se transformam em vítimas de um processo atropelado de remoção e as contas das cidades mergulham no vermelho.
Com a transformação do Brasil em um imenso canteiro de obras, o fato de existirem pessoas vivendo onde se deseja construir acaba se tornando um grande problema, como lembra um post no 